destaques
conteúdo
publicidade
pega ladrão

Roubo no Museu del Sannio em Benevento, Itália +

Autoridades italianas anunciaram um roubo do Museo del Sannio em Benevento, na Itália. O roubo parece ter ocorrido por volta das 02h da manhã de quarta-feira, 22 de março de 2018. De acordo com relatos iniciais, um alarme foi acionado pela abertura da porta de emergência com vista para a Piazza Arechi, em frente ao Conservatório, mas sinais de roubo ou arrombamento não foram encontrados no momento da vistoria, e o incidente foi mal interpretado como um alarme

O museu detectou o roubo na tarde do dia seguinte, quando o pessoal, analisando o alarme falso de forma errônea, descobriu fragmentos de cerâmica quebrados espalhados pelo chão nas proximidades de uma área de armazenamento localizada no prédio da Piazza Santa Sofia. Talvez assustado quando o alarme soou, o grupo de ladrões deixou para trás um contêiner já empacotado, onde colocaram outros objetos que pretendiam remover e em sua partida apressada aparentemente derrubaram e danificaram mais de uma dúzia de outras peças armazenadas no mesmo depósito.

A chefe do Museu de Gestão da Província de Benevento, Gabriella Gomma, entregou um inventário preliminar de objetos roubados para as autoridades da Polícia Estadual em Benevento e uma lista abrangente deve ser concluída até segunda-feira, 26 de abril. Os relatórios iniciais indicam que alguns dos vinte vasos já identificados como desaparecidos, incluem achados arqueológicos que remontam ao período helenístico (323 - 31 aC).
|
Matéria publicada originalmente no site do Art Crime (www.art-crime.blogspot.com.br), em 25/03/18.

Itaú Cultural fará seminário sobre combate ao furto de obras de arte +

O Itaú Cultural fará em maio um seminário internacional sobre as legislações que regulam o trânsito e a venda de obras de arte no mundo. Um dos objetivos é o de apontar melhorias para as listas de peças furtadas mantidas atualmente no Brasil. O encontro tem parcerias do MinC, do Itamaraty, da Unesco e do Icom (Conselho Internacional de Museus).
O evento ocorrerá após o caso, revelado pela Folha, em que gravuras furtadas da Biblioteca Nacional acabaram sendo compradas e expostas pelo Itaú Cultural. A instituição devolveu as obras quando elas foram identificadas.
#
Coluna de Mônica Bergamo para o jornal "Folha de S. Paulo" em 07/04/2018

Obras expostas no Itaú foram furtadas da Biblioteca Nacional, diz perícia +

As gravuras de Emil Bauch que ficaram expostas por quatro anos no Itaú Cultural eram roubadas da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
O resultado da perícia realizada por especialistas foi revelado às 12h35 desta sexta (23), em entrevista coletiva na sede da instituição carioca. O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, que entregou as obras para a vistoria técnica no dia seguinte em que a Folha revelou o caso (13 de março), veio de São Paulo para participar da coletiva.
As oito gravuras que representam o Recife, impressas na Alemanha em 1852, foram furtadas pelo ladrão Laéssio Rodrigues de Oliveira em 2004. Segundo carta que ele enviou à Folha no início de março, o ladrão as vendeu ao colecionador Ruy Souza e Silva, ex-marido de Neca Setubal, herdeira do banco Itaú.
Souza e Silva vendeu oito gravuras de Bauch ao Itau Cultural em 2005. Ao jornal, Souza e Silva negou ter comprado as obras de Laéssio e disse que elas foram adquiridas na loja londrina Maggs e Bros. e ao repassá-las ao instituto, apresentou um recibo de novembro de 2004.
O recibo não especifica quais são as obras adquiridas. Diz "série de gravuras brasileiras". Contatada, a loja londrina informou não ter mais detalhes da transação, feita há quase 14 anos.
#
Artigo de Ivan Finotti editado no jornal "Folha de S. Paulo" em 23/03/18.

Caravaggio roubado em 1969 foi para a Suíça? +

Investigadores italianos estão seguindo uma nova pista na esperança de resolver um dos mais notórios crimes de arte dos últimos 50 anos: o roubo de “Nativity with St. Francis and St. Lawrence” (1600) de Caravaggio de um oratório barroco em Palermo, Sicília, em outubro de 1969.

Em testemunho da comissão permanente do parlamento italiano sobre crime organizado, revelada recentemente no jornal La Repubblica, o membro da máfia que se transformou em informante, Gaetano Grado, disse que a pintura foi inicialmente roubada por pequenos criminosos. A cobertura de imprensa subseqüente do roubo alertou a máfia para a importância da pintura e o seu potencial valor. A organização criminosa informou que desejava receber o trabalho e o Caravaggio foi devidamente apresentado a Gaetano Badalamenti, o chefe da Comissão da Máfia da Sicília, conhecido como Cúpula, que regula as disputas entre as famílias da máfia concorrentes, disse Grado.

Badalamenti então vendeu o trabalho a um negociante suíço, que viajou à Palermo para finalizar o negócio, disse Grado, acrescentando que Badalamenti lhe disse que a pintura seria cortada em pedaços para transportá-la ao exterior. Quando mostrou fotografias de vários concessionários suíços, Grado identificou o que ele afirma ter comprado o Caravaggio de Badalamenti. O nome do revendedor em questão, agora falecido, não foi divulgado.

Rosy Bindi, chefe da comissão governamental sobre crime organizado, disse que espera "cooperação internacional" na investigação da nova informação. O testemunho de Grado foi compartilhado com as autoridades sicilianas.

A máfia afirma

O roubo do Caravaggio, que está incluído na lista dos dez principais crimes de arte do FBI, apareceu no testemunho de inúmeros informantes da máfia. A informação fornecida variou desde o improvável até o absurdo. Houve afirmações de que a pintura foi mantida pela mafia para exibição em suas reuniões, que foi armazenada em um estábulo e foi comida por camundongos, que foi irremediavelmente danificada durante seu roubo e depois destruída, e até mesmo que foi usada como um tapete de cabeceira por um chefe de mafia.
|
Matéria de Giusi Diana publicada originalmente no site do ArtNewsPapaer (www.theartnewspaper.com/news), em 27/02/18.

Biblioteca Nacional vai periciar cerca de 30 gravuras do Itaú Cultural +

O Itaú Cultural e Biblioteca Nacional do Rio firmaram na quarta (14) um acordo no qual cerca de 30 outras gravuras do instituto paulista poderão passar por perícia ainda neste mês. A suspeita é que possam ter sido furtadas da instituição carioca e incorporadas ao acervo da coleção Brasiliana, mantida pelo banco.
“Existem entre 27 e 30 obras que identificamos no catálogo da coleção”, afirmou a presidente da Biblioteca, Helena Severo. “Gravuras semelhantes [às que serão submetidas a perícia] foram levadas daqui, mas é preciso análise cuidadosa, porque gravura não é obra única. Acertamos essa colaboração em conjunto.”
Segundo Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, que foi pessoalmente ao Rio na quarta levar as oito gravuras de Emil Bauch que poderiam ser as furtadas da Biblioteca em 2004, “o termo está sendo elaborado pelos advogados e pode ser assinado já na semana que vem”.
“Como instituição privada, vamos pagar passagens e hospedagens e, assim, facilitar a vinda das técnicas da Biblioteca Nacional a São Paulo. Esperamos que isso possa se tornar uma nova norma ou diretriz que aponte o caminho para tratarmos de obras raras no Brasil.”
A Folha publicou na edição desta quarta (14) reportagem sobre as suspeitas em torno das obras de Bauch, elaborada a partir de carta enviada ao jornal pelo ladrão Laéssio Rodrigues de Oliveira.
Na missiva, Laéssio afirmava que as gravuras feitas pelo artista alemão em 1852 e hoje pertencentes ao acervo do Itaú Cultural eram as mesmas oito que ele havia subtraído da Biblioteca Nacional há 14 anos.
#
Artigo de Ivan Finotti paar o jornal "Folha de S. Paulo" em 15/03/2018.

Obras sobre suspeita +

Após a denúncia de que a Coleção Brasiliana, do Itaú Cultural, pode estar abrigando gravuras raras roubadas da Biblioteca Nacional, o diretor da instituição paulista, Eduardo Saron, veio ao Rio ontem para colocar as obras à disposição da perícia da instituição carioca. Saron trouxe oito pranchas criadas pelo artista viajante alemão Emil Bauch (1823-1874) e suspeitas de pertencerem ao álbum “Souvenirs de Pernambuco”, impresso em 1852. Imagens semelhantes foram furtadas da Biblioteca Nacional em 2004 por Laéssio Rodrigues de Oliveira, considerado o maior ladrão de obras raras do Brasil e atualmente preso na penitenciária Milton Dias Moreira, em Japeri, Baixada Fluminense.
A acusação foi feita pelo próprio Laéssio, em carta enviada à “Folha de S.Paulo”, na qual descreve como realizou o roubo e afirma ter vendido as obras ao colecionador Ruy Souza e Silva, exmarido de Neca Setubal, herdeira do Itaú. Souza e Silva, que vendeu as gravuras de Emil Bauch ao Itaú Cultural em 2005, nega.
A dúvida permanece por serem poucas as coleções completas de “Souvenirs de Pernambuco” no Brasil. Ao saber do caso, Saron disse ter ligado imediatamente para Helena Severo, presidente da Biblioteca Nacional, para combinar o transporte das obras ao Rio, para a perícia.
— A origem do problema está em 2004, quando cerca de 1.200 obras do acervo da biblioteca foram furtadas, entre elas as obras do Emil Bauch — diz Helena Severo. — No mês passado, o Laéssio enviou uma carta para a gente, de 14 páginas, detalhando como teria roubado as obras. Tudo foi encaminhado para a Polícia Federal, que já investigava o caso. Agora, as obras pertencentes ao Itaú Cultural ficam em comodato conosco por cinco dias úteis, para que seja verificado se são as mesmas.
A perícia será feita por técnicos do setor de Iconografia da Biblioteca em parceria com o Iphan. Eles irão verificar dobras, características do papel, e a forma como as obras foram arrancadas do álbum para confirmar se elas batem com o “Souvenirs de Pernambuco” da instituição. O laudo seguirá para a Polícia Federal. Caso seja comprovado que pertencem ao órgão carioca, elas serão devolvidas à seção de obras raras.
O Itaú Cultural firmou também um termo de compromisso para que técnicos da Biblioteca Nacional verifiquem, em todo o seu acervo, em São Paulo, se há mais alguma obra suspeita de ter sido furtada.
— Sabemos que são múltiplos e temos evidências que confirmam a origem das obras. Ainda assim procuramos a Biblioteca Nacional e nos oferecemos para trazer as gravuras ao Rio para dirimir qualquer dúvida. — afirma Eduardo Saron. — Quem sabe esta experiência não possa provocar políticas públicas para o setor, novos modelos de governança para a compra e o trânsito das obras de arte?
Curiosamente, Laéssio Rodrigues de Oliveira é tema de um documentário que esteve em cartaz até ontem no Rio e em São Paulo. “Cartas para um ladrão de livros”, dirigido por Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros, conta a história do homem de 45 anos, preso no ano passado após um roubo ao Museu Nacional.
— Ele é de uma amoralidade total e isso incomoda muita gente. Debocha de todo mundo, inclusive dele próprio — define Barros. — O Laéssio quer ver o circo pegar fogo. O filme é sobre a vaidade dele, sobre alguém que quer deixar uma marca no mundo, mesmo que por vias tortas.
Um dos advogados do criminoso, Eduardo Joaquim Miranda da Silva diz que não tinha conhecimento do teor das cartas enviadas pelo cliente:
— O Laéssio está sempre mandando correspondências. É um cliente difícil, porque é muito espontâneo.
Procurada, a Polícia Federal informou que não comenta investigações em andamento. Colaborou Nina Afinco, de São Paulo.
#
Artigo de Nelson Gobbi e Alessandro Giannini para o jornal "O Globo" em 15/03/2018.

Ladrão diz que obras hoje no Itaú Cultural são da Biblioteca Nacional +

Laéssio Rodrigues de Oliveira, ladrão confesso de obras raras, afirma que oito gravuras da coleção Brasiliana do Itaú Cultural são as mesmas que ele furtou há 14 anos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Há cerca de 15 dias, a Folha recebeu de Laéssio, atualmente preso em Japeri, no estado do Rio, uma carta manuscrita, de 16 páginas, na qual detalha esse e outros furtos de centenas e centenas de obras, fotos e gravuras de diversas instituições brasileiras.
Das oito obras que Laéssio menciona, seis estão em exposição permanente no espaço Olavo Setubal, no quinto andar do prédio da instituição na av. Paulista, 149. A Brasiliana é uma coleção de documentos e obras de arte sobre a história do Brasil.
As obras roubadas pertencem ao álbum "Souvenirs de Pernambuco", composto de 12 gravuras de autoria do alemão Emil Bauch, impressas na Europa em 1852.
Apesar de gravuras não serem obras únicas —e sim cópias de uma tiragem, como livros—, até 2004 havia apenas duas coleções completas dos "Souvenirs de Pernambuco" no Brasil: uma na Biblioteca Nacional e outra no Instituto Ricardo Brennand, em Recife.
Logo após o furto na Biblioteca Nacional, em 2004, Laéssio foi preso (por outro roubo, do Museu Nacional do Rio) e apareceu nos jornais estampado como o maior ladrão de obras raras do país. Funcionárias da biblioteca o reconheceram, foram checar o que ele pesquisou e notaram a falta de quatro obras de Bauch no álbum "Souvenirs".
O álbum foi colocado em um cofre por 13 anos. Foi aberto no ano passado, quando uma nova vista detectou que outras quatro gravuras eram cópias, elevando assim o furto para oito.
A reportagem soube disso pela carta de Laéssio e confirmou a informação com a Biblioteca Nacional. As oito gravuras que faltam são idênticas às oito que o Itaú possui.
"Sei que o Itaú Cultural tem obras de Bauch", diz a presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo. "Mas não nos compete fazer a afirmação de que são nossas. Isso compete à Polícia Federal, a quem passamos todas as informações. Uma perícia, que analisaria papel, desgaste, dobramento, marcas etc, poderia dar a certeza. Está entregue à Delemaph [órgão federal que investiga crimes contra o Patrimônio Histórico]."
Em sua nota de esclarecimento, o Itaú Cultural afirma não ter sido contatado "por qualquer instituição pública ou privada para questionar a origem de suas obras". Isso apesar de a Polícia Federal ter essas informações desde o ano passado.
O delegado Márcio Manoel da Cunha, encarregado do caso, afirmou à reportagem que preferia não dar informações para não atrapalhar as investigações. A PF, em seguida, informou que "não comenta e não concede entrevistas sobre investigações em andamento".
O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, disse que entrou em contato com a presidente da Biblioteca Nacional assim que terminou sua entrevista com a Folha, na semana passada. "Estamos absolutamente à disposição para levar as obras a eles para análise técnica. Sabemos que são múltiplos [obras impressas], mas não queremos oferecer nenhuma dificuldade de acesso à Biblioteca."
O MEDIADOR
Na carta que enviou ao jornal, Laéssio Rodrigues de Oliveira afirma que vendeu as oito gravuras da Biblioteca Nacional a Ruy Souza e Silva, colecionador e ex-marido de Neca Setubal, filha de Olavo Setubal. Efetivamente, Souza e Silva arregimentou diversas obras para a coleção Brasiliana, inclusive na Europa, e as revendeu ao Itaú, que montava sua coleção.
Mas nega categoricamente ter comprado as obras roubadas. "Isso não ocorreu. Não comprei essas gravuras de Laéssio. As gravuras foram adquiridas em Londres na centenária loja Maggs Bros.", respondeu ele à Folha (leia aqui entrevista completa).
O Itaú Cultural forneceu dois documentos de procedência. O primeiro deles é um recibo da compra de Ruy Souza e Silva na loja Maggs Bros em 9 de novembro de 2004.
Nele, lê-se a transação de um "album of engravings of Brazil" (álbum de gravuras do Brasil), sem especificar o autor ou o número dessas gravuras. O único detalhe que traz é que certifica que os bens têm mais do que cem anos.
O segundo documento é a venda de Souza e Silva para o Itaú em 17 de janeiro de 2005, ali, sim, especificando serem oito gravuras de Bauch feitas em Pernambuco.
Em 2007, devido a um inquérito ao qual Laéssio respondia na Justiça do Rio, Ruy Souza e Silva espontaneamente devolveu uma série de obras que havia adquirido.
"Pela boa-fé, ele não foi denunciado no inquérito", disse o procurador Carlos Aguiar, do Ministério Público do Rio de Janeiro.

CRONOLOGIA DO CASO

2004 - Laéssio de Oliveira subtrai oito gravuras de Emil Bauch da Biblioteca Nacional, mas só o furto de quatro é notado

nov.2004 - Ruy Souza e Silva compra um álbum de gravuras brasileiras na Maggs Bros., em Londres

jan.2005 - Souza e Silva vende oito gravuras de Emil Bauch para o Itaú Cultural

2014 - O Itaú Cultural inaugura sua mostra permanente, exibindo seis das oito gravuras

2017 - A Biblioteca Nacional nota que outras quatro obras de Bauch haviam sido furtadas em 2004

2018 - Laéssio escreve à Folha

Trecho da carta do ladrão

Carta Laéssio
“Desta feita, uma das obras que eu consegui subtrair foi parte do conjunto das lâminas do raríssimo álbum litografado ‘Souvenirs de Pernambuco’, de autoria do alemão Emil Bauch, que foi editado na Alemanha em 1852. Das 12 lâminas iconográficas do referido livro, eu apenas tive tempo de trocar 8 delas, através de uma cópia mui grosseira.”
#
Artigo do jornalista Ivan Finotti para o Jornal "Folha de S. Paulo" em 14/03/2018

Itaú Cultural afirma nunca ter sido questionado sobre obras de Emil Bauch +

Em nota de esclarecimento enviada à Folha, o instituto Itaú Cultural afirma que está colocando as obras à disposição para perícia.
"A Coleção Brasiliana Itaú foi constituída em linha com os preceitos que norteiam o trato do patrimônio histórico e cultural brasileiro. As oito litografias de Emil Bauch a que se refere a reportagem da 'Folha de S.Paulo' estão inseridas nesse contexto.
Importante registrar que a grande maioria das obras integrantes da Coleção Brasiliana Itaú, incluindo as litografias de Emil Bauch, não são exemplares únicos. Ao contrário, são livros, gravuras e registros visuais que compõem ou compuseram edições de livros e outras publicações das quais existem múltiplos exemplares em circulação no Brasil e exterior.
As litografias mencionadas foram adquiridas do pesquisador Ruy Souza e Silva, que informou tê-las comprado de tradicional casa inglesa, especializada na comercialização de livros e manuscritos raros, conforme consta de documentos relacionados a tais peças, fato este confirmado por auditoria realizada no acervo em 2016.
Em 2009, o Itaú Cultural iniciou um amplo conjunto de ações para democratizar o acesso e dar visibilidade à sua coleção, tornando-a acessível a pesquisadores, colecionadores e ao público em geral.
Entre essas ações, destacam-se o lançamento do livro 'Brasiliana Itaú - Uma Grande Coleção Dedicada ao Brasil', a realização de exposições da coleção em seis capitais do país e, a partir de 2014, a instalação de uma mostra permanente no espaço Olavo Setubal, no Itaú Cultural. Essas iniciativas já alcançaram mais de 450 mil pessoas.
O Itaú Cultural firmou ainda, em 2015, parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo, a Fundação Biblioteca Nacional e o Instituto Moreira Salles para a criação de um portal na internet, com o objetivo de apresentar ao público as coleções brasilianas existentes no país. O portal foi ao ar em 2017 e as obras de Emil Bauch figuram entre as peças exibidas na plataforma.
Essas ações reafirmam a boa-fé e a lisura da instituição. Desde que tiveram início os esforços de dar publicidade ao seu acervo, o Itaú Cultural não foi contatado por qualquer instituição pública ou privada para questionar a origem de suas obras.
Após ser informado pela 'Folha de S.Paulo' da existência de questionamento sobre a origem das litografias de Bauch, o Itaú Cultural imediatamente entrou em contato com a Biblioteca Nacional e, em seguida, enviou ofício à instituição colocando as obras à disposição para verificação. O Itaú Cultural tem todo o interesse em dirimir as dúvidas surgidas em torno das obras de Bauch e vai trabalhar em estreita colaboração com a Biblioteca Nacional para esclarecer os fatos."
#
Artigo do jornalista Ivan Finotti para o jornal "Folha de S. paulo" em 14/03/18


Colecionador nega ter comprado obras de ladrão +

Responsável pela venda das oito gravuras de Emil Bauch para o Itaú Cultural em 2005, o colecionador Ruy Souza e Silva afirma que as adquiriu de uma loja londrina no ano anterior, e não do ladrão Laéssio Rodrigues de Oliveira, como este diz em carta enviada à Folha há duas semanas.
Souza e Silva, ex-marido de Neca Setubal e ex-genro do banqueiro Olavo Setubal (1923-2008), e Laéssio já haviam se cruzado algumas vezes anteriormente.
Em 2007, em uma investigação da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, Souza e Silva espontaneamente devolveu uma série de obras que instituições listaram como tendo sido roubadas.
O então procurador da República Carlos Aguiar diz que chegou a quebrar seu sigilo bancário, mas que não houve denúncia por entender que houve boa-fé na devolução.
Souza e Silva diz que, recentemente, Laéssio, ao sair de um de seus períodos de prisão, teria tentado extorquir recursos dele. Por e-mail, o colecionador deu entrevista ao jornal.
Folha - Recebemos carta de Laéssio Rodrigues de Oliveira sobre o roubo de gravuras de Emil Bauch da Biblioteca Nacional do Rio em 2004. Ali, ele descreve detalhes não conhecidos do público, os quais chequei com a Biblioteca e foram comprovados. Na carta, ele diz que vendeu as gravuras ao senhor. Isso é possível?
Ruy Souza e Silva - Isso não ocorreu. Não comprei essas gravuras de Laéssio. As gravuras foram adquiridas em Londres na centenária loja Maggs Bros. Além disso não se trata de obras únicas. São obras múltiplas. Há várias gravuras idênticas a essas em instituições e em coleções particulares no Brasil.
O Itaú Cultural forneceu documento da Maggs Bros, que diz que o sr. adquiriu um "album of engravings of Brazil" em 9 de novembro de 2004. O recibo não especifica se são de Bauch. O sr. se lembra se são?
Sim. O recibo diz respeito às gravuras de Bauch, que foram por mim adquiridas em 2004 junto à Maggs. Como não são assinadas nem reproduzidas nos livros de referência que a loja possuía, para a Maggs as gravuras eram anônimas. Daí o motivo de tê-las descrito na fatura simplesmente como "Álbum de gravuras do Brasil". Eu sabia que eram de Bauch, por isso as adquiri.
Em 2007, o sr. se apresentou voluntariamente e devolveu obras que havia comprado de Laéssio. Por quê?
Nenhum colecionador sério tolera a ideia de ter obras roubadas em seu acervo. É como se lhe queimassem as mãos. Tão logo soube da coincidência entre certas peças que as instituições listaram como roubadas e algumas peças que eu havia adquirido recentemente em leilões no Brasil, pela simples desconfiança de que pudessem se tratar das mesmas, resolvi devolvê-las imediatamente, sem buscar qualquer reparação.
Laéssio tentou extorquir recursos do sr.? Como isso está?
Sim. É verdade, estou movendo uma queixa-crime por calúnia contra Laéssio. Recebi várias cartas manuscritas dele ameaçando me chantagear, dizendo que vai revelar à imprensa que peças que ele furtou fazem agora parte de importantes acervos.
O processo que movo contra Laéssio aguarda julgamento em primeira instância. Nesse ínterim (em 2017), Laéssio foi pego (filmado pelas câmeras de segurança) roubando duas bibliotecas públicas (FAU e Faculdade de Direito, ambas da USP) e, no momento, encontra-se preso preventivamente na penitenciária de Japeri, condenado a 10 anos e 7 meses pelo roubo perpetrado em 2004 no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Foi também condenado pelo roubo no Palácio do Itamaraty a pena de reclusão de 5 anos em regime fechado e ao pagamento de reparação de danos de R$ 1.455. É bom que fique preso por longo tempo, pois não perde oportunidade de gabar-se de que, se for solto, voltará a cometer crimes semelhantes às dezenas que já praticou.
#
Artigo do jornalista Ivan Finotti para o jornal "Folha de S. Paulo" em 14/03/2018

Roubo na Pinacoteca Comunale di Faenza, Itália +

Desaparecida na manhã de quinta-feira, 01 de março de 2018, uma pequena pintura, datada de 1200, atribuída ao Maestro de Faenza, foi reportada como roubo na Pinacoteca Comunale di Faenza.

O Museu mais antigo de Faenza, fundado em 1797, quando o município comprou a coleção de arte de Giuseppe Zauli, a coleção da Pinacoteca abrange pinturas e esculturas desde o século XIII até ao século XVIII.

O painel roubado, de Maestro di Faenza, retrata duas cenas: a crucificação de Cristo na parte superior e sua descida ao limbo no fundo. O painel emoldurado estava em exibição pública no Salão do Portal, onde foi pendurado ao lado do Crocefisso del Maestro Francescano, na Galeria 6.

De acordo com um relatório do diretor da Pinacoteca, Claudio Casadio, o roubo foi descoberto durante uma vistoria feita pela equipe na manhã da segunda-feira, que descobriu o quadro vazio e a montagem do painel descartado onde a arte foi pendurada.

Dado o pequeno tamanho da pintura, a obra de arte pode ter sido escondida sob uma roupa de inverno, em algum momento durante o horário de funcionamento do museu, embora a data do próprio roubo ainda não esteja clara.

Este é o terceiro roubo de arte sacra na Itália no período de uma semana. Os três furtos ocorreram na região de Emilia-Romagna.

Durante um serviço religioso do início da manhã na Chiesa del Suffragio em Rimini, um ladrão ou ladrões roubaram a coroa e o véu de uma Madonna Nossa Senhora das Dores, uma estátua que remonta ao século 18 da nave principal da Igreja. O roubo aparentemente ocorreu enquanto a missa estava ocorrendo em uma pequena capela lateral adjacente.

Um roubo quase idêntico também foi feito na Catedral de Cervia, na província de Ravenna, onde a coroa que adornava uma estátua de Nossa Senhora do Fogo, também desapareceu.

Dois desses roubos, o de Faenza e Cervia ocorreram na província de Ravenna. O terceiro roubo em Rimini ocorreu em uma cidade costeira na mesma região (Emilia-Romagna).

O diretor Claudio Casadio acredita que o roubo de sua galeria é indiscutivelmente um roubo para ordem, dado que o objeto está bem documentado em registros públicos e seria irresistível no mercado da arte lícita. Se sua suposição é correta e, juntamente com esses outros dois roubos, os eventos em cadeia parece ilustrar uma estrutura organizacional interessante para uma série coordenada de roubos, provavelmente comprometidos com a manutenção do mercado negro de arte religiosa.

O roubo está sendo investigado pelo Carabinieri.
|
Matéria publicada no blog Art Crime (art-crime.blogspot.com.br) em 02/03/18.

Pintura roubada de Degas é encontrada em um ônibus +

Uma pintura de Degas roubada de um museu de Marselha em 2009 foi encontrada em um ônibus perto de Paris.

A ministra da cultura francesa, Françoise Nyssen, disse que as autoridades descobriram a obra de arte no compartimento de bagagem do ônibus que foi parado em uma estação de serviço de auto-estrada.

Especialistas confirmaram que era “Les Choristes”, uma pintura em tom pastel que de valer 800 mil euros ( 700,000 mil libras).

Nenhum dos passageiros admitiu possuir a pintura.
As autoridades aduaneiras descobriram a pintura dentro de uma mala. Ninguém foi preso.
A obra foi roubada do Musée Cantini de Marselha em 2009 e foi emprestada pelo Musée d’Orsay em Paris para uma exposição.

Autoridades na época disseram que não havia sinal de roubo.
A arte em pastel é datada de 1877.

Quem era Edgar Degas?
Hilaire-Germain-Edgar De Gas, mais tarde conhecido como Edgar Degas, nasceu em Paris em 1834.
Ele era filho de uma mãe crioula de Nova Orleans, Louisiana e um pai francês que trabalhava como banqueiro.
Ele é famoso por suas pinturas, esculturas e gravuras, particularmente as de dançarinas.
Degas é creditado como um dos fundadores do Impressionismo, um movimento de arte focado em retratar a realidade nesse instante – com foco em cores brilhantes e efeitos da luz.
Ele morreu em 1917
|
Fonte: site da revista Das Artes.

Visitantes de mostra de Modigliani exigem reembolso após obras falsas +

Visitantes se reuniram para uma exposição de trabalhos de Amedeo Modigliani em Génova, Itália, no ano passado - mas agora que um especialista concluiu que a maioria das obras em exibição era falsa, algumas pessoas querem o dinheiro de volta. Um grupo de consumidores italianos planeja apresentar uma ação coletiva para garantir um reembolso total.

O processo também buscará compensar as despesas de viagem de 100 mil pessoas, de acordo com o Times de Londres. Até mesmo uma linha direta foi criada para visitantes insatisfeitos, a Associated Press reports. Os ingressos para a mostra, intitulados simplesmente como "Modigliani", foram fixados em 13 € (15,67 dólares).

Nem a Associação Nacional para a Proteção dos Consumidores, nem o defensor do consumidor Furio Truzzi, que está liderando o esforço do reembolso, responderam a e-mails ou mensagens telefônicas da redação.

O Palazzo Ducale de Genova abriu a exposição em março, mas foi forçado a fechá-la três dias no início de julho, depois que um promotor local ordenou a apreensão de 21 obras suspeitas de serem falsas.

"Quando uma pintura é uma falsificação, falta sua alma, e faltava essa elegância tridimensional de Modigliani - mesmo uma criança podia ver que essas eram falsificações grosseiras", disse o colecionador Carlo Pepi, que primeiro levantou suspeitas sobre as obras do Telegraph na época. "Eu pensei, o pobre Modigliani, atribuir-lhe essas abominações feias".

Sua opinião, entregue apenas com base em reproduções no catálogo da exposição, foi confirmada por uma perita nomeada pelo tribunal, Isabella Quattrocchi, que proclamou que 20 das 21 obras confiscadas são "fakes"; de acordo com a agência de notícias italiana ANSA. As falsificações, segundo informou, agora podem enfrentam possíveis destruições.

Um porta-voz do Palazzo Ducale disse à Artnet News que a opinião de especialistas da Quattrocchi "não é o julgamento final". A investigação "está em andamento", mas se o veredicto final é que as obras são falsas, o "Palazzo Ducale Fondazione per la Cultura, que considera como parte ferida nesta matéria, tomará as ações legais necessárias". O porta-voz não pode confirmar se o museu planeja fornecer os reembolsos dos visitantes após o veredicto final.

Várias pessoas envolvidas na exposição também estão sob investigação por autoridades com suspeita de fraude: Rudy Chiappini, curador da exposição; o comerciante de arte húngaro Joseph Guttmann, que supostamente emprestou 11 das pinturas disputadas; e Massimo Vitta Zelman, o presidente MondoMostre Skira, a empresa que organizou a mostra.

Um representante de Zelman disse à artnet News: "Zelman não quer dar nenhuma entrevista porque a investigação oficial ainda não foi concluída e o que foi publicado ... são apenas indiscrições".

Guttman, enquanto isso, sustenta que as obras são o verdadeiro negócio. "Nós acreditamos firmemente que as pinturas são autênticas, como também confirmadas por suas certificações anteriores, análise científica e inclusão em exposições e publicações importantes", disse ele a Artnet News em um e-mail. "Com o melhor de nosso conhecimento, a investigação sobre as imagens ainda está em andamento, e não estamos em condições de comentar até a sua conclusão. Esperamos que esta questão seja resolvida rapidamente para que as obras possam ser devolvidas aos seus respectivos proprietários".

Chiappini não pôde ser contatado, mas disse à imprensa italiana que baseou suas opiniões em atribuições e pesquisas existentes e que "será necessário voltar ... para quem fez as primeiras atribuições".

Por uma série de razões, Modigliani é um dos artistas blue-chip mais forjados. Especialistas alertaram o Telegraph de que o escândalo de Gênova é "a ponta do iceberg". O artista, cada vez mais caro, atingiu um recorde com a venda de “Nu couché” (1917-18) por US $ 170 milhões, em 2015. Na época, era a segunda pintura mais cara do mundo já vendida em leilão.

Atualmente, Modigliani é o tema de grandes exposições no Tate Modern em Londres e no Jewish Museum, em Nova York. Tampouco se suspeita de incluir falsificações.
|
Matéria de Sarah Cascone, com reportagem adicional de Naomi Rea, para o site Artnet | News (www.artnet.com), em 12/01/18.

Roubo de museu: Palácio dos Doges - Veneza, Itália +

Pouco depois das 10 horas da manhã, no último dia de uma exposição no Palácio do Doge, (em italiano Palazzo Ducale), no dia 03/01/18, uma vez no coração da vida política e da administração pública na era da República de Veneza, ladrões de jóias invadiram uma vitrine com peças em exibição temporária em Veneza.

Promovida pela Fondazione Musei Civici di Venezia, a exposição foi curada por Amin Jaffer, curador sênior da coleção privada e Gian Carlo Calza, um notável erudito italiano de arte do Leste Asiático. A exposição intitulada "Tesouros dos Mughals e Maharaja: A Coleção Al Thani" reuniu mais de 270 peças de jóias indianas, cobrindo quatro séculos de herança indiana do Sheikh Hamad Bin Abdullah Al-Thani, CEO da Qatar Investment & Projects Development Holding Empresa (QIPCO), uma mega-holding do Catar.

O sheik Al-Thani, que é o primeiro primo do Emir do Catar, começou a adquirir peças para sua agora extensa coleção de jóias, depois de visitar uma exposição de arte indiana em 2009 no Museu Victoria and Albert de Londres.

Algumas das peças cravejadas em exibição no Palácio do Doge incluíam jóias incrustadas de diamantes, rubis, jade, pérolas e esmeraldas, uma vez pertencentes aos grandes maharajas, nizams e imperadores da Índia. Fundada por Babur após a conquista de grande parte do norte da Índia, as peças da dinastia Mughal datam do início do século 16 até meados do século 18, uma das eras mais opulentas da Índia na composição da jóia.

Peças adicionais da coleção foram criadas durante o politicamente caótico século 18 e do período Raj britânico no século 19, e que foram produzidas para atrair viajantes ricos britânicos e casta superior da Índia. Os objetos contemporâneos mais extravagantes em exibição incluem um colar de Maharaja Digvijaysinhji de Nawanagar e feito por Jacques Cartier, encomendado em 1937, que rivaliza com o colar de rubi e diamante da imperatriz Marie-Louise, pertencnetes às jóias da Coroa da França.

A coleção Al-thani reúne peças de muitos antigos tesouros indianos, alguns dos quais enfatizam as crenças do período.

Na Índia, as nove pedras do Navaratna (sânscrito: नवरत्न) onde nava representa nove e ratna para jóia, são consideradas auspiciosas em textos védicos e, na astrologia indiana, acreditava-se ter o poder de proteger o quem as usasse.

Estas jóias são:

Safira azul (niilam)
Olho de gato (vaidooryam)
Diamante (vajram)
Esmeralda (marathakam)
Hessonite (gomeda)
Pérola (muktaaphalam)
Red Coral (vidrumam)
Rubi (maanikyam)
Safira amarela (pushparajam)

Muitas vezes, as gemas foram definidas em ouro puro, usando uma forma de arte de configuração conhecida como Kundan, um método de configuração de gema, que consiste em inserir uma folha de ouro entre as pedras que não requerem solda ou montagem de garras.

O ex-curador da V & A, o Dr. Amin Jaffer teria começado a aconselhar Sheik Hamad em suas aquisições, depois de se tornar o diretor internacional de arte asiática na Christie's. Em 2017, depois de dez anos com a casa de leilões, Jaffer demitiu-se antes de assumir o cargo de curador-chefe da coleção de Al Thani.

Rasgado das páginas do roteiro hollywoodiano “Ocean’s 8”

De acordo com a reconstrução atual do incidente usando filmagens de vigilância de câmeras, dois ladrões, um servindo como vigia e um segundo que invadiu a vitrine, localizado na Sala dello Scrutinio, rapidamente o fez levando um broche e um par de brincos. Assim que a vitrine foi violada, soou o alarme e o casal escapou habilmente da galeria do museu lotado, misturando-se entre os clientes e estava fora do museu antes que a segurança pudesse selar o perímetro do museu para apreendê-los.


Imediatamente após o roubo, a Sala dello Scrutinio foi fechada para um inventário completo e revisão de imagens de vigilância.

Até o momento, fotografias das peças roubadas não foram divulgadas pelas autoridades ou por Al-Thani. Em uma declaração dada pelo comissário de polícia da cidade de Veneza, Vito Gagliardi, disse que as jóias roubadas incluíam diamantes, ouro e platina, tinha um valor aduaneiro de apenas 30 mil euros ($ 36,084), mas provavelmente valem "alguns milhões de euros".

Vendendo produtos quentes

Enquanto os diamantes podem ser os melhores amigos das garotas, comprar pedras preciosas roubadas é um crime grave. Sem um certificado de autenticidade que comprove que um diamante adere ao KCPS, ou Kimberly Process Certification Scheme mostrando que a gema não é originária de uma "zona de sangue", manchada por abusos de direitos humanos, encontrando um comprador que queira uma jóia de origem cética pode ser difícil.

Os indivíduos capturados comercializando em roubos ou "diamantes de sangue" enfrentam ramificações legais significativas e a compra de jóias não provadas representam um grande risco econômico para joalheiros, casas de penhor, comerciantes de diamantes, cortadores e qualquer outra pessoa que possa entrar em contato com um recém-roubado e possivelmente bem documentada.

Mesmo se os ladrões de jóias de Veneza puderem vender com sucesso sua pilhagem recentemente roubada, provavelmente o farão com apenas um mínimo de sucesso. Enquanto os grandes ladrões de jóias profissionais podem ter conexões no mercado negro que lhes permitem vender peças substanciais por somas pesadas, a maioria dos ladrões de implos tem que se contentar com cercas intermediárias que não pagam o que podem realmente valer, financeiramente ou historicamente.
|
Matéria de Lynda Albertson publicada originalmente no site www.art-crime.blogspot.com.br, em 03/01/18.

Auto-retrato de Chirico foi roubado de um museu na França +

Um auto-retrato pintado em 1926 pelo mestre moderno italiano Giorgio de Chirico (1888 - 1978) foi roubado da coleção do Museu de Belas Artes de Béziers, no sul da França, na semana passada.

A pintura em questão, “Composition with Self-Portrait”, primeiramente inventariada em 2015, foi descrita como "inestimável" pelos promotores locais. Ela fazia parte da coleção de Jean Moulin, um herói da Resistência francesa, natural de Béziers e um ávido fã da arte moderna.

A pintura a óleo foi tirada de sua moldura na última quinta-feira (23/11) a tarde no Hôtel Fabrégat, que abriga uma parte da coleção do museu, incluindo peças privadas de Jean Moulin, e obras de Soutine, Raoul Dufy e Suzanne Valadon.

O museu não possui câmeras de segurança. O quadro vazio foi notado por seguranças pouco tempo depois do roubo, de acordo com o conselho local. Uma queixa oficial foi apresentada na mesma noite, embora a notícia do roubo não tinha sido divulgada publicamente até ontem.

O trabalho do pintor surrealista do século XX foi vendido por milhões no passado. O “Il Ritornante” (1918), notavelmente vendido na Christie's de Paris em 2009 por mais de 11 milhões de euros - um recorde para o artista – fez parte da venda da coleção de leilões da coleção de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé.

O auto-retrato roubado, "devido à sua proeminência, não é negociável no mercado da arte na França ou internacionalmente", escreveu o conselho em seu anúncio. O trabalho pretendia ser exibido no futuro no museu na cidade natal de Jean Moulin, onde o conselho disse que era um local muito mais seguro.

Uma investigação sobre o roubo está sendo realizada pela polícia regional de Montpellier. O comissário de polícia Anthony de Freitas confirmou que o serviço de polícia judicial regional foi contratado pelo promotor de Béziers.
|
Matéria de Naomi Rea para o artnews do site artNet (artnet.com), em 23/11/17.

Repatriamento pendente: as viagens ilícitas de uma cabeça de touro em mármore +

Na quarta-feira (11/10), através do advogado William G. Pearlstein, os colecionadores William e Lynda Beierwaltes divulgaram uma declaração formal sobre o “Marble Head of a Bull” (cerca de 500-460 a.C.) apreendido pelo escritório do procurador do distrito de Nova York em 06 de julho de 2017, sob empréstimo do Metropolitan Museum of Art. Há suspeitas de que a antiguidade havia sido saqueada do Líbano durante a guerra civil.

A escultura da cabeça do touro foi adquirida pelo casal em 27 de novembro de 1996 por US$ 1,2 milhão, por um dos negociantes mais notórios (atualmente) do mundo das antiguidades, Robin Symes.

O comunicado diz que:

“Depois de terem sido apresentadas provas incontestáveis de que a cabeça do touro foi roubada do Líbano, os Beierwaltes acreditavam que era do interesse de todos retirar a reivindicação à cabeça do touro e permitir sua repatriação para o Líbano".

Essa decisão foi tomada depois que o pedido “Application for Turnover” do Estado de Nova York, em 68 páginas, deu detalhes minuciosos sobre como essa antiguidade saqueada se dirigia de maneira ilícita para os Estados Unidos. Em uma carta ao Honorável Daniel P. FitzGerald com o Supremo Tribunal do Condado de Nova York, o Procurador Distrital Adjunto, Matthew Bogdanos, escreve que os Beierwaltes assinaram uma estipulação que concorda com a liberação da Corte do “Bull's Head” à República Libanesa de acordo com a Lei Penal de Nova York §450.10 sobre a eliminação de bens roubados e a Lei de Processo Penal §690.55 de NY sobre mandados de busca e a disposição dos bens apreendidos.

Esta confissão voluntária prepara o caminho para uma cerimônia formal de repatriamento e o eventual retorno deste objeto antigo para o país de origem do qual foi roubado.

Já por um artigo no New York Times, o advogado distrital adjunto Matthew Bogdanos, e pesquisadores que apoiaram seu caso, viram outra antiguidade potencialmente saqueada também do Líbano. Este objeto, um torso de mármore de um pastor de bezerro, foi identificado em uma fotografia tirada dentro da casa de Beierwalteses para a edição especial de junho de 1998 da revista House & Garden.

Pelo artigo de Colin Moynihan para "The New York Times", o advogado Bogdanos afirmou que este objeto também pode ter sido saqueado do Líbano antes de ser adquirido por William e Lynda Beierwaltes. O artigo continua a especificar que os Beierwalteses venderam esse objeto ao colecionador de Nova York, Michael H. Steinhardt, em 2015.
|
Matéria publicada originalmente no blog www.art-crime.blogspot.com.br, em 12/10/17.

Renoir é roubado de casa de leilões no interior da França +

Uma pequena pintura do impressionista francês Auguste Renoir foi roubada de um leiloeiro no subúrbio parisiense de Saint-Germain-en-Laye no sábado (30/09). Com uma estimativa de € 25mil a 30 mil, “Portrait d'une jeune fille blonde” (Retrato de uma jovem garota loira), onde estava em exibição antes da venda neste fim de semana. De acordo com a polícia, o ladrão simplesmente tirou o trabalho da parede e escapou despercebido.

Destaque do leilão, a tela está listada no catálogo dos leiloeiros enquanto mede 14cm x 12,2cm, com as iniciais "A.R." no canto superior esquerdo.

A polícia espera que as filmagens de vigilância de vídeo forneçam uma direção.
|
Matéria publcada originalmente no site do ARt Daily ( www.artdaily.com), em 02/10/17.

Obras roubadas de Georg Baselitz no valor de US$ 3 milhões são recuperadas +

As esculturas turbulentas e as estridentes pinturas invertidas do neo-expressionista Georg Baselitz são conhecidas em todo o mundo. Mas quando mais de US$ 3 milhões de obras de sua coleção pessoal, incluindo alguns que ele criou, desapareceram de um depósito de armazenamento alemão, causou estranhamento por demorarem meses para alguém notar.

Os promotores do caso prenderam três suspeitos, todos trabalharam na indústria de navegação. Eles acreditam que um homem de 39 anos da cidade ocidental de Düsseldorf usou conhecimento de informante para roubar 19 peças de arte pertencentes ao Sr. Baselitz do depósito perto de Munique entre junho de 2015 e março de 2016. Ele passou as obras para um pai e filho, que tentaram vendê-los pelo valor de mercado “muito abaixo”. Os três homens ainda não forneceram declarações completas à polícia, disseram os promotores.

As autoridades acreditam que o pai e o filho, de 51 e 26 anos, da cidade de Leverkusen, ao sul de Düsseldorf, conseguiram vender apenas uma peça de arte antes que uma companhia de seguros se tornasse suspeita e informou a polícia.

Depois do que os promotores chamaram de “investigações intensivas na cena artística”, a polícia prendeu o homem de 51 anos sob suspeita de roubo em agosto quando retornou do exterior. Mas Anne Leiding, uma porta-voz dos promotores de Munique, recusou-se a dizer quando o crime foi descoberto pela primeira vez.

A polícia já recuperou 15 dos 19 artefatos – no valor de cerca de US$ 3 milhões, ou 2,5 milhões de euros. Os quatro trabalhos roubados foram pensados para valer cerca de US$ 155.000. A Sra. Leiding disse que, de acordo com os desejos do Sr. Baselitz, não podia fornecer detalhes adicionais sobre as obras de arte roubadas.
|
Matéria originalmente no site da revista Das Artes, em 06/09/17.

Obra roubada de Willem de Kooning há 30 anos retorna para casa +

É um bom dia para o Museu da Universidade de Arte do Arizona. A instituição celebra o retorno da pintura “Woman-Ochre” (1954–1955) de Willem de Kooning, que foi roubada um dia após o Dia de Ação de Graças de 1985, quase 32 anos atrás.

Em 11/08/17, a universidade anunciou que a pintura tinha sido achada e devolvida pelo Antiquário Manzanita Ridge em Silver City, no estado de Novo México. Testes preliminares feitos pela restauradora do museu, Nancy Odegaard, descobriram a obra como autêntica.

“Sempre estive otimista que um dia nós encontrássemos a pintura, isto é muito difícil descrever a emoção dela voltar pra casa”, disse Brian Seastone, o chefe do Departamento de Polícia da Universidade do Arizona e o investigador principal do caso. “Existe essa sensação de alívio e felicidade. Existe a sensação de calma. Ela voltou, está em casa, está onde ela deveria estar. Nós sabemos que a arte vale muito dinheiro, mas a história por trás disso não tem preço”.

A pintura é um das seis obras da icônica série “Woman”. A outra obra, “Woman I (1950–1952), pertence ao Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). O empresário bilionário Steven A. Cohen é dono da última obra em mãos privadas; ele possui a “Woman II (1952)” pelo valor de US$ 137.5 milhões do magnata da música David Geffen em novembro 2006.

Em 2015, em um artigo do 30º ano de aniversário do roubo o jornal “UANews” especulou que a obra roubada poderia valer cerca de US$ 160 milhões. Anteriormente naquele ano, Geffen vendou outro de seus de Kooning, “Interchange” (1995), por US$ 300 milhões em um leilão privado, quebrando recorde da obra de arte mais cara do mundo. Os valores do artista em leilão são bem menores, de acordo com a Database de Preço do artnet, chegando ao máximo aos US$ 66.3 milhões em 2016.

O roubo da pintura Woman-Ochre ocorreu na manhã de 29/11/1985, após um homem e uma mulher seguir um funcionário do museu. A mulher distraiu o guarda enquanto seu cúmplice, com óculos de bigode, ele tirou a tela da moldura e fugiu com a obra. O roubo durou 15 minutos.

“Os ladrões de fato cometeram dois crimes aquele dia”, disse Kimberly Andrews Espy, o vice-presidente da Universsidade do Arizona, em depoimento do caso. “Primeiro eles roubaram uma importante pintura da coleção do museu da universidade. Eles roubaram também 30 anos de acesso ao público e dos estudantes do mundo inteiro, tirando a oportunidade deles de apreciá-la, de aprender com ela, e de serem inspirados por um importante artista”.

Na época, a pintura valia US$ 600 mil. Sua localização durante essas três décadas após o roubo era desconhecida. Essa história volta à tona somente depois da aquisição de um imóvel sem nome pelos donos do Antiquário Manzanita, David Van Auker, Buck Burns, and Rick Johnson.


“Nós não pagamos nem próximo de US$ 160 milhões por isso”, fala Buck Burns para o artnet, chamando a descoberta da pintura dentro da mansão como “feliz coincidência”.

Van Auker colocou a pintura na vitrine de sua loja, onde muitos clientes comentaram que a obra parecia ser do de Kooning. Depois de pesquisar o artista, ele percebeu que sua última aquisição para o acervo da loja era na verdade uma obra perdida da Universidade de Arte.
“No minuto que descobrimos, ligamos para o museu”, disse Buck. “Nós estamos felizes, felizes, felizes que a pintura está de volta em casa”.

Decorrente a descoberta da pintura, Odegaard comparou a canvas com as pontas deixadas na moldura após roubo. As marcas de corte alinharam perfeitamente, provando de fato que era a mesma obra.

Em depoimento, o presidente da Universidade do Arizona, Robert C. Robbins, agradeceu e tratou a equipe de Mazanita como heróis, completando que era um ótimo dia para a Universidade do Arizona e ótimas notícias para o mundo da arte e pessoas que se importam com a arte pública”.
|
Matéria traduzida do site artnet (www.artnet.com), em 11/08/17.

Polícia espanhola recupera três obras de Francis Bacon roubadas em Madri +

A polícia espanhola informou nesta quarta-feira (19) ter recuperado três das cinco obras do artista Francis Bacon roubadas em uma casa de Madri em 2015.

As cinco pinturas, avaliadas em conjunto em 25 milhões de euros, foram roubadas em julho de 2015 de uma casa da capital espanhola junto com outros objetos de valor quando o proprietário estava ausente.

Três pessoas foram presas em janeiro em conexão com o caso, depois que a polícia realizou buscas em casas na região de Madri e apreendeu armas, manuais para decifrar cofres e equipamentos usados para cortar metal.

A polícia não forneceu mais detalhes sobre as obras recuperadas.
|
Matéria publicada originalmente no jornal "Folha de São paulo", em 19/07/17.

Pintura de Guercino roubada e encontrada em Marrocos volta à Itália +

Uma obra-prima de €6 milhões roubada da Itália em 2014 e descoberta em Marrocos foi devolvida às autoridades italianas.

A pintura do século XVII de Giovanni Francesco Barbieri, conhecido pelo mundo da arte como Guercino, foi roubada da Igreja de São Vicente de Modena, no norte da Itália, em agosto de 2014. O trabalho, chamado “The Virgin, Saint John the Evangelist and Gregory the Miracle Worker” e avaliado em até € 6 milhões (USD $ 6,9 milhões), foi encontrado em um mercado no distrito El Hassini de Casablanca, em Marrocos, em fevereiro deste ano.

As autoridades marroquinas que trabalham com a Interpol localizaram o trabalho de Guercino e prenderam pelo menos três pessoas que acreditavam estar trabalhando com uma rede criminosa organizada que trata do tráfico de antiguidades, disse a Direção-Geral de Segurança Nacional (DGSN) do país no momento das prisões de 15 de fevereiro.

A mídia marroquina diz que as autoridades foram alertadas por um entusiasta de arte que reconheceu a pintura e contatou a polícia. Uma quarta pessoa, de nacionalidade marroquina, foi presa na Itália.

Fontes em Bolonha disseram que Tahir Mustapha morava perto da igreja com sua família italiana e enviou a obra-prima em um tapete enrolado. A pintura foi danificada durante o roubo e precisa de uma grande restauração.
A pintura de Guercino, em italiano traduzida como "The Squinter", porque ele aparentemente sofria de estrabismo, foi feita em 1639; ele também completou uma série de trabalhos feitos a clientes estrangeiros ricos antes de sua morte em 1666. A pintura retrata a história tradicional de São Gregório, um bispo do terceiro século que viveu onde hoje é a Turquia, e que viu os outros dois personagens em uma visão.
A obra foi devolvida ao embaixador italiano em Marrocos, Roberto Natali, pela polícia em Casablanca e espera-se que volte para Modena.
|
Matéria publicada originalmente no portal Africa Times (www.africatimes.com), em 16/07/17.

Lava Jato confirma autenticidade de obra aprendida com ex-diretor da Petrobrás +

O artista Fernando Lucchesi não teve dúvidas ao ver a pintura que retrata um enorme vaso de flores, apreendida pela Lava Jato: "Esse quadro é meu", afirmou.
Ao que o chefe da perícia da Polícia Federal em Curitiba, Fábio Salvador, respondeu: "Não acredito".

A investigação queria demonstrar, com dados objetivos, que o quadro apreendido na casa do ex-diretor da Petrobras Renato Duque era, de fato, do pintor mineiro.
Duque é suspeito de usar obras de arte para lavar dinheiro de propina obtida na estatal: a PF apreendeu 132 peças em sua casa.

Demorou quase um ano, mas a equipe de peritos concluiu um laudo que promete ser um marco para a investigação de lavagem de dinheiro no Brasil: ele atesta a autenticidade do quadro "Para Guignard" – que, afinal, era mesmo de Lucchesi.

Com o uso de cinco técnicas diferentes, o trabalho estabelece um parâmetro para avaliar com segurança a autoria e o valor de uma obra de arte, e então estimar o montante e as condições da lavagem de dinheiro.

Assim, confere precisão à imputação do crime.

Por exemplo: o quadro era verdadeiro ou falso? O dono sabia disso? Ele pagou mais ou menos do que a tela valia?

"Essa precisão nos dá mais segurança para pedir reparação de danos e decretar o perdimento desses bens", avalia o procurador da República Diogo Castor de Mattos, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato.

"É um laudo que foge do achismo", resume Salvador, que coordenou o trabalho.

A Folha teve acesso ao laudo, anexado ao inquérito policial contra Duque no mês passado.

Os peritos da PF começaram a análise com a grafoscopia, que conferiu a assinatura do artista.

Em seguida, com a ajuda de pesquisadores da UFPR (Universidade Federal do Paraná), fizeram um exame chamado microscopia Raman, que checou os espectros das tintas utilizadas na tela (uma espécie de "digital" da física), somado à microscopia eletrônica, que realiza uma análise química dos materiais.

A perícia ainda tirou uma fotografia rasante, que avaliou o processo criativo do pintor, conferindo o tipo de pinceladas; e outra com luz ultravioleta, que eliminou a presença de adulterações na tela.
A PF levou o pintor ao Museu Oscar Niemeyer, que tem a guarda da obra, para atestar sua autenticidade. Lucchesi emprestou até um pincel aos peritos, que o compararam com as tintas utilizadas no quadro.
"Eu preciso de provas, de dados objetivos", comenta Salvador. "Desconfio de todo mundo. O trabalho da ciência é convencer os outros", declarou.

Três universidades foram parceiras do trabalho e cederam equipamentos e expertise à perícia: a USP, a UFPR e a UFMG.

REPERCUSSÃO

O laudo não foi concluído a tempo de alterar as imputações contra Duque, que já é réu sob acusação de lavagem de dinheiro.

Mas deve estabelecer um protocolo para laudos futuros –há cerca de 30 em andamento na Operação Lava Jato e centenas de obras apreendidas.
"É uma das formas mais tradicionais de se lavar dinheiro, porque a obra de arte não desvaloriza. Pelo contrário, o valor multiplica", comenta a museóloga Patricia Moura, que atuou como laudista na apreensão dos quadros de Duque.

"É uma bela poupança que pode ser guardada em qualquer lugar, e invisível aos olhos da maioria."
Outras técnicas também estão sendo testadas: num quadro do artista Sergio Telles, por exemplo, que viveu no Líbano, a PF pretende analisar os fungos no fundo da tela, para avaliar se eles são típicos daquela região.

A equipe ainda prepara as malas para avaliar o acervo de Márcio Lobão, filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA), que teve 1.200 obras apreendidas no Rio de Janeiro. A metodologia pode ter consequências no mercado de arte brasileiro, ao detectar falsificações em galerias, leilões e museus.

"Isso denigre o mercado, os espaços de exposição", diz Moura. "É de interesse de todos. Serve para dizer: você não está comprando gato por lebre. E quem ganha, no fim, é o público."
O objetivo dos peritos é lançar um "laboratório de obras de arte" na PF, para que os laudos saiam "igual pão quentinho", diz Salvador.
O plano, porém, carece de investimento: apenas um dos equipamentos custa R$ 1,5 milhão.

Preso há dois anos, Duque, que tenta firmar um acordo de delação, admitiu em depoimento recente que parte dos quadros foi comprada com dinheiro ilícito, mas diz que colecionava por gosto.
"Obra de arte não é para ficar fazendo negócio; não é para quem não entende do assunto", afirmou.
|
Matéria de Estelita Hass Carazzai, de Curitiba, para o jornal “Folha de São Paulo”, em 20/06/17.

Polícia prende em SP homens suspeitos de furto de livros raros em bibliotecas +

A Polícia Civil de São Paulo prendeu dois homens por suspeita de furto e receptação de livros raros em 31/10/16. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, eles portavam obras das bibliotecas da Faculdade de Direito e da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo).
Os suspeitos, de acordo com a pasta, identificavam-se como professor e aluno da instituição para terem acesso às obras raras das bibliotecas. Imagens de câmeras de segurança mostram os dois agindo na biblioteca da FAU.
Ambos já haviam sido presos por esse mesmo crime, segundo a pasta da Segurança. Um deles é biblioteconomista por formação. Outro, já era procurado pela Justiça.
Com os suspeitos, além das obras da Universidade de São Paulo, os policiais também apreenderam cinco livros franceses escritos em 1734 e livros da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O material apresentava páginas rasgadas.
|
Texto originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 31/10/16.

Nova etapa da Boca Livre investiga fraudes de R$ 25 milhões da Lei Rouanet +

O Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU) participa da Operação Boca Livre S/A, nesta quinta-feira (27/10/16), com o objetivo de apurar desvios de recursos públicos por empresas patrocinadoras de projetos culturais beneficiadas pela Lei Rouanet (Lei 8.313/1991). A ação é realizada em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal na capital São Paulo e em mais seis municípios paulistas. A operação investiga desvios de R$ 25 milhões na Lei Rouanet.
A Lei Rouanet foi criada no governo Fernando Collor (PTC/AL), em 1991. A legislação permite a captação de recursos para projetos culturais por meio de incentivos fiscais para empresas e pessoas físicas. Na prática, a Lei Rouanet permite que uma empresa privada direcione parte do dinheiro que iria gastar com impostos para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da Cultura para receber recursos.
Segundo nota divulgada pelo Ministério, o trabalho é desdobramento da Operação Boca Livre, deflagrada em junho deste ano, e resultado do aprofundamento da investigação, que apurou o envolvimento de novas empresas no esquema, que atuavam como “incentivadoras”. Foi identificada a ocorrência de fraudes como superfaturamento, serviços fictícios, projetos duplicados, utilização de terceiros para proposição de projetos e prestação de contrapartida ilícita às instituições.
As empresas investigadas financiavam os supostos projetos culturais, que eram subsidiados com os incentivos fiscais e condicionavam o patrocínio à obtenção de vantagens indevidas, como shows, exposições, espetáculos teatrais e publicação de livros. Os projetos com indicativos de reprovação de contas alcançam o montante de R$ 28,7 milhões, podendo chegar a mais de R$ 58 milhões, considerando as prestações de contas ainda em análise.
Mais de 100 pessoas, entre policiais e auditores da CGU participam da operação. Estão sendo cumprindo 28 mandados de busca e apreensão na sede de empresas nos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Campinas, Jundiaí, Barueri Cerquilho e Várzea Paulista.
Em 28 de junho de 2016, o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal deflagraram a Operação Boca Livre, para apurar desvios de recursos públicos relacionados a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC) com benefícios advindos da Lei Rouanet. De acordo com as investigações, grupo criminoso atuou por cerca de 20 anos no órgão na aprovação de projetos que somam R$ 170 milhões.
|
Texto de Fausto Macedo e Julia Affonso originalmente publicado no site do "Estadão" (estadao.com.br) | 27/10/16.

Se achadas, obras sumidas poderiam formar maior museu de arte do Brasil +

Sejam bem-vindos ao maior museu do Brasil! Uma coleção que reúne obras de mestres das artes plásticas, Dalí, Picasso, Monet, Aleijadinho, não só do Brasil, mas de todo o mundo. Infelizmente ninguém pode ver essa coleção, porque todas essas obras estão desaparecidas.

No dia 26 de fevereiro, o maior roubo de obras de arte do Brasil completou 10 anos. O assalto ao Museu Chácara do Céu, no Rio, aconteceu durante o carnaval de 2006. Na ocasião, bandidos aproveitaram um bloco de carnaval que desfilava ali, entraram no museu armados e levaram quadros de Dalí (Os Dois Balcões), Matisse (Jardim de Luxemburgo - foto), Monet (Marinha) e Picasso (A Dança), avaliados, na época, em US$ 50 milhões.

De acordo com especialistas em segurança, a fragilidade do patrimônio artístico e histórico nacional é enorme. Prova disso são os roubos de arte sacra, um problema muito mais grave que os roubos a museus. A lista oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, registra 1.644 peças sacras sumidas no Brasil. O destino dessas obras quase sempre é desconhecido; muitas vão parar em antiquários.

O Fantástico descobriu o paradeiro de obras retiradas de igrejas, todas hoje em mãos de colecionadores. Em trabalho independente, a equipe que cuida do patrimônio histórico no Ministério Público de Minas Gerais já recuperou quase 700 obras. As peças foram redistribuídas a museus de Minas Gerais. A maioria estava no Rio ou em São Paulo.
|
Fonte: site G1 – Fantástico, em 13/03/2016.

O assalto ao Museu Castro Maya. Um crime sem solução +

O assalto ao Museu Castro Maya, no Rio de Janeiro (RJ), é um dos dez maiores roubos de arte do mundo. Oito anos depois, ninguém foi preso, e a polícia parou de investigar.

Capítulo 1
Picassos e Matisses no meio de um bloco de carnaval
Sexta-feira, véspera do Carnaval de 2006. Dia em que o tradicional Bloco das Carmelitas reúne foliões vestidos de freira no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e causa grande transtorno na vizinhança. No mesmo bairro, o Museu Castro Maya, fundado em 1963 com a casa e a coleção do industrial de mesmo nome, dispensa sua equipe mais cedo. Foi esse o palco do maior roubo de obras de arte da história do Brasil, considerado pelo FBI um dos dez maiores do mundo. Quatro homens com menos de 30 anos, um deles menor de idade, vestindo bonés e camisetas, entraram no museu como visitantes, renderam vigias que não estavam armados, arrancaram quatro quadros das paredes e fugiram, misturados na bagunça dos carmelitas. Aproveitaram a oportunidade para levar a bolsa de duas turistas estrangeiras que visitavam o museu. Até hoje, não foram encontrados os culpados – e a história da investigação diz muito sobre o baixo índice de solução de crimes no Brasil.
Os bandidos foram orientados por alguém a pegar o que havia de mais valioso em exposição. Subiram ao 1° andar, onde ficava a sala de jantar e a biblioteca. Retiraram da parede da biblioteca uma pintura grande de Pablo Picasso e um quadro do francês Henri Matisse. Dias depois, ele foi oferecido por US$ 13 milhões num site de leilões russo. Da parede oposta, arrancaram a obra “Os Dois Balcões”, da fase mais criativa de Salvador Dalí. Da sala de jantar, retiraram uma paisagem marinha do impressionista Claude Monet. Cortaram o fio de náilon que a sustentava usando uma faca de prata que estava sobre a mesa.
A fuga foi marcada por atropelos. Coube ao menor dos bandidos carregar o quadro “A Dança”, de Picasso, com 1 metro de altura e moldura pesadíssima. Atrapalhado com o peso e o tamanho da obra, ele caiu de costas na trilha pelo meio da mata, usada na fuga. Com a queda, a pintura de US$ 15 milhões sofreu um rasgo lateral.
Quando o perito da Polícia Federal chegou ao museu, policiais militares, civis, funcionários e até jornalistas circulavam pela cena do crime. O agente coletou impressões digitais numa travessa de louça e num vidro da estante, retirado pelos ladrões para roubar um volume de gravuras de Picasso.

Capítulo 2
Os telefones foram grampeados, mas ninguém gravou as escutas
A investigação caiu nas mãos de Isabelle Vasconcellos Kishida, uma delegada atraente que tinha 27 anos, responsável pela Delegacia de Combate a Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal. Surpreendida no meio do Carnaval, Isabelle interrogou vigilantes, mandou fazer retrato falado dos bandidos e descobriu no Morro dos Prazeres, não muito longe do museu, indícios de que os ladrões haviam queimado a moldura de três quadros para facilitar o transporte das obras.
Uma denúncia anônima a levou até Paulo Gessé, motorista que ajudara na fuga dos bandidos, numa Kombi. Ele morava a 500 metros dali. Confessou sua participação e disse que foi coagido. Imediatamente, Isabelle pediu que o telefone de Gessé fosse grampeado. Era Carnaval, e não havia ninguém na central de escuta da Polícia Federal. Os agentes de plantão haviam sido deslocados para ajudar numa apreensão de 500 quilos de maconha. Isabelle improvisou. Pediu que a operadora de telefonia desviasse o grampo para seu celular pessoal. Durante os cinco dias em que o telefone de Gessé foi grampeado, só ela conseguiu ouvir as conversas. Nenhuma ligação foi gravada. Segundo Isabelle, no dia seguinte ao crime, Gessé recebeu a chamada de alguém informando que havia “dado tudo certo” e que sua Kombi retornava da “entrega”. Não foi possível localizar posteriormente o número do telefone de onde partiu a ligação. Dias depois, noutra conversa que Isabelle acompanhou, o advogado de Gessé disse que manteve contato com “o chefe”. A declaração de Isabelle foi suficiente para que o juiz decretasse a prisão preventiva de Gessé. Quando ele foi julgado, não havia provas concretas. O próprio Ministério Público Federal pediu a absolvição, alegando que “as palavras da douta Delegada Federal restam vazias” diante da ausência das gravações.

Capítulo 3
A caça aos suspeitos
As investigações prosseguiram. Um crime sofisticado como esse certamente deveria ter um mandante, possivelmente estrangeiro. Não ficou esclarecido se a oferta da pintura de Matisse no site russo era real nem se fora feita pelo próprio bandido. Quadros roubados que entram na lista da Interpol, como nesse caso, não são oferecidos em venda pública. O mandante poderia guardar em casa, para seu próprio deleite, ou vender no mercado negro a colecionadores com a mesma disposição. A polícia chegou a alguns nomes por meio de denúncias anônimas. Um deles era Patrice Charles Rouge, francês naturalizado brasileiro, interessado em arte, que costumava trabalhar no mercado de pedras preciosas. Ele morava em Santa Teresa, perto do museu e do Morro dos Prazeres. Isabelle reuniu seus homens e partiu para uma busca em sua casa. Era um dia de semana, no meio da tarde. Os agentes vestidos de preto, fortemente armados, cercaram a entrada. Um deles tocou o interfone e disse à empregada que tinha uma encomenda para entregar. Quando a moça saiu, eles a renderam e invadiram o lugar.
Dentro da casa, um homem trocava de roupa no quarto. Quando os agentes entraram, encontraram o ator Osmar Prado. O susto foi das duas partes. Osmar comprara a casa havia dois anos. Achou que os policiais fossem bandidos. Desfeito o equívoco, ele repreendeu duramente os agentes, aos berros. “Eles me acalmaram, pediram desculpas pelo erro e disseram que entraram assim, com receio de que o bandido jogasse as obras no mato. Na época, me pediram para não contar o ocorrido para ninguém, e realmente não contei”, diz Osmar.
O outro suspeito – talvez em dupla com Patrice – era o também francês Michel Cohen. Ele atuara durante 20 anos no mercado de arte americano e praticara fraudes envolvendo quadros de artistas como Picasso, Matisse e Dalí. Cohen pegava pinturas em consignação nas grandes galerias ou casas de leilão nos Estados Unidos, como a Sotheby’s, as vendia a colecionadores no mundo todo e não repassava o dinheiro recebido. Ele mudou-se para o Brasil após ser indiciado por mais de 20 casos de fraude nos Estados Unidos. Em 2003, foi preso pela Interpol no centro do Rio. O governo americano pediu sua extradição. Enquanto aguardava o julgamento, ele foi mandado para o presídio Ary Franco, onde dividia com outros presos uma cela úmida no subsolo. Alegando problemas de saúde, foi transferido para um hospital penitenciário. Um dia simulou um ataque. Precisava de transferência urgente para outro hospital. A ambulância estava quebrada, e o agente penitenciário Edmar Barbosa de Andrade o levou em seu carro. Não algemou Cohen, nem travou as portas do carro. Quando o veículo parou no sinal vermelho, Cohen abriu a porta e sumiu. Edmar foi autuado por facilitação da fuga. A extradição de Cohen foi negada pelo Supremo Tribunal Federal, porque o governo americano não enviara os documentos em português – e porque Cohen já estava desaparecido mesmo. O roubo ao museu aconteceu três anos depois de sua fuga. A delegada Isabelle tentou localizá-lo, sem sucesso.
Em 2011, cinco anos após o roubo, a delegada Simone Soares Leite substituiu Isabelle. Ela tomou uma iniciativa aparentemente óbvia, que até então ninguém tomara: pediu a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos para verificar o histórico das ligações seis meses antes e seis meses depois do crime. A quebra se referia ao período entre setembro de 2005 e setembro de 2006. As operadoras responderam que tal informação era impossível, pois a lei determina o prazo máximo de cinco anos para guardar o histórico das chamadas.
Em outubro de 2013, o procurador do Ministério Público Fernando José Aguiar enviou um despacho à Polícia Federal questionando por que, até aquele momento, sete anos depois do roubo, o resultado dos exames das impressões digitais colhidas no museu não saíra. Dois meses depois, o perito Márcio Corrêa Martins, que colhera as impressões digitais, informou que o local do crime não fora preservado e que nenhum dos vestígios coletados tinha qualidade técnica suficiente para identificar qualquer suspeito. Depois de novos trâmites burocráticos, em setembro deste ano, o delegado Éder Francis Oliveira enviou um relatório ao juiz responsável e pediu o fim das investigações.
“Época” encontrou pistas dos dois suspeitos que apareceram na investigação. Patrice tem em seu nome uma empresa chamada Brazilian Showroom, com endereço na Upper Richmond Road, em Londres. Também consta um endereço residencial na cidade de Albi, na França. Ele tem uma filha advogada, dona de um escritório no centro do Rio. Ela nega a participação do pai no assalto. O francês Cohen continua com paradeiro desconhecido. Sua mulher, Ulricke Zenkell, mora na França, com os três filhos do casal. Ela trabalha com joias numa empresa chamada Société d’Affinage et Apprêts de Métaux Précieux, com sedes nas cidades de Limonest e Lyon. Gregória, como é conhecida no Brasil, tem conta no Facebook e vários amigos brasileiros. Os filhos de Cohen visitam o Brasil todos os anos.
|
Texto de Marcelo Bortoloti originalmente publicado na revista Época | 12/12/14.