destaques
conteúdo
publicidade
notícias

Exposições ameaçadas

O Masp iniciou, na quinta, 17, uma parceria com a Tate Modern, de Londres, em que recebe seis obras do museu britânico para a exposição Acervo em Transformação. A mostra, porém, foi parar na Justiça, já que, na chegada das obras ao Aeroporto Internacional de Campinas, o museu foi notificado de uma cobrança maior na tarifa de admissão temporária. Por meio de um mandado de segurança, o museu reverteu a cobrança. Artigo de Pedro Rocha para o jornal "O Estado de S. paulo" editado em 18/05/18. +

O Masp iniciou, na quinta, 17, uma parceria com a Tate Modern, de Londres, em que recebe seis obras do museu britânico para a exposição Acervo em Transformação. A mostra, porém, foi parar na Justiça, já que, na chegada das obras ao Aeroporto Internacional de Campinas, o museu foi notificado de uma cobrança maior na tarifa de admissão temporária. Por meio de um mandado de segurança, o museu reverteu a cobrança.
“Foi uma grande surpresa, não esperávamos que acontecesse com o Masp”, diz, ao Estado, o presidente do museu, Heitor Martins. A mudança na cobrança não se deu por novas leis, mas por uma reinterpretação da lei vigente. Nos contratos de concessão dos aeroportos, baseados na Portaria n.° 219/GC5, de 27 de março de 2001, da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, são definidas as taxas para “cargas que entrarem no País sob o regime de Admissão Temporária destinadas, comprovadamente, aos certames e outros eventos de natureza científica, esportiva, filantrópica ou cívico-cultural”. Nesses casos, a tarifa, no aeroporto de Viracopos, baseada na Tabela 9 do Anexo 4, estabelece a cobrança por peso, de R$ 0,15 por quilo.
Ao chegarem a Viracopos, as obras da Tate, no entanto, foram cobradas por outra tabela, a 11, para “Carga Importada de Alto Valor Específico”. Por esta tabela, para desembarcar e armazenar as obras por um prazo de três dias, Viracopos cobraria cerca de R$ 243 mil, com base no valor das pinturas, que, somadas, são avaliadas em aproximadamente R$ 160 milhões. Se ficassem mais um dia, a tarifa chegaria a R$ 972 mil. Pela tabela 9, que foi aplicada após a decisão judicial, considerando apenas o peso, o Masp pagou R$ 130.
Em nota, a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, que administra o aeroporto de Campinas, condenou a decisão, por considerar que o termo “cívico-cultural” não caberia à exposição. “Tais eventos, como exposições de obras de artes, por exemplo, não podem ser qualificados como ‘cívico-cultural’, tendo em vista que possuem fins lucrativos e há a cobrança para que a população visite o espaço.”
O museu discorda, já que o Masp não tem fins lucrativos. Para Martins, a decisão do aeroporto é preocupante. “O Masp é uma das principais portas de entrada para obras internacionais do País. Para os próximos cinco anos, temos planejadas exposições muito importantes. A atitude do aeroporto coloca incerteza no processo e pode inviabilizar grande parte dessas exposições. Os prejudicados serão o público e a cultura brasileira.”
Em abril, a SP-Arte, feira de galerias nacionais e internacionais, também entrou na Justiça para garantir a cobrança pela tabela 9, agora no Aeroporto de Guarulhos. “A cobrança só é conhecida quando a carga chega – algumas galerias acabaram pagando pela outra tabela porque foi em cima da hora”, afirma Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte. No caso do Masp, Viracopos alegou que o termo “cívico” seria afetado pela cobrança de ingresso. Mas, mesmo para a SP-Arte, que tem fins comerciais, Feitosa acredita que não cabe tal interpretação. “Não cabe ao aeroporto legislar sobre matéria que não é pertinente a ele. O Ministério da Cultura é o único órgão do País que pode definir o que é ou não cultural.” Outra exposição afetada foi 100 Anos de Arte Belga , na Fiesp, em março, quando obras chegaram da Suíça pelo aeroporto do Galeão, no Rio. “Também argumentaram sobre o cívico-cultural. Essa norma tem que ser mais precisa”, diz Patrícia Galvão, produtora responsável pela mostra. Com o Galeão, a situação foi resolvida na conversa e a taxa aplicada pela tabela 9.
Apesar de concentrar mais ocorrências, o setor de artes visuais não foi o único afetado. Orquestras também tiveram instrumentos musicais tarifados, pelo menos inicialmente, fora da tabela 9. A Sociedade de Cultura Artística sofre com problemas desde 2017 – todos também resolvidos na base do diálogo. Para se precaver, a instituição tem procurado os aeroportos antes da chegada dos músicos ao Brasil. “Quanto mais importante a orquestra, maior o valor dos instrumentos”, preocupa-se Frederico Lohmann, superintendente da Cultura Artística. “A cobrança de taxas fora da tabela 9 inviabiliza apresentarmos concertos, porque os valores seriam muito altos. Ficaria mais caro que o cachê.”
#
Artigo de Pedro Rocha para o jornal "O Estado de S. paulo" editado em 18/05/18

Brasileira Monica Nador é uma das vencedoras do Prêmio Montblanc

Projeto JAMAC - Jardim Miriam Arte Clube receberá 15 mil euros. Jochen Volz (diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo) está no júri de premiação. Artigo editado no site da revista "Dasartes". +

A Fundação Cultural Montblanc revelou os 17 beneficiários de seu 2018 Arts Patronage Award em 26/4/18 em Munique, na Alemanha. Jürgen Wesseler, representado por seu filho, recebeu o prêmio para a Alemanha. O mundialmente famoso Prêmio de Patrocínio de Artes da Montblanc reconhece patronos excepcionais das artes em 17 países em todo o mundo, apoiando suas respectivas atividades filantrópicas.
Os premiados foram selecionados pelo Curatorium da Fundação, formado por Anne Barlow (diretora da Tate St. Ives), Sunjung Kim (diretor da Gwangju Biennale), Jean de Loisy (presidente do Palais de Tokyo) e Franklin Sirmans (diretor do Perez Art Museum). Jochen Volz (diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo) e os presidentes da Fundação, Sam Bardaouil e Till Fellrath.
Os vencedores foram nomeados por 50 figuras culturais internacionalmente estabelecidas em todo o mundo. Como parte do prêmio, cada um deles recebe uma doação de 15.000 euros da Montblanc Cultural Foundation para suas organizações e projetos sem fins lucrativos.
Ao comentar sobre os prêmios deste ano, os presidentes da Fundação Cultural Montblanc Sam Bardaouil e Till Fellrath disseram: “O Prêmio de Patrocínio das Artes é a maneira da Fundação reconhecer o papel essencial que os patrocinadores desempenham na promoção de vários aspectos do mundo das artes. Ao reconhecer publicamente as conquistas notáveis ​​dos beneficiários deste ano, esperamos ampliar o apoio para cada um de seus projetos únicos.”
“Através de seu generoso apoio, esses clientes modernos continuam a causar um impacto mensurável tanto nas comunidades artísticas quanto na sociedade, enriquecendo mentes e inspirando audiências com novas perspectivas criativas”, explica Vincent Montalescot, membro da diretoria da Montblanc Cultural Foundation. “O apoio contínuo que indivíduos comprometidos e apaixonados como esses prestam às artes é incrivelmente importante e essencial para nutrir cenas de artes prósperas tanto localmente quanto internacionalmente.”

Os ganhadores do prêmio Montblanc Arts Patronage de 2018 são:

Monica Nador (Brasil): fundadora do JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube em 2003, um estúdio aberto sem fins lucrativos e centro de arte na periferia sul de São Paulo dedicado à comunidade local como resposta à falta de espaços dedicados à arte na área .

Juan Yarur (Chile): presidente da FAMA (Fundação AMA), que desde 2002 oferece a artistas e historiadores da arte oportunidades de intercâmbio no exterior por meio de colaborações com instituições internacionais.

Shum Chiu Hung (China): fundador do Museu do Tempo em Guangzhou, em 2003, como um espaço dedicado à pesquisa e apresentação de arte contemporânea, e promoção de práticas artísticas locais, públicas e interdisciplinares através de exposições, residências e projetos de envolvimento comunitário.

Sandra Hegedüs (França): fundadora da SAM Art Projects em 2009, que através de um prêmio anual de arte contemporânea, residências artísticas em Paris, e dando suporte a vários outros projetos inicia o diálogo entre os praticantes culturais do hemisfério norte e suas contrapartes do sul.

Jürgen Wesseler (Alemanha): fundador do Kabinett für aktuelle Kunst (Gabinete para Artes Contemporâneas) em 1967 em Bremerhaven, que moldou a paisagem da cena da arte contemporânea através de exposições pioneiras para alguns dos artistas mais importantes dos últimos 50 anos.

Iordanis Kerenidis e Piergiorgio Pepe (Grécia): fundadores do Phenomenon, um festival de arte contemporânea na ilha de Anafi em 2015, consistindo de exposições de arte, programas de residência, palestras, exibições de filmes e outras atividades culturais.

Claire Hsu e Johnson Chong (Hong Kong): fundadores do AAA Asia Art Archive, que desde 2000 fornece aos pesquisadores oportunidades para documentar e disseminar as múltiplas histórias recentes de arte na Ásia por meio de residências, programas educacionais e de pesquisa, publicações e publicações institucionais. colaborações.

Anna d’Amelio Carbone e Fabiana Marenghi Vaselli Bond (Itália): diretores da Fondazione Memmo em Roma que desde a sua fundação em 2002 tem facilitado o diálogo em torno das artes através de exposições, performances, residências, palestras, conferências, workshops e publicações artísticas. .

Yoshihisa Nakano (Japão): diretor do Terrada Soko (Armazém Terrada), que desde 1950 tem sido um complexo de artes líder que oferece espaços para exposições, estúdios de artistas e um programa de conservação de arte em colaboração com a Universidade de Yokohama.

Choi Yun-Jung (Coréia): diretor da Paradise Culture Foundation em Seul, que desde sua fundação em 1998, e seu espaço de arte contemporânea ZIP em 2016 tem sido um dos principais apoiadores de exposições, residências e programas de intercâmbio.

Zaza e Philippe Jabre (Líbano): filantropos que ao longo de várias décadas têm apoiado várias organizações de artes sem fins lucrativos no Líbano e em outros lugares, como Ashkal Alwan e o Centro de Arte de Beirute, bolsas de estudo, bem como uma grande doação ao programa de história da arte. Universidade Americana de Beirute.

Yoshua Okon (México): fundadores da SOMA em 2009, como uma organização dedicada ao intercâmbio cultural e pedagogia artística através de seus vários programas acadêmicos, residenciais e públicos, promovendo o desenvolvimento profissional de artistas emergentes.

Asya Filippova (Rússia): fundadora do Fabrika Center for Creative Industries em 2005, que apoia as atividades de artistas independentes e criativos, bem como comissões e produz uma ampla gama de projetos artísticos.

José Maria Lafuente (Espanha): fundador do Arquivo Lafuente, na Cantábria e em Madri, em 2002, que dá acesso a cerca de 120.000 documentos e 2.000 obras de arte especializadas na história da arte do século XX na Europa, América Latina e Estados Unidos. com particular ênfase na Espanha.

Hubert Looser (Suíça): filantropo e colecionador que ao longo de cinco décadas introduziu importantes movimentos artísticos e artistas em novos públicos anos antes de assumir o reconhecimento público. Mais recentemente, seu patrocínio culminou em um empréstimo permanente de uma grande parte de sua coleção de arte contemporânea para o Kunsthaus em Zurique.

Catherine Petitgas (Reino Unido): filantropa e presidente da instituição de caridade franco-britânica Fluxus Art Projects, que desde 2010 apóia artistas contemporâneos dos dois países no momento em que eles começam a emergir do cenário nacional e precisam de apoio para expor no exterior.

Laura Donnelley (EUA): fundadora e principal patrocinadora da Art Matters, que desde 1985 tem apoiado experiências inovadoras em arte, dando mais de 300 bolsas a artistas norte-americanos para bolsas e projetos colaborativos em diversos meios de comunicação.
#
Artigo editado no site da revista "Dasartes".

Governo de Minas quer contratar Inhotim, sem licitação, para formar professores

O museu, segundo o governo, prestaria serviço de "formação de professores da rede estadual para promoção e utilização dos acervos artísticos, botânico e patrimonial do Instituto Inhotim como recursos pedagógicos, para a acessibilidade, a inclusão e a valorização da identidade cultural". Artigo de José Marques para o jornal "Folha de S. Paulo" editado em 10/05/18. +


Duas semanas após fechar um acordo de transferência de obras de arte como forma de quitar dívidas, o governo de Minas Gerais iniciou processo de contratação do Instituto Inhotim por R$ 2,1 milhão, sem licitação, para formação de professores do estado.
O procedimento, chamado "ratificação do ato de reconhecimento de inexibilidade de licitação", foi publicado no Diário Oficial de Minas nesta quinta-feira (10). É o primeiro passo para que o contrato com o museu seja assinado.
Nele, cita artigo da lei de licitações que permite a dispensa de concorrência pública na prestação de serviços técnicos de "profissionais ou empresas de notória especialização".
O museu, segundo o governo, prestaria serviço de "formação de professores da rede estadual para promoção e utilização dos acervos artísticos, botânico e patrimonial do Instituto Inhotim como recursos pedagógicos, para a acessibilidade, a inclusão e a valorização da identidade cultural".
No último dia 27, o dono do museu, Bernardo de Mello Paz, fechou um acordo com o governo que transferia a propriedade de 20 obras de seu acervo, inclusive quarto de Adriana Varejão, como "Celacanto Provoca Maremoto", painel que imita azulejos portugueses, e a escultura de azulejo “Linda do Rosário”.
Elas foram oferecidas por Paz como forma de quitar dívidas de ICMS das suas empresas de mineração que se arrastam por mais de 25 anos. O débito foi calculado em R$ 471,6 milhões e era considerado de difícil recuperação pelo estado.
O empresário, porém, aderiu ao Plano de Regularização de Créditos Tributários, lei estadual aprovada ano passado que dá desconto aos devedores e permite o pagamento com obras de arte. Com a redução, a dívida total de dez empresas de Paz, que integram o Grupo Itaminas de mineração, cai para R$ 111,8 milhões.
O valor das obras do museu a céu aberto, que é referência internacional, ainda não foi estabelecido.
O objetivo do acerto não é o valor financeiro das obras, mas assegurar que o museu a céu aberto, considerado referência internacional, continue funcionando em Minas por muito tempo.
Procurado, o governo de Minas Gerais diz que não há suspeições sobre a contratação de Inhotim para formar professores. "O contrato, que ainda não foi celebrado, não possui nenhum outro objetivo além da realização da formação", diz a Secretaria de Educação do estado em nota.
"[A contratação do] Instituto Inhotim dá continuidade a uma parceria firmada em 2015 e 2016, com o objetivo de promover a capacitação de educadores da rede estadual de Minas Gerais para promoção e utilização dos acervos artísticos, botânico e patrimonial do Instituto, recursos pedagógicos que possibilitam a valorização da identidade cultural, a inclusão e o acesso aos bens culturais", afirma a secretaria.
"Além das capacitações de 1.000 professores e a realização de mais de 9 mil visitas ao Instituto, o contrato prevê a distribuição para as escolas estaduais de 2 mil publicações de conteúdo educativo transversal, com os acervos de arte, botânica e patrimônio da instituição", acrescenta.
Segundo o órgão, outros 1.000 professores foram formados em 2016. "Durante o curso, os professores trocaram experiências, conheceram melhor a estrutura e normas de funcionamento do museu e debateram as variadas abordagens pedagógicas possíveis de serem realizadas por meio dos acervos. Os docentes exploram o espaço do Instituto Inhotim buscando desenvolver, cada um a partir das suas próprias particularidades, o desenho de circuitos de visitação específicos para as suas turmas de estudantes", afirma a nota.
"Desta forma, os professores tornam-se mediadores do contato dos jovens com os acervos artísticos e ecológicos de Inhotim. A intenção é capacitar os educadores para que as visitações não se concretizem simplesmente como experiências intuitivas, mas sejam vivenciadas pelos estudantes dentro de uma proposta pedagógica. E também que os acervos sejam trabalhados em sala de aula, a partir das publicações que são disponibilizadas."
#
Artigo de José Marques para o jornal "Folha de S. Paulo" editado em 10/05/18.


Tarifa de aeroporto

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) obteve liminar para alterar a tarifa de armazenagem cobrada pelo Aeroporto Internacional de Campinas (SP) sobre seis obras emprestadas do museu britânico Tate Museum. Texto editado no jornal "Valor Econômico" em 11/5/18. +

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) obteve liminar para alterar a tarifa de armazenagem cobrada pelo Aeroporto Internacional de Campinas (SP) sobre seis obras emprestadas do museu britânico Tate Museum, as quais ingressarão no Brasil sob o regime de admissão temporária para a exposição "Acervo em Transformação - Tate no MASP", que será aberta no dia 17. A decisão é da 2ª Vara Federal de Campinas. Em mandado de segurança, o Masp alega que todas as vezes em que promoveu o intercâmbio de obras com museus estrangeiros, a tarifa de armazenagem sempre foi apurada considerando que os eventos a que eram destinadas tinham caráter cívico-cultural, exigindo a utilização da Tabela 9 do Anexo 4 do Contrato de Concessão do Aeroporto Internacional de Campinas. Essa tabela considera o peso dos objetos como base de cálculo das tarifas (R$ 0,16 por kg). Contudo, o aeroporto exigiu a aplicação da Tabela 7, que considera o valor do seguro dos bens como base de cálculo da tarifa - e não o peso. O Masp argumenta que, como as obras estão avaliadas em mais de R$ 160 milhões, haveria um aumento absurdo nos valores cobrados, inviabilizando a admissão dos bens.
#
Texto editado no jornal "Valor Econômico" em 11/5/18.


Mais enxuta, Bienal do Mercosul destaca arte afro-brasileira

Em cartaz na capital gaúcha até 3 de junho, 11.ª edição do evento traz como tema o 'triângulo atlântico' e dá destaque à arte africana e afro-brasileira. Artigo de Julia Corrêa , em Porto Alegre , para o site http://cultura.estadao.com.br , editado em 16/5/2018. +

Desde abril, Porto Alegre recebe a 11.ª Bienal do Mercosul, que volta com um ano de atraso, após ter tido o orçamento afetado pela crise econômica. O adiamento está entre episódios adversos que marcaram o cenário cultural da cidade em 2017. Além de ter outras instituições afetadas pela crise, como a Fundação Iberê Camargo, a capital viu um de seus principais espaços de arte, o Santander Cultural, virar alvo de hostilidades devido à mostra Queermuseu.
Apesar dos sinais de recuperação, reflexos desse quadro continuam visíveis. A edição surge mais enxuta, com 248 trabalhos – cerca de 400 a menos do que na anterior. Sob o título O Triângulo Atlântico e curadoria do alemão Alfons Hug, o evento dialoga com os 130 anos da Abolição da Escravidão, que inspira outras iniciativas pelo País, caso da mostra Ex Africa, no CCBB paulista, que traz, aliás, o mesmo curador da Bienal.
PUBLICIDADE
inRead invented by Teads
Abordando os fluxos migratórios entre América, África e Europa, a edição dá destaque à arte africana e afro-brasileira. Para se ter uma ideia, de seus 77 artistas, 21 são originários da África e 19, do Brasil – um recorte que se explica pela trajetória do curador. Hug tem familiaridade com o Brasil. Já foi por duas vezes curador da Bienal de São Paulo e, entre 2002 e 2015, foi diretor do Instituto Goethe no Rio de Janeiro. Na África, comandou a sede da mesma instituição em Lagos, na Nigéria.
É pelo seu olhar – e pelo da curadora adjunta, Paula Borghi – que é possível conferir obras de africanos como a nigeriana Mary Evans. Radicada em Londres, ela apresenta dois trabalhos no Santander Cultural, nos quais usa recortes em papel craft para abordar diferentes representações dos corpos negros. Outro destaque é Omar Victor Diop. Nascido no Senegal, ele exibe oito fotografias sobre revoltas históricas negras.
Americano residente no Canadá, Adad Hannah é um dos nomes de fora da África que não fogem, contudo, da temática. É sua uma releitura em vídeo de A Balsa da Medusa, de Géricault. Resultado de residência no Senegal, o trabalho exibido no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) relaciona o naufrágio retratado na primeira obra com a atual crise de refugiados.
Tanto para Hug quanto para Gilberto Schwartsmann, presidente da Fundação Bienal, a importância de uma mostra assim no Rio Grande do Sul reside no fato de ser um Estado tido como “branco”, que se esquece, porém, de seu passado escravagista. Essas considerações pautaram várias atividades desenvolvidas pelo evento. Os brasileiros Jaime Lauriano e Camila Soato, por exemplo, foram convidados a realizar residências em dois quilombos do Estado.
Ferida ainda aberta. Os reflexos dos episódios de 2017 não são apenas econômicos. Os ataques à exposição Queermuseu tornaram-se motivo de preocupação para a Bienal. O Estado apurou que a organização submeteu uma sala do Margs à avaliação prévia de lideranças negras da cidade, para saber se as cenas ali representadas poderiam ser ofensivas. O espaço é um dos pontos altos da edição, em que esculturas em argila do português Vasco Araújo aparecem expostas ao lado de reproduções de Debret. Com forte apelo visual, as obras de Araújo revelam, de forma crítica, cenas da violência de colonizadores contra escravos africanos.
“Sofri muito com a questão do Queermuseu, o cancelamento foi muito traumático. Então buscamos dar uma lição de como nós podíamos pacificar certas questões”, revelou o presidente da fundação. Questionado se a ação não poderia ser associada a uma forma de “censura prévia”, ou fazer com que outros grupos reivindicassem o mesmo tipo de acesso, Schwartsmann justifica: “A obra jamais seria retirada. Havia total liberdade curatorial. Mas até os grandes museus do mundo criam sistemas de alerta para evitar problemas. Foi doçura, não foi censura”. Segundo ele, nenhum dos visitantes se sentiu ofendido com a obra.
#
Artigo de Julia Corrêa , em Porto Alegre , para o site http://cultura.estadao.com.br , editado em 16/5/2018.

Modigliani de US$ 157 milhões lidera venda impressionista da Sotheby"s

Leilão gerou US$ 318 milhões O muito aguardado Modigliani tornou-se o quarto trabalho mais caro já vendido em leilão - mesmo que o resto da venda parecesse sonolento. Texto de Eileen Kinsella para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) publicado em 14/5/18. +

A venda de arte impressionista e moderna da Sotheby's foi um estudo em contrastes. O leilão viu um nu de Modigliani se tornar a quarta obra de arte mais cara já vendida em leilão. Apesar da venda de nove dígitos, no entanto, a noite foi - de alguma forma - um assunto delicado. No final das contas, a noite gerou US $ 318,3 milhões, pouco acima de sua estimativa mínima de pré-venda: entre US$ 307,4 milhões e US$ 378,1 milhões (os preços finais, a menos que indicados, incluem prêmios; as estimativas de pré-venda não).

A grande peça da noite - e uma das mais comentadas nessa temporada - foi a grande “Nu Couché (Sur le Côté Gauche)” (1917), de Amedeo Modigliani, que teve uma estimativa de US$ 150 milhões, a mais cara já feita em um único trabalho em leilão. O trabalho foi vendido por US$ 157 milhões, depois de pouca disputa.

Dito isso, a noite fez consideravelmente mais do que os US$ 173 milhões realizados na venda equivalente na primavera passada, que foi prejudicada pela retirada de última hora de um lote de estrelas.

Embora o leilão tenha produzido um total saudável e o Modigliani também tenha se tornado a obra de arte mais cara já vendida na Sotheby's, o lote não conseguiu atender a sua baixa estimativa e inúmeros outros trabalhos foram comprados ou vendidos abaixo da estimativa, mesmo com seus prêmios. Dos 45 lotes oferecidos, 32 ou 71% foram vendidos.
Tanto quanto é possível dizer que uma obra de arte de nove dígitos teve um desempenho sem brilho, esta fez. A leiloeira Helena Newman abriu a licitação em US$ 125 milhões, mas não parecia haver demanda imediata. Newman fez uma pausas em US$ 135 milhões e novamente em US$ 138 milhões e US$ 139 milhões, mas sem sucesso.

O chefe do departamento impressionista e moderno, Simon Shaw, elevou o preço para um lance final de US$ 139 milhões. Em uma entrevista coletiva após o leilão, Shaw disse que a casa não poderia comentar sobre a identidade do comprador. A pintura -a maior já feita por Modigliani- foi consignada pelo colecionador irlandês e criador de cavalos John Magnier, que pagou US$ 26,9 milhões por ela em 2003. (Na época, acredita-se que foi consignado pelo magnata do cassino Steve Wynn). O preço representa um ganho para Magnier de US$ 130,3 milhões (484%). Mas o trabalho não conseguiu superar o recorde de US$ 170,4 milhões de Modigliani, estabelecido na Christie's em 2015.

Enquanto isso, dois lotes oferecidos para venda pelo Berkshire Museum of Art -uma controversa tentativa de extinção que levou a uma batalha judicial prolongada e levou alguns defensores a protestar do lado de fora da casa de leilões antes da venda- tiveram resultados mistos. A pintura de Henry Moore “Three Seated Women” (1942) foi estimada em US$ 400 mil a US$ 600 mil e vendida por uma subestimativa de US$ 300 mil. “Force Comique” (1914), de Francis Picabia, foi vendida por US$ 1,2 milhão com prêmio, apenas cumprindo sua alta estimativa de US$ 800 mil a US$ 1,2 milhão. Combinados, eles geraram US$ 1,5 milhão para a meta do museu de US$ 50 milhões.

Outro muito esperado foi “Le Repos” (1932), de Pablo Picasso, estimado entre US$ 25 milhões e US$ 35 milhões. A pintura -anteriormente ganha por Sue Gross em um divórcio altamente contestado com o chefe de Wall Street, Bill Gross, e agora vendida para beneficiar sua fundação- retrata a chamada "musa de ouro" do artista, Marie Thérèse Walter.
A pintura apareceu pela última vez em um leilão há quase duas décadas, quando foi vendida na Sotheby's em 2000 por US$ 7,9 milhões, de acordo com a Artnet Price Database. Hoje à noite, ela foi vendida por US$ 36,9 milhões após uma série de lances. O número vencedor - US$ 32,5 milhões - foi entregue por Patty Wong, diretora sênior e presidente da Sotheby’s Asia. A Sotheby confirmou que um colecionador privado asiático comprou o trabalho.

Outro raro ponto forte foi a paisagem temperamental de Georgia O'Keeffe, “Lake George With White Birch” (1921), que estava na mesma coleção há mais de 30 anos e vendida por US$ 11,3 milhões, bem acima de sua alta estimativa de US$ 6 milhões.

Muitos dos principais lotes da venda tiveram vendas de leilão anteriores recentes e não tão recentes, o que sempre fornece um interessante indicador do mercado em evolução. Por exemplo, “Matinée Sur La Seine” (1896), de Claude Monet, estimado entre US$ 18 milhões e US$ 25 milhões, foi vendido por US$ 20,6 milhões. Ele apareceu pela última vez em um leilão em novembro de 2000, também na Sotheby's, quando foi vendido por US$ 5,7 milhões. Outro Picasso, no entanto, não teve a mesma sorte. “Femme au Chien” (1953), estimado entre US$ 12 milhões e US$ 18 milhões, foi oferecido pela última vez em leilão na Sotheby's há mais de 30 anos, quando foi vendido por US$ 2,4 milhões. Esta noite, a licitação abriu em US$ 9 milhões e estagnou em torno de US$ 11 milhões. O trabalho foi pintado durante uma época tumultuada na vida do artista, seis meses antes do colapso de seu relacionamento com Françoise Gilot, sua amante de 10 anos. Em última análise, não foi vendido.

Outro Picasso, este do período inicial do artista teve um desempenho melhor, mas ainda perdeu sua baixa estimativa. Com o prêmio, foi vendido por US$ 11,6 milhões, com uma estimativa de US$ 12 milhões a US$ 18 milhões. O atual proprietário adquiriu o trabalho, “Famille d'Arlequin” (1905), há pouco mais de uma década na Sotheby's New York por US$ 9,8 milhões. Depois de uma onda de vendas rápidas de Picasso nos últimos meses, é possível que o mercado se torne mais exigente? De 11 Picassos em oferta, apenas seis, encontraram compradores para um total de US$ 63,6 milhões. Três desses seis, no entanto, figuraram no top 10 da noite.
Enquanto isso, “Perro Aullando a la Luna” (1942), de Rufino Tamayo, foi outro trabalho notável que chegou às expectativas mais baixas. Estimado entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões e nunca antes visto em leilão, o trabalho também marcou pela primeira vez a integração formal da arte latino-americana nas vendas de arte moderna e impressionista da Sotheby, que atraíram várias propostas, antes de serem fechadas em US$ 5 milhões, ou US$ 5,9 milhões com prêmios.

Modigliani provavelmente será o lote de maior bilheteria da semana. E apesar da demanda superficial, Simon Shaw, da Sotheby's, era otimista. "Modigliani agora se juntou ao clube final no mercado de arte em US$ 150 milhões", disse ele em uma conferência de imprensa pós-venda. "Ele é o único artista que quebrou o teto duas vezes." No entanto, espera-se que os maiores totais de vendas venham em poucos dias, quando as três maiores casas realizarem suas vendas de arte contemporânea. “A Christie's estabeleceu o padrão para a temporada de leilões com a venda de blue chips dos Rockefellers de sangue azul”, observou o advogado e comentarista de arte Thomas Danziger após a venda.

“Felizmente para a Sotheby's, sua estrela Modigliani vendeu bem - embora sem muita energia ou evidente entusiasmo na sala de leilões. O verdadeiro teste para ambas as casas virá no final desta semana com as vendas do pós-guerra e contemporâneas”.
#
Texto de Eileen Kinsella para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) publicado em 14/5/18.

Cena artística em Lisboa cresce em dois anos

A cena artística em Lisboa está se recuperando graças ao crescimento do PIB de Portugal, por investidores estrangeiros ricos e por eventos como a ArcoLisboa. Texto de Lorena Muñoz-Alonso para o jornal “The Arte Newspaper” publicado em 14/05/2018. +

As feiras de arte têm sido frequentemente creditadas como um pontapé inicial de uma cena de arte inativa em uma cidade, e muitas vezes sem muita base. Mas no caso da ArcoLisboa (que acontece entre 17 e 20/5/18), isso pode ser verdade, embora ajudada pela melhoria do PIB de Portugal, que subiu 2,7% em 2017, e a redução de seu deficit orçamentário. Desde que o Arco de Madri lançou sua edição em português em 2016, Lisboa sofreu uma mudança radical, com a abertura de mais de 10 galerias comerciais e uma série de iniciativas de abertura de artistas na cidade.
Um dos pioneiros dessa nova onda foi Matteo Consonni, um jovem comerciante italiano que, após cinco anos como diretor do Franco Noero de Turim, lançou a galeria Madragoa em abril de 2016 com o sócio local Gonçalo Jesus.
Então, no ano passado, houve uma enxurrada de inaugurações de galerias. Coincidindo com a segunda edição da ArcoLisboa, o jovem comerciante português Francisco Fino abriu uma galeria impressionante na área de Marvila, perto das grandes locais: Filomena Soares, Baginski e Bruno Múrias. Na mesma semana, o Monitor de Roma lançou a sua filial em Lisboa, enquanto o MaisterraValbuena de Madrid abriu um posto avançado em Alvalade, que rapidamente está se tornando uma área chave. Neste bairro tranquilo ao norte da cidade, veteranos como Verâ Cortes, Quadrado Azul e Appleton Square estão acolhendo jovens galerias como a Balcony, que abriu em setembro do ano passado, seguida por Uma Lulik em outubro.
Até agora, em 2018, mais três espaços comerciais foram abertos: Jeanne Bucher Jaeger, a revendedora de arte moderna com sede em Paris, que lançou em Lisboa em janeiro, enfocou obras contemporâneas e, nas últimas semanas, as jovens galerias Ibirapi e Ainori. Mas ainda há mais por vir. Este mês, coincidindo com a terceira edição do ArcoLisboa, dois empreendimentos desembarcarão na cidade. Um deles é o lançamento da feira de arte emergente JustLX, organizada pelo JustMad de Madri. O segundo, talvez mais significativo internacionalmente, é a chegada da primeira potência latino-americana: a galeria brasileira Fortes D'Aloia & Gabriel (antiga Galeria Fortes Vilaça), que em 15 de maio abre um escritório em Lisboa, dirigido por Maria Ana Pimenta.
Esse novo dinamismo é em parte graças a uma série de estrangeiros ricos que compraram propriedades na cidade nos últimos cinco anos, encorajados pelos baixos preços das casas e pelo regime tributário solidário, que por sua vez deu início à regeneração e à gentrificação econômicas. “O florescente cenário artístico de Lisboa atraiu muitos colecionadores do exterior que também buscam uma primeira residência na cidade pelas mais diversas razões”, afirma Francisco Fino. “É por isso que nossos colecionadores tendem a ser de todo o mundo, incluindo o Brasil, Portugal, Espanha, França e EUA”. De fato, um dos americanos ricos que comprou uma casa em Lisboa no ano passado foi a estrela pop Madonna. Ela teria visitado galerias na cidade, incluindo a da Fino, embora ele tenha se recusado a confirmar por razões de confidencialidade do cliente.
#
Texto de Lorena Muñoz-Alonso para o jornal “The Arte Newspaper” publicado em 14/05/2018.

Grupo ativista quer esculpir uma escultura de gelo de Donald Trump

Ativistas finlandeses da Melting Ice querem esculpir uma escultura de gelo de 35 metros de altura de Donald Trump, em uma geleira ártica que está derretendo devido à mudança climática global. A ação é para chamar a atenção ao aquecimento global. O “Projeto Trumpmore” precisa de 400 mil euros para ser criado, e planeja começar a levantar o dinheiro em vários sites de crowdfunding. Matéria publicada no site da revista Dasartes, (revistadasartes.com), em 10/05/18. +

O grupo ativista finlandês Melting Ice espera esculpir uma escultura de gelo de 35 metros de altura de Donald Trump em uma geleira ártica que está derretendo devido à mudança climática global para chamar a atenção ao aquecimento global. Chamado de “Projeto Trumpmore” depois do monumento em Dakota do Sul, o grupo agora está arrecadando os US$ 475.000 necessários para os artistas conseguirem esculpir, possivelmente na Groenlândia.

O grupo diz que o “Projeto Trumpmore” – uma peça do monumento presidencial americano Mount Rushmore, no estado de Dakota do Sul – precisa de cerca de 400 mil euros para ser criado, e planeja começar a levantar o dinheiro em vários sites de crowdfunding.
Ao contrário da maioria dos outros líderes mundiais e da vasta maioria do mundo científico, Trump disse duvidar que a mudança climática seja devida a humanos, e sugeriu que a ocorrência meteorológica é parte de uma conspiração chinesa.
O presidente dos EUA também decidiu infamante não assinar o acordo climático de Paris, o acordo da ONU que visa manter um aumento da temperatura global abaixo de dois graus Celsius durante este século.

Nicolas Prieto, presidente da Melting Ice , diz que o grupo quer que a escultura gere conversas sobre o tema da mudança climática global.

“Não queremos simplesmente construir um monumento, queremos que o projeto seja maior e levante o tema da mudança climática em uma escala mais ampla, para que as pessoas falem mais sobre a mudança climática”, diz ele.

“O aquecimento global é uma das questões e tópicos mais importantes de hoje. Ainda há pessoas que ponderam se é um problema real. Queremos construir o monumento para todos nós, para que possamos ver quanto tempo a escultura dura antes de derreter. Muitas vezes as pessoas só acreditam em algo quando o vêem com os próprios olhos “.
|
Matéria publicada no site da revista Dasartes, (revistadasartes.com), em 10/05/18.

Os ricos estão gastando mais em arte do que vinho

No ano passado, pessoas ricas gastaram mais em arte do que vinho pela primeira vez em oito anos, de acordo com The Wealth Report, que monitora os hábitos de consumo de pessoas com patrimônio acima de US $ 30 milhões. A categoria teve um desempenho melhor do que colecionáveis de luxo comparáveis, como o vinho, que ficou em segundo lugar (11%), seguido de relógios (5%), moedas (4%), joias (4%), carros (2%) e selos (1%). Mas se você quer ganhar dinheiro, ainda é melhor comprar carros e vinho. Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet News (www.artnet.com), em 27/03/18. +

No ano passado, pessoas ricas gastaram mais em arte do que vinho pela primeira vez em oito anos, de acordo com The Wealth Report, que monitora os hábitos de consumo de pessoas com patrimônio líquido (pessoas com ativos de pelo menos US $ 30 milhões).

Andrew Shirley, editor do relatório - que é publicado pelo consultor imobiliário Knight Frank e corretores de imóveis Douglas Elliman - observou que a venda de US $ 450 milhões do Salvator Mundi, de Leonardo, e a venda de US $ 110,5 milhões de um Jean-Michel Basquiat, Shirley argumenta que os consignadores foram tentados a voltar a leilão por preços recordes altamente divulgados, já que a crescente demanda dos mercados emergentes elevou o valor médio da arte vendida em leilão em 21%.

A Arte ainda superou o Luxury Investment Index, propriedade da Knight Frank, que classifica o desempenho dos investimentos em ativos de luxo. A categoria teve um desempenho melhor do que colecionáveis de luxo comparáveis, como o vinho, que ficou em segundo lugar (11%), seguido de relógios (5%), moedas (4%), joias (4%), carros (2%) e selos (1%).

É claro que, a longo prazo, os carros e o vinho são ainda melhores investimentos que a arte. O Índice de Investimento de Luxo Knight Frank também expõe a suscetibilidade do mercado de arte à volatilidade. Por exemplo, nos últimos 10 anos, a arte cresceu 78%, bem abaixo da média do índice de 126%, e cresceu menos que classes de ativos comparáveis, como carros (334%), vinho (192%), moedas (182 por cento), joias (138 por cento) e até selos (103 %).

Como Shirley apontou para Quartz, a última vez que a arte liderou o índice foi em 2010, com um aumento de 25% em relação a 2009 - um ano fraco por causa da recessão global. Em contraste, "2007 (+ 48%) e 2008 (+ 47%) foram os grandes anos", disse ele.

De acordo com o relatório, as flutuações no mercado de arte foram ditadas, em parte, pelos preços do segmento contemporâneo e do pós-guerra, o segmento de maior desempenho e mais influente do mercado. O relatório ressalta que a "sensacional venda da Vinci poderia atrair uma audiência maior para os antigos mestres em 2018", o que poderia ajudar a estabilizar o mercado como um todo.

Curiosamente, o relatório sugere que a maioria das compras de HNWIs não é o resultado da análise de mercado; em vez disso, eles são "investimentos de paixão". A "alegria da propriedade" supera outras motivações financeiras, como "valorização do capital", encontrar um refúgio seguro para o dinheiro ou diversificação da carteira, de acordo com o relatório. Quanto à boa e velha competição pessoal, o status entre os pares ficou em último lugar.
|
Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet News (www.artnet.com), em 27/03/18.

Qual obra vai alcançar US$ 1 bilhão?

Em 20/10/2017, em troca de e-mails com amiga Clara Choveaux, assistente de Cândida Sodré na casa de leilões Phillips no Brasil, o Mapa das Artes comentou que muito em breve uma obra de arte atingiria o valor de US$ 1 bilhão. Não se passaram sete meses e o assunto virou “the talk of the town” em Nova York, principalmente depois da venda de “Salvator Mundi”, de Leonardo da Vinci, por US$ 450 milhões pela Christie’s em Nova York em 15/11/2017. O ubergalerista Larry Gagosian aposta em Van Gogh. Edward Dolman, CEO da Phillips, aposta em Leonardo da Vinci ou Pablo Picasso. Obviamente, os dois estão jogando uma cortina de fumaça no mercado. O Mapa das Artes tem outras duas apostas, mas assim como Gagosian e Dolman, só conta para os mais íntimos. Leia abaixo artigo de Annie Armstrong para o jornal “Artnews”, editado em 10/5/18. +

Depois de perder uma guerra de lances na Christie's em Nova York na noite de 9/5/18 por uma pintura de Willem de Kooning, o ubergalerista Larry Gagosian subiu ao palco esta manhã com Edward Dolman, CEO da Phillips, no evento “The Future of Everything", o jornal "The Wall Street Journal”, um festival no Spring Studios em TriBeCa (Nova York).
A conversa, moderada pela repórter do jornal, Kelly Crow (que também estava no leilão da noite passada), começou com uma conversa sobre a coleção do casal Peggy e David Rockefeller e sobre a obra “Fillette a la Corbeille Fleurie” (1905), de Pablo Picasso, que a Christie's vendeu na noite de terça-feira por US$ 115,1 (cerca de R$ 400 milhões), depois de licitações sem complicações.
Crow notou que, quando a peça foi arrematada, mas sem aplausos da multidão. Por quê? Gagosian e Dolman concordaram que a decisão da Christie's de elevar a estimativa de US$ 70 milhões para US$ 100 milhões pode ter influenciado o processo. “Você fica cansado desses números", disse Gagosian. “É preciso mais para levar as pessoas a bater palmas. Você tem que ter alguns lances".
A conversa então mudou para o tema do evento: o futuro do mercado de arte. Após a venda no último outono de “Salvator Mundi”, de Leonardo da Vinci, por US$ 450,3 milhões e as frequentes manchetes sobre novos recordes de leilão, tornou-se irresistível especular sobre qual será a primeira obra a ser vendida por US$ 1 bilhão. Crow perguntou aos dois homens cujo trabalho poderia alcançar essa marca. Se ele soubesse qual pintura faria isso, "eu quero comprar agora", brincou Gagosian, antes de prever que Vincent van Gogh poderia ganhar o troféu.
Dolman foi com Leonardo da Vinci e Pablo Picasso. "Muitas vezes penso que o que impede as pessoas de investir tanto dinheiro é o medo de ser estúpido", disse Dolman. "Então, eu acho que esses novos registros fazem as pessoas se sentirem melhor em gastar se algo grande chegar ao mercado". A parte mais suculenta da conversa surgiu quando a conversa se voltou para a questão muito discutida de como manter galerias menores nos negócios. David Zwirner, por exemplo, sugeriu recentemente que as mega-galerias deveriam ajudar os pequenos, talvez pagando taxas mais altas pelos estandes de feiras de arte, e a Postmasters começou a aceitar financiamento através do programa online Patreon.
Falando sobre a indústria da galeria em geral, Gagosian disse: "Eu acho que é um sistema muito bom, na minha perspectiva", o que garantiu algumas gargalhadas da platéia.
Expandindo seu argumento, Gagosian explicou: “Em um sentido mais amplo, acho que é uma economia única. Quanto menos você mexer com isso, mais saudável será. Quanto à questão de galerias menores ficarem do lado, eu vi esses ciclos. Sou revendedor de arte há 40 anos. É apenas uma coisa cíclica”.
Gagosian argumentou que uma indústria de galeria de “laissez-faire” faz sentido porque há uma abundância de investidores dispostos a dar fundos para novas galerias. "É muito fácil abrir uma galeria", disse ele. “Para abrir uma pequena galeria - o que fiz, comecei sem nada - não é preciso muito capital. Portanto, a barreira à entrada é relativamente baixa, em comparação com outras empresas... Isso encoraja as pessoas”.
#
Leia abaixo artigo de Annie Armstrong para o jornal “Artnews”, editado em 10/5/18.

Great Masters Art pretende revolucionar a autenticação de arte

A Great Masters Art, empresa de autenticação científica sediada em San Diego, Califórnia, emprega uma variedade de métodos para analisar obras de arte, desde técnicas de ponta, como fotomicrografia e reflectografia infravermelha, até a boa e velha pesquisa histórica da arte. Ao explicar as origens da empresa, o fundador Curtis McConnell, ao lado do renomado cientista italiano Maurizio Seracini, conta uma história sobre quando anunciou planos para restaurar um dos bens mais valiosos da arte: “A Adoração dos Magos” (1481-1482), de Leonardo da Vinci. Matéria publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 13/04/18. +

A autenticação de arte é um negócio complicado. A autenticidade de uma pintura pode significar a diferença entre uma obra-prima multimilionária e um descartável do mercado de pulgas, embora poucas pessoas saibam o que o processo exige.

A Great Masters Art, uma empresa de autenticação científica sediada em San Diego, Califórnia, está tentando mudar isso. Orgulhando-se da sua transparência, a empresa emprega uma variedade de métodos para analisar obras de arte, desde técnicas de ponta, como fotomicrografia e reflectografia infravermelha, até a boa e velha pesquisa histórica da arte. O objetivo é aprender sobre quando e como as pinturas foram feitas e com quais materiais. Através desse processo, a empresa pode dizer se uma pintura de um Velho Mestre é de fato real, ou apenas um fake brilhante.

Para o leigo, a descrição desse tipo de trabalho pode tornar-se confusa muito rapidamente à medida que nomes científicos vão surgindo. Os conceitos por trás do trabalho, no entanto, não são tão difíceis de compreender. Para explicá-las, o fundador da empresa, Curtis McConnell, usa uma analogia simples.

“Tratamos a arte como um médico trataria um paciente”, diz McConnell à artnet News. “A primeira coisa que fazemos é obter a história do paciente. Em segundo lugar, analisamos e tentamos entender o estado de saúde do paciente por meio de uma combinação de imagens diagnósticas - radiografias, talvez uma ressonância magnética ou tomografia computadorizada (CAT). Estes são os mesmos tipos de coisas que fazemos para uma obra de arte. E em terceiro lugar, acabamos com o que é chamado de diagnóstico analítico, que é o lado da química - fazendo biópsias, análises de material, etc. O exame de sangue, se você preferir.”
McConnell iniciou a Great Masters Art em 2013, com o renomado cientista Maurizio Seracini para fornecer autenticação de arte para investidores, bancos e seguradoras em todo o mundo. O prof. Seracini, especialista em diagnóstico cultural, é um dos maiores especialistas em autenticação de arte do mundo. Ele estudou mais de quatro mil pinturas de Da Vinci, Botticelli, Caravaggio, Rafael, Modigliani e muitos outros. Seu trabalho incluiu pinturas famosas do Uffizi, do Met e do Getty.
Ao explicar as origens da empresa, McConnell conta uma história sobre o especialista em diagnóstico de arte italiano, Maurizio Seracini, que começa 17 anos atrás.

Em 2001, a Galeria Uffizi, em Florença, anunciou planos para restaurar um de seus bens mais valiosos: “A Adoração dos Magos”, de Leonardo da Vinci. A pintura, pensada para ter sido concluída em 1481, é considerada uma das primeiras obras-primas de Leonardo, embora foi deixada inacabada. Foi feito em uma série de 10 tábuas de álamo e mede cerca de oito metros de altura e oito metros de largura. Ao ouvir sobre seus planos de restauração, Seracini se aproximou do museu e se ofereceu para examinar o trabalho antes do museu.

Seracini estudou a pintura por mais de seis meses. O que ele descobriu foi inesperado.

Primeiro, ele descobriu que ela estava em estado bruto. Uma faixa de quase dez centímetros tinha sido cortada do fundo da composição, e várias seções no topo haviam sido cortadas e depois reinseridas com grandes pregos. Havia uma clara evidência de apodrecimento, e dentro havia carunchos, moscas e larvas. No entanto, a descoberta mais desconcertante veio depois, quando Seracini e sua equipe começaram a analisar as camadas inferiores da pintura.

Ele descobriu pequenas manchas indistintas de tinta marrom em toda a obra, que não pareciam combinar com o estilo meticulosamente detalhado de Leonardo.

"Maurizio, em seu elegante sotaque italiano, chamou de 'porcaria marrom'", lembra McConnell. “Havia evidências claras de que mudanças haviam sido feitas na pintura, e elas não pareciam de modo algum ser a mão de da Vinci.”
Em última análise, Seracini chegou à conclusão de que o desenrolar da pintura foi realmente feito por Leonardo por volta de 1481. No entanto, a pintura no topo não era. A obra foi completada muitos anos depois por outro artista e não era totalmente fiel ao plano original do artista.
Depois de revelar suas descobertas para o Uffizi, Seracini esperou pelas consequências da mídia e do mundo da arte, mas isso nunca aconteceu. O museu não anunciou suas descobertas; nem pediu para ele apresentar sua pesquisa para mais ninguém. Ficou claro que eles estavam tentando varrer seu trabalho para debaixo do tapete.

“Na moda típica de Maurizio, ele disse: 'Ok, bem, se mais ninguém vai falar sobre isso, eu vou falar sobre isso', diz McConnell. Quase um ano depois de seu encontro com o Uffizi, Seracini ligou para o New York Times e contou sua história.
McConnell seguiu de perto a controvérsia que se seguiu, especialmente depois que o trabalho de Seracini foi mencionado em O Código Da Vinci, de Dan Brown. Foi vários anos depois que ele conheceu o professor italiano e começou a aprender sobre autenticação científica e o mercado de arte.

“O que Maurizio estava fazendo era aplicar método científico para entender a arte. Eu pensei finalmente aqui está alguém olhando para as coisas para fornecer mais verdade, mais fatos”, lembra McConnell. “Meu objetivo era apresentar toda a grande ciência que Seracini foi pioneira de uma maneira que fosse palatável para o mercado de arte.”

McConnell também viu a necessidade de mudanças na indústria. “Percebi que a autenticação científica, da maneira como estava sendo feita, não era escalonável. Foi muito manual e muito lento, e afetou apenas um punhado de clientes de alta qualidade. Também fiquei chocado com quantas obras de arte que são vendidas são falsas - os especialistas estimam que de um terço a metade de todas as pinturas são forjadas ”, diz ele. “O mercado de arte está infiltrado por fraudes e crime organizado.”
McConnell e Seracini formaram a Great Masters Art para desenvolver tecnologia para fornecer serviços de autenticação consistentes, abrangentes e transparentes que estabelecessem um novo padrão para a indústria.

Hoje, eles estão indo em direção a esse objetivo. A empresa trabalha com museus, colecionadores, vendedores, advogados, companhias de seguros e até mesmo com a aplicação da lei. Eles cobram a mesma quantia por cada pintura, não importa quão famosos sejam, e estão trabalhando para educar o mundo da arte sobre a autenticação de arte científica e como ela funciona. Seracini e McConnell regularmente dão palestras e apresentações, e a empresa tem um aplicativo interativo em seu site que permite aos usuários explorar essas tecnologias.

"A era da autenticação científica chegou", diz McConnell. “Eu prevejo que dentro de cinco anos todo mundo que comprar arte como um investimento insistirá que sua arte seja certificada como cientificamente autêntica e protegida por meio de uma identificação digital. Nosso trabalho é tornar esse processo fácil, escalável, replicável e transparente.”

Quando essa meta for concretizada, McConnell diz que todos se beneficiarão: “Quando a arte é cientificamente autenticada, os compradores são protegidos, os bancos podem confiar em suas garantias, as seguradoras reduzem seu risco e os vendedores podem confiar no valor de suas artes. E, claro, à medida que revelamos os segredos de mais pinturas, as obras de arte terão novas histórias para nos contar. ”
|
Matéria publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 13/04/18.

Arábia Saudita e França se unem para projeto multi-bilionario histórico

O documento de 20 páginas, assinado em Paris pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, e pelo príncipe Badr bin Abdullah Al Saud, governador da província de Al-Ula, que dá durante dez anos à França um papel exclusivo em um potencial projeto que custará dezenas de bilhões de euros, onde a cultura, o turismo e as artes poderiam desempenhar na abertura e modernização do país, em consonância com o Plano de Visão 2030 do príncipe herdeiro. Matéria publicada no site da revista Dasartes (www.revistadasartes.com), em 10/05/18. +

A França e a Arábia Saudita chegaram a um acordo no mês passado sobre uma grandiosa colaboração cultural e turística que não é apenas um trunfo para a diplomacia de poder do presidente Emmanuel Macron, mas também pode ser um importante veículo de mudança no reino do Oriente Médio.

O documento de 20 páginas, visto pelo "The Art Newspaper", foi assinado em Paris pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, e pelo príncipe Badr bin Abdullah Al Saud, governador da província de Al-Ula, na presença de Macron e o Príncipe herdeiro Mohammed bin Salman Al Saud (conhecido como MBS).
Aclamado como “histórico” pela mídia saudita, o acordo de dez anos dá à França um papel exclusivo em um potencial projeto que custará dezenas de bilhões de euros em uma área quase do tamanho da Bélgica. Também confirma o papel que a cultura, o turismo e as artes poderiam desempenhar na abertura e modernização do país, em consonância com o Plano de Visão 2030 do príncipe herdeiro.

Al-Ula é o lar de Al-Hijr, um Patrimônio Mundial da Unesco desde 2008, atualmente fechado para turistas e visitado apenas por poucos privilegiados. Localizada no noroeste da Arábia Saudita, consiste em canyons espetaculares e túmulos esculpidos em pedra ao redor de Mada’in Salih, antes conhecida como Hegra. O oásis era um posto comercial do reino Nabateu, a 550 km ao sul de sua capital, Petra, na atual Jordânia. Inclui restos da cultura lihyanita e da ocupação romana.

A ideia de abrir a área ao turismo internacional surgiu em uma reunião entre Macron e MBS, no dia seguinte à inauguração do Louvre Abu Dhabi em novembro passado, e algumas semanas após o anúncio dos planos de construir uma cidade entre a fronteira com o Egito e a Jordânia, batizada de Neom, e um investimento de US$ 500 bilhões para o projeto.

O acordo foi negociado pelo enviado especial de Macron, Gérard Mestrallet, o presidente do grupo de energia e serviços públicos Engie, que investiu em instalações de energia e água na Arábia Saudita. Ele foi auxiliado por Didier Selles, que em 2007 negociou o acordo de € 1 bilhão com os Emirados Árabes Unidos para o Louvre Abu Dhabi. Os detalhes financeiros ainda precisam ser finalizados, mas, segundo uma fonte diplomática francesa, só a taxa de contrato – “em reconhecimento ao valor intrínseco da França como o principal destino turístico e cultural do mundo” – poderia valer vários bilhões de euros. Macron decidiu dedicar esse dinheiro a um fundo para monumentos e museus franceses.

Um memorando de entendimento de € 150 milhões já foi acordado com o Forum Campus France (atuando para 350 universidades e centros de pesquisa) para receber estudantes sauditas a partir deste outono. O Louvre será o principal parceiro da parte cultural do programa, juntamente com o Musée National des Arts Asiatiques-Guimet e os serviços arqueológicos franceses. Um Institut Français será instalado em Al-Ula, e o Institut du Monde Arabe em Paris está planejando uma exposição na província para o próximo ano.

A França ajudará a estender escavações por toda a província, proteger os túmulos e templos e abrir um museu arqueológico. Mais ambiciosamente, os sauditas também prevêem um segundo “museu de classe mundial e centro de pesquisa” dedicado à história da península arábica. Pode ser de duas a três vezes o tamanho do Louvre Abu Dhabi, segundo uma fonte saudita, e seu orçamento de aquisições chega a US$ 100 milhões por ano.
O acordo inclui apoio à educação, treinamento, artesanato, comércio local e agricultura. O programa é “respeitar a paisagem, o ambiente natural e o patrimônio cultural” e aderir às normas da Unesco.

Seu impacto pode ser amplo. As culturas pré-islâmicas, uma questão sensível nos círculos conservadores islâmicos, são agora oficialmente consideradas patrimônio importante na Arábia Saudita. O acordo afirma que as instituições educacionais e científicas devem estar “em conformidade com as mais rígidas regras internacionais”, o que significa liberdade de expressão e igualdade de gênero, segundo fontes diplomáticas francesas.

A França também ajudará a elaborar uma estrutura legal para a província “em derrogação” – isto é, isentando-a de certas leis e regras em vigor no reino. “Com base nas normas mais eficientes”, terá que atender aos critérios de “intercâmbio internacional e turismo”, o que implica a oferta de comodidades como piscinas, cinemas e outras instalações de entretenimento, que serão abertas tanto para mulheres quanto para homens. O príncipe herdeiro já anunciou que os mesmos princípios serão aplicados à cidade vizinha projetada de Neom.

Este sistema legal específico também abrange regras para “planejamento urbano e construção, proteção do meio ambiente, patrimônio, flora e fauna, bem como empresas artesanais locais”. Usando a cultura e o turismo como um trampolim, isso contribuirá para as reformas mais profundas buscadas pela MBS, que apóia um Islã “moderado”. “O ‘toque francês’ poderia dar credibilidade não apenas aos projetos culturais, mas também a uma nova imagem da Arábia Saudita”, disse uma fonte próxima à Macron, que está confiante de que “este acordo pode ser seguido por outros”.
|
Matéria publicada no site da revista Dasartes (www.revistadasartes.com), e o The Art Newspaper (theartnewspaper.com), em 10/05/18.

Ache um bilionário para chamar de seu, ensinam banqueiros a galeristas

No encontro organizado pela Tefaf, a feira holandesa que duas vezes por ano invade Nova York com suntuosos arranjos de tulipas e obras de milhões e milhões de dólares, economistas explicavam como quase todo o dinheiro emprestado no mundo que tem obras de arte como garantia foi parar no bolso dos colecionadores e não das galerias. Artigo de Silas Martí originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo", em 4/5/18. +

“Encontre um bilionário para chamar de seu, um bilionário querendo se sentir jovem e cool.” Quem dizia isso não era um consultor de aspirantes a socialite, mas um banqueiro falando para uma plateia de galeristas estudiosos que lotaram um salão de baile do Upper East Side nova-iorquino para tentar entender números do mercado de arte.
No encontro organizado pela Tefaf, a feira holandesa que duas vezes por ano invade Nova York com suntuosos arranjos de tulipas e obras de milhões e milhões de dólares, economistas explicavam como quase todo o dinheiro emprestado no mundo que tem obras de arte como garantia foi parar no bolso dos colecionadores e não das galerias.
Dos cerca de R$ 71 bilhões em empréstimos ao mundo da arte no ano passado, R$ 60 bilhões foram para colecionadores que deram algumas obras de arte ou seus acervos inteiros como garantia do negócio.
Isso quer dizer que galerias ainda são vistas pelos bancos como negócios arriscados e sem planejamento, refletindo as práticas históricas desse meio que preza segredos e despreza transparência.
“Galeristas precisam parar de pensar nesse negócio como faziam no século 19, em que uma venda se dava num aperto de mão”, dizia Evan Beard, executivo do Bank of America, responsável por empréstimos a colecionadores. “Vocês precisam se ver mais como empresas de verdade, com uma estrutura financeira e planos reais de negócios.”
Ele explica que o motivo pelo qual o dinheiro está concentrado nas mãos dos colecionadores é que eles lidam melhor com os bancos e têm outros investimentos além de seus acervos, mas que é cada vez mais comum usar obras de arte para bancar suas aventuras financeiras extravagantes.
“Um dos meus clientes queria comprar o passe de uma estrela do basquete”, diz Beard. “Então você vai ver nas quadras da NBA um cara que recebe um salário só porque alguém tem uns Picassos guardados em algum lugar por aí.”
Enquanto poucos galeristas –e 90% desses vivem e trabalham nos EUA, o maior mercado de arte do mundo– conseguem convencer os bancos a entrarem nesse tipo de negociação, a situação vem se transformando.
“Galerias de arte são as novas boates e restaurantes badalados”, diz Tim Schneider, que mediava o debate. “É o novo jeito de ser reconhecido.”
Na visão dele, e de outros especialistas, galeristas sem traquejo no mercado financeiro vão precisar zerar o atrito entre o mundo opaco e colorido dos ateliês e o mundo preto no branco das finanças se quiserem sobreviver em economias cada vez mais imprevisíveis.
Daí a ideia de encontrar um bilionário para chamar de seu. “Essa é a melhor coisa que um jovem galerista pode fazer, achar um parceiro para bancar a operação e dar mais peso para a coisa”, diz Beard. “Todas as galerias do Upper East Side fizeram isso. Esses bilionários adoram os coquetéis e adoram saber do último pintor barroco que virou moda.”
Mas o affair com as finanças também implica abrir o jogo. Bancos, na visão desses especialistas, vão querer saber cada vez mais sobre a origem e autenticidade das obras, o que vai exigir total transparência das galerias que ainda não deixaram o que veem como escuridão do modelo passadista que ainda rege esse mundo.
Um exemplo dessa tendência são as medidas contra lavagem de dinheiro no mercado da arte recém-adotadas na União Europeia, um modelo que legisladores americanos também já vêm estudando.
“É muito difícil convencer um banco que uma obra de arte que não existe ou que desaparece com o tempo tem algum valor”, diz Beard. “Mas já estamos chegando lá no mundo financeiro. Já investimos em ideias e conceitos, porque sabemos que é a influência de uma obra que determina o seu valor na praça.”
#
Artigo de Silas Martí originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo", em 4/5/18.

Em Nova York, leilão do século começa com vendas de R$ 2,3 bi

A chamada venda do século, como apelidaram o leilão da coleção montada por David e Peggy Rockefeller, começou esfuziante, superando todas as expectativas em um salão da Christie’s, em Nova York. Foram sete recordes, entre eles para nomes históricos incontornáveis, como Monet e Matisse. Matéria de Silas Martí publicada no jornal “Folha de S. Paulo”, em 09/05/18. +

Foram sete recordes, entre eles para nomes históricos incontornáveis, como Monet e Matisse. A chamada venda do século, como apelidaram o leilão da coleção montada por David e Peggy Rockefeller, começou esfuziante, superando todas as expectativas dos próximos dias em sua primeira noite a encarar o martelo num salão da Christie’s, em Nova York.
Mesmo com todos os olhos e expectativas voltados para um Picasso da fase rosa que causou burburinho desde que surgiu no mercado, a disputa mais intensa da noite foi pelas “Ninfeias em Flor”, de Monet.

Foram os mais longos 14 minutos da história, em que a tela que mostra o lago do jardim do impressionista no fim de uma tarde saltou de US$ 38 milhões —algo como R$ 135 milhões— para US$ 84,7 milhões, cerca de R$ 302 milhões, batendo o recorde do artista de dois anos atrás de US$ 81,4milhões —R$ 290 milhões.

Monet, aliás, foi um dos artistas mais cobiçados ali. Na mesma venda, outras telas dele faturaram mais US$ 63,6 milhões, ou R$ 227 milhões.

Uma tela de Matisse bateu outro recorde na venda da coleção de um dos clãs mais célebres de Nova York.
Arrematada por US$ 80,75 milhões, ou R$ 288 milhões, “Odalisca Deitada com Magnólias” desbancou o maior valor já pago por uma tela desse artista pós-impressionista francês —US$ 41 milhões.

Picasso era a estrela da noite. Mas sua garotinha de expressão feroz, como lembrava Peggy Rockefeller, um cesto de flores vermelhas nas mãos, não seduziu tanto assim os compradores —após dois minutos de disputa a obra foi vendida ali por US$ 115 milhões, ou R$ 411 milhões.

É uma bela soma, o segundo maior valor mais alto já pago por uma tela do espanhol e a mais alta por uma obra da fase rosa. Mas ficou longe do recorde de US$ 179,4 milhões batido por um quadro do cubista há três anos.
Em todo caso, esse já é o melhor ano para peças de Picasso na história —a soma de suas telas vendidas supera US$ 300 milhões, quase R$ 1 bilhão.

Encerrado o pregão, o leiloeiro Jussi Pylkkanen disse que “estamos ficando blasés com telas vendendo toda hora por mais de US$ 100 milhões”.

No total, sete dos 44 lotes vendidos na primeira das três noites do leilão dos Rockefeller foram arrematados por mais de US$ 30 milhões, entre eles os demais recordes do dia.

Além de Monet e Matisse, os franceses Delacroix, Corot, Armand Seguin, Vuillard, Odilon Redon e o italiano Giorgio Morandi atingiram os preços mais altos na história.

Os lotes que enfrentaram o martelo em Manhattan integram um acervo avaliado em US$ 1 bilhão, ou R$ 3,57 bilhões. Só na primeira noite, foram vendidos por US$ 646 milhões, ou R$ 2,3 bilhões, superando os US$ 484 milhões que a coleção do estilista Yves Saint Laurent faturou há quase uma década, numa das maiores vendas dessa natureza em toda a história da arte.
|
Matéria de Silas Martí publicada no jornal “Folha de S. Paulo”, em 09/05/18.

Coleção de Pedro Corrêa do Lago ganha exposição nos EUA

O editor e historiador Pedro Corrêa do Lago é um dos maiores colecionadores de manuscritos do mundo. Sua coleção, que começa com um documento de 1153 e chega até outro de 2006, viaja para os Estados Unidos onde será exibida em Nova York, na Morgan Library, na exposição "The Magic of Handwriting" (a magia da caligrafia). A mostra de 142 peças em Nova York está dividida em dez áreas, entre as quais artes plásticas, história, história do século 20, literatura, ciência, entretenimento. Em 2019, a coleção deve ser exibida também no Itaú Cultural.Matéria de Maurício Meireles publicada originalmente no jornal "Folha de S. Paulo", em 09/05/18. +

O pesadelo de angústia mais comum de Pedro Corrêa do Lago é um incêndio. Pudera. O editor e historiador é um dos maiores colecionadores de manuscritos do mundo e guarda-os em arquivos à prova de fogo em um casarão em São Paulo.

Parte da coleção, que começa com um documento de 1153 e chega até outro de 2006, viajou para os Estados Unidos. Ela será exibida em Nova York, na Morgan Library, na exposição "The Magic of Handwriting" (a magia da caligrafia).

A coleção, tema da mostra que vai de 1º de junho a 16 de setembro, começou a ser reunida por Corrêa do Lado desde seus 11 anos. Pegava o pesado volume do "Who's Who", livro de referência com pequenas biografias e endereços de gente importante em todo o mundo, e escrevia cartas pedindo documentos.

Os primeiros destinatários foram J. R. R. Tolkien e François Truffaut. O escritor, por meio de sua secretária, disse estar atolado de pedidos do mesmo tipo —e que havia decidido não atendê-los mais.

Já o diretor enviou um exemplar com dedicatória do livro "L'Enfant Sauvage", que fez para crianças a partir do filme "O Garoto Selvagem" (1970).

A partir dali, continuou a caça e passou a viver entre manuscritos, forma secular de comunicação com os mortos.

"É um pedaço da história na mão. Como se fossem minutos congelados da vida de uma pessoa. Quando olho o documento dos papas, fico vendo uma mesa medieval há 900 anos, com aqueles senhores de saia", diz Corrêa do Lago.

Ele se refere ao seu documento mais antigo, uma bula assinada pelo papa Anastácio 4º, em 1153, com os cardeais que se tornariam os papas Alexandre 3º, Lúcio 3º e Celestino 3º e por aquele que se tornaria o santo Guarino de Palestrina. A peça ilustra a principal particularidade de sua coleção: a abrangência.

Primeiro porque cobre quase 900 anos de história. O item mais recente, de 2006, é um livro com dedicatória de Stephen Hawking —que foi escrita por sua secretária e assinada por ele com uma digital.

Depois, pela quantidade de temas que abrange —colecionadores costumam ser mais restritivos. A mostra de 142 peças em Nova York está dividida em dez áreas, entre as quais artes plásticas, história, história do século 20, literatura, ciência, entretenimento.

Os visitantes podem ver desde um documento do rei inglês Ricardo 3º até a partitura de "Chega de Saudade" manuscrita por Tom Jobim.

"Resolvi fazer a coleção universal, a torre de Babel. Tentei identificar as 4.000 ou 5.000 pessoas que foram importantes nas áreas que coleciono [e fui atrás]. Gastei nisso em vez de comprar apartamentos."

Esse conceito de uma coleção universal está representado no acervo dele pelo original de um dos textos mais importantes do século 20 sobre o tema: o manuscrito do conto "A Biblioteca de Babel", de Jorge Luis Borges.

Como se sabe, o autor argentino, conhecido por suas grandes abstrações do pensamento, imaginou uma biblioteca que reuniria todas as combinações possíveis de todas as letras e todas as palavras em todas as línguas.

"Pedro reuniu um acervo tão rico e variado que parece infinito, como essa biblioteca. A coleção é um tour de force, há sempre algo a deslumbrar, intrigar, deliciar e provocar os visitantes", diz Christine Nelson, curadora da mostra.

O colecionador não cita cifras —mas diz que o mais barato custou US$ 1 e o mais caro chegou a seis dígitos.

"Uma carta de Abraham Lincoln sempre valeu um carro popular. Já uma do Steve Jobs vale muito mais, porque escrevia pouco", diz Corrêa do Lago.

Embora vá agradar aos eruditos, a seleção tem algo de pop, com histórias e elementos famosos. Em uma carta de pouco antes de se matar, em 1890, Van Gogh descreve o cômodo onde dormia, imortalizado na tela "Quarto em Arles".

A coleção de fotos, por sua vez, reúne desde uma imagem dos Beatles assinada pelos quatro a outras de Marilyn Monroe, Picasso, Audrey Hepburn e Freud, entre outros.

Entre manuscritos brasileiros na mostra há um de Machado de Assis e um desenho de três aviões por Santos Dumont, no qual o pai da aviação escreveu "Minha família".

"[A coleção] orientou minha vida de maneiras que eu não podia ter suspeitado. Sempre tinha o que fazer em qualquer lugar do mundo. Uma loucura que mereceria a camisa de força", ri Corrêa do Lago.

"Todo colecionador é um pouco voyeur, quer entrar na intimidade, mesmo que no passado. Mas o que importa é a conexão direta com a vida dessas pessoas que admiramos, é como se as conhecêssemos fugazmente".

A exposição é uma das raras chances de ver a coleção. Parte havia sido exibida, há 20 anos, no Rio Grande do Sul, e documentos de Toulouse-Lautrec integraram a mostra do pintor no Masp, em 2017.

É a primeira vez que a parte internacional é exposta. Em 2019, a coleção deve ser exibida também no Itaú Cultural.

Atualmente, Corrêa do Lago disputa com o diretor Cacá Diegues a vaga que o cineasta Nelson Pereira dos Santos deixou na Academia Brasileira de Letras, ao morrer, em abril. A eleição será em agosto.
|
Matéria de Maurício Meireles publicada originalmente no jornal "Folha de S. Paulo", em 09/05/18.

Brasília foi inspirada em Akhetaton, cidade de 3.600 anos no Egito

O formato geométrico, a divisão em setores, os espaços verdes entre edifícios são pontos comuns entre a capital brasileira e Akhetaton. A cidade egípcia foi construída há cerca de 3.600 anos, mas foi extinta após a morte do rei. As edificações foram desmontadas em partes e o material, usado em outras obras do Antigo Egito. No local onde um dia funcionou, hoje há um sítio arqueológico chamado de Tell-El-Amarna. Artigo de Juliana Contaifer e Paulo Lannes para o site www.metropoles.com. +

Uma cidade em formato de pássaro, com avenidas largas, cheia de jardins e árvores, que permite contato com o céu e o sol. Projetada para ser capital administrativa de um país, ela é bem dividida: em uma área ficam os bancos, outra abriga o comércio, as residências ficam separadas e até os militares têm uma parte só para eles. Os prédios públicos estão dispostos ao longo de uma das avenidas principais. Brasília? Não. Essa é a definição do município egípcio de Akhetaton.
Ahmed Said e Diaa Sabry acreditam que a capital brasileira seria mesmo inspirada na cidade egípcia. O formato geométrico, a divisão em setores e os espaços verdes entre as construções são pontos comuns. “Akhetaton é uma das poucas regiões milenares que possui a planta arquitetônica tão bem preservada. Por isso, é fácil perceber as semelhanças entre os dois lugares”, explica Diaa.
“O Memorial JK, por exemplo, lembra as mastabas egípcias”, diz Ahmed. Diaa também destaca que era comum os prédios do país terem entradas com rampas e corredores com iluminação natural, traço comum em prédios como a Catedral de Brasília.
Apesar da surpresa dos especialistas, na capital federal, a teoria já vem sendo estudada por egiptólogos. No livro “Brasília Secreta – Enigma do Antigo Egito” (Editora Vestcon), a especialista Iara Kern e o professor Ernani Pimentel destrincham o que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) chama de “lenda”. Eles comparam vários prédios do Distrito Federal com as edificações da cidade milenar.
Mas as semelhanças não ficam apenas no plano arquitetônico. De acordo com pesquisadores, Akhetaton demorou apenas quatro anos para ser erguida, assim como Brasília. Por lá, foi criado o primeiro lago artificial do mundo, o Lago Moeris. Assim como o Paranoá, a ideia também era refrescar e amenizar o clima. E por fim, a planta da cidade tinha formato de pássaro (quase um avião), em referência ao Íbis, objeto de veneração religiosa no país.
Pode parecer difícil de acreditar, mas alguns entusiastas dizem que Juscelino Kubitschek é a própria reencarnação do faraó — os dois morreram 16 anos após a inauguração de suas cidades.
No livro “Meu Caminho Para Brasília”, o ex-presidente relata uma viagem ao país africano e conta, ele mesmo, a história de Akhenaton e revela que ficou fascinado com a biografia do faraó.
Há 40 anos, o Projeto Amarna estuda e protege as ruínas. Segundo as pesquisas da instituição, o faraó, que era casado com a rainha Nefertiti, decidiu revolucionar a religião politeísta do país e instituiu um Deus único, chamado de Aton. Para implementar as novas regras, Akhenaton encomendou uma nova capital no centro do país. Pois, só separando a monarquia, dos templos antigos, conseguiria ver seus planos tomarem forma.

Versão oficial

Apesar das semelhanças, a Fundação Oscar Niemeyer explicou ao Metrópoles que o arquiteto nunca esteve no Egito. Também não há nenhuma referência ao país no relatório de criação do Plano Piloto escrito por Lúcio Costa. Mas o urbanista cita Piccadilly Circus, Times Square e Champs Elysées como inspiração. Já o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não entra na questão porque considera a história uma lenda.
#
Semelhanças entre Brasília, Akhetaton e o Egito Antigo

A antiga pirâmide da CEB (Companhia Energética de Brasília) se parece com uma pirâmide de degraus, típicas do Antigo Egito. O prédio da CEB ficava no começo da L2 Norte mas foi demolida em 2012. Em entrevista para o “Brasília Secreta”, o arquiteto Gladson da Costa, responsável pelo projeto, contou que não pensou em pirâmides para a edificação, mas afirmou já ter sido reconhecido nos EUA como a reencarnação de um sacerdote egípcio.

A Catedral também guarda semelhança com as construções do país africano: para entrar, deve-se passar em um túnel escuro que vai em direção a um ambiente iluminado. Na frente dos templos antigos, os egípcios posicionavam estátuas de seus deuses, da mesma forma que ficam os apóstolos da Catedral.

Para os pesquisadores, o Memorial JK tem a mesma estrutura de pirâmide egípcia e é semelhante a uma mastaba, túmulo egípcio que sepultava faraós e nobres importantes.

O Teatro Nacional seria a versão brasiliense de uma grande pirâmide. De acordo com os egiptólogos, a inspiração foi a Grande Pirâmide de Keóps e a falta da ponta triangular seria uma “tendência”: as construções inacabadas significam que apenas Deus é completo.

A base do Congresso Nacional se assemelha ao templo de Hatshepsut, a faraó que governou por mais tempo o Egito Antigo.

O obelisco que guarda o Quartel General em Brasília é semelhante ao obeslico que guarda a entrada de Karnak, uma cidade-fortaleza do Egito Antigo.

Tanto o faraó Akhenaton quanto o presidente Juscelino Kubitschek quiseram construir uma nova capital no interior para seus respectivos países.

Segundo Iara Kern e Ernani Pimentel, a pirâmide do Templo da Boa Vontade seria “uma verdadeira concretização hoje do atemporal Antigo Egito”. O monumento simbólico em homenagem ao fundador da LBV, Alziro Zarur, é outro ponto de destaque: “Daqui a milênios, quem o vir deverá revive o que hoje pensamos quando vemos as tumbas faraônicas”, de acordo com os pesquisadores. O local tem, inclusive, uma “Sala Egípcia”, que conta com uma pintura do faraó Akhenaton.
#
Artigo de Juliana Contaifer e Paulo Lannes para o site www.metropoles.com.

Casa Roberto Marinho abre com obras modernistas

Reunindo 1.473 peças de artistas como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari e Guignard, a coletânea amealhada entre 1939 e 1989 serviu de base para a exposição “Modernos 10”, que inaugura o centro cultural Casa Roberto Marinho, em uma mansão aos pés do Corcovado no bairro do Cosme Velho, zona sul. Matéria de Marco Aurélio Canônico publicada originalmente no jornal "Folha de São Paulo", em 01/05/18. +

Em uma mansão aos pés do Corcovado, nas franjas da floresta da Tijuca —a do jornalista e empresário Roberto Marinho (1904-2003)—, uma das principais coleções privadas do modernismo brasileiro tornou-se acessível ao público desde o último sábado (28).

Reunindo 1.473 peças de artistas como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari e Guignard, a coletânea amealhada entre 1939 e 1989 serviu de base para a exposição “Modernos 10”, que inaugura o centro cultural Casa Roberto Marinho, no bairro do Cosme Velho, zona sul.

“Era uma lacuna, não havia espaços públicos com o modernismo permanentemente exposto”, diz o arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti, 64, diretor-executivo da instituição.

Para a abertura, ele selecionou 124 obras de dez artistas fundamentais do movimento —além dos já citados, estão Lasar Segall, José Pancetti, Ismael Nery, Djanira, Milton Dacosta e Burle Marx.

Entre as telas, Cavalcanti destaca “O Touro” (1925), de Tarsila, que estava na lista de obras que o Museu de Arte Moderna de Nova York almejava para sua mostra dedicada à pintora, em cartaz.

Também chamam a atenção quadros ligados mais diretamente ao patrono da casa, como “Boneco” (1939), de Pancetti —o preferido de Marinho— e um retrato de Stella Goulart, sua primeira mulher e mãe de seus quatro filhos, pintado em 1959 por Candido Portinari.

A exposição modernista ocupa o primeiro andar do solar do Cosme Velho, onde antes estavam os quartos, a biblioteca e o cinema.

Este, com capacidade para 34 pessoas, desceu para o térreo, onde também está uma segunda galeria, menor, com foco em arte contemporânea. Para a inauguração, ela foi ocupada por dez artistas que lidam com casas como tema —dentre eles Anna Bella Geiger, Daniel Senise, Luiz Zerbini e Carlos Vergara.

A reforma do casarão e a manutenção do instituto foram financiadas exclusivamente pela família, segundo Cavalcanti —ele não revela o orçamento de que dispõe, mas diz que ele supera em muito o do Paço Imperial, centro cultural federal que dirigiu por 22 anos, no Rio.

O espaço tem capacidade para 500 visitantes diários, mas seus administradores esperam receber inicialmente 200 pessoas por dia.

Na parte externa da casa, onde há um amplo jardim criado por Burle Marx e oito esculturas, os visitantes têm uma rara oportunidade de ver o rio Carioca num trecho despoluído, ainda próximo de sua nascente. Um café, uma microlivraria e um espaço educacional preenchem o resto do terreno.

O diretor-executivo diz ter recebido dos Marinho a missão de não tornar a casa um lugar de culto ao patrono.

Com isso, não há fotos ou busto de Roberto Marinho —apenas seu nome na fachada, um pequeno registro do local em que ficava seu quarto e, muito discretamente, no jardim, uma das quatro esculturas que ele criou.
|
Matéria de Marco Aurélio Canônico publicada originalmente no jornal "Folha de São Paulo", em 01/05/18.

Inhotim e governo de Minas assinam acordo para transferência de 20 obras de arte

O empresário Bernardo de Mello Paz, criador do Instituto Inhotim, e o governo de Minas Gerais assinaram um acordo para que a propriedade de 20 obras de arte do acervo sejam transferidas ao estado como forma de quitar dívidas. Entre elas, estão trabalhos de Adriana Varejão, Cildo Meireles, Amílcar de Castro, Chris Burdene e Doug Aitken. Numa estimativa inicial, o empresário colocou em US$ 128,7 milhões (cerca de R$ 450 milhões) o preço das 20 obras. Matéria de Carolina Linhares publicada originalemnte no jornal “Folha de S. Paulo”. +

O empresário Bernardo de Mello Paz, criador do Instituto Inhotim, e o governo de Minas Gerais assinaram um acordo na última sexta-feira (27) para que a propriedade de 20 obras de arte do acervo sejam transferidas ao estado como forma de quitar dívidas. O termo ainda precisa ser homologado pela Justiça para ter efeito.

O acordo inclui quatro obras de Adriana Varejão, como "Celacanto Provoca Maremoto", painel que imita azulejos portugueses, e a escultura de azulejo “Linda do Rosário”. Também há a instalação “Desvio para o Vermelho” e a escultura de mesas e cadeiras “Inmensa”, ambas de Cildo Meireles e outras duas obras do artista.

A lista traz ainda a escultura de ferro “Gigante Dobrada”, de Amílcar de Castro, a escultura com vigas “Beam Drop Inhotim”, de Chris Burden, e o “Sonic Pavillion”, de Doug Aitken, de onde se ouve o som que vem da Terra.

Segundo o acordo, as obras não poderão ser vendidas pelo estado e permanecerão expostas no Instituto Inhotim, a quem caberá a guarda, manutenção, conservação e preservação dos bens. Assim como fez Paz com as obras de sua propriedade, o estado deverá ceder o patrimônio ao museu a título de comodato.

O objetivo do acerto não é o valor financeiro das obras, mas assegurar que o museu a céu aberto, considerado referência internacional, continue funcionando em Minas por muito tempo.

As obras foram oferecidas por Paz como forma de quitar dívidas de ICMS das suas empresas de mineração que se arrastam por mais de 25 anos. O débito foi calculado em R$ 471,6 milhões e era considerado de difícil recuperação pelo estado.
O empresário, porém, aderiu ao Plano de Regularização de Créditos Tributários, lei estadual aprovada ano passado que dá desconto aos devedores e permite o pagamento com obras de arte. Com a redução, a dívida total de dez empresas de Paz, que integram o Grupo Itaminas de mineração, cai para R$ 111,8 milhões.

O valor das obras, contudo, ainda não foi estabelecido. O governo e Paz têm agora 60 dias para apresentar um laudo cada com a avaliação de especialistas. A Justiça, no processo de homologação, também deve contratar peritos e estabelecer um preço. O menor dos três montantes é que será levado em conta, diz o acordo.
Caso o valor das obras seja menor que a dívida, Paz deverá pagar o que faltar, inclusive por meio de mais obras de arte. Mas, se o montante superar o débito, o que é mais provável, ele renuncia ao excedente. Numa estimativa inicial, o empresário colocou em US$ 128,7 milhões (cerca de R$ 450 milhões) o preço das 20 obras.

PERENIZAÇÃO
A proposta de transferência das obras, feita em novembro pelo empresário, resultou num acordo formal que também amplia a participação do governo na gestão do Inhotim. O estado terá um representante no Conselho de Administração do instituto.
O acordo determina que, sem a permissão do estado, o instituto não pode se desfazer de obras de arte ou de paisagismo, realizar fusões ou cisões, nem vender, alugar, transferir ou ceder seus terrenos. O museu também renuncia a indenizações e não pode se opor em caso de tombamento pelo governo mineiro.
A preservação do Inhotim foi condição imposta pelas secretarias de Cultura e Turismo para a celebração do acordo, firmado também pelas pastas de Planejamento e Fazenda. O museu em Brumadinho (MG), a 55 km de Belo Horizonte, é o segundo atrativo mais visitado em Minas.
Além das dívidas de Paz, sua idade avançada e sua condenação na Justiça lançavam incertezas sobre o futuro do Inhotim. Ele renunciou à presidência do instituto em novembro.
“Houve a necessidade de Paz de resolver um problema e o estado não poderia cometer a irresponsabilidade de deixar esse patrimônio sair de Minas”, diz o secretário de Turismo, Gustavo Arrais.

“Foi o Inhotim que realmente colocou Minas no cardápio do turismo mundial. Seria uma perda artística, cultural, histórica e turística irreparável. É fonte de geração de renda, emprego e prosperidade”, completa.

O secretário da Cultura, Angelo Oswaldo, afirma que o estado e o próprio empresário já tinham o propósito de evitar a venda do que considera o principal museu de Minas e perenizá-lo. “Qualquer país do mundo daria tudo pra ter Inhotim. Foi uma realização singular do governo entregar a Minas para sempre esse grande centro artístico e botânico.”

Os secretários mencionaram também que o estado ainda guarda o trauma de ter perdido o "Painel Tiradentes", de Candido Portinari, vendido por particulares ao governo de São Paulo em 1975, e não quer ter outra baixa cultural. Antes exposto no Colégio de Cataguases (MG), hoje o painel encontra-se no Memorial da América Latina, na capital paulista.

O diretor-executivo do Instituto Inhotim, Antonio Grassi, considerou o acordo uma vitória. "Dá ainda mais segurança para a preservação do projeto Inhotim e mostra o reconhecimento do estado sobre a importância do museu para inserir Minas Gerais no cenário internacional", afirmou em nota.

"O acordo garantirá a perenização do relevante acervo artístico em exposição no Inhotim, uma vez que as obras permanecerão no museu a título de comodato, sem possibilidade de serem removidas ou vendidas."

O acordo prevê, inclusive, que o estado fique com todas as obras em caso de dissolução do instituto. O termo ainda será submetido à avaliação do Ministério Público.

Além das empresas de Paz, ele próprio e o instituto são partes do acerto. Foi determinado ainda que o Grupo Itaminas deve manter os pagamentos de impostos em dia sob pena de multa de 100%.

Paz foi condenado pela Justiça Federal a nove anos e três meses de prisão por lavagem de dinheiro em setembro passado devido a transferências feitas de um fundo em paraíso fiscal às suas empresas.

A defesa recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, onde o processo está pronto para o voto do relator. “Recorremos por considerar a decisão injusta e fruto de equivocada interpretação do processo”, afirma o advogado Marcelo Leonardo.

INHOTIM
Todo o acervo do Inhotim é avaliado em US$ 1,5 bilhão. Em 2008, o museu foi transformado em uma organização não governamental do tipo Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), com contas dissociadas das empresas de Paz.
Em fevereiro passado, o empresário doou ao instituto todas as edificações e terrenos que formam o museu de cerca de 140 hectares. Em dez anos de existência, quase 2,7 milhões de pessoas visitaram o espaço com 23 galerias, 1.300 obras de arte e jardins com 4.500 espécies.
Além de investimentos de Paz e da verba de visitação, o Inhotim é financiado pelo governo de Minas e pela Lei Rouanet.
|
Matéria de Carolina Linhares publicada originalemnte no jornal “Folha de S. Paulo”.

Capela do século XVI em Florença reabre após cuidadosa restauração

A restauração da Cappella Capponi do século 16 de Filippo Brunelleschi, magnificamente projetada em Florença, foi finalmente concluída após um ano de trabalho de restauração liderado por uma organização sem fins lucrativos americana, a Friends of Florence. Ela ajudou na reforma da capela, na limpeza e a restauração de obras de arte, que incluíam o retábulo maneirista de Jacopo Pontormo (1494-1557). Depois de 490 anos, a obra-prima entrou em um estado precário e precisava desesperadamente de reparos. Retoques extensos e verniz oxidado entorpeciam as cores, o pó e o acúmulo de fuligem escondiam partes da pintura, e os carunchos tinham comido alguns dos painéis e molduras. Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 20/04/18. +

A restauração da Cappella Capponi do século 16 de Filippo Brunelleschi, magnificamente projetada em Florença, foi finalmente concluída após um ano de trabalho de restauração liderado por uma organização sem fins lucrativos americana.
Na ausência de financiamento interno suficiente, Kathe e John Dyson, da organização Friends of Florence, financiaram a limpeza e reforma abrangentes que incluíam o retábulo maneirista de Jacopo Pontormo.

A capela Capponi, abrigada na igreja de Santa Felicita, foi encomendada pela família Barbadori por volta de 1422 e posteriormente comprada pelo nobre e banqueiro Lodovico di Gino Capponi, em 1525, para servir como mausoléu da família. Um ano depois, Capponi contratou a Pontormo para pintar os interiores. O artista e seu assistente, Agnolo Bronzino, se isolaram na capela por dois anos, impedindo o acesso de todos, até mesmo de seu patrono, enquanto trabalhavam.

"A composição da pintura, o vazio, o fato de que não há cruz, nenhum crucifixo, torna isso um trabalho realmente importante", disse Kathe Dyson sobre o retábulo, que retrata a Deposição de Cristo. “Isso realmente mostra o fim do Renascimento se movendo para a arte moderna. Ele [Pontormo] era um gênio. É incrível depois de ver todo o trabalho da Renascença, aqui está alguém que mudou o jogo. ”
Mas depois de 490 anos, a obra-prima de Pontormo entrou em um estado precário e precisava desesperadamente de reparos. Restaurações frustradas e intervenções arquitetônicas haviam prejudicado os trabalhos, a ponto de dois afrescos começarem a sair dos suportes de parede. Retoques extensos e verniz oxidado entorpeciam as cores, o pó e o acúmulo de fuligem escondiam partes da pintura, e os carunchos tinham comido através de alguns dos painéis e molduras.

“Nós simplesmente amamos Pontormo e sempre fomos ver essa pintura na igreja”, lembra Kathe Dyson, mas “realmente precisava ser restaurada”. Embora o país tenha uma longa tradição de apoio governamental às artes, sua infra-estrutura para doações particulares é mais fraco, então os Dysons se sentiram compelidos a entrar e preservar esse tesouro único.
“A maioria das pessoas que passa por aqui porque é uma pequena igreja e não há nenhuma sinalização que fale sobre 'o fabuloso Pontormo nesta igreja'”, disse ela. "Você só tem que saber."

Trabalhando em estreita colaboração com o ministério de conservação de Florença, a co-fundadora da Friends of Florence, Simonetta Brandolini d'Adda, contratou a renomada especialista em Pontormo, Daniele Rossi, para liderar o projeto.
"O jovem restaurador que fez isso é apenas um gênio", disse Dyson. "Agora vai ser acertado, vai ser cuidado, não haverá mais velas, e eles vão colocar uma placa na rua para isso. É emocionante e estamos muito felizes. Foi uma honra poder fazer isso ”.
Brandolini d'Adda acrescentou: “Estamos muito satisfeitos que a restauração tenha sido concluída com sucesso e que este magnífico tesouro no coração de Florença tenha reaberto. O interior da capela, a ornamentação e os afrescos são agora saudáveis e ainda mais cativantes”.
|
Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 20/04/18.

Nova York tem até 15/5 para se despedir de Sudan e de sua família

A obra consiste em três rinocerontes em bronze empilhados e tem autoria dos australianos Gillie e Marc Schattner, que arrecadaram via crowfunding os US$ 50 mil necessários para montar a escultura. A peça foi criada para conscientizar o mundo em relação ao ilegal comércio de chifres de rinocerontes. +

O público em Nova York tem apenas até 15/5 para ver Astor Place a grandiosa e comovente escultura “Os Últimos Três”, de Gillie e Marc Schattner, em homenagem aos até então três últimos rinocerontes brancos do norte vivos no planeta: Sudan, Najin e Fatu, mas que agora são apenas dois. A peça de bronze de 4,5 metros de altura foi revelada poucos dias antes da trágica morte do Sudan, em 19/3/18, o único rinoceronte branco masculino restante, praticamente garantindo a extinção desta subespécie
A obra consiste em três rinocerontes em bronze empilhados e tem autoria dos australianos Gillie e Marc Schattner, que arrecadaram via crowfunding os US$ 50 mil necessários para montar a escultura. A peça foi criada para conscientizar o mundo em relação ao ilegal comércio de chifres de rinocerontes, que vale mais do que ouro, e esperam reunir um milhão de mensagens (com a hastags #GoodbyeSudan e #goodbyeRhinos) como uma petição aos governos chinês e vietnamita para reprimir o comércio do chifre.
O instagram do Mapa das Artes (#mapadasartesoficial) traz imagens como a de Joseph Wachira, 26, que conforta Sudan, o último rinoceronte branco do norte vivo no planeta, minutos antes de ser sacrificado por eutanária no Quênia, no dia 19/3/2018. Desde o ano passado Sudan sofria muito devido a graves problemas de saúde e à sua idade avançada. Sudan viveu seus últimos anos protegido no Parque de Conservação Ol Pejela, no Quénia, ao lado de sua filha Najin e de sua neta Fatu.
As fotos dos três rinocerontes e da escultura em Nova York são cortesia dos artistas Gillie e Marc Schattner; a fotografia de Joseph Wachira confortando Sudan é de autoria de Ami Vitale (National Geographic Creative), o memorial de Sudam e a última imagem são do twitter rememberingsudan (https://twitter.com/hashtag/rememberingsudan).