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Radiografia do novo MAC-USP

Sob a direção de Tadeu Chiarelli, o Museu de Arte Contemporânea da USP inaugura a sua sede e entra em nova fase. “O edifício do MAC é um monumento, que agora vai fazer parte da coleção do próprio museu”, afirma Chiarelli. +

Quatro andares para uma grande exposição permanente do acervo, dois andares para exposições de arte contemporânea e um anexo formatado para mostras de artistas em meio de carreira. No início de dezembro, quando o MAC-USP inaugurar sua nova sede, no antigo edifício do Detran, terá à sua disposição um espaço de 32 mil m² para colocar em prática as linhas mestras de seu novo diretor, Tadeu Chiarelli: mapear, prospectar e “retrospectar” a arte.
“O foco do museu é sua coleção e tudo gira em torno dela”, afirma Chiarelli, que traz na bagagem a experiência de 27 anos como professor-doutor da USP e a curadoria-geral do Museu de Arte Moderna de São Paulo entre 1996 e 2000.

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Com a mudança de espaço, muda o projeto do museu?
O MAC poderia mudar de sede e manter a mesma linha de atividades, mas nós queremos aproveitar essa mudança para transformar a perspectiva política do museu.

Em que medida o fato de o MAC ser um museu universitário influencia seu projeto?
O que distingue o museu é, primeiro, seu corpo estável de profissionais, que tem como foco o estudo da coleção. Por outro lado, uma coleção importantíssima, que nos últimos anos não tem tido oportunidade de ser mostrada com uma periodicidade interessante. Vejo nos museus uma tendência de acelerar muito a periodicidade das exposições. Por ser um museu universitário, o MAC não precisa entrar nessa corrente. O tempo da arte é um tempo desacelerado, voltado para a contemplação e a reflexão. O foco do museu é a coleção. Tudo gira em torno da coleção existente e das possibilidades de ampliação dessa coleção. Com uma visão sempre retrospectiva e prospectiva. Isso vem muito da experiência que tive de museu de arte universitário na minha formação. Quando eu estudava arte, o (Walter) Zanini era professor no departamento de artes plásticas e era diretor do MAC.

O MAC precisa de todo aquele espaço do novo edifício?
Precisa. Hoje o MAC só consegue mostrar em torno de 2% de seu acervo, que tem cerca de dez mil obras. É muito pouco.
O Zanini dizia que todo cidadão de São Paulo tem o direito de entrar na Pinacoteca para ver o “Caipira Picando Fumo”. O MAC tem uma belíssima coleção e a ideia é que essa coleção seja mostrada em sua grandiosidade na maior parte do espaço expositivo do museu, em uma grande exposição de longa duração, por mais de um ano. Outro aspecto é chamar a atenção para o que está por vir. Como museu de arte contemporânea, devemos assumir esse fator de risco.

O museu vai evitar mostras que não se enquadrem no seu projeto curatorial?
Exatamente. Hoje o circuito está muito sofisticado e, se você não tem ideias, vira um balcão de exposições. O MAC vai estabelecer suas diretrizes e, a partir daí, dialogar com o circuito, sem ficar refém das ofertas.
Podemos dizer que, mesmo com toda a visibilidade do novo edifício, seu projeto é “antiespetacular”?
O espetáculo é o edifício em si, porque é da década de 50, a melhor fase de Niemeyer. É emocionante. É um monumento que, por si só, vai atrair o público. O outro espetáculo é a coleção. Mas não faz parte da minha linha de compreensão da arte montar uma exposição de “obras-primas”. Se quiséssemos, o MAC conseguiria: tem o único autorretrato do Modigliani, tem um Matisse fabuloso. Mas queremos mostrar todas essa obras dentro de conflitos e questões. Interessa perceber Modigliani no contexto geral da obra do artista. Isso é educação. O MAC será um espaço de resistência em todos esses níveis. Por ser um museu público, deve propiciar um diferencial na fruição da obra e na experiência do público com a arte.

O MAC tem adquirido obras?
Com muita dificuldade. Quero negociar um programa de aquisição. O momento da minha chegada é o momento mais profícuo, em que estamos tentando estabelecer uma compreensão comum do que é o MAC, do que ele já tem e do que se quer. Não vou ficar à mercê do que está disponível. Se sei exatamente o que quero, vou criar condições dentro da universidade para conseguir.

Inaugura em setembro?
Não, a obra termina no final de agosto, mas consegui adiar a inauguração para dezembro. Achei que vocês queriam aproveitar a Bienal. Queriam. Mas não estamos disputando com a Bienal. O MAC tem um papel a cumprir dentro do circuito paulistano. Tem uma história muito importante, com altos e baixos, e agora ocupa um espaço físico onde vai poder redimensionar o seu espaço simbólico.

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Fonte: Istoé Independente; 19/08/10; texto de Paula Alzugaray.

MAC-USP abre sede em dezembro

Museu paulistano se prepara para mostrar seu acervo no novo prédio no Ibirapuera. +

"Supermuseu", com área expositiva de 10 mil m², anexos (um deles, um grande galpão) e um futuro jardim de esculturas, é como define Tadeu Chiarelli, diretor da instituição, o novo Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, com a inauguração de sua sede, dia 04/12/10, no prédio onde funcionava o Detran (Departamento Estadual de Trânsito), no Ibirapuera.
O edifício, projetado por Oscar Niemeyer em 1954, ainda está em obras para se tornar espaço museológico - e uma previsão anterior dizia que sua inauguração ocorreria em outubro, durante a 29ª Bienal de São Paulo. "Vale a pena perder a Bienal para fazer a inauguração com espaços expositivos", diz Chiarelli. Sendo assim, em dezembro, o novo MAC será aberto com grandes exposições. Por quatro andares do prédio estará abrigada Arte Moderna e Contemporânea - Séculos 19-21, com cerca de 1,2 mil das 10 mil obras da coleção do museu (e enfoque na arte conceitual); em salas pequenas, mostras monográficas dos artistas Di Cavalcanti, Yolanda Mohaly, León Ferrari, José Antonio da Silva, Rafael França e Julio Plaza (bem representados no acervo); no anexo (espaço para criação), exibições inéditas de Mauro Restiffe (de registros da reforma do prédio) e de Carlito Carvalhosa; e ainda em dois pisos do edifício, exposição de "artistas emergentes brasileiros" sob o título Arte Contemporânea 2000-2013. "É uma postura retrospectiva e prospectiva, que era a tônica do (Walter) Zanini (primeiro diretor do MAC, fundado em 1963)", afirma Chiarelli.

Encontros.
Mas por agora, enquanto o museu ainda tem sua sede na Cidade Universitária, um ciclo de encontros públicos com artistas, a partir de hoje, dá início às atividades do novo projeto da instituição sob a gestão, até 2014, de Chiarelli, nomeado diretor do MAC em 21 de abril. A jovem artista Sofia Borges participa hoje, entre 17 e 19 h, do primeiro bate-papo, com entrada gratuita.
Em agosto, o ciclo ocorre todas as terças-feiras, no mesmo horário, no auditório do museu (Rua da Praça do Relógio, 160, tel. 3091-3559) tendo a presença, sequencialmente, a cada dia, dos artistas Marco Willians, Gilberto Mariotti e Guilherme Peters. A programação, semanal, ainda se estende por setembro - com falas de Felipe Prando, Deyson Gilbert, Marlon de Azambuja e a dupla Luciana Ohira/Sergio Bonilha; outubro - com Fábio Tremonte e Vitor Cesar; e novembro - com Fernando Piola e Pino. Mais informações podem ser consultadas pelo e-mail ceema@usp.br. O programa nasceu da vontade de se resgatar mais uma iniciativa de Zanini, a de trazer os artistas para o museu.

Planos.
A obra de transformação do antigo prédio do Detran em museu está sendo financiada, com recursos em torno de R$ 54 milhões, pela Secretaria de Estado da Cultura. Pelo novo projeto, o edifício da Cidade Universitária será dedicado a atividades didáticas e a área que o MAC tem no Pavilhão da Bienal será devolvida à entidade. O trânsito de todo o acervo (que inclui coleções como a do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira) ocorrerá, acredita Chiarelli, até o fim do 1.º semestre de 2011. Ele afirma também que a manutenção do museu será de cerca de R$ 700 mil mensais e está ainda em discussão se esse montante terá apoio da Secretaria Estadual.

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Fonte: Estadão.com.br ; 10/08/10.

Incêndio em Veneza danifica obra-prima de Ticiano

O quadro Davi e Golias, uma das obras-primas do gênio do Renascimento Ticiano, ficou danificado em Veneza (Itália) pela água usada para apagar um incêndio. +

O quadro Davi e Golias, uma das obras-primas do gênio do Renascimento Ticiano, ficou danificado em 30/08/10 em Veneza (Itália) pela água usada para apagar um incêndio que desatou ao lado da basílica de Santa Maria da Saúde.
"A água caiu durante quase uma hora sobre a tela", lamentou Vittorio Sgarbi, recém-nomeado diretor dos museus de Veneza e importante crítico de arte italiano.
"O quadro sofreu alguns danos, mas nada que não possa ser reparado. Tivemos muita sorte", acrescentou.
A água usada pelos bombeiros para apagar o fogo em um prédio vizinho acabou vazando na basílica, e as autoridades determinaram a inspeção de outras obras do mestre veneziano que decoravam o teto de uma das sacristias do templo.
A valiosa tela, considerada uma das mais importantes da história da arte e que foi restaurada há poucos anos, mostra Davi, que acaba de decapitar Golias, dirigindo a Deus uma oração de agradecimento.
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Fonte: www.uol.com.br ; 30/08/10.

Associação Lygia Clark rebate críticas

A Associação Cultural “O Mundo de Lygia Clark” ignora os motivos que se escondem por trás das acusações feitas por grupos contrariados em seus inimagináveis interesses. E prossegue agindo de maneira transparente e idônea. O que significa por vezes reprovar parceiros desleais, mentirosos e manipuladores. +

A Associação Cultural “O Mundo de Lygia Clark”, que representa os herdeiros da artista, existe há dez anos. Neste tempo, realizou 71 exposições, 25 delas no Brasil; 76 publicações, das quais 44 em língua portuguesa e oito de caráter didático. Desenvolveu um processo de certificação que valorizou a obra de Lygia Clark por inibir ações de falsificação e assegurar operações de compra e venda de peças autênticas.
Mas não se faz nada sozinho. A entidade só tem cumprido sua missão de disseminar a vida e a obra da artista porque se une a parceiros com a qualidade que Lygia Clark, por sua inquestionável importância, requer. Museus, galerias, editores, colecionadores, pesquisadores, escolas e instituições que cuidam de deficientes – brasileiros ou não – têm se unido à associação com o objetivo de viabilizar esses eventos e produtos culturais.
Seria possível conseguir esses parceiros e realizar esses projetos – cujos nomes e origens estão disponibilizados no site www.lygiaclark.org.br - agindo com ganância e desrespeito, descumprindo acordos e contratos, visando o negócio acima de tudo?
A resposta é não. Tanto no Brasil quanto no exterior, os parceiros da associação se multiplicam e disseminam Lygia Clark porque sabem que do outro lado existe um trabalho sério e responsável no qual podem confiar. Ninguém constrói um currículo deste nível sem solidez e consistência.
A Associação Cultural “O Mundo de Lygia Clark” ignora os motivos que se escondem por trás das acusações feitas por grupos contrariados em seus inimagináveis interesses. E prossegue agindo de maneira transparente e idônea. O que significa por vezes reprovar parceiros desleais, mentirosos e manipuladores.
Sinceramente, não esperávamos uma vida fácil diante dessas forças, mas isso só nos estimula a continuar. Lygia Clark merece. Ela sempre foi boa de briga.
Atenciosamente,
Associação Cultural “O Mundo de Lygia Clark”

Sayad e a TV Cultura

Leia o texto publicado no blog de Marcelo Coelho sobre João Sayad, novo presidente da TV Cultura. +

Estive várias vezes com João Sayad, e participei ao seu lado de reuniões mensais, há alguns anos, quando fazíamos parte de um júri que escolhia as melhores reportagens e fotos para um prêmio interno da Folha de S. Paulo.
Posso dizer que nunca vi uma pessoa da sua importância que tivesse, ao mesmo tempo, tanta simplicidade e modéstia. Sayad tem a qualidade raríssima de não ter medo de perguntar as coisas, não ter medo de confessar o que não sabe. Parecia estar sempre ali, naquelas reuniões, mais para aprender do que para pontificar.
Por isso mesmo, fico surpreso com o que leio a respeito de sua chegada à TV Cultura.
Muito caracteristicamente, Sayad não se importa em dizer que não conhece tal ou tal programa, que não sabia que determinada ideia (a da parceria com os Filmes da Mostra, por exemplo) já fora implantada (e descartada) em gestão anterior.
Ele próprio diz que seu desconhecimento pode ser uma vantagem, uma vez que, sem pertencer ao meio, não padece de vícios corporativos.
Certo. Mas nem por isso este blogueiro aceitaria, por exemplo, o cargo de presidente da Petrobras, em que pese a grande vantagem de meu total desconhecimento sobre perfuração de petróleo e abertura de capitais na Bolsa.
No mínimo, eu faria um estágio no conselho consultivo da empresa, procuraria me inteirar das coisas antes de assumir o poder.
Posso imaginar, entretanto, que o papel de Sayad na TV Cultura se limite a uma área que ele conhece bem, a da administração e do controle de custos.
Aí surge um problema que, a meu ver, não há como resolver numa esfera puramente pessoal.
Uma televisão privada tem critérios claríssimos, e puramente econômicos, quando se trata de discutir programação. Ou dá Ibope ou não dá. Ou tem patrocinador ou não tem. Se não tem Ibope, não tem patrocinador, acaba-se com o programa e pronto.
Ora, na TV Cultura, em tese, o Ibope e o patrocínio não são os critérios determinantes. Se fossem, seria uma TV privada e pronto.
Como decidir, então, se tal programa deve acabar ou deve continuar, se tal apresentador serve ou não serve?
Em tese, qualquer modificação deveria passar por um conselho, não ser decisão pessoal. Mas esses conselhos de fundação dificilmente refletem a “sociedade civil”; muita gente se eterniza no cargo, e os vícios corporativos e interesses constituídos acabam sendo tão fortes quanto os que existem entre os funcionários.
Há, pelo que li no jornal, uma orientação mais ampla na proposta de Sayad, que é a de terceirizar a produção de vários programas; a Cultura compraria produções independentes, em vez de bancar com a produção ela própria. Isso, em si, pode ser bom. Mas também pode equivaler a jogar-se fora muita experiência e know-how já testado com sucesso na própria emissora, como na área de programas infantis. Financeiramente, vender os programas feitos pela emissora pode ser tão vantajoso quanto comprar programas que a emissora não gastou para fazer.
Não sei, porque não entendo de finanças nem de administração de TVs. O que sei é que o grande risco é o dilema entre corporativismo e empresarialismo, por assim dizer.
O corporativismo cria problemas, há coisas “imexíveis” e sem sentido que se acumulam ao longo do tempo. Depois, surge alguém para “resolver” o problema. Mexe em tudo, mas age sem controle nenhum também, na base de sua intuição pessoal. Um belo dia, mudam os governos, o “resolvedor” se cansa, é substituído por outro, e assim vai. O problema, para resumir, é com a instituição - seus critérios, sua organização de poder -, e não apenas com quem aparece para cuidar do abacaxi.
Os americanos têm o bom hábito, nos artigos que escrevem, de “declarar seus interesses” no tema abordado. “Declaro”, portanto, meu respeito por João Sayad, que sempre me tratou com enorme gentileza, e também o fato de ter sido entrevistado para o programa “Metrópolis”, por ocasião do lançamento do meu livro, na terça-feira passada (17/08/10).
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Fonte: Blog de Marcelo Coelho | http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br ; 19/08/2010.

29ª Bienal de São Paulo reúne obras de 161 artistas

Com título emprestado do verso do poeta Jorge de Lima (“Há sempre um copo de mar para um homem navegar”), a mostra tem curadoria de Moacir dos Anjos e de Agnaldo Farias. +

A 29ª Bienal de São Paulo reúne obras de 161 artistas no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Com o título emprestado do verso do poeta Jorge de Lima (“Há sempre um copo de mar para um homem navegar”), a mostra tem curadoria de Moacir dos Anjos e de Agnaldo Farias. A Bienal ainda promove por volta de 400 eventos paralelos.
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Calendário:
- 20/09/10, das 9h às 17h: abertura para imprensa.
- 21/09/10: das 9h às 17h, abertura para imprensa; às 19h, abertura para convidados.
- 22, 23 e 24/09/10, às 19h: abertura para convidados.
- 25/09/10, às 10h: abertura ao público.
- 12/12/10: encerramento.
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Horários de funcionamento:
Seg. a qua., 9h/19h; qui. e sex., 9h/22h; sáb. e dom., 9h/19h.
Entrada gratuita.
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Veja a lista de artistas participantes:
1. Adrian Piper / USA / Germany / 1948
2. Aernout Mik / Netherlands / Netherlands / 1962
3. Ai Weiwei / China / China / 1957
4. Albano Afonso / Brasil / Brasil / 1964
5. Alberto Greco / Argentina / 1931 - 1965
6. Alessandra Sanguinetti / USA / USA / 1968
7. Alfredo Jaar / Chile / USA / 1956
8. Alice Miceli / Brasil / Brasil / 1980
9. Allan Sekula / USA / USA / 1951
10. Allora & Calzadilla – Allora / USA / Puerto Rico / 1974 and Calzadilla / Cuba / Puerto Rico / 1971
11. Amar Kanwar / India / India / 1964
12. Amélia Toledo / Brasil / Brasil / 1926
13. Ana Gallardo / Argentina / Argentina / 1958
14. Andrea Büttner / Germany / Germany / 1972
15. Andrea Geyer / Germany / Germany and USA / 1971
16. Andrew Esiebo / Nigeria / Nigeria / 1978
17. Anna Maria Maiolino / Italy / Brasil / 1942
18. Anri Sala / Albania / Germany / 1974
19. Antonieta Sosa / USA / Venezuela / 1940
20. Antonio Dias / Brasil / Brasil / 1944
21. Antonio Manuel / Portugal / Brasil / 1947
22. Apichatpong Weerasethakul / Thailand / Thailand / 1970
23. Archigram Group / England / 1960s
24. Artur Barrio / Portugal / Brasil / 1946
25. Artur Zmijewski / Poland / Poland / 1966
26. CADA - Colectivo Acciones de Arte / Chile / 1979
27. Cao Fei / China / 1978
28. Carlos Bunga / Portugal / Spain / 1976
29. Carlos Garaicoa / Cuba / Cuba
30. Carlos Teixeira / Brasil / Brasil / 1966
31. Carlos Vergara / Brasil / Brasil / 1941
32. Carlos Zilio / Brasil / Brasil / 1944
33. Chantal Akerman / Belgium / France / 1950
34. Chen Chieh-jen / Taiwan / 1960
35. Chim Pom / Japan
36. Cildo Meireles / Brasil / Brasil / 1948
37. Cinthia Marcelle / Brasil / Brasil / 1974
38. Claudia Joskowicz / Bolivia / USA
39. Claudio Perna / Venezuela / 1938-1997
40. Daniel Senise / Brasil / Brasil / 1955
41. David Claerbout / Belgium / Belgium / 1969
42. David Cury / Brasil / Brasil
43. David Goldblatt / South Africa / South Africa / 1930
44. David Lamelas / Argentina / Argentina and USA / 1946
45. David Maljkovic / Croatia / Croatia / 1973
46. Deimantas Narkevicius / Lithuania / 1964
47. Dora Garcia / Spain / Belgium / 1965
48. Douglas Gordon / Scotland / Germany, Scotland and USA / 1966
49. Eduardo Coimbra / Brasil / Brasil / 1955
50. Eduardo Navarro / Argentina / Argentina /1979
51. Efrain Almeida / Brasil / Brasil / 1964
52. Emily Jacir / Palestine / USA and Palestine / 1970
53. Enrique Jezik / Argentina / Mexico / 1961
54. Ernesto Neto / Brasil / Brasil / 1964
55. Fernando Lindote / Brasil / Brasil / 1960
56. Filipa César / Portugal / Germany / 1975
57. Fiona Tan / Indonesia / Netherlands / 1966
58. Flávio de Carvalho / Brasil / 1899 - 1973
59. Francis Alÿs / Belgium / Mexico / 1959
60. Gabriel Acevedo Velarde / Peru / Germany /1976
61. Gil Vicente / Brasil / Brasil / 1958
62. Graziela Kunsch / Brasil / Brasil /1979
63. Gustav Metzger / Germany / England / 1926
64. Guy de Cointet / France / 1934 – 1983
65. Guy Veloso / Brasil / Brasil / 1969
66. Harun Farocki / Germany / Germany / 1944
67. Hélio Oiticica / Brasil / 1937 - 1980
68. Henrique Oliveira / Brasil / Brasil / 1973
69. High Red Center / Japan
70. Isa Genzken / Germany / Germany / 1948
71. Jacobo Borges / Venezuela / Venezuela and USA / 1931
72. James Coleman / Ireland / Ireland / 1941
73. Jean Luc Godard / France / 1930
74. Jeremy Deller / England / England / 1966
75. Jimmie Durham / USA / Italy / 1940
76. Joachim Koester / Denmark / USA / 1962
77. Jonas Mekas / Lithuania / Lithuania / 1922
78. Jonathas de Andrade / Brasil / Brasil
79. José Antonio Vega Macotela / Mexico / Mexico / 1980
80. José Leonilson / Brasil / 1957 - 1993
81. José Spaniol / Brasil / Brasil / 1960
82. Joseph Kosuth / USA / USA / 1945
83. Juliana Stein / Brasil / Brasil / 1970
84. Julie Ault and Martin Beck / USA and Austria / USA / 1957 and 1963
85. Karina Skvirsky Aguilera / USA / USA / 1967
86. Kboco e Roberto Loeb / Brasil / Brasil / 1978 and 1941
87. Kendell Geers / South Africa / Belgium / 1968
88. Kiluanji Kia Henda / Angola / Angola / 1979
89. Kimathi Donkor / England / 1965
90. Kutlug Ataman / Turkey / England / 1961
91. Livio Tragtenberg / Brasil / Brasil
92. Luiz Zerbini / Brasil / Brasil / 1959
93. Lygia Pape / Brasil / Brasil / 1927 - 2004
94. Manfred Pernice / Germany / Germany / 1963
95. Manon de Boer / India / Belgium and Netherlands / 1966
96. Marcelo Silveira / Brasil / Brasil / 1962
97. Marcius Galan / Brasil / 1972
98. Maria Lusitano Santos / Portugal / 1971
99. Maria Thereza Alves / Brasil / Germany / 1961
100. Marilá Dardot and Fábio Morais / Brasil / Brasil / 1973 and 1975
101. Mário Garcia Torres / Mexico / Mexico / 1975
102. Marta Minujin / Argentina / Argentina / 1943
103. Mateo López / Colombia / Colombia / 1978
104. Matheus Rocha Pitta / Brasil / Brasil / 1980
105. Miguel Angel Rojas / Colombia / Colombia / 1946
106. Miguel Rio Branco / Spain / Brasil / 1946
107. Milton Machado / Brasil / Brasil / 1947
108. Mira Schendel / Switzerland / 1919 -1988
109. Monir Shahroudy Farmanfarmaian / Iran / 1924
110. Moshekwa Langa / South Africa / Netherlands / 1975
111. Nástio Mosquito e Bofa da Cara / Angola / 1981
112. Nan Goldin / USA / USA and France / 1953
113. Nancy Spero / USA / 1926 - 2009
116. Nelson Leirner / Brasil / Brasil / 1932
117. Nnenna Okore / Nigeria / 1975
118. NS Harsha / India / India / 1969
119. Nuno Ramos / Brasil / Brasil / 1960
120. Oscar Bony / Argentina / 1941-2002
121. Oswaldo Goeldi / Brasil / 1895 –1961
122. Otobong Nkanga / Nigeria / France and Belgium / 1974
123. Otolith Group / England / England / 2000
124. Palle Nielsen / Denmark / Denmark / 1942
125. Paulo Bruscky / Brasil / Brasil / 1949
126. Pedro Barateiro / Portugal / Portugal / 1979
127. Pedro Costa / Portugal / Portugal / 1959
128. Pixação SP / Brasil / Brasil
129. Qiu Anxiong China / China / 1972
130. Raqs Media Colective / India / India / 1992
131. Rex Time / Brasil / Brasil / 1966
132. Roberto Jacoby / Argentina / Argentina / 1944
133. Rochelle Costi / Brasil / Brasil / 1961
134. Rodrigo Andrade / Brasil / Brasil / 1962
135. Ronald Duarte / Brasil / Brasil / 1963
136. Rosangela Rennó / Brasil / Brasil / 1962
137. Runa Islam / Bangladesh / England /1970
138. Samuel Beckett / Ireland/ 1906 - 1989
139. Sandra Gamarra / Peru / Spain / 1972
140. Sara Ramo / Spain / Brasil / 1975
141. Simon Fujiwara / England / Germany / 1982
142. Sophie Ristelhueber / France / France / 1949
143. Steve McQueen / England / England and Netherlands / 1969
144. Sue Tompkins / England / Scotland / 1971
145. Superstudio / Italy / 1966
146. Susan Philipsz / Scotland / Germany / 1965
147. Tacita Dean / England / Germany / 1965
148. Tamar Guimarães / Brasil / Denmark
149. Tatiana Blass / Brasil / Brasil / 1979
150. Tatiana Trouvé / Italy / France / 1968
151. Tobias Putrih / Slovenia / USA / 1972
152. Tucuman Arde / Argentina
153. UNStudio / Netherlands / 1998
154. Wendelien van Oldenborgh / Netherlands / Netherlands / 1962
155. Wilfredo Prieto / Cuba / Spain / 1978
156. Yael Bartana / Israel / Israel and Netherlands / 1970
157. Yoel Vazquez / Cuba / Germany / 1973
158. Yonamine/ Angola / 1975
159. Yto Barrada / France / Morroco / 1971
160. Zanele Muholi / South Africa / South Africa / 1972
161. Zarina Bhimji / Uganda / 1963

Desacordo exclui Lygia Clark da Bienal

Curador considerou que exigências feitas pela instituição mantida pelo filho da artista eram "incompatíveis". +

Apesar de serem confirmados para a 29ª Bienal de São Paulo, os pichadores que invadiram e picharam o andar vazio da última Bienal podem não ser considerados artistas por Agnaldo Farias, um dos curadores.
"Achamos que o trabalho deles é político, mas não sabemos se é arte, o que é uma questão secundária, pois muito artista, quando está em produção, tampouco se pergunta se está fazendo arte", disse Farias, em 01/06/10, na entrevista coletiva durante o anúncio da lista oficial de artistas escalados para a próxima edição da mostra.
Moacir dos Anjos, o curador-geral da Bienal, disse que os pichadores serão vistos em registros de suas ações - filmes e fotos -, além de participarem de debates nos terreiros do evento, que tem abertura prevista para o dia 25 de setembro.
"Eles nos procuraram e nos interessa a potência do que eles fazem", contou.
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Brasileiros
Como a “Folha de S. Paulo” antecipou há dez dias, 148 artistas irão tomar parte do prédio da Bienal e poucos nomes foram trocados em relação à lista prévia. O time brasileiro, por exemplo, cresceu para 53 nomes, em relação aos 51 da lista anterior.
Entre as mudanças, está a retirada da artista Lygia Clark da exposição.
"Decidimos retirar a Lygia ontem (01/06/10) pois nos foram impostas tantas condições pela instituição `O Mundo de Lygia Clark` que as consideramos incompatíveis com a memória da artista", afirmou Farias.
"Queriam até controlar quem poderia escrever sobre ela", completou o curador.
Entre outras condições, a associação teria pedido três passagens áreas e o pagamento dos direitos das imagem dos catálogos.
"Cada um tem a instituição que merece. Hoje, `O Mundo de Lygia Clark` não tem patrocínio nenhum e precisamos cobrar para poder manter a associação aberta", disse Álvaro Clark, filho da artista e diretor da instituição, à “Folha de S. Paulo”.
"Eu não tenho dinheiro para colocar na associação e não recebo um tostão. De fato, o Moacir me ligou dizendo que estava sem dinheiro, mas não tenho como abrir exceções", afirmou.
Já Heitor Martins, presidente da Bienal de São Paulo, anunciou ontem (01/06/10) que o orçamento do evento está confirmado e será de R$ 30 milhões, sendo que a maior parte desse valor vem de leis de incentivo.
"Mesmo assim, conseguimos cerca de R$ 4 milhões diretamente". Ontem à noite (01/06/10), estava previsto um jantar para comemorar a divulgação oficial da lista de artistas, marcado para acontecer no shopping Iguatemi.
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Fonte: “Folha de S. Paulo”; texto de Fabio Cypriano; 02/06/10.

"Cobramos para manter a obra", diz filho de Lygia Clark

Lygia Clark (1920-1988) foi uma das artistas mais experimentais do século 20, rompendo totalmente com o objeto. As imposições da associação dirigida por seu filho Álvaro Clark não seriam uma contradição a isso? +

Lygia Clark (1920-1988) foi uma das artistas mais experimentais do século 20, rompendo totalmente com o objeto. As imposições da associação dirigida por seu filho Álvaro Clark não seriam uma contradição a isso?
"Minha mãe nasceu rica, casou com homem rico e, na separação, recebeu 86 apartamentos, que ela foi vendendo um a um, para fazer a obra dela. Só não morreu pobre porque eu ajudei. Muitas vezes não comemos goiabada com queijo porque ela não tinha dinheiro para a feira. A gente cobra porque é preciso, para manter a obra dela", diz Álvaro Clark.
Há dez anos, segundo ele, um "Bicho" era vendido por US$ 3.500 (R$ 6.400). "Na semana passada, ele foi vendido por US$ 584 mil (R$ 1 milhão), graças ao nosso trabalho, que incluiu uma limpeza no mercado".
Já sobre a Bienal, ele diz que suas exigências nunca foram questionadas pelo curador Moacir dos Anjos.
"Ele apenas pediu a redução de custos. O que eu não queria era que a Suely Rolnik escrevesse sobre a Lygia, pois ela está organizando essas exposições no Nordeste sem sequer nos consultar. Ela não pode usar o nome de Lygia Clark porque a lei não permite. O trabalho dela é bom, mas ela não pode usar o que é nosso", diz Clark. Rolnik não quis se manifestar.
Quanto ao livro de Maria Alice Milliet, Clark diz que a editora não pediu licença para publicação: "Pedimos R$ 120 por imagem, mas esse valor cai de acordo com a quantidade. Tem muita gente falando sobre a associação que não se interessa em perguntar a verdade".
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Fonte: “Folha de S. Paulo”; texto de Fabio Cypriano; 04/06/10.

O "x" da questão

A 29ª edição da Bienal, a ser realizada em setembro, decidiu abrir espaço aos pichadores. O curador Moacir dos Anjos diz que o "pixo", com "x" (grafia usada pelos adeptos como assinatura do que fazem), "questiona os limites usuais que separam arte e política", tema desta bienal. +

A estátua do Cristo Redentor, no Rio, amanheceu pichada na última quinta (15/04/10). Braços, peito, rosto. Não é preciso ser católico (nem burguês) para ficar incomodado com esse vandalismo.
Entre os borrões, havia dizeres contra a violência, citando casos de pessoas desaparecidas ou assassinadas. Há quem veja na depredação de um símbolo da cidade uma forma válida de protesto, uma ação "política", talvez até "artística".
A discussão está colocada em São Paulo. Como a “Folha de S. Paulo” noticiou, a 29ª edição da Bienal, a ser realizada em setembro, decidiu abrir espaço aos pichadores. O curador Moacir dos Anjos diz que o "pixo", com "x" (grafia usada pelos adeptos como assinatura do que fazem), "questiona os limites usuais que separam arte e política", tema desta bienal.
O grupo que está sendo anexado ao "grand monde" agiu com método. Em 2008, pichou uma escola de arte (onde ela é ensinada), uma galeria (onde é comercializada) e a própria Bienal do Vazio (o templo da arte). São artistas ou vândalos? Representam algo "radical" ou só regressivo? A Bienal está se abrindo à cidade ou fazendo populismo ao patrocinar a delinquência?
É preciso muito boa vontade para ver algo além do testemunho da exclusão na ação ao mesmo tempo selvagem e monótona dos pichadores. Ao descrever a depredação do patrimônio por jovens no contexto europeu, o ensaísta alemão Hans Magnus Enzensberger disse: "Nas ações espontâneas expressa-se a raiva das coisas em bom estado, o ódio por tudo o que funciona e que forma um amálgama indissolúvel com o ódio por si mesmo". Bingo!
Mas aqui não estamos em Frankfurt. Falamos de jovens da periferia, de Osasco e de Pirituba. Na afirmação de uma identidade vazia ou na destruição de qualquer identidade, a pichação é também um veículo do ódio (e da frustração) com as coisas que não funcionam -ou funcionam para os outros.
Os pichadores não precisam de Bienal, mas de família, escola e uma perspectiva de vida decente.
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Fonte: “Folha de S. Paulo”; texto de Fernando de Barros e Silva; 19/04/10.

Presença brasileira será maior na próxima Bienal de São Paulo

Participação dos artistas brasileiros cresce na 29ª edição da Bienal, chegando a 34% do total. +

Contrariando uma tendência das últimas sete bienais de São Paulo, a presença dos artistas brasileiros cresce na 29ª Bienal, chegando a 34% do total, se o número de artistas confirmar os 51 entre 148 já convidados.
Na Bienal do Vazio, em 2008, os artistas do país chegaram perto, com 33%, mas a exposição, reduzida por conta da polêmica, configura-se mais exceção do que regra.
Esse "verde-amarelismo" já era esperado desde o ano passado, quando Heitor Martins assumiu a presidência da Fundação Bienal e, em entrevista à “Folha de S. Paulo”, defendeu que seria importante uma presença brasileira expressiva na mostra.
O próprio curador, Moacir dos Anjos, também defendeu essa tese por conta da "insipiência e da fragilidade dos mecanismos institucionais para absorção e circulação da produção artística existentes no Brasil", conforme disse à “Folha de S. Paulo” também no ano passado.
Em seu projeto, o curador estabeleceu que a Bienal realizasse uma espécie de revisão histórica das últimas décadas da produção artística a partir dos anos 1970.
Assim, não é de estranhar a grande quantidade de nomes com caráter histórico na mostra, caso de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel e Milton Machado, entre outros, todos associados ao neoconcretismo.
A última Bienal com tantos brasileiros foi a 21ª, em 1991, com 79 artistas de um total de 183, ou seja, 43%.
Com curadoria de João Candido Galvão e Jacob Klintowitz, que abandonou o posto no meio do processo, a mostra foi muito criticada pela irregularidade, pois a seleção foi feita através de inscrições.
Já em 1998, Paulo Herkenhoff selecionou um alto número de brasileiros, 71, mas que representaram apenas 26% dos 271 artistas.
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Fonte: “Folha de S. Paulo”; texto de Fabio Cypriano; 20/05/10.

Grupo que pichou a Bienal de SP participará da 29ª edição da mostra

Bienal anuncia participação de pichadores e reacende debate sobre invasão da mostra ocorrida em 2008. +

É permitido pichar
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29ª Bienal de São Paulo anuncia participação de pichadores e reacende debate sobre invasão da mostra ocorrida em 2008
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Acusados de vandalismo e terrorismo, os líderes do grupo que invadiu e pichou o andar vazio da Bienal de São Paulo em 2008 vão entrar na 29ª edição da mostra, em setembro, com credencial de artista.
A participação foi confirmada à “Folha de São Paulo” pela curadoria, que descreveu os pichadores como "artistas brilhantes", apesar de "tratados como marginais".
Com isso, a Bienal entra num fogo cruzado daqueles que tomaram partido de invasores ou de invadidos, e que agora polemizam sobre a iniciativa. É demagogia? Legitima uma ação destrutiva? Coopta uma vanguarda transgressora?
Para o curador-geral da mostra, Moacir dos Anjos, a aposta não é em respostas fáceis, mas justamente na elaboração de questões.
"Queremos fazer uso de estratégias que não se confundam com o pixo que só existe como tal nas ruas, mas que evoquem, desde o interior do mundo da arte, o fato de que nem tudo que é arte a Bienal é capaz de abrigar ou entender."
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Fonte: “Folha de São Paulo”; 15/04/10; texto de Fernanda Mena.

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""Pixo" questiona limites que separam arte e política", diz curador da Bienal de SP
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Acusados de vandalismo e terrorismo, os líderes do grupo que invadiu e pichou o andar vazio da Bienal de São Paulo em 2008 vão entrar na 29ª edição, em setembro, da mostra com credencial de artista.
A participação foi confirmada à “Folha de São Paulo” pela curadoria, que descreveu os pichadores como "artistas brilhantes", apesar de "tratados como marginais".
Com isso, a Bienal entra num fogo cruzado daqueles que tomaram partido de invasores ou de invadidos, e que agora polemizam sobre a iniciativa. É demagogia? Legitima uma ação destrutiva? Coopta uma vanguarda transgressora?
Para o curador Moacir dos Anjos, a aposta não é em respostas fáceis, mas justamente na elaboração de questões.
Leia, a seguir, íntegra da entrevista concedida pelo curador-geral da mostra à “Folha”.
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Folha - Por que incluir os pichadores da 28ª Bienal na 29ª edição do evento?
Moacir dos Anjos - Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que nosso intuito não é incluir "os pichadores da 28ª edição". Não se trata de um pedido de desculpas ou de um confronto com a edição anterior do evento. O que realmente queremos incluir na presente edição da Bienal é a pixação, ou simplesmente o pixo, com "x" mesmo, grafia usada por seus praticantes para diferenciar o que fazem hoje em São Paulo das pichações político-partidárias, religiosas, musicais, ou mesmo ligadas à propaganda que há vários anos enchem os muros e paredes da cidade, a despeito do quão "limpa" ela queira apresentar-se. E queremos incluí-lo porque achamos que o pixo borra e questiona os limites usuais que separam o que é arte e o que é política. E essa é uma questão que interessa muito ao projeto curatorial da 29ª Bienal.
Lembro que política é aqui entendida não como espaço de apaziguamento de diferenças, mas justamente o contrário. Ou seja, como o espaço formado pelos atos, gestos, falas ou movimentos que abrem fissuras nas convenções e nos consensos que organizam a vida comum. Ou seja, como bem coloca o filósofo francês Jacques Rancière, política entendida como esfera do "desentendimento".
Essa é uma questão que, evidentemente, envolve uma série de dificuldades para que essa aproximação não se dê somente na superfície e, portanto, escamoteando as diferenças existentes, situação que não interessaria nem a nós nem aos pixadores. A nossa aposta é em descobrir formas novas de tratar do assunto com integridade de ambas as partes, sem que instituição e pixadores cedam completamente ao universo da outra.
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“Folha” – Como você avalia o episódio da invasão da 28ª Bienal por pichadores e a reação da instituição?
Dos Anjos - A invasão foi, sem dúvida, uma provocação e um protesto frente a uma situação de exclusão a que aqueles que a protagonizaram (os pixadores) são submetidos em seu dia-a-dia em várias instâncias da vida comum na cidade de São Paulo e, no caso particular, do meio institucional da arte. Não estou com isso dizendo que a endosso, mas que é assim que a entendo.
A resposta da instituição naquele momento foi, a meu ver, inadequada, pois reduziu o incidente, seja pelas ações que tomou seja pelas que deixou de tomar, a um caso policial. Se é verdade que houve infração de regras e de leis por parte dos pixadores, não existiu o esforço necessário, por parte de uma das maiores e mais importantes instituições culturais do país, de entender as razões do ocorrido. Acho que essa postura não faz jus ao importante protagonismo público que a Bienal pode exercer na cidade e no Brasil, gerando conhecimento novo sobre o assunto.
“Folha” - O convite/a participação do picho na Bienal é um atestado, portanto, de que a 28ª Bienal errou? Por quê?
Dos Anjos - Não é intenção da curadoria, em absoluto, incluir o pixo para "reparar" um suposto erro cometido pela Bienal no passado. Como também não é intenção da curadoria "cooptar" o pixo para evitar novos conflitos que poderiam eventualmente se repetir. Entendemos que a situação é outra, e nosso objetivo é atuar, nesse novo contexto, da forma que achamos mais coerente tanto com o projeto curatorial da mostra quanto com a visão que temos do lugar do pixo da teia cultural da cidade.
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“Folha” - Isso não é demagogia?
Dos Anjos - Seria demagogia se estivéssemos simplesmente convidando pixadores da mesma forma que tantos outros artistas estão sendo convidados. Mas nós sabemos que essa igualdade não existe, e eles evidentemente também sabem. O que nos interessa é justamente tentar entender essas diferenças, e os limites e as possibilidades dessa aproximação. E é isso que também acho que interessa aos pixadores. Ninguém está tentando escamotear nada. Tudo está sendo feito às claras. A aposta é na explicitação de questões, não no oferecimento de respostas fáceis. E como as questões precisam ser melhor formuladas tanto por nós, pertencentes ao chamado "campo da arte", quanto pelos pixadores, nosso empenho é demonstrar que a Bienal de São Paulo pode ser plataforma privilegiada para a formulação dessas questões. Se conseguirmos ao menos isso, acho que já teremos dado uma contribuição relevante para o início de um debate mais amplo e consequente sobre o assunto.
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“Folha” - Como se deu a aproximação entre pichadores e a atual curadoria?
Dos Anjos - Os eventos de 2008 tiveram o mérito de fazer com que muitas pessoas e instituições se empenhassem na tentativa de entender o que estava implicado no episódio. O Ministério da Cultura, por exemplo, buscou estabelecer um diálogo com o grupo de pixadores envolvidos, empenhando-se em tentar entender as complexas razões que levaram ao surgimento dessa gigantesca cena do pixo em São Paulo. Acho que esse movimento foi importante na preparação para uma conversa menos tolhida por preconceitos mútuos entre a Bienal e os pixadores.
O anúncio de que a 29ª Bienal teria como foco a questão da relação entre arte e política foi o outro elemento-chave que levou os pixadores a fazerem o primeiro contato buscando estabelecer uma conversa, posto que entenderam que haveria ali uma possibilidade de dar visibilidade a questões que foram (e ainda são) muito mal entendidas pela maioria da população. O papel da curadoria, nesse processo, é justamente propor estratégias de inserção do pixo na exposição que, contudo, não o "domestiquem", tornando-o algo passível de fácil inserção em um mercado sedento por novidades para serem vendidas.
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“Folha” - Como essa aproximação foi vista pela Fundação Bienal? Houve algum tipo de objeção inicial? Caso tenha havido, como foi contornada?
Dos Anjos - A direção da Fundação Bienal não interfere nas escolhas e nas estratégias da curadoria da mostra, agindo sempre de modo respeitoso e depositando confiança nos curadores convidados para a realização do evento. Nós curadores, por outro lado, temos a medida de nossa responsabilidade quando propomos questões passíveis de gerarem desconforto ou polêmica. Temos absoluta certeza, contudo, que é exatamente esse o papel de uma Bienal de arte: criar fissuras nos entendimentos estáveis do que é ou do que pode ser arte. Independentemente do foco temático da presente edição, creio que a Bienal de São Paulo tem a obrigação de, nesse sentido amplo, ser sempre política.
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“Folha” - De que maneira os pichadores se encaixam no projeto curatorial de arte e política?
Dos Anjos - O pixo é uma manifestação visual que traz, embutida nas práticas dos pixadores e nas imagens que eles criam sobre os muros e edifícios da cidade, uma visão de mundo que simplesmente não cabe nos acordos que regem e limitam a vida comum na cidade de São Paulo. E apesar disso o pixo está aí, cobrindo toda superfície de parede disponível, forçando sua passagem em um país cujas elites ainda preferem ignorar as graves fraturas sociais que existem. Dando visibilidade a algo que de outro modo não seria visto. E falando de algo que, não fosse justamente pela grafia aparentemente cifrada que os pixadores usam, dificilmente seria dito. Nesse sentido, pixo é política. E nesse sentido, é arte também.
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“Folha” - Picho, então, é arte?
Dos Anjos - Nesse sentido em que falei, sim. Na verdade, a questão a se fazer é outra, que poderia ser formulada nos seguintes termos: Se o pixo é exposto numa galeria ou numa Bienal, permanece sendo arte? É com essa aparente contradição que teremos que lidar na 29ª Bienal. Pois se o que faz o pixo ser arte é justamente o fato dele desconcertar nossos sentidos e nos fazer admitir, mesmo quando estamos no conforto de nossos carros ou da janela de um apartamento alto, que existem outros modos de entender e de inventar o mundo, o que acontece se o pixo é trazido para o ambiente controlado, conhecido e decodificado do chamado "campo" da arte? Ele mantém a sua potência ou se torna mera ilustração ou lembrança de si mesma? É esse desafio que curadores e pixadores tem que enfrentar juntos, de modo que ultrapassem duas situações simétricas e igualmente indesejadas: por um lado, a simples rejeição ao que causa desconforto; por outro, o desejo de cooptar o diferente para torná-lo igual a nós mesmos.
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“Folha” - Mas picho também não tem um aspecto de vandalismo?
Dos Anjos - De uma perspectiva meramente legalista, a resposta obviamente é sim. Porém, essa é uma maneira de ver a questão que mais esconde do que revela. Afinal, o grafite também ocupa espaços na cidade que não são propriedade dos grafiteiros, e nem por isso estes são criminalizados de modo tão inequívoco como os pixadores. Na verdade, como bem sabemos, muitos grafiteiros são hoje considerados artistas, tendo seus trabalhos expostos em museus e vendidos em galerias de arte. O que produz essa diferença de percepção? Arriscaria dizer que é a opacidade do pixo em relação à transparência do grafite. Ou seja, que é o incômodo causado por algo que não se deixa apreender por códigos conhecidos, quando comparado ao conforto sentido quando se depara com uma imagem reconhecível e produzida por uma prática autorizada, como é hoje a dos grafiteiros.
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“Folha” - A participação reforça a passagem, cada vez mais comum, da arte de rua para as galerias? Quais os prós e contras dessa passagem?
Dos Anjos - Se o resultado da participação do pixo na Bienal de São Paulo for reforçar essa passagem "da rua para as galerias", teremos fracassado inteiramente em nosso intento. Não é isso que queremos, ainda que fazer essa travessia possa melhorar materialmente a vida dos pixadores que a façam. Mas então o que se fará não será mais pixo, mas apenas uma representação gráfica do pixo. Aqui, como em tudo na vida, é preciso fazer escolhas. E escolhas têm consequências. Por isso que não queremos impor aos pixadores formas de participação do pixo na Bienal. Queremos construir juntos essas formas de participação. Mas de antemão já sabemos, curadores e pixadores, que trazer o pixo como mera expressão gráfica que se vale de um suporte bidimensional para dentro do prédio da Bienal não interessa, não resolve coisa alguma. Esse seria o caminho mais curto para destituir o pixo de sua força transgressora e de sua originalidade. Interessa-nos mais descobrir formas de compreender e de ativar, a partir da Bienal, os significados do pixo na cidade de São Paulo. Para tanto pretendemos fazer uso de estratégias diversas de documentação (fotografias, vídeos, coleções de tags) e de discussão. Estratégias que não se confundam com o pixo propriamente dito, já que esse só existe como tal nas ruas, mas que evoquem, desde o interior do mundo da arte, o fato de que nem tudo que é arte a Bienal é capaz de abrigar ou de entender plenamente.
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Fonte: “Folha de São Paulo”; 15/04/10.


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"Pixo" racha opiniões nas artes
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Ao aproximar a manifestação, Bienal adentra campo minado por ressentimento da invasão de 2008
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Opositores ao projeto criticam arte que "vandaliza" e "destrói"; artista diz que atitude "autêntica" foi ataque à 28ª edição do evento
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Horas depois de a “Folha de São Paulo” noticiar que os pichadores, algozes da 28ª Bienal de São Paulo, entrariam na edição de 2010 da mostra pela porta da frente, no Twitter já se debatia o tema.
A artista plástica e twitteira Pinky Wainer saiu na frente: "Como é que alguém pode aceitar um convite de quem lhe mandou prender?", questionou, referindo-se à prisão da pichadora Caroline Pivetta durante a invasão de 2008. "Como é que o conceito de arte muda a este ponto em dois anos?", disse.
Procurado pela reportagem, o curador da Bienal atacada pelo grupo, Ivo Mesquita, preferiu não se posicionar: "Não vi o projeto. Não tenho nada a dizer". Na ocasião do ataque, no entanto, Mesquita chamou a ação de "vandalismo agressivo e autoritário" e escreveu, em artigo para a “Folha”, que convidar os pichadores para debater ou pichar a Bienal seriam ações "populistas e instrumentalizadoras".
Baixo Ribeiro, da galeria Choque Cultural, atacada pelo grupo em 2008, diz "respeitar o trabalho dos curadores".
Procurado pela “Folha”, o Centro Universitário Belas Artes, alvo da primeira invasão do grupo em junho de 2008, não se manifestou.
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Campo minado
O curador-geral da 29ª edição da mostra sabe que a participação do "pixo" coloca o evento num território minado, que ao mesmo tempo reforça a temática de relacionar arte e política, pretendida como esfera do "desentendimento".
"A nossa aposta é em descobrir formas de tratar do assunto com integridade de ambas as partes, sem que instituição e pixadores cedam completamente ao universo da outra", escreveu.
Para ele, a invasão foi um protesto frente a uma situação de exclusão. "Se é verdade que houve infração de leis pelos pixadores, não existiu o esforço para entender o ocorrido."
Djan Ivson, 25, pichador que participou das ações e que já participou de exposição na Fundação Cartier, em Paris (França), defende a proposta: "A pichação tem todo direito de ser reconhecida pelo circuito artístico. Apesar de ser feita de forma ilegal, ela exige técnica e talento. Os pichadores nunca tiveram instrução para pintar e desenvolveram uma forma selvagem de expressão".
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Agressão
No meio das artes, o anúncio dividiu opiniões. "Com tantos artistas precisando de espaço, acho ruim eles optarem por uma plataforma perversa, que agride", avalia Alessandra D"Aloia, presidente da Associação Brasileira de Arte Contemporânea. "Trata-se de uma agressão. Portanto, sou contra. É por isso que o mundo está assim."
No mesmo tom, Márcia Fortes, da galeria Fortes Vilaça, se declara "radicalmente contra toda arte que vandaliza". Para ela, se o trabalho dos pichadores "continuar a ser a destruição do trabalho dos outros, ele não merece atenção".
Já Nelson Aguilar, curador de duas edições da Bienal (22ª, em 1994, e 23ª, em 1996), acha a proposta interessante. "A última Bienal foi uma espécie de necrotério. Esta aponta para uma ressurreição."
Alexandre Orion, artista que cria intervenções urbanas em São Paulo, diz que "a coisa mais legítima que a pichação poderia fazer já foi feita durante a invasão. Qualquer tentativa da Bienal de absorver isso vai ser frustrada", calcula.
Para Marcelo Cidade, artista que se diz decepcionado com "uma geração de grafiteiros que hoje decoram a casa de madames", a pichação pode estar na trilha da domesticação.
Já o artista plástico Nuno Ramos considera a inclusão institucional como algo inevitável. E lembra: "O único parâmetro que a Bienal tem de respeitar é de que seja arte boa. Tomara que eles sejam bons."
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Fonte: “Folha de São Paulo”; 15/04/10; texto de Fernanda Mena.

Bienal divulga lista de curadores da edição 2010

Moacir dos Anjos é o curador-chefe, em parceria com Agnaldo Farias. A venezuelana Rina Carvajal (curadora adjunta de Miami Art Museum e da Bienal de São Paulo em 1998) e o sul-africano Sarat Maharaj (co-curador da Documenta de Kassel em 2002) são os curadores convidados. O angolano Fernando Alvim (vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo), a japonesa Yuko Hasegawa (curadora chefe do Museu of Contemporary Art em Tóquio) e a espanhola Chus Martinez (curadora do Museu d’Art Contemporaneo de Barcelona). +

A Fundação Bienal realizou na tarde de segunda-feira, dia 16 de novembro, entrevista coletiva em que divulgou a lista de curadores, curadores convidados e correspondentes que formarão o time de comando da Bienal Internacional de São Paulo, que acontece entre 21 de setembro e 12 de dezembro de 2010. Moacir dos Anjos é o curador-chefe, em parceria com Agnaldo Farias. A venezuelana Rina Carvajal (curadora adjunta de Miami Art Museum e da Bienal de São Paulo em 1998) e o sul-africano Sarat Maharaj (co-curador da Documenta de Kassel em 2002) são os curadores convidados. O angolano Fernando Alvim (vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo), a japonesa Yuko Hasegawa (curadora chefe do Museu of Contemporary Art em Tóquio) e a espanhola Chus Martinez (curadora do Museu d’Art Contemporaneo de Barcelona) são curadores correspondentes. A mesa foi composta pelo curador-chefe Moacir dos Anjos, pelo presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins, e por Stella Barbieri, responsável pelo departamento de arte-educação. Pelo Skype, falou Rina Carvajal. Na linha de frente da platéia se posicionaram os diretores Miguel Chaia, Justo Werlang e Laymert Garcia dos Santos. A divulgação dos nomes surpreendeu pela ausência de novidades. À exceção de Sarat Maharaj e Chus Martinez, os demais convidados freqüentam o Brasil há várias Bienais, no papel de artistas (como Fernando Alvim) e curadores em instituições como a Bienal e o MAM-SP. A opção pela segmentação da curadoria com fins geopolíticos também não é novidade e foi implementada no segmento “Universalis” da 23ª Bienal, em 1996, curada por Nelson Aguilar, a famosa Bienal da Desmaterialização da Arte (que mereceu até uma bem-humorada canção de Zeca Baleiro). As novidades ficaram por conta da informação de que 26 artistas já estão confirmados, entre eles Cildo Meirelles e Artur Barrio, e do orçamento de R$ 30 milhões já aprovado na Lei Rouanet, dos quais mais de R$ 12 milhões já estariam garantidos. Questionado sobre os rumores do circuito de arte de que a próxima Bienal já nasce com uma “cara envelhecida”, o curador Moacir dos Anjos respondeu: “A relação arte e política é uma questão contemporânea. Teremos sim jovens artistas, mas sem angústia ou obsessão, pois a questão cronológica não é sinal do novo. O fato de curadores já terem trabalhado na Bienal e em outras instituições só vai enriquecer o projeto. Nosso mérito será mostrar que a arte ainda pode ser jovem”. E foi complementado por Rina Carvajal: “A Bienal vai dar uma leitura contundente do momento em que vivemos. A proposta da Bienal será dar uma visão contundente, sólida e comovente da relação entre arte e política nos dias de hoje”, disse.

Artista Ivald Granato encabeça manifesto contra a Bienal de São Paulo

O blog Mitos Vadios 2, do artista Ivald Granato, convoca artistas a se manifestar em frente à Bienal de São Paulo. +

O blog Mitos Vadios 2 (http://mitosvadios2.blogspot.com), do artista Ivald Granato, convoca artistas a se manifestar em frente à Bienal de São Paulo, em 21/09/10, às 17h. Leia a íntegra do manifesto:
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CARTA MANIFESTO - MITOS VADIOS 2
Para todos os artistas de todos os estilos e tendências das artes visuais
Está aberta a convocação!
Todos os artistas estão convocados para se manifestar em frente à Bienal de 2010, que acontecerá em São Paulo, em 21 de setembro, às 17h.
Será a BIENAL ALTERNATIVA 2010.

Depois da última Bienal, em 2008, pedimos uma real e profunda reflexão, pois nela não vimos Arte em suas várias representações.
Para este ano de 2010, já se desenha uma Bienal confusa, com declarações sem conceito definido: arte política, terreiro, posições desencontradas, explicações que mudam a cada dia, parecendo visar apenas agradar à mídia, sem uma verdadeira preocupação com a Arte, sem pesquisa sólida ou escolha fundamentada.
Já se faz notar que a Bienal maquiará uma feira, alternando interesses de mercado e grupos de amigos, em acordos previamente acertados, sem nenhuma lógica ou justificativa.
Nenhuma pesquisa – ou conselho – para a formação do grupo curatorial, exemplo da Bienal de Walter Zanini, Sheila Leiner (a grande parede) ou ainda Roberto Muylaert (que gerou tradição e Ruptura).
A chamada de ordem do poder grita mais alto e não é, necessariamente, a real expressão da arte.
Arte política se faz por simbolismos, denunciando poderes autoritários ou regimes de repressão.
Daí a ideia de fazer política democrática organizando uma manifestação para que todos os artistas possam levar sua mensagem através de uma obra, de qualquer estilo ou forma, para fazermos um grande cordão em volta do prédio da Bienal, fazendo mostrar que não se conhecem a produção real da arte.
Depois da crise, o mercado tenta novamente estender seu domínio, mas devemos ter uma posição firme, clara, para um melhor e mais promissor mundo da arte, promovendo uma ação e reflexão, para alimentar com consistência a nossa cultura.
Será esta a possibilidade de mostrarmos o que verdadeiramente se produz atualmente.

Saiba quem é quem na Fundação Bienal

Ministério da Cultura indica seu representante para diretoria executiva: o professor universitário Laymert Garcia dos Santos. Equipe cresce com oito novos membros não vitalícios em seu Conselho: Alfredo Egydio Setubal, Cacilda Teixeira da Costa, Carlos Jereissati, Eleonora Rosset, José Olympio da Veiga Pereira, Paulo Sérgio Coutinho Galvão, Susana Steinbruch e Tito Enrique da Silva Neto. +

Agora que a Fundação Bienal aparentemente voltou aos eixos, com a eleição e posse do novo presidente de sua diretoria executiva, o empresário Heitor Martins, seus quadros executivos estão com nova configuração.
O presidente do Conselho de Administração é Elizabeth Machado, ex-vice-presidente que assumiu o cargo antes ocupado pelo conselheiro Miguel Alves Pereira, que se demitiu depois de divergências com o Ministério Público Estadual e retornou ao quadro de membros não vitalícios do Conselho.
Os membros vitalícios do Conselho agora são: Alex Periscinoto, Áureo Bonilha, Benedito José Soares de Mello Pati, Ernst Guenther Lipkau, Giannandrea Matarazzo, Gilberto Chateaubriand, Hélène Matarazzo, João de Scantimburgo, Jorge Wilheim, Manoel Ferraz Whitaker Salles, Pedro Franco Piva, Roberto Duailibi, Roberto Pinto de Souza, Rubens José Mattos Cunha Lima e Thomaz Farkas.
Para o elenco de membros não vitalícios do Conselho entraram Alfredo Egydio Setubal, Cacilda Teixeira da Costa, Carlos Jereissati, Eleonora Rosset, José Olympio da Veiga Pereira, Paulo Sérgio Coutinho Galvão, Susana Steinbruch e Tito Enrique da Silva Neto.
Neste Conselho figuram ainda Adolpho Leirner, Alberto Emmanuel Whitaker, Aluízio Rebello de Araujo, Álvaro Augusto Vidigal, Angelo Andrea Matarazzo, Antonio Bias Bueno Guillon, Antonio Henrique Cunha Bueno, Arnoldo Wald Filho, Beatriz Pimenta Camargo, Beno Sucholdoski, Carlos Alberto Frederico, Carlos Bratke, Carlos Francisco Bandeira Lins, Cesar Giobbi, David Feffer, Decio Tozzi, Emanoel Alves de Araujo, Evelyn Ioschpe, Fábio Magalhães, Fernando Greiber, Gian Carlo Gasperini, Gustavo Halbreich, Jens Olesen, Julio Landmann, Manoel Francisco Pires da Costa, Marcos Arbaitman, Maria Ignez Corrêa da Costa Barbosa, Miguel Alves Pereira, Pedro Aranha Corrêa do Lago, Pedro Cury, Pedro Paulo de Sena Madureira, René Parrini, Roberto Muylaert, Rubens Murillo Marques, Rubens Ricupero e Wolfgang Sauer
A diretoria executiva para o período de 2009/2011 é formada agora por Heitor Martins (Presidente), Eduardo Vassimon (1º. Vice-Presidente), Justo Werlang (2º. Vice-Presidente), pelos diretores Luis Terepins e Pedro Barbosa, e pelos diretores-adjuntos Jorge Fergie, Lucas Melo, Miguel Chaia e Salo Kibrit.
A diretoria executiva conta ainda com quatro diretores representantes indicados pelo Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Cultura, Secretaria de Estado da Cultura e Secretaria Municipal da Cultura. Das quatro instituições, a única que indicou diretor representante foi o MinC: Laymert Garcia dos Santos. Na ausência de indicações, os três cargos remanescentes são ocupados por seus respectivos mandatários: embaixador Celso Amorim (Ministro das Relações Exteriores), João Sayad (Secretário de Estado da Cultura) e Carlos Augusto Calil (Secretário Municipal de Cultura).
A equipe da Fundação Bienal é formada ainda pelos curadores da 29ª Bienal Internacional de São Paulo: o curador Moacir dos Anjos e o co-curador Agnaldo Farias.
Também fazem parte da equipe da Fundação Bienal: Adriana Villela (Supervisora do Arquivo Histórico Wanda Svevo), Alessandra Effori (Coordenadora de Eventos Especiais), Aninha Carvalho (Coordenadora Editorial), Bruna Azevedo (Assessoria de Imprensa), Diana Dobranszky (Coordenadora Editorial), Flávio Camargo Bartalotti (Diretor Administrativo Financeiro), Kátia Marli Silveira Marante (Gerente Financeira), Maria Rita Marinho (Gerente Geral), Mário Rodrigues (Gerente de Recursos Humanos e Manutenção), Marta Delpoio (Marketing e Produtos), Marta Magnus (Coordenadora de Marketing e Produtos), Mauricio Marques Netto (Gerente Contábil) e Vânia Mamede (Coordenadora de Exposições).

A pouca realidade

"A arte existe porque a realidade não nos basta; copiar a realidade é chover no molhado". Leia texto de Ferreira Gullar sobre a Bienal de São Paulo. +

Leio que a próxima Bienal de São Paulo será tomada por filmes, fotografias e videoinstalações. E não serão filmes de ficção, mas filmes que tratam da realidade política, econômica e social. Essa notícia veio ajustar-se a uma leitura que tenho feito do rumo tomado pelas artes plásticas, segundo a qual tudo o que nelas era fantasia foi substituído pela realidade. O realismo do passado representava a realidade; o de agora mostra-a.
A grande arte inventa o real, subverte-o, enriquece-o mesmo quando se trata de realistas como Corot ou Courbet. Digo que a arte existe porque a realidade é pouca, não nos basta. Copiar a realidade é chover no molhado.
Após o realismo do século 19, veio o impressionismo, de Monet e Renoir, em que a realidade do mundo dissolvia-se em luz e cores vibrantes, que mudavam com o passar dos minutos. Cézanne queria uma pintura menos fluida, mais sólida, mais próxima do real, porém, grande artista que era, terminou por desintegrar as formas reais em manchas, abrindo caminho para o cubismo. Ele dizia que, sem a natureza, não havia pintura, mas, em vez de copiá-la, tratou de mudá-la em sua pintura: a substância das maçãs que pintou é pictórica, não é a mesma da maçã real.
Pois bem, os cubistas inverteram a questão; em vez de partirem da natureza, partiram da tela, dos elementos gráficos e cromáticos para reinventar o real: o cachimbo, que se vê numa natureza-morta de Braque, não existe; ele o inventou. Foi o começo de uma revolução que a tudo subverteu e, o quadro, agora, tanto podia ser pintado como feito de recortes de jornal, fios de arame, barbante, areia, pano colado na tela. Expulso da pintura o objeto natural, tornou-se o quadro o objeto da pintura e, assim, qualquer coisa que se pusesse ali viraria arte. E nasceram a arte Merz (quadros-colagens), de Schwitters; o dadaísmo, de Arp e Duchamp; o suprematismo, de Malevitch; sem falar no neoplasticismo, de Mondrian. Implodida a linguagem pictórica, todos os caminhos se tornaram possíveis, menos a volta à imitação da natureza.
A tendência realista foi consequência da substituição da visão religiosa pela concepção científica e do desenvolvimento industrial. A linguagem abstrato-geométrica da arte levou Malevitch ao impasse da tela em branco, que o fez trocar o quadro pela construção no espaço real. Por sua vez, Schwitters passou a construir o Merzbau, uma assemblage tridimensional, que crescia todos os dias, a cada novo elemento que ele trazia da rua. Lygia Clark, décadas depois, no Brasil, diante do mesmo impasse, também abandonava a tela pela construção no espaço real, inventando os bichos e objetos relacionais, que, na verdade, eram pura sensorialidade, ou seja, a expressão reduzida à sua realidade material.
Com a eliminação da referência à natureza e o fim da linguagem pictórica, o quadro, como espaço imaginário, morrera e a matéria da arte passou a ser a realidade tout court. A rejeição da arte, como expressão estética, tornou-se a tendência preponderante. Se um artista amarra um cão numa galeria de arte, para fazê-lo morrer de fome e sede, e outro convida pessoas para verem larvas de moscas através de um microscópio, deixam evidente que o que lhes resta é mostrar a realidade, já que, sem a linguagem da pintura, não podem reinventá-la, como a arte sempre fez. E assim são levados a crer que o que vale é o real; arte é mentira. Sim, a mentira mais verdadeira que a verdade, como o sabia Pablo Picasso.
Os estetas e teóricos da arte, como os artistas, sempre entenderam que arte e realidade são coisas distintas, pelo fato mesmo de que a arte-pintura, sendo um modo de expressão, não tem a materialidade das coisas reais. Ao substituir as significações simbólicas pela exposição pura e simples dos fenômenos reais, abre-se mão da capacidade humana de criar um universo imaginário que, durante milênios, contribuiu para fazer de nós seres culturais, distintos dos demais seres vivos que, estes, sim, limitam-se à experiência do mundo material.
Neste contexto, a próxima Bienal de São Paulo muda-se em festival de cinema, fotos e vídeos para nos mostrar a realidade que já conhecemos: a guerra, as penitenciárias, os prostíbulos, os drogados, enfim, o pesadelo redundante, que nos chega diariamente pela televisão e pelos jornais. Ao contrário disso, uma obra de arte como Noite Estrelada, de Van Gogh, por exemplo, não é nunca redundante; é sempre atual, é um deslumbramento a mais no mundo. A arte existe porque a realidade não nos basta, sabiam?
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Fonte: Folha de S. Paulo; 07/03/10; texto de Ferreira Gullar.

Fundação Bienal se explica a promotores

Se Ministério Público não aprovar atas, posse de nova diretoria está ameaçada. "O MP está querendo procurar pelo em casca de ovo", diz o conselheiro Jorge Wilheim, que lançou candidatura de Heitor Martins à presidência. +

A seis dias da tomada de posse da nova diretoria, presidida por Heitor Martins, a Fundação Bienal de São Paulo está às voltas com pedidos de explicação do Ministério Público.
Em ofício enviado à Bienal em 17/07/09, o MP questiona o contrato da mulher de Martins com a fundação, o aumento no número de conselheiros, sua isenção em relação à diretoria e o número de diretores estatutários.
A mulher de Martins, Fernanda Feitosa, aluga o pavilhão para realizar a feira SP Arte. Pelo estatuto recém-aprovado pela Fundação Bienal, deveria cair o número de conselheiros de 50 para 40. Martins, no entanto, indicou seis novos nomes para integrar o grupo.
Após receber as respostas da Bienal, o MP decidirá se aprova ou rejeita as atas da reunião que elegeu a nova diretoria em 28/05/09. Se rejeitadas, a posse, prevista para 27/07/09, seria suspensa. "A data de posse está mantida. Só por ordem do MP haveria um adiamento", diz Miguel Pereira, presidente do conselho.
Ele enviou em 21/07/09 ao MP uma carta de sete páginas em que procura responder às perguntas da promotora Ana Maria de Castro Garms e traça um histórico da Bienal, enredada em problemas administrativos e denúncias de irregularidades.
"O contrato (de Fernanda Feitosa) foi renovado ainda na gestão comandada pelo Manoel Francisco Pires da Costa e se estende até o ano de 2015", afirma Pereira. "Nenhuma ingerência teve Heitor Martins na discussão das cláusulas."
Ao citar Martins, o presidente do conselho diz que o empresário foi o único a aceitar o posto, lembrando que, antes dele, todos os postulantes "acabavam por desistir". A única exigência de Martins foi autonomia para "formar uma sólida corrente de apoio". "Tal equipe não se cingia a quatro ou cinco pessoas, mas abrangia um número maior", afirma Pereira.
Outros conselheiros e pessoas ligadas à Fundação Bienal dizem que houve, no entanto, um atraso no registro do novo estatuto e os conselheiros indicados por Martins puderam entrar para o grupo ainda sob o estatuto antigo, que previa sete lugares vagos.
"O conselho não foi incongruente quando antes tinha dito que não iria preencher as vagas e depois resolveu preenchê-las", diz um conselheiro ouvido pela Folha de S. Paulo.
"Nos dois momentos, ele agiu pensando no bem da fundação, na necessidade de aportes financeiros." Um dos conselheiros indicados por Martins, Tito Enrique da Silva Neto, do banco ABC Brasil, já doou, via Lei Rouanet, R$ 300 mil para ajudar a sanar as dívidas da Bienal.
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Pelo em ovo
Segundo apurou a Folha, alguns conselheiros veem no questionamento do MP uma manobra da atual gestão para adiar a posse de Martins. "Alguém está interessado em dificultar as coisas para a diretoria", diz um conselheiro que não quis ser identificado.
Em resposta, o atual presidente Manoel Francisco Pires da Costa afirma que está "trabalhando sem parar desde quando essa diretoria foi eleita". "Eu fiz tudo para que realmente acontecesse uma transferência de cargo", afirma.
Para o conselheiro Jorge Wilheim, que lançou a candidatura de Martins à presidência, o MP está "querendo procurar pelo em casca de ovo". "As perguntas feitas têm resposta; é uma coisa corriqueira", afirma. "Não estou vendo como fazer grande drama em torno disso."
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Fonte: Folha de S. Paulo, 22/07/09. Texto de Ana Paula Sousa e Silas Martí.

Ministério Público investiga denúncia contra Raquel Arnaud

Ministério Público investiga denúncia, feita há oito meses pelo Sindicato Nacional dos Artistas Plásticos (Sinap), contra a galerista Raquel Arnaud. +

Residente do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), que funciona em um prédio de propriedade da Universidade de São Paulo, a galerista Raquel Arnaud está sendo investigada pelo Ministério Público Federal. A instauração de uma ação civil pública se deu após denúncia feita há oito meses pelo Sindicato Nacional dos Artistas Plásticos (Sinap), que acredita haver interesse privado na gestão de uma entidade pública.
Segundo o sindicato, a marchande seleciona diversas obras de sua galeria, chamada de Gabinete Raquel Arnaud, para compor as mostras montadas no Centro Universitário Maria Antônia, na Vila Buarque. As exposições são financiadas via Lei Rouanet.
“Ela usa dinheiro de renúncia fiscal em benefício próprio”, diz Antonietta Tordino, presidente do Sinap. “Valoriza os trabalhos por meio da realização de mostras e catálogos, para depois vendê-los com lucro maior.”
Criações de artistas como Willys de Castro, Amilcar de Castro e Mira Schendel, que têm peças vendidas na galeria de Raquel, já estiveram em exposições no IAC, o que pode ser uma coincidência. Entre os documentos apresentados ao MP pelo advogado do sindicato, Fernando Bertolotti Brito da Cunha, constam catálogos de exposições antigas. A mostra ‘Campo Ampliado’, de 2006, contava com obras de Arthur Luiz Piza, cujos trabalhos são comercializados exclusivamente pela galerista.
Em outra possível coincidência, havia também uma tela de Piza e uma escultura em mármore de Carrara, assinada por Sergio Camargo, de propriedade do cineasta Hector Babenco — ex-marido de Raquel. E mais uma: a partir deste sábado (14/08/10), entra em cartaz no IAC a exposição 'Claro Enigma' com trinta obras de Camargo. O artista, morto há vinte anos, tem seu espólio representado pela galerista.
De acordo com o advogado da entidade, Luiz Cintra, as denúncias são infundadas. “O instituto apresenta artistas com trabalhos consagrados”, afirma ele. “Além disso, há um grupo encarregado de votar quem deve ou não ganhar exposições individuais ou coletivas.” Segundo ele, para conceber uma mostra é necessária a aprovação do conselho curatorial.
Neste mês, o IAC deve escolher seu novo presidente. Pela primeira vez na história do instituto, fundado em 1997, Raquel não sairá como candidata. Cintra informa, no entanto, que ela continuará no conselho curatorial. “Nossa intenção é afastá-la totalmente das decisões do instituto”, diz Antonietta. “Mantê-la ali seria um desperdício de dinheiro público.”
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Fonte: Veja São Paulo; 18/08/10

Imagens sacras de São Luiz do Paraitinga (SP) passam por restauração

Oito meses depois do dilúvio que arrasou São Luiz do Paraitinga, derrubando a igreja de São Luiz de Tolosa e a capela das Mercês, marcos da cidade histórica em São Paulo, restauradores tentam reconstruir o quebra-cabeça de suas imagens sacras. +

Nossa Senhora das Dores perdeu o rosto e alguns dedos. Santo Antônio tem remendos na orelha e na sobrancelha. Falta metade do nariz de são Brás e seu olho de vidro descolou. Da Nossa Senhora das Mercês, santa de barro, sobrou só o rosto, intacto, e parte do manto.
"Tinha pedaços que a gente estava procurando como se fossem ouro, um dedo, uma orelha de santo, tudo foi garimpado", lembra o restaurador Wagner Matias. "Isso tudo virou lama, entulho."
Oito meses depois do dilúvio que arrasou São Luiz do Paraitinga (a 182 km da capital de São Paulo), derrubando a igreja de São Luiz de Tolosa e a capela das Mercês, marcos da cidade histórica em São Paulo, restauradores tentam reconstruir o quebra-cabeça de suas imagens sacras.
Numa casinha perto do maior foco da destruição, uma equipe montou uma espécie de hospital dos santos.
Nas macas espalhadas por três salas, estão as sete imagens de madeira que estavam na igreja matriz, entre elas um Cristo morto e outro crucificado, além da recém-chegada santa de barro.
Desde que tudo veio abaixo, a imagem mais emblemática da destruição ficou guardada numa caixa de papelão na casa de um dentista na cidade. Só há duas semanas é que o rosto de Nossa Senhora das Mercês e seu tronco desmembrado tiveram a primeira sessão de tratamento.
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Fonte: Folha de S. Paulo; 16/08/10; texto de Silas Martí.

Ministério Público Federal investiga IAC e Raquel Arnaud

O Ministério Público Federal está investigando o Instituto de Arte Contemporânea (IAC) e a galerista Raquel Arnaud por um suposto desvio de finalidade no uso de dinheiro público. A instituição passa por mudanças e deve se tornar um laboratório para exame e perícia de obras de arte em parceria com o Museu Van Gogh. +

O Ministério Público Federal está investigando o Instituto de Arte Contemporânea (IAC) e a galerista Raquel Arnaud, que até 12'10/10 presidia o instituto, por um suposto desvio de finalidade no uso de dinheiro público.
O inquérito civil partiu de uma representação do Sindicado Nacional dos Artistas Plásticos (Sinap), que acusa Arnaud de se beneficiar da valorização de obras de sua coleção pessoal ou de sua galeria expostas no IAC.
Segundo a denúncia, as obras expostas sofrem "grande valorização no mercado de arte". O texto cita como exemplo a exposição "Campo Ampliado", que captou R$ 780 mil de renúncia fiscal.
Das 67 obras expostas da mostra, 14 eram da coleção pessoal de Arnaud e nove pertenciam ao Gabinete de Arte Raquel Arnaud, galeria onde estariam à venda.
Desde 2007, quando abriu sua sede na rua Maria Antonia, em prédio cedido pela USP, o IAC captou R$ 2,738 milhões pela Lei Rouanet (de incentivo à cultura por meio de renúncia fiscal).
Procurada pelo Jornal Folha de São Paulo, Arnaud disse que o inquérito é uma "maledicência que não tem fundamento nem provas" e afirmou que não vendeu nenhuma obra de sua coleção pessoal ou de sua galeria que foi exposta no IAC. "O curador escolheu obras que, por acaso, eram minhas", justificou Arnaud.

Criado há 13 anos, o IAC tinha como objetivo difundir o legado de Sérgio Camargo, Willys de Castro, Amilcar de Castro e Mira Schendel.
Arnaud representa o espólio de Camargo (tema de mostra que será aberta hoje no IAC) e tem obras dos demais no acervo de sua galeria.

Amílcar de Castro e Mira Schendel são representados pelo galerista André Millan, que chegou a integrar a direção do IAC. "Resolvi me desligar do cargo, porque trabalho com mercado", disse ele.
A abertura do inquérito coincide com mudança de paradigma na instituição. Pedro Mastrobuono, empossado ontem como presidente, disse que foi convidado para mudar o perfil do IAC, que deve se tornar um laboratório para exame e perícia de obras de arte em parceria com o Museu Van Gogh.
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Fonte: Folha de São Paulo; 14/08/10.

Obra moderna em prédio histórico abre polêmica e vai parar na Justiça em SP

O prédio histórico da Casa das Retortas está no centro da discussão se construir prédios de arquitetura contemporânea no complexo histórico pode descaracterizar o patrimônio. +

A Casa das Retortas, prédio histórico no Centro de São Paulo (SP), está no centro da discussão se construir prédios de arquitetura contemporânea no complexo histórico pode descaracterizar o patrimônio. O Ministério Público e entidades como o movimento Defenda São Paulo acham que pode haver descaracterização do prédio. Eles movem uma ação contra o governo para impedir a reforma da Casa das Retortas, que abrigará o Museu da História de São Paulo.
O projeto, do arquiteto Pedro Mendes da Rocha, prevê três novas construções dentro do complexo: uma marquise ao lado do galpão principal para recepção do público, um prédio administrativo de cinco andares e uma passarela ligando o prédio principal à nova construção.
Para o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, o contraste entre moderno e antigo valoriza o patrimônio. "Os novos prédios têm estilo contemporâneo e arrojado para se diferenciar e valorizar o patrimônio", diz.
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Fonte: “Folha de S. Paulo”; 11/08/10.