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Raro readymade de Duchamp vai para o Art Institute of Chicago

O “The Bottle Rack” de Marcel Duchamp, uma versão do primeiro readymade do artista, foi recentemente adquirido pelo museu nos Estados Unidos, que já possuía uma pintura de 1910, “Nude Seated in a Bathtub”, bem como outra versão pré-fabricada, “Hat Rack” (1916/64), que é uma série de edições das esculturas. Matéria publicada originalmente no site da revista Das Artes (www.dasartes.com), em 15/02/18. +

Aqueles que visitarem o Art Institute of Chicago a partir de agora terão um tratamento especial. Uma arte do século 20 estará em exibição nas suas galerias pela primeira vez: um “Frasco de Garrafa” (The Bottle Rack) de Marcel Duchamp (1914/59), uma versão do primeiro readymade do artista, que o museu recentemente adquiriu. Sua proveniência é surpreendente, tendo sido comprada pela primeira vez por Robert Rauschenberg, cuja fundação vendeu para o museu de Chicago através do negociador Thaddaeus Ropac.

“Um trabalho como este está, naturalmente, aprimorando nossas participações de Duchamp, e também está aprimorando nossa coleção na história que podemos contar em termos de história do modernismo”, disse a vice-diretora do museu, Ann Goldstein, em uma entrevista. “Este trabalho em particular é um cerne nessa história. É um ponto crucial, é uma ruptura, e é um ícone, e é algo que sempre desejamos ter”.

“Nós sempre estamos fazendo esse tipo de aquisições transformadoras como uma prioridade”, disse o presidente e diretor do Instituto de Arte, James Rondeau, acrescentando que “há documentos voltados ao final dos anos 80 e início dos anos 90, expressando o desejo de um objeto como este.”

As atualizações atuais de Duchamp do Art Institute incluem uma pintura de 1910, “Nude Seated in a Bathtub”, bem como outra versão pré-fabricada, “Hat Rack” (1916/64), que é uma série de edições das esculturas colocadas pelo negociador milanês Arturo Schwarz.
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Matéria publicada originalmente no site da revista Das Artes (www.dasartes.com), em 15/02/18.

Arte acovardada

Fabio Cypriano comenta o período marcado por censura e intolerância, quando também as instituições de arte têm pouco do que se orgulhar, publicada na revista Bravo. +

As instituições de arte entram em 2018 mais fragilizadas e acovardadas do que começaram 2017. De certa forma, isso é consequência da polarização enlouquecida das redes sociais que também contaminou o mundo das artes visuais. O início desse percurso ocorreu em Porto Alegre, quando o Santander Cultural encerrou a mostra Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira em setembro, quase um mês antes do prazo previsto, por conta de denúncias nas redes sociais de apologia à pedofilia e zoofilia, apontadas em 3 das 264 obras expostas.

Não foi a primeira mostra dessa temática no país. A 31ª Bienal de São Paulo, Como Falar de Coisas Que Não Existem, em 2014, reuniu um segmento muito mais radical, em torno de três projetos: Deus é Bicha, do peruano Miguel López; o Museu Travesti do Peru, de Giuseppe Campuzano; e Zona de Tensão, uma homenagem a Hudinilson Jr. (1957-2013), organizada por Marcio Harum. Com muito mais visibilidade do que o Santander, a Bienal não passou por nenhum tipo de constrangimento, mesmo que polêmicas não sejam raras em sua história – é só lembrar dos urubus de Nuno Ramos, em 2012, e dos pichadores, em 2008.

Certo é que o Brasil de 2014 era muito mais tolerante e aprazível que o país surgido do golpe, em 2016, marcado pela quebra das regras democráticas e o fortalecimento de movimentos reacionários contra a liberdade de expressão. O posicionamento de censura do Santander certamente deu forças para o segundo ato dessa ópera bufa: os protestos contra a performance La Bête, de Wagner Schwartz, na abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Novamente, pelas redes sociais, criou-se uma enxurrada de falsas acusações, de que uma criança estaria interagindo com o artista nu e que, portanto, o museu estaria fazendo apologia da pedofilia.
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Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na revista Bravo.

Ernesto Neto transforma estação ferroviária de Zurique em floresta tropical

O artista brasileiro, em colaboração com a Fondation Beyeler, vai construir uma enorme cobertura de árvores sobre a estação ferroviária mais movimentada de Zurique. Ela também será um espaço para meditação, educação e programação pública, com música, oficinas, visitas guiadas e mesas-redondas. Matéria publicada no site do Touch Arte (www.touchofclass.com.br), em 20/02/18. +

O artista brasileiro Ernesto Neto está criando uma instalação espetacular que levará o espírito da floresta amazônica – e possivelmente alguns de seus habitantes – à principal estação ferroviária de Zurique. Chamado de Gaia Mother Tree, o projeto organizado pela Fondation Beyeler deve ser inaugurado no início de junho deste ano.

Durante oito semanas, Neto irá transformar o espaço um ponto de encontro sob um “dossel de árvores”, feito à mão a partir de tiras de algodão colorido com corantes naturais. Os “ramos” pendurados na escultura de 20 metros de altura serão preenchidos com especiarias aromáticas e folhas secas. Abaixo do dossel, os visitantes poderão acessar um espaço projetado pelo artista através de um túnel.

Sam Keller, diretor da Fondation Beyeler em Riehen, perto de Basileia, disse à Artnet News que a estação ferroviária suíça é o equivalente europeu da Grand Central de Nova York e estima que “quase meio milhão de pessoas” passam pelo saguão diariamente. Ele espera que a instalação de Neto se torne a obra de arte contemporânea mais visitada da Suíça. Esses visitantes incluirão inevitavelmente as pessoas que passam por Zurique com destino a Art Basel, que vai de 14 a 17 de junho.

A instalação é o projeto de arte pública mais ambicioso de Beyeler em 20 anos, disse Keller. É comparada apenas a Wrapped Trees (1997-98), de Christo e Jeanne-Claude, quando os artistas cobriram mais de 100 árvores com tecido nos prados que cercam a instituição.

GaiaMotherTree será mais do que uma “escultura maravilhosa”, disse Keller. Ela também será um espaço para meditação, educação e programação pública bem “no meio da agitada estação ferroviária”.
Ernesto Neto tem sido influenciado pela cultura e os costumes do povo indígena Huni Kuin

O evento também poderá receber uma visita dos Huni Kuin, indígenas que vivem na Amazônia perto da fronteira com o Peru. Uma delegação viajou à Itália para a prévia da Bienal de Veneza do ano passado, para ajudar a inaugurar o trabalho de Neto no Arsenale, que foi inspirado de maneira semelhante pelas tradições e rituais de Huni Kuin.

Nos últimos anos, Neto voltou sua atenção para uma nova série de obras, que ele está realizando em cooperação com os Huni Kuin, comunidade indígena que vive na região amazônica perto da fronteira brasileira com o Peru. A cultura e os costumes dos Huni Kuin, suas habilidades de conhecimento e artesanato, seu sentido estético, seus valores, sua visão de mundo e sua conexão espiritual com a natureza transformaram a concepção de arte de Neto e se tornaram elementos integrantes de sua prática artística.

Keller, que estava providenciando os vistos para a visita dos Huni Kuin no final do ano passado, confirmou que parte da programação auxiliar envolveria os povos indígenas “não apenas do Brasil, mas de diferentes lugares”. Música, oficinas, visitas guiadas e mesas-redondas devem acontecer dentro da instalação.
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Matéria publicada no site do Touch Arte (www.touchofclass.com.br), em 20/02/18.

Parcela do orçamento não foi repassada

O orçamento do Museu Nacional ficou ainda mais apertado: vinculada à UFRJ, a instituição deveria receber R$ 515 mil anuais da universidade, mas nos últimos três anos, a fração final não foi repassada. Matéria publicada originalmente no jornal "O Globo", em 20/02/18. +

O orçamento do Museu Nacional ficou ainda mais apertado recentemente. Vinculada à UFRJ, a instituição deveria receber R$ 515 mil anuais da universidade, em três parcelas. No entanto, nos últimos três anos, a fração final não foi repassada.

— Só estamos recebendo em torno de R$ 300 mil — lamenta Kellner. — Isso acontece porque a própria UFRJ está sofrendo um corte de verbas. Vamos ao reitor pedir mais dinheiro, mas sabemos que não é má vontade dele.

De acordo com Kellner, a falta de recursos é “especialmente visível” no Museu Nacional porque sua sede fica em um prédio histórico.

— Não posso contratar qualquer pessoa para fazer uma restauração. A manutenção é muito cara.

Procurada pela reportagem, a UFRJ não se pronunciou sobre os cortes orçamentários.

Com a chegada de novos recursos, Kellner espera aumentar o espaço de exposições em até 20%. A verba também deverá ser usada para incrementar mostras já em cartaz, como a de mineralogia, e concluir a manutenção de três salas. Uma delas, dedicada a dinossauros, foi fechada há um mês, após a detecção de cupins em sua base. Será reaberta entre abril e maio, quando forem concluídas as reformas e a troca do sistema de iluminação.

O museu tem hoje 21 exposições abertas ao público, sendo 18 permanentes e três temporárias. Entre as mais populares estão uma dedicada ao Tiranossauro rex e outra sobre o Egito Antigo.
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Matéria publicada originalmente no jornal "O Globo", em 20/02/18.

Só temos verba para medidas paliativas

O paleontólogo Alexander Kellner assumiu a missão de arrumar o cômodo do terceiro andar do Museu Nacional que, no século XIX, foi o quarto do imperador dom Pedro II, e agorá será sua sala como diretor da instituição. Ele revela a intenção de transferir todo o aparato administrativo do museu para outro edifício, deixando o prédio histórico livre para mais exposições. Para isso, porém, precisa receber verbas e reformar o prédio; e agora até o quarto de Pedro II tem goteira. Matéria de Renato Grandelle publicada no jornal "O Globo", em 20/02/18. +

Uma estante metálica repleta de caixas de depósitos, um computador desconectado, uma mesa ampla com papéis esquecidos. Na última quinta-feira, o paleontólogo Alexander Kellner assumiu a missão de arrumar o cômodo do terceiro andar do Museu Nacional que, no século XIX, foi o quarto do imperador dom Pedro II, e agorá será sua sala como diretor da instituição.

Recém-empossado no cargo, Kellner já prepara o 200º aniversário do museu, que será celebrado no dia 6 de junho. A lista de metas para o mandato de quatro anos inclui itens como atrair visitantes, fazer investimentos empresariais e modernizar as mostras.

Em entrevista ao GLOBO, o paleontólogo revela a intenção de transferir todo o aparato administrativo do museu para outro edifício, deixando o prédio histórico livre para mais exposições. Para isso, porém, precisa receber verbas e reformar o prédio que já foi uma vitrine do Império. Agora, até o quarto de Pedro II tem goteira.

De que forma o museu pode aproveitar o seu aniversário de 200 anos para obter melhorias?

O ponto principal é discutir como melhorar o diálogo entre o museu e a sociedade. Somos a instituição científica mais antiga do país. Passaremos o ano inteiro procurando investimentos que nos permitam melhorar as exposições. Isso envolve sobretudo aplicar tecnologia, recursos para que o visitante possa “conversar” com uma múmia, por exemplo.

Além do orçamento repassado pela UFRJ, o museu tem parceiros na iniciativa privada?

Não, e está na hora de as empresas contribuírem com o museu. Nosso acervo tem mais de 20 milhões de exemplares, e precisamos de ajuda para cuidar de tudo isso. São insetos, fósseis dos primeiros habitantes da América do Sul, o maior meteorito do país, entre tantas coisas. E a população não tem ideia dessa riqueza e diversidade.

Há outras fontes de renda?

Temos uma negociação adiantada com o BNDES que nos ajudará a restaurar salas antigas, inclusive esta. Eu, o diretor do Museu Nacional, serei o primeiro desalojado da instituição. Depois renovaremos a biblioteca, que fica no Horto, e que poderá receber parte do setor administrativo que está aqui. Mas também gostaria que o governo federal nos cedesse um terreno anexo à Quinta da Boa Vista, porque nos permitiria angariar verbas para construir novos prédios.

Em janeiro, o esqueleto de uma baleia jubarte voltou ao Museu Nacional. Outras peças podem retornar?

Sim. Na verdade, a baleia nunca deixou o museu, ela estava em recuperação. Ainda faremos algumas mudanças em sua sala antes de abri-la para o público, para que os visitantes tenham uma visão diferenciada. Também vou buscar no acervo outros esqueletos, dos fósseis às primeiras aves. Mas não basta colocar tudo em uma mostra, principalmente um material zoológico, porque corre o risco de ele apodrecer. Também não quero que a peça fique ali só para uma pessoa ficar olhando, precisamos ter alguma interatividade.

Um relatório de 2016 da Biblioteca do Museu Nacional destacou que seu prédio tem problemas como goteiras e infiltrações, principalmente na área do acervo, além de morcegos e gambás nas marquises. Como combater estes problemas?

Felizmente essas pragas não têm aparecido no acervo, mas ainda podem ser vistas nas áreas comuns. O maior problema são as goteiras. Tem até nesta sala. Ficamos preocupados quando cai uma tempestade porque só temos verbas para medidas paliativas de prevenção.

Outro problema mencionado é a segurança do acervo. Existe registro de roubos e furtos?

Atualmente, não. Alguns anos atrás, uma quadrilha se infiltrou como estagiários e furtou muitas obras raras, mas essas pessoas foram presas. Uma instituição com o nosso porte sempre será vulnerável, por isso precisamos ficar atentos.

O museu tem 88 professores. É suficiente para realizar todos os trabalhos que o senhor está planejando?

Não. O ideal seria ter em torno de 120 ou 130. Há cada vez mais demandas para atender. E enfrentamos uma tendência de queda, sobretudo entre os técnicos. Temos 215 servidores, e 30% podem se aposentar em até dois anos.

O senhor passa até dois meses por ano na China desenvolvendo suas pesquisas. Como pretende conciliar essa atividade com a direção do museu?

Não posso mudar o museu se estiver longe daqui. Só vou viajar nas férias.

Está satisfeito com o número de visitantes?

Quero aumentar para 1 milhão por ano até o fim do meu mandato, em 2021. Se não conseguir, vou ficar muito frustrado. Temos potencial para isso, mas estamos passando por maus momentos. Em 2017, recebemos só 190 mil pessoas. Há diversos sites dizendo que estamos fechados.

A Imperatriz Leopoldinense apresentou no carnaval um enredo sobre os 200 anos do Museu Nacional e terminou em sétimo lugar. O que o senhor achou do resultado?

Foi muito doído. Faltou sensibilidade dos jurados, o enredo era nota dez. Mas estamos muito gratos com o presente da Imperatriz. Inclusive queremos fazer uma exposição das fantasias e de algumas peças dos carros alegóricos da escola.
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Matéria de Renato Grandelle publicada no jornal "O Globo", em 20/02/18.

Curadora Kate? A duquesa organiza uma mostra na National Portrait Gallery

Kate Middleton - agora duquesa Catherine - está curando uma exposição de primavera sobre fotografia vitoriana na National Portrait Gallery de Londres. O foco é em fotografia de crianças doe quatro artistas inovadores do século XIX - Julia Margaret Cameron (1815-79), Lewis Carrol (1823-1998), Lady Clementina Hawarden (1822-65) e Oscar Gustave Rejlander (1813- 75). Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do artnet News (www.artnet.com), em 16/02/18. +

A Duquesa de Cambridge está colocando sua educação em ação. Kate Middleton - agora duquesa Catherine - está curando uma exposição de primavera sobre fotografia vitoriana na National Portrait Gallery de Londres, onde ela é patrona.

De acordo com o museu, a duquesa selecionou várias imagens para "Gigantes Vitorianas: o Nascimento da Fotografia Artística" e escreveu o prefácio ao catálogo da exposição. Seu interesse pela fotografia do século XIX remonta ao tempo que estudava história da arte na Universidade de St. Andrews, onde escolheu o tema como sujeito de sua tese de graduação.
Com abertura em março, a exposição examina o trabalho de quatro artistas inovadores do século XIX - Julia Margaret Cameron (1815-79), Lewis Carrol (1823-1998), Lady Clementina Hawarden (1822-65) e Oscar Gustave Rejlander (1813- 75), cujo trabalho explorou o meio de fotografia da época. "Aqui, os visitantes podem ver o nascimento de uma ideia - crua, nervosa, experimental - a véspera vitoriana, não apenas na fotografia, mas na Arte", disse o chefe de fotografia da National Portrait Gallery, Phillip Prodger, em um comunicado.

A duquesa escreve que ela está particularmente interessada em fotos de crianças vitorianas, que figuram proeminente em sua seleção de trabalhos para a exposição. "Essas fotografias nos permitem refletir sobre a importância de preservar e apreciar a infância enquanto dura", diz ela. "As crianças ocuparam um lugar especial na imaginação vitoriana e foram celebradas por seu potencial aparentemente ilimitado. Essa noção ainda é verdade para nós hoje ".

Nicholas Cullinan, diretor da National Portrait Gallery, disse à Evening Standard que estava agradecido que a duquesa "apoiasse essa exposição de forma direta e pessoal". Ele disse ainda que a mostra "será uma rara oportunidade de ver as obras desses quatro artistas altamente inovadores e influentes".

A duquesa parece ser mais do que apenas um fã de fotografia. Além de curar o a exposição, ela é uma fotógrafa amadora ansiosa e já lançou fotos que tirou de seus filhos, Prince George, de quatro anos, e a princesa Charlotte, de dois anos de idade.
Os "Gigantes Vitorianos: o Nascimento da Fotografia Artística" estará em exibição de 1º de março a 20 de maio de 2018, na National Portrait Gallery, no St Martin's Place, em Londres.
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Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do artnet News (www.artnet.com), em 16/02/18.

Graças à magia Vantablack, Olimpíadas ganha prédio mais preto do mundo

O edifício criado pelo arquiteto britânico Asif Khan para o Pavilhão Hyundai no Parque Olímpico, dos Jogos de Inverno na Coréia do Sul, é um verdadeiro buraco negro de parede de cerca de nove metros de altura revestida em Vantablack, o material mais escuro já produzido. Matéria de Sarah Cascone para o The Art NewsPaper, em 09/02/18. +

Além de testemunhar feitos de alta classe mundial de atletismo - e uma "trupe de arte" da Coréia do Norte - os visitantes dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang, Coréia do Sul, terão a chance de ver "o edifício mais sombrio da Terra". Projetado pelo arquiteto britânico Asif Khan, o Pavilhão Hyundai no Parque Olímpico é um verdadeiro buraco negro de parede de cerca de nove metros de altura revestida em Vantablack, o material mais escuro já produzido. O resultado é uma impressionante ilusão de óptica.

"Pela distância, a estrutura parece uma janela que olha para as profundezas do espaço sideral. À medida que você se aproxima, essa impressão cresce e preenche todo o campo de visão", disse Khan em um comunicado. "Então, ao entrar no prédio, parece que você está sendo absorvido em uma nuvem de escuridão".

Como Vantablack absorve 99,96% da luz, faz com que qualquer superfície pareça um vazio plano e sem características. Como tal, a fachada do pavilhão de Khan, que ele descreveu para a CNN como "um cisma no espaço", não é o que parece: paredes "planas" cobertas por milhares de luzes cintilantes são realmente fachadas parabólicas, curvando os cantos e tetos. Cada luz está no fim de uma haste, e tudo o que se projeta no edifício tem um comprimento diferente. O prédio parece nada mais que um campo de estrelas flutuando no ar.

Vantablack tornou-se um ponto de partida de controvérsias, graças ao artista indiano britânico Anish Kapoor que licenciou o uso exclusivo do material em obras de arte. Khan começou a trabalhar com o Surrey NanoSystems em 2013, um ano antes de anunciar a invenção de Vantablack e é a primeira pessoa a usar o material inovador em arquitetura.

"Este é o início de uma revolução de nano-materiais", disse Khan ao The Art Newspaper. "O que o Kapoor fez e o que estamos fazendo é a ponta do iceberg". Anteriormente, o arquiteto criou um pavilhão "selfie" com uma tela que se transformava ao imitar os rostos dos telespectadores para as Olimpíadas de 2014 e também propôs um pavilhão, não realizado, com Vantablack para a Expo Milão de 2015.

A equipe de Surrey teve que desenvolver uma nova forma de Vantablack, VBx2, para tornar a visão de Khan uma realidade. O Vantablack original era incrivelmente delicado, uma rede densa de longos nanotubos de carbono que tinha que ser cultivada em uma determinada superfície. O VBx2 é aplicado usando um spray, mas não espere pôr as mãos na superfície tão cedo.

"Nunca será um produto de varejo", disse Ben Jensen, diretor técnico da Surrey Nanosystems, ao The Guardian. "Tem que ser aplicado por empreiteiros especializados treinados por nós, usando uma técnica que forma uma nanoestrutura consistente. Não vem em uma lata de spray." (Kapoor tem sua própria versão de arte especial, Vantablack S-VIS, e seu estúdio foi treinado para seu uso.)

Em contraste com o exterior que jorra preto do pavilhão, o interior do espaço é um branco brilhante. Inspirado na célula de hidrogênio do novo carro da Hyundai, Khan criou uma "sala d’água", que produz 25 mil gotas de água por minuto. O líquido flui em pequenos riachos pela sala, uma poça coleta e depois drena a água em poucos minutos.
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Matéria de Sarah Cascone para o The Art NewsPaper, em 09/02/18.

Feira SP-Arte divulga lista de galerias para a edição 2018

Entre os nomes de destaque que retornam à feira paulistana estão David Zwirner e Marian Goodman (Nova York), White Cube (Londres), Neugerriemschneider (Berlim) e Kurimanzutto (Cidade do México). Já as galerias Roslyn Oxley9 (Sydney), Fragment (Moscou) e Cayón (Madri) estreiam no evento. É a primeira vez que a feira recebe galerias da Rússia e da Austrália. +

A 14ª edição da feira SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo divulgou a lista de galerias participantes no evento, que acontece entre os dias 11 e 15/4 no Pavilhão da Bienal. Trata-se do mais importante evento do setor na América Latina, com a participação de galerias expoentes no mercado das artes provenientes de 15 países. “Em um cenário de instabilidade econômica do país, a solidez e relevância conquistadas junto ao mercado garante que a SP-Arte continue sendo um destino para galeristas do mundo inteiro. Para 2018, queremos reforçar nossas atenções nas novidades produzidas no setor. Além da permanência de galerias já consagradas, a Feira também reserva espaço para novos expositores, que trazem olhares inéditos sobre a produção artística”, afirma Fernanda Feitosa, diretora e fundadora da SP-Arte.

A feira organizará ainda mais uma edição do Gallery Night, circuito entre galerias que antecede a abertura da SP-Arte, nos dias 9 e 10/4. A experiência de estender o horário das galerias e proporcionar um circuito de visitas ao público chega à sua terceira edição e promete movimentar ainda mais a cidade.

Entre os nomes de destaque que retornam à feira paulistana estão David Zwirner e Marian Goodman (Nova York), White Cube (Londres), Neugerriemschneider (Berlim) e Kurimanzutto (Cidade do México). Já as galerias Roslyn Oxley9 (Sydney), Fragment (Moscou) e Cayón (Madri) estreiam no evento. É a primeira vez que a feira recebe galerias da Rússia e da Austrália. Entre as brasileiras, o destaque é a presença de 12 estreantes, entre elas as paulistanas Adelina, Janaina Torres e Mapa (as duas últimas no setor Repertório apostando no resgate da obra de artistas históricos) e a carioca Gaby Indio da Costa.

Criado em 2017, o setor Repertório ganha uma nova edição, mais uma vez sob a curadoria do italiano Jacopo Crivelli Visconti. Com foco em trabalhos produzidos até a década de 1980, a mostra estabelece diálogos entre artistas brasileiros e estrangeiros com expressivos trabalhos, mas ainda com pouco destaque no mercado nacional. Entre os nomes estão o francês Christian Boltanski, representado pela galeria Marian Goodman e reconhecido por obras que tratam da fragilidade da condição humana; e o chinês Chen Zhen, artista conceitual famoso por suas esculturas de grandes proporções, em mostra da italiana Continua. Já no campo nacional, os brasileiros Ione Saldanha (Galeria Almeida e Dale) e Victor Gerhard (Galeria Jaqueline Martins) então entre os artistas cujos trabalhos serão reverenciados pelo setor.

Em sua quinta edição, o setor Solo, curado pela terceira vez por Luiza Teixeira de Freitas, volta-se a individuais de artistas contemporâneos, proporcionando ao público uma imersão na produção e trajetória artísticas destes nomes. A chilena Lotty Rosenfeld (Isabel Aninat), conhecida por seu estilo politizado e feminista, é um dos destaques. A Matthew Zucker reúne obras do suíço Dieter Roth, pioneiro nas artes gráficas, que ficou reconhecido pelos seus trabalhos de edição em livros de arte. A brasileira Marina Weffort, que trabalha com desenhos sobre tecido, foi o nome escolhido pela Cavalo. Duas recém-abertas galerias de Lisboa, Balcony e Uma Lulik, trazem dois novos jovens artistas portugueses: Horacio Frutuoso e Henrique Pavão.

Neste ano, as performances ganham ainda mais importância ao longo do Festival. O setor dedicado à linguagem artística passa a ser curado por Paula Garcia, artista, curadora independente e colaboradora artística do Marina Abramovic Institute. Até a última edição, as performances eram selecionadas por um júri, que recebia propostas de artistas de todo país. Para a SP-Arte/2018, a curadora elegerá cinco trabalhos de longa duração, que se estenderão por todo o período do Festival, em um ambiente especialmente concebido para isso. Os performers já confirmados são Gabriel Vidolin, Karlla Girotto, Paul Setubal e a dupla Protovolia, formada por Jessica Goes e Rafael Abdalla. Em breve o nome de um artista internacional será divulgado pela curadora para se juntar a este grupo.

Desde sua primeira edição, em 2016, o setor dedicado ao Design tem destacado os pontos-chave da história do design no Brasil e no mundo. Voltado a mobiliário, iluminação e antiquário, reúne os principais designers do país, representados por nomes como Etel, Jacqueline Terpins, Hugo França, Ovo e Apartamento 61.
Em 2018, o setor ganhará um espaço reservado para promoção de trabalhos independentes, ainda não produzidos em escala. A intenção é estimular a inserção de novos designers no mercado e fomentar uma produção inovadora. O Projeto de Arquitetos é outro destaque do setor e vai reunir, pelo segundo ano, peças de mobiliário assinadas por renomados arquitetos brasileiros.
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Lista das 140 galerias na feira

SETOR GERAL

Adelina Galeria - São Paulo
A Gentil Carioca - Rio de Janeiro
Alexander Gray Associates - Nova York
Almeida e Dale Galeria de Arte - São Paulo
Aloísio Cravo - São Paulo
AM Galeria de Arte - belo Horizonte
Andrea Rehder - São Paulo
Anita Schwartz Galeria de Arte - Rio de Janeiro
Arte 57 - Renato Magalhães Gouvêa Jr. - São Paulo
ArtEEdições - São Paulo
Arte Hall Galeria de Arte - São Paulo
Athena Contemporânea - Rio de Janeiro
Babel - São Paulo e Miami

Bergamin & Gomide - São Paulo
Bolsa de Arte de Porto Alegre - Porto Alegre e São Paulo
Carbono Galeria - São Paulo
Casa Nova Arte e Cultura Contemporânea - São Paulo
Casa Triângulo - São Paulo
Cassia Bomeny Galeria - Rio de Janeiro
Celma Albuquerque - Belo Horizonte
Choque Cultural - São Paulo
Colecionador Escritório de Arte - Rio de Janeiro
Galleria Continua - San Gimignano (Itália), Beijing (China), Les Moulins França) e Havana (Cuba)
Dan Galeria / Contemporânea - São Paulo
David Zwirner - Nova York e Londres
Eduardo Fernandes - São Paulo
Elba Benitez - Madri
Emmathomas Galeria - São Paulo
Estação - São Paulo
Fernando Pradilla - Madri
Folio - São Paulo
Fortes D'Aloia & Gabriel - São Paulo e Rio de Janeiro
Gabriel Wickbold Studio and Gallery - São Paulo
Galeria Filomena Soares - Lisboa
Galeria Frente - São Paulo
Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
Gustavo Rebello Arte - Rio de Janeiro
Galeria Houssein Jarouche - São Paulo
Hilda Araujo Escritório de Arte - São Paulo
Galeria de Arte Ipanema - Rio de Janeiro
Galeria Inox - Rio de Janeiro
Jackie Shor Project - São Paulo
Janaina Torres Galeria - São Paulo
Galeria Karla Osorio - Brasília
Kubikgallery - Porto
Kurimanzutto - Cidade do México
Galeria Leme - São Paulo
Galeria Luisa Strina - São Paulo
Galeria Lume - São Paulo
Galerie Lisa Kandlhofer - Viena
Lamb Arts - Londres
Lemos de Sá Galeria de Arte - Nova Lima (MG)
Licenciado - Cidade do México
Luciana Brito Galeria - São Paulo
Luciana Caravello Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
Luis Maluf Art Gallery - São Paulo
Lurixs Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
El Museo - Bogotá
Galeria de las Missiones - Montevidéu e Punta del Este
Galeria de Arte Mamute - Porto Alegre
Galeria Marilia Razuk - São Paulo
Galeria Millan - São Paulo
Galeria Murilo Castro - Belo Horizonte
Manoel Macedo Arte - Belo Horizonte
Marcia Barrozo do Amaral Galeria de Arte - Rio de Janeiro
Mario Cohen Fine Art Photography - São Paulo
Mendes Wood DM - São Paulo e Bruxelas
Mercedes Viegas Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
Movimento Arte Contemporânea - Rio de Janeiro
Mul.ti.plo Espaço Arte - Rio de Janeiro
Nara Roesler - São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York
Neugerriemschneider - Berlim
Oma Galeria - São Bernardo do Campo
Papel Assinado - São Paulo
Paulo Darze Galeria - Salvador
Paulo Kuczynski Escritório de Arte - São Paulo
Piero Atchugarry Gallery - Pueblo Garzón (Uruguai)
Pinakotheke - São Paulo e Rio de Janeiro
Privateview - Turim (Itália)
Raquel Arnaud - São Paulo
Referência - Brasília
Ricardo Camargo - São Paulo
Roberto Alban - Salvador
Room 8 - São Paulo
Rocio Sta Cruz - Barcelona
Roman Road - Londres
Ronie Mesquita Galeria - Rio de Janeiro
Sergio Gonçalves Galeria - Rio de Janeiro
Silvia Cintra + Box 4 - Rio de Janeiro
Sim Galeria - Curitiba
Simões de Assis Galeria de Arte - Curitiba
Steiner - São Paulo
Studio D’Arte Campaiola - Roma
Dan Galeria - São Paulo
Sur - Punta del Este
Stephen Friedman Gallery - Londres
Studio Nobrega - São Paulo
Vermelho - São Paulo
Verve Galeria - São Paulo
White Cube - Londres e Hong Kong
Ybakatu - Curitiba
Zipper - São Paulo


SETOR SOLO

Balcony Gallery - Lisboa
Barro Arte Contemporáneo - Buenos Aires
Cavalo - Rio de Janeiro
Central Galeria - São Paulo
Fragment Gallery - Moscou
Isabel Aninat - Santiago do Chile
Galeria Karla Osorio - Brasilia
Parque Galería - Cidade do México
Pasto - Buenos Aires
Periscópio - Belo Horizonte
Portas Vilaseca Galeria - Rio de Janeiro
Superfície - São Paulo
Uma Lulik - Lisboa
Zucher Art Books - São Paulo

SETOR REPERTÓRIO
Almeida e Dale Galeria de Arte - São Paulo
Base - São Paulo
Berenice Arvani - São Paulo
Cayón - Madri e Manila (Filipinas)
Colecionador Escritório de Arte - Rio de Janeiro
Galleria Continua - San Gimignano (Itália), Beijing (China), Les Moulins França) e Havana (Cuba)
Studio D’Arte Campaiola - Roma
Galeria Jaqueline Martins - São Paulo
Galeria Marcelo Guarnieri - São Paulo, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto
Mapa - São Paulo
Marian Goodman Gallery - Nova York, Paris e Londres
Sé - São Paulo
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SP-Arte/2018
Datas abertas ao público: 12 a 15 de abril | Quinta-feira a sábado, das 13h às 21h. Domingo, de 11h às 19h.
Preview: 11 de abril
Local: Pavilhão da Bienal | Parque Ibirapuera, Portão 3 |São Paulo, Brasil
Entrada:
R$ 45,00 [geral]
R$ 20,00 [meia promocional*]
*estudantes, portadores de deficiência e idosos com mais de 60 anos [necessária a apresentação de documento].
O Vale-Cultura poderá ser utilizado para o abatimento de 50% do valor do ingresso. Crianças de até 10 anos não pagam entrada.
A bilheteria encerra suas atividades 30 minutos antes do término do evento.

Enteada de Picasso abrirá museu com maior coleção de obras do artista

Catherine Hutin-Blay, a única filha da segunda esposa de Pablo Picasso Jacqueline Roque, abrirá um museu no sul da França para abrigar sua extensa coleção do artista espanhol. Um representante local disse que a coleção de Hutin-Blay, que ela herdou de sua mãe, contém cerca de 2.000 obras, principalmente do período entre 1952 e 1973, quando Roque estava com Picasso. Compreende mais de 1.000 pinturas, com o resto composto por desenhos, cerâmicas, esculturas, pratos pintados e fotografias. Artigo publicado no portal da revista carioca "Dasartes" em 15/02/18. +

Catherine Hutin-Blay, a única filha da segunda esposa de Pablo Picasso Jacqueline Roque, esta abrindo um museu no sul da França para abrigar sua extensa coleção de Picasso. Hutin-Blay, agora com 70 anos, possui a maior coleção de obras do mundo do artista espanhol.
Um representante do município local disse que a coleção de Hutin-Blay, que ela herdou de sua mãe, contém cerca de 2.000 obras, principalmente do período entre 1952 e 1973, quando Roque estava com Picasso. Compreende mais de 1.000 pinturas, com o resto composto por desenhos, cerâmicas, esculturas, pratos pintados e fotografias.
Hutin-Blay quer dedicar o museu ao pintor e a sua mãe, cujo casamento de 11 anos foi o último do artista. O casal está sepultado no castelo de Vauvenargues, não muito longe do local proposto para o museu. Durante seu casamento, Picasso pintou mais de 400 retratos de Roque.
O novo museu será construído dentro do antigo convento da Faculdade de Pregadores em Aix-en-Provence. O conselho municipal detém o edifício do século 13 desde que foi desativado por um pedido da prefeitura em 2016. O conselho aprovou a venda tanto do prédio por 11,5 milhões de euros (14,1 milhões de dólares) para a empresa de Hutin-Blay, Madame Z , em dezembro do ano passado.
Com a abertura prevista em 2021, o museu incluirá três níveis, dedicando mais de 30.000 mil quadrados a exposições permanentes e mais de 15.000 metros quadrados para exposições temporárias. Haverá também um centro de pesquisa, oficinas de cerâmica e de cerâmica e um auditório de 200 lugares.
De acordo com o conselho, Hutin-Blay pretende que o museu acolhe entre 450.000 e 500.000 visitantes por ano, ou cerca de 1.500 visitantes por dia. “A empresa está empenhada em produzir o museu e suas atividades relacionadas dentro de três anos após a obtenção das autorizações necessárias para a implementação do projeto”, disse o porta-voz do conselho.
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Artigo publicado no portal da revista carioca "Dasartes" em 15/02/18.

Alfredo Volpi conquista o público europeu

Organizada em Mônaco pela galeria paulistana Almeida e Dale, com o apoio do Instituto Volpi, a retrospectiva do pintor Alfredo Volpi apresenta um conjunto com mais de 70 obras, cobrindo quase todos os períodos, de 1940 aos anos 1970. Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de São Paulo" publicado em 13/02/18. +

Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de São Paulo" publicado em 13/02/18.

Aberta no dia 8 pela princesa Caroline de Hanover, no Novo Museu Nacional de Mônaco, a primeira retrospectiva do pintor Alfredo Volpi na Europa, La Poétique de la Couleur, conquistou colecionadores de prestígio como Silvia Fiorucci, dona de um dos melhores acervos de arte do continente europeu. Mas, acima de tudo, seduziu a própria princesa, que, em entrevista ao Estado, concedida durante almoço na casa da família Fiorucci, discorreu com erudição sobre a exposição que acabara de ver.
“Penso que Volpi foi um artista incrivelmente sintonizado com seu tempo”, disse Caroline, a filha mais velha da princesa Grace Kelly e também duquesa de Brunsvique-Luneburgo. Formada em Filosofia na Sorbonne, Caroline revelou-se fascinada pela pintura de Volpi, “especialmente por sua construção cromática”. Bem informada sobre a influência do cromatismo de Matisse na pintura de Volpi, a princesa observou ainda que identificou claramente a ligação do pintor com os pintores pré-renascentistas italianos, citando Giotto e Cimabue.
A esses dois pintores do Trecento italiano, o curador da retrospectiva, Cristiano Raimondi, acrescentou um pintor florentino do Quatrocento, Paolo Uccello, referindo-se ao tríptico A Batalha de San Romano, pintado entre 1435 e 1460. “É possível ver na série de pinturas com mastros e bandeiras que Volpi certamente se inspirou nessa obra de Uccello, o que desfaz o mito de que ele era um pintor ingênuo”. De fato, em sua visita à capela de Scrovegni, em Pádua, Volpi ficou tão impressionado com os afrescos em têmpera de Giottto que é possível dizer, segundo o curador, que há um antes e depois na pintura volpiana após essa viagem, em 1950.
“Poderia citar outros pintores italianos com os quais Volpi se identificou, tanto pré-renascentistas, como Margheritone d’Arezzo, como os modernos, especialmente Morandi, com o qual tinha afinidade, considerando sua exploração de uma espacialidade anti-ilusionista na tela, que deve algo à pintura metafísica.” Volpi ficaria feliz ao ouvir essas observações do curador Cristiano, filho do grande baixo e maestro italiano Ruggero Raimondi, presente à inauguração em Mônaco. Muitas vezes reduzido ao estereótipo de pintor naïf e iletrado, que reproduzia bandeirinhas de festas juninas, Volpi foi elevado com a retrospectiva em Mônaco, que vai seguir para outros países europeus, ao mesmo patamar de suas grandes referências – de Matisse a Morandi.
Organizada pela galeria paulistana Almeida e Dale com o apoio do Instituto Volpi, a retrospectiva do pintor apresenta um conjunto com mais de 70 obras, cobrindo quase todos os períodos, de 1940 aos anos 1970. Há desde as paisagens que representam o prelúdio de suas composições geométricas abstratas até os mastros e bandeirinhas da fase final, passando pelas fachadas dos anos 1950 e 1960 (período mais reforçado pelo curador).
Vários colecionadores brasileiros contribuíram para a realização da mostra, emprestando obras raras e premiadas do artista, entre eles a família de Pedro Mastrobuono, diretor do Instituto Volpi – uma das suas telas, A Sereia, de 1960, ilustra o outdoor que anuncia a mostra no Jardin Exotique de Mônaco, ao lado do museu. Mastrobuono destaca a importância da retrospectiva para a divulgação da obra de Volpi na Europa, pois o pintor, que teve trabalhos expostos na Bienal de Veneza de 1962 e em galerias europeias, nunca havia sido contemplado com uma exposição em um museu do continente, apesar de ter nascido lá, em Lucca, Itália, em 1896.
A pincelada volumétrica de Volpi e sua poética cromática já começam a dar frutos comerciais na Europa. Antes mesmo da mostra (não comercial) ser inaugurada no Museu de Mônaco, três colecionadores do principado haviam comprado obras da galeria que organizou a exposição. No dia 16, uma outra mostra (desta vez comercial) será aberta na galeria S2 da Sotheby’s, em Londres, organizada pela galerista paulistana Luisa Strina.
Na exposição, as obras que mais chamaram a atenção da princesa foram as telas da fase concreta de Volpi (anos 1960), especialmente aquelas que traduzem uma nova articulação formal depois do seu contato com os concretos paulistas. A princesa ficou um tempo razoável diante da uma tela com um triângulo vermelho sobre fundo branco (uma bandeirinha na horizontal, que explora a opacidade da têmpera). As telas dessa fase – curta e difícil para o artista pela reação às cores chapadas – são as mais disputadas (e caras) de Volpi.
A diretora do Museu de Mônaco, Marie-Claude Beaud, a esse respeito, destaca a autonomia de Volpi diante de movimentos que tentaram sua filiação. “Esta é uma das mostras mais originais que já exibimos e isso se deve justamente à singularidade de Volpi, muito ligado à tradição pictórica europeia, é certo, mas livre”.
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Artigo de Antonio Gonçalves Filho para o jornal "O Estado de São Paulo" publicado em 13/02/18.

"O sucesso é um dos maiores inimigos do artista", disse Thomas Cohn

Falecido na segunda-feira, 5/2, aos 83 anos, o galerista alemão Thomas Cohn foi decisivo para a consolidação da chamada Geração 80. Em seminário promovido pela feira SP-Arte, ele falou sobre a experiência de revelar talentos como Leonílson, Leda Catunda e Adriana Varejão. Artigo publicado originalmente na "Página B" em 7/2/18. +

Morreu em São Paulo na segunda-feira (5/2/18), aos 83 anos, o galerista e colecionador alemão Thomas Cohn. Nascido na cidade de Beuthen, de ascendência judia, Cohn veio para a América do Sul aos 8 anos de idade acompanhando a família, que fugia do cerco das tropas nazistas e se estabeleceu no Uruguai. Diagnosticado com um câncer de intestino em 2017, o galerista foi cremado na terça-feira (8), em cerimônia restrita à familiares e amigos.
Radicado no Brasil desde 1962, ao lado de sua primeira companheira, Myriam Tenebaum Cohn (atualmente era casado com Miriam Spira), o marchand alemão criou no Rio de Janeiro, em 1983, a Thomas Cohn Arte Contemporânea, galeria que encerrou atividades em 31 de março de 2012.
Um dos principais espaços para a arte na capital fluminense, a galeria foi determinante para dar visibilidade e consolidar artistas da chamada Geração 80, como Leonílson, primeiramente representado por Cohn, Adriana Varejão, Leda Catunda e Edgard de Souza.
O galerista também foi responsável por levar ao Rio as primeiras individuais de outros importantes artistas, como Mira Schendel, Amilcar de Castro, Lygia Pape, Daniel Senise e jovens artistas internacionais, como Stephen Peirce, James Jessop, Diana Arbus e Tony Cragg.
Em 1997, Cohn decidiu migrar sua galeria para a sede paulistana que marcou sua despedida do mercado de arte. Desde 1984, quando fez sua primeira participação em feiras interncionais na ARCO Madrid, o alemão era figura frequente nas principais feiras e bienais ao redor do mundo.
Em 2012, durante a edição daquele ano da SP-Arte, Thomas Cohn foi um dos convidados do seminário Diálogos, conduzido pelo crítico Adriano Pedrosa e promovido pela feira paulistana com apoio da revista ARTE!Brasileiros.
Bem-humorado, afirmando que saia de cena porque não tinha mais o que oferecer a novos artistas, ao lembrar da visita, em 1983, de um jovem chamado Leonílson, que teve a primeira exposição acordada assim que o galerista viu três obras de uma pasta com dezenas delas, Cohn revelou consequências negativas e positivas de seu pioneirismo:
“Sempre atuei com a filosofia de dar chance aos novos artistas. E muitas vezes perdi dinheiro. Como consequência da descoberta do Leonílson, em menos de 60 dias, por exemplo, eu acabei perdendo Sérgio Camargo, Carlos Vergara, Tunga e José Resende. Mas logo depois entraram artistas como Leda Catunda, Daniel Senise Edgard de Souza e Adriana Varejão.”
Desfrutando do que considerava “vantagens de sair de cena”, Cohn encerrou sua participação no seminário deixando um conselho aos jovens artistas que eventualmente pudessem se deslumbrar com o cenário otimista que o mercado brasileiro vinha experimentando ao longo daquele início de década.
“Eu sempre procurei ser muito franco, agora posso ser ainda mais, e insisto: um dos maiores inimigos do artista é o sucesso. O sucesso comercial é muito perigoso. Quando o dinheiro começa a entrar, algo muito bom, muitos artistas pensam ‘vou continuar com essa linha’. Mas o artista não pode pensar dessa forma. Ele tem sempre que acrescentar algo a sua obra. No dia em que deixar de apresentar esse valor, o artista ‘acabou’.”
Em 2014, depois de dois anos viajando, pesquisando e mantendo contato com artistas europeus, norte-americanos e australianos, Cohn inaugurou na rua Joaquim Antunes, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a primeira galeria de joias de arte do Brasil, com uma mostra inaugural batizada de Colares Contemporâneos. As exposições também eram complementadas com programas educativos, que incluíam palestras e workshops com alguns dos maiores especialistas do universo da joalheria de arte internacional.
Além da viúva Miriam, Thomas Cohn deixa duas filhas, Anny e Vivian Gandelsman, criadora do Artload, um banco de dados com atualização contínua sobre o sistema de arte internacional, que oferece centenas de depoimentos de personagens de diversas áreas.
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Artigo publicado originalmente na "Página B" em 7/2/18.

Artista alega roubo no novo vídeo clip de Kendrick Lamar para o Pantera Negra

A britânica-liberiana Lina Iris Viktor alega que seu trabalho foi usado sem permissão pela equipe do novo clip All the Stars, trilha sonora do filme que apresenta o primeiro super-herói negro no mainstream dos comics. Matéria de Robin Pogrebin para o jornal “The New York Times”, em 11/02/18. +

A equipe que está por trás da "Pantera Negra", o filme que apresenta o primeiro super-herói negro a aparecer no mainstream dos comics, está enfrentando alegações de uma artista britânica-liberiana de que seu trabalho foi usado sem permissão no vídeo clip de Kendrick Lamar para "All the Stars", música da trilha sonora do filme.

No sábado, Christopher Robinson, advogado da artista Lina Iris Viktor, enviou uma carta ao mentor e dono do selo do Sr. Lamar, Anthony Tiffith, do Top Dawg Entertainment, alegando uma violação aos direitos autorais das obras de arte de ouro de 24 quilates em sua série de pinturas "Constelações". A Sra. Viktor foi contatada duas vezes pelos criadores do filme para obter permissão para apresentar seu trabalho, diz a carta, mas decidiu não participar.

"A violação dos direitos da Sra. Viktor é intencional e atrevido", diz a carta, acrescentando que a artista está disposta a "discutir uma resolução de todas as suas reivindicações, consistindo no mínimo uma desculpa pública pelo uso não autorizado e uma taxa de licença".
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Matéria de Robin Pogrebin para o jornal “The New York Times’, em 11/02/18.

Arte rupestre na Austrália é ameaçada por fábricas químicas

A Austrália pode salvar sua arte rupestre? O governo australiano considera introduzir medidas mais protetoras na região da Península de Burrup, onde se encontra a maior e mais antiga concentração de petróglifos no mundo, com 40 mil anos. A península também abriga fábricas de produtos químicos em massa, como nitrato de amônio e fertilizantes, e as atividades industriais podem causar um aumento na acidez atmosférica que pode danificar as rochas ou destruir as esculturas antigas.Confira mais em Notícias no site.Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site artNet (www.artnet.com), em 06/02/18. +

A Austrália pode salvar sua arte rupestre? O governo está considerando introduzir medidas mais protetoras para a Península de Burrup na costa da Austrália Ocidental, onde se encontra a maior concentração de petróglifos no mundo, com mais de um milhão de escavações em áreas de rochas vermelhas enferrujadas.

A península também é uma zona industrial importante, que abriga fábricas de produtos químicos em massa, como Yara de nitrato de amônio e fertilizantes para plantas e processamento de gás LNG da Woodside. Acredita-se que a atividade industrial cause um aumento na acidez atmosférica e pode danificar as rochas ou destruir as esculturas antigas, de acordo com arqueólogos, cientistas e ambientalistas.

A arte rupestre é o trabalho do povo Yaburarra, que chamou a região de lar até um massacre na década de 1860. Representando figuras humanas, bem como animais terrestres e marinhos, algumas das esculturas datam de 40 mil anos. Chamado Murujuga pelos indígenas australianos, a península é casa da maior e mais antiga coleção de petróglifos do continente.

"A primeira arte rupestre foi feita durante a era do gelo", disse Judith Hugo, fundadora da Friends of Australian Rock Art, ao The Guardian. "É um registro da sobrevivência da humanidade há mais de 40.000 anos, através das mudanças climáticas e do aumento do nível do mar ... Não há mais nenhum outro lugar no mundo".

Nós ilustramos este artigo com imagens tiradas na região em 2008, há quase 10 anos. As legendas escritas pelo serviço de fio observam os riscos levantados pela atividade industrial na região. A industrialização foi iluminada pelo governo nos anos 60 e 70, sem o pleno conhecimento do significado da arte rupestre. Desde então, o desenvolvimento certamente destruiu partes da enorme quantidade de petróglifos.

Em 2007, o governo federal designou parte da península como um parque nacional e colocou a arte rupestre sobrevivente no registro do patrimônio nacional. A Península Burrup está de volta à notícia esta semana, em uma antecipação de um relatório sobre a questão em que o comitê do Senado deverá lançar a qualquer momento.

Estudos anteriores da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth - a agência do governo federal para pesquisas científicas, que fizeram expansões recentes da atividade industrial - foram atacados por supostamente estarem usando uma ciência falha em relatórios que afirmam que a arte da pedra não será afetada se os níveis de acidez da atmosfera multiplicassem mil vezes.

O debate sobre se a indústria e a arte antiga podem coexistir com segurança é feroz. Os defensores da arte rupestre estão buscando passar diretrizes de emissões mais estritas e prevenir o desenvolvimento futuro. Também há esperança a listagem da herança mundial da UNESCO, ou mesmo de mover plantas existentes para outras partes do país.

John Black, cientista aposentado da CSIRO, se tornou um grande crítico do trabalho da agência. "Nós sabemos que a arte rupestre está sendo destruída e simplesmente nós não sabemos o quão rápido", ele disse ao The Guardian, citando a mudança de cor das rochas. A pátina vermelha distinta das rochas, descrita por Black como um verniz do deserto, provavelmente vem de microorganismos pequenos e de crescimento lento que podem ser eliminados pelo excesso de acidez ou mudanças dramáticas na temperatura.

Yara discorda, dizendo ao The Guardian "até a data, não há evidências científicas credíveis para indicar que as emissões industriais existentes tiveram algum impacto mensurável sobre a arte rupestre na península de Burrup".

Como o governo vai continuar com essa questão delicada questão, continuaremos a ver.
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Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site artNet (www.artnet.com), em 06/02/18.

Governo butanês remove o trabalho de Invader de locais históricos budistas

O movimento decisivo do governo foi elogiado por vários residentes do Butão, que se ofenderam de que o artista colocasse mosaicos em edifícios sagrados. Outros fãs, no entanto, estão desapontados com a remoção dos trabalhos. Matéria de Rachel Corbett publicada originalemnte no site do artnet News (artnet.com), em 07/02/18. +

O artista de rua francês Invader provocou indignação nas últimas semanas por sua quase uma dúzia de mosaicos, criados no estilo de videogames vintage pixelados, em locais históricos budistas no Butão. Enquanto vários observadores, incluindo muitos seguidores do Invader no Instagram, achavam a ação desrespeitosa, o artista disse à artnet News que ele tinha permissão do monge "chefe" para instalar pelo menos uma das obras, um mosaico mandala em Cheri Goemba - o mais antigo mosteiro do Butão.

No entanto, funcionários da divisão de propriedades culturais do governo agora removeram as obras de Invader, que incluíram um monge levitante, um dragão e um alvo, de acordo com o jornal Kuensel do Butão. O mosteiro "é um dos mais significativos do país", informa Kuensel, e atualmente está em reformas.

"É prematuro dizer algo sobre a questão neste momento", disse a ministra da Casa, Dawa Gyaltshen, ao jornal. Ela disse que o governo ainda estava investigando exatamente como o artista da rua veio instalar as obras nos locais sagrados.

Nem Invader nem funcionários do governo retornaram pedidos de comentários sobre a remoção das obras.
O movimento decisivo do governo foi elogiado por vários residentes do Butão, incluindo o usuário @ yoezer29, que postou a história do papel para sua conta Instagram Story e escreveu "Finalmente! Obrigado Senhor. #invadersnãopoderiaestaraqui.”

Outros fãs, no entanto, estão desapontados com a remoção dos trabalhos. "Estávamos preocupados que as pessoas possam roubar as instalações para vendê-las, mas para que isso seja vandalizado, como isso é tão triste, mas também embaraçoso para nós como uma nação", escreveu o fotógrafo Pawo Choyning Dorji no Instagram.

Invader defendeu-se contra os críticos em 30 de janeiro, quando escreveu sua própria mensagem Instagram: "Eu sei que algumas pessoas gritarão que é desrespeitoso ter praticado minha arte no Butão. Pessoalmente, eu não penso assim! Minha prática conta uma história e não sei por que devo privar o Butão desta história. Tenho orgulho de ter deixado o meu rastro naquele maravilhoso país ".
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Matéria de Rachel Corbett publicada originalemnte no site do artnet News (artnet.com), em 07/02/18.

Artistas publicam carta aberta que rejeita Arte da Parede no muro de Trump

Vinte e cinco artistas e funcionários de Cultura assinaram uma carta aberta contra o aoio de instituições de arte a um projeto para criar projetos de arte em protótipo do muro de Trump na fronteira com o México. Artigo de Benjamin Sutton publicada originalmente no site do Hyperallergic (www.hyperallergic.com), em 06/02/18. +

No final do ano passado, o artista suiço-islandês Christoph Büchel lançou o MAGA, uma organização sem fins lucrativos que pressiona e pede que os oito protótipos da parede fronteiriça EUA-México de Donald Trump se tornem um monumento nacional.
O projeto, que o artista mantém inclui passeios de clientes que pagam para ir do Museu de Arte Contemporânea em San Diego (MCASD) para Tijuana, e depois para os protótipos perto do cruzamento fronteiriço de Otay Mesa.
Mas um grupo de 25 artistas, escritores e trabalhadores da área de Cultura lançou uma carta aberta pedindo às instituições culturais que "trabalhem contra a promoção da supremacia branca, juntando-se a nós para repudiar esses protótipos como `Arte` ".
"Para mim, as fronteiras e as paredes nunca podem ser apenas ideias abstratas a serem conceituadas a uma distância permitida por uma exuberância de privilégio e mobilidade", disse Gelare Khoshgozaran, artista e escritor baseado em LA, que liderou a carta aberta, à Hyperallergic.
"São experiências vividas todos os dias que afetaram meu corpo, meu bem-estar e saúde mental, minha família, minha racionalização e mobilidade, bem como minhas carreiras de arte e escrita. Vendo como casualmente, não apenas uma, mas duas instituições de arte dos EUA estavam participando da promoção ou facilitação dos passeios de protótipo da parede e, assim, normalizando esse projeto como "arte" - como se estivéssemos esquecendo quem publicou o convite à chamada de propostas em primeiro lugar - não consegui me manter em silêncio. Eu alcancei meus amigos e comunidade para me ajudar a pensar, processar e escrever. A carta é o resultado desse esforço coletivo. "
Os signatários da carta incluem Sasha Ali, gerente de exposições e comunicações no Craft & Folk Art Museum; artista e curador Matthew Lax; artista e instrutor do Colégio da Cidade de Los Angeles Oscar Miguel Santos; A conselheira de arte de Genebra Myriam Vanneschi; e Carol Zou da Asian Arts Initiative. Eles criticam não só o projeto de Büchel e a aparente cumplicidade do MCASD, mas também a mega-galeria Hauser & Wirth (que representa a Büchel) pela promoção da MAGA nas mídias sociais e no New York Times por sua cobertura acrítica.
"A petição de Büchel, a cobertura do New York Times, a promoção do tour de Hauser & Wirth e o Museu de Arte Contemporânea de San Diego, permitindo que o museu seja um ponto de encontro para os passeios, tornam flagrantes os fracassos da arte contemporânea: preocupado mais com espetáculo e ironia do que desarmar criticamente as estruturas opressivas que prejudicam a vida dos mais vulneráveis ", diz parte da carta (está incluída na íntegra abaixo). "Estamos profundamente afetados e, portanto, atentos, como nossas instituições se posicionam em resposta às atrocidades dos nossos tempos e estamos comprometidos com o trabalho de responsabilizá-los."
O Museu de Arte Contemporânea de San Diego emitiu uma declaração que esclarece que não está de modo algum envolvido ou afiliado ao projeto de Christoph Büchel. A declaração, originalmente publicada no Facebook, lê-se na íntegra:
“O Museu de Arte Contemporânea de San Diego não está afiliado ao projeto do artista suiço-islandês Christoph Büchel sobre os protótipos da parede de fronteira, nem o MCASD foi consultado sobre servir como ponto de encontro para seus passeios.
Por mais de 30 anos, o MCASD apresentou exposições e programas que corajosamente abordam questões relacionadas à fronteira EUA / México. Continuamos empenhados em apoiar artistas em San Diego e Tijuana que promovam conversas e ações sobre as questões urgentes da nossa região binacional.”


Segue abaixo a carta completa - os leitores que desejam assinar podem incluir seus nomes através deste formulário do Google goo.gl/Soz8DS

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Carta às Instituições de Arte e Cultura: repudiar os Protótipos de Parede de Fronteira do México-Supremacista Branco da MAGA como "Arte"

6 de fevereiro de 2018

Violência e arte nunca foram estranhos. Existem inúmeras maneiras em que a Arte Contemporânea colide com estruturas de poder. Seja nos relacionamentos construídos entre galerias e desenvolvedores, ou instituições de financiamento de artes que dependem da extração de recursos e da exploração trabalhista, a Arte Contemporânea não está isenta do poder e seu abuso e, muitas vezes, o reforça.

O exemplo de hoje é a petição de Christoph Büchel, que ele considera uma "crítica mundial do mundo da arte", exigindo a proteção de oito protótipos para a parede que marca a fronteira entre os Estados Unidos e o México como "monumentos nacionais". O artista também ofereceu passeios de $ 20 nos protótipos, patrocinados por sua organização sem fins lucrativos chamada MAGA (uma referência a Make America Great Again), com o Museu da Arte Contemporânea, o centro da cidade de San Diego servindo como ponto de encontro. No dia 29 de janeiro, a Hauser & Wirth - uma "galeria líder internacional de arte contemporânea e moderna com espaços em Zurique, Londres, Somerset, Nova York, Los Angeles, Hong Kong e Gstaad" - publicou com crítica o vídeo promocional da parede - passeios de protótipo em seu Instagram e feeds do Twitter, encaminhando os telespectadores para o site da MAGA e, assim, tolerando o trabalho do artista.

A petição de Büchel, a cobertura do The New York Times, a promoção de Hauser & Wirth e o Museu de Arte Contemporânea de San Diego, permitindo que o museu seja um ponto de encontro para os passeios, tornam flagrantes os fracassos da Arte Contemporânea: preocupados mais com espetáculo e ironia do que desarmar criticamente as estruturas opressivas que prejudicam a vida dos mais vulneráveis. O simples fato de que esses protótipos de paredes de fronteira - símbolos e ferramentas da campanha suprema da supremacia branca "Fazer America Great Again" - podem ser tão facilmente co-optados na linguagem da Arte Contemporânea - como "escultura", "arte da terra" ou "minimalismo" "- mostra como a arte contemporânea não é força em oposição ao poder e ao seu abuso. Não só Christoph Büchel, Michael Walker (do New York Times) e Hauser & Wirth Gallery falham na crítica, eles reforçam o uso da arte para eufemizar e estética da violência do Estado, e zombar das experiências vividas daqueles mais afetados por essa violência.

Nós, os signatários desta carta, queremos dizer alto e claramente que nada sobre um projeto, artefato, parede ou edifício xenófobo e branco supremacista deve ser espetacular e promovido por artistas ou instituições artísticas. Sabemos que as instituições de arte não foram historicamente locais de revolta ou resistência. Há formas cumulativas e complexas nas quais as instituições de arte e os artífices contemporâneos são cúmplices em manter o status quo opressivo. No entanto, o apoio e a promoção da arte suprema violenta e branca são um ato inaceptable de violência em si mesmo. As instituições têm poder e o poder requer responsabilidade. Somos profundamente afetados e, portanto, atentos, como nossas instituições se posicionam em resposta às atrocidades dos nossos tempos e estamos comprometidos com o trabalho de responsabilizá-los.

Pedimos a todas as instituições de arte que mudem ativamente o status quo da cumplicidade, trabalhem contra a promoção da supremacia branca, juntando-se a nós para repudiar esses protótipos como "Arte". Além disso, exigimos uma desculpa da Hauser & Wirth e do Museu de Arte Contemporânea de São Diego para a promoção do fascismo, não como a absolvição, mas como o primeiro passo para as reparações. Até então, nós, os signatários desta carta, pedimos um boicote à Hauser & Wirth e ao Museu de Arte Contemporânea de San Diego. Como escritores, nos recusamos informar ou escrever sobre suas exposições; como editores nos recusamos solicitar a escrita em suas exposições; como artistas nos recusamos visitar suas galerias; como assessores de arte e curadores, nos recusamos a patrocinar essas instituições e recomendamos que nossos clientes façam o mesmo. Nós, abaixo-assinados, recusamos apoiar Hauser & Wirth e o Museu de Arte Contemporânea de San Diego por seu apoio, promoção e facilitação de um projeto desagradável e violento patrocinado por um grupo de supremacistas brancos.

Pedimos aos artistas e aos trabalhadores culturais que se juntem a nós em nossa posição, adicionando sua assinatura.

Sasha Ali, Craft & Folk Art Museum, Los Angeles
Morehshin Allahyari, artist & activist, NYC
Kyle Bellucci Johanson, artist, Chicago
Dan Bustillo, artist & writer, Los Angeles
Aleesa Cohene, artist, Los Angeles
Jenna Crowder, artist & editor, Portland, Maine
Niloufar Emamifar, artist, Los Angeles
Arshia Haq, artist, Los Angeles
Taraneh Hemami; artist, educator, activist, SF
Maryam Hosseinzadeh, cultural worker & tour organizer, Los Angeles
Andre Keichian, artist & educator, Los Angeles
Shirin Khalatbari, artist, Berkeley
Gelare Khoshgozaran, artist & writer, Los Angeles
Matthew Lax, artist & curator, Los Angeles
Nazafarin Lotfi, artist & educator, Tucson
Alli Miller, artist, Los Angeles
Nooshin Rostami, artist & educator, New York
Maybe Jairan Sadeghi, artist & registered nurse, Pittsburgh
Oscar Miguel Santos, artist & educator Los Angeles City College, Los Angeles
Jimena Sarno, artist & educator, Los Angeles
Joshua Smith, artist, Los Angeles
Penelope Uribe-Abee, artist & educator, Los Angeles
Myriam Vanneschi, art advisor & curator, Geneva, Switzerland
Samira Yamin, artist, Los Angeles
Carol Zou, cultural worker, Philadelphia
Sasha Ali, Craft & Folk Art Museum, Los Angeles
Morehshin Allahyari, artista e ativista, NYC
Kyle Bellucci Johanson, artista, Chicago
Dan Bustillo, artista e escritor, Los Angeles
Aleesa Cohene, artista, Los Angeles
Jenna Crowder, artista e editor, Portland, Maine
Niloufar Emamifar, artista, Los Angeles
Arshia Haq, artista, Los Angeles
Taraneh Hemami; artista, educador, ativista, SF
Maryam Hosseinzadeh, trabalhadora cultural e organizadora de turismo, Los Angeles
Andre Keichian, artista e educador, Los Angeles
Shirin Khalatbari, artista, Berkeley
Gelare Khoshgozaran, artista e escritor, Los Angeles
Matthew Lax, artista e curador, Los Angeles
Nazafarin Lotfi, artista e educador, Tucson
Alli Miller, artista, Los Angeles
Nooshin Rostami, artista e educador, Nova York
Talvez Jairan Sadeghi, artista e enfermeiro, Pittsburgh
Oscar Miguel Santos, artista e educador Los Angeles City College, Los Angeles
Jimena Sarno, artista e educadora, Los Angeles
Joshua Smith, artista, Los Angeles
Penélope Uribe-Abee, artista e educador, Los Angeles
Myriam Vanneschi, assessora de arte e curadora, Genebra, Suíça
Samira Yamin, artista, Los Angeles
Carol Zou, trabalhadora cultural, Filadélfia

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Na foto, obra de Carlos Garaicoa “Yo no quire ver mas a mis vecinos” (“Não quero mais ver meus vizinhos”, de 2006) no Castello di Ama na Toscana, Itália.

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Matéria de Benjamin Sutton publicada originalmente no site do Hyperallergic (www.hyperallergic.com), em 06/02/18.

Leonardo DiCaprio junta-se à Magnus, o app que pretende desmistificar o mercado

O ator ganhador de um Oscar e colecionador de arte deu seu apoio a nova empreitada desenvolvida pelo ex-galerista Magnus Resch. O app busca informações importantes de obras de arte a partir de uma pesquisa fotográfica. Matéria de Tim Schneider, publicada originalmente em inglês no portal do artnet News (artnet.com), em 06/02/18. +

Leonardo DiCaprio tem sido uma presença familiar em feiras de arte, casas de leilões e museu há anos, construindo uma reputação como coletor antenado com fome de arte nova, às vezes até adquirindo com a ajuda de sua conta Instagram. Agora, o ator ganhador do Oscar atravessou ainda mais esse cruzamento entre arte e tecnologia, tornando-se um investidor na Magnus, o aplicativo que se vende como um "Shazam para a arte", bem como conselheiro para novas empreitadas.

Fundada em abril de 2016 por Magnus Resch, ex-galerista e autor do livro Gestão de Galerias de Arte, o aplicativo epônimo é projetado para permitir que os usuários tirem uma fotografia de uma obra de arte e depois traz suas informações importantes, incluindo o nome do artista, o título, a data, a história da exposição e, o mais importante no mercado de arte notoriamente opaco, seu preço. Resch vê isso como uma placa crucial em sua "missão de aumentar a transparência no mercado da arte" e, no processo, "aumentar o número de compradores", disse ele à artnet News.

Para fornecer seus dados confidenciais, a Magnus conta com uma base de dados de mais de 10 milhões de obras de arte encontradas em mais de 20 mil estabelecimentos de artes, que vão desde museus a galerias até casas de leilão, diz Resch. Ele acrescenta que o banco de dados foi construído e validado por dois principais grupos: um de usuários não afiliados e apaixonados por arte, composto por "pessoas que nunca conheci" de todo o mundo e um contingente de galerias proativas que oferecem preços, principalmente porque, nas palavras de Resch, "eles sabem que vamos conseguir de qualquer maneira".

O processo de recuperação de dados da Magnus não foi livre de fricção. Como informou a artnet News, a Magnus foi removida da loja de aplicativos mais importante da Apple até o final de 2016 depois que a Artsy e a ArtFacts acusaram a Resch e sua equipe de raspar informações de seus próprios bancos de dados sem permissão. Três galeristas alemães também alegaram que foram enganados em fornecer dados ao time de Resch sob falsos pretextos.

Resch, no entanto, manteve sua inocência e, após todas as queixas foram resolvidas ou retiradas - conforme relatado pelo Financial Times - a Apple retornou a Magnus para a App Store em novembro de 2016. Agora está disponível para iOS e Android gratuitamente e também pelo site www.magnus.net.
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Matéria de Tim Schneider, publicada originalmente em inglês no portal do artnet News (artnet.com), em 06/02/18.

Thomas Cohn comemora 20 anos de mercado de arte - Entrevista histórica

Entrevista concedida ao editor do portal Mapa das Artes para publicação na revista argentina de artes plásticas "Southwar Art" em fevereiro de 2003, um mês antes de Thomas Cohn completar 20 anos de mercado de arte no Brasil. +

No dia 17 de março de 1983, na rua Barão da Torre, em Ipanema, no Rio de Janeiro, o mercado brasileiro de artes plásticas ganhou um personagem que entraria para a sua história: Thomas Cohn. Não se tratava, no entanto, de um artista-revelação. Thomas Cohn chegava ao mercado com um papel visto com certo desprezo pelo circuito artístico: o de galerista. Tratava-se de um ato de coragem. O galerista estava deixando para trás 20 anos de trabalho em uma empresa de aparelhos médicos e iniciando-se em uma carreira totalmente nova às vésperas de completar 50 anos de idade.
As mudanças, porém, não o assustavam. Havia sido assim durante toda a sua vida.
Thomas Cohn nasceu na Alemanha, na cidade de Beuthen (hoje Polônia), em 1934, mas com menos de cinco anos teve que deixar o país com outras crianças e mulheres. Era o início da Segunda Guerra. Os vistos poderiam ser para o Brasil, Palestina, Austrália ou Uruguai e, depois de uma breve estadia na Itália, a família rumou para o Uruguai.
“Ali estudei música e teatro. Cheguei a atuar no grupo El Galpón, um dos mais importantes da América Latina, mas, evidentemente, não tinha talento para as artes cênicas”, lembra Thomas Cohn.
Em 1962, já casado com Myriam Cohn (hoje sua sócia na galeria), mudou-se para o Rio de Janeiro como representante de uma empresa de aparelhos médicos e para laboratório. Sem parentes ou amigos na cidade, restava ao jovem casal freqüentar as galerias de arte. O passo seguinte foi tornar-se colecionador. “Me lembro até hoje do dia em que assinei um cheque para o Antonio Dias na parede da Petite Galerie, em 1963”, conta Thomas Cohn. Antonio Dias, Rubens Gerchman e Roberto Magalhães eram três dos jovens artistas que haviam convencido Thomas Cohn a comprar obras de artistas emergentes, ou seja, deles.
Nos anos seguintes, o interesse se aprofundou. Cohn passou a visitar ateliês no Brasil e no exterior, organizou mostras e chegou mesmo a assinar colunas de artes plásticas nos jornais cariocas quando seus titulares entravam em férias.
Depois de 20 anos comprando obras de arte, Thomas Cohn decidiu mudar de lado. “Nós não éramos ricos e isso impedia que nossa coleção crescesse além de certos limites. Ao abrir uma galeria, nós renunciávamos à posse definitiva das obras, mas teríamos a possibilidade de trabalhar com mais artistas e a possibilidade de influir no mercado de arte”, conta Cohn.
Thomas Cohn logo se tornou um descobridor de jovens talentos e um dos maiores incentivadores de um grupo de jovens artistas que viria a se tornar conhecido como e “geração 80”. Faziam parte do grupo nomes como Lia Menna Barreto, Edgard de Souza, Leonilson, Leda Catunda, Adriana Varejão e Caetano de Almeida.
A descoberta de jovens talentos continua sendo um grande prazer para o galerista, que instituiu há oito anos o programa Portas Abertas e que já revelou nomes como Walter Goldfarb, Rodrigo Cunha, Carmen Alves e Luis Flávio, entre outros. “Para mim, como galerista, o orgasmo vem no começo”, afirma o galerista, também responsável pela introdução no país de artistas como Guillermo Kuitca, Moico Yaker, Priscilla Monge e Diego Piriz, entre outros.

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MA - Você está completando 20 anos como galerista, mas poderia ter dado muitos outros rumos para a sua vida. Por que e como foi sua opção pelo mercado de arte?

TC - Eu posso responder essa pergunta de duas maneiras: objetivamente e subjetivamente. Falando objetivamente, foi um caminho lógico. Quando eu cheguei ao Brasil, em 1962, não tinha família ou amigos aqui. Éramos apenas Myriam, então minha mulher, e eu no país. Passamos então a freqüentar as galerias e, alguns meses depois, já estávamos comprando obras. Logo depois, Antonio Dias, Rubens Gerchman, Roberto Magalhães e outros artistas se aproximaram e sugeriram que comprássemos obras de artistas da nossa geração, ou seja, obras deles. O conselho deles era correto e começamos assim a formar uma coleção. A decisão de abrir uma galeria veio naturalmente. Nós não éramos ricos e isso impedia que nossa coleção crescesse além de certos limites. Ao abrir uma galeria, nós renunciávamos à posse definitiva das obras, mas teríamos a possibilidade de trabalhar com mais artistas e obras e a possibilidade de influir no mercado de arte.
Do ponto de vista subjetivo, teremos que entrar no campo freudiano. Eu tive sérios problemas com meu falecido pai, que era muito interessado em artes plásticas, mas privilegiava um primo meu nas discussões sobre arte, pois ele era dez anos mais velho que eu. Eu me sentia relegado. Hoje eu penso que a minha obsessão por arte, em detrimento da música ou do teatro, que eram minhas opções iniciais, pode ter sido uma espécie de vingança.

MA - Qual foi a primeira individual de sua galeria e que repercussão obteve?

TC - Houve muita discussão sobre qual deveria ser a primeira individual da galeria. O primeiro convite foi feito ao Antonio Dias, mas, por algum motivo que desconheço, ele desistiu. Os artistas sugeriram então o Carlos Vergara, que fez um tremendo sucesso de público e de crítica. A mostra foi toda vendida e rendeu páginas inteiras nos jornais.

MA - Nesses seus 20 anos como galerista, qual foi seu maior orgulho?

TC - Meu maior orgulho é ter feito o que eu propus desde o primeiro momento. O propósito da galeria sempre foi lançar artistas novos no mercado brasileiro e fazer um intercâmbio com o mercado exterior. Fomos os primeiros a participar de feiras internacionais; fizemos exposições de fotografias, como as de Diane Arbus e Eadweard Muybridge; trouxemos artistas como Tony Cragg; lançamos artistas que hoje fazem sucesso internacionalmente; fomos uma das pedras angulares da geração 80, que foi a primeira a ser conhecida no exterior e ainda hoje é discutida; fomos os primeiros a expor no Rio as esculturas de Amílcar de Castro... Outro orgulho que tenho é o programa Portas Abertas, que realizo desde 1996. Ele é inédito e pretende mapear a programação de uma cidade a cada ano. Já fizemos isso em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Com esse programa revelamos artistas como Walter Goldfarb, Carmem Alves, Rodrigo Cunha, Luis Flávio e outros. Tudo isso me orgulha, mas o que mais me deixa orgulhoso é nunca ter sucumbido à tentação de virarmos apenas uma galeria comercial e também nunca ter aliciado um artista de colega.

MA - E qual foi a sua maior decepção nesses 20 anos?

TC - A minha maior decepção foi constatar que não necessariamente os grandes artistas são grandes pessoas, são seres humanos da maior qualidade. Às vezes, o trabalho que é feito pode ser apenas um degrau facilmente esquecido pelo artista que é lançado pela galeria.

MA - Você tem a fama de ser briguento. Isso é verdade? Isso não é contraproducente para o mercado de arte?

TC - As duas respostas são positivas. Eu sou briguento sim, não posso negar. Sou muito afetivo com as pessoas, mas quando acho que está sendo cometida uma incorreção ou uma picaretagem, eu reajo com força. Essa minha fama não é injusta. Isso tem me prejudicado, mas acho que essa necessidade de bajular todo mundo, de ser extremamente diplomático, isso é bom para a maioria das pessoas, mas eu não rezo por essa Bíblia.

MA - Você foi uma das pessoas mais influentes na formação da geração 80 das artes brasileiras. O que permaneceu dessa geração? Esse investimento foi acertado?

TC - Foi nesta geração que a arte brasileira internacionalizou-se e nós fomos os primeiros a mostrar esses artistas. Nos anos 80 também surgiu uma geração dos curadores, que privilegiou as novas técnicas em detrimento da pintura. Mas hoje, novamente estamos trabalhando com muito carinho com a pintura quando novamente está sendo decretada a sua morte. Hoje se fala muito em novas técnicas, como se essa mudança de técnica representasse uma contribuição às artes. Isso não importa. O que importa é o conteúdo, o que o artista tem a dizer. A forma com a qual ele diz é irrelevante. Tanto faz se ele usa pintura, escultura, instalação ou fotografia. Importante é o que se faz com a técnica. Nós estamos a favor do conteúdo e contra o endeusamento da técnica. Essa é a nossa luta. Ela fez e ainda faz sentido para nós.

MA - Há 20 anos, todas as atenções se voltaram para a pintura. O que daria visibilidade para a arte contemporânea hoje?

TC - Eu acabo de voltar de Londres e Nova York e as galerias estão cheias de pinturas. A pintura prevaleceu na década de 60, na década de 80 e acredito que prevalecerá novamente neste início de século. A fotografia é importante, mas ainda não resolveu alguns problemas técnicos. A escultura continuará sendo fundamental e haverá algumas instalações, mas apenas onde houver museus que comprem, pois dificilmente um colecionador compra uma instalação, que é muito limitada pelo mercado. Eu acho que o desenho sempre foi muito negligenciado, principalmente devido aos problemas de conservação do papel, mas acho que é uma técnica fundamental.

MA - Como serão os próximos 20 anos da galeria?

TC - Vamos continuar na nossa linha de atuação. Vamos apostar em novos nomes e investir na área internacional. Este ano faremos exposições de um fotógrafo argentino (Carlos Trilnick), um escultor inglês (Tony Cragg), um pintor inglês (Alain Miller), uma artista costa-riquenha (Priscilla Monge). Vamos apresentar também os jovens Paulo de Queirós e Oscar Satio Oiwa.

MA - A arte internacional tem mercado no Brasil?

TC - Isso não me interessa tanto e eu não trabalho pensando nisso. Eu quero fazer uma proposta visual. Eu tento manter a minha aventura comercial dentro do mínimo que possa sustentar a galeria. Eu não tenho uma grande família para sustentar ou a perspectiva de criar uma grande fortuna. Estou com 68 anos de idade e não tenho intenção de ficar rico com a galeria. Eu a considero um centro cultural que precisa se auto-sustentar. Só isso. Por isso quero fazer boas exposições, dar chances a jovens artistas e criar boas exposições para o público. Mas não posso sustentar uma galeria na av. Europa apenas com artistas principiantes.

MA - O mercado de arte evoluiu nos últimos 20 anos?

TC - Acho que sim. Claro que o mercado não evoluiu tanto quanto gostaríamos, mas evoluiu no sentido em que hoje em dia os colecionadores estão mais preocupados em fazer uma boa coleção que fazer uma coleção bonita. Hoje existem muito mais artistas brasileiros em coleções internacionais, da mesma forma que existem mais artistas estrangeiros em coleções brasileiras.

MA - Quais são os maiores problemas do mercado de arte no Brasil?

TC - A falta de críticos é um dos problemas. A crítica de arte se detém apenas em artistas consagrados, assim como os museus. Essa falta de crítica é um problema geral em todo o país. Uma mostra ainda é encarada mais como um evento social que como um evento de crítica. Não seria nada mal ter uma crítica, mesmo que ela fosse negativa. Isso faz parte. Existe crítica de teatro, de cinema, mas não de artes plásticas. Também faz falta uma revista de arte. Todos que tentaram esta aventura fracassaram, mas acho que o Brasil está pronto para isso, pois não há mercado na América Latina tão forte quanto o brasileiro. Talvez o México... No entanto, a Argentina tem umas três revistas de arte, o México tem várias, a Colômbia tem uma e o Brasil não tem nenhuma.

MA _ Qual a colaboração do galerista para a resolução desses problemas?

TC - O galerista sempre está limitado pelos problemas econômicos do país. O ano passado foi fraco devido às tensões pré-eleitorais. Este ano, o panorama parece aliviado em relação ao Lula, mas existe a ameaça de uma guerra. O primeiro mercado que sai prejudicado na eminência de um conflito internacional é o mercado de arte. O primeiro mercado onde se deixa de investir é no Terceiro Mundo e o primeiro departamento desativado é o de artes plásticas. O galerista está navegando em um mar muito agitado. Ele pode levar seu próprio navio, mas suas possibilidades de mudar a maré são limitadas.

MA - Você falou que faz falta uma revista de arte, mas você acha isso possível em um mercado onde os galeristas mal se falam?

TC - Uma revista tem que ser feita fora do mercado, pois os galeristas não irão se unir para fazer isso, pois há problemas de vaidade, de rivalidades... Mas se uma editora resolver publicar uma revista de arte, as galerias serão obrigadas a se movimentar para ter visibilidade e farão anúncios. As galerias brasileiras já anunciam em revistas americanas, européias e latino-americanas e anunciarão em uma revista brasileira.

MA - Quais seriam seus conselhos para um jovem colecionador?

TC - O meu conselho seria o mesmo que eu recebi quando comecei: compre artistas de sua geração e cresça com eles. Não compre medalhões. Não se preocupe com o preço das obras ou com o desconto que você receberá As coleções não se fazem com descontos, mas com a qualidade das obras adquiridas. Invista sempre nas melhores obras, pois são elas que valorizam mais. Escolha muito bem a galeria onde você compra e tente comprar em poucas galerias, de preferência naquelas com a qual você se identifica. Não tenha medo de comprar aquilo que você não entende, pois a obra que você entende não dura muito na sua cabeça. Depois de três meses você está olhando através da obra. A obra que você não entende vai lhe desafiar por muito mais tempo.

MA - Quais problemas um jovem colecionador pode encontrar no mercado?

TC - Os problemas são seus próprios medos: medo do que os outros vão dizer, medo de não poder explicar as obras, medo de seus próprios preconceitos... Para não ter problemas, o colecionador deve comprar dentro de um orçamento. Ele pode até cometer uma loucura, mas precisa saber medi-la. Eu também cometo loucuras, pois a paixão é um componente muito forte do espírito do colecionador.
O bom colecionador deve saber também quais são as próximas tendências. Ele não deve ir para o passado. Ele precisa olhar para o futuro. É preciso saber qual será o bom negócio daqui a dez anos e não o que foi negócio há dez anos atrás. Ele precisa saber o que aconteceu nos 10, 20, 50 e 100 anos passados, mas ter seu olho treinado para os dez anos futuros.

MA - Como você recebe um jovem colecionador em sua galeria?

TC - Da mesma forma que recebo um jovem artista. O jovem colecionador me interessa, pois esse é um terreno que conheço. Já fui um jovem colecionador e sei quais são os erros que se comete, pois eu os cometi. Para ele eu posso transmitir minha experiência e meus conhecimentos.
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Entrevista concedida ao editor do portal Mapa das Artes para publicação na revista argentina de artes plásticas "Southwar Art" em fevereiro de 2003, um mês antes de Thomas Cohn completar 20 anos de mercado de arte no Brasil.

Morre Thomas Cohn, galerista que revelou artistas da Geração 80

Os artistas Leonilson, Daniel Senise e Adriana Varejão foram artistas representados por ele, em sua galeria nos anos 1980. Matéria de Gustavo Fioratti, publicada no jornal “Folha de São Paulo“, em 06/02/18. +

​Morreu na segunda (5), aos 83 anos, o galerista e colecionador de arte alemão Thomas Cohn, que teve atuação importante durante a retomada da pintura no cenário das artes nos anos 1980.

Seu corpo foi cremado nesta terça-feira (6), em cerimônia fechada para poucos familiares e amigos, seguindo seu próprio pedido.

De família judia e nascido em Beuthen, cidade na fronteira da Alemanha com a Polônia, Cohn teve de sair de sua terra natal aos oito anos, durante a Segunda Guerra Mundial, fugindo do Exército nazista com a mãe e primos.

Estabeleceu-se com a família, primeiro, no Uruguai, onde passou sua juventude.

Em 1962, mudou-se para o Rio, na companhia de Myriam Tenenbaum Cohn, que seria sua primeira mulher --ele teria um segundo casamento, com Miriam Spira, mãe de Anny e Vivian Gandelsman.

Em entrevista realizada no ano passado por Vivian (o vídeo está disponível no site artload.com), o galerista conta que, ainda indecisos sobre a permanência no país, ele e Myriam escolheram morar em um hotel em Copacabana. A estadia ali durou oito meses.

"As paredes eram muito cinzas, então a gente começou a comprar obras de arte para decorá-las", ele rememora. No vídeo, com humor, Cohn assume que comprou "muita coisa errada" nesse seu início de trajetória.

Pouco antes de completar 30 anos, Cohn resolveu desfazer-se de todas as obras adquiridas. Com o dinheiro, casou-se com Myriam, decidiu fixar-se de vez no Brasil e, sob influência de um jovem amigo brasileiro, o artista Antonio Dias, então com 19 anos, começou a prestar atenção no trabalho de artistas nacionais contemporâneos.

Passou os anos 1970 viajando e comprando obras --também de estrangeiros. Adquiriu trabalhos assinados por Lygia Clark, On Kawara, Christian Boltanski, entre outros.

GERAÇÃO 80

Foi em 1983 que decidiu, enfim, abrir a galeria Thomas Cohn, dando privilégio ao trabalho de pintores.

O espaço ganhou relevância ao embarcar na efervescência de um movimento originado em torno desse suporte e também por apostar em artistas ainda sem proeminência, mas que despontavam como uma renovação geracional em um momento de abertura política.

Era aquela que se chamaria Geração 80, com a qual ganharam projeção artistas como Daniel Senise, Luiz Zerbini, Beatriz Milhazes, Leda Catunda e Leonilson.

Esses dois últimos eram representados por Cohn antes da mostra "Geração 80", realizada por Marcus Lontra, Paulo Roberto Leal e Sandra Magger, em 1984, no Parque Lage.

Nos anos 1990, Cohn trocou o Rio por São Paulo, onde reabriu sua galeria. Senise, representado por ele desse período até 2001, diz que Cohn se destacava pela independência de pensamento e pelo olhar atento a cenários de fora do país. "Era um homem do mundo", resume.

Ou, no outro sentido, "um dos pioneiros embaixadores da arte brasileira no exterior", diz a galerista Nara Roesler.

'APAIXONADO'

Nos anos 2000, as questões do corpo, da performance, da tecnologia e da palavra ganharam volume em outros espaços dedicados à arte, mas a galeria de Cohn permaneceu fiel a suportes tradicionais.

A galeria funcionou até 2012, quando seu dono decidiu se dedicar a outra atividade e abriu um escritório voltado ao design de joias, que funcionou até o ano passado, quando ele recebeu o diagnóstico de câncer no intestino.

Vivian diz que Cohn, além de apreciador das artes visuais, gostava de ouvir música eletrônica. "Virou um expert no assunto, antes mesmo de eu saber o que era música eletrônica", diz ela, 32.

"Um apaixonado". Assim o crítico Agnaldo Farias define seu "amigo Thomas".

"Começou a colecionar arte e abriu sua galeria com o mesmo ardor. Primeiro a mostrar Leonilson. Foi responsável pela descoberta de Adriana Varejão. Por causa de atitudes como essa, muita gente, arrogantemente ortodoxa, rompeu com ele. A Geração 80, depois consagrada, deve muito a seu olhar crítico e sensibilidade", completa.

Sua paixão se exprimia também nas "viagens de pesquisa", "surpreendentes". "Era entusiasmado tanto quanto indignado por tudo que lhe interessava: arte, a política, os passes errados do São Paulo, time do coração", conclui Farias.

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Matéria de Gustavo Fioratti, publicada no jornal “Folha de São Paulo“, em 06/02/18.

Cientistas descobriram ruínas de uma civilização Maia no norte da Guatemala

Usando lasers, os arqueólogos descobriram os restos do assentamento sob a selva exuberante da Guatemala. São mais de 60 mil moradias, templos, estradas elevadas, e outras estruturas sintéticas, bem como outras estruturas artificiais, em cinco milhões de acres, uma área protegida na região de Petén da Guatemala. Matéria de Naomi Rea publicada originalmente no portal atnet (www.artnet.com), em 02/02/18. +

Arqueólogos descobriram restos de um enorme assentamento Maia que foi escondido durante séculos sob um desfiladeiro exuberante na selva sobre o norte da Guatemala. As descobertas fizeram com que especialistas revisassem sua compreensão sobre a civilização antiga.

Pesquisadores de uma organização sem fins lucrativos local, chamada de Fundação PACUNAM, descobriram mais de 60 mil moradias, templos, estradas elevadas, e outras estruturas sintéticas, bem como outras estruturas artificiais, na Reserva de Biosfera Maia de cinco milhões de acres, uma área protegida na região de Petén da Guatemala, relatou a National Geographic.


Usando uma tecnologia laser chamada LiDAR (Light Detection and Ranging ou Detecção e Alcance da Luz), os cientistas descascaram digitalmente o luxuoso dossel das imagens aéreas da selva para descobrir toda a extensão dessa civilização pré-colombiana abandonada.


Com base no maior conjunto de dados LiDAR já registrado, que abrange uma região de 800 quilômetros quadrados, as descobertas surpreendentes indicam que os maias eram muito mais avançados e interligados do que os especialistas - cuja pesquisa havia revelado apenas cidades amplamente dispersas e escassamente povoadas – como tinham pensado anteriormente.

Suas descobertas são verdadeiramente inovadoras. Em vez de um local que atende uma população estimada de cerca de 5 milhões, este novo suporte de dados é muito mais denso e mais próximo de 15 milhões, em uma fase de civilização avançada semelhante à da Grécia antiga e da China.

"As imagens do LiDAR deixam claro que toda essa região era um sistema de assentamento, cuja escala e densidade populacional haviam sido subestimadas grosseiramente", afirmou a revista National Geographic, Thomas Garrison, especialista em tecnologia digital.

A escala sem precedentes da descoberta mostrou que as pessoas que viviam na América Central há 1.200 anos eram muito mais sofisticadas do que se supunha anteriormente. Foram descobertas centenas de estruturas anteriormente desconhecidas, incluindo calçadas elevadas que ligam diferentes cidades, e desenvolveram sistemas de irrigação com canais, diques e reservatórios, capazes de suportar um sistema agrícola complexo.

E, aparentemente, essas cidades maias foram militarizadas. Os arqueólogos ficaram surpresos ao descobrir uma ampla evidência de muros defensivos, muros e fortalezas. "A guerra não só estava acontecendo no final da civilização", explica Garrison. "Foi em larga escala e sistemática, e isso durou muitos anos".

Infelizmente, enquanto o local é novo para os arqueólogos, também já foi muito saqueado. Milhares de poços foram descobertos por cavaleiros modernos, então quaisquer tesouros óbvios já podem ter sido roubados há muito tempo.

Mas considerando que a vasta área completa - que os pesquisadores planejam investigar ao longo de três anos - abrange mais de 5.000 milhas quadradas, quem sabe quais tesouros e mistérios antigos ainda não foram descobertos?

Matéria de Naomi Rea publicada originalmente no portal atnet (www.artnet.com), em 02/02/18.

“Hilas e as Naiades” volta pra seu lugar em Manchester

Pintura pré-rafaelita foi removida temporariamente de seu lugar de exibição para estimular o debate com o público. +

Depois de uma semana de ausência, O quadro “Hilas e as Naiades” (Hylas and the Nymphs), do pintor pré-rafaelita britânico John William Waterhouse (1849-1917), voltou a ser exibido em seu lugar de origem na Manchester Art Gallery.
Segundo o museu inglês, a polêmica retirada não se tratou de censura, mas apenas para estimular a discussão do público em torno da mostra individual da artista Sonia Boyce, que acontecerá no museu em março.
O quadro de Waterhouse é talvez a representação mais clássica e conhecida mundialmente do mito grego de Hilas, personagem que acompanhou Jasão na expedição dos Argonautas e que, durante uma parada em Misia (Ásia menor), foi atraído pelas Naiades, ninfas dos lagos e fontes. Na ocasião, Héracles abandonou a expedição para tentar encontrar o jovem seduzido e, enquanto discutia com as Ninfas por causa do rapaz, a Argo (nau que recebeu o nome do seu criador e que se atribui depois aos seus tripulantes) partiu deixando-o para trás.