destaques
conteúdo
publicidade
notícias

Christie"s faz melhor leilão de tela impressionista em 10 anos

A casa de leilões realizou seu melhor leilão de arte impressionista e moderna em uma década, chegando perto de estabelecer um novo recorde para um van Gogh, e recordes estabelecidos Vuillard, Magritte, Fernand Léger, Jean Crotti, Suzanne Duchamp e Emil Nolde. Matéria de Eric Platt do Financial Times publicada originalmente no jornal “Valor Econômico”, em 16/11/2017. +

A Christie's realizou na segunda-feira seu melhor leilão de arte impressionista e moderna em uma década, chegando perto de estabelecer um novo recorde para um van Gogh. Foi o início de uma semana de vendas que poderá render pelo menos US$ 1,3 bilhão.

O leilão de segunda-feira levantou US$ 479,3 milhões com 60 lotes, superando sua estimativa mais conservadora para a noite, muito embora lances por várias obras tenham sido insuficientes e mais de 10% dos lotes não tenham sido vendidos. Assentos ficaram vazios na sala de leilões do Rockefeller Plaza, onde geralmente os participantes dos leilões ficam de pé.

Mas quando houve interesse, como aconteceu com obras de Vincent van Gogh, Pablo Picasso, René Magritte e Edouard Vuillard, a sala ficou agitada.

Os lances por um óleo sobre tela de van Gogh intitulado "Laboureur dans un champ" (Campo com lavrador) passaram de US$ 44 milhões para US$ 55 milhões numa única oferta e o martelo acabou batendo nos US$ 72 milhões, após quatro minutos de disputa. O vencedor fez o lance por telefone para Rebecca Wei, presidente da Christie's na Ásia.

Com as taxas pagas ao leiloeiro por seus serviços, o preço pago pela obra subiu para US$ 81,3milhões. Foi pouco menos que o recorde estabelecido para o artista em 1990, de US$ 82,5 milhões. O preço desembolsado pela pintura que retrata um campo de trigo, um cavalo e um lavrador em cores que vão do amarelo-girassol, lilás e azul-celeste ficou bem acima da estimativa de US$ 50 milhões. A obra foi concluída seis semanas após van Gogh ter sido removido de seu estúdio e internado em um asilo em Saint-Rémy.

Recordes foram estabelecidos na segunda-feira para Vuillard, Magritte, Fernand Léger, Jean Crotti, Suzanne Duchamp e Emil Nolde.

A tela abstrata de Léger em óleo sobre aniagem "Contraste de formes" foi vendida por US$ 62 milhões, abaixo da estimativa mais conservadora para a obra, de US$ 65 milhões. Com as taxas pagas à Christie's, o preço subiu para pouco mais de US$ 70 milhões. A obra foi pintada em 1913, no auge do movimento cubista, e é parte de uma série em que Léger "leva suas estruturas abstratas ao seu extremo lógico", segundo o Guggenheim Museum.

A Christie's disse que o total arrecadado na segunda-feira foi sua maior venda noturna de arte moderna e impressionista desde novembro de 2007. As vendas da noite totalizaram cerca de US$ 416 milhões antes das taxas adicionais. Isso ficou entre a estimativa da casa de leilões para a noite, de algo entre US$ 360 milhões e US$ 476 milhões.

"A temporada deste ano obviamente está melhor que a do ano passado", disse Guillaume Cerutti, CEO da Christie's, após o leilão. "A oferta [de obras disponíveis para vender no ano passado] provavelmente foi menor que a que estamos tendo este ano. Talvez tenha havido um problema com o fornecimento... e este ano está sendo diferente. Mais coleções e grandes lotes estão indo a mercado."

|
Matéria de Eric Platt do Financial Times publicada originalmente no jornal “Valor Econômico”, em 16/11/2017.

Beyoncé grávida do artista Awol Erizku é a foto mais curtida de todo os tempos

A foto de anuncio da gravidez de Beyoncé, feita pelo artista Awol Erizku, e postada em fevereiro de 2017, é a imagem mais curtida de toda a história do Instagram. +

É oficial: o artista Awol Erizku de Los Angeles, baseado em Nova York, é o autor da foto mais popular do Instagram no ano, postada pela superstar Beyoncé em fevereiro. A linda foto é carregada de referências históricas, mas a popularidade insana – de 11 milhões de curtidas e contando - é devida, claramente, ao fato de que as curtidas dobraram com o anúncio da gravidez da cantora, que deu a luz aos gêmeos Rumi e Sir Carter em julho. Além de estar na Top honrarias de 2017, a foto está classificada como a mais curtida de todos os tempos no Instagram.

Na medida em que 2017 chega ao fim, o Instagram compartilhou uma lista dos superlativos do ano da rede social, a partir dos usuários com mais seguidores – Selena Gomez, com 130 milhões de seguidores ou o jogador de futebol Cristiano Ronaldo, que tem 116 milhões de fãs - com as cidades mais “instagramadas”: Nova York, seguida de Moscou e Londres.

Mais uma vez, a suprema #love reinou na top hastag do ano, mas #art está na quinto posição com maior crescimento no ano, após #photography, #2017, #travel, and #instagood.

Intimidation, Censorship: The Far Right’s Assault on Brazil’s Art Scene

Artists and cultural professionals have been threatened and harassed by right-wing groups. Now, they must figure out what to do next. Artigo de Henri Neuendorf para o portal www.artnet.com editado em 30/11/17. +

Last week, curator Gaudêncio Fidélis appeared before the senate in Brazil’s capital to face allegations of “mistreatment of children and teenagers.” His offense: Organizing “Queermuseum: Cartographies of Difference in Brazilian Art,” an exhibition of more than 200 works of Modern and contemporary art that explored queerness and gender at the Santander Cultural Center in Porto Alegre. The venue closed the exhibition a month early, on September 10, following violent protests and pressure from conservative political groups.
The furor surrounding the show is just one example of the mounting challenges to artistic freedom in Brazil, which hangs in the balance as right-wing groups work to shut down exhibitions and intimidate artists whose work they consider immoral. Dealers, curators, and artists say they have received death threats. And many are unsure of what to do in the face of a particularly 21st century kind of violence: One that begins online, but often has real-world consequences.
Indeed, some of the works cited by senators as offensive during Fidélis’s hearing were not even included in the original exhibition—they had been fabricated on social media by members of far-right political groups.
“There has been action to try and criminalize artists in Brazil, and politicians at lower levels of government are trying to take advantage of this because we are experiencing a very rampant and strong growth of fundamentalism,” Fidélis told artnet News. “There is this whole discussion around censorship… The right wing is pushing that agenda forward in a way that I’ve never seen before in art and culture.”
Death Threats and Self-Imposed Exile
The violence, or threat of violence, has forced some artists, like Antonio Oba, out of the country. After right-wing groups spread a video of one of his iconoclastic performances on social media, he received so many death threats that he fled Brazil. He has been living in self-imposed exile in Brussels since mid-October.
“With the increase of these threatening messages, I wasn’t able to produce work; anguish and insecurity overshadowed my practice, and hindered my work as a professor as well,” he told artnet News. “Considering all of these factors, I left Brazil for an artistic residency in Europe.”
In the offending video, “Acts of Transfiguration: Disappearance of a Recipe for a Saint” (2015), Oba grinds a white statuette of the Virgin Mary into a powder and pours it over his black body—an act, he says, of catharsis for the Catholic Church’s perpetuation of racism and intergenerational poverty. Soon after the video began circulating online, the evangelical right labeled it immoral and called for it to be banned.
Days later, on September 19, a group of right-wing activists were waiting with rocks outside an exhibition venue where Oba was due to install his work for an exhibition tied to the PIPA art prize (Brazil’s equivalent to the Turner Prize).
The last straw came when right-wing congressman Magno Malta threatened to sue Oba for blasphemy. He condemned the artist for “grinding the image of the saint and pouring the dust on his penis” and called him a “piece of shit” and a “son of a bitch” in a nationally televised senate hearing.
“That was the moment where [fellow gallery artist] Paulo Nazareth and a lot of other artists said, ‘Get him out of here,’” said the Brazilian dealer Pedro Mendes. His gallery, Mendes Wood DM, represents Oba and decided to fly him to Europe. “This can easily go wrong, if a legal case starts he could lose his passport,” Mendes explained.
The dealer noted that he received death threats himself after posting a video of one of Oba’s performances to Instagram. He is currently in New York, where the gallery operates a small space. Of the right-wing activists, he said: “They felt empowered, they felt if they continue this cyberterrorism, they could actually fuck up the structures of the liberal voice. And they can do it because the government is complicit.”
Political Turmoil
The recent incidents are part of a complex chain of events closely aligned with the populism and isolationism sweeping the globe.
Buoyed by press statements, social media campaigns, and street demonstrations, fringe groups such as the Movimento Brasil Livre (Free Brazil Movement or MBL) have gradually pushed Brazil toward the right of the political spectrum. They advocate hard line conservative agendas and position themselves against former president Dilma Rousseff’s neoliberal economic program and progressive social policies.
MBL’s rise was largely driven by divisive online vitriol against Rousseff, who was ousted by the conservative right in an impeachment vote in August 2016. Conservative rival Michael Temer, who replaced Rousseff, notoriously temporarily dissolved the country’s cultural ministry. (He ultimately reinstated it after sustained pressure from cultural groups and leftist activists, who occupied government buildings in protest.)
Ahead of Brazil’s general elections in 2018, politicians have sought to capitalize on the movement to the right by mimicking the divisive rhetoric of MBL in campaign speeches.
In this heated and divisive environment, the political vitriol has spilled over into Brazil’s left-leaning cultural arena. On November 7, American academics Judith Butler and Wendy Brown were intercepted by right-wing protesters at Congonhas Airport in São Paulo. The protesters later burned an effigy of Butler outside a conference venue, where they were giving a lecture on the history of sexuality.
“These attacks directed at art institutions and individuals are a way to change the debate into a moral issue to avoid talking about economic injustice, corruption, and civil rights that are being removed,” São Paulo-based artist Ana Prata told artnet News. “We had a coup last year, and in my opinion everything that is happening is a consequence of this.”
Targeting the Cultural Sector
The first major uproar began in September, when conservative groups targeted an exhibition at the Santander Cultural Center in Porto Alegre. They alleged that the show, “Queer Museum: Cartographies of Difference in Brazilian Art,” promoted pedophilia and zoophilia. Protesters demonstrated in front of the museum and smashed windows of several branches of the Santander bank, which sponsors the venue.
At the start of October, images of a young girl—accompanied by a parent—touching the foot of a nude performance artist at São Paulo’s Modern Art Museum set off a firestorm of opposition. The performer had invited the audience to move his body as part of the performance, which was inspired by legendary Brazilian artist Lygia Clark’s interactive sculpture series Bichos.
Instead of condemning the attacks on freedom of speech and artistic expression, politicians including São Paulo’s mayor, João Doria (who is rumored to be lining up a bid for the presidency in next year’s election), went on the attack.
In a television address in mid-October, Doria criticized an exhibition on the history of sexuality at another museum, the Museu de Arte de São Paulo (MASP). Responding to public pressure, the museum restricted entrance to those over 18 years old. The move sparked counter-demonstrations by artists and cultural workers at the show’s opening. (The museum has now changed its policy to permit minors with adult chaperones.)
Strength in Numbers
In this politically charged environment, Brazil’s art scene is seeking strength in numbers, and some say the crisis has brought the community closer together. Fernanda Brenner, the artistic director of the São Paulo arts non-profit PIVO, is a driving force behind an open letter defending the right to artistic freedom in Brazil. The letter has garnered more than 1,000 signatures from leading Brazilian artists and cultural luminaries including Renata Lucas, Jac Leirner, and Nuno Ramos.
Like many others, Brenner feels the spate of recent incidents and the government’s refusal to condemn them amount to censorship. “I feel these recent attacks on freedom of speech, artists, and art institutions are an attempt to deviate attention from the atrocities this current government is trying to do in the National Congress,” she told artnet News.
But the Brazilian art world is not easily intimidated. Many of its members survived the country’s military dictatorship from 1964 to 1985, which also violently suppressed artistic freedom. Fernanda Feitosa, a collector and founding director of the São Paulo-based art fair SP-Arte, pointed out that while Brazil’s democracy has been bruised, it systems remain largely intact.
“I believe that Brazil has a solid legal system and the stability of cultural institutions in Brazil remains unshaken,” she said. “There are no signs yet that these minority groups are influencing the courts regarding legality or appropriateness of cultural exhibitions in the country.”
Fidélis, the Queermuseum curator, agrees, and is cautiously optimistic that the tide is slowly turning. “I think the strong reaction from the art world made people very conscious, and I feel like we’re somehow winning this fight,” he said. But, he warned, that the fight continues. “We cannot stop talking about this and fighting against these laws and against these initiatives that are very dangerous to democracy in Brazil.”
#
Artigo de Henri Neuendorf para o portal www.artnet.com editado em 30/11/17.

Após condenação, Bernardo Paz renuncia à presidência do Inhotim

O empresário que idealizou o museu nos anos 1980 renunciou a presidência, depois de pedido de prisão por lavagem de dinheiro. O economista Ricardo Gazel assume. Matéria de Amanda Nogueira e Nathalia Durval publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo, em 28/11/17. +

Bernardo de Mello Paz, empresário que idealizou o Inhotim nos anos 1980, renunciou à presidência do museu nesta terça-feira (28).

A decisão foi divulgada após Paz ter sido condenado, em setembro, a nove anos e três meses de prisão por lavagem de dinheiro em movimentações financeiras de empresas das quais foi sócio. A defesa nega as acusações e já recorreu da sentença.

O economista Ricardo Gazel, que ocupou o cargo de diretor-executivo do instituto entre setembro de 2012 e setembro de 2013, assume a presidência do conselho.

Segundo a assessoria de imprensa do Inhotim, o afastamento partiu de uma iniciativa do empresário e seria uma tentativa de desatrelar sua imagem da do museu.

A renúncia reitera o discurso da defesa. À época da condenação, o advogado do empresário, Marcelo Leonardo, afirmou que os fatos listados pela Procuradoria não tinham relação com o instituto. "Eles dizem respeito a episódios de 2007 e 2008, relativos a empresas de mineração e siderurgia de que Bernardo foi sócio", disse.
Procurado pela reportagem, Leonardo não soube precisar os motivos que levaram seu cliente a deixar o cargo.
Referência em arte contemporânea e um dos maiores centros artísticos ao ar livre da América Latina, o Inhotim foi construído em uma fazenda de Paz em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte. O instituto opera normalmente.

ENTENDA O CASO

A decisão da juíza federal Camila Franco e Silva Velano pela condenação de Paz havia sido publicada em setembro, mas só divulgada neste mês pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais.
Maria Virgínia de Mello Paz, irmã do empresário, também foi condenada por participar do crime, mas teve pena menor, de cinco anos e três meses em regime semiaberto.

Segundo a Procuradoria afirmou na denúncia apresentada em 2013, o empresário e sua irmã praticaram lavagem de ativos de suas empresas, escondendo a origem e a natureza de recursos provenientes de sonegação de contribuições previdenciárias, nos anos de 2007 e 2008.

As movimentações que chamaram a atenção do Coaf (unidade de inteligência do Ministério da Fazenda que detecta operações irregulares no sistema financeiro) implicavam, entre outras empresas, a Horizontes Ltda., criada com a finalidade de manter o Instituto Inhotim a partir de doações de outras empresas.
De acordo com a Procuradoria, a Horizontes repassou a outras empresas de Bernardo Paz ao menos US$ 95 milhões que inicialmente haviam sido doados ao instituto.

OUTRO LADO

Marcelo Leonardo, que também é o representante legal de Maria Virgínia de Mello Paz, afirma que a condenação de seus clientes por lavagem de dinheiro é injusta.

"Ele é inocente e a decisão é injusta, por isso já recorremos para o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, onde a gente espera que a decisão seja revertida e ele, absolvido", diz Leonardo.
Segundo a sentença, além das transações irregulares entre empresas de Paz, foram constatados saques em espécies nas contas do grupo "sem que se pudesse identificar o destino final dos valores".
O advogado afirma que as movimentações são alterações financeiras regulares.

DÍVIDAS

As acusações remetem ao período em que Paz foi proprietário do conglomerado Itaminas, composto por 29 empresas, a maioria na área de mineração e siderurgia.

Em 2010, o grupo foi vendido por US$ 1,2 bilhão para uma estatal chinesa a fim de liquidar as dívidas dos sócios, calculadas em cerca de US$ 400 milhões à época.

Paz ainda possui uma dívida de cerca de R$ 150 milhões com o governo de Minas Gerais e recentemente ofereceu obras do acervo do museu para quitar o valor.

Sua proposta lista cerca de US$ 170 milhões em trabalhos de artistas como Adriana Varejão e Cildo Meireles –se convertida a reais, a oferta chega a R$ 550 milhões, mais que o triplo devido.
Atualmente, as obras de arte são de propriedade de Paz, cedidas ao instituto a título de comodato. Em fevereiro, o empresário doou ao instituto todas as edificações e terrenos que formam a área de visitação do museu, com cerca de 140 hectares.
|
Matéria de Amanda Nogueira e Nathalia Durval publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo, em 28/11/17.

MAM terá que restringir câmeras em performances

O museu de São Paulo e o Ministério Público do Estado assinaram uma minuta de termo de ajuste de conduta em que a instituição se obriga a restringir o acesso de pessoas com celulares, câmeras ou filmadoras em instalações que envolvam interação do público com seres humanos. O termo foi assinado após repercussão de uma criança foi filmada tocando um homem nu numa performance no museu. O MAM também se comprometeu também a organizar eventos de iniciação artística para o público infantojuvenil e a doar 15% do faturamento da mostra ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Matéria de Mônica Bergamo para no jornal “Folha de São Paulo”, em 27/11/17. +

O MAM (Museu de Arte Moderna) e o Ministério Público do Estado de SP assinaram uma minuta de termo de ajuste de conduta em que a instituição se obriga a restringir o acesso de pessoas com celulares, câmeras ou filmadoras em "instalações que envolvam interação do público com seres humanos que sejam parte da instalação como performáticos ou artistas, no intuito de proteger crianças e adolescentes de exposições indevidas".

Em outubro, uma criança foi filmada tocando um homem nu numa performance no museu. O vídeo, divulgado na internet, gerou protestos.

O termo tem como foco os prejuízos que a divulgação das imagens da interação da menina com o artista nu causaram aos direitos da criança.

O documento não faz restrição à presença nem à interação da garota com o artista. Ao contrário: diz que, de acordo com a lei, "toda criança ou adolescente terá acesso às diversões e espetáculos públicos adequados à sua faixa etária". Os menores de dez anos também poderão entrar nelas, desde que acompanhados pelos pais. A garota que tocou o homem nu estava com a mãe no museu.

Para restringir o uso de celulares em performances dessa natureza, o museu se comprometeu a, em quatro meses, colocar avisos sobre a proibição do uso dos aparelhos ou de quaisquer outros de filmagens, "bem como instruir equipe" para o mesmo fim.

Além disso, deve anunciar em alto-falante que a performance não poderá ser filmada ou fotografada. O MAM se comprometeu também a organizar eventos de iniciação artística para o público infantojuvenil e a doar 15% do faturamento da mostra ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Com o acordo, o Ministério Público de SP pedirá o arquivamento do inquérito civil que investiga o MAM por causa da interação da criança com o homem nu na performance.
|
Matéria da coluna de Mônica Bergamo publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, em 27/11/17.

Masp cancela mostra após americano Basquiat ser tema do CCBB

Após negociações, o museu da avenida Paulista cancela sua mostra retrospectiva que abriria em abril do ano que vem. O Masp planejava investir cerca de R$ 2,5 milhões, entre empréstimos com uma série de museus, aos quais poderia oferecer outras obras de sua coleção em troca. O CCBB fechou um esquema milionário com um único - e poderosíssimo- acervo de Jose Mugrabi, megacolecionador israelense que vive em Nova York; e vai gastar R$ 15 milhões em recursos incentivados, seis vezes mais do que o Masp. Matéria de Silas Martí publicada no jornal “Folha de São Paulo”, em 27/11/17. +

Todos querem Basquiat. Depois de anos de planejamento, o Masp decidiu cancelar sua aguardada exposição do americano, carro-chefe de seu calendário do ano que vem, porque o Centro Cultural Banco do Brasil vai fazer sua própria retrospectiva do pioneiro da arte de rua.

Oitenta trabalhos de Jean-Michel Basquiat, morto de overdose aos 27, em 1988, vão ocupar o CCBB paulistano a partir de janeiro, contrariando o Masp, que pretendia abrir sua exposição em abril.

"Estamos cancelando Basquiat porque achamos que duas mostras do mesmo artista ao mesmo tempo na cidade seriam um mau uso de recursos públicos num país onde eles estão cada vez mais escassos", disse Heitor Martins, presidente do Masp, sobre a decisão da instituição.

O museu da avenida Paulista planejava investir cerca de R$ 2,5 milhões na mostra do artista que entrou para o circuito dos museus e galerias de arte depois de deixar suas marcas nos muros e vagões de metrô de Nova York.
Negociações de empréstimos de obras com acervos de todo o planeta estavam avançadas, mas foram descartadas de última hora, deixando um vácuo no programa da instituição no ano que vem.

Diretores do Masp chegaram a negociar com o CCBB, para que o centro cultural adiasse a sua mostra, mas não chegaram a um acordo.

"Está havendo uma competição. O Basquiat está muito na moda agora. Todo mundo quer", diz Pieter Tjabbes, à frente da mostra do CCBB. "Havia muita procura pelo produto Basquiat. Não fazia sentido ter duas grandes exposições ao mesmo tempo."

O dinheiro, no caso, parece ter vencido a queda de braço na briga pelo artista do momento -o CCBB vai gastar R$ 15 milhões em recursos incentivados, seis vezes mais do que o Masp, para montar a sua exposição de Basquiat.
Mas há uma diferença fundamental. Enquanto o Masp negociava empréstimos com uma série de museus, aos quais poderia oferecer outras obras de sua coleção em troca, o CCBB fechou um esquema milionário com um único -e poderosíssimo- acervo.

Todas as obras da exposição do centro cultural vêm dos armazéns de Jose Mugrabi, megacolecionador israelense que vive em Nova York. Segundo pessoas próximas às negociações, ele teria recebido quase R$ 5 milhões para emprestar suas obras.

Seu acervo tem mais de 800 trabalhos de Warhol e joias de Basquiat, artista que ele passou a colecionar depois de fazer a limpa no mercado do mestre da arte pop.

"Tudo vem da coleção dele", disse Tjabbes, que esteve em Nova York na semana passada negociando os empréstimos. "Tínhamos de ser práticos. Você não pode fazer uma exposição retrospectiva emprestando de 40 coleções. Então isso foi uma solução fantástica, porque a qualidade do acervo dele é inegável."
|
Matéria de Sials Martí, publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, em 27/11/2017.

Parte final de pintura de Magritte é descoberta depois de 85 anos

A pintura "A pose encantada" perdida do artista surrealista René Magritte foi encontrada em pedaços, após oito décadas. É provável que Magritte tenha cortado o trabalho em quatro partes e pintado sobre ele em um esforço para reutilizar a tela. Matéria publicada na revista Das Artes, em 23/11/17. +

Na última semana, o Royal Museums of Fine Arts of Belgium (RMFAB) anunciou que os pesquisadores descobriram a quarta e última parte do trabalho de Magritte de 1927 “A pose encantanda”. A imagem de raio-x revelou que o artista pintou sobre ela para criar uma obra posterior, “Deus não é um Santo” (1935-36), hoje de propriedade do Museu Magritte em Bruxelas.

Perdido desde 1932, “A pose encantada” – que retrata duas mulheres nuas encostadas a pedestais quebrados – foi retratada no catálogo raisonné de 1992 do artista. A foto em preto e branco da pintura é acompanhada por uma chamada que diz: “O ambiente de localização desconhecida […] provavelmente foi destruído.” É provável que Magritte tenha cortado o trabalho em quatro partes e pintado sobre ele em um esforço para reutilizar a tela e economizar dinheiro.

Esta descoberta marca a conclusão de uma busca de longa duração pela pintura. A primeira peça foi descoberta em 2013, quando “O retrato”, 1935 de Magritte foi submetido a trabalhos de conservação no Museu de Arte Moderna de Nova York . Os conservadores notaram que as bordas da obra foram pintadas (atípicas para Magritte) e decidiram tirar um raio-x da pintura, descobrindo finalmente a parte superior esquerda da posição encantada.
|
Matéria publicada originalmente na Revista das Artes, em 23/11/17.

Bernardo Paz quer saldar dívida com obras do Inhotim

O empresário e criador do museu a céu aberto em Minas Gerias ofereceu ao governo do Estado obras de acervo para saldar a dívida de impostos, entre elas peças de Adriana Varejão, Cildo Meireles e Amílcar de Castro. Matéria de publicada na revista Das Artes, em 23/11/17. +

Segundo o jornal O Globo, o empresário Bernardo Paz, criador do Instituto Inhotim, um dos maiores museus a céu aberto do mundo, ofereceu ao governo de Minas Gerais obras do acervo para saldar a dívida de impostos que tem com o estado.

A informação foi confirmada pelo advogado-geral do estado, Onofre Alves Batista. Ele disse que recebeu o pedido do empresário Bernardo Paz para pagar a dívida que tem com o estado, por meio da lei de regularização de créditos tributários, o chamado Regularize. “A lei tem um dispositivo que expressamente permite pagar com obra de arte”, disse ele.

O débito, que gira em torno de R$ 500 milhões, teria as multas reduzidas e passaria para cerca de R$ 150 milhões. A lista de obras que fariam parte do pagamento já foi entregue ao estado. Entre elas estão “Celacanto provoca maremoto” e “Linda do Rosário”, assinadas por Adriana Varejão; “Glove Trotter” e “Inmensa”, de Cildo Meireles, e “Gigante Dobrada”, de Amílcar de Castro.

As obras têm um valor aproximado, segundo a proposta entregue ao governo, de $ 190 milhões.

Na última semana, a 4ª Vara do Tribunal Regional Federal em Belo Horizonte condenou Bernardo Paz e a irmã dele, Virgínia Paz, a prisão por lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), entre 2007 e 2008, um fundo chamado Flamingo Investiment Fund, sediado no exterior, repassou US$ 98,5 milhões para a empresa Horizontes, criada por Bernardo Paz para manter o Inhotim a partir de contribuições de seus outros empreendimentos.

O dinheiro, diz o MPF, foi recebido a título de doações e empréstimos para o instituto, mas logo depois foi repassado “para o pagamento dos mais variados compromissos de empresas de propriedade de Bernardo de Mello Paz, tendo sido constatados diversos saques em espécie nas contas do grupo, sem que se pudesse identificar o destino final dos valores”.

Após as polêmicas envolvendo a instituição em Brumadinho, o instituto Inhotim publicou uma nota de esclarecimento, veja abaixo:

A propósito da nota divulgada hoje pelo Ministério Público Federal (MPF), replicada, na íntegra ou em partes, por diversos veículos de comunicação, o Instituto Inhotim esclarece que é uma instituição sem fins lucrativos, qualificada pelo governo estadual como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), sem ligação com as empresas de Bernardo Paz, não respondendo ou participando, portanto, de nenhuma questão de âmbito pessoal que o envolva.

Para realização de suas ações socioeducativas e manutenção de seus acervos botânico e artístico, o Instituto é mantido com recursos de doações de pessoas físicas e jurídicas, de maneira direta e incentivada, com amparo na Lei Federal e Estadual de Incentivo à Cultura.

O Inhotim reforça, por oportuno, que todas as contas da instituição são públicas e que passam por criteriosa prestação junto ao Ministério da Cultura, além de serem submetidas a um rigoroso processo de auditoria realizado pela empresa britânica Ernst & Young, ambos em periodicidade anual.

No anseio de esclarecer os fatos e evitar possíveis equívocos acerca de organizações distintas, e de diferentes naturezas jurídicas, o Instituto Inhotim reforça seu compromisso com a sociedade, com seus parceiros e com a comunidade em seu entorno, na busca incessante pelo desenvolvimento humano através da arte e da botânica.
|
Matéria publicada originalmente no site da revista Das Artes (www.dasartes.com), em 23/11/17.

Inhotim solta Nota de Esclarecimento

Nota de esclarecimento sobre a posição da instituição em relação a condenação de prisão de Bernardo Paz, no site oficial do Instituto Inhotim, em 17/11/17. +

A propósito da nota divulgada hoje pelo Ministério Público Federal (MPF), replicada, na íntegra ou em partes, por diversos veículos de comunicação, o Instituto Inhotim esclarece que é uma instituição sem fins lucrativos, qualificada pelo governo estadual como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), sem ligação com as empresas de Bernardo Paz, não respondendo ou participando, portanto, de nenhuma questão de âmbito pessoal que o envolva.

Para realização de suas ações socioeducativas e manutenção de seus acervos botânico e artístico, o Instituto é mantido com recursos de doações de pessoas físicas e jurídicas, de maneira direta e incentivada, com amparo na Lei Federal e Estadual de Incentivo à Cultura.
O Inhotim reforça, por oportuno, que todas as contas da instituição são públicas e que passam por criteriosa prestação junto ao Ministério da Cultura, além de serem submetidas a um rigoroso processo de auditoria realizado pela empresa britânica Ernst & Young, ambos em periodicidade anual.

No anseio de esclarecer os fatos e evitar possíveis equívocos acerca de organizações distintas, e de diferentes naturezas jurídicas, o Instituto Inhotim reforça seu compromisso com a sociedade, com seus parceiros e com a comunidade em seu entorno, na busca incessante pelo desenvolvimento humano através da arte e da botânica.
#
Informações do site www.inhotim.org.br/blog

Quadro de Leonardo da Vinci bate recorde em leilão

Salvator Mundi é um dos menos de 20 quadros de Leonardo existentes e o único em mãos privadas. A venda na Christie's de Nova York bateu o recorde de US$ 450,3 milhões (R$ 1,48 bilhão) num leilão nesta quarta-feira (15). +

Um quadro de Leonardo da Vinci que mostra Cristo segurando um globo de cristal foi vendido pelo valor recorde de US$ 450,3 milhões (R$ 1,48 bilhão) num leilão nesta quarta-feira (15), batendo o recorde anterior.

Salvator Mundi ("Salvador do Mundo") é um dos menos de 20 quadros de Leonardo da Vinci existentes e o único em mãos privadas. Ele foi vendido pela leiloeira Christie's em nome do bilionário russo Dmitry Rybolovlev, dono do clube de futebol Mônaco. A identidade do comprador - que adquiriu a pintura por telefone - não foi divulgada.

Aproximadamente 45 clientes - por telefone e na sala de leilões de Nova York - levaram 19 minutos batalhando por meio de ofertas e contraofertas pela obra. A disputa acabou sendo reduzida a apenas dois licitantes, que viram o preço da obra atingir mais do dobro do recorde anterior pago por uma pintura num leilão - o quadro Les Femmes D'Alger ("As mulheres de Argel"), de Pablo Picasso, foi vendido por 179,4 milhões de dólares em maio de 2015.

O preço mais alto pago por qualquer peça de arte era 300 milhões de dólares pelo quadro Interchange, do artista holandês Willem de Kooning, vendido diretamente em setembro de 2015 pela Fundação David Geffen ao gestor de um fundo Kenneth C. Griffin.
A pintura Salvator Mundi, de 66 centímetros, data de cerca de 1500 e mostra Cristo envergando vestuário de estilo renascentista, com a mão direita levantada em bênção e a mão esquerda abaixada segurando uma esfera de cristal.

Criador de Inhotim é condenado à prisão por lavagem de dinheiro

O empresário mineiro Bernardo Paz, idealizador e principal nome de Inhotim, um dos maiores empreendimentos de arte contemporânea do país, foi condenado a nove anos e três meses de prisão em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro. A decisão é de primeira instância e cabe recurso. Matéria de Marcos de Moura e Souza originalmente publicada no jornal “Valos Econômico”, em 16/11/17. +

O empresário mineiro Bernardo Paz, idealizador e principal nome de Inhotim, um dos maiores empreendimentos de arte contemporânea do país, foi condenado a nove anos e três meses de prisão em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro. A decisão, da 4ª Vara Federal, é de primeira instância e cabe recurso.
A informação foi divulgada na tarde desta quinta-feira pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais, que havia denunciado Paz.
O MPF afirmou, por meio de nota, que a condenação levou em conta operações envolvendo sua mineradora Itaminas e Inhotim. Paz teria usado de artifícios para "lavar dinheiro proveniente da sonegação de contribuições previdenciárias".
A nota do MP diz que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, detectou movimentações irregulares, efetuadas especialmente pela BMP Participação e Empreendimentos Ltda - que era a controladora de todas as empresas que compunham o grupo Itaminas - e pela Horizontes Ltda.
"A Horizontes foi criada por Bernardo Paz com a finalidade de manter o Instituto Cultural Inhotim a partir de doações de suas outras empresas. Ocorre que a maior acionista da Horizontes, a Vine Hill Financial Corp Ltda, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, é uma empresa cujo endereço é o mesmo de diversas pessoas físicas e jurídicas acusadas de cometer crimes de lavagem de dinheiro", continua o MP explicando a condenação.
Segundo o material divulgado, entre 2007 e 2008, a Horizontes recebeu US$ 98,5 milhões do Flamingo Investiment Fund, um fundo sediado nas Ilhas Canárias. "Esses valores foram recebidos a título de doações e/ou empréstimos para o Instituto Cultural Inhotim, mas logo depois foram repassados de diversas formas", disse o MP.
De acordo com a sentença, os recursos foram usados "para o pagamento dos mais variados compromissos de empresas de propriedade de Bernardo de Mello Paz, tendo sido constatados diversos saques em espécie nas contas do grupo sem que se pudesse identificar o destino final dos valores".
Em outro trecho, o MPF diz que a Justiça afirmou que "ficou claramente constatada existência de enorme confusão patrimonial e contábil entre as diversas empresas do Grupo Itaminas."
Ainda segundo a sentença, informou o MP, "a conta da Horizontes não visava unicamente à manutenção do Instituto Cultural Inhotim, mas também servia de conta intermediária para diversos repasses às empresas do Grupo Itaminas".
Virgínia de Mello Paz, irmã de Paz, também foi condenada por lavagem a cinco anos e três meses, em regime semiaberto.
|
Matéria de Marcos de Moura e Souza originalmente publicada no jornal “Valos Econômico”, em 16/11/17.

(Nem) toda nudez será castigada

Nem toda nudez, adulta ou infantil, envolve a prática de ato lascivo ou tem por fim a confecção de cena ou imagem sexual. Não apenas em culturas indígenas, como também em muitas práticas comuns no Brasil e em outros países, a nudez está desprovida de qualquer conteúdo lascivo. É o que ocorre, por exemplo, com o naturismo. Artigo de Deborah Duprat e Sergio Gardenghi Suiama publicado na seção "Tendências e Debates" do jornal "Folha de S. Paulo" em 14/11/17. +

Uma grande confusão jurídica está no centro do embate entre aqueles que atacam manifestações artísticas, qualificando-as como "pedófilas", e os que defendem a liberdade da arte, sem considerar outros direitos implicados.
Essa confusão tem, infelizmente, gerado reações emocionais extremadas, amplificadas pelas mídias sociais, e acabam produzindo danos a pessoas e instituições sérias, como o Museu de Arte Moderna de São Paulo. É importante, assim, esclarecer pontos fundamentais sobre o conteúdo e os limites dos direitos em questão.
Para começar, nosso direito penal não pune a pedofilia como transtorno psiquiátrico, mas sim a prática de atos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Essa distinção é importante porque há inúmeros episódios de violência que não são cometidos por pessoas diagnosticadas como pedófilas.
O gerente de hotel que facilita a exploração sexual de uma criança, por exemplo, comete o crime do art. 218-B do Código Penal, mesmo não tendo nenhum transtorno. Entre os abusadores, nem todos são diagnosticados como pedófilos e, segundo o Datasus, a maioria dos casos de violência sexual infantil ocorre no próprio domicílio da vítima.
Os crimes de violência sexual infanto-juvenil estão descritos no Código Penal e no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Todos os crimes envolvem prática de atos lascivos com ou na presença de uma criança, ou ainda a produção, comercialização, distribuição e posse de fotografias e imagens de crianças e adolescentes reais em cena de sexo explícito ou pornográfica.
Ocorre que nem toda nudez, adulta ou infantil, envolve a prática de ato lascivo ou tem por fim a confecção de cena ou imagem sexual. Não apenas em culturas indígenas, como também em muitas práticas comuns no Brasil e em outros países, a nudez está desprovida de qualquer conteúdo lascivo. É o que ocorre, por exemplo, com o naturismo.
Nas artes, a nudez (adulta e infantil) e sua representação fazem parte do registro de todas as civilizações e podem ser vistas em esculturas e pinturas de mais de 5.000 anos.
Performances envolvendo a nudez do artista ocorrem com frequência em museus de arte moderna e contemporânea do mundo, e nunca se pensou em acusar tais instituições de promover pedofilia. Isso ocorre porque, nesses casos, não há a finalidade sexual exigida para a configuração dos crimes do ECA e do Código Penal.
Surge daí outra questão: pode uma criança frequentar uma exposição ou uma apresentação teatral na qual o artista está nu? A resposta que a Constituição e o ECA dão é: cabe aos responsáveis pela diversão ou espetáculo informarem adequadamente ao público sobre o conteúdo do evento e as faixas etárias apropriadas. E cabe aos pais, como reflexo do exercício do poder familiar, o papel de supervisão sobre o conteúdo acessível aos filhos.
Como afirmou o Supremo Tribunal Federal no julgamento que afastou a obrigatoriedade da classificação etária para programas de TV (ADI 2404/DF), "muitos são os fatores que pluralizam as concepções morais e comportamentais das famílias, sejam eles religiosos, econômicos, sociais ou culturais.
Firmou-se, porém, como resguardado, o direito dos dirigentes da entidade familiar a seu livre planejamento, respeitados os postulados da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável".
É importante registrar que, segundo os critérios atualmente adotados pelo Ministério da Justiça, a nudez em si não torna o conteúdo impróprio para crianças, mesmo menores de 10 anos.
De acordo com o guia usado para a classificação indicativa da TV, "nem sempre a ocorrência de cenas que remetem a sexo ou nudez são prejudiciais ao desenvolvimento psicológico da criança, como no caso da nudez não erótica, desde que exposta sem apelo sexual, tal como em contexto científico, artístico ou cultural".
Portanto, nem toda nudez será castigada ou interditada a menores de 18 anos. Não cabe ao Estado, mas sim aos pais, definirem as programações culturais e de entretenimento mais adequadas para seus filhos menores, segundo suas próprias concepções morais e educacionais.
#
Artigo de Deborah Duprat e Sergio Gardenghi Suiama publicado na seção "Tendências e Debates" do jornal "Folha de S. Paulo" em 14/11/17.
#
DEBORAH DUPRAT, 58, é procuradora federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal
SERGIO GARDENGHI SUIAMA, 46, é procurador da República no Rio de Janeiro

Naufraga campanha pelo Centro de Performance de Marina Abramović

O que poderia ter sido um importante instituto para as artes da performance, não será mais. Apesar de grandes doações via crowdfunding para construir o Instituto Marina Abramović, em Hudson (New York), a campanha ainda não foi o suficiente para construir a instalação planejada por Rem Koolhaas, do Escritório de Arquitetura Metropolitana. Mas o financiamento coletivo não devolverá o dinheiro para os patrocinadores, mas sim para pagar a firma de Koolhaas e realizar uma série de contrapartidas, que inclui abraços com a artista e jantar com sopas. Matéria de Brian Boucher, originalmente publicada no site do artnet News (www.artnet.com), em 07/11/17. +

O que poderia ter sido um importante instituto para as artes da performance, não será mais. Foi isso que o mundo da arte aprendeu no mês passado, apesar de um titanic de doações via crowdfunding para construir o Instituto Marina Abramović, em Hudson, New York.

Então, o que acontece com os US $ 661,452 que foi levantado na campanha de arrecadação do edifício projetado por Rem Koolhaas? Esses 4.765 patrocinadores recuperam o dinheiro?

Em uma palavra, não. O instituto só levantou parte do dinheiro para pagar a firma de Koolhaas, o Escritório de Arquitetura Metropolitana, para desenvolver os primeiros projetos para a construção tanto para planos de "estrutura do edifício, iluminação, acústica e AV", como para cobrir a programação contínua de atividades e operações de escritório, de acordo com o captação de recursos inicial.

Um representante do site Kickstarter disse que esses projetos iniciais da campanha já foram "para nós, concluídos". Abramović não retornou a nenhum dos telefonemas feitos pela reportagem e o instituto se recusou a fazer uma entrevista em seu nome.

O diretor executivo, Thanos Argyropoulos, disse que o instituto finalizou o acordo. "É um certo grau de risco compartilhar o desenvolvimento do instituto com a comunidade, mas é o único caminho para organizações do nosso tamanho também fazer estudos para medir o impacto, o potencial da proposta e realizar uma análise adequada de custos e riscos de projetos envolvendo despesas de capital substanciais", ele escreveu em um e-mail para o Artnet News .

Argyropoulos se recusou a detalhar o quanto do dinheiro foi para os projetos de estruturas e quanto mais para outros fins.

As doações vieram com contrapartidas. Elas incluem um abraço com a artista por uma promessa de US $ 1; um DVD de Abramović demonstrando exercícios, como "bebendo água" e "olho olhando" por US $ 100; além de uma noite de cinema com a artista por US $ 5.000; e, por último, por US $ 10.000, uma noite de "culinária espiritual" com o artista, no qual os convidados fariam várias sopas.

Os termos de uso da Kickstarter indicam que "quando um projeto é financiado com sucesso, o criador deve completar o projeto e cumprir cada recompensa". De acordo com o site, o instituto entregou todos os abraços, todos os DVD’s e as tigelas de sopa, exceto alguns para os quais os destinatários da RSVP falhou na hora.

Abramović é uma figura divisória, tanto amada quanto injuriada na mesma medida. Ela foi objeto de uma retrospectiva blockbuster de grande sucesso no Museu de Arte Moderna de Nova York, "Marina Abramović: The Artist Is Present", em 2010, no qual ela olhou nos olhos dos visitantes dos museus, às vezes com forte efeito emocional. Lady Gaga lançou um vídeo no qual ela praticou o "Método Abramović". Em 2013, na Galeria Pace de Nova York, Jay Z filmou um vídeo inspirado em sua performance no MoMA.

Em um erro notório, Abramović reclamou em uma entrevista de 2015 com Spike Art Quarterly que Jay Z não conseguiu entregar uma doação prometida ao seu instituto. O rapper retrocedeu, produzindo prova da doação; Abramović culpou sua equipe.

Por sua parte, a partir do momento do Kickstarter, Abramović aumentou sua campanha com cerca de US $ 1,5 milhão de seu próprio dinheiro para apoiar o desenvolvimento do instituto - mais do dobro do total de fundos arrecadados. Então pelo menos ninguém pode dizer que ela investiu menos do que ela arrecadou.
|
Matéria de Brian Boucher, originalmente publicada no site do artnet News (www.artnet.com), em 07/11/17.

Mostra do Masp sobre sexualidade supõe que qualquer nu liga-se ao sexo

Em meio a tantas manifestações contra a cultura e contra os museus, o que deveria ser uma exposição radical chique virou uma batata quente. Daí, o Masp recuou e proibiu para menores a exibição. Até o catálogo —livro de imagens com poucos textos curtos e simplistas— vinha com tarja proibindo a venda para os inocentes com menos de 18 anos! Coluna de Jorge Coli originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 12/11/17. +

Post-porn é o que eu chamo, para meu uso pessoal, de pornô-cabeça e resumo assim: emprego da pornografia como meio de reflexão. Os debates em torno disso têm mais de 30 anos, mas atingiram um paroxismo nas artes dos últimos tempos.
Artistas e exposições que tomam a sexualidade como tema andam surgindo por todos os lados, e o Masp decerto não quis ficar na rabeira. Inventou a mostra intitulada "Histórias da Sexualidade", aberta mês passado.
A qualidade de várias das obras exibidas é muito alta, começando por aquelas que pertencem ao acervo do museu. A estas se juntaram outras, vindas de várias instituições e coleções particulares.
Mas o tema foi tratado de modo superficial. É verdade que o título autoriza juntar coisas sem grande rigor. Para ordenar um pouco, a curadoria estabeleceu tópicos que lembram o índice de algum manual: corpos nus, totemismos, religiosidades, voyeurismos, linguagens, performatividades de gênero e assim por diante.
A mostra pinça exemplos aqui e ali. Um pouco de cerâmica pré-colombiana, um pouco de Mapplethorpe, um pouco de Carlos Zéfiro, sem que nenhum desses pouquinhos conduza a qualquer aprofundamento.
Algumas obras estão lá sob pretextos forçados, como o autorretrato bigodudo de Gauguin porque ele se interessava pela androginia, ou a maravilhosa "Bailarina de 14 Anos" de Degas, ilustrando o voyeurismo —quando o Masp possui a coleção completa dos nus femininos em bronze desse autor, raramente mostrada.
A moda atual de expor produções de tempos históricos diferentes, comparando-as, é fecunda em certos casos. Aby Warburg foi o genial teórico que teve a ideia de fazer uma história da arte sem palavras em seu "Atlas Mnemosyne", no qual justapõe apenas imagens, fazendo intuir formidáveis relações.
A exposição do Masp sugere um Warburg simplificado, escolar e classificatório. Ela está vazada em museografia saturada, que dificulta a concentração.
A exposição não se deu conta de que existiram vários momentos na história em que as artes se vincularam fortemente ao sexo e, de modo voluntário ou não, os ignorou.
Nada trouxe do decadentismo baudelairiano, por exemplo: entre tantos outros, nem Gustave Moreau, Aubrey Beardsley ou Félicien Rops, este com suas obscenidades blasfemadoras. E nada de surrealismo!
Como imaginar histórias da sexualidade no campo das artes que ignore Delvaux ou Masson, as colagens de Ernst (na falta de telas) ou "A Pintura em Pânico", de Jorge de Lima, para ficar apenas em alguns poucos escolhidos ao acaso? Ok, apontar lacunas é fácil. Mas uma perspectiva minimamente histórica teria proporcionado alguma profundidade e coerência a um conjunto bem desconexo.
Tanto as roupas quanto a nudez podem ser marcadas pela sexualidade. Há roupas eróticas como há nus castos, e vice-versa. No Masp, a mostra supôs que um nu, qualquer nu, por si só, liga-se ao sexo.
Nisto —de modo involuntário, assim espero— coincide com os conservadores de hoje em dia (porque os antigos pelo menos sabiam da existência do "nu artístico" que se vincula à beleza, não ao sexo).
Tanto é que esses novos moralistas invadiram o MAM-SP por causa daquela performance em que a nudez era tão inocente. No caso do Masp, é difícil achar que "As Banhistas" de Manet ou o nu pequenino pintado por Flávio de Carvalho, com formas mal e mal sugeridas, tenham algo a ver com sexualidade.
No entanto, o problema que tem chamado mais a atenção na mostra surgiu de modo imprevisto. Imagino que, para negociar obras e obter empréstimos, a preparação deva ter exigido ao menos entre um ano e meio e dois.
Ora, as mentalidades mudaram muito rapidamente e a exposição começa no momento exato em que o moralismo no Brasil vem animado por uma histeria sem precedentes, vinculando-se a um futuro político de prognóstico aterrador.
Em meio a tantas manifestações contra a cultura e contra os museus, o que deveria ser uma exposição radical chique virou uma batata quente. Daí, o Masp recuou e proibiu para menores a exibição. Até o catálogo —livro de imagens com poucos textos curtos e simplistas— vinha com tarja proibindo a venda para os inocentes com menos de 18 anos!
E agora, graças à lúcida iniciativa do Ministério Público Federal, o museu voltou atrás, liberando a entrada com o acompanhamento dos pais: vexatória contradança.
A gravidade destes fatos não é circunstancial, porque significam um sintoma grave de autocensura. O MPF, por felicidade, tirou a camisa de força com que o Masp havia vestido sua própria inteligência.
#
Coluna de Jorge Coli originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 12/11/17.
#
HISTÓRIAS DA SEXUALIDADE
QUANDO de ter. a dom., das 10h às 18h; qui., das 10h às 20h; até 14/2/2017
ONDE Masp, av. Paulista, 1578, tel. (11)3251-5644
QUANTO R$ 30, grátis às terças
CLASSIFICAÇÃO 18 anos

Masp para todos: Editorial da Folha de S. Paulo

O jornal "Folha de S. paulo" publicou em sua coluna de editoriais texto sobre nota técnica do Ministério Público Federal e a subsequente decisão do Masp de rever a proibição da mostra "Histórias da Sexualidade" para menores de 18 anos. +

Uma nota técnica do Ministério Público Federal e a subsequente decisão do Masp de rever a proibição da mostra "Histórias da Sexualidade" para menores de 18 anos, mesmo se acompanhados pelos pais, injetaram bom senso na controvérsia sobre a classificação etária de eventos culturais.
O veto, inédito na história do museu, foi adotado diante de circunstâncias incomuns que induziram seus dirigentes a preferir errar por excesso de conservadorismo.
Semanas antes da inauguração da exposição, ganhava corpo no país uma onda de pressões de movimentos conservadores contra o que entendiam ser uma espécie de abuso moral das artes em temas relativos à sexualidade.
Seria ocioso lembrar, não fosse o atual ambiente de polarização política, que é prerrogativa constitucional de qualquer cidadão, entidade ou grupo expressar livremente suas crenças e opiniões.
Nem por isso se justificam tentativas de silenciar pela intimidação a voz da qual se discorda —como infelizmente tem se verificado tanto à direita quanto à esquerda do espectro ideológico.
Os protestos começaram com ataques à mostra "Queermuseu", que acabou cancelada por iniciativa da instituição que a abrigava em Porto Alegre; também o Museu de Arte do Rio (MAR) acabou desistindo do mesmo evento.
Tais recuos deram aos manifestantes ânimo redobrado para prosseguir em sua ofensiva.
Foi nesse ambiente hostil que o Museu de Arte de São Paulo se viu às vésperas de inaugurar sua "Histórias da Sexualidade", prevista havia anos. A opção pelo veto, segundo a instituição, veio após uma consulta jurídica e se baseou no artigo 8 da portaria 368 (de 2014) do Ministério da Justiça.
O texto sugere a impossibilidade de os pais autorizarem o acesso de seus filhos a obras não recomendadas a menores de 18 anos.
No entanto, a norma, apesar de estar em vigor, suscita dúvidas consideráveis quanto a sua compatibilidade com a Constituição de 1988 —que, nesse aspecto, não pode ser considerada iliberal.
A Carta elimina a censura, recusa a tutela do Estado e estabelece que a classificação etária é apenas indicativa, cabendo aos pais decidirem se os filhos devem ou não, por eles acompanhados, assistir a este ou àquele espetáculo.
Em boa hora, a nota técnica da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão reforçou a leitura mais sensata da legislação com argumentos fartos e convincentes.


Masp trata sexualidade como pornografia em mostra superficial

A exposição no Masp (Museu de Arte de São Paulo), dividida em oito segmentos, explora a sexualidade, uma área tão vibrante e cheia de contradições na humanidade, de forma classificatória e frígida. Com isso, o conteúdo, apesar de vibrante na individualidade de cada uma das obras, no conjunto se torna superficial. Crítica de Fabio Cypriano originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 31/10/17. +

"Histórias da Sexualidade", a mostra que se tornou polêmica antes mesmo de sua abertura, por conta da proibição a visitação por menores de 18 anos, está muito distante do que se pode imaginar a partir da temática prometida pelo título.
A exposição no Masp (Museu de Arte de São Paulo), dividida em oito segmentos, explora a sexualidade, uma área tão vibrante e cheia de contradições na humanidade, de forma classificatória e frígida. Com isso, o conteúdo, apesar de vibrante na individualidade de cada uma das obras, no conjunto se torna superficial.
O primeiro segmento, por exemplo, Corpos Nus, reúne de obras-primas do museu, como "A Banhista e o Cão Griffon" (1870), de Renoir, junto a uma deslumbrante tela de Francis Bacon, "Estudo do Corpo Humano" (1949) e "David 10" (2005), de Miguel Ángel Rojas, entre as cerca de 30 selecionadas. Contudo, a repetitiva sucessão de nus aponta para uma quantidade excessiva que se assemelha a uma mirada cientificista.

BRANCO E NEUTRO

Ora, uma exposição sobre sexualidade merece um ambiente mais quente, mas a curadoria da mostra, tendo à frente o diretor artístico do Masp, Adriano Pedrosa, tende a ignorar o legado da arquiteta Lina Bo Bardi, tão fetichizado em sua gestão. As paredes brancas e neutras, que suportam as obras, apenas atestam a falta de ousadia ao tratar do tema.
Nesse sentido, o conjunto que se sobressai é o denominado "Religiosidades", ao mesclar o sensual retrato de São Sebastião, realizado por Pietro Perugino, entre 1500 e 1510, do acervo do museu, com uma foto de Robert Mapplethorpe, uma pintura de Leonilson, desenhos de Leon Ferrari e o vídeo de Virgínia de Medeiros, "Sergio Simone", entre outros trabalhos.
Aí, pode-se perceber como artistas ao longo dos séculos trataram de sexo e religião de forma complexa e crítica, o que também falta nos demais segmentos da mostra.

APELO

Finalmente, proibir uma exposição a menores de 18 anos e colar um selo no catálogo como o texto "Sexo explicito, violência, linguagem imprópria" é tratar a sexualidade como pornografia.
Um museu de arte não deveria se acovardar a esse ponto, até porque está apenas sucumbindo a pressões de grupos desinformados e mal-intencionados.
O que se vê no museu está longe de todo o sexo explícito disponível a qualquer um na internet. No atual contexto, "Histórias da Sexualidade" poderia ser um farol sobre o papel da arte e de suas instituições. Entretanto, nem a curadoria nem o Masp estão em condições de exercer o papel que lhes cabe.
#
Crítica de Fabio Cypriano originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 31/10/17.

Revista Art Review divulga lista anual Power 100 nas artes em 2017

Pela primeira vez em 16 anos, a compilação anual dos 100 nomes mais influentes das artes plásticas em 2017 tem uma mulher no topo da lista: a artista, ativista e pensadora alemã Hito Steyerl, que ocupava a 7ª colocação no ano passado. O curador suíço Hans Ulrich Obrist caiu de 1º lugar em 2016 para 6º colocado este ano. O Brasil ocupa três posições na lista: a galerista paulistana Luisa Strina, que marca presença desde 2012 (subiu de 57ª para 49ª posição); o trio de galeristas da Mendes Wood DM (Felipe Dmab, Pedro Mendes e Matthew Wood), que seguraram a 91ª posição; e a galerista Vanessa Carlos, radicada em Londeres, onde dirige a galeria Carlos/Ishikawa. Texto de Celso Fioravante, editor do Mapa das Artes São Paulo, com informações dos portais https://artreview.com/power_100/ e http://www.touchofclass.com.br. +

A revista norte-americana “Art Review” divulgou em sua edição de novembro sua compilação anual dos 100 nomes mais influentes das artes plásticas em 2017. Pela primeira vez em 16 anos de lista uma mulher surge à frente do Power 100: a artista, ativista e pensadora alemã das artes Hito Steyerl, que ocupava a 7ª colocação no ano passado. O curador suíço Hans Ulrich Obrist caiu de 1º lugar em 2016 para 6º colocado este ano. A lista é organizada por um comitê anônimo de 20 especialistas.
Segundo a revista, Hito Steyerl está no topo, pois “tenta ativamente interromper esse nexo de poder Analisando narrativas históricas e políticas em relação à cultura e identidade digitais, Hito Steryl tem sido uma influência consistente sobre jovens artistas emergentes na Europa e em todo o mundo há mais de uma década”.
Quem também está rindo à toa é o antropólogo, sociólogo e filósofo francês Bruno Latour que estreou na lista já entre os Top Ten (9º colocado). A bióloga, filósofa e escritora norte-americana Donna Haraway também não pode reclamar, pois foi a que subiu mais degraus nessa escada da fama, ao galgar 47 posições em um ano (pulou de 86ºlugar para 39º). Igual número de posições (47), mas em sentido contrário, foi o tropeço do artista argentino radicado no mundo Rirkrit Tiravanija, que caiu da 36º para 83º lugar. Parece que as teorias antropológicas, científicas, feministas e de gênero estiveram mais na moda em 2017 que as idealistas e generosas ações artísticas de Tiravanija.
O Brasil ocupa três posições na lista este ano. A galerista paulistana Luisa Strina, que marca presença desde 2012, subiu de 57ª para 49ª posição, talvez por ter sido a organizadora do evento Semana de Arte em São Paulo em agosto. O trio de galeristas da Mendes Wood DM (Felipe Dmab, Pedro Mendes e Matthew Wood) mantiveram a 91ª posição. A galerista Vanessa Carlos, que mantém em Londres a galeria Carlos/Ishikawa (www.carlosishikawa.com) estreou na lista em 100º lugar.
Artistas, críticos, pensadores e filósofos politicamente engajados são destaque nesta edição. A filósofa feminista Donna Haraway está em 3º na lista. O filósofo, sociólogo e antropólogo francês Bruno Latour estreia já na 9ª posição. Judith Butler também estreia, mas numa posição mais discreta: 48. O arquiteto israelense Eyal Weizman, fundador do Forensic Architecture Research, estreou em 94º. Entre os artistas super politizados é possível citar Ai Weiwei (13), David Hammons (19), Theaster Gates (23), Kara Walker (56), Kerry James Marshall (68), Arthur Jafa (81), Rirkrit Tiravanija (83) e Walid Raad (86), entre outros.
#
Texto de Celso Fioravante, editor do Mapa das Artes São Paulo, com informações dos portais https://artreview.com/power_100/ e http://www.touchofclass.com.br.
#
Veja abaixo a lista completa do Power 100 2017
1 - Hito Steyerl, artista (7ª em 2016)
2 - Pierre Huyghe, artista (24)
3 - Donna Haraway, filósofa (43)
4 - Adam Szymczyk, diretor artístico da Documenta 14 (2)
5 - David Zwirner, galerista (4)
6 - Hans Ulrich Obrist, curador e diretor da Serpentine Galleries em Londres (1)
7 - Iwan e Manuela Wirth, galeristas (3)
8 - Thelma Golden, diretora do Studio Museum, no Harlem (29)
9 - Bruno Latour, antropólogo, sociólogo e filósofo da ciência francês (estreante)
10 - Gavin Brown, galerista (27)
11 - Wolfgang Tillmans, artista (9)
12 - Adam D. Weinberg, director do Whitney Museum of American Art de nY (8)
13 - Ai Weiwei, artista chinês (10)
14 - Joan Jonas, artista (estreia)
15 - Larry Gagosian, galerista (6)
16 - Maria Balshaw, nova diretora da Tate Galleries (estreia)
17 - Glenn D. Lowry, diretor do MoMA de NY (12)
18 - Marian Goodman, galeriasta (13)
19 - David Hammons, artista (estreia)
20 - Monika Sprüth e Philomene Magers, galeristas (14)
21 - Marc e Arne Glimcher, galeristas (19)
22 - Massimiliano Gioni, diretor da Trussardi Foundation e diretor artístico do New Museum de NY (15)
23 - Theaster Gates, artista e ativista (16)
24 - Marc Spiegler, diretor da Art Basel (22)
25 - Nicholas Logsdail, Alex Logsdail e Greg Hilty, galeristas (28)
26 - Christine Macel, curadora da Bienal de Veneza de 2017 (17)
27 - Patricia Phelps de Cisneros, colecionadora e patrona (21)
28 - Bernard Arnault, colecionador, patrono e fundador da Fondation Louis Vuitton (41)
29 - Beatrix Ruf, curadora, adviser e ex-diretora do Stedelijk Museum Amsterdam (11)
30 - Daniel Buchholz, galerista (39)
31 - Maja Hoffmann, colecionadora, patrona e fundadora da LUMA Foundation (26)
32 - Eli e Edythe Broad, colecionadores e patronos (23)
33 - Miuccia Prada, colecionadora, fashion designer e dona da Fondazione Prada (45)
34 - Sadie Coles, galerista (31)
35 - François Pinault, colecionador e fundador da Pinault Collection (35)
36 - Michael Govan, diretor do Los Angeles County Museum of Art (34)
37 - José Kuri e Mónica Manzutto, galeristas mexicanos (32)
38 - Tim Blum e Jeff Poe, galeristas (25)
39 - Jeebesh Bagchi, Monica Narula e Shuddhabrata Sengupta, teóricos e curadores do Raqs Media Collective (86)
40 - Emmanuel Perrotin, galerista (44)
41 - Sheikha Hoor Al-Qasimi, president da Sharjah Art Foundation e da International Biennial Association (40)
42 - Zhang Wei e Hu Fang, fundadores do multidisciplinar Vitamin Creative Space, na China (55)
43 - Nato Thompson, diretor artístico do Creative Times (84)
44 - Hou Hanru, curador e diretor artístico do MAXXI, em Roma (71)
45 - Anton Vidokle, Julieta Aranda e Brian Kuan Wood, fundadores do e-flux website, jornal e outros projetos (37)
46 - Adrian Cheng, colecionador em Hong Kong (54)
47 - Jay Jopling, galerista (33)
48 - Judith Butler, filósofa de gêneros (estreia)
49 - Luisa Strina, galerista e fundadora da Semana de Arte (57)
50 - Christine Tohmé, diretora da Lebanese Association for Plastic Arts e curadora da 13ª Sharjah Biennial (49)
51 - Lorenz Helbling, fundador da Shanghart (76)
52 - Liam Gillick, artista, crítico, professor e escritor (67)
53 - Charles Esche, diretor do Van Abbemuseum (63)
54 - Jeff Koons , artista (30)
55 - Yayoi Kusama, artista (93)
56 - Kara Walker, artista (estreia)
57 - Klaus Biesenbach, director do MoMA PS1 e curador-chefe do MoMA (51)
58 - William Kentridge, artista sul-africano (62)
59 - Suhanya Raffel e Doryun Chong, diretor e curador-chefe do M+ Museum em Hong Kong (estreia)
60 - Philippe Parreno, escritor (estreia)
61 - Esther Schipper, galerista (56)
62 - Elena Filipovic, diretora do Kunsthalle Basel (estreia)
63 - Olafur Eliasson, artista (74)
64 - Barbara Gladstone, galerista (53)
65 - Thaddaeus Ropac, galerista (69)
66 - Massimo de Carlo, galerista italiano (64)
67 - Carolyn Christov-Bakargiev, curadora e escritora especializada em Arte Povera (61)
68 - Kerry James Marshall, artista plástico (estreia)
69 - Patrizia Sandretto Re Rebaudengo, colecionadora, aptrona e presidente da Fundação Sandretto Re Rebaudengo, em Turim e Madri (72)
70 - Claire Hsu, cofundadora do Asia Art Archive (68)
71 - Richard Chang, colecionador (52)
72 - Sunjung Kim, curador e presidente da Gwangju Bienniale Foundation (estreia)
73 - Tim Neuger e Burkhard Riemschneider, galeristas da alemã Neugerriemschneider (59)
74 - Anselm Flank, curador (85)
75 - Kader Attia, artista franco-argelino (estreia)
76 - Mario Cristiani, Lorenzo Fiaschi e Maurizio Rigillo, galeristas italianos (73)
77 - Chris Kraus, crítico e escritor (estreia)
78 - Cecilia Alemani, diretora da High Line (NY) e do programa Cities, da Art Basel (estreia)
79 - Hyun-Sook Lee, Galerista em Seul (77)
80 - Wang Wei e Liu Yiqian, colecionadores e patronos (87)
81 - Arthur Jafa, artista norte-americano (estreia)
82 - Tom Eccles, diretor executivo do Center for Curatorial Studies do Bard College (81)
83 - Rirkrit Tiravanija, artista argtentino radicado em Nova York, Berlim e Chiang Mai, na Tailândia (36)
84 - Riyas Komu e Bose Krishnamachari, artistas fundadores da indiana Kochi-Murziris Biennale (83)
85 - Haegue Yang, artista (estreia)
86 - Walid Raad, artista (65)
87 - Trevor Paglen, artista (82)
88 - Almine Rech, galerista (90)
89 - Marina Abramović, artista performática (46)
90 - Yuko Hasegawa, curadora chefe do Museum of Contemporary Art Tokyo (estreia)
91 - Matthew Wood, Pedro Mendes e Felipe Dmab, galeristas da Mendes Wood DM (91)
92 - Koyo Kouoh, fundador da Raw Material Company, em Dacar, no Senegal (75)
93 - Nadia e Rajeeb Samdani, diretores do Dhaka Art Summit, em Bangladesh (96)
94 - Eyal Weizman, arquiteto (estreia)
95 - Eugene Tan, diretor da National Gallery Singapore (94)
96 - Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, curador, fundador do jornal Savvy, em Berlim, e assistente de Adam Szymczyk na Documenta 14 (estreia)
97 - Amanda Sharp, Matthew Slotover, Victoria Siddall, Ari Emanuel e Patrick Whitesell, diretores de feira de arte em Los Angeles (66)
98 - Pablo Leon de la Barra, cuardor de arte altino-americana radicado no Brasil (97)
99 - Kiran Nadar, colecionador indiano (estreia)
100 - Vanessa Carlos, galerista brasileira radicada em Londres (estreia)

Masp retira proibição a menores

Depois de nota técnica do Ministério Público, museu decide admitir menores de 18 anos acompanhados de pais ou responsáveis em exposição sobre sexualidade. Matéria de Luana Fortes publicada no site da Revista Select, em 07/11/17. +

A exposição Histórias da Sexualidade, realizada no MASP com curadoria de Adriano Pedrosa, Camila Bechelany, Lilia Schwarcz e Pablo Leon de la Barra, foi inaugurada em 19/10 com classificação etária restritiva para menores de 18 anos. Ou seja, mesmo acompanhados de seus pais, adolescentes não poderiam visitar a mostra. A posição do museu acabou levando a muitas contestações de profissionais da área e ao menos uma ação judicial. Em meio ao debate, e também a uma onda de acusações caluniosas contra manifestações artísticas, o Ministério Público Federal (MPF) se pronunciou em nota técnica de 47 páginas, na qual versa sobre a liberdade de expressão na arte em face da proteção de crianças e adolescentes. O MASP, então, decidiu alinhar seu posicionamento ao da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF e divulga hoje, 7/11, nota à imprensa tornando a classificação da mostra indicativa, em vez de restritiva. Veja a íntegra abaixo:

São Paulo, 7 de novembro de 2017

Nota à imprensa

Seguindo a orientação estabelecida pela Nota Técnica da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal nº 11/2017/PFDC/MPF, publicada em 6 de novembro (link aqui), o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP revisou a classificação etária de 18 anos para a exposição Histórias da Sexualidade, que deixa de ser restritiva e passa a ser indicativa. Desse modo, menores de 18 anos poderão visitar a exposição desde que acompanhados por seus pais ou responsáveis.
|
Matéria de Luana Fortes publicada no site da Revista Select, em 07/11/17.

Ministério Público divulga nota sobre liberdade artística

Documento afirma que classificação etária é meramente indicativa no caso de obras de arte e exposições, no caso a Histórias da Sexualidade, no Masp, e, ainda, expõe em detalhes a legislação vigente quanto a liberdade de expressão, liberdade artística, os crimes de natureza sexual contra crianças e adolescentes. Não é a nudez que define a natureza pornográfica de uma cena, mas sim a finalidade sexual buscada pela cena. Matéria de Márion Strecker publicada originalmente no site da Revista Select (www.select.art.br), em 06/11/17. +

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal, divulgou nota técnica em resposta aos recentes episódios de cerceamento a obras, exposições e performances artísticas apontadas como “imorais” ou de natureza “pedófila”.
Compete à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão coordenar e revisar a atuação dos procuradores regionais dos Direitos do Cidadão em cada Estado, subsidiando-os na sua atuação e promovendo ação unificada em todo o território nacional. O documento ressalta que é de “extrema importância compatibilizar os múltiplos direitos e interesses em questão, de forma a preservar, a um só tempo, os direitos de crianças e adolescentes e a liberdade artística”.
Publicada hoje (6/11) com data de 31/10/17, a nota é assinada por Deborah Duprat, procuradora federal dos Direitos do Cidadão, e por Sergio Gardenghi Suiama, procurador da República. O documento tem 47 páginas e está no site do Ministério Público (link para ler a íntegra http://bit.ly/2AgCgyk ). Cópias do documento foram enviadas ao Ministério da Justiça, ao Ministério da Cultura e ao Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).

A nota técnica expõe em detalhes a legislação vigente quanto a liberdade de expressão, liberdade artística, os crimes de natureza sexual contra crianças e adolescentes e o sistema atual de classificação de diversões e espetáculos públicos.
Na última parte, a nota traz conclusões e sugestões de critérios interpretativos. O documento esclarece que o direito penal brasileiro não criminaliza nem sanciona a pedofilia, que é entendida como um transtorno mental. Mas a violência sexual (lato sensu) contra crianças e adolescentes é criminalizada. O Estatuto da Criança e do Adolescente tipifica qualquer “situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais”.
Não é a nudez que define a natureza pornográfica de uma cena, mas sim a finalidade sexual buscada pela cena. “Obras literárias, desenhos e outras representações gráficas não-realistas (isto é, que não envolvam nenhuma criança ou adolescente real) relacionadas à pornografia infantil, por mais ofensivas que seja, NÃO constituem ilícito penas em nosso ordenamento jurídico”.
Outra afirmação que não deixa margem a dúvidas é sobre a nudez. “A nudez não erótica NÃO torna o conteúdo impróprio para crianças, mesmo as menores de 10 anos”, afirma o documento.
“Em princípio, todas as formas não violentas de manifestação estão inseridas no âmbito da proteção da liberdade, inclusive manifestações desagradáveis, atrevidas, insuportáveis, chocantes, audaciosas ou impopulares,” ressalta.
A classificação etária é meramente indicativa, seja efetuada pelo Poder Público ou promotores do evento, não podendo haver impedimento de acesso de crianças ou adolescentes, especialmente quando estejam acompanhadas por seus pais ou responsáveis.
O que se conclui da leitura do documento do Ministério Público é que o MASP agiu contra a lei ao determinar a proibição para menores de 18 anos na exposição Histórias da Sexualidade.
|
Matéria de Márion Strecker publicada originalmente no site da Revista Select (www.select.art.br), em 06/11/17.

Com Bíblia gótica e Leonardo da Vinci, Louvre de Abu Dhabi abre suas portas

O primeiro museu universal do mundo árabe será inaugurado na quarta-feira (8/11), uma década depois do lançamento do projeto. Esta "cidade-museu" foi construída na ilha de Saadiyat e é fruto de uma colaboração entre os governos francês e emiradense. No sábado é aberto ao público, com um programa de quatro dias de shows e espetáculos de artistas do mundo todo. Matéria publicada originalmente no portal Uol (www.entretenimento.uol.com.br), em 06/11/2017. +

O Louvre de Abu Dabi, o primeiro museu universal do mundo árabe, será inaugurado na quarta-feira (8/11), uma década depois do lançamento do projeto, com uma mensagem de tolerância como antídoto aos fanatismos.
Esta "cidade-museu", concebida pelo arquiteto francês Jean Nouvel, foi construída na ilha de Saadiyat e é fruto de uma colaboração entre os governos francês e emiradense.
O acordo, que estará vigente por 30 anos e alcança o valor total de um bilhão de euros, inclui a exploração da marca Louvre, que dá nome ao museu mais visitado do mundo, assim como a organização de exposições.
No total, 13 estabelecimentos franceses colaborarão com o novo museu, contribuindo com sua experiência e com o empréstimo de cerca de 300 obras.
A coleção permanente dos Emirados contará com cerca de 600 obras, das quais mais de 200 estarão expostas a partir da inauguração oficial, que contará com a presença do presidente francês, Emmanuel Macron, e do príncipe herdeiro emiradense, Mohamed bin Zayed.
A maioria das 23 galerias permanentes buscará refletir o intercâmbio entre culturas, desde a Pré-história até a atualidade, reunindo as obras ao redor de temas universais e de influências comuns.

"Mais universal que o Louvre"

Uma folha do Alcorão Azul, uma Bíblia gótica e um dos livros do Pentateuco serão alguns dos objetos expostos com vocação universal, assim como o quadro "La belle ferronière", de Leonardo da Vinci, - emprestado pelo Louvre parisiense -, e um autorretrato de Van Gogh, do Museu d'Orsay.
Para Jack Lang, presidente do Instituto do Mundo Árabe de Paris e ex-ministro francês da Cultura, o novo museu é "muito mais universal que o Louvre de Paris, porque traz a ideia de um museu de diferentes continentes e diferentes civilizações".
Também é um "projeto de esperança de um mundo que respeita as diversas opiniões e as diferenças", ante o "fanatismo" e o "terrorismo", disse Lang à AFP.
Mohamed Jalifa Al Mubarak, presidente da Autoridade do Turismo e Cultura de Abu Dhabi, declarou recentemente que o museu é símbolo de uma "nação tolerante e aberta à diversidade".
Os Emirados Árabes Unidos exercem uma política de "soft power" para ganhar notoriedade em todo o mundo, e empreendem uma disputa com o vizinho Catar, que tem estado particularmente ativo no campo do esporte, ao ganhar a organização da Copa do Mundo de 2022 e com a compra do clube Paris Saint-Germain.

7.850 estrelas

A arquitetura do novo Louvre é inspirada nas medinas árabes, com um conjunto de 55 edifícios brancos. Uma majestosa cúpula de 180 metros de diâmetro, composta por 7.850 estrelas de metal, filtra os raios de sol, criando o que Jean Nouvel chama de uma "chuva de luz".
O custo da construção do museu foi inicialmente estimado em cerca de 600 milhões de euros, mas sua conclusão foi adiada em várias ocasiões, devido a, sobretudo, problemas de financiamento.
O projeto não esteve livre de polêmica. Na França, algumas vozes se levantaram contra a "venda da marca" Le Louvre, e várias ONGs, como a Human Rights Watch, se mostraram preocupadas com as condições dos trabalhadores imigrantes nas obras.
Um dos maiores desafios foi garantir a segurança e a conservação das obras de arte, em um lugar onde as temperaturas ultrapassam 40ºC no verão. Nouvel afirma ter criado, com sua cúpula original, uma espécie de "guarda-sol" capaz de reproduzir um "microclima que reduz a temperatura em até cinco graus".
O Louvre de Abu Dhabi será o primeiro de três museus a abrir suas portas no distrito cultural de Saadiyat. Deverão segui-lo o Guggenheim, concebido pelo arquiteto canadense Frank Gehry, e o Zayed National Museum, pelo britânico Norman Foster.
Uma porta-voz do Guggenheim em Nova York disse à AFP que as obras para o museu de Abu Dhabi ainda não começaram.
|
Matéria publicada originalmente em Entretenimento
do portal Uol (www.entretenimento.uol.com.br), em 06/11/2017.