Colecionador denuncia roubo de óleo Fetiche, de Portinari +
O advogado e colecionador Carlos Ely Eluf, residente em São Paulo, registrou no 91º Distrito Policial de São Paulo um boletim de ocorrência denunciando o furto em sua residência de uma pintura a óleo sobre cartão de Candido Portinari. Na verdade, além de furtada, a obra foi substituida por uma réplica grosseira. O fato só foi descoberto há poucos dias, depois da visita da filha de Eluf, Carolina Ely Eluf, que notou que o quadro não era o mesmo com o qual ela convivera. A obra intitulada “Fetiche” data de 1959, mede 26,5 cm x 17,5 cm e esta assinada e datada na metade inferior à direita. A obra está registrada no Projeto Portinari sob os códigos FCO 3159 CR 4516 e sua ficha descreve que se trata de uma ilustração para a capa do programa teatral “Maria Stuart”, de Friedrich Schiller, encenada no Teatro Cacilda Becker, em São Paulo. Segundo artigo publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" em 10/3/13, Ely Eluf disse que um marchand o visitou no último mês com uma mala e saído de lá uma hora depois. A delegada Beatriz Bravo Ernandes (15º DP do Itaim Bibi) deverá ouvir pai e filha nos próximos dias e, depois o marchand mencionado.
Quem tiver informações sobre a obra deve entrar em contato pelo e-mail carolinaeluf@elufadvogados.com.br ou com o próprio Projeto Portinari no e-mail pp@portinari.org.br.
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Assista uma entrevista com o colecionado e sua filha sobre o furto no site www.tv.estado.com.br. Escreva Portinari na busca e tenha acesso ao vídeo.
Quatro telas de Sylvio Pinto são levadas mediante fraude +
Ubirajara Pinto, filho do pintor e curador do Projeto Sylvio Pinto, comunica que em 30/4/13 foi vítima de um golpe no qual dois sujeitos adquiriram quatro pinturas de seu pai mediante depósito fraudulento. Segundo Ubirajara, os quadros já estão sendo oferecidos no mercado de arte.
Os interessados em receber as imagens dos estelionatários e das quatro telas podem entrar em o contato com Ubirajara Pinto pelos e-mails ubirajarapinto@gmail.com e marchandubirajarapinto@hotmail.com.
Quadro furtado de Chagall é encontrado em casa de ex-jogador da Juventus +
O quadro "Le un au Bouquet", do pintor bielorrusso Marc Chagall (1887-1985), foi encontrado pela polícia italiana na casa do ex-jogador Roberto Bettega, da Juventus, dez anos após ter sido furtado.
A informação é do jornal espanhol "El País". Segundo o diário, três pessoas foram denunciadas pelo crime, entre elas o dono de uma galeria de arte de Bolonha, que vendeu a obra ao ex-futebolista.
O quadro foi furtado do iate de um americano, enquanto a embarcação ficou em manutenção no porto italiano de Savona, durante um período de quase um ano --entre fevereiro de 2002 e janeiro de 2003.
Os criminosos substituíram a obra, pintada em 1920, por uma réplica, e o furto só foi descoberto depois que o filho do dono do barco viajou à Itália para buscar a embarcação, pouco depois da morte do pai.
O herdeiro convocou um expert que garantiu que o quadro era uma cópia do original.
Bettega comprou "Le un au Bouquet" numa galeria em 2003, pelo valor de € 1,2 milhão (R$ 3,1 milhões). Segundo os investigadores, o ex-jogador desconhecia a origem da pintura e por isso não é considerado suspeito.
Ele chegou a receber uma nova autenticação dada pela própria Fundação Chagall de que seu quadro era original.
Além do dono da galeria, foram detidos dois romenos, suspeitos de terem cometido o crime. Um deles é um ex-tripulante do iate.
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Artigo publicado na "Folha Ilustrada", do jornal "Folha de S. Paulo", em 8/4/13, e divulgado na newsletter do site www.touchofclass.com.br
Mural de Banksy roubado em Londres é oferecido para venda nos EUA +
Um mural do artista britânico Banksy pintado pouco antes do aniversário de 60 anos de reinado da rainha Elizabeth 2ª, no ano passado, e que havia desaparecido de uma rua de Londres, está sendo oferecido para venda em um site de leilões dos Estados Unidos. A imagem, que mostra um menino debruçado sobre uma máquina de costura foi roubada e agora está à venda em Miami, com preço estimado em £ 320 mil (cerca de R$ 972 mil).
"Os moradores ficaram chocados com o fato", disse o político Alan Stricklandele à rede BBC. "Banksy deu essa obra de arte para a nossa comunidade, e as pessoas vinham de todas as regiões de Londres apenas para vê-la."
A casa de Leilões Fine Art Auctions, de Miami, descreveu o trabalho como uma obra de "estêncil e tinta spray". A instituição diz desconhecer que o mural foi roubado, afirmando que a obra veio de um "colecionador conhecido". Tim McDonnell, diretor da casa de leilões, disse: "Temos um código claro de conduta para todos os nossos fornecedores e uma postura ética forte em todas as questões de trabalho."
O trabalho foi feito em um muro de Wood Green, no norte de Londres, em maio do ano passado. Ele foi pensado para ser uma crítica à exploração do trabalho. Na noite da última sexta-feira (15/02/13), os moradores da região perceberam movimentações de andaimes. No dia seguinte, a obra havia sumido da parede. Os proprietários do imóvel foram procurados pela polícia e agora devem responder se a obra foi retirada com autorização.
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Texto publicado no jornal Folha de S. Paulo | 18/02/13. Foto da obra de Banksy, roubada de uma rua em Londres e que agora é leiloada em Miami.
Quadros roubados por nazistas e expostos no Louvre serão devolvidos +
Sete obras tomadas de seus donos judeus na década de 1930 estão sendo devolvidas às famílias às quais pertenciam originalmente na França. Elas incluem quatro quadros atualmente expostos no Louvre.
O governo francês vem recentemente tentando reparar os danos da ocupação nazista (1940-1944) ao devolver todo tipo de arte saqueada, roubada ou apropriada de maneira indevida. A ação faz parte desse projeto.
Seis das obras eram de Richard Neumann, um judeu austríaco que vendeu sua coleção por um valor irrisório para obter dinheiro para deixar a França. A sétima foi roubada em Praga, e pertencia a Josef Wiener, um banqueiro judeu. As sete obras haviam sido escolhidas para uma exposição na galeria de arte que Adolf Hitler queria construir na cidade austríaca de Linz, onde ele cresceu.
As queixas das famílias foram finalmente validadas pelo governo da França em 2012, depois que se comprovou a origem de cada um dos quadros. As obras da coleção de Neumann serão entregues ao seu neto, Tom Selldorff, hoje com 82 anos e morando nos Estados Unidos.
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Texto publicado no jornal Folha de São Paulo | 15/02/13. Foto da obra "A Tentação de Santo Antônio", de Sebatien Ricci (1659-1734).
Mexicanos lutam para conter furtos de obras de arte em igrejas +
Cholula, uma pequena e pitoresca cidade a 130 km a sudeste da Cidade do México, teria uma igreja para cada dia do ano. Na realidade, são cerca de 80, muitas das quais datadas do século 17 e cheias de pinturas e esculturas da época. É o que basta para atrair multidões de fiéis --e ladrões.
Na Igreja de Santa María Acuexcomac, uma moldura dourada vazia pende junto à entrada (foto). Ficaram só as bordas recortadas da tela, onde os ladrões mergulharam seus canivetes. Sombras em forma de anjos, marcadas por anos de luz do sol, hoje aparecem nas paredes de onde foram arrancadas esculturas.
O roubo de arte religiosa não é novidade aqui, mas um assalto em outubro, quando pelo menos uma dúzia de imagens foram levadas, algumas com a ajuda de andaimes, deixou a cidade em alerta.
Soma-se a isso o aumento da atividade das gangues e autoridades em geral alheias e mal equipadas. Os cidadãos, conhecidos por seu fervor religioso, encontraram um modo próprio de reagir: eles mesmos reforçaram a vigilância.
Um sistema de vigilância humano para igrejas existe desde os tempos coloniais, mas, com o aumento dos roubos, algumas igrejas duplicaram o número de voluntários, acrescentaram plantões noturnos e armaram seus protetores. "Cholula passou de uma cidade tranquila para o completo oposto", disse Rufino Arenas, que ajuda a proteger Santa María Acuexcomac, a igreja de sua infância.
Herminio Toxqui mudou sua família para uma sala atrás do altar da Igreja da Santíssima Trindade, que foi quase totalmente saqueada em 2008. Assim, ele sempre está alerta para tocar o sino se detectar alguma atividade suspeita.
Em San Gregorio Zacapechpan, pilhada em 2010, foram montados plantões obrigatórios para todos os homens saudáveis. Eles devem estar preparados para enfrentar bandidos armados. "As pessoas sabem que quando vêm fazer a vigia devem trazer suas armas", disse o reverendo Patricio Solís Soriano, capelão da igreja.
Até os migrantes de Cholula que moram nos Estados Unidos, a maioria nos Estados de Illinois e de Nova York, estão envolvidos. Eles organizaram um evento para angariar fundos depois de um roubo recente. Compraram e enviaram câmeras de vídeo que se escondem nos arcos de San Gregorio Zacapechpan.
Muitos membros da comunidade, porém, não têm consciência do valor das obras de arte. "Nem mesmo nossos bisavós sabiam", disse uma mulher na missa de Santa María Acuexcomac.
Os envolvidos nos furtos têm uma noção melhor de como esse negócio é lucrativo. Pinturas de temas religiosos do século 18 do artista mexicano Miguel Cabrera foram vendidas por US$ 362.500 em 2010, segundo uma publicação on-line da casa de leilões Sotheby's.
Esforços de autoridades mexicanas, americanas e outras para encontrar pinturas religiosas roubadas muitas vezes falham porque poucas obras foram catalogadas. Apesar dos planos do Instituto Nacional de Antropologia e História do México e do Ministério da Justiça de criar catálogos, a documentação permanece incompleta e descentralizada.
A situação espalhou tristeza e ceticismo entre comunidades antes confiáveis.
"Muitas vezes os ladrões já estão lá dentro. Às vezes são os mesmos que têm a chave da igreja", disse Jorge Segovia, que está encarregado de um projeto de catalogação de arte para a Arquidiocese do México.
Hoje, quando rostos novos entram nas igrejas de Cholula, eles provocam desconforto e alerta -uma perda de confiança e de boa vontade que as pessoas lamentam. Segundo os fiéis, os ladrões não levaram apenas arte. "Eles estão roubando nossa fé", disse Arenas.
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Texto de Karla Zabludovsky publicado no jornal The New York Times e reproduzido pela Folha de S. Paulo | 15/01/13.
O resgate de Volpi +
A Justiça do Estado de São Paulo apreendeu nove telas e cerca de 3.000 gravuras do pintor brasileiro Alfredo Volpi (1896-1988), avaliadas em cerca de R$ 15 milhões, e deve determinar que as obras sejam leiloadas.
As telas, avaliadas em R$ 11,9 milhões, e as gravuras, estimadas em R$ 3 milhões, teriam sido omitidas do inventário do artista por uma de suas filhas, Eugênia Maria Volpi Pinto, gerando disputa entre herdeiros.
Em dezembro passado, a juíza Vivian Wipfli, titular da 8ª Vara da Família e Sucessões de São Paulo, autorizou o mandado de busca e apreensão das obras nas casas de netas do artista: Mônica Volpi e Patrícia Volpi Penteado, ambas filhas de Eugênia.
As telas mais valiosas foram encontradas na residência de Mônica, no Cambuci, região central de São Paulo, onde o pintor viveu e produziu boa parte de sua obra.
Entre elas estão "Nu de Judite" (estimada em R$ 5 milhões) e "Retrato de Hilde Weber" (R$ 4 milhões), consideradas obras primas de Volpi em sua fase figurativa (veja imagens nesta página).
Lá foram localizadas ainda outras duas pinturas e 3.000 gravuras. Na casa de Patrícia, havia uma pintura.
Outras obras agora em poder da Justiça foram entregues espontaneamente por seus atuais proprietários, o marchand Carlos Dale e o colecionador Ladi Biezus.
Elas foram mantidas com seus atuais proprietários, agora classificados como "fiéis depositários", até que a Justiça determine uma data para o leilão das obras.
As gravuras, contudo, foram confiscadas e estão passando por avaliação técnica.
"O estado das gravuras é irregular. Há várias em péssimas condições", disse à Folha o advogado Guilherme Sant'Anna, nomeado em 2010 pela Justiça como inventariante de Volpi no lugar de Eugênia. O motivo da destituição da filha do artista foi, segundo Sant'Anna, o fato de Eugênia agir "como se fosse herdeira única".
A nomeação de um inventariante pela Justiça é um procedimento comum quando há disputa entre herdeiros. Cabe a ele reunir tudo o que o espólio possui e realizar a partilha entre as partes.
No caso de Volpi, parte da disputa ocorre em torno de 47 obras que estariam desaparecidas. "Em 1993, Eugênia organizou um leilão de três pinturas de Volpi, mas sabia-se que o pintor havia deixado 50 obras", conta o advogado Sidney Maccariello, que representa Djanira, filha do artista que não teria recebido nada do espólio até hoje.
Os advogados de Eugênia contestam que não houve partilha.
As nove obras agora localizadas fariam parte desse grupo de 47. As 38 obras restantes deixadas por Volpi permanecem desaparecidas.
O caso tem ainda um agravante: em 2008, Patrícia, neta do artista, comunicou à polícia que 25 pinturas de Volpi guardadas na casa de seus sogros teriam sido furtadas.
Quatro dessas obras apontadas pela neta de Volpi como furtadas estão entre aquelas entregues espontaneamente à Justiça por terceiros.
Segundo o marchand Carlos Dale, que entregou três dessas telas à Justiça, as obras estavam no mercado anos antes da comunicação do furto, conforme documentos que apresentou.
Biezus, que devolveu outra dessas telas, apresentou nota de sua compra assinada por Eugênia em 2004. O documento foi apresentado ao Ministério Público e Patrícia pode ser processada por falsa comunicação de crime.
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Artigo de Fabio Cypriano publicado na capa da "Folha Ilustrada", da Folha de S. Paulo", em 1/2/2013.
Em recurso, herdeira de Volpi pede à Justiça devolução de tela +
Uma das nove pinturas que hoje estão em poder da Justiça, uma tela com bandeirinhas e mastros, é agora objeto de um recurso apresentado no último dia 24 pelos advogados Orlando Maluf Haddad e Claudia Rinaldo, que representam Eugênia Maria Volpi Pinto, filha do pintor Alfredo Volpi.
O recurso, registrado na 8ª Vara do Fórum Civil de São Paulo, pede que esta tela seja entregue a Eugênia.
"A tela é de sua propriedade", diz o advogado Orlando Maluf Haddad.
No ano passado, a polícia recebeu uma denúncia de que esta obra estaria com o marchand Carlos Dale, que informou aos investigadores ter vendido a pintura ao ex-senador Luiz Estevão (PMDB), condenado a 36 anos de prisão por superfaturar a construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
No ano passado, o ex-senador se apresentou à polícia e informou que a obra não estava com ele.
Dale, então, admitiu que esta obra, além de outras duas telas de Volpi, estavam em seu poder.
"Adquiri esta obra em 27 de maio de 2006, portanto, dois anos antes do suposto furto denunciado pela neta do pintor. Como poderia esta tela estar, em 2007, na casa da sogra de Patrícia Volpi?", questionou à Folha.
Carlos Dale, proprietário da galeria Almeida e Dale, em São Paulo, devolveu as três telas de Volpi à Justiça em outubro do ano passado.
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Artigo de Fabio Cypriano publicado na capa da "Folha Ilustrada", da Folha de S. Paulo", em 1/2/2013
Para advogados, filha e neta de Volpi têm posse de obras +
Segundo o advogado Orlando Maluf Haddad, que representa Eugênia Maria Volpi Pinto, filha de Volpi, a pintura localizada pela Justiça na casa de Patrícia Volpi Penteado, neta do artista, pertence a ela e não poderia ter sido confiscada. Segundo ele, "foi um presente do avô quando ela tinha oito anos".
O advogado admite, no entanto, que Patrícia não declarava a posse da tela em seu imposto de renda.
Quanto às 25 obras que teriam sido furtadas da casa dos sogros de Patrícia, elas pertenceriam todas a Eugênia, sua mãe, segundo outra advogada que a representa, Claudia Rinaldo.
"Todas as obras do Volpi que ficaram em sua casa após a morte foram deixadas para a Eugênia. Isso ela tem documentado e tem como comprovar", afirma Rinaldo. Ainda segundo ela, houve partilha de imóveis entre os herdeiros.
No testamento público de Alfredo Volpi, no entanto, consta que "os quadros e objetos de arte a que não tenha dado destinação específica em vida e que ainda restarem quando de sua morte comporão o monte-mor".
Monte-mor é o valor bruto de uma herança.
Rinaldo afirma não ter "autorização para apresentar o documento que comprova a posse de Eugênia porque o inventário corre em sigilo".
Segundo o inventariante nomeado pela Justiça, Guilherme Sant'Anna, o processo não está sob segredo de Justiça e o documento que comprovaria a posse de Eugênia das obras não foi apresentado em juízo.
Volpi teve outros dois filhos, além de Eugênia e Djanira: Alfredo Charles Volpi, já morto, e Paulo Roberto Volpi, que está desaparecido. Segundo o advogado de Djanira, Sidney Maccariello, "Charles nunca recebeu nada e morreu na miséria".
Procurada pela Folha, Mônica Volpi, com quem foram encontradas as obras mais valiosas, disse: "Apenas moro na casa e não quero falar sobre o assunto".
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Artigo de Fabio Cypriano publicado na capa da "Folha Ilustrada", da Folha de S. Paulo", em 1/2/2013
Jornal da Band revela trajetória de obra de Volpi roubada há sete anos +
Uma reportagem exclusiva do Jornal da Band revela o trajeto percorrido por uma obra de arte milionária do pintor Alfredo Volpi. O quadro foi roubado em São Paulo há sete anos. A polícia investiga a venda do quadro a um ex-senador de Brasília. Em junho de 2009, a reportagem revelou um furto milionário de 25 telas do pintor italiano radicado no Brasil. O roubo de obras do acervo pessoal da família ocorreu três anos antes.
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http://www.band.uol.com.br/jornaldaband/videos.asp?id=14262165
Obras de arte roubadas não são recuperadas +
Rastrear uma obra de arte roubada no Brasil não é fácil. A demora da polícia em localizar as peças furtadas faz com que quadros se percam em lugares nunca imaginados. O Jornal da Band revelou nessa terça-feira que uma tela milionária do pintor Alfredo Volpi foi parar em uma loja simples da Grande São Paulo, antes de ser repassada a baixíssimo custo para duas galerias de São Paulo.
Os compradores do quadro dizem que não sabiam que se tratava de uma obra roubada. A obra foi levada há sete anos do acervo da família do pintor. Os donos não acreditam que o quadro da série Bandeiras e Mastros deve voltar para as mãos deles tão cedo. O valor da peça pode chegar, atualmente, a R$ 2 milhões.
O dono de uma galeria nos Jardins – que pode ter sido o último destino da obra – afirmou inicialmente que vendeu a tela para o ex-senador Luiz Estevão. Entretanto, ele voltou atrás e afirmou que se confundiu. Em depoimento à polícia, o empresário afirmou que está com o quadro desde 2006.
Na semana passada, uma juíza da Vara de Família deu ao marchand o direito de guardar a obra até a decisão final sobre a divisão dos bens dos herdeiros. O empresário se negou a mostrar a tela à equipe do Jornal da Band.
Roubo
Em 2011, oito telas de Volpi e uma de Ivan Serpa foram roubadas da casa de um colecionador em São Paulo. Câmeras de segurança registraram a ação. Nenhuma das obras foi recuperada.
No roubo de 2006, foram levadas 25 telas de Volpi. Os bandidos invadiram o Museu da Casa do Céu, no Rio de Janeiro. Eles levaram entre outras telas, um quadro de Picasso e um de Matisse que continuam desaparecidos.
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http://www.band.uol.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?ID=100000569656
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Artigo veiculado no "Jornal da Band" e no site www.band.com.br em 23/01/2013
Mercado de arte vê oferta de obras falsas com assinatura de Krajcberg +
Em novembro de 2012, a galerista carioca Marcia Barrozo do Amaral foi procurada por um colecionador que desejava verificar a autenticidade de uma escultura de Frans Krajcberg antes de assinar um cheque de R$ 150 mil.
Por representar o artista plástico, nascido na Polônia e radicado no Brasil, ela costuma ser consultada por compradores, mesmo quando não participa da negociação.
Duas peças foram apresentadas ao colecionador, para que ele escolhesse. Marcia constatou que ambas eram falsas. E se espantou com a ousadia dos criminosos.
Para convencer o potencial cliente, o golpista apresentou duas declarações onde o próprio Krajcberg supostamente assumia a autoria das esculturas. A "Folha de S. Paulo" teve acesso ao "documento", que traz uma falsificação da assinatura do artista, mas com números corretos de seu CPF e RG.
Anteriormente, a galerista já havia alertado outro colecionador que cogitava comprar escultura semelhante a uma das obras falsas recentemente ofertadas. Mudava apenas a cor, um tom vermelho terra - presente em outras obras do artista.
"Provavelmente, o falsificador teve dificuldade na venda da primeira versão e resolveu pintá-la para tentar negociar novamente", diz Marcia, que divide com a Galeria Sérgio Caribé, de São Paulo, a comercialização dos novos trabalhos de Krajcberg.
A origem das falsificações estaria em Nova Viçosa, município de 38 mil habitantes no extremo Sul da Bahia, onde Krajcberg mora desde 1972.
Ex-funcionários
Em 2011, a polícia prendeu dez pessoas, entre elas três ex-funcionários do artista, acusados de participar em uma série de roubos e furtos no sítio de Krajcberg.
"Quem está produzindo as obras falsas sabe o que faz. É alguém que conhece de perto o trabalho do Krajcberg", diz Marcia, que suspeita da participação de ex-colaboradores do artista na falsificação.
Na semana passada, a galerista recebeu um e-mail com fotos de pinturas que replicam uma série de desenhos com folhas criados por Krajcberg. A vendedora escreveu na mensagem seu telefone de contato, com código de área de Nova Viçosa.
A investigação realizada pela Polícia Civil da Bahia, no entanto, não chegou a uma figura crucial: o responsável por negociar as peças falsas.
"Não identificamos o intermediário", disse o delegado Marcus Vinícius Almeida Costa, que coordenou a equipe envolvida na investigação.
Na época, um dos réus informou o nome do suposto intermediário à promotora Milene Moreschi, do Ministério Público do Estado da Bahia. Foi pedida a quebra de sigilo bancário do suspeito, ainda não concedida.
Não existe investigação em curso atualmente na Polícia Civil da Bahia, seja para identificar o negociador ou para rastrear as falsificações.
"O Krajcberg chegou a falar sobre a falsificação quando investigamos o roubo. Mas ele não indicou uma obra falsa ou alguma pista que pudesse motivar uma investigação", disse o delegado.
Em setembro de 2012, houve a condenação de nove dos dez acusados presos pela polícia. Os quatro homens envolvidos na invasão da propriedade foram sentenciados a oito anos e oito meses de prisão. Todos estão em liberdade.
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Texto de Fabio Brisolla publicado no site UOL ( www.uol.com.br ) em 28/01/13.
Quadro de Matisse desaparecido há 25 anos é recuperado em Londres +
"Le Jardin" ("O Jardim"), pintura à óleo do francês Henri Matisse (1869-1954), desaparecida há quase 25 anos do Museu de Arte Moderna de Estocolmo, foi recuperada em Londres por um especialista em encontrar obras de arte roubadas, informou nesta segunda-feira (7) o site da "BBC".
A obra impressionista, que representa um jardim com flores brancas em primeiro plano e uma ponte ao fundo entre árvores, tem um valor estimado de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2 milhões) e desapareceu do museu de Estocolmo em 11 de maio de 1987.
No entanto, há poucas semanas o Registro de Perdas de Arte, onde figuram em nível internacional registros de obras roubadas, encontrou uma pista sólida sobre seu paradeiro.
A instituição detectou uma incursão em seu catálogos on-line de um usuário externo, Charles Roberts, que se interessou pela descrição da obra desaparecida de Matisse feita pela organização.
Roberts, suposto traficante de arte visual, estava a ponto de fechar o negócio e queria comprovar se a obra era realmente a roubada da Suécia há mais de duas décadas.
Após comprovar que era o Matisse roubado, o diretor do Registro de Perdas de Arte, Christopher Marinello, negociou a recuperação da pintura, que será transferida ao Museu de Arte de Moderna de Estocolmo nas próximas semanas, segundo a "BBC", que não deu detalhes sobre como foi negociada a devolução da pintura nem quem estava em poder da mesma.
"As obras de arte roubadas não têm valor real no mercado e terminam reaparecendo sempre... É só questão de tempo", explicou Marinello, que já recomendou ao museu não pagar nenhum resgate pelo quadro e esperar.
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Texto de Silas Martí publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 07/01/13.
Acervo de museu judaico pode conter obras roubadas por nazistas +
O Museu Judaico de Viena mantém centenas de livros e obras de arte que podem ter sido roubadas pelos nazistas, informou um jornal neste sábado.
Um programa de triagem, iniciado em 2007, anos depois de outros museus austríacos começarem a vasculhar suas coleções em busca de obras retiradas de seus legítimos proprietários, concluiu que cerca de 500 obras de arte e 900 livros são de origem duvidosa, segundo o jornal Der Standard.
Foram citadas em especial pinturas de Jehudo Epstein, que, enquanto estava no exterior em 1936 deixou 172 obras sob custódia do industrial Bernhard Altmann.
Altmann fugiu do país em 1938, quando a Alemanha nazista anexou a Áustria, e sua fábrica foi \"arianizada\", disse o jornal.
De acordo com o Der Standard, a viúva de Epstein, que morreu na África do Sul, em 1945, tentou em vão rastrear as pinturas após 1947, algumas das quais foram posteriormente vendidas em leilões de rotina na Áustria.
Várias são agora parte da coleção do Museu Judaico, disse o jornal, citando informações obtidas do museu depois de muitos pedidos.
O jornal cita Danielle Spera, que se tornou diretora em 2010, afirmando que apesar de limitações financeiras o museu contratou pela primeira vez, em dezembro de 2011, um pesquisador em tempo parcial para verificar a procedência de suas obras de arte.
\"Tudo o que foi adquirido ilegalmente deve ser devolvido. Não haverá nenhuma hesitação quanto a isso\", declarou Danielle ao jornal.
O Der Standard afirmou que os líderes da comunidade judaica da Áustria, cujas coleções estão em empréstimo permanente ao museu municipal, aprovaram em votação em outubro a devolução da pintura que Epstein chamou de Italienische Landschaft (paisagem italiana) e um trabalho localizado em um outro museu aos herdeiros do pintor, que agora vivem na Inglaterra.
O Museu Judaico pemanece fechado aos sábados e ninguém pôe ser encontrado para comentar o assunto.
A instituição contém ainda a própria coleção da comunidade judaica, legada em 1992, uma coleção de Max Berger comprada pela cidade em 1988, a coleção Sussmann, emprestada desde 1992, e doações de uma coleção de Martin Schlaff, entre outras obras.
Outros museus austríacos já tiveram de lidar com a questão da devolução aos legítimos proprietáriosde obras de arte saqueadas.
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Texto de Michael Shields, de Viena (Áustria), para a agência de notícias Reuters, e publicado na "Folha de S. Paulo" | 05/01/13.
Museu alemão estuda origem de 33 obras possivelmente saqueadas por nazistas +
O Museu da Coleção de Arte da Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha, não foi capaz de determinar a origem de 33 obras de sua propriedade, as quais poderiam ter sido saqueadas pelos nazistas, segundo comunicado divulgado em 23/11/12.
A diretora da coleção, Marion Ackermann, se referiu concretamente a duas solicitações de restituição apresentadas pelos herdeiros do lendário galerista Alfred Flecthheim (1878-1937).
No entanto, "até o momento", a diretora não foi capaz de dar uma resposta a esses pedidos, já que não puderam determinar com exatidão os proprietários originais das duas obras em questão, "Federpflanze", de Paul Klee, e uma natureza morta cubista de Juan Gris.
Desta forma, Marion pediu ao governo alemão interceder perante a França para poder estudar o arquivo da Galeria Daniel-Henry Kahnweiler, chamada hoje de Galeria Louise Leiris, "para obter um melhor resultado".
Caso essa pesquisa não apresente nenhum resultado, os próprios políticos terão que decidir sobre essa possível devolução dos quadros reivindicados como um ato de ressarcimento moral, assinalou a diretora.
Outra das "obras centrais" da coleção, o quadro "Die Nacht" ("A Noite"), de Max Beckmann, também poderia constituir um caso de litígio, já que os herdeiros de Flechtheim apresentaram um pedido de pesquisa que ainda não constitui um requerimento formal de devolução, indicou o museu.
Segundo a galeria, outros 11 quadros que terão suas origens estudadas, já foi possível descartar que seu proprietário legal seja Flechtheim.
Por enquanto, desde 2009, os historiadores de arte da coleção puderam esclarecer a procedência de 146 obras, cuja propriedade durante a ditadura nazista, entre 1933 e 1945, despertava dúvidas.
Entre os 33 quadros cuja origem ainda precisa ser determinada, encontra-se: "Desnudo sentado", de Pablo Picasso, "Der Eiserne Steg", de Beckmann, assim como quadros de Hans Arp, Georges Braque e Henri Matisse, entre outros.
De acordo com Anette Kruszynski, responsável por esse projeto de pesquisa, existem grandes "lacunas" no que se diz respeito à procedência destes quadros. "Em uma colagem de Kurt Schwitters, por exemplo, não existe nenhum dado sobre o paradeiro da obra entre os anos de 1920 e 1952", assinalou.
No ano em que Adolf Hitler subiu o poder, Alex Vömel, representante durante muitos anos de Flechtheim e membro do Partido Nacional Socialista (NSDAP) e das tropas de assalto, assumiu a direção da galeria dos mecenas judeus em Düsseldorf.
Até hoje, os especialistas não conseguiram esclarecer se esse foi o primeiro caso de "arianização", como se chamou a desapropriação de bens pertencentes aos judeus em beneficio dos cidadãos de origem "ariana".
Flechtheim fugiu da Alemanha em 1933 e, quatro anos depois, morreu em Londres.
A busca das artes roubadas pelos nazistas desenvolvidas pelas galerias alemãs se fundamenta nos "Princípios de Washington" de 1998, que tem como meta intensificar em museus e bibliotecas a busca de bens culturais expropriados aos perseguidos e achar soluções justas e adequadas aos pedidos de devolução.
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Texto da agência francesa de notícias EFE publicado na "Folha de S. Paulo" | 23/11/12.
Obras de Picasso, Matisse, Monet e Gauguin são roubadas na Holanda +
Sete obras de arte foram furtadas na madrugada de segunda para terça-feira (16/10/12), do Museu Kunsthal em Roterdã, na Holanda. Segundo relatório da polícia, um Picasso, um Matisse, dois Monet, um Gauguin, um Lucian Freud e um Meyer de Haan desapareceram.
O museu está fechado e a polícia investiga o caso, mas ainda não sabe exatamento o que aconteceu. O alerta foi dado à polícia por uma empresa de segurança, depois do disparo dos alarmes. Quando a polícia chegou ao Kunsthal as paredes já estavam vazias.
As obras integravam a exposição “Avan-Gardes”, que além de Van Gogh, Picasso e Matisse, incluía ainda trabalhos de Mondrian, Marcel Duchamp, Karel Appel, Yves Klein e Lucian Freud. A exposição fazia parte da comemoração dos 20 anos do Kunsthal.
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Na foto, quadros roubados de Meyer de Haan, Lucian Freud, Henri Matisse, Pablo Picasso, Paul Gauguin e Claude Monet.
Obras de arte roubadas são recuperadas em 20% dos casos +
Minutos depois do furto de sete pinturas do museu Kunsthal em Roterdã anteontem, as obras levadas, entre elas duas de Monet e uma de Picasso, foram listadas no Art Loss Register, o maior banco de dados de peças perdidas.
Elas se juntaram a milhares de obras desaparecidas, algumas há décadas, que ainda não foram resgatadas.
Embora a polícia holandesa tenha posto 20 detetives para seguir as pistas do caso e analise agora imagens das câmeras de segurança do museu, especialistas descartam a hipótese de que obras tão importantes quanto as paisagens de Monet feitas em Londres ou o arlequim de Picasso voltem à cena tão cedo.
"De cada cem telas roubadas, a esperança que temos é a de recuperar 20 delas, e isso depois de até 20 anos de espera", diz o britânico Julian Radcliffe, diretor do Art Loss Register, em entrevista à Folha. "Estatísticas nos mostram que as chances de esses trabalhos serem recuperados agora são mínimas."
Telas tão conhecidas quanto as que foram surrupiadas na madrugada da última terça não podem ser postas à venda no mercado de arte.
Uma delas, de Monet, foi leiloada anos atrás por cerca de R$ 138 milhões, o que faria deste crime um dos maiores na história da arte depois do assalto ao museu Isabella Stewart Gardner, em Boston, há 22 anos - um prejuízo estimado em R$ 1 bilhão.
Em 2010, peças de duas das mesmas vítimas de agora, Picasso e Matisse, avaliadas em R$ 264 milhões, foram levadas de um museu em Paris e até hoje continuam perdidas.
São crimes semelhantes, em que criminosos invadem um museu e desaparecem com obras valiosíssimas em minutos, mas depois não sabem o que fazer com elas.
Moeda de troca
"Esses ladrões não são especialistas em arte, são bons criminosos, mas péssimos negociadores", diz Robert Wittman, especialista em crimes de arte e ex-agente do FBI, a polícia federal norte-americana. "Isso não foi um crime sofisticado, é um furto de possíveis moedas de troca."
De acordo com Wittman, que trabalhou na investigação do assalto ao museu de Boston e também no caso do Museu da Chácara do Céu, no Rio, criminosos como os de Roterdã costumam ir atrás de obras de arte como itens de troca em negociações com a polícia caso sejam flagrados cometendo outros crimes.
Outro destino possível para as telas, caso os autores do crime sejam mesmo maus negociantes, é acabar nas mãos de outros colecionadores que pensam estar comprando cópias daqueles trabalhos mais famosos.
Radcliffe, do Art Loss Register, conta que muitas peças são reencontradas até 40 anos depois sendo vendidas como reproduções dos originais quando são, na verdade, peças levadas de museus.
"É muito simples entrar num museu e fugir com sete pinturas, a investigação é que é complexa e demorada", diz Roland Ekkers, porta-voz da polícia holandesa à Folha. "Isso é fácil para os ladrões e muito difícil para a polícia."
Pelos detalhes do crime divulgados até agora, parece mesmo ter sido fácil entrar no Kunsthal de Roterdã, um prédio com desenho ousado do arquiteto Rem Koolhaas, mas alvo fácil de ladrões por ser quase todo de vidro e ter múltiplas entradas e acessos.
"Eles têm um bom sistema de segurança, mas não tinham um guarda presente na hora do crime", diz Wittman. "Qualquer alarme ou câmera de segurança pode no máximo alertar para o caso ou gerar provas, mas nunca evitar que o crime aconteça."
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Texto de Silas Martí publicado na "Folha de S. Paulo" | 18/10/12.
Um Picasso online por apenas US$ 450? É falso! +
Você está à procura de pechinchas on-line? Quem sabe se interesse por um Rembrandt original por US$ 900 ("é possível ver a idade claramente pelo papel", atesta o vendedor da água-forte) ou um desenho a tinta de Matisse, assinado, por US$ 1.250.
A Sotheby's consegue mais de US$ 100 milhões por um Picasso num leilão. Mas pessoas que fazem compras na Web podem encontrar uma pintura "original" do mestre por US$ 450 - menos que um par de sapatos de grife.
Todos os dias, obras ditas "originais" e "autênticas" e atribuídas a gigantes do mundo das artes são oferecidas por galerias online e sites de leilão a preços imperdíveis. E todos os dias há pessoas que as compram.
O fato de esses trabalhos às vezes serem falsificações ou carregarem rótulos enganosos não surpreende especialistas em arte e fundações que monitoram as vendas de arte online. Para especialistas, a fraude já saturou alguns setores do mercado de arte.
"Em todo país onde vou, até mesmo em Abu Dhabi, sou procurada por artistas ou herdeiros de artistas desesperados com a situação das falsificações", contou Véronique Wiesenger, diretora e curadora sênior da Fundação Alberto e Annette Giacometti, em Paris. "Outro dia contamos 2.005 falsas esculturas de Giacometti à venda" em apenas um web site.
É claro que há muitos vendedores online de boa reputação que vendem exatamente o que anunciam. "Muitos negócios são feitos online e a maioria das pessoas está satisfeita", disse o consultor de arte Alan Bamberger.
Um estudo recente de estatísticos da Universidade George Washington, em Washington, e da Universidade da Califórnia, em Irvine, estimou que até 91% dos desenhos e esculturas pequenas vendidos através do eBay como sendo obras do artista Henry Moore são falsificados.
A Fundação Giacometti e os herdeiros de Picasso consideram tão grave o problema das vendas de falsificações que neste ano ajudaram a fundar uma nova associação, a União Internacional de Mestres Modernos e Contemporâneos, para promover proteções legais "contra a circulação de obras de arte falsificadas".
Obras de arte são vendidas legitimamente na internet numa gama grande de sites, incluindo os que são administrados por artistas individuais; por galerias já conhecidas que se ampliaram online; e por galerias novas que representam o trabalho de artistas emergentes. De acordo com especialistas, com tantos empreendimentos legítimos vendendo arte na internet hoje, tornou-se mais fácil para empreendimentos menos respeitáveis vender trabalhos falsificados como legítimos.
Os casos mais comuns são de reproduções não autorizadas que violam o direito autoral do artista. Em outros casos, a reprodução foi autorizada, mas alguém acrescenta a assinatura do artista - forjada ou copiada - para converter um pôster barato em edição limitada "autografada".
E há as falsificações absolutas vendidas como se fossem trabalhos de um artista.
No mês passado, David Crespo, dono de uma galeria em Madison, Connecticut, foi acusado de vender falsos desenhos de Picasso que ele próprio comprou na internet anos antes como sendo verdadeiros. Crespo tinha pagado quase US$ 50 mil a um vendedor conhecido como Collectart4less por um conjunto de desenhos supostamente de Picasso.
Depois de descobrir que eram reproduções, Crespo vendeu vários dos desenhos por centenas de milhares de dólares, dizem promotores, fornecendo documentos falsos para atestar sua autenticidade e origem. Crespo se declarou inocente.
Obras de arte vendidas online frequentemente vêm com um "certificado de autenticidade" ou certificado de registro. Mas, segundo especialistas, esses documentos geralmente não significam grande coisa, a não ser que tenham sido assinados pelo artista ou seu revendedor autorizado.
Na Fundação Calder, em Nova York, navegar no eBay e outros sites em busca de arte falsificada é uma atividade diária. Várias galerias em diferentes lugares do mundo anunciam uma pequena escultura de elefante como uma edição limitada de Alexander Calder, mas o artista não tem nada a ver com a peça. "Esta é uma das coisas mais feias que já vi na vida", disse um neto do artista, Alexander S.C. Rower.
A porta-voz do eBay, Amanda Christine Miller, disse que a empresa não busca a origem de produtos vendidos no site, mas investiga queixas de falsificações.
Barry Werbin, advogado de Nova York que trabalha com obras de arte e cujo avô era marchand, diz que os clientes que compram arte online são imprudentes ao extremo. Comprar arte pessoalmente, com assessoria de especialistas, já é difícil o suficiente, disse ele. Mas as pessoas ouvem falar em achados surpreendentes em feiras informais ou assistem a séries de TV como "Antiques Roadshow" e acham que podem ter a mesma sorte online. "Todo o mundo fica entusiasmado, e como programa de TV, é ótimo, mas achados como esses são raríssimos", comentou ele.
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Texto de Patricia Cohen para o jornal norte-americano "The New York Times" e publicado também na "Folha de S. Paulo" | 17/09/12.
Biblioteca Nacional recupera fotografias desaparecidas em 2005 +
A Biblioteca Nacional recebeu um lote de 19 fotografias apreendidas pela Polícia Federal durante um leilão no Rio de Janeiro (RJ). Alertada pela denúncia de um colecionador, a direção da Fundação Biblioteca Nacional articulou a ação com a PF e enviou uma equipe de especialistas ao local. As primeiras avaliações indicam ser as fotos desaparecidas da instituição em 2005. Agora, elas serão submetidas a perícia por parte de especialistas.
Museus dos EUA investigam origem de peças +
As autoridades federais norte-americanas estão pedindo aos museus dos Estados Unidos que examinem suas coleções, com especial atenção aos itens que eles obtiveram de um suspeito negociador de obras de arte de Manhattan, acusado recentemente de posse de antiguidades roubadas da Índia e de outros países. Subhash Kapoor já está preso na Índia. Em Manhattan, um advogado que acompanha o caso também havia entrado com o pedido de um mandado de prisão contra ele, sob a acusação de posse de propriedade roubada.
Investigadores apreenderam mais de US $ 20 milhões de antiguidades asiáticas em depósitos localizados em Manhattan ligados a Kapoor. Várias das dezenas de itens apreendidos eram de bronze, além de estátuas de arenito que, acredita-se, foram roubados de templos na Índia, de acordo com as investigações.
Antes de sua prisão, Kapoor, 63 anos, usou o site especializado em peças de colecionadores chamado Art of the Past (agora fechado) para anunciar o conteúdo de sua galeria de arte, que fica na Madison Avenue, e conseguir negociar vendas e doações.
"A única coisa que nós da Freer-Sackler compramos de Kapoor foi um colar do século 20 da Índia, adquirido em 1992", disse Allison Peck, porta-voz da empresa. "Felizmente não adquirimos nenhuma escultura."
Um porta-voz do Metropolitan Museum of Art, Harold Holzer, disse que possuía 81 peças que tinham sido doadas ou compradas por Kapoor desde 1991, incluindo várias antiguidades que estão em exibição atualmente. A maior parte desse conjunto refere-se a desenhos criados nos séculos 17, 18 e 19 que Kapoor entregou ao museu em 2008 e que foram objeto de uma exposição em 2009.
Holzer disse que, apesar das suspeitas, as autoridades federais não tinham feito ainda um pedido oficial para o museu sobre nenhuma revisão especial dos itens de Kapoor, especialmente porque muitas das doações recentes são desenhos e não antiguidades. "Estes não parecem ser o tipo de item com os quais os falsários estão preocupados", informou.
Ele também observou que o museu já havia postado há anos todos os itens que possui em seu site, uma prática que garante a transparência das peças.
Kapoor, que foi extraditado este mês da Alemanha para a Índia, onde enfrenta acusações relacionadas ao tráfico de antiguidades ilícitas, abriu sua galeria, atualmente fechada, em um espaço no andar térreo de um prédio de apartamentos na Madison Avenue em 1974. A galeria estava entre as participantes da Feira de Arte asiática no Park Avenue Armory, em 1996.
Em uma entrevista de 2009 à Revista Apollo, o indiano Kapoor afirmou que os desenhos que ele havia doado ao Met estavam entre aqueles que havia herdado de seu pai.
O que ainda não está claro é se Kapoor contratou um advogado para representá-lo nas acusações criminais nos Estados Unidos. Nenhum representante de sua galeria retornou os telefonemas dos repórteres.
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Texto publicado originalmente no jornal norte-americano The New York Times, escrito por Robin Pogrebin e Kevin Flynn, e traduzido pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Obras de arte falsas vão a público +
Infiltrado entre os funcionários da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo (SP), Laéssio Oliveira substituiu entre 2004 e 2006 o álbum da série "Jazz" (1947) do artista francês Henri Matisse (1869-1954), diz a PF.
A BMA (Biblioteca Mário de Andrade) é a segunda maior do país - a primeira, Fundação Biblioteca Nacional, também foi alvo da quadrilha de Oliveira em 2005.
Entre setembro e novembro de 2009, o álbum "Jazz" foi emprestado pela Mário de Andrade à Pinacoteca para exposição em comemoração ao artista pelo Ano da França no Brasil. O que a instituição provavelmente desconhecia é que os trabalhos eram "cópias grosseiras".
A PF investiga o empréstimo do álbum para a Pinacoteca, assim como os dois testes de autenticidade.
A Pinacoteca informou que o álbum foi exposto fechado, sendo visível apenas a capa. Na ocasião, 140 mil pessoas visitaram a exposição.
No Brasil, só existem cinco álbuns "Jazz" originais de Matisse: um pertence à BMA, outro ao Museu Chácara do Céu, no Rio, e os três restantes são de colecionadores.
A biblioteca afirmou que o álbum não estava incluído como desaparecido na relação elaborada pela instituição num "furto de maiores proporções" em 2006 porque havia uma réplica em seu lugar.
No início deste ano, a atual direção da instituição foi informada de que 20 gravuras de Matisse pertencentes ao seu acervo foram localizadas pela PF na Argentina.
A polícia enviou ofício à Secretaria Municipal da Cultura recomendando inventário das obras raras da BMA por um corpo técnico externo.
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Texto publicado no jornal "Folha de S. Paulo".
Ladrão de obras raras age de dentro de presídio +
De Bangu 2, em meio a 700 detentos, sob vigilância e cercado por muros, um ladrão incomum continua a praticar crimes, diz a Polícia Federal.
Laéssio Rodrigues de Oliveira, 39, tem em sua ficha roubos e furtos de obras raras em ao menos 14 instituições como bibliotecas e museus de São Paulo, Rio, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.
Condenado a 12 anos, o ex-estudante de biblioteconomia está no presídio Alfredo Tranjan, em Bangu, na zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ), desde 2007.
No início, planejava e praticava as ações sozinho. Mas, desde 2005, ainda em liberdade, criou uma organização que, segundo a PF, continua a comandar. Uma vez preso, ele combinou os crimes pelo telefone celular, mas abandonou a prática passando a usar cartas ou passar ordens por meio das visitas, diz a polícia.
As obras são, na maior parte, vendidas para colecionadores de Brasil, Argentina e Uruguai. Processos analisados na Justiça Federal mostram que, por crime, Oliveira lucra cerca de R$ 500 mil.
"Considero-o o maior assaltante de obras raras do país. Preso, conseguiu convencer muito bandido de que é melhor furtar uma obra rara do que vender cocaína", diz o delegado Fábio Scliar, da Polícia Federal no Rio.
O primeiro furto ocorreu em 1998, na Biblioteca Nacional, no centro: 14 revistas e periódicos, entre elas a "Al Bazar Volante", de música. Os furtos, de obras avaliadas em R$ 1,5 milhão, duraram um ano. Até hoje, o receptador não foi encontrado.
Oliveira só admite ter praticado esses furtos. A polícia acredita que há muito mais.
Em 2004, iniciou estágio na Biblioteca Mário de Andrade, a maior biblioteca pública de São Paulo. Chegou a ser preso por furto após a denúncia de um livreiro de uma feira do Bexiga (Centro de São Paulo / SP).
Em sua casa, foram achados 15 livros, 76 fotos e documentos atribuídos a Dom Pedro 2º. Apesar de ter sido detido em flagrante, ficou preso pouco mais de seis meses.
Em 2005, voltou a frequentar a faculdade. Segundo a polícia, temendo a vigilância, buscou uma parceira: Iwaloo Sakamoto. Ela coopta mulheres para o grupo, afirma o Ministério Público Federal.
Pouco antes do feriado de Corpus Christi, em 2006, Oliveira teria realizado o último levantamento pessoalmente: fotos de Augusto Malta, datadas do século 19, do Arquivo Geral da Cidade, no Rio.
Oliveira teve a pena reduzida a cinco anos, por bom comportamento e trabalho no cárcere. Seu advogado não retornou os contatos da "Folha de S. Paulo". Iwaloo vive no interior paulista e não foi encontrada.
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Texto de Diana Brito e Marco Antônio Martins publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 15/07/12.
Hollywood imprime charme a falsários +
Orson Welles dirigiu em 1973 o documentário delirante "Verdades e Mentiras", sobre as proezas de um famoso falsificador de arte, Elmyr de Hory. Na época, disse que a figura de um falsário seria adequada a um herói de trama cinematográfica.
"A maioria das pessoas considera pagar milhares e milhares de dólares por uma tela cheia de tinta um absurdo tão grande que não sente compaixão alguma pelo colecionador se a obra for roubada. É quase uma nova versão de Robin Hood", disse o cineasta.
Para corroborar a teoria de Welles, a figura do falsificador de arte no cinema ganhou contornos de glamour. Além de sempre se dar bem, falsários diversos - e ladrões de arte - foram interpretados por astros de muito charme.
Em "Como Roubar um Milhão de Dólares" (1966), a heroína é a mais jovem representante de uma linhagem de falsários. A atriz é Audrey Hepburn, talvez a melhor personificação de beleza feminina sofisticada no cinema.
Ela precisa roubar uma obra de arte antes que seja periciada e revele os crimes de seu pai. O ladrão que aparece para ajudá-la é interpretado pelo inglês Peter O'Toole, outro ícone de ator charmoso.
O filme "Thomas Crown Affair" exibe em suas duas versões astros reconhecidos como sedutores. Em 1968, recebeu no Brasil o título de "Crown, o Magnífico" e mostrava Steve McQueen no papel do ladrão de obras de arte que usava falsificações em seus golpes.
McQueen, no auge da carreira, era o Brad Pitt da época. Claro que não seria preso no final. Na refilmagem de 1999, chamada "Thomas Crown - A Arte do Crime", o personagem passou para Pierce Brosnan. Com filmes interpretando James Bond no currículo, só reforçou a visão charmosa que Hollywood imprime a seus falsários.
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Texto de Thales de Menezes publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 15/07/12.
Obras de Orlando Mattos são roubadas em Itanhaém (SP) +
Quatro obras do ilustrador e cartunista Orlando Mattos (1917-1992) foram roubadas da casa do colecionador Gregory Smith em 26/04/12, em Itanhaém (SP). Fábio Smith, filho do colecionador, diz que quatro ladrões invadiram a casa em busca de dinheiro. Como não acharam, levaram um laptop, um DVD e as obras - "Lampião e Maria Bonita" (1963; na foto ao lado) , "Irmãos" (1966), "Família na Favela" (1978) e "Natureza Morta" (data não informada), que estavam nas paredes da casa.
Informações sobre o paradeiro das obras: (11) 4049-3793 / 4043-5001.
Obras de Picasso e Mondrian são roubadas em museu de Atenas +
Duas pinturas, uma do mestre Pablo Picasso e outra do famoso pintor holandês Piet Mondrian, foram roubadas da Galeria Nacional da Grécia em 09/01/12, disseram fontes policiais.
Os ladrões invadiram a galeria durante a madrugada e pegaram a obra de Picasso “Cabeça de Mulher”, de 1939, disse um policial sem revelar o título da outra obra.
O Ministério da Cultura e a polícia confirmaram que duas pinturas foram roubadas, mas não revelaram oficialmente os nomes dos artistas.
"Depois que o alarme disparou, o segurança descobriu que as duas pinturas tinham desaparecido. Outra estava jogada no chão", disse uma autoridade à agência Reuters.
A polícia ainda investigava se faltava outra obra de arte.
A coleção da Galeria Nacional inclui duas pinturas de Mondrian, o "Moinho" e "Paisagem", ambas datadas de 1905, e um desenho, "Estudo de Flor".
Em outubro, a polícia na Sérvia recuperou duas pinturas de Picasso roubadas em 2008 de uma galeria na Suíça e que valiam milhões de dólares.
A Grécia recuperou em setembro uma pintura do mestre flamengo Peter Paul Rubens, roubada de um museu belga em 2011, e prendeu dois gregos que tentavam vendê-la a um policial disfarçado por cerca de 1 milhão de dólares.
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Fonte: Reuters; matéria de Renée Maltezou; 09/01/12.

