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Museu de Birmingham devolve escultura roubada à Índia +

O Museu de Arte de Birmingham retornou uma escultura de pedra da divindade hindu Shiva roubada para a Índia. A escultura foi devolvida quase três anos depois de descobrirem que a obra foi roubada da Índia por uma rede internacional de contrabando que movimentou US$ 100 milhões e que era comandada pelo comerciante de arte Subhash Kapoor, de Nova York.

O Fundo de Arte de Birmingham, Inc. (corporação sem fins lucrativos que apóia o Museu de Arte de Birmingham) comprou a escultura, intitulada “Lingodhbhavamurti” de Kapoor em 2008, quando trabalhava para a galeria Art of the Past. O preço de compra da escultura não foi divulgado.

A escultura foi emprestada ao Birmingham Museum of Art, onde permaneceu em exibição até o mês passado. A escultura de pedra de quase um metro de altura mostra um pilar de fogo aberto para revelar o deus Shiva, testemunhado pelas divindades Brahma (na forma de um ganso) e Vishnu (como um javali). A escultura foi feita durante a dinastia Chola por volta de 1150 d.C. Provém de Tamil Nadu, no sul da Índia.

"O Museu de Arte de Birmingham segue um rígido código de ética para garantir que objetos adquiridos para nossa coleção não estejam entre aqueles roubados de locais protegidos de significado religioso e ou cultural", disse Graham Boettcher, diretor do museu, em um comunicado.

“Assim que soubemos da procedência ilegal desta escultura, decidimos devolvê-la à nação e ao povo da Índia. É inquestionavelmente a coisa certa a fazer e estamos felizes em saber que este importante tesouro cultural estará em breve de volta à sua casa de direito".
A obra de arte foi devolvida à Índia em uma cerimônia formal que ocorreu em Nova York em 4/9. Boettcher representou o museu de Birmingham na cerimônia, que foi organizada pelo Consulado Geral da Índia em Nova York, com a presença do cônsul geral Sandeep Chakravorty.

Em suas galerias, Kapoor vendeu antiguidades para museus de renome em todo o mundo, incluindo o Metropolitan Museum of Art, o Museu de Belas Artes de Boston e o Museu de Arte do Condado de Los Angeles. Em 2011, Kapoor foi extraditado para a Índia para enfrentar acusações sobre a operação multimilionária de pilhagem de antiguidades internacionais, através da qual ele secretamente vendia artefatos adquiridos ilegalmente para compradores desavisados usando documentos falsificados.
O Museu de Arte de Birmingham foi contatado pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA em 2015, com evidências convincentes de que o trabalho em sua coleção foi contrabandeado ilegalmente para fora da Índia.
O museu imediatamente começou a tomar providências para a repatriação e, entretanto, informou os patronos do museu sobre as circunstâncias, publicando um rótulo ao lado da peça em exibição. A escultura foi removida em agosto de acordo com a política de coleções do museu para obras importadas sob violação de leis estaduais, federais ou estrangeiras, de acordo com o Museu de Arte de Birmingham. A escultura foi enviada para Nova York, onde foi processada pela Procuradoria do Distrito de Manhattan como prova no caso contra Kapoor.
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Artigo de Erin Edgemon editado no site https://www.al.com/news/birmingham/index.ssf/2018/09/birmingham_museum_returns_stol.html.

Galerista Mary Boone é culpada por evasão fiscal +

Em sua declarações de imposto de renda de 2012, a galerista Mary Boone incluiu falsamente aproximadamente US$ 1,6 milhão de suas despesas pessoais como despesas de negócios dedutíveis de impostos, dizem os promotores. Especificamente, eles alegam que ela relatou fraudulentamente uma perda de negócios de US$ 53 mil em 2011, quando, na realidade, a galeria "obteve um lucro de aproximadamente US$ 3,7 milhões".
Os promotores acusam Boone de usar a galeria para encobrir a fraude. Ela emitiu, por exemplo, cerca de US$ 800 mil em cheques para pagar a reforma de seu apartamento em Nova York. Outros US$ 120 mil em cheques de negócios foram para pagar aluguel e outras despesas em um segundo apartamento onde ela ficou enquanto a reforma estava em andamento. Ela também caracterizou falsamente despesas pessoais, como um pagamento de US$ 500 mil a um contratado como uma "comissão".
Além de se declarar culpada, Boone concordou em pagar restituição ao IR de pouco mais de US$ 3 milhões, que o gabinete do procurador dos EUA disse representar os impostos adicionais devidos pelas devoluções apresentadas em 2009, 2010 e 2011. A declaração de imposto de renda federal traz uma sentença máxima de três anos de prisão. Ela está programada para ser sentenciada em janeiro.
“Este é talvez o dia mais triste da minha vida. Eu estou trabalhando duro para colocar isso para trás”, disse Boone disse à Artnet News através de seu advogado.
Boone, que tem 66 anos, opera duas galerias em Nova York. Ela tem sido fundamental no lançamento das carreiras de vários artistas, incluindo os astros da década de 1980, Ross Bleckner, Eric Fischl, David Salle e Julian Schnabel.
O escritório do Procurador Distrital de Manhattan tem alvejado galerias e revendedores privados em Nova York nos últimos anos, como a Artnet News informou no início de 2015, embora não esteja claro se isso levou às acusações especificamente contra Boone.
No ano passado, Boone esteve envolvida em outra disputa legal com o ator Alec Baldwin, que alegou que ela lhe vendeu uma cópia posterior de uma obra de Bleckner, alegando que era a original. Boone acabou pagando a Baldwin em um acordo de sete dígitos.
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Artigo de Eileen Kinsella para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 5/9/2018.

Polícia recupera sapatos de Judy Garland em “O Mágico de Oz” após 13 anos +

Autoridades federais informaram ter recuperado o famoso par de sapatos cor de rubi usados pela atriz Judy Garland em “O Mágico de Oz”, 13 anos depois de terem sido roubados do museu de Minnesota que leva seu nome. O icônico calçado usado por Garland no clássico filme de 1939 foi tirado por ladrões do Judy Garland Museum em sua cidade natal, Grand Rapids, Minnesota, em 2005, e só foram apreendidos em uma operação em Minneapolis em julho deste ano, segundo o agente do FBI Jill Sanborn, da divisão de Minneapolis do departamento. Após a sua recuperação neste verão, os calçados, estimados em vários milhões de dólares, foram transportados para o Museu Nacional de História Americana do Smithsonian em Washington, onde uma análise detalhada foi realizada para confirmar sua autenticidade.
Embora os chinelos tenham sido encontrados, as pessoas responsáveis pelo roubo ainda são desconhecidas.

O FBI identificou suspeitos e executou vários mandados de busca em Minnesota e na Flórida, mas ainda está pedindo ao público que forneça pistas para identificar os ladrões, bem como um esquema mais recente para fraudar e extorquir a Markel Corporation, proprietária os chinelos.
Outros fatos sobre o caso não foram divulgados por causa da investigação.
Christopher Myers, advogado americano do Distrito de Dakota do Norte, e Scott Johnson, chefe da Polícia de Grand Rapids, juntaram-se ao agente Sanborn nos esforços do FBI para recuperar os sapatos.
"Quando os sapatos foram roubados, os ladrões não levaram apenas sapatos, mas um pedaço da história que sempre estará ligado a Grand Rapids e a uma das crianças mais famosas da cidade", disse Johnson em uma conferência.
“Estávamos confiantes de que este dia acabaria por vir, e estamos gratos ao FBI e a todos aqueles que trabalharam para trazer este pedaço do tesouro cinematográfico das sombras para a luz. Afinal de contas, não há lugar como o lar", acrescentou ele, citando uma frase famosa de "O Mágico de Oz".
Rhys Thomas, autor de "Os Rubis Sapatinhos de Oz", participou da coletiva de imprensa e disse que os sapatos são o “Santo Graal" da memorabilia de Hollywood.
O par de sapatos que foi recuperado é conhecido como “par viajando”, um dos quatro pares usados por Garland no filme. Thomas estimou que o par de sapatos valeria entre US$ 2 e US$ 7 milhões. O último par que foi à venda alcançou US$ 2 milhões”, disse ele.
Segundo Thomas, quando os sapatos de rubi foram fabricados pela primeira vez em 1939, seu valor estimado era de US$ 13. Myers disse que há cerca de 8.000 itens de memorabilia ou obras de arte atualmente na lista de observação do FBI.
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Artigo de Dionne Cordell-Whitney editado em 4/9/2018 no site https://www.courthousenews.com/stolen-wizard-of-oz-slippers-found-after-13-years/.

Investigação de propina leva a mistério com Di Cavalcanti +

Acusado de receber propinas para liberar investimentos na Caixa, o ex-conselheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) André Luiz de Souza se comprometeu a entregar à Justiça um quadro de Di Cavalcanti, comprado com supostas propinas pagas pela Odebrecht no exterior.

O propósito do banco é levar de São Paulo a Brasília a obra "A Mulata", que o réu alega ter comprado por US$ 216 mil (R$ 893 mil), e colocá-la em exposição, como ocorreu com o acervo apreendido na Lava Jato. Mas surgiu a suspeita de que ela seja falsa e esteja superfaturada.

Quando estava preso preventivamente, em 2017, Souza pôs a obra e os recursos que mantém na Suíça (mais de R$ 19 milhões) à disposição do poder público, num apelo para sair da cadeia.

Em fevereiro, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, mandou sequestrar o quadro e a fortuna no exterior diante da suspeita de que são produtos de crimes contra a Caixa.

A polêmica nasceu quando a transportadora contratada pelo banco foi buscar "A Mulata" no endereço de Souza, em São Paulo. A empresa percebeu que ela não consta de nenhum catálogo de obras de Di Cavalcanti e alegou que o trabalho do pintor brasileiro é um dos mais copiados no mundo.

Diante disso, suspendeu a operação e avisou que só levará a tela após uma avaliação sobre sua autenticidade, condições de conservação e valor, necessária para fazer o seguro do transporte.

Intimado, Souza admitiu que não tem um laudo para comprovar que "A Mulata" foi mesmo pintada por Di Cavalcanti nem dinheiro para contratar um marchand que o faça. Uma avaliação sairia por R$ 10 mil, mas os milhões a ele atribuídos estariam inacessíveis, no exterior.

Posto de lado o juridiquês, o ex-conselheiro do FGTS deu ao juiz da 10ª vara apenas sua palavra sobre a originalidade da obra, ao estilo "la garantía soy yo": alega também não dispor de nota fiscal ou recibo da tela. E resiste em contar com quem a negociou.

"E aí? Não tem o documento?", questionou Vallisney em uma audiência sobre o caso no dia 1º de agosto.

"Excelência, até pela forma como essa obra foi adquirida, é óbvio que não vai ter nota", explicou a advogada do ex-conselheiro, dizendo-se afrontada com os questionamentos da Caixa: "Dá a entender que meu cliente está mentindo".

O banco insiste não ser possível custear seguro, guarda e transporte sem "inequívoca comprovação de autenticidade" pelo réu. Afirma que Souza pode não só estar entregando um bem falso e superfaturado, mas escondendo outras obras compradas com dinheiro de corrupção.

Delatores da Odebrecht disseram ter repassado os US$ 216 mil a ele para pagar "obras de arte" [no plural].

"A Caixa possui em seu acervo algumas obras de Di Cavalcanti que foram valoradas nas cifras que variam entre R$ 180 mil e R$ 200 mil. A grande diferença entre os valores das obras do acervo e o valor transferido [pela Odebrecht] indica que possivelmente existem outras que não foram indicadas pelo réu", escreveram os advogados do banco numa petição.

Eles afirmam não ser crível que faltem condições financeiras para que Souza pague a perícia, tendo em vista os milhões que movimentou.

Com dúvidas sobre "A Mulata", o juiz pediu socorro ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), mas o órgão não tem dados sobre a pintura oferecida por Souza.

"Não identificamos exatamente de qual obra de arte do Di Cavalcanti se trata. Há inúmeras [do artista] intituladas sobre a temática 'mulata'." A reportagem não obteve imagem de "A Mulata" de Souza.

Representante do modernismo brasileiro, que viveu de 1897 a 1976, o pintor se notabilizou por retratar mulheres nas mais diversas situações.

O instituto indicou laboratórios da Polícia Federal e da USP (Universidade de São Paulo) para fazer testes sobre a datação das tintas e a análise das camadas, entre outros.

"O Iphan não atesta a autenticidade de obras, uma vez que não tem expertise para tanto."

Os representantes da Caixa estão temerosos porque, em outras ocasiões, falsificações do mesmo pintor foram identificadas em acervos destinados a ressarcimento.

Ao processo, anexaram reportagem da Folha, publicada em 2006, que informou serem falsas duas telas de Di Cavalcanti tomadas do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e levadas ao MAC (Museu de Arte Contemporânea) da USP.

OUTRO LADO

Ex-filiado ao PT, Souza foi indicado ao Conselho Curador do FGTS pela CUT (Central Única dos Trabalhadores). Ele integrou o Comitê de Investimentos do FI-FGTS (Fundo de Investimentos do FGTS).

Souza foi denunciado e responde a uma ação penal por receber pagamentos da Odebrecht de R$ 27,4 milhões e US$ 8,7 milhões (R$ 28,3 milhões), supostamente em troca de facilitar aportes do fundo gerido pela Caixa.

O acusado sustenta que recebeu por serviços legalmente prestados.

O advogado do ex-conselheiro, Fábio Tofic Simantob, diz que seu cliente pagou pela obra no exterior, de forma "não contabilizada", o que justifica a falta de documentos. "Quem paga assim não tem nota", afirma.

Questionado sobre por que seu cliente não informa ao menos de quem a adquiriu, o defensor diz não ter conversado com ele a respeito.

Tofic afirmou que Souza informou em juízo que se trata de um legítimo Di Cavalcanti porque não tem dúvidas a respeito.

O advogado classificou as suspeitas lançadas pela Caixa de especulação. Argumentou, por exemplo, que o fato de a tela não constar de catálogos não significa que seja falsa.

Tofic sustenta que cabe à Caixa fazer uma avaliação sobre a obra, tendo em vista os questionamentos que ela própria faz. "Manda avaliar ou diz que não quer."
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Matéria de Fábio Fabrini publicada originalmente no jornal "Folha de São paulo", em 02/09/18.

Metropolitan Museum de NY vai devolver esculturas para a Índia +

O Metropolitan Museum of Art (Nova York) anunciou que vai devolver duas esculturas ao governo da Índia: uma escultura em pedra do século VIII de uma deusa hindu, Durga Mahishasuramardini, e uma escultura em calcário do terceiro século, que representa uma divindade masculina.

A Durga foi doada ao Museu em 2015. No decorrer da pesquisa, a equipe do museu reconheceu em uma publicação de 1969, “The Archaeology of Kumann (incluindo Dehradum)” a descrição de Durga como parte do templo Chakravarteswara, em Baijnath, capital medieval em Uttarakhand, no norte da Índia.

O Museu entrou em contato com a Archaeological Survey of India e o museu e o país assinaram então um acordo para seu retorno em abril de 2018.

A escultura da divindade masculina foi doada ao Museu em 1986. A equipe do museu determinou recentemente que era parte do inventário escavado do Nagarjunakondate Museum e se ofereceu para devolvê-lo no início deste ano.

O museu e a Índia estão assinando o acordo para seu retorno e, juntamente com a Durga, serão enviados para a Índia no final desta semana. “O Museu está comprometido com a aquisição responsável de arte arqueológica e aplica rigorosos padrões de proveniência às suas coleções. O retorno desses objetos para a Índia é justificado, e o museu agradece por nossas relações de colaboração de longa data com colegas e instituições acadêmicas na Índia”, declarou o Met.

“Agradecemos profundamente os sinceros esforços e colaboração do Metropolitan Museum of Art neste retorno de antiguidades indianas à Índia. Continuaremos a trabalhar em estreita colaboração com o museu e outras autoridades e instituições dos EUA para identificar a arte arqueológica indiana que pertence à Índia”, comentou o Consulado Geral da Índia.
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Matéria publicada originalmente no site Art Crime (art-crime.blogspot.com), em 07/08/18.

Reino Unido devolverá à Índia estátua de Buda roubada há 60 anos +

Uma estátua de Buda do século 12, roubada da Índia há quase 60 anos, deve ser devolvida ao país depois de ter sido descoberta em uma feira de antiguidades no Reino Unido. A escultura de bronze foi uma das 14 estátuas saqueadas do Museu Arqueológico de Nalanda, no leste da Índia, em 1961. Acredita-se que mudou de mãos várias vezes ao longo dos anos antes de ser enviado a um negociante de antiguidades de Londres.
A escultura será entregue ao alto comissário indiano no Reino Unido, YK Sinha, durante uma cerimônia na quarta-feira coincidindo com as comemorações do Dia da Independência da Índia. A estátua foi identificada em uma feira em março por membros da Associação para Pesquisa em Crimes Contra a Arte (ARCA), uma organização que trabalha para preservar a herança cultural, e o India Pride Project, que visa recuperar artefatos roubados. A polícia disse que o atual proprietário e revendedor não tinham conhecimento da história da estátua e concordaram em devolvê-la à Índia.
Sophie Hayes, da unidade de arte e antiguidades da polícia metropolitana, disse: “Estamos muito felizes por podermos facilitar o retorno desse importante patrimônio cultural para a Índia. “Este caso tem sido um verdadeiro exemplo de cooperação entre a aplicação da lei, o comércio e os acadêmicos. Um crédito especial deve ser dado aos informantes atentos que nos fizeram perceber que a peça que faltava havia sido localizada depois de tantos anos ”.
Michael Ellis, o ministro britânico de artes, patrimônio e turismo, disse que a Grã-Bretanha foi um dos primeiros países a recuperar uma das 14 estátuas de Buda. Em 2017, Christos Tsirogiannis, professor da ARCA, identificou antigos vasos gregos de mármore à venda na feira de arte Frieze Masters em Londres, tendo estado na posse do antiquário italiano Gianfranco Becchina, que foi condenado à prisão. Os vasos haviam sido roubados quatro décadas atrás de uma antiga igreja rural cristã em Steni, na Grécia.
Inúmeros objetos de antigas negociações do antiquário italiano de 80 anos ainda estão no mercado de antiquidades e a identificação geralmente resulta em sua repatriação.
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Artigo de Nadeem Badshah para o jornal inglês “The Guarian” editado em 15/8/2018. https://www.theguardian.com/world/2018/aug/15/stolen-buddha-statue-return-india-found-uk

Museu da Bíblia retorna manuscrito medieval à Universidade de Atenas +

Um ano depois que a família Green, proprietária da cadeia de lojas de artesanato Hobby Lobby e uma das principais patrocinadoras do Museu da Bíblia, em Washington, concordou em pagar uma multa de US$ 3 milhões pela importação ilegal de artefatos do Iraque, o museu vai devolver à Universidade de Atenas, na Grécia, um manuscrito medieval dos quatro testamentos, pois descobriu que o documento foi roubado da instituição grega em 1991. O retorno segue uma investigação que o museu está conduzindo sobre a proveniência e origem de mais de 3.000 itens em sua coleção.
No final da semana passada, o museu inaugurado em novembro de 2017, anunciou que devolveria o manuscrito grego medieval dos quatro relatos evangélicos da vida de Jesus à Universidade de Atenas. Isso marca “o primeiro retorno de um artefato por causa de uma questão de procedência”, disse a porta-voz Michelle Farmer, da DeMoss, ao Religion News Service.
O item, conhecido como “Manuscrito 18” e datado de 1.100, desapareceu da biblioteca da universidade em 1991. Ele apareceu sete anos depois, em um leilão da Sotheby's em Londres, onde foi comprado por um proprietário desconhecido. Em 2010 o presidente do Hobby Lobby, Steve Green, proprietário de uma das maiores coleções privadas de textos e artefatos bíblicos do mundo, comprou o manuscrito. A família Green, grandes financiadores do museu doou-o para a instituição em 2014.
O curador-chefe Jeff Kloha disse à RNS que a decisão de devolver o item foi fácil. "Somos um museu da Bíblia, por isso “fazemos ao outro o que gostaríamos que fizessem conosco”, disse ele, citando Mateus 7:12.
Kloha disse que o museu segue os padrões estabelecidos pela Aliança Americana de Museus e pela Associação de Diretores de Museus de Arte. “Queremos agir de maneira ética, uma maneira legal de ajudar uma instituição irmã”, disse ele. "Esta é uma oportunidade para agirmos com responsabilidade e demonstrar que somos um museu que adere aos padrões”.
Kloha observou que o museu está buscando credenciamento da Associação Americana de Museus, e que fazer as coisas de acordo com os padrões é parte desse processo. O credenciamento reflete o profissionalismo de um museu, disse ele, “e também ajuda com os parceiros de empréstimo” ao se aproximar de outras instituições para o empréstimo de itens.
O “Manuscrito 18” está atualmente em exibição através de um acordo com a Universidade de Atenas e será formalmente devolvido em 1º de outubro. Kloha disse que o manuscrito foi “digitalizado e colocado on-line” para visualização pública.
Kloha, que tem um doutorado da Universidade de Leeds, na Inglaterra, observou os muitos “pontos de localização” do manuscrito desde o início de 1900 até o presente. "Este é um caso tão claro quando conversamos com a Universidade (de Atenas)", disse ele. “(Isto não foi) um manuscrito aleatório, mas tinha conexões íntimas com a universidade e pertencia àquela coleção.”
Uma dessas ligações foi Spyridon Lambros, um historiador grego do século 19 e início do século XX que lecionou na universidade por 23 anos e doou o manuscrito para a universidade. Lambros também serviu como primeiro-ministro grego de setembro de 1916 a abril de 1917.
Após a doação do “Manuscrito 18”, o museu listou o item em um banco de dados de manuscritos do Novo Testamento no Instituto de Pesquisa Textual do Novo Testamento na Universidade de Münster, na Alemanha. Essa lista chamou a atenção de Theodora Antonopoulou, professora de literatura bizantina na Universidade de Atenas. Sua pesquisa mostrou que o manuscrito havia sido apropriado da escola sem sua permissão.
O advogado Thomas R. Kline, professor de estudos em museus da George Washington University e consultor do museu, disse que o retorno "reflete o compromisso do (museu) com uma abordagem (ética) no mais alto nível".
Tais padrões foram destacados após o acordo de 2017 da família Green para devolver milhares de artefatos que as autoridades federais dos EUA disseram que foram importados ilegalmente, bem como pagar a multa de US$ 3 milhões. Alguns acadêmicos argumentaram que o incidente mancharia a reputação do museu, mas outros admitiram as dificuldades de proveniência inerentes à montagem de coleções de artefatos antigos.
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Artigo editado em 13/8/2018 no site religionnews.com: https://religionnews.com/2018/08/13/museum-of-the-bible-returns-medieval-manuscript-after-discovering-items-theft/

Sites de leilões online impulsionam vendas de obras falsas +

Sites de leilões online estão impulsionando as vendas falsas de arte, segundo Fiona Bruce e o revendedor Philip Mold. Com o retorno da tão falada série de televisão “Fake or Fortune” à BBC, os apresentadores do programa revelaram que a Internet está cada vez mais permitindo que as pessoas negociem arte falsa.
Antes desta sétima série, Bruce disse que era cada vez mais frequente o fato de obras de arte produzidas na China serem vendidas online, mas que era impossível distinguir entre algo falso e algo verdadeiro quando você faz compras virtuais.
"A internet certamente mudou as coisas", disse ela. “Legitimamente, você pode licitar em um leilão pela internet. Mas as vendas comerciais de arte em sites como o eBay tornaram a venda de arte falsa maior.
“Pode ser muito difícil descobrir quem vendeu ou comprou a arte porque você pode ocultar sua origem na internet. Há lugares na China que apenas produzem a arte que se parece com a de artistas muito famosos, mas eles nunca estiveram perto dos verdadeiros artistas. Você pode comprar uma obra de arte online pensando que é uma coisa, quando você não tem ideia de que ela está vindo da China”.
Bruce disse que muitas vezes viu exemplos de trabalhos de Lowry sendo anunciados online, mas os vendedores teriam muito cuidado na nomeação desses trabalhos, referindo-se a uma peça como "Lowry" em vez de "By Lowry" para evitar ser chamada falsificada.
"O mundo mudou e agora é muito mais sofisticado como podemos saber se algo é real e falso, mas também as técnicas usadas para nos enganar".
A série de cinco partes vai ao ar às 21:00 na BBC. Desde o seu lançamento em 2011, o programa de sucesso cresceu e se tornou o programa de arte mais popular da TV e atrai regularmente uma audiência de cinco milhões de espectadores.
O negociante de arte, Sr. Mold, disse que a mudança de tendências se tornou uma preocupação crescente para empresas legítimas, e que novas técnicas estavam sendo constantemente projetadas para enganar os traficantes a pensar que um falso poderia ser a coisa real.
"Eu tenho visto um aumento na quantidade de arte falsa por aí", disse ele. “Com todo o brilhantismo técnico, é quase como uma corrida armamentista com os falsificadores para ver quem consegue o mais sofisticado primeiro, e isso é preocupante. Inquestionavelmente, vimos um aumento na arte falsa na internet. Como uma estatística bastante precisa, cerca de 70% da arte que você vê à venda online, não necessariamente por revendedores de boa reputação, mas por indivíduos, é deturpada e é extremamente preocupante ”.
O Sr. Mold informou que, se você pretende gastar menos de £ 50 online, isso não é uma grande preocupação, mas alertou contra possíveis compradores que compram obras de arte por grandes somas de dinheiro, especialmente quando a origem não é conhecida.
Ele disse: “Se é muito dinheiro, a menos que você realmente saiba o que está fazendo, você tem que conhecer a pessoa e olhar para o objeto - a falsidade é tão bem feita hoje em dia que é importante julgar o contexto para o qual você está comprando uma pintura.
Um porta-voz do eBay disse: "O eBay tem uma próspera categoria de arte com um esquema de proteção dos direitos do proprietário para impedir que qualquer pessoa sem direitos autorais venda arte que não é deles".
No episódio de hoje de “Fake or Fortune”, a dupla examinará uma pintura de natureza morta alegando ser do artista britânico William Nicholson.
A pintura foi comprada por seu atual proprietário em 2006 por £ 165.000, mas depois que ela foi deixada de fora do último catálogo do artista, a pintura agora pode valer apenas algumas centenas de libras.
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Artigo de Francesca Marshall para o site do jornal inglês “The Telegraph” editado em 12/8/2018. (https://www.telegraph.co.uk/news/2018/08/12/online-auction-sites-ebay-boosting-fake-art-sales-warn-fiona/).

Metropolitan Museum de NY vai devolver esculturas para a Índia +

O Metropolitan Museum of Art (Nova York) anunciou que vai devolver duas esculturas ao governo da Índia: uma escultura em pedra do século VIII de uma deusa hindu, Durga Mahishasuramardini, e uma escultura em calcário do terceiro século, que representa uma divindade masculina.
A Durga foi doada ao Museu em 2015. No decorrer da pesquisa, a equipe do museu reconheceu em uma publicação de 1969, “The Archaeology of Kumann (incluindo Dehradum)” a descrição de Durga como parte do templo Chakravarteswara, em Baijnath, capital medieval em Uttarakhand, no norte da Índia.
O Museu entrou em contato com a Archaeological Survey of India e o museu e o país assinaram então um acordo para seu retorno em abril de 2018.
A escultura da divindade masculina foi doada ao Museu em 1986. A equipe do museu determinou recentemente que era parte do inventário escavado do Nagarjunakondate Museum e se ofereceu para devolvê-lo no início deste ano.
O museu e a Índia estão assinando o acordo para seu retorno e, juntamente com a Durga, serão enviados para a Índia no final desta semana. “O Museu está comprometido com a aquisição responsável de arte arqueológica e aplica rigorosos padrões de proveniência às suas coleções. O retorno desses objetos para a Índia é justificado, e o museu agradece por nossas relações de colaboração de longa data com colegas e instituições acadêmicas na Índia”, declarou o Met.
“Agradecemos profundamente os sinceros esforços e colaboração do Metropolitan Museum of Art neste retorno de antiguidades indianas à Índia. Continuaremos a trabalhar em estreita colaboração com o museu e outras autoridades e instituições dos EUA para identificar a arte arqueológica indiana que pertence à Índia”, comentou o Consulado Geral da Índia.

Escultura persa em pedra calcária deve retornar ao Irã +

A polícia confiscou uma escultura baixo-relevo persa em pedra calcária de oito polegadas datado de 500 a.C. e avaliada em US$ 1,2 milhão no estande do negociante de antiguidades de Londres, Rupert Wace, durante a feira Tefaf, em Nova York, em outubro de 2017. A obra retrata um guarda imperial persa barbada segurando uma lança. O artefato uma vez adornou um prédio nas ruínas de Persépolis durante a dinastia Aquemênida (Primeiro Império Persa).
De acordo com o jornal “New York Times”, a peça foi contrabandeada para fora do Irã em 1936 e ressurgiu quando um colecionador canadense a doou ao Museu de Belas Artes de Montreal em 1950. Depois de ter sido roubada do museu canadense em 2011, Wace e seu parceiro Sam Fogg compraram a obra da companhia de seguros do museu. A instituição optou por deixar a seguradora manter o objeto em vez de ser reembolsado. Wace e Fogg não serão acusados por possuir a obra.
Pouco depois de ter sido apreendido na feira no outono passado, Wace disse à Artnet News por e-mail que ele e Fogg compraram o trabalho legalmente e de boa fé. “Estamos desolados para compreender os eventos que ocorreram. Esta obra de arte tem sido bem conhecida pelos estudiosos e tem uma história que abrange quase 70 anos”, disse ele. No entanto, os investigadores apresentaram um estudo detalhado que mostrou que a obra foi tirada ilegalmente do Irã, e os dois distribuidores concordaram em abrir mão do artefato para que ele possa ser devolvido ao país do qual foi roubado há quase 80 anos.
O caso é a mais recente repatriação bem-sucedida sob o procurador distrital de Nova York, Cyrus R. Vance Jr. Depois de assumir o cargo, Vance formou uma unidade dedicada ao tráfico de antiguidades para acompanhar o aumento do número de casos na cidade de Nova York, um grande mercado ilegal. De acordo com Vance, seu escritório retornou milhares de antiguidades ilícitas desde 2012, avaliadas coletivamente em mais de US$ 150 milhões.
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Artigo de Henri Neuendorf para o portal internacional de artes “Artnet” (www.artnet.com) editado em 24/7/2018.

Os prós e os contras de roubar arte +

Dez dias atrás, uma obra de Banksy avaliada em cerca de US$ 40 mil foi roubada de uma exposição no Canadá. Foi um crime aparentemente sem esforço: um homem entrou, tirou o trabalho da parede e saiu, como a maioria desses tipos de crime acontecem... O trabalho pesado vem depois.
“A regra é que não é tão difícil roubar arte, mesmo dos museus, mas é quase impossível transformar essa arte em dinheiro vivo”, diz Noah Charney, um acadêmico e escritor que publicou vários livros sobre roubo de arte.
Pinturas podem ser rapidamente cortadas de suas molduras, pequenas esculturas podem ser colocadas em bolsas e jóias podem ser facilmente escondidas, mas encontrar um comprador para uma obra de arte ou um diamante é muitas vezes impossível.
“Os criminosos não entendem isso, porque o conhecimento deles sobre crimes de arte é baseado em filmes e ficção”, diz Charney. Há exceções, é claro, incluindo um roubo muito divulgado em março de 2017, quando quatro homens de uma família criminosa árabe-curda na Alemanha invadiram o Museu Bode de Berlim e roubaram uma moeda de 221 libras (pouco mais de 100 quilos) feita pela Casa da Moeda canadense.
Usando o teste de DNA, a polícia alemã conseguiu caçar e prender os homens em menos de quatro meses (um deles havia trabalhado como guarda de segurança no museu), mas a moeda já havia desaparecido há muito tempo.
O roubo foi notável, não apenas porque os criminosos foram pegos (uma raridade, em geral), mas também porque conseguiram vender o que roubaram por uma quantia significativa de dinheiro. Se os ladrões de arte soubessem o quanto era realmente difícil vender a arte que haviam roubado, diz Charney, quase certamente haveria muito menos roubos de arte.
A boa notícia, se você é um ladrão de arte, é que “somos muito ruins em pegar ladrões de arte”, diz Charney. “Temos uma taxa de recuperação e acusação muito baixa: algo como 1,5% dos casos de roubo de arte têm a arte recuperada e o criminoso processado”. Então, se um ladrão tiver um comprador esperando nos bastidores ou simplesmente quiser uma pintura ou um objeto de arte para si mesmo, há uma boa chance de ele sair ileso.
Acrescente a isso o prestígio de ser um ladrão de arte. “Arte sempre foi associada à elite social, então é uma coisa ambiciosa”, explica Charney, e roubar arte parece ser um bom negócio.
A má notícia, se você não tem um comprador antes de roubar o trabalho, é que você está com problemas. “As pessoas assumem que encontrarão colecionadores de arte”, diz Charney, “quando, na verdade, temos muito poucos exemplos históricos disso...”.
A pior de todas as notícias é que “quando as pessoas não encontram esses compradores criminosos, acabam oferecendo material roubado para pessoas que se parecem com os criminosos, geralmente policiais disfarçados”, diz Charney. Em outras palavras, as pessoas muitas vezes roubam a arte pensando que podem vendê-la, percebem que não é tão fácil (se fosse, todos seriam legítimos negociantes de arte) e acabam fazendo um marketing discreto, mas obviamente indiscreto esforço para tentar vender a arte e ser pego. Mesmo que os criminosos não estejam desesperados o suficiente para começar a vender suas mercadorias a estranhos, uma vez que eles descobrem que não há um grande grupo de negociantes dispostos a gastar com isso, eles recorrem a um plano B, que é “devolvê-lo à vítima ou para a companhia de seguros", explica Charney.
Mas, dado que essa tática é um claro sinal de desespero, a vítima ou a companhia de seguros está em uma posição quase inatacável de negociação, o que resulta, pelo menos historicamente, no resgate da obra e na prisão do criminoso. "Realmente não existe um Plano B", diz Charney, "a menos que seja ouro".
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Artigo de James Tarmy publicado no site da Blomberg em 26/6/2018. www.bloomberg.com/news/articles/2018-06-26/the-pros-and-cons-of-stealing-fine-art

Quadro de Banksy é roubado de exposição em Toronto +

TORONTO — Um vídeo compartilhado pela polícia de Toronto mostra o momento em que um homem misterioso rouba uma gravura do grafiteiro Banksy de uma exposição dedicada à sua obra. Nas imagens, é possível ver o momento em que o homem entra na sala de exposição com o casaco levantado até o rosto, pega o quadro da parede e sai correndo pela porta. A polícia local anunciou, nesta quinta-feira, a abertura de uma investigação para apurar o crime.

O trabalho roubado, "Trolley Hunters", mostra três homens vestidos com uma tanga, no meio de um campo, apontando lanças afiadas para carrinhos de supermercado vazios. O valor estimado do quadro, roubado no último domingo, é de cerca de 45mil dólares canadenses (cerca de R$ 140 mil), segundo a porta-voz da polícia de Toronto, Jenifferjit Sidhu.
"Recebemos um telefonema sobre uma entrada forçada no oeste da cidade. Em algum momento do domingo, uma gravura de Banksy desapareceu da exposição", disse Jenifferjit à AFP.

Bansky é famoso por imagens recheadas de ironia que já se tornaram ícones da geração atual, como Mona Lisas empunhando armas, policiais se beijando na boca e ratos, muitos ratos. O artista inglês preserva seu anonimato a qualquer custo. A exposição, não autorizada pelo artista, foi inaugurada na quarta-feira em um edifício industrial de Toronto transformado em galeria de arte, como parte de uma turnê pela América do Norte.

A mostra é apresentada como a maior dedicada até agora ao artista. Com aproximadamente 80 obras de coleções privadas, que incluem esculturas, serigrafias, pinturas e peças multimídia, a exposição está aberta ao público até o dia 11 de julho.
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Matéria publicada originalmente no jornal “O Globo” (oglobo.com), em 16/06/18.

Carta de Colombo roubada estava com colecionador brasileiro +

Estava com um colecionador brasileiro a carta de Cristóvão Colombo que havia sido roubada da Biblioteca Nacional da Catalunha, na Espanha, e foi recuperada após uma investigação de sete anos realizada pelo governo dos Estados Unidos.
A impressão da carta do italiano Colombo, na qual o “descobridor” da América descreve à coroa espanhola os resultados de sua primeira expedição, foi vendida várias vezes após ser roubada no início dos anos 2000 —a última vez por mais de US$ 1 milhão (R$ 3,7 milhões) a um colecionador no Brasil, informou na quinta-feira (7) o Departamento de Justiça dos EUA. A identidade dele não foi divulgada.
O documento, impresso em 1493, fazia parte da coleção da biblioteca catalã desde 1918.
Uma investigação de sete anos que envolveu autoridades de Espanha, França e Brasil determinou que a carta de Colombo foi vendida por dois livreiros italianos, em novembro de 2005, pelo valor de € 600 mil (R$ 2,7 milhões).
Após ficar sabendo que duas impressões à mão da mesma carta —há ao todo 16 no mundo— tinham sido roubadas e substituídas por cópias em bibliotecas de Florença e do Vaticano, um especialista e um policial americano visitaram em 2012 a Biblioteca da Catalunha, em Barcelona, e determinaram que essa versão também era falsa.
Em março de 2013, as autoridades descobriram que a impressão à mão da carta de Colombo tinha sido revendida pela última vez em junho de 2011 por € 900 mil (R$ 4,1 milhões).
Depois de extensas negociações, a pessoa em posse da carta no Brasil concordou em entregá-la em 2014 a agentes da unidade de investigações da Polícia Federal brasileira.
As autoridades continuam investigando, mas ainda não houve prisões.
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Artigo editado no jornal "Folha de S. paulo" em 09/06/18.

Uma dívida histórica +

Entre 1933 e 1945, sistematicamente, o partido nazista da Alemanha roubou ou adquiriu compulsoriamente um enorme número de obras de arte de museus em toda a Europa, e de colecionadores judeus. Impossível saber os dados exatos, mas estimativas sugerem que só o número de pinturas saqueadas totalizaria 650 mil – um quinto de todas as pinturas existentes na Europa na época.
Os esforços para restituir as obras para seus proprietários têm sido lentos e somente em 1998 um conjunto de princípios internacionais para lidar com o problema foi criado. Quarenta e quatro países se juntaram para redigir o documento Princípios de Washington, que incentiva as coleções públicas a realizarem pesquisas sobre a proveniência de suas obras e, se necessário, devolver aquelas roubadas que estão em sua posse para os proprietários de direito ou seus descendentes, especialmente no caso de colecionadores judeus que foram forçados a fugir da Alemanha. E o problema é que esse processo se torna cada vez mais difícil à medida que as pistas desaparecem e os proprietários originais (e suas lembranças) envelhecem.
O regime nazista rotulou muitas obras, especialmente as de vanguarda e modernistas, como Arte Degenerada (Entartete Kunst) – ou comunista, “não-germânica”, uma arte repugnante para os valores nazistas. Exibidas numa mostra tristemente famosa com o mesmo nome em 1937, esses trabalhos foram expurgados das coleções ou destruídos e, em outros casos, vendidos para financiar a guerra. À medida que mais e mais judeus fugiam ou eram assassinados, suas coleções de arte eram compradas por somas ridículas, ou simplesmente roubadas. Hermann Göring, encarregado deste trabalho por Hitler, acumulou uma fortuna.
Os esforços com vistas à restituição das obras começaram em 1957, mas muitos dos envolvidos em negócios com arte saqueada, antes e depois da guerra, não sabiam que as obras haviam sido roubadas. Em alguns casos essa ignorância era deliberadas – resultado de uma tentação de desviar o olhar de uma verdade dolorosa e custosa. Em outros, foi fruto de simples negligência.
Mas com o tempo, o comportamento alemão mudou: a vontade de enfrentar o passado e agir de modo correto é hoje um valor nacional com amplo apoio da sociedade. Isto ficou bem claro após a descoberta, em 2012, de inúmeras obras de arte ocultas que estavam em mãos de Cornelius Gurlitt e. No inicio deste ano, foram enviada para ser expostas em Berna e Bonn, após inúmeras complicações legais. As duas exposições irão para o museu Martin-Gropius Bau em Berlim no final deste ano. As indenizações de guerra pagas pela Alemanha incluem um fundo público de quase US$ 7 milhões por ano, destinados à pesquisa sobre a proveniência das obras do museu através da German Lost Art Foundation.
E foi com recursos desse fundo que o Museu Zeppelin, em Friedrichshafen, lançou um projeto de averiguação da sua própria coleção de 4 mil obras de arte, incluindo uma seleção impressionante de pinturas de Otto Dix (considerada arte degenerada pelos nazistas) como também obras barrocas e góticas.
Como Friedrichshafen era um centro de produção de armas, a própria coleção do museu foi destruída por bombardeios durante a guerra. Assim, toda a coleção que abrigava foi vendida após 1945.
No entanto vários marchands, como Benno Griebert e Otto Staebler, que tiveram um longo contato com o museu após a guerra, teriam relação com obras de arte roubadas pelos nazistas.
“Queremos mostrar aos visitantes como trabalhamos”, afirmou Fanny Stoye, que atua no projeto de pesquisa. A exposição atual The Obligation of Ownership: An Art Collection Under Scrutiny, permite responder perguntas sobre períodos chave envolvendo a propriedade das obras, especialmente a de saber onde estava determinada obra entre 1933 e 1945. O sistema adotado é importante: pinturas e esculturas são expostas com o verso à mostra de modo que marcas e números de identificação da obra sejam mostrados. “É melhor fazer a sua pesquisa e depois mover uma ação”, disse a diretora do museu Claudia Emmert.
A pesquisa sistemática e transparente fica clara até mesmo para um observador casual com um sistema de classificação de “risco de ser roubada” com etiquetas verdes, amarelas, laranja e vermelho no cartão identificador da obra. A metade tem etiqueta verde e muitas marcadas em amarelo. Apenas duas contém o selo laranja e a etiqueta vermelha não aparece em nenhuma. Mas existem muitas lacunas na investigação. “Venho trabalhando nisso desde agosto de 2016, mas muita pesquisa ainda é necessária” afirmou Fanny Stoye.
Mesmo assim a mostra tem um significado importante para a pesquisa sobre a origem de obras no geral. Uma das peças na exposição com a etiqueta laranja adicionou um novo personagem à lista de colecionadores judeus cujas obras podem ser sido roubadas pelos nazistas: Max Strauss, que provou ser proprietário do quadro Bouquet, de Otto Dix, que o museu mantém em sua coleção. O paradeiro da pintura era totalmente desconhecido entre 1928 e 1990, e acabou aparecendo misteriosamente da maneira que muitas outras: em um armazém aduaneiro em algum lugar na Suíça.
Strauss, que emigrou para os Estados Unidos e nunca voltou à Alemanha após fugir para a França em 1933, já faleceu. Sua família não tinha a mínima ideia da sua coleção de arte em Berlim. Teria ele vendido em Berlim antes de fugir da Alemanha? Neste caso, teria vendido sob coação? A seção final da exposição leva o título An Ongoing Obligation for Museums. Com o conhecimento que existe hoje, a esperança é de que mais instituições, e na verdade mais colecionadores privados, sigam o exemplo do Museu Zeppelin – e o façam publicamente – para encontrar essas respostas.
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Artigo editado no jornal "O Estado de S. Paulo" em 10/06/18.

"Inhotim é um monumento à onipresença do dinheiro sujo do mercado de arte" +

Faz menos de um ano que o reinado de Bernardo de Mello Paz ruiu. Em agosto, o idealizador do Instituto Inhotim, maior museu a céu aberto da América Latina, foi condenado em primeira instância a nove anos de prisão por lavagem de dinheiro. Quatro meses depois, já longe da presidência do Inhotim, o empresário foi condenado a outros cinco anos por evasão fiscal. Agora, uma investigação da revista Bloomberg Businessweek, assinada pelo repórter Alex Cuadros, autor do best seller Brazillionaires, revela novidades: a fortuna que colocou a cidade mineira de Brumadinho no circuito da arte mundial foi construída à base de trabalho infantil e escravo, desmatamento ilegal e grilagem de terras.
Inhotim era sequer um sonho distante quando, em 1973, Paz foi trabalhar com o sogro na Itaminas, uma companhia de minério de ferro. Mais interessado no lucro do que em projetos sociais, como escreve Cuadros, o empresário passou a incorporar outras mineradoras e se apossou de terras ocupadas há décadas por agricultores familiares. Através da Replasa Reflorestadora SA, Paz cultivou mais de 20 mil hectares de eucalipto no cerrado mineiro. As árvores – fontes do carvão que esquentava as máquinas de fundição das mineradoras – foram plantadas na nascente de córregos, infringindo a legislação ambiental. A água, antes abundante, secou. Os agricultores foram expulsos.
“Foi uma humilhação”, desabafou o filho de um agricultor ao jornalista, lembrando-se do dia em que funcionários da Replasa chamaram a polícia para enxotá-los de uma colheita. Hoje com 41 anos, José Gonçalves Dias começou a trabalhar aos 10, sem qualquer registro, em uma carvoaria contratada pela Replasa, para ajudar a família. Às vezes, os pés da criança, calçados apenas com chinelos, sofriam queimaduras. Sua irmã Maria do Rosário Gonçalves Dias, que aos 14 anos trabalhava diretamente para a Replasa espalhando pesticidas, também não tinha equipamento de proteção. Um advogado da empresa nega as denúncias.
Apesar dessas acusações, Paz só virou manchete em 1986, quando sete trabalhadores morreram no rompimento de uma barragem de rejeitos da Itaminas. Um funcionário afirma que a estrutura, sobrecarregada, foi construída sem uma planta adequada. Duas décadas depois, outras violações foram reveladas. Em 2007, descobriu-se que uma das fornecedoras de carvão das empresas de Paz empregava 36 pessoas em condições análogas à escravidão. Os trabalhadores eram obrigados a comprar suas próprias serras-elétricas e viviam em um local infestado por escorpiões. No ano seguinte, algumas das empresas de Paz tiveram que pagar mais de 13 milhões de dólares em multas pelo uso de carvão proveniente de desmatamento ilegal.
Em 2009, as infrações do cultivo de eucalipto de Paz foram pegas pela fiscalização. Naquele mesmo ano, Dias e outros agricultores decidiram ocupar a plantação. O grupo foi expulso por mais de 70 policiais, mas o processo judicial que se seguiu acabou revelando mais uma possível ilegalidade do empresário. O aluguel das terras, concedido pelo governo, seria ilegal, descobriu o advogado e ativista André Alves de Souza, que entrou com uma ação judicial questionando a posse de Paz.
Segundo a Procuradoria-Geral de Minas Gerais, a transação foi comandada por um servidor envolvido em um esquema de venda de terras públicas. Ainda assim, Paz nunca deixou o local. A ação continua em andamento, mas já surtiu efeito sobre os negócios da Replasa e seu dono. Hoje, a maior parte das plantações está parada, e Paz teve que empenhar um complexo de produção de um subproduto do minério de ferro como garantia para pagamento de suas diversas multas.
“O Inhotim é um monumento à onipresença do dinheiro sujo do mercado de arte”, escreve Alex Cuadros. Em abril deste ano, Paz se comprometeu a transferir a posse de 20 obras expostas em seu museu, todas em seu nome, para o governo – é o equivalente a 100 milhões de dólares em impostos atrasados. Em contrapartida, convenceu o governo a mantê-las em Inhotim. Trata-se do “truque mais brilhante da carreira de Paz”, conclui o repórter: decidir como os impostos que nunca pagou devem ser gastos.
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Artigo de Bruna de Lara publicado no site https://theintercept.com em 8/6/18.

África exige da Europa restituição de tesouros roubados +

Embora de acordo com a etiqueta os três totens expostos no Museu Quai Branly de Paris sejam uma "doação", seu país de origem, o Benim pede a restituição do que considera um tesouro roubado durante a época colonial.
Na realidade, essas imponentes estátuas foram pegas em 1892 pelas tropas francesas do general Alfred Amédée Dodds durante o roubo do Palácio de Abomey, a capital histórica do atual Benim.

Segundo o país africano, na França existem entre 4.500 e 6.000 objetos que pertencem ao país, incluindo tronos, portas de madeira gravada e cetros reais.

Do British Museum de Londres ao Museu Tervuren da Bélgica, numerosas coleções europeias transbordam de objetos de arte chamados "coloniais", adquiridos em condições muitas vezes discutíveis.

Naquela época, militares, antropólogos, etnógrafos e missionários que percorriam os países conquistados voltavam para casa com recordações compradas ou trocadas, e às vezes roubadas. Inclusive o ex-ministro francês de Cultura André Malraux foi condenado nos anos 1920 no Camboja por ter tentado arrancar os baixo-relevos de um templo khmer.

A controvérsia não é nova e não concerne unicamente à África. Há décadas a Grécia exige ao Reino Unido, em vão, a restituição dos frisos do Partenon. Mas o continente africano foi especialmente afetado.

'Hemorragia' patrimonial

"A África sofreu uma hemorragia de seu patrimônio durante a colonização e inclusive depois, com o tráfico ilegal", lamenta El Hadji Malick Ndiaye, conservador do museu de arte africana de Dakar.

Mais de 90% das peças importantes da África subsaariana estão fora do continente, segundo os especialistas. A Unesco apoia há mais de 40 anos a luta dessas nações para que lhes restituam seus bens culturais desaparecidos durante a época colonial.

Para Crusoe Osagie, porta-voz do governador do Estado de Edo, na Nigéria, não é normal que seus filhos tenham que ir ao exterior para admirar o patrimônio de seu país. "Esses objetos pertencem a nós e nos tiraram à força", destaca.

Assim como o Benim, cujo pedido de restituição foi negado pela França em 2016, outros países africanos receberam negativas.

Contudo, houve exceções, como em 2003, quando o museu etnológico de Berlim devolveu uma preciosa estátua de um pássaro ao Zimbábue, ex-colônia britânica. Os dirigentes africanos esperam agora uma mudança de atitude da França, depois que o presidente Emmanuel Macron disse em novembro em Burkina Faso que dará "as condições para uma devolução do patrimônio africano à África" em um prazo de cinco anos.

Uma "ruptura histórica", segundo o ministro camaronês da Cultura, Narcisse Mouelle Kombi. Seu país, colonizado sucessivamente por Alemanha, França e Grã-Bretanha, "é um dos principais interessados", afirma.

"Macron se comprometeu com os africanos a mudar o que tem sido as cinco últimas décadas da política de nossos museus: encontrar as artimanhas jurídicas necessárias para evitar a devolução" das peças, observa o historiador Pascal Blanchard, especialista na época colonial.

O Museu Quai Branly de Paris não quis responder às perguntas da AFP.

Paternalismo

Mas ainda existem muitos obstáculos técnicos e jurídicos, admitem os dois especialistas que o presidente Macron nomeou em março para concretizar sua promessa.

Para se negar a devolver as obras, os especialistas argumentaram durante anos que os museus africanos não têm as condições adequadas de segurança e conservação.

Mas de acordo com o conservador do museu de Dakar, El Hadji Malick Ndiaye, se trata de um velho debate, inclusive "paternalista". Na África "existem muitas instituições de museus, na África do Sul, no Quênia, no Mali, em Zimbábue", assegura.

O British Museum propôs empréstimos à Nigéria e à Etiópia, saqueadas durante uma expedição britânica em 1868, mas resiste a restituir os bens.

O debate está mais avançado na Alemanha, um país sensível a isso pelos espólios da época nazista e os roubos do Exército Vermelho.

Vários museus estão trabalhando para identificar a origem de milhares de obras da época colonial, quando a Alemanha controlava Camarões, Togo e Tanzânia. É o caso do Museu Humboldt Forum, que abrirá em breve em Berlim e especificará a procedência dos objetos.
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Matéria publicada originalmente na Agencie France Presse, para o G1 (www.g1.com), em 01/06/18.

O museu da arte perdida +

Poderia ser o enredo de um filme de ação de Hollywood. Em um dia gelado em Estocolmo, dois carros de repente explodem em chamas na rua. Policiais espalham-se no que parece um ataque terrorista, enquanto um carro acelera em direção ao Museu Nacional da Suécia, um grande edifício de frente para a baía da cidade. Três homens armados pulam para fora e correm para dentro. Gritando ameaças através de suas balaclavas, eles forçam os visitantes a se deitarem. Correm pela galeria, arrancando quadros da parede. Com um carregamento que inclui dois Renoirs e um Rembrandt, escapam em uma lancha, atracada do lado de fora. Cinco anos depois, em um elaborado assalto, um agente do FBI se apresenta como um colecionador tentando capturar uma raridade em Copenhague, e o Autorretrato de Rembrandt é recuperado.
O roubo de arte nem sempre é tão cinematográfico quanto essa história da vida real, mas é surpreendentemente comum. Em um novo livro, Noah Charney, um historiador de arte, cita os dados do Departamento de Justiça americano elencando o roubo de obras de arte como o terceiro crime de maior lucro bruto do país. Na Itália, cerca de 30 mil obras de arte são roubadas anualmente. E em 2013, a polícia na Grã-Bretanha considerou que a arte roubada rendeu aos criminosos um total de mais de 300 milhões de libras (US$ 405 milhões) por ano.
Mas não é esta a única maneira de se perder uma obra de arte. Charney cataloga o que ele chama de “história do espaço negativo da arte”, repleta de “mais obras-primas do que todos os museus do mundo juntos”. Para Charney, a arte que perdura nem sempre é a melhor. “Nossa compreensão da arte é distorcida, inevitavelmente, para as obras que podem ser vistas”, escreve ele. “São inúmeros os perigos... que podem acontecer a uma obra de arte, muitas vezes tão frágil quanto um pedaço de papel.” Seu livro enciclopédico e envolvente é estruturado em torno desses diferentes perigos, das inúmeras maneiras diferentes de se perder uma obra de arte (às vezes encontrada mais tarde).
Tome-se a guerra, como exemplo. O livro conta como 15 mil objetos desapareceram do Museu Nacional em Bagdá durante a guerra do Iraque em 2003, e como o armistício de Napoleão, de 1792 em Modena, foi o primeiro tratado dos tempos modernos a exigir que obras de arte fossem entregues em troca de um cessar-fogo. Em um capítulo sobre vandalismo e iconoclastia, o autor descreve como o Taleban destruiu dois enormes Budas do século 4 no vale de Bamiyan, no Afeganistão, em 2001.
Estes são os tipos óbvios de culpados, mas o livro também mostra como os próprios artistas são propensos da mesma forma a destruir algo que fizeram. Michelangelo queimou a maioria de seus desenhos e esboços preliminares. Na Itália do século 16, os artistas não queriam que ninguém soubesse o quanto davam duro para criar suas obras-primas. O verdadeiro gênio foi definido por um traço especial, uma “sprezzatura”, ao idealizar um trabalho brilhante sem qualquer esforço. Ele jogou fora todas as evidências da dificuldade para que, como Giorgio Vasari, um contemporâneo e famoso cronista das vidas dos artistas da Renascença, escrevesse, “ele não pode parecer menos do que perfeito”.
Não é de se surpreender que fogo seja citado em outros lugares ao longo do livro de Charney. Em 1734, um enorme incêndio no palácio de Alcázar em Madri transformou centenas de obras de arte em cinzas, incluindo muitas de Velázquez, Rubens e Ticiano. Três séculos depois, em 2004, um armazém no leste de Londres incendiou-se, incinerando a coleção de arte contemporânea de Charles Saatchi incluindo artistas como Damien Hirst, Paula Rego e Chris Ofili.
A obra de Tracey Emin, Todas as Pessoas com as Quais Eu Já Dormi Entre 1963-1995 foi uma das obras destruídas no fogo. Uma tenda azul coberta por 102 quadrados de retalhos que menciona os nomes de todas as pessoas com quem ela já dividiu a cama, feita de tecido sintético altamente inflamável não teve a menor chance. Naquele momento, os críticos sarcásticos gritavam coisas como “milhões de pessoas não aplaudiram quando esse 'lixo' pegou fogo?” E “você teria pensado que, com determinação e financiamento, muitos desses trabalhos seriam perfeitamente substituíveis”. Para esse fim, a Saatchi Gallery supostamente ofereceu a Emin um milhão de libras para que ela recriasse a obra. Ela recusou: “Meu trabalho é muito pessoal, o que as pessoas sabem, então eu não posso criar essa emoção novamente – é impossível.”
Há também artistas que criam obras que jamais foram feitas para durar, pois em vez disso pretendiam viver nas fotografias ou filmes que as documentassem. Charney dedica espaço a peças efêmeras como Estudo para o Fim do Mundo, de Jean Tinguely; uma engenhoca de 8,2 metros de altura que ele construiu com a ajuda de Robert Rauschenberg no início dos anos 1960. Projetado para destruir-se automaticamente, a obra explodiu na frente de 250 espectadores no deserto de Nevada: uma confusão flamejante e fascinante de uma mecânica intencionalmente defeituosa.
Meio século depois, em outra peça intencionalmente destruída, Heather Benning, uma artista canadense, passou 18 meses construindo uma casa de bonecas em tamanho real chamada A Casa de Bonecas. Uma criação surreal em forma de palco, com uma parede de tijolos substituída por acrílico, era uma visão ampliada de um brinquedo de infância. Uma cena perfeita de uma casa serena, mas estranhamente vazia, parecendo congelada no tempo como um mausoléu.
Quando as fundações do edifício finalmente se tornaram instáveis, Benning incendiou sua criação. Este sempre foi seu plano. Ela tirou fotos enquanto o fogo brilhava, fazendo um novo trabalho a partir do antigo. As imagens revelando a fragilidade da casa de bonecas que ela construiu e são uma metáfora apropriada para a inerente fragilidade da arte.
Noah Charney documenta em seu livro cuidadosamente como a violência e os caprichos da guerra, saques, acidentes, vandalismo e desastres naturais sempre causarão estragos na arte e por que a proteção de obras contra esse tipo de perigo é vital. Mas para alguns artistas como Tinguely e Benning, a própria destruição é onde a criação também pode ser encontrada.
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Artigo do jornal "The Economist", editado no jornal "O Estado de S. Paulo", com tradução de Claudia Bozzo.

Museu francês descobre que metade de sua coleção é falsa +

Mais da metade das obras da coleção de um museu francês dedicado ao fauvista Étienne Terrus (1857-1922) revelou-se falsa depois que um historiador de arte que visitava o local alertou a equipe, que desconhecia que as obras pareciam suspeitas.

O Museu Étienne Terrus, localizado na pequena cidade natal do artista, Elne, contratou o historiador de arte Eric Forcada para reformar sua coleção após a recente restauração de seu prédio. Durante sua missão, o historiador descobriu que 82 pinturas - ou cerca de 60% das propriedades do museu - não foram pintadas por Terrus, de acordo com o jornal “The Guardian”.

Forcada disse que percebeu que as obras eram falsas quase que imediatamente. “Em uma pintura, a assinatura foi apagada quando passei minha luva branca sobre ela”, disse ele ao jornal inglês.
O historiador de arte informou o ministro da cultura da região e convocou um painel de especialistas, que confirmaram suas suspeitas. “Os suportes de algodão não correspondem à tela usada pelo Terrus. E existem alguns anacronismos”, disse.

O conselho local adquiriu a coleção de 140 pinturas e aquarelas para o museu ao longo de duas décadas. As descobertas chocaram os moradores locais, incluindo o prefeito da cidade, Yves Barniol. “Étienne Terrus foi o grande pintor de Elne. Ele fazia parte da comunidade, ele era nosso pintor ”, disse Barniol ao “The Guardian”. “Sabendo que as pessoas visitaram o museu e viram uma coleção, a maioria é falsa, isso é ruim. É uma catástrofe para o município”. O prefeito abriu uma investigação sobre as falsificações e insistiu que os responsáveis seriam pegos.

As autoridades do Musée Terrus não responderam imediatamente ao pedido de comentários da artnet News.
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Artigo de Henri Neuendorf publicado no portal de notícias Artnet (www.artnet.com) em 30/4/18.

União Europeia adota nova regra contra lavagem de dinheiro no mercado de arte +

União Europeia adota nova regra contra lavagem de dinheiro no mercado de arte
Folha de S. Paulo

O Parlamento Europeu adotou na quinta-feira (19) uma nova diretriz anti-lavagem de dinheiro, informou a publicação especializada The Art Newspaper. Trata-se da quinta medida deste caráter com o intuito de reforçar a regulamentação do mercado de arte.

As novas regras têm como objetivo aumentar a transparência em torno de transações financeiras do mercado, exigindo que bancos e comerciantes verifiquem as identidades dos clientes e relatem comportamentos suspeitos.

A previsão é de que a regulamentação entre em vigor em 2019 e abranja transações a partir de 10 mil euros (aproximadamente 42 mil reais), independentemente do método de pagamento —a regra atual abarca apenas transações feitas em dinheiro.

Segundo a publicação, a Confederação Internacional dos Negociantes de Obras de Arte (Cinoa) teria pressionado contra a nova legislação, argumentando que ela impõe burocracias adicionais às pequenas empresas.

A principal queixa da Cinoa seria a de que o limite de 10 mil euros é muito baixo e que, com isso, muitas transações menores, que juntas ultrapassam o valor estipulado, serão afetadas. A confederação também teria questionado como seria feito o monitoramento de compras pela internet, quando a empresa não consegue verificar pessoalmente a identidade de um novo cliente.

Ao jornal, Anthony Browne, presidente da Federação Britânica do Mercado de Arte (BAMF), disse que a federação não se opõe às novas leis, mas que se preocupa em "trabalhar com o governo para minimizar o efeito administrativo sobre as pequenas empresas".

A regulamentação do setor tem sido reforçada desde que foram divulgadas as investigações internacionais conhecidas como Panamá Papers, sobre fraudes fiscais trazidas à tona após o vazamento de registros de um escritório de advocacia panamenho.
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Matéria publicada originalmente no jornal "Folha de São Paulo", em 01/05/18.

Itaú Cultural fará seminário sobre combate ao furto de obras de arte +

O Itaú Cultural fará em maio um seminário internacional sobre as legislações que regulam o trânsito e a venda de obras de arte no mundo. Um dos objetivos é o de apontar melhorias para as listas de peças furtadas mantidas atualmente no Brasil. O encontro tem parcerias do MinC, do Itamaraty, da Unesco e do Icom (Conselho Internacional de Museus).
O evento ocorrerá após o caso, revelado pela Folha, em que gravuras furtadas da Biblioteca Nacional acabaram sendo compradas e expostas pelo Itaú Cultural. A instituição devolveu as obras quando elas foram identificadas.
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Coluna de Mônica Bergamo para o jornal "Folha de S. Paulo" em 07/04/2018

Caravaggio roubado em 1969 foi para a Suíça? +

Investigadores italianos estão seguindo uma nova pista na esperança de resolver um dos mais notórios crimes de arte dos últimos 50 anos: o roubo de “Nativity with St. Francis and St. Lawrence” (1600) de Caravaggio de um oratório barroco em Palermo, Sicília, em outubro de 1969.

Em testemunho da comissão permanente do parlamento italiano sobre crime organizado, revelada recentemente no jornal La Repubblica, o membro da máfia que se transformou em informante, Gaetano Grado, disse que a pintura foi inicialmente roubada por pequenos criminosos. A cobertura de imprensa subseqüente do roubo alertou a máfia para a importância da pintura e o seu potencial valor. A organização criminosa informou que desejava receber o trabalho e o Caravaggio foi devidamente apresentado a Gaetano Badalamenti, o chefe da Comissão da Máfia da Sicília, conhecido como Cúpula, que regula as disputas entre as famílias da máfia concorrentes, disse Grado.

Badalamenti então vendeu o trabalho a um negociante suíço, que viajou à Palermo para finalizar o negócio, disse Grado, acrescentando que Badalamenti lhe disse que a pintura seria cortada em pedaços para transportá-la ao exterior. Quando mostrou fotografias de vários concessionários suíços, Grado identificou o que ele afirma ter comprado o Caravaggio de Badalamenti. O nome do revendedor em questão, agora falecido, não foi divulgado.

Rosy Bindi, chefe da comissão governamental sobre crime organizado, disse que espera "cooperação internacional" na investigação da nova informação. O testemunho de Grado foi compartilhado com as autoridades sicilianas.

A máfia afirma

O roubo do Caravaggio, que está incluído na lista dos dez principais crimes de arte do FBI, apareceu no testemunho de inúmeros informantes da máfia. A informação fornecida variou desde o improvável até o absurdo. Houve afirmações de que a pintura foi mantida pela mafia para exibição em suas reuniões, que foi armazenada em um estábulo e foi comida por camundongos, que foi irremediavelmente danificada durante seu roubo e depois destruída, e até mesmo que foi usada como um tapete de cabeceira por um chefe de mafia.
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Matéria de Giusi Diana publicada originalmente no site do ArtNewsPapaer (www.theartnewspaper.com/news), em 27/02/18.

FBI resolve caso de 30 anos de roubo de Marc Chagall +

Trinta anos depois de ter sido roubado, um Marc Chagall foi recuperado pelo FBI. A pintura, intitulada “Otelo e Desdêmona”, pertencia ao joalheiro aposentado e colecionador de arte Ernest "Pick" Heller e sua esposa Rose "Red" Heller, e foi roubada de seu apartamento em Nova York em 1988, juntamente com inúmeras outras pinturas, esculturas e objetos de arte, incluindo jóias, tapetes, prataria e porcelana chinesa.
“Frequentemente trabalhamos em recuperações com mais de 25 anos, mas este é único pelo excelente trabalho realizado 30 anos após o roubo”, disse Chris Marinello, da Art Recovery, que representa a companhia de seguros Hellers, à Artnet News em um e-mail. "O FBI e a Procuradoria dos EUA poderiam facilmente ter descartado este assunto como 'história antiga', mas eles o perseguiram com precisão e vigor."
Ernest e Rose, então com 85 e 88 anos, haviam retornado de sua viagem anual de dois meses para Aspen, no Colorado, apenas para descobrir que seu apartamento havia sido roubado. Eles tinham um sistema de alarme instalado, mas não havia sinal de arrombamento.
Hoje, os investigadores acreditam que o roubo foi cometido por alguém que trabalhou no prédio e teve acesso ao sistema de segurança. O culpado foi, de acordo com um comunicado, mais tarde "condenado em tribunal distrital federal de transporte interestadual de propriedade roubada e fraude relacionado ao roubo e venda de outras obras de arte de apartamentos de outros prédios."
Além de Chagall, o casal possuía cerca de 21 quadros e 12 esculturas ao todo, incluindo obras de August Renoir, Othon Friesz, Georges Rouault, Pablo Picasso e Edward Hopper. No momento do assalto, a propriedade roubada do casal foi coletivamente avaliada em cerca de US$ 600.000. Ajustando a inflação, isso seria de US$ 1,3 milhão hoje.
“Foi uma vida inteira colecionando”, disse Ernest à UPI na época do crime. "Eu gostava de todos eles, mas o Chagall foi muito interessante porque era uma pintura de 1911." Ele expressou suas dúvidas de que seus objetos de valor roubados seriam recuperados. Até hoje, “Otelo e Desdêmona” éa única peça do assalto que foi encontrada; as 13 outras pinturas continuam desaparecidas.
A Equipe de Crimes de Arte do FBI rastreou a pintura com a ajuda de uma galeria em Washington, DC. De acordo com uma queixa apresentada na Corte Distrital dos EUA e intitulada "United States v. One Oil Painting, Othello and Desdemona, de Marc Chagall", para o Distrito de Columbia, a “pessoa 1” abordou a “pessoa 2” no final dos anos 80 ou início dos anos 90, para ajudar a vender o Chagall roubado a envolvidos com o crime organizado búlgaro. O acordo não foi adiante por que uma das partes tentou enganar a segunda. Por causa da investigação em curso sobre o paradeiro das outras pinturas, o FBI não está revelando os nomes de nenhuma das partes envolvidas.
A pessoa 2 trouxe a pintura para a galeria DC em 2011, e novamente em 2017. Uma terceira parte não identificada já havia trazido a pintura para a galeria em 1989. Todas as três vezes, o revendedor disse que não poderia ajudar a vender a peça sem a prova de propriedade e proveniência. Incentivado pela galeria, e agora com 72 anos de idade, com doença terminal e procurando limpar sua consciência, a pessoa 2 finalmente contatou o FBI, que recuperou a pintura.
O depósito de hoje é um confisco civil, que permite ao governo apreender bens roubados sem iniciar um processo criminal contra um suspeito culpado. "Isso não significa que não iremos processar alguém mais tarde", observou Zia Faruqui, o promotor do caso, em um telefonema com a Artnet News.
"Otelo e Desdêmona" foi avaliado na Sotheby's por US$ 50.000 a US$ 65.000 em 1974. Ele foi originalmente comprado pelo pai de Ernest, Samuel Heller, por apenas US$ 50 em 1913. Um estudante da Çole Julien Art School em Paris, Samuel era amigo de Fernand Léger, que provavelmente apresentou ele para Chagall.
Depois de confiscar a pintura, o FBI descobriu uma etiqueta nas costas, em alemão, que identificou “Mr. + Mrs. E.S. Heller, Nova Iorque ”como o“ besitzer ”, a palavra alemã para dono. O casal emprestou a peça para uma exposição de Chagall no Kunsthaus Zurich, em Genebra, na Suíça, em 1967 - e até recusou uma oferta de uma galeria local interessada em comprá-la.
"Tivemos sorte porque a etiqueta de Zurique tinha um espaço para os proprietários", admitiu o agente do FBI, Marc Hess, ao Artnet News. A partir daí, os investigadores puderam localizar notícias sobre o roubo e entrar em contato com Alan Scott, o advogado da propriedade dos Hellers, que confirmou que a pintura era sua propriedade roubada.
"Ambos os Hellers eram filantrópicos e altamente ativos no cenário artístico de Nova York em meados do século 20", disse Scott à Artnet News. Ernest Heller morreu em 1998, aos 95 anos, e Rose Heller, em 2003, aos 105 anos.
Eles tinham sobrinhas e sobrinhos, mas sua vontade beneficiou principalmente a MacDowell Colony, em Peterborough, New Hampshire, uma residência de arte contemporânea. O produto da venda da pintura será dividido entre MacDowell (80%) e a Columbia University de Nova York e o NYU Medical Center (10% cada).
"Normalmente, a companhia de seguros alega a totalidade dos lucros em casos como este, mas como o dinheiro seria destinado à caridade, a empresa concordou em receber apenas o valor do pagamento e nada mais", disse Marinello. Ele disse que os Hellers receberam US$ 100.000 de sua apólice de seguro para a pintura roubada.
Hoje, de acordo com o banco de dados Price Database, o trabalho de Chagall é rotineiramente vendido por milhões em leilões. Seu registro é de US$ 28,45 milhões para "Les Amoureux", uma tela de 1928. A pintura, vendida em novembro na Sotheby's New York, retrata a primeira esposa e o grande amor da artista, Bella Rosenfeld.
"Otelo e Desdêmona", no entanto, é improvável que alcancem alturas semelhantes. "Não é uma pintura particularmente atraente, nem da fotografia parece estar em condições particularmente boas", disse o assessor de arte Todd Levin ao Artnet News. "Peças semelhantes foram vendidas em um passado relativamente recente e acho que elas terão sorte de receber US$ 600.000 hoje, incluindo o prêmio do comprador".
"Uma estimativa sensata do leilão seria de US$ 300.000 a 500.000, e é muito possível que a pintura não seja vendida", acrescentou. "Esta não é uma pintura importante na produção dos artistas por assunto, escala, período ou de qualquer outra forma." Levin observou que o fato de que o trabalho estava faltando há tantos anos provavelmente só diminuiria o seu valor, devido a probabilidade de a pintura ter sido armazenada de forma inadequada.
Marinello citou um valor mais alto. "Recebemos estimativas preliminares de cerca de US$ 700.000 a US$ 900.000", disse ele. “A proveniência é impecável. O pai da vítima comprou a pintura do próprio Chagall. Há um histórico significativo de exposições também ”.
Independentemente do valor monetário da pintura, sua recuperação após três décadas continua sendo uma grande conquista. "Fiquei impressionado quando, 30 anos depois de um crime em Nova York, agentes do FBI estavam procurando por essa propriedade em DC e fazendo o trabalho duro para descobrir quem eram os proprietários e devolvê-los a eles", disse Faruqui. "Agora vai para uma instituição de caridade e fala muito bem do departamento. É uma verdadeira história boa!
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Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site do Artnet, em 12/04/18.

Roubo no Museu del Sannio em Benevento, Itália +

Autoridades italianas anunciaram um roubo do Museo del Sannio em Benevento, na Itália. O roubo parece ter ocorrido por volta das 02h da manhã de quarta-feira, 22 de março de 2018. De acordo com relatos iniciais, um alarme foi acionado pela abertura da porta de emergência com vista para a Piazza Arechi, em frente ao Conservatório, mas sinais de roubo ou arrombamento não foram encontrados no momento da vistoria, e o incidente foi mal interpretado como um alarme

O museu detectou o roubo na tarde do dia seguinte, quando o pessoal, analisando o alarme falso de forma errônea, descobriu fragmentos de cerâmica quebrados espalhados pelo chão nas proximidades de uma área de armazenamento localizada no prédio da Piazza Santa Sofia. Talvez assustado quando o alarme soou, o grupo de ladrões deixou para trás um contêiner já empacotado, onde colocaram outros objetos que pretendiam remover e em sua partida apressada aparentemente derrubaram e danificaram mais de uma dúzia de outras peças armazenadas no mesmo depósito.

A chefe do Museu de Gestão da Província de Benevento, Gabriella Gomma, entregou um inventário preliminar de objetos roubados para as autoridades da Polícia Estadual em Benevento e uma lista abrangente deve ser concluída até segunda-feira, 26 de abril. Os relatórios iniciais indicam que alguns dos vinte vasos já identificados como desaparecidos, incluem achados arqueológicos que remontam ao período helenístico (323 - 31 aC).
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Matéria publicada originalmente no site do Art Crime (www.art-crime.blogspot.com.br), em 25/03/18.

Obras expostas no Itaú foram furtadas da Biblioteca Nacional, diz perícia +

As gravuras de Emil Bauch que ficaram expostas por quatro anos no Itaú Cultural eram roubadas da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
O resultado da perícia realizada por especialistas foi revelado às 12h35 desta sexta (23), em entrevista coletiva na sede da instituição carioca. O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, que entregou as obras para a vistoria técnica no dia seguinte em que a Folha revelou o caso (13 de março), veio de São Paulo para participar da coletiva.
As oito gravuras que representam o Recife, impressas na Alemanha em 1852, foram furtadas pelo ladrão Laéssio Rodrigues de Oliveira em 2004. Segundo carta que ele enviou à Folha no início de março, o ladrão as vendeu ao colecionador Ruy Souza e Silva, ex-marido de Neca Setubal, herdeira do banco Itaú.
Souza e Silva vendeu oito gravuras de Bauch ao Itau Cultural em 2005. Ao jornal, Souza e Silva negou ter comprado as obras de Laéssio e disse que elas foram adquiridas na loja londrina Maggs e Bros. e ao repassá-las ao instituto, apresentou um recibo de novembro de 2004.
O recibo não especifica quais são as obras adquiridas. Diz "série de gravuras brasileiras". Contatada, a loja londrina informou não ter mais detalhes da transação, feita há quase 14 anos.
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Artigo de Ivan Finotti editado no jornal "Folha de S. Paulo" em 23/03/18.

Biblioteca Nacional vai periciar cerca de 30 gravuras do Itaú Cultural +

O Itaú Cultural e Biblioteca Nacional do Rio firmaram na quarta (14) um acordo no qual cerca de 30 outras gravuras do instituto paulista poderão passar por perícia ainda neste mês. A suspeita é que possam ter sido furtadas da instituição carioca e incorporadas ao acervo da coleção Brasiliana, mantida pelo banco.
“Existem entre 27 e 30 obras que identificamos no catálogo da coleção”, afirmou a presidente da Biblioteca, Helena Severo. “Gravuras semelhantes [às que serão submetidas a perícia] foram levadas daqui, mas é preciso análise cuidadosa, porque gravura não é obra única. Acertamos essa colaboração em conjunto.”
Segundo Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, que foi pessoalmente ao Rio na quarta levar as oito gravuras de Emil Bauch que poderiam ser as furtadas da Biblioteca em 2004, “o termo está sendo elaborado pelos advogados e pode ser assinado já na semana que vem”.
“Como instituição privada, vamos pagar passagens e hospedagens e, assim, facilitar a vinda das técnicas da Biblioteca Nacional a São Paulo. Esperamos que isso possa se tornar uma nova norma ou diretriz que aponte o caminho para tratarmos de obras raras no Brasil.”
A Folha publicou na edição desta quarta (14) reportagem sobre as suspeitas em torno das obras de Bauch, elaborada a partir de carta enviada ao jornal pelo ladrão Laéssio Rodrigues de Oliveira.
Na missiva, Laéssio afirmava que as gravuras feitas pelo artista alemão em 1852 e hoje pertencentes ao acervo do Itaú Cultural eram as mesmas oito que ele havia subtraído da Biblioteca Nacional há 14 anos.
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Artigo de Ivan Finotti paar o jornal "Folha de S. Paulo" em 15/03/2018.