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Prêmio Thomas Skidmore seleciona livro sobre questão racial no Brasil

O prêmio consiste na seleção e publicação, nos EUA de um livro autoral publicado no Brasil entre 2013 e 2017 sobre a temática da questão racial no país. +

O Arquivo Nacional e a Brazilian Studies Association (BRASA) promovem mais uma edição do Prêmio Thomas Skidmore, que homenageia o importante brasilianista norte-americano e professor emérito da Brown University. O prêmio consiste na seleção e publicação, nos EUA de um livro autoral publicado no Brasil entre 2013 e 2017 sobre a temática da questão racial no país. O financiamento no valor de U$ 5.000 (cinco mil dólares) é custeado pela BRASA.
O Prêmio Thomas Skidmore contou com duas edições anteriores, realizadas nos anos de 2010 e 2013. A primeira edição teve como tema o período de 1930 a 1964, que correspondia ao primeiro livro de Thomas E. Skidmore denominado “De Getúlo a Castelo Branco”, publicado nos EUA sob o título “Politics in Brazil, 1930-1964: An Experiment in Democracy”. O livro de Paulo Fontes, intitulado “Um Nordeste em São Paulo: Trabalhadores Migrantes em São Miguel Paulista: 1945-66” foi o vencedor da edição de 2010 e foi publicado pela Duke University Press.
Na edição de 2013, Maud Chirio ganhou o prêmio com o livro denominado “A Política nos Quartéis: Revoltas e Protestos de Oficiais na Ditadura Militar Brasileira”, que correspondia à temática da obra de Thomas Skidmore “Politics of Military Brazil”. O livro foi publicado pelo University of Pittsburgh Press.
A edição 2018 tem como tema a questão racial no Brasil e corresponde a outra obra clássica de Thomas E. Skidmore, cujo título é “Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro (1870-1930)”. O livro a ser premiado deverá ser autoral e possuir conteúdo de interesse internacional para que possa ser publicado em inglês.
As inscrições ficarão abertas até 30 de setembro de 2018 e a Comissão Julgadora se reunirá no Rio de Janeiro, no Arquivo Nacional, entre 19 a 23/11, para escolher o melhor livro a ser premiado. O edital está disponível no site www.arquivonacinal.gov.br. Mais informações pelo e-mail premioskidmore@an.gov.br.

A morte do pintor que uniu figura e abstração

O artista paraibano Antonio Dias, um dos principais nomes da pintura brasileira, em atividade desde os anos 1960, morreu ontem (dia 1º.), aos 74 anos, de câncer, na Clínica São Vicente do Rio de Janeiro. Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de S. Paulo" editado em 02/08/2018. +

O artista paraibano Antonio Dias, um dos principais nomes da pintura brasileira, em atividade desde os anos 1960, morreu ontem (dia 1º.), aos 74 anos, de câncer, na Clínica São Vicente do Rio de Janeiro, segundo anúncio feito por sua marchande Nara Roesler, que trabalhava com o pintor desde 2009. O velório foi realizado na capela 7 do Memorial do Carmo, no Cemitério do Caju. Antonio Dias tinha um tumor no cérebro e chegou a ser operado no ano passado, na Itália, mas não resistiu aos efeitos da metástase (o câncer se espalhou e atingiu os pulmões).
Antonio Dias começou sua carreira nos anos 1960, tendo estudado com o gravador Osvaldo Goeldi no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes, em 1959, no Rio de Janeiro. Esse aprendizado foi fundamental para a formação do pintor, que participou ativamente da resistência à ditadura militar instaurada no Brasil em 1964, produzindo uma obra de caráter político que denunciou as arbitrariedades do regime. Convivendo com os artistas do Grupo Frente, sua arte mudaria de rumo nos anos seguintes, incorporando a abstração.
Após participar da histórica mostra Opinião 65, foi descoberto pelo crítico francês Pierre Restany, que o convidou a participar da 4a. Bienal de Paris com uma exposição individual. Era o começo de uma carreira internacional de sucesso (ele é um dos poucos artistas brasileiros a ter cotação internacional). Em 1971 recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim e deu início a uma série hoje canônica, The Illustration of Art (19711974), uma das primeiras manifestações multimídia, unindo poesia e cinema. Fragmentos dela serão exibidos na exposição individual do artista que a galeria Nara Roesler abre no dia 25 com curadoria do crítico Paulo Sérgio Duarte. A mostra traz ainda uma obra inédita de Dias, um trabalho político dos anos 1970 que se encontrava em seu ateliê italiano.
Também dessa época, mais precisamente de 1977 é o seu álbum Trama com 11 xilogravuras impressa em papel nepalês, com certeza um dos mais sofisticados do pintor, que apresenta ao espectador um retângulo incompleto como se fosse uma bandeira, lacuna física que Antonio Dias exploraria em outras obras, inclusive na pintura.
Nos anos 1980, já morando na Itália, Antonio Dias passou a frequentar ateliês de artistas ligados à transvanguarda italiana, mas o pintor não se identificava propriamente com os procedimentos expressionistas da escola. Por outro lado, tinha interesse na arte povera, que descobriu em Milão, em 1968, ano de manifestações incendiárias em todo o mundo. É a época em que Dias recorre com frequência à linguagem dos quadrinhos para tratar de assuntos políticos relevantes, retratando a violência do regime contra seus opositores.
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Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de S. Paulo" editado em 02/08/2018.



Sem verba de produção, edital da Funarte gera críticas

O edital Paralelos Artes Visuais abriu uma seleção para mostras em galerias e espaços da Funarte em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, sem prêmio em dinheiro ou outro investimento financeiro do órgão — os artistas terão que arcar com todos os custos, tirando os de infraestrutura. Artigo de Alessandro Giannini e Jan Niklas publicado no jornal “O Globo” em 18/07/2018. +

Um projeto de ocupação artística lançado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) causou críticas no meio cultural. O edital Paralelos Artes Visuais abriu uma seleção para mostras em galerias e espaços da Funarte em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, sem prêmio em dinheiro ou outro investimento financeiro do órgão — os artistas terão que arcar com todos os custos, tirando os de infraestrutura.
Publicado no Diário Oficial da União no dia 3 de julho, o processo seletivo visa convocar artistas para exporem em alguns espaços da Funarte nas três cidades. Diversos produtores culturais se manifestaram por meio das redes sociais. Para o artista Marcelo Moscheta, que já foi premiado pelo órgão, isso vai contra o histórico da instituição tida como referência em estímulo ao setor.
— É uma afronta ao que representa a própria Funarte, que sempre teve um papel de formação de realizadores e tinha os mais requisitados editais. O que vamos ver nesse edital é que quem tem dinheiro, patrocinador e condições de se bancar sozinho vai ganhar.
Para o professor da Escola de Belas Artes da UFRJ Felipe Scovino, que classificou o projeto como um “descalabro”, o edital representa o atual momento de falência das políticas públicas para cultura no Brasil.
— Não é um problema especificamente da Funarte, mas de uma negligência maior, que parte do governo federal. Os encargos e as responsabilidades ficam todas nas costas dos artistas, que no momento não têm a menor capacidade de arcar com esses custos.

MODELO SIMILAR NO TEATRO

Representante da regional Sudeste da Funarte, em São Paulo, Ester Moreira coordena as atividades da sede paulistana da fundação desde fevereiro de 2017. Ela pondera que o edital Paralelos Artes Visuais tem como principal objetivo a ocupação dos equipamentos.
— Temos galerias e outros espaços para exposições de artes visuais. E nós os cedemos aos selecionados dando toda a infraestrutura — diz ela. — Como são espaços abertos, não tem como cobrar ingresso.
De acordo com a coordenadora, a Funarte lançou o edital de Espetáculos de Artes Cênicas e Música 2018 no fim do ano passado nos mesmos moldes do Paralelos Artes Visuais. Os projetos de circo, dança, teatro e show selecionados ocuparam espaços da fundação no Rio, Brasília, Belo Horizonte e São Paulo (SP) de abril a julho. Não houve prêmio em dinheiro.
— Teve muita procura, mas o perfil é diferente — diz ela. — São coletivos e grupos independentes que não têm dinheiro suficiente para alugar teatros, mesmo quando carregam premiação de outros editais. No caso dos teatros e das casas de espetáculo, a bilheteria não tem desconto de manutenção, e o valor todo reverte para os artistas.
Para Ester, a grita dos artistas visuais contra o edital Paralelos Artes Visuais se explica porque esta é uma atividade cara. E, segundo ela, eles estavam acostumados a desenvolver os seus trabalhos com a verba da Funarte.
— Eles faziam os trabalhos com o dinheiro do prêmio e podiam expor as obras em outros lugares. Expor na Funarte dá status, melhor ainda quando tem fomento. O fazer deles é bastante caro — diz ela.
O último edital da Funarte de produção, em âmbito nacional, para as artes visuais foi aberto em agosto de 2016. Na ocasião, o Prêmio Conexão Circulação Artes Visuais selecionou dez projetos com premiações que variaram de R$ 180 mil a R$ 250 mil. PRÊMIO PARA PERIFERIAS Ontem a instituição lançou um novo edital, de perfil segmentado: o Prêmio Funarte Artes Visuais — Periferias e Interiores, que visa estimular a produção artística nessas áreas e vai premiar 15 projetos com R$ 20 mil cada um.
— É um edital específico, mas o valor é baixo, destinado a fomentar a atividade artística em locais carentes — explica a coordenadora da Funarte de SP. — Cada vez mais, a Cultura fica com menos. E dentro disso a Funarte fica com menos ainda.
Em nota, o Ministério da Cultura afirmou que tem investido, regularmente, em diversos editais por meio da Funarte: “Em 2017, mais de R$ 34 milhões foram destinados a projetos por meio da Fundação. Além disso, foram realizadas 2.722 atividades artísticas nos espaços culturais da Funarte no Rio, em São Paulo, em Minas Gerais e em Brasília, resultado de um investimento total de cerca de R$ 25 milhões.”
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Artigo de Alessandro Giannini e Jan Niklas publicado no jornal “O Globo” em 18/07/2018.

Morre em SP a artista plástica Eleonore Koch, discípula de Volpi, aos 92 anos

Com obra pouco estudada no Brasil, seu trabalho é caracterizado por 'combinação de austeridade e intimismo em imagens calmas, estáveis e ao mesmo tempo capazes de figurar a angústia da espera'. Matéria publicada originalmente no site do G1 (g1.com), em 01/08/18. +

A artista plástica Eleonore Koch, discípula do pintor modernista ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, morreu aos 92 anos na madrugada desta quarta-feira (1), informou a Pinacoteca de São Paulo.

Koch nasceu em Berlim e chegou a São Paulo aos 10 anos de idade. Iniciou sua formação como escultora, estudou em Paris e trabalhou com cenografia na TV Tupi até conhecer o pintor Alfredo Volpi, de quem é considerada sua única discípula, e centrar sua produção na pintura.
Com obra pouco estudada pela crítica de arte no Brasil, seu trabalho é caracterizado por uma “combinação de austeridade e intimismo em imagens calmas, estáveis e ao mesmo tempo capazes de figurar a angústia da espera”, de acordo com a Pinacoteca.

Segundo o instituto Itaú Cultural, à primeira vista, sua obra encontra semelhanças com a pintura metafísica italiana, com uma certa sacralização na representação dos objetos. Entretanto, Koch não segue a trajetória do figurativismo à abstração que caracteriza os artistas que a influenciaram. A artista nunca abdica da representação do mundo com base em objetos e paisagens.

Sem título [estudo para Sinal], Eleonore Koch, 1959 (Foto: Pinacoteca/Divulgação)
“Assim como na pintura de Volpi, na qual bandeirinhas, portas e janelas não são meras alegorias ou símbolos da cultura brasileira, mas objetos plásticos com os quais o artista procura explorar arranjos formais e de cor, as coisas representadas por Koch evocam a memória dos objetos cotidianos, sem ocultar o caráter sensorial da pintura”, consta na enciclopédia do instituto.
Em 1956, a artista fez sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo e nos anos 60 mudou-se para Londres, entrando em contato com a pop art inglesa. Voltou a viver no Brasil no final da década de 1980.

Algumas telas suas estão em exibição na mostra coletiva Mínimo, Múltiplo, Comum, na Estação Pinacoteca.

Nesta quarta, outros dois expoentes da arte brasileira do século 20 faleceram no Brasil. Em Salvador, o artista plástico Mário Cravo, considerado o último modernista baiano vivo, morreu aos 95 anos em Salvador. No Rio, o artista plástico paraibano Antonio Dias morreu aos 74 anos, durante um tratamento contra um câncer. Aos 21 anos, ganhou o prêmio da Bienal de Paris.
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Matéria publicada originalmente no site do G1 (g1.com), em 01/08/18.

Aos 95 anos, morre o artista plástico baiano Mário Cravo Jr.

Expoente da geração de modernistas, o artista estava internado havia dez dias com pneumonia. Matéria publicada originalmente no jornal `Folha de São Paulo`, em 01/08/18. +

Último expoente da geração de artistas modernistas da Bahia, Mário Cravo Júnior morreu nesta quarta-feira em Salvador, aos 95 anos. Ele estava internado havia dez dias na capital baiana com uma pneumonia e morreu após falência múltipla dos órgãos.

Escultor, pintor e gravador, Cravo Júnior teve uma trajetória de mais de sete décadas nas artes e se consolidou como um dos nomes mais marcantes da escultura brasileira. Junto de artistas como Carlos Bastos e Genaro de Carvalho, ele ajudou a impulsionar a arte moderna na Bahia e deixou um legado de pinturas, gravuras, desenhos e esculturas.

Uma parte importante de suas obras está em praças e parques de Salvador.Talvez a mais conhecida delas, a “Fonte da Rampa do Mercado”, construída com fibra de vidro em de 1970, tem 16 metros de altura e domina a praça Cairu, ao lado do elevador Lacerda e do Mercado Modelo, dois dos maiores marcos arquitetônicos da cidade.

Também é de sua autoria o monumento da Cruz Caída, de 1999, erguida junto à praça da Sé, porta de entrada do Pelourinho. A escultura representa a memória da igreja da Sé, demolida nos anos 1930 para dar passagem a uma linha de bonde em Salvador.Outro conjunto de suas esculturas está no parque de Pituaçu, onde ele mantinha um atelilê e lá trabalhou diariamente até o último mês.

Em Itapuã, sua icônica escultura de uma sereia se tornou um marco de um dos bairros mais conhecidos da capital baiana.Cravo Júnior nasceu em abril de 1923, em Salvador. Filho de uma família de comerciantes de Alagoinhas, no norte da Bahia, ele passou a infância na capital do estado, onde morou no bairro da Ribeira, região da Cidade Baixa.

Foi na capital que se aproximou de escritores como Jorge Amado e Zélia Gattai e também do artista plástico argentino Carybé, reforçando o elo de sua obra com os temas da cultura popular da Bahia.Uma de suas obras mais famosas, “O Tocador de Berimbau”, segue essa linha.

Feita de madeira e com três metros de altura, a obra fez parte do acervo do Hotel Nacional, de Brasília. Também é de sua autoria “Exu Mola de Jipe”, que fica no jardim de esculturas do Museu de Arte Moderna paulistano, no Ibirapuera.

O artista também teve uma escultura, uma gota metálica com uma fenda, instalada na praça da Sé, em São Paulo.Ele era pai de Mário Cravo Neto fotógrafo, desenhista e escultor baiano, um dos maiores fotógrafos da história do país, que se notabilizou sobretudo por retratar ritos de regiões afro-brasileiras. Seu filho morreu em 2009, aos 62 anos.

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Matéria publicada originalmente no jornal `Folha de São Paulo`, em 01/08/18.

Morre artista plástico paraibano Antonio Dias aos 74 anos

Artista tratava de câncer do pulmão há sete anos e foi diagnosticado em junho de 2017 com um tumor na cabeça. Matéria publicada originalmente no jornal `Folha de São Paulo`, em 01/08/18. +

Morreu, nesta quarta-feira (1º), o artista plástico paraibano Antonio Dias, aos 74 anos. Ele estava internado desde domingo na Clínica São Vicente, zona sul do Rio de Janeiro.

O artista tratava de câncer do pulmão há sete anos e foi diagnosticado em junho de 2017 com um tumor na cabeça.

Nascido em Campina Grande, cidade da Paraíba, Dias radicou-se no Rio de Janeiro no final dos anos 1950.

Na época, ele frequentou aulas de Oswaldo Goeldi no ateliê de gravura da Escola Nacional de Belas Arte e passou a trabalhar como desenhista de arquitetura e artista gráfico, colaborando para publicações como a revista Senhor.

Nara Roesler, sua galerista há nove anos, disse em depoimento à Folha que trabalhar com Dias permitia a o aprendizado e troca de experiências a todo momento. "Todos os artistas que são seguros, são cooperativos", afirmou Roesler. "Ele sabia da importância de seu trabalho".

O colega de profissão e também artista plástico Waltércio Caldas afirma que Dias o influenciou tanto profissionalmente quanto pela sua postura.

"Ele apresentou uma nova concepção do que era ser artista", diz o Caldas. "Dias refletia muito sobre a questão política que não era usada de forma ingênua, mas de uma forma fantástica, que para mim apresentava a ideia de artista contemporâneo".

O diálogo político em seus trabalhos que dialogavam contra a ditadura militar. Nos anos 1970, Dias passou uma temporada na Europa, em parte por causa da época por causa da forte censura da época em outra devido aos convites que recebeu para expor na França.

Nesta época, seus quadros passam de um vocabulário geométrico, abstrato e partem à pintura de experimentos com pigmentos de ouro, cobre, óxido e grafite.

Em 2018, a exposição "Entre Construção e Apropriação" no Sesc Pinheiros reuniu obras de Antonio Dias, Geraldo de Barros e Rubens Gerchman, que aborda a similaridade de aspectos políticos, estéticos e sociais, entre os três durante os anos 1960.

Dias deixa a esposa Paola e duas filhas. O velório será no Memorial do Carmo na Capela 7, na quinta-feira (2), das 14h às 16h.
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Matéria publicada originalmente no jornal `Folha de São Paulo`, em 01/08/18.

Suprema Corte da Índia manda restaurar ou demolir o Taj Mahal

“Ou fechamos o Taj Mahal e o demolimos ou o restauramos”, diz comitê de dois juízes às autoridades estaduais. Em maio último, os juízes disseram que o monumento de mármore branco estava ficando amarelo e até marrom em algumas partes devido à poluição e fezes de insetos. Deu então um ultimato ao governo local para procurar especialistas estrangeiros para consertar a preocupante mudança de cor do monumento de mármore branco, que é Patrimônio Mundial da Unesco. Artigo de Gareth Harris para o site www.theartnewspaper.com, editado em 16/7/18. +

O Taj Mahal, em Agra, na Índia, poderá ser fechado, a menos que o governo indiano intervenha e salve o marco negligenciado, diz a Suprema Corte da Índia. “Ou fechamos o Taj Mahal e o demolimos ou o restauramos”, disse o comitê de dois juízes às autoridades estaduais na semana passada.
Em maio, os juízes disseram que o monumento de mármore branco estava ficando amarelo, e até marrom em partes, devido à poluição e fezes de insetos, e disse ao governo central que deveria procurar especialistas estrangeiros para consertar “a preocupante mudança de cor”.
De acordo com o jornal “Indian Express”, os juízes da Suprema Corte disseram ao Ministério do Meio Ambiente e Florestas que o “governo de Uttar Pradesh (estadual) não está incomodado. Nenhum plano de ação foi feito ainda. Ou você demoli o Taj Mahal ou o restaura”. O tribunal solicitou posteriormente um plano de ação para salvar o sítio do Patrimônio Mundial da Unesco.
Relatórios da imprensa local afirmam que Atmaram Nadkarni, em nome do Ministério do Meio Ambiente, disse ao tribunal que um comitê liderado pelo Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur “descobrirá a fonte exata de poluição dentro e ao redor do Taj”. No entanto, essa análise demorará cerca de quatro meses. Mahesh Sharma, o ministro do meio ambiente, se recusou a comentar.
Enquanto isso, autoridades da Archaeology Survey of India, uma organização governamental responsável pela conservação de monumentos nacionais, afirma que estão tentando combater os efeitos da poluição. A Suprema Corte diz que vai monitorar a situação no dia-a-dia a partir de 31/7.
O Taj Mahal está localizado a cerca de 274 quilômetros de Nova Delhi e atrai cerca de 70 mil visitantes por dia. O monumento foi construído no século 17 pelo imperador mongol Shah Jahan como um mausoléu para sua esposa Mumtaz Mahal, que morreu dando à luz ao seu 14º filho.
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Artigo de Gareth Harris para o site www.theartnewspaper.com, editado em 16/7/18.

David Douglas Duncan, fotógrafo de Pablo Picasso, morre aos 102 anos

Duncan é autor da famosa fotografia do pintor espanhol tomando banho em uma banheira e de outras 25 mil imagens do artista. Também se notabilizou como fotógrafo de guerra. +

O fotógrafo norte-americano David Douglas Duncan, autor de uma das imagens mais icônicas de Pablo Picasso, que mostra o pintor espanhol nu e tomando banho em uma banheira, morreu (famosos por por de que conquistou o pintor moderno mais famoso do mundo sentado nu na banheira, morreu em 7 de junho último na cidade de Grasse, na França, aos 102 anos de idade. Sua amizade de décadas com Picasso renderam um acervo de mai de 25 mil imagens do espanhol em casa e no trabalho. Duncan se notabilizou ainda como fotógrafo de guerra, tendo registrado soldados e batalhas na Guerra da Coréia.
Duncan nasceu em Kansas City (Missouri) em 23 de janeiro de 1916. Frequentou brevemente a Universidade do Arizona, em Tucson, onde estudou arqueologia. Foi ali que começou sua carreira como fotojornalista. Durante seu curso na universidade, Duncan tirou fotos de um incêndio num hotel na cidade, entre elas a de um hóspede do hotel que repetidamente tentava voltar ao prédio em chamas para pegar sua mala. O fotografado era o ladrão de bancos John Dillinger e a mala continha o produto de um assalto a banco no qual ele havia atirado em um policial.
Depois da faculdade, Duncan trabalhou como freelancer e vendeu suas imagens para jornais e revistas, como “The Kansas City Star”, “Life” e “National Geographic Magazine”.
Após o ataque a Pearl Harbor, Duncan ingressou no Corpo de Fuzileiros Navais e tornou-se fotógrafo de combate. Como 2º tenente, serviu inicialmente no Marine Aircraft Group 23 e depois foi designado para fotografar as operações do Comando de Transporte Aéreo de Combate do Pacífico Sul. Duncan também cobriu a Batalha de Okinawa e estava a bordo do USS Missouri para a rendição japonesa. As fotografias de guerra de Duncan foram tão impressionantes que, após a guerra, ele foi contratado pela revista “Life” e cobriu muitos eventos, incluindo conflitos na Turquia, Europa Oriental, África e Oriente Médio. Talvez suas fotografias mais famosas tenham sido tiradas durante a Guerra da Coréia. Ele compilou muitos deles em um livro, “This Is War!”, (1951), com os rendimentos indo para viúvas e filhos de fuzileiros navais que foram mortos no conflito.
Além de suas fotografias de combate, Duncan também é conhecido por suas fotografias de Pablo Picasso, a quem ele havia sido apresentado pelo colega fotógrafo Robert Capa. Ele publicou sete livros de fotografias de Picasso. Duncan tornou-se amigo íntimo de Picasso e foi a única pessoa autorizada a fotografar o artista na intimidade do traballho. Duncan viveu em Castellaras (França), perto de Mougins, onde Picasso passou os últimos 12 anos de sua vida.
Em 1966, publicou “Yankee Nomad”, uma autobiografia visual que reunia fotografias representativas de toda a sua carreira. Em 2003, isso foi revisado e publicado sob o título de “Photo Nomad”.

Massacre na boite Pulse, em Orlando, ganha memorial em Nova York

O trabalho do artista plástico Anthony Goicolea foi instalado no Hudson River Park, em Nova York, e consiste de nove “pedras" de bronze cortadas e com vidro reflexivo arco-íris. +

O artista plástico Anthony Goicolea completou o primeiro monumento comissionado pelo Estado de Nova York em homenagem às 49 pessoas que morreram e às 53 que ficaram feridas na boate Pulse, em Orlando, em 2016. O trabalho instalado no Hudson River Park, em Nova York, consiste de nove “pedras" de bronze cortadas e com vidro reflexivo arco-íris. Eles estão inscritos com duas citações de Audre Lorde: "A diferença é aquela conexão crua e poderosa da qual nosso poder pessoal é forjado" e "Sem comunidade não há libertação... Mas a comunidade não deve significar um derramamento de nossa diferença".

A encomenda foi feita em junho de 2017 pelo governador Andrew M. Cuomo , quando Anthony Goicolea foi escolhido para projetar o primeiro monumento oficial do estado em homenagem a lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, uma maneira de lembrar a tragédia ocorrida um ano antes, em 26/7/2016.
Logo após o ataque, o governador formou a Comissão Memorial LGBT para honrar a luta pela igualdade de direitos e lembrar vítimas de ódio, intolerância e violência.

O local escolhido, no Hudson River Park, perto dos cais à beira-mar, foiemscolhido por se tratar de um local fundamental na história da cidade, um ponto de encontro e refúgio para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

“De Stonewall à igualdade no casamento, Nova York sempre foi um farol para a justiça", disse o governador Cuomo na época. "Tenho orgulho de anunciar o design estonteante de Anthony Goicolea para este monumento, selecionado pela forma como complementa a paisagem e comunica uma mensagem atemporal de inclusão", disse.

Goicolea nasceu no estado da Georgia, filho de pais que haviam fugido de Cuba, mas vive com seu marido no bairro do Brooklyn. O artista disse que as pedras foram inspiradas em locais como Stonehenge e Ilha de Páscoa, além de túmulos e círculos de pedra africanos. "Eu queria criar um espaço que pareça familiar, mesmo que seja novo." O artista disse ainda que sua identidade sexual e a maioridade são temas recorrentes em suas obras de arte. Crescendo na Geórgia, ele disse que "nunca viu minha comunidade refletida de volta para mim". Quando visitou pela primeira vez o West Village (sede do Stonewall e do Centro Comunitário de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) e os piers do rio Hudson, “aquilo realmente abriu meus olhos".

Governador de SP promulga lei que institui classificação indicativa em mostras

Com a medida, as exposições terão seis possíveis classificações: livre ou não recomendada para menores de 10, 12, 14, 16 ou 18 anos. Artigo de Isabella Menon para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 15/7/18. +

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), sancionou na quinta (12) uma lei que institui a classificação indicativa em mostras de artes visuais e exposições no estado.
Com a medida, as exposições terão seis possíveis classificações: livre ou não recomendada para menores de 10, 12, 14, 16 ou 18 anos.
A tabela toma como base a legislação federal em vigor para produções de TV e de cinema, jogos de videogame, aplicativos e RPG.
De autoria do deputado estadual Celso Nascimento (PSC), o projeto foi publicado e entrou em regime de tramitação urgente em outubro de 2017, em meio à onda de protestos de movimentos conservadores disparada pelo caso “Queermuseu”, em Porto Alegre.
A exposição na capital gaúcha foi fechada em setembro pelo Santander Cultural, que a abrigava, após ser alvo de acusações de apologia à pedofilia e à zoofilia —esta última presente em obras como “Cena de Interior 2”, de Adriana Varejão, na visão dos acusadores.
No mês seguinte, houve retaliações contra o MAM-SP após a divulgação de um vídeo feito dentro da instituição no qual uma criança interage com o artista Wagner Schwartz nu, em sua performance intitulada “La Bête”.
Segundo o governo paulista, as novas classificações etárias não irão restringir o acesso de uma criança ou de um adolescente às mostras, apenas servem como indicação.
“Oferecer acesso à informação e à indicação etária permite, sem ferir a liberdade de expressão e de forma democrática, uma decisão mais qualificada dos pais ou responsáveis”, informou a Secretaria do Estado da Cultura.
De acordo com a lei, o responsável legal pela mostra deve se autoclassificar de acordo com os critérios do “Manual da Nova Classificação Indicativa”, elaborado pelo Ministério da Justiça e disponível online.
Devem ser levados em conta, essencialmente, o grau de incidência de conteúdos relacionados a sexo e nudez, violência e drogas.
Qualquer pessoa pode, no entanto, atuar como fiscal e remeter uma queixa às autoridades caso avalie que a classificação não está de acordo com a norma.
Se confirmada a infração administrativa, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) estabelece multa de 3 a 20 salários mínimos —podendo aumentar o valor no caso de reincidência. Além disso, a exposição pode ser interrompida até que a irregularidade seja sanada.
O governo federal está trabalhando em parâmetros especiais para classificar mostras e exposições.
Alessandra Gotti, do grupo Advogados pela Arte, disse à coluna Mônica Bergamo que a lei estadual viola o artigo que diz que compete à União “exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televisão”. A assessoria de Celso Nascimento informou que exposições não são “diversões públicas”, termo “muito subjetivo”.
A lei estadual passou a valer desde a publicação no Diário Oficial, na sexta (13), e será regulamentada em até 60 dias.
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Artigo de Isabella Menon para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 15/7/18.

Funarte lança edital em que o artista paga tudo

A Fundação Nacional de Artes, lançou em 2/7/18 edital para ocupação de galerias em suas unidades de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte em que o artista ou proponente deve pagar tudo, pois não haverá prêmio em dinheiro ou transferência de recursos financeiros da parte da Funarte. A instituição é presidida pelo ator Stepan Nercessian. As inscrições são online, até 16/8/18, às 17h , pelo horário de Brasília... +

A Funarte (Fundação Nacional de Artes lançou no 2/7/18 um edital para ocupação de galerias em suas unidades de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. O diferencial deste edital é que o artista ou proponente deve pagar tudo, pois não haverá prêmio em dinheiro ou transferência de recursos financeiros da parte da Funarte. Ou seja, o proponente arcar com todo e qualquer custo de seu projeto/programa de ocupação, sem ônus para a Funarte. A Funarte é presidida atualmente pelo ator global Stepan Nercessian, que tem se destacado recentemente personificação do Chacrinha, o velho guerreiro Abelardo Barbosa.
O edital acessível no site da Funarte (www.funarte.gov.br ) propõe a ocupação dos espaços em São Paulo (Galerias Flávio de Carvalho, Mario Schenberg, Centro de Convivência Waly Salomão e área externa), Brasília (Galeria Fayga Ostrower e Marquise/Entorno) e Belo Horizonte (Galeria Fayga Ostrower e Marquise/Entorno). As inscrições são online, até 16/8/18, às 17h , pelo horário de Brasília. Mais informações podem ser obtidas pelo email pav@funarte.gov.br.

Secretário de Cultura fala sobre a polêmica do Parque Lage e é rebatido

Leandro Monteiro questiona destino de recursos e assessoria do conselho da Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais responde: "De transparência, a associação não tem medo". Artigo publicado originalmente na revista “Veja Rio” em 13/07/2018. +

Após toda a polêmica dos últimos dias envolvendo a exoneração do economista Fabio Szwarcwald da direção da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), o secretário estadual de Cultura Leandro Monteiro finalmente se pronunciou sobre o caso. Em entrevista para o jornal O Globo, ele explicou o motivo: aparentemente haveria um conflito de posicionamentos em relação aos recursos obtidos com o aluguel do Parque Lage para eventos privados, que atualmente são revertidos diretamente para a Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais (Ameav). “Há um entendimento dos órgãos estaduais de que este procedimento não deve ser feito assim. Estes aluguéis deveriam ser pagos ao Estado, para que depois estes recursos sejam repassados ao Parque Lage”, disse ele ao veículo.
Em uma nota à imprensa, a assessoria do conselho da Ameav explica que os envolvidos emprestam seu tempo, sem qualquer retorno financeiro, para salvar a instituição de um “fim melancólico” a que estaria destinada por conta da crise. “O admirável trabalho de gestão de Fabio Swarcwald à frente da EAV, combinado com a credibilidade e respeitabilidade da administração da AMEAV, permitiu que se arrecadassem doações que permitiram que a EAV voltasse a dar bolsas de estudo, reformasse as cavalariças (que estão como novas), organizasse a mostra Queermuseu no Rio de Janeiro e voltasse a ter o merecido destaque no cenário nacional. É curioso, portanto, que o Secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, com tantos problemas de gestão que há de ter em outras searas, volte seus olhos com cupidez para talvez o único equipamento que poderia ser considerado bem-sucedido em sua gestão, exatamente pelo fato de suas receitas e despesas estarem longe do caixa do Estado. As contas da AMEAV são enviadas de forma detalhada à Secretaria de Cultura, mensalmente, na forma do Acordo de Cooperação. Para que não pairem quaisquer dúvidas, a AMEAV está contratando uma auditoria completa de suas finanças e fará publicar em seu site todas as contas enviadas ao Estado”, afirma. A nota termina dizendo que a associação não teme a transparência.
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Artigo publicado originalmente na revista “Veja Rio” em 13/07/2018.

Shu Lea Cheang representará Taiwan na Bienal de Veneza em 2019

Conhecida por suas instalações de net art, filmes e ações artísticas, que repensam o meio termo entre tecnologia e humanidade, Cheang se considera um “nômade digital”. Notícia divulgada no site da revista norte-americana de arte !”Artforum” (www.artforum.com/news) em 12/7/18. +

O Museu de Belas Artes de Taipei anunciou que a artista Shu Lea Cheang foi escolhida para representar Taiwan na 58ª Bienal de Veneza, que ocorre a partir de maio de 2019. Ela é a primeira mulher a exibir seu trabalho no pavilhão de Taiwan desde que começou a realizar apresentações de artistas. "Nos últimos anos, artistas taiwaneses e instituições de arte aumentaram sua participação na comunidade artística global, gerando uma rede de conexões mais refinada e complexa", disse Ping Lin, diretor do Museu de Belas Artes de Taipé, em um comunicado. “Por essa razão, o comitê de nomeações empregou um nível maior de pensamento estratégico, colorindo suas recomendações de artista com fortes implicações da estratégia global. Shu Lea Cheang, uma pioneira da web art, não apenas em Taiwan, mas em todo o mundo, emergiu como a primeira escolha”.
Mais conhecida por suas instalações de net art, filmes e ações artísticas, que repensam o meio termo entre tecnologia e humanidade, Cheang se considera um “nômade digital”. Embora ela tenha nascido em Taiwan em 1954, ela iniciou sua carreira como artista enquanto morando em Nova York na década de 1980. Ela também viveu e trabalhou no Japão, Holanda, Reino Unido e França. Co-fundadora do Kingdom of Piracy, um espaço de trabalho on-line que promove o compartilhamento gratuito de conteúdo digital e idéias como uma forma de arte, Cheang muitas vezes republica como a Internet pode ser usada no serviço da arte e utiliza a tecnologia para derrubar barreiras e sexualidade.
Por seu trabalho “Brandon, 1998–99”, a primeira obra da Web encomendada e colecionada pelo Museu Solomon R. Guggenheim em Nova York, Cheang desenvolveu um site e uma plataforma acadêmica e social que incorporava imagens em movimento e salas de bate-papo ao vivo, bem como física. eventos, a fim de envolver as pessoas com a trágica história de Brandon Teena, que foi estuprada e assassinada em Nebraska, em 1993, quando foi divulgado que era um homem transexual.
Em 2017, dirigiu o filme “Fluidø”, produção alemã de ficção científica exibida na seção Panorama do 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim. O fime é ambientado em um futuro pós-AIDS, em 2060, vírus mutantes da AIDS dão origem ao Zero Gen, seres humanos que evoluíram geneticamente de uma forma muito original. Esses gêmeos de gases Zero Gen são transportadores de biofármacos cujo fluido branco é a droga rquico para o século XXI, tomando os mercados do pó branco do século XX. O gozoo desses seres é inebriante e a nova forma de mercadoria sexual no futuro. A nova droga, codinome “Delta”, se difunde através do contato com a pele e cria uma alta dependência. Uma nova guerra contra as drogas começa e o Zero Gen é declarado fora d a lei. O governo despacha replicantes resistentes a drogas para missões de captura. Quando a imunidade de um desses andróides do governo é quebrada e seus centros de prazer são ativados, a história ganha um enredo mirabolante e os Zero Gens são enredados entre traficantes subterrâneos, super agentes, corporações e um governo corrupto.
O filósofo espanhol Paul B. Preciado, que serviu como curador de programas públicos da Documenta 14, foi escolhido para curar o pavilhão. Educador que trabalhou na Université Paris VIII, Saint Denis e na Universidade de Nova York, Preciado atuou como chefe de pesquisa no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona e é especialista em questões relacionadas a gênero, identidade, sexualidade e pornografia. . Comentando sobre a prática de Cheang, Preciado disse: “Reunindo muitas tradições clandestinas, do trans-feminismo, política queer e anti-racista, bem como narrativa de ficção científica, videoarte e performance, a obra de Shu Lea Cheang é uma reflexão sobre o que significa ser livre, agir livremente dentro da sociedade contemporânea ”.
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Notícia divulgada no site da revista norte-americana de arte !”Artforum” (www.artforum.com/news) em 12/7/18.

Políticos criticam veementemente bandeira americana manchada de Josephine Meckse

Universidade do Kansas retira a bandeira manchada da artista alemã, que fazia parte de projeto da organização Creative Time: "Pledges of Allegiance" (Promessas de Fidelidade). Artigo de Sarah Cascone para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 12/7/18. +

Sob pressão de políticos locais, funcionários da Universidade do Kansas, na cidade de Lawrence, retiraram a bandeira americana da artista alemã Josephine Meckseper, que estava hasteada no campus. A peça, que os republicanos denunciaram como uma profanação do símbolo nacional era uma das obras da série de bandeiras encomendadas pela Creative Time, uma organização sem fins lucrativos de Nova York, para um projeto de um ano intitulado “Pledges of Allegiance” (Promessas de Fidelidade).
O trabalho de Meckseper, “Untitled (Flag 2)”, combina listras e estrelas da bandeira americana com uma imagem abstrata do mapa dos EUA dividido em duas partes para simbolizar o estado profundamente dividido do país. A universidade removeu o trabalho depois de uma enxurrada de críticas do governador do Estado Jeff Colyer, um republicano que atualmente busca a reeleição; seu principal desafiante, o Secretário de Estado do Kansas, Kris Kobach; e o candidato do Congresso do Kansas, Steve Watkins, também republicano.
A bandeira estava programada para permanecer em exibição até o final do mês. A Creative Time está por trás do projeto. “'Pledges of Allegiance' foi realizado para gerar diálogo e chamar atenção para as questões urgentes do dia”, disse a organização em um comunicado fornecido à Artnet News. “O direito à liberdade de expressão é um dos valores mais valorizados da nossa nação e também está sob ataque. Estamos orgulhosos de estar ao lado de artistas que se expressam. Os eventos de hoje ilustram as mesmas divisões em nosso país que a série enfrentou de frente”.
Logo depois de ter sido hasteada em 3/7/18, a obra de Meckseper chamou a atenção dos meios de comunicação de direita, incluindo o “Washington Examiner”, o “Campus Reform” e a “Fox News”. Alguns alunos e ex-alunos também expressaram sua desaprovação ao trabalho. Em pouco tempo, os políticos locais se uniram em torno dele como um ataque desagradável a um símbolo sagrado americano. "O fato de que eles chamam de arte não faz menos de uma profanação de nossa bandeira", disse Kobach em um comunicado à “Associated Press”.
Em um comunicado, Colyer disse sobre o trabalho: “Homens e mulheres lutaram e sangraram por essa bandeira e usá-la desta maneira está além do desrespeito. Falei com a liderança para exigir que ela seja retirada imediatamente”. Após a reclamação do governador, o chanceler da KU, Douglas Girod, concordou em remover a obra, que estava voando no salão Spooner da universidade.
Agora ela está sendo transferida para uma exposição dentro do Museu de Arte Spencer da escola, de acordo com o “Lawrence Journal-World”. “Ao longo do dia, a conversa em torno dessa exibição gerou preocupações de segurança pública para a comunidade do campus. Embora nós queiramos nos abster desse diálogo difícil, não podemos permitir que esse diálogo coloque nosso pessoal ou propriedade em perigo”, disse Girod em um comunicado no site da universidade.
A natureza dessas preocupações de segurança não foi divulgada. A bandeira do Meckseper ainda está voando em 12 locais em todo o país, incluindo o telhado da sede da Creative Time, em Nova York. Outros locais incluem o 21C Museum Hotel em Durham, Carolina do Norte; a Aliança de Artes da América Central em Kansas City, Missouri; e as Galerias do Estado do Texas em San Marcos, Texas.
O Spencer Art Museum e o centro de artes liberais da universidade, o Commons, participavam do projeto desde o início de novembro e exibiam bandeiras de 10 artistas sem problema. Embora a Universidade do Kansas seja uma instituição pública, a instalação foi financiada pelo setor privado.
“Promessas de Fidelidade”, segundo a Creative Time, foi “concebido em resposta ao atual clima político” e muitas vezes enfrentou as políticas de Donald Trump. O projeto começou em 14/6/17, Dia da Bandeira, e, apropriadamente, o aniversário do presidente - com a criação da bandeira “Resist”, de Marilyn Minter, na sede da Creative Time. Ao todo, 16 artistas participaram, incluindo Yoko Ono, Trevor Paglen e LaToya Ruby Frazier.
“Vimos trazer essas bandeiras para Lawrence como uma oportunidade única para modelar o apoio ao intercâmbio democrático, permitindo que a comunidade se reunisse em uma série de tópicos”, disse Joey Orr, curador de pesquisa do Spencer Art Museum, em um comunicado divulgado pela universidade. Orr não respondeu ao pedido de comentários da Artnet News.
Em uma declaração sobre o trabalho, o artista explicou que ele funde uma de suas próprias pinturas, “Goodbye to Language”, e um gráfico impresso de uma bandeira americana (em oposição a uma bandeira real de estrelas e listras costuradas). "Eu dividi a forma do país em dois para o desenho da bandeira refletir um país profundamente polarizado em que um presidente se gabou abertamente de assediar mulheres e está se retirando do protocolo de Kyoto e do Conselho de Direitos Humanos da ONU", disse Meckseper.
Alguns ativistas da liberdade de expressão criticaram rapidamente a decisão da universidade. "A Primeira Emenda não existe para proteger o discurso politicamente popular", disse Peter Bonilla, vice-presidente de programas da Fundação para os Direitos Individuais na Educação, à Inside Higher Ed. "Ele existe para proteger o discurso, o que provavelmente suscita controvérsia, e é um teste crucial contra o poder do Estado de silenciar as vozes dissidentes." Meckseper não estava imediatamente disponível para comentar, mas, dada a declaração de seu artista sobre o trabalho, é fácil imaginar o que ela pode dizer: "Está na hora de nossas diferenças nos unirem em vez de nos dividir".
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Artigo de Sarah Cascone para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 12/7/18.

Sociedade Histórica de NY lança programa sobre história afro-americana

O programa se concentrará em tópicos que vão desde o movimento dos direitos civis até as definições em evolução da cidadania. Artigo de Henri Neuendorf para o portal de notícias Artnet (www.artnet.com) editado em 11/7/18. +

A Sociedade Histórica de Nova York lançou um novo programa de exposições dedicado a explorar a experiência de grupos historicamente marginalizados nos EUA. A partir do setembro de 2018, o cronograma de exibição do museu vai abarcar uma série de mostras que destacam a história afro-americana, da escravidão ao movimento pelos direitos civis à luta pela igualdade que persiste hoje.
“Nós vemos evidências da persistência do legado da escravidão e da persistência do legado da violação dos direitos dos afro-americanos todos os dias”, disse a presidente da NYHS, Dra. Louise Mirrer, à Artnet News. “Pensamos que devíamos nos dedicar a contar essa história em todo o nosso prédio de forma mais permanente”.
A mostra inaugural, “Cidadania Negra na Era de Jim Crow”, será inaugurada em setembro e se concentrará nos 50 anos seguintes ao fim da Guerra Civil e ao surgimento das leis de Jim Crow, que codificaram e ordenaram a segregação racial no sul dos EUA.
Os curadores Dr. Marci Reaven e Lily Wong estão montando uma exposição cronologicamente organizada de arte, artefatos e fotografias. O programa, segundo eles, tem dois objetivos: ilustrar a vasta escala da oposição institucional ao avanço dos negros na era de Jim Crow e traçar como os afro-americanos lutaram para conquistar seus direitos em face dessa oposição. Juntamente com a mostra, o NYHS está organizando uma série de exibições de filmes e palestras históricas com os principais acadêmicos de história negra para discutir e palestrar sobre os tópicos examinados na exposição.
Para realizar o programa, o NYHS garantiu uma doação de US$ 4 milhões do New York City Council, além de US$ 6 milhões de doadores individuais e uma doação de US$ 1 milhão do Estado de Nova York (que ainda está sendo negociada). O esforço de arrecadação de fundos de US$ 11 milhões alocará recursos para reformas de museus e planejamento de exposições nos próximos cinco anos.
Como parte do programa plurianual, as próximas séries do NYHS se concentrarão em outros grupos historicamente marginalizados. A comunidade gay de Nova York, por exemplo, será o tema de uma exposição especial no próximo verão para marcar o 50º aniversário das manifestações de Stonewall de 1969. Em um momento em que a imigração está dominando o debate nacional e é assunto de um debate político acirrado, “nosso programa estará focado na cidadania”, disse Mirrer. “Nós temos uma história neste país de amplificar a definição de quem pode ser um americano, e isso aconteceu progressivamente em nossa constituição. Vimos uma ampliação da definição de quem pode ser um americano e devemos entender por que nossos antepassados pensaram que era importante estender a definição tão amplamente quanto tem sido”.
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Artigo de Henri Neuendorf para o portal de notícias Artnet (www.artnet.com) editado em 11/7/18.

Fujiko Nakaya e Pierre Alechinsky ganham japonês Praemium Imperiale

Escultor japonês conhecido por seus trabalhos com névoa e artista belga membro do Grupo Cobra vencem prestigioso prêmio anual apoiado pela família imperial japonesa. +

O artista belga Pierre Alechinsky (1927), uma das principais figuras do grupo expressionista de vanguarda europeia COBRA, e o escultor Fujiko Nakaya, conhecido mundialmente por suas esculturas/instalações de névoa, ganharam o japonês Imperiale Praemium e receberão 15 milhões de ienes cada (cerca de R$ 510 mil cada).
como destinatários do 2018 Prêmios Imperiale Praemium.
O Praemium Imperiale foi lançado em 1989 e é concedido anualmente em cinco áreas (teatro ou cinema, música, pintura, escultura e arquitetura) pela Japan Art Association, em Tóquio. O prêmio, apelidado de Prêmio Nobel de Artes, é apoiado pela família imperial do Japão.
Alechinsky, que ganhou o prêmio de pintura, nasceu em Bruxelas e recentemente recebeu a cidadania francesa. Ele foi um membro fundador do grupo Cobra (Copenhague-Bruxelas-Amsterdã), que foi lançado no final dos anos 1940, e o artista mudou-se para Paris para estudar gravura em 1951. O Museu de Arte Moderna de NY possui mais de 230 de suas obras.
Nakaya venceu na categoria de escultura. Suas famosas esculturas de nevoeiro são feitas com água pura, a primeira das quais foi revelada no Pavilhão Pepsi da Osaka Expo 70. eis noites. O artista disse ao jornal “Financial Times” que conheceu Robert Rauschenberg em 1964, quando veio ao Japão com a Merce Cunningham Dance Company. “Nós nos tornamos amigos. Ele foi a primeira pessoa a comprar minha escultura de névoa ”, disse ela. A primeira retrospectiva em grande escala de seu trabalho será realizada neste outono na Art Tower Mito, Ibaraki, Japão (outubro-janeiro de 2019).
Catherine Deneuve (teatro/filme), Riccardo Muti (música) e Christian de Portzamparc (arquitetura) foram os outros vencedores do Praemium Imperiale.

Dragões voltam ao pagode chinês do londrino Kew Gardens depois de 200 anos

Os oito dragões do térreo foram esculpidos à mão em cedro, mas os 72 instalados nos andares superiores foram feitos em uma impressora 3D. O retorno deles faz parte da restauração do prédio localizado no mais espetacular jardim da Inglaterra, orçada em 5 milhões de libras. Artigo de Maev Kennedy para o jornal inglês “The Guardian” ( www.theguardian.com/science/2018/jul/10/dragons-return-kew-gardens-pagoda-200-year-absence). +

Os dragões estão de volta a Kew Gardens, em Londres. Depois de mais de dois séculos de ausência, as caudas enroladas, as asas cuidadosamente dispostas, os olhos brilhantes mirando para baixo e em direção à vastidão do jardim e aos milhares de visitantes logo abaixo.
A grande loucura do jardim mais espetacular na Inglaterra, o grande pagode eleva-se a 50 metros sobre Kew Gardens. Foi projetado por Sir William Chambers em 1762, depois de visitar a China. Foi construído em um ano como presente de aniversário para a Princesa Augusta, que foi uma grande influência na concepção e desenvolvimento do que era originalmente o quintal real no modesto Kew Palace. Aberto ao público pela Rainha Vitória, tornou-se a peça mundialmente famosa da Royal Horticultural Society.
Polly Putnam, curadora do Historic Royal Palaces, que subiu muitos quilômetros dos 253 degraus do pagode, disse que, embora os dragões fossem originalmente uma característica tão famosa do prédio, empoleirados em todas as elevações dos 10 andares, eles tiveram uma vida curta.
As lendas insistem que eram feitos de bronze esmaltado ou mesmo de ouro maciço e que foram retiradas do pagode para liquidar as dívidas de jogo do príncipe de Gales ou para decorar seu extraordinário pavilhão real de estilo oriental em Brighton.
A verdade é mais tediosa. Chambers retirou-os quando restaurou o edifício em 1784, porque, embora parecessem magníficos, eram feitos de pinheiro barato e, após um período de tempo atroz (o rio Tamisa congelou em 1783), eles estavam podres.
Suas substituições, brilhando em verde, azul, vermelho e dourado, guardam um segredo. Os oito no nível do solo foram esculpidos à mão em madeira de cedro, mas os 72 dragões nos andares mais altos foram produzidos em uma impressora 3D. “O maior problema de engenharia que tivemos foi prender os dragões aos telhados", disse Putnam. “Eles não se preocuparam muito com saúde e segurança no século 18. Os maiores impressos em 3D pesam menos de 10 quilos, e os de madeira pesam um quarto de tonelada. Para fazê-los todos em madeira, teríamos que perfurar a estrutura original através de hastes de reforço de aço para segurá-las ”.
A torre, que já apareceu nos registros de prédios em eminente risco de cair em ruínas, provou estar em excelente forma. A restauração de 5 milhões de libras levou à substituição de apenas 60 tijolos e, na cúpula, não encontraram a esperada chapa do século XX, mas o telhado de cobre original, muito mais caro, exigido por Chambers.
A elegante escadaria em espiral de madeira ainda é a que ele projetou. Um painel de vidro no meio do edifício dá uma visão magnífica, mas vertiginosa, do mesmo. O painel preenche um dos buracos cortados em cada andar pelo Royal Aircraft Establishment quando eles usaram o prédio para testar cortinas de fumaça usadas para camuflar aeronaves de baixa altitude na Segunda Guerra Mundial.
"Este edifício mudou a paisagem", disse Putnam. "Assim que terminou, todos os príncipes da Europa queriam um pagode próprio."
O Grande Pagode em Kew Gardens reabre ao público a partir de sexta-feira, 13/8/18, com ingresso separado, além de admissão para os jardins.
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Artigo de Maev Kennedy para o jornal inglês “The Guardian” ( www.theguardian.com/science/2018/jul/10/dragons-return-kew-gardens-pagoda-200-year-absence).

Dragões “chinoiserie” retornam aos Kew Gardens de Londres

Craig Hatto disse ao “Global Times” que, entre 1761 e 1784, o tempo na Grã-Bretanha foi particularmente ruim: as erupções vulcânicas na Europa tiveram um enorme impacto no sistema meteorológico da Grã-Bretanha, causando o clima mais úmido jamais registrado. "Naquele momento, a ‘chinoiserie’ saiu de moda e os dragões não foram substituídos", acrescentou Hatto. Artigo de Sun Wei, em Londres, para o “Global Times”, editado em 19/11/2017 (www.globaltimes.cn/content/1075994.shtml). +

Perdidos por mais de 200 anos, os dragões “chinoiserie” que decoraram o Grande Pagode em Kew Gardens, em Londres, retornarão aos seus locais de descanso após um projeto que vai restaurar sua glória original.
Projetado no século 18, no auge da moda “chinoiserie”, o Grande Pagode era adornado com 80 dragões coloridos esculpidos em madeira. Estes dragões foram removidos mais tarde, quando o pagode sofreu reparos, cerca de 20 anos depois de ter sido construído, enquanto o próprio pagode foi fechado ao público por quase 50 anos devido ao seu mau estado de conservação.
Agora, um projeto de restauração lançado durante o segundo semestre de 2016 trabalha para restaurar o pagode e substituir os dragões desaparecidos.
Enquanto o trabalho no pagode ainda está em andamento, os dragões foram revelados em um evento de mídia em Londres na semana passada. O projeto foi financiado pela loja de departamentos House of Fraser, que faz parte do Sanpower Group, com sede em Nanjing.
O projeto de renovação fará com que o pagode retorne à sua antiga glória, com telhados verdes e brancos, um arremate dourado e 80 dragões de madeira. Se tudo correr como planejado, o pagode será reaberto ao público em 2018. O Kew Gardens foi listado em 2003 pela UNESCO como patrimônio cultural mundial.
Xiang Xiaowei, conselheiro cultural da embaixada chinesa no Reino Unido, disse que acha que o Grande Pagode será um grande símbolo para transmitir a amizade histórica de mais de 200 anos entre a China e o Reino Unido.

Réplica do Pagode de Nanjing
Acredita-se que o Grande Pagode tenha sido inspirado no Pagode de Porcelana do século XV, localizado em Nanjing, capital da província de Jiangsu, no leste da China.
O Pagode de Porcelana foi projetado durante o reinado do Imperador Yongle (1402-1424) durante a Dinastia Ming (1368-1644). Localizada na margem sul do rio Qinhuai, foi uma das maravilhas do mundo antigo, mas foi destruída no século 19 durante a Rebelião Taiping.
Subindo nove andares a uma altura de 97 metros de uma base octogonal de 30 metros de largura, a torre era um ícone importante da cidade. Visitantes do Ocidente relataram sua beleza quando voltaram para suas terras natais. Um desses viajantes foi o arquiteto inglês Sir William Chambers. Chambers projetou o Grande Pagode para a família real britânica depois de visitar a China duas vezes em 1743 e 1748. Concluído em 1762, o pagode de 10 andares e 50 metros de altura era o edifício mais alto de estilo chinês na Europa. Craig Hatto, líder do projeto nos Palácios Reais Históricos, disse ao “Global Times” que o Grande Pagode oferecia a primeira e melhor visão aérea de Londres. "O rei George III o usava como uma torre de prospecção", disse Hatto. Isso era bem diferente do papel dos pagodes na China, onde esses edifícios são reverenciados como repositórios de relíquias ou escritos sagrados e lugares de contemplação.

Dragões de alta tecnologia
O Grande Pagode era originalmente muito mais colorido do que é hoje e já foi adornado com 80 dragões de madeira esculpidos à mão. Os dragões eram atraentes e muito famosos, mas foram removidos em 1784, quando reparos foram feitos no telhado do pagode. Os historiadores não sabem exatamente por que os dragões foram removidos e o que aconteceu com eles depois. Alguns especialistas acreditam que os dragões originais foram esculpidos em pinho e foram removidos porque começaram a apodrecer.
Craig Hatto disse ao “Global Times” que, entre 1761 e 1784, o tempo na Grã-Bretanha foi particularmente ruim: as erupções vulcânicas na Europa tiveram um enorme impacto no sistema meteorológico da Grã-Bretanha, causando o clima mais úmido jamais registrado. "Naquele momento, a ‘chinoiserie’ saiu de moda e os dragões não foram substituídos", acrescentou.
A parte principal do atual projeto de renovação é restaurar esses 80 dragões para que os visitantes possam ver como era o pagode quando foi construído pela primeira vez. No entanto, recriar uma cópia exata desses dragões não é uma questão simples.
Os curadores têm que confiar em recursos arquivísticos e realizar pesquisas sobre o estilo chinoiserie do período, a fim de recriar as esculturas e obter as cores certas. Hatto disse ao “Global Times” que o peso combinado dos dragões originais era de cerca 2,5 toneladas, assim o impacto no edifício teria sido fenomenal. Isso criou um desafio difícil para a equipe de restauração. "Temos que encontrar uma forma diferente de engenharia. Do ponto de vista da conservação, algo que não danifique o prédio. Esse é o nosso principal objetivo", disse Hatto. "Optamos por dragões impressos em 3D, que são incrivelmente leves. Cada dragão passou de 45 a 50 quilos para 4,5 quilos", disse Hatto, ao mostrar os dragões no evento. "Eles são possivelmente o maior projeto de impressão 3D do mundo", acrescentou.
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Artigo de Sun Wei, em Londres, para o “Global Times”, editado em 19/11/2017 (www.globaltimes.cn/content/1075994.shtml).

Fabio Szwarcwald é exonerado da Escola de Artes Visuais do Parque Lage

Em seu lugar, assume a arquiteta Dinah Guimaraens. A mostra 'Queermuseu' está mantida, segundo secretário estadual de Cultura. Artigo de Paula Autran e Nelson Gobbi para o jornal “O Globo” editado em 11/07/18. +

O diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Fabio Szwarcwald, foi exonerado do cargo nesta quarta-feira. Colecionador de arte contemporânea e atuante no mercado financeiro, Szwarcwald foi escolhido para assumir o cargo pelo então secretário estadual de Cultura, André Lazaroni, em março de 2017.
Em seu lugar, de acordo com o "Diário Oficial" do Estado do Rio, assume Dinah Guimaraens, que é arquiteta e urbanista. Técnica em museus desde 1983, Dinah é ex-vice-diretora do Museu Nacional de Belas Artes do Rio e foi arquiteta e antropóloga do Instituto Nacional do Folclore — Museu Edison Carneiro.
Segundo o secretário de Cultura, Leandro Monteiro, a exoneração foi por “motivos administrativos”. Ele garante que a exposição “Queermuseu”, marcada para 18 de agosto, está mantida. Após ser censurada em Porto Alegre, a mostra foi vetada no Museu de Arte do Rio (MAR) pelo prefeito Marcelo Crivella, no ano passado, e acabou custeada por uma campanha de financiamento coletivo recorde para acontecer no Parque Lage. Com arrecadação de R$ 1,08 milhão, a campanha teve também doações realizadas por 1.677 colaboradores, vendas de obras doadas por 70 artistas e ingressos para show de Caetano Veloso.
— A gente lutou muito para trazer a “Queer”. Isso começou quando eu ainda era subsecretário do Lazaroni. Foi ele quem me pediu para ligar para o Fábio e começar esta movimentação para trazê-la — diz Monteiro.
— A exposição foi planejada na época em que eu era secretário. Sofri pressão, sim, de políticos evangélicos. Mas nunca foi cogitado cancelá-la, assim como está fora de cogitação cancelá-la agora — acrescenta o deputado André Lazaroni (MDB).
Ainda que o secretário de Cultura garanta a montagem da “Queermuseu” no prazo, tanto o ex-diretor da EAV quanto Gaudêncio Fidélis, curador da exposição, têm dúvidas sobre a sua realização neste contexto. Fidélis, que afirma não ter sido procurado por ninguém da Secretaria, teme que a etapa final da produção seja prejudicada com a mudança.
— A exposição já passou por muitas coisas neste caminho, mas eu realmente não imaginava que uma mudança desta grandiosidade pudesse acontecer a quase um mês do seu início — destaca o curador. — Já estamos com o calendário de coleta das obras fechado, temos toda uma agenda com os convidados que participarão do ciclo de palestras, não dá para mudar nada na logística a esta altura. Seria uma volta à estaca zero. Se o catálogo não for para a gráfica na próxima segunda-feira, ele não ficará pronto a tempo da abertura.
Para Fidélis, caso a mudança inviabilize a montagem, será um novo episódio de censura à “Queermuseu”:
— Há várias maneiras de se fazer censura, pode ser explícita como o Santander Cultural fez em Porto Alegre ou como a proibição do Crivella para a montagem da mostra no MAR. Me recuso a acreditar que a Secretaria de Cultura pudesse fazer algo para inviabilizar a exposição, até porque há uma responsabilidade não só com o dinheiro do contribuinte quanto de quem participou da campanha. Mas caso algo aconteça, com o histórico da mostra, certamente seria um novo episódio de censura.
DINAH GUIMARAENS NÃO RETORNOU PEDIDO DE ENTREVISTA
Graduada pela Universidade Santa Úrsula, com mestrado em Antropologia Social e em História Antiga e Medieval, além de doutorado e pós-doutorado em Antropologia, Dinah publicou, com Lauro Cavalcanti, "Arquitetura Kitsch Suburbana e Rural" (1979, 2006) e "Arquitetura de Motéis Cariocas: Espaço e Organização Social" (1980, 2007). Também organizou os livros "Estética Transcultural na Universidade Latino-Americana" (2016) e "Museu de Artes e Origens: Mapa das Culturas Vivas Guaranis" (2003).
Procurada pela reportagem, ela não retornou os pedidos de entrevista. (colaborou Berenice Seara, do "Extra")
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Artigo de Paula Autran e Nelson Gobbi para o jornal “O Globo” editado em 11/07/18.

"Foi uma surpresa total", diz Fabio Szwarcwald, exonerado da EAV-Parque Lage

Ex-diretor da escola disse que soube da demissão por uma de suas funcionárias. Artigo de Nelson Gobbi para o jornal “O Globo” editado em 11/07/18. +

A exoneração da direção da Escola de Artes Visuais do Parque Lage pegou Fabio Szwarcwald de surpresa. Ele soube da demissão por sua secretária, que leu a decisão publicada no "Diário Oficial" do Estado do Rio desta quarta-feira.
‘Se houve algum incômodo pela minha atuação, isso nunca me foi passado.’
— Não recebi nenhuma comunicação do Leandro ou do Lazaroni, foi uma surpresa total, ainda mais a quase um mês da abertura da exposição ("Queermuseu", cancelada em Porto Alegre e custeada, no Rio, após campanha de financiamento coletivo) — comenta Szwarcwald. — Não tenho ideia do motivo, uma vez que a Secretaria acompanhava de perto o trabalho e apoiava a gestão do Parque Lage e a realização da exposição. Saí do mercado financeiro para ganhar um décimo do que ganhava por entender que poderia dar uma contribuição à cidade. Fiz muito além do que me foi pedido. Em um ano e quatro meses conseguimos transformar o Parque Lage em uma referência em gestão, sem precisar recorrer apenas à dotação econômica do Estado, em um momento de crise nas finanças.
O ex-diretor da instituição garante sempre ter mantido bom trânsito com o atual e o antigo secretário, e não imagina que a decisão possa passar por algum incômodo em relação à projeção que a realização da exposição no Parque Lage possa ter lhe trazido:
— Sendo franco, minha atuação estava focada em criar um modelo de gestão para o Parque Lage. Nos últimos meses estava trabalhando dez horas por dia para resolver questões relacionadas à “Queer” e à EAV, temos uma série de outros projetos aqui dentro. E nunca deixamos de destacar o papel da Secretaria dentro deste processo. Se houve algum incômodo pela minha atuação, isso nunca me foi passado.
MANIFESTAÇÕES DE APOIO
Durante as horas em que recebeu O GLOBO no Parque Lage, nesta quarta-feira, Fabio Szwarcwald recebeu ligações e manifestações de apoio de conselheiros da instituição e de artistas. Um deles, Ernesto Neto, foi um dos que doaram obras para a realização da “Queermuseu”, em março deste ano:
— Foi uma enorme surpresa esta substituição súbita, fico muito desconfiado. Não posso avaliar o trabalho da Dinah, que nem conheço, assim como suas propostas. Mas a EAV é um patrimônio cultural da sociedade carioca, e precisamos pensar como gerir um lugar tão importante. Acho que, para não dependermos de governos que mudam de quatro em quatro anos, o diretor da escola deveria ser escolhido por um conselho formado por artistas. Se não, ficamos à mercê de um secretário que nem o aval da classe artística tem.
A reportagem solicitou entrevista com Dinah Guimaraens, mas não obteve retorno.
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Artigo de Nelson Gobbi para o jornal “O Globo” editado em 11/07/18.