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Novo centro cultural na Cisjordânia em meio à tensão política

Omar Al-Qattan, presidente do A.M. Qattan Foundation, explica os muitos desafios da construção de um espaço de artes em território ocupado. O novo prédio deveria abrir em 2016, mas foi adiado por problemas de segurança e construção. Artigo de AIMEE DAWSON publicado em 25/6/18 no periódico “The Art Newspaper” (www.theartnewspaper.com/news/new-cultural-hub-set-to-open-in-west-bank-amid-political-tension) +

Em meio à escalada da violência entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza, em maio último, especialistas declaram que a possibilidade de paz nunca esteve tão distante. Enquanto Israel celebrava seu 70º aniversário e a nova embaixada dos EUA em Jerusalém foi inaugurada, pelo menos 60 manifestantes palestinos foram mortos na fronteira por tropas israelenses.
Apesar do tumulto político, uma grande fundação cultural palestina está se preparando para abrir sua nova sede ao público em 28/6, em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
O A.M. A Fundação Qattan (AMQF) foi estabelecida em Londres pelo falecido filantropo palestino Abdel Mohsin Al-Qattan em 1993 e é uma instituição de caridade registrada no Reino Unido. Ela agora é presidida por seu filho, Omar Al-Qattan, o ex-presidente do Museu Palestino, inaugurado em maio de 2016 nas proximidades de Birzeit. O AMQF administra o Mosaic Rooms, o espaço de dez anos da cultura árabe contemporânea no oeste de Londres, e tem programas culturais e educacionais em Gaza, na Cisjordânia e em Beirute, na Jordânia.
“Tivemos um grande debate sobre ter um espaço permanente”, diz Al-Qattan, que implementou uma rede descentralizada de escritórios satélites conectados digitalmente, refletindo a comunidade palestina geograficamente “fragmentada”. “Meu pai disse que precisávamos de um marco - algo para as pessoas se referirem, quase como um símbolo”, diz ele.

Constrangimentos construtivos

Construir uma instituição cultural de classe mundial em qualquer lugar já é complexo, mas nos territórios palestinos é ainda mais difícil. O Museu Palestino de US$ 24 milhões foi inaugurado após anos de atrasos e ficou vazio de exposições por 15 meses.
A construção do edifício AMQF começou em 2012 e estava prevista para 2016, mas as restrições de trabalho na região causaram uma série de contratempos.
“A indústria de construção local não está acostumada a esse nível de complexidade e detalhamento”, diz Al-Qattan.
Um empreiteiro inexperiente subestimou os custos de realização do projeto projetado pela empresa espanhola Donaire Arquitectos, agora estimado entre US$ 15 milhões e US$ 18 milhões. Era difícil transportar materiais através da fronteira israelense e encontrar trabalhadores qualificados, pois muitos são tentados pelos salários mais altos em Israel. “Há uma vulnerabilidade sobre nós que pode assustar alguns proprietários de coleções”, disse.
Com 7,7 mil metros quadrados, o local tem mais que o dobro do espaço do Museu Palestino e abrigará estúdios de arte, espaços de exibição, salas de aula, uma biblioteca, um pequeno teatro e um restaurante, além de escritórios. No entanto, a fundação cortou sua programação de abertura por causa dos atrasos, e é improvável que a equipe se mude para depois do verão.
“O maior desafio, além do dinheiro e, obviamente, da ocupação israelense, são os recursos humanos”, diz Al-Qattan. “É praticamente impossível obter uma permissão de trabalho para alguém que não tem identificação palestina ou israelense”.
Isso limita o grupo de candidatos em todos os níveis (de assistentes de curadoria a diretores), já que poucas pessoas na área têm a experiência relevante, particularmente em um projeto de grande escala. O Museu Palestino já está procurando pelo seu terceiro diretor. O AMQF tem agora mais de 100 funcionários, sendo 60 baseados em Ramallah.

Barreiras ao movimento

Transportar arte para dentro e para fora da área é outro grande obstáculo. A fundação abrigará exposições gratuitas, começando com “Nações Subcontratadas” (Subcontracted Nations), de 28/6 a 29/9/18, uma exposição coletiva com mais de 60 artistas e coletivos, incluindo Khaled Jarrar, Larissa Sansour e Naeem Mohaiemen, que questionam o conceito de estado-nação.
“A maioria das peças foi comissionada ou são cópias devido às complicadas medidas de segurança no transporte para a Palestina através de Israel”, diz Yazid Anani, curador do programa e diretor de programação pública da fundação. Em outubro, o AMQF participará da bienal palestina Qalandiya International.
A fundação ainda não decidiu se sua coleção será exibida em Ramallah. “Nós funcionamos em um ambiente onde você tem que ter muito cuidado sobre possuir algo que é facilmente destruído ou roubado”, diz Al-Qattan.
A insegurança também dificulta o empréstimo de obras. “Há uma vulnerabilidade sobre nós que pode assustar alguns proprietários de coleções ou outros museus”".
A chave para trabalhar dentro das complexas estruturas políticas palestinas é o financiamento autônomo, diz ele. “Isso dá a você a liberdade de funcionar como o conselho julgar adequado”. A família Al-Qattan fornece pelo menos 60% dos fundos da fundação e uma dotação foi criada para o prédio.
A fundação resistiu a duas décadas do conflito entre israelenses e palestinos e organizou sua primeira exposição do Prêmio Jovem Artista do Ano em Ramallah, quando o segundo levante palestino eclodiu em 2000, e o segundo sob toque de recolher. Assim, embora as tensões atuais possam inviabilizar a inauguração planejada no final do mês, a Al-Qattan já está olhando para o futuro. Isso aumenta a ambição”, diz ele.

Arte contra a islamofobia

Quando a Sala de Mosaicos (ramo londrino da A.M. Qattan Foundation), foi inaugurada em 2008, seu presidente, Omar Al-Qattan, sabia que queria usar o espaço para combater a crescente islamofobia no Reino Unido, mostrando o lado cultural rico do mundo árabe. Na última década, tornou-se um dos principais locais de exposições para artistas árabes emergentes e figuras estabelecidas da região que são menos conhecidas internacionalmente. O programa do décimo aniversário, que começou em março, se expande para o Irã pela primeira vez e tem um foco mais forte na arte moderna.
O espaço apresenta seis exposições ao longo de 18 meses; três mostras individuais de artistas modernos. Bahman Mohassess (Irã), Mohammed Melehi (Marrocos) e Hamed Abdalla (Egito) junto com três exibições coletivas de artistas contemporâneos dos mesmos países.
A primeira coletiva é uma retrospectiva da Galeria Townhouse (Cairo), um dos poucos espaços independentes de arte no Egito (“O que você quer dizer, aqui estamos?”, de 6/7 a 15/9). A mostra pretende “falar francamente sobre os desafios enfrentados por instituições independentes que operam sob censura”, divulgou o comunicado de imprensa.
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Artigo de AIMEE DAWSON publicado em 25/6/18 no periódico “The Art Newspaper” (www.theartnewspaper.com/news/new-cultural-hub-set-to-open-in-west-bank-amid-political-tension)

Feiras londrinas Frieze e Frieze Masters anunciam galerias selecionadas,

Do Brasil, participam as seguintes galerias: A Gentil Carioca (Rio de Janeiro), Fortes D’Aloia & Gabriel (São Paulo e Rio de Janeiro), Mendes Wood DM (São Paulo, Bruxelas e Nova York), Luisa Strina (São Paulo), Vermelho (São Paulo) e Jaqueline Martins (São Paulo). As galerias Almeida e Dale e Marília Razuk participam do setor Spotlight, ambas com obras de Alfredo Volpi. +

A organização das feiras Frieze e Frieze Masters, ambas em Londres e previstas para o período de 5 a 7/10/18, no Regent Park, anunciou a lista das 290 galerias internacionais que participarão dos eventos (160 na Frieze e 130 na Frieze Masters).
Este ano, a Frieze terá uma seção especial dedicada a mulheres ativas nos anos 80, que serão selecionadas por um time de onze historiadores, críticos e curadores da arte baseados no Reino Unido, como Zoe Whitley (curadora de pesquisas da Tate Modern), Fatos Üstek (diretor da Fundação David Roberts) e Jennifer Higgie (diretora editorial da revista “Frieze”).
Do Brasil, participam as seguintes galerias: A Gentil Carioca (Rio de Janeiro), Fortes D’Aloia & Gabriel (São Paulo e Rio de Janeiro), Mendes Wood DM (São Paulo, Bruxelas e Nova York), Luisa Strina (São Paulo), Vermelho (São Paulo) e Jaqueline Martins (São Paulo). As galerias Almeida e Dale e Marília Razuk participam do setor Spotlight, ambas com obras de Alfredo Volpi.
Veja abaixo a lista completa das galerias participantes nas duas feiras:
FRIEZE LONDON
303 Gallery, Nova York
A Gentil Carioca, Rio de Janeiro
Miguel Abreu Gallery, Nova York
Galería Juana de Aizpuru, Madri
The Approach, Londres
Tanya Bonakdar Gallery, Nova York
The Box, Los Angeles
The Breeder, Atenas
Gavin Brown’s Enterprise, Nova York
Buchholz, Berlim
Canada, Nova York
Galerie Gisela Capitain, Colônia
Sadie Coles HQ, Londres
Pilar Corrias Gallery, Londres
Galeria Vera Cortês, Lisboa
Corvi-Mora, Londres
Galerie Chantal Crousel, Paris
Thomas Dane Gallery, Londres
Galerie Eigen + Art, Berlim
Foksal Gallery Foundation, Varsóvia
Fonti, Napoles
Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo
Carl Freedman Gallery, Margate
Stephen Friedman Gallery, Londres
Frith Street Gallery, Londres
Gagosian, Londres
François Ghebaly, Los Angeles
Goodman Gallery, Joanesburgo
Marian Goodman Gallery, Londres
Greene Naftali, Nova York
greengrassi, Londres
Grimm, Amsterdã
Galerie Karin Guenther, Hamburgo
Hales Gallery, Londres
Hauser & Wirth, Londres
Herald St, Londres
Galerie Max Hetzler, Berlim
Hollybush Gardens, Londres
Xavier Hufkens, Bruxelas
Gallery Hyundai, Seul
Ingleby, Edinburgo
Taka Ishii Gallery, Tóquio
Alison Jacques Gallery, Londres
Galerie Martin Janda, Viena
Kadel Willborn, Dusseldorf
Casey Kaplan, Nova York
Kayne Griffin Corcoran, Los Angeles
Galerie Peter Kilchmann, Zurique
König Galerie, Berlim
David Kordansky Gallery, Los Angeles
Andrew Kreps Gallery, Nova York
Galerie Krinzinger, Viena
Kukje Gallery, Seul
kurimanzutto, Cidade do México
Simon Lee Gallery, Londres
Lehmann Maupin, Nova York
Galerie Lelong & Co., Nova York
David Lewis, Nova York
Lisson Gallery, Londres
Kate MacGarry, Londres
Mai 36 Galerie, Zurique
Maisterravalbuena, Madri
Matthew Marks Gallery, Nova York
Mary Mary, Glasgow
Galerie Greta Meert, Bruxelas
Mendes Wood DM, São Paulo
kamel mennour, Paris
Metro Pictures, Nova York
Galerie Meyer Kainer, Viena
Victoria Miro, Londres
Stuart Shave/Modern Art, Londres
The Modern Institute, Glasgow
mother’s tankstation, Dublin
Taro Nasu, Tóquio
Galleria Franco Noero, Turim
David Nolan Gallery, Nova York
Galerie Nordenhake, Berlim
Galleria Lorcan O’Neill, Roma
Office Baroque, Bruxelas
OMR, Cidade do México
P.P.O.W, Nova York
Pace Gallery, Londres
Maureen Paley, Londres
Peres Projects, Berlim
Galerie Perrotin, Paris
Galeria Plan B, Berlim
Gregor Podnar, Berlim
Project 88, Mumbai
Almine Rech Gallery, Paris
Rodeo, Londres
Galerie Thaddaeus Ropac, Londres
Lia Rumma Gallery, Milão
Salon 94, Nova York
Esther Schipper, Berlim
Galerie Rüdiger Schöttle, Munique
Seventeen, Londres
Sfeir-Semler, Beirute
Jack Shainman Gallery, Nova York
Shanghart Gallery, Xangai
Société, Berlim
Sommer Contemporary Art, Tel Aviv
Sprovieri, Londres
Sprüth Magers, Berlim
Stevenson, Cidade do Cabo
Galeria Luisa Strina, São Paulo
Timothy Taylor, Londres
The Third Line, Dubai
Travesía Cuatro, Madri
Vermelho, São Paulo
Galleri Nicolai Wallner, Copenhague
Michael Werner, Nova York
White Cube, Londres
Barbara Wien, Berlim
Zeno X Gallery, Antuérpia
David Zwirner, Nova York
Focus Sector
47 Canal, Nova York
Arcadia Missa, Londres
Michael Benevento, Los Angeles
blank projects, Cidade do Cabo
Bodega, Nova York
Carlos/Ishikawa, Londres
Nuno Centeno, Cidade do Porto
Cooper Cole, Toronto
Galerie Crèvecoeur, Paris
Emalin, Londres
Frutta, Roma
Ginerva Gambino, Colônia
Green Art Gallery, Dubai
Gypsum, Cairo
High Art, Paris
Instituto de Visión, Bogotá
Jhaveri Contemporary, Mumbai
Koppe Astner, Glasgow
Laveronica Arte Contemporanea, Modica
Galerie Emanuel Layr, Viena
Magician Space, Pequim
Edouard Malingue Gallery, Hong Kong
Galeria Jaqueline Martins, São Paulo
Misako & Rosen, Tóquio
Night Gallery, Los Angeles
Project Native Informant, Londres
Proyectos Ultravioleta, Cidade da Guatemala
Revolver Galería, Lima
Southard Reid, Londres
Sultana, Paris
The Sunday Painter, Londres
Union Pacific, Londres
Various Small Fires (VSF), Los Angeles
FRIEZE MASTERS
Didier Aaron, Paris
Acquavella Galleries, Nova York
Applicat-Prazan, Paris
Ariadne Galleries, Londres
Antichita Bacarelli, Florença
Emanuel von Baeyer, Londres
Bernheimer Fine Art, Lucerna
Blain | Southern, Londres
BorzoGallery, Amsterdã
Botticelli Antichita, Florença
Ben Brown Fine Arts, Londres
Prahlad Bubbar, Londres
Galerie Canesso, Paris
Cardi, Londres
Castelli Gallery, Nova York
Galerie Jean-Christophe Charbonnier, Paris
Galerie Chenel, Paris
Le Claire Kunst, Hamburgo
Colnaghi, Londres
Galleria Continua, San Gimignano
Alan Cristea Gallery, Londres
Gisèle Croës – Arts d’Extrême Orient,
Bruxelas
Daniel Crouch Rare Books, Londres
Thomas Dane Gallery, Londres
Massimo De Carlo, Milão
Dickinson, Londres
Andrew Edmunds, Londres
Donald Ellis Gallery, Nova York
Entwistle, Londres
The Gallery of Everything, Londres
Eykyn Maclean, Londres
Galerie Ulrich Fiedler, Berlim
Sam Fogg, Londres
Peter Freeman, Inc., Nova York
Stephen Friedman Gallery, Londres
Gagosian, Londres
Francesca Galloway, Londres
Galerie David Ghezelbash, Paris
Israel Goldman Japanese Prints, Londres
(shared with Max Rutherston)
Galeria Elvira Gonzalez, Madri
Richard Green, Londres
Dr. Jörn Günther Rare Books, Basiléia
Johnny Van Haeften, Londres
Hauser & Wirth, Londres
Hazlitt Holland-Hibbert, Londres
Paul Hughes Fine Arts, Londres
Gallery Hyundai, Seul
Bernard Jacobson Gallery, Londres
De Jonckheere, Genebra
Annely Juda Fine Art, Londres
Tina Kim Gallery, Nova York
Koetser Gallery, Zurique
Kunstkammer Georg Laue, Munique
Les Enluminures, Paris
Lévy Gorvy, Londres
Salomon Lilian, Genebra
Luhring Augustine, Nova York
Luxembourg & Dayan, Londres
Olivier Malingue, Londres
Marlborough Fine Art, Londres
Barbara Mathes Gallery, Nova York
The Mayor Gallery, Londres
Mazzoleni, Londres
Anthony Meier Fine Arts, San Francisco
kamel mennour, Paris
Galerie Meyer Oceanic Art, Paris
Mnuchin Gallery, Nova York
Moretti Fine Art, Londres
Nahmad Contemporary, Nova York
Stephen Ongpin Fine Art, Londres
Pace Gallery, Londres
Franklin Parrasch Gallery, Nova York
Parrasch Heijnen Gallery, Los Angeles
Raccanello Leprince, Londres
Almine Rech Gallery, Paris
Robilant + Voena, Londres
Rudigier, Munique
Max Rutherston, Londres
Galerie G. Sarti, Paris
Schönewald Fine Arts, Dusseldorf
Karsten Schubert, Londres
Shapero Rare Books, Londres
Bruce Silverstein Gallery, Nova York
Skarstedt, Londres
Sperone Westwater, Nova York
Sprüth Magers, Berlim
Stair Sainty Gallery, Londres
Craig F. Starr Gallery, Nova York
Sycomore Ancient Art, Genebra
Galleria Tega, Milão
Galerie Thomas, Munique
Tornabuoni Art, Londres
Van de Weghe, Nova York
Van Doren Waxter, Nova York
Venus Over Manhattan, Nova York
Axel Vervoordt Gallery, Antuérpia
Rupert Wace Ancient Art, Londres
Waddington Custot, Londres
Offer Waterman, Londres
W&K – Wienerroither & Kohlbacher, Viena
David Zwirner, Londres
Collections Sector
AR-PAB, Alvaro Roquette & Pedro AguiarBranco,
Lisboa
Brun Fine Art, Londres
Eric Gillis Fine Art, Bruxelas
Peter Harrington, Londres
Oscar Humphries, Londres
Yves Macaux, Bruxelas
Mitochu Koeki, Tóquio
Spotlight Sector
Galerie 1900-2000, Paris, Pierre Molinier
Galeria de Arte Almeida e Dale, São Paulo, Alfredo Volpi
Equinox Gallery, Vancouver, Gathie Falk
espaivisor, Valência, Hamish Fulton
Henrique Faria, Nova York, Mirtha Dermisache
Eric Firestone Gallery, Nova York, Joe Overstreet
Galerie Christophe Gaillard, Paris, Pierre Molinier
Galerist, Istambul, Semiha Berksoy
Alexander Gray Associates, Nova York, Sergei Eisenstein
Garth Greenan Gallery, Nova York, Rosalyn Drexler
Michael Hoppen Gallery, Londres, Ishiuchi Miyako
Inman Gallery, Houston, Dorothy Antoinette LaSelle
Alison Jacques Gallery, Londres, Lenore G. Tawney
Kalfayan Galleries, Atenas, Nausica Pastra
Loevenbruck, Paris, Key Hiraga
Gió Marconi, Milão, Valerio Adami
Massimo Minini, Brescia, Titina Maselli
Jan Mot, Bruxelas, Stanley Brouwn
Perve Galeria, Lisboa, Ernesto Shikhani
Gregor Podnar, Berlim, Ivan Kožaric
Galeria Marilia Razuk, São Paulo, Alfredo Volpi
Richard Saltoun, Londres, Annegret Soltau
SODA gallery, Bratislava, Stano Filko
Micheline Szwajcer, Antuérpia, Stanley Brouwn
Vigo, Londres, Semiha Berksoy
Amanda Wilkinson, Londres, Derek Jarman

Artistas na Califórnia protestam contra política de imigração de Trump

"Nós fazemos as crianças desaparecerem"? Empunhando rolos de tinta, um coletivo de arte escalou um outdoor da área da baía para protestar contra a política de imigração do presidente dos EUA, Donald Trump. Um cartaz que aborda a política de separação infantil de Trump para imigrantes em busca de asilo recebeu os passageiros na área da baía de San Francisco na manhã de 21/6/18. Artigo de Sarah Cascone editado no portal de arte Artnet (www.artnet.com) em 22/6/18. +

Artistas na área da baía de São Francisco estão se voltando para táticas de guerrilha para expressar sua oposição à separação que Donald Trump impôs às famílias de imigrantes que atravessam ilegalmente a fronteira dos EUA.
O coletivo de arte ativista Indecline escalou um outdoor que anunciava a remoção de lixo e o transformou em protesto. Um vídeo divulgado pelo coletivo mostra um trio de ativistas mascarados e encapuzados atuando em um outdoor que apresenta uma fotografia de uma criança gritando. Ajudado por uma escada e rolos de pintura, eles sobem até o topo e ajustam cuidadosamente o anúncio. Em menos de uma hora, eles mudaram o número do telefone e o slogan “Fazemos o lixo desaparecer” para “Nós fazemos as crianças desaparecerem” e assinaram I.C.E. (sigla para “Immigration and Customs Enforcement” - Fiscalizaçaõ de Imigração e Alfândega), conforme relatado pela primeira vez pela “Mercury News”. O outdoor, localizado em Emeryville, na Califórnia, na Interstate 80, que leva à Bay Bridge e a São Francisco, pertence à ClearChannel. Desde então, foi removido, de acordo com o coletivo.
A imigração tem dominado as manchetes graças à controversa política de “tolerância zero” do presidente Donald Trump na fronteira. Ao insistir em prender todos os imigrantes que tentam reivindicar asilo nos EUA, o ICE separou os filhos de seus pais, já que atualmente é ilegal sob o assentamento de Flores aprisionar crianças por longos períodos de tempo. Pressionado a acabar com a separação da família, Trump assinou uma ordem executiva nesta semana buscando alterar Flores para permitir que famílias inteiras sejam encarceradas juntas, indefinidamente. Mas desde que a política de “tolerância zero” foi promulgada no mês passado, autoridades de imigração tiraram 2.300 crianças de suas famílias. E a grande maioria dessas famílias ainda estão separadas).
Em um email para a “Artnet News”, um representante da Indecline disse que essas circunstâncias - e as políticas que as criaram - são o que levou ao protesto nos outdoors: “Este projeto é uma resposta direta à dedicação do Presidente Trump a essas práticas e políticas desumanas e flagrantemente racistas em torno da imigração, especificamente, sua disposição de infligir um imenso trauma a crianças pequenas e suas famílias sob a bandeira da xenofobia ”.
O grupo de artistas anônimos tornou-se conhecido por suas proezas anti-Trump, especialmente suas horríveis e nuas estátuas Trump, intituladas “O Imperador Não Tem Bolas”, que surgiram antes da eleição de 2016 em Nova York, São Francisco, Los Angeles, Cleveland e Seattle. Mais recentemente, eles se infiltraram no Trump International Hotel e Tower e transformaram uma suíte em uma cela de prisão, repleta de um imitador de Trump trancado com ratos vivos.
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Artigo de Sarah Cascone editado no portal de arte Artnet (www.artnet.com) em 22/6/18.

Restauro estraga estátua de São Jorge na Espanha

Uma escultura do século 16 foi alvo de um restauro indevido e sem autorização recentemente em uma igreja de Navarra, na Espanha. A responsável por este novo desastre artístico foi uma professora local e funcionária do ateliê, que tentou restaurar a imagem a pedido do pároco da igreja de San Miguel de Estella. Desde então, técnicos têm estudado formas de salvar a estátua. Matéria de Carolina Rodrigues com Leonor Riso, originalmente publicada no jornal português Sábado (www.sabado.pt), em 26/06/18. +

A efígie de São Jorge, exposta na igreja de Estella, em Navarra, foi "restaurada" indevidamente e sem autorização da Karmacolor, o ateliê que trata do património artístico do município, nem da autarquia de Estella. Segundo o El Mundo, a responsável por este novo desastre artístico foi uma professora da localidade e funcionária do ateliê, que tentou restaurar a estátua do século XVI a pedido do pároco da igreja de San Miguel de Estella. Será este o novo Ecce Homo de Espanha?

A estátua policromática parece estar arruinada, embora o diretor do Serviço de Património Histórico de Navarra, Carlos Martínez Álava, tenha declarado que a autarquia irá iniciar o processo de averiguação de danos e tentar resolver o "restauro" feito.

O autarca Koldo Leoz publicou fotografias do episódio no Twitter, lamentando a situação ocorrida: "Hoje Estella é notícia não pelo seu patrimônio histórico, artístico, arquitetônico e cultural em geral; é notícia por uma lamentável intervenção numa estátua de São Jorge do século XVI", escreveu. Nas imagens é possível ver que a efígie parece ter passado por uma ritidoplastia (vulgarmente conhecida como lift facial) e as cores e as próprias feições da estátua ficaram deformadas, além das características cromáticas terem ficado destruídas.

Um autarca da mesma localidade (não se sabe a sua identidade) enviou fotografias do sucedido ao Serviço de Património Histórico de Navarra a 23 de Maio. Desde então, os técnicos têm estudado formas de salvar a estátua. "Quando chegaram as imagens e fomos ver o que se estava a passar, a intervenção estava praticamente terminada. Só faltava o revestimento final com vernizes", explicou Martínez Álava à ABC Espanha. "Ordenamos imediatamente a paralisação dos trabalhos e começamos a avaliar os danos provocados".

Álava acrescentou ainda que a estátua que pretende ilustrar a luta de São Jorge contra um dragão "estava bem conservada" e que só precisava de uma "limpeza". "Não voltaremos seguramente à aparência inicial, mas suponho que restam materiais suficientes para que o novo restauro tenha um cariz distinto e para que possamos obter mais informações sobre a peça e o seu conteúdo histórico", referiu ainda o diretor.

O diretor do Serviço de Património Histórico de Navarra classificou este caso como "uma exceção", mas na verdade já é a segunda vez que um episódio deste gênero acontece em Espanha: o fresco Ecce Homo de Elías García Martínez também foi "restaurado" por Cecilia Gimenez, uma paroquiana de 80 anos sem qualquer prática ou estudos na área. O resultado desastroso levou imensos curiosos a visitar o fresco em Borja, Saragoça.

A Associação de Conservadores- Restauradores de Espanha quer que haja sanções

Esta associação escreveu ao arcebispado, ao Serviço de Patrimônio Histórico de Navarra e à Conselheira da Cultura pedindo que este caso tenha consequências para os envolvidos, nomeadamente sanções penais.

A conselheira da Cultura, Desporto e Juventude do governo de Navarra, Ana Herrera, falou com jornalistas locais, declarando que a intervenção "foi contrária aos princípios de um restauro" e que estão a ser analisadas "possíveis sanções", uma vez que o projecto "deveria ter sido apresentado às autoridades competentes com antecedência e deveria ter recebido uma aprovação por parte das mesmas".

O diretor Serviço de Patrimônio Histórico de Navarra falou com a "restauradora" da Karmacolor sobre o acontecimento e crê que a intervenção desta pessoa foi "voluntária e aparentemente não profissional, que foi realizada na tentativa de melhorar algo, mas cujas consequências dificilmente poderiam ter sido boas".
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Matéria de Carolina Rodrigues com Leonor Riso, originalmente publicada no jornal português Sábado (www.sabado.pt), em 26/06/18.

Bilionário constrói um grande museu para o minúsculo mercado de arte da Rússia

O magnata da energia Leonid Mikhelson está construindo um centro de arte contemporânea de US $ 130 milhões em Moscou, localizada em uma antiga usina nuclear, pronto para abrir no ano que vem. Mikhelson emergiu como um dos maiores compradores de arte contemporânea da Rússia, e sua coleção é estimada em US $ 200 milhões, inclui obras de Gerhard Richter, Christopher Wool e Rudolf Stingel. Porém, o mercado russo de arte contemporânea é menor, externo e esporádico, onde colecionar é percebido como uma experiência principalmente privada e um mercado com capacidade equivalente a um leilão noturno em Nova York. Matéria de Alex Sazonov publicada originalmente no site do Bloomberg Quint (www.bloombergquint.com) em 14/06/18. +

(Bloomberg) - O magnata da energia Leonid Mikhelson emergiu como um dos maiores compradores de arte contemporânea da Rússia, algo que teria parecido insondável há menos de uma década.
Sua coleção, estimada em US $ 200 milhões, inclui obras de Gerhard Richter, Christopher Wool e Rudolf Stingel. Mikhelson, de 62 anos, também está construindo um centro de arte contemporânea de US $ 130 milhões em Moscou, em um mercado com capacidade equivalente a um leilão noturno em Nova York, segundo Vladimir Ovcharenko, fundador da casa de leilões Vladey.

Os colecionadores mais ricos da Rússia preferem comprar pinturas clássicas de velhos mestres, aos quais “ficaram encantados na infância, ensinaram na escola ou viram no Museu Hermitage”, disse a chefe da Sotheby's na Rússia, Irina Stepanova que fez sua primeira incursão na região em 1988, com uma exposição de arte contemporânea em Moscou.

"Muitas pessoas ricas não entendem e compram arte contemporânea porque foram criadas na sociedade soviética dogmática", disse Ovcharenko, que também é dono da Regina Gallery de Moscou.
Em 2009, a especialista em arte Teresa Mavica foi convidada a visitar a Bienal de Veneza em nome de Mikhelson.

"Passamos o dia todo andando por pavilhões discutindo arte", disse Mavica, agora diretora de sua fundação de arte, em uma entrevista. "E na noite daquele mesmo dia Leonid me perguntou se eu queria trabalhar para ele."

Mikhelson, como muitos russos ricos, coletou principalmente arte clássica na época. Mas apenas nove anos depois, suas opiniões mudaram radicalmente.
"Quando nos conhecemos, Leonid disse que coleciona o impressionismo russo", disse Mavica, lembrando de um de seus primeiros encontros com Mikhelson. "Eu disse que isso não corresponde ao seu posto."
Mikhelson, um ex-engenheiro soviético, vendeu seu carro para comprar uma participação em uma empresa de construção de dutos depois de ter sido privatizada após o colapso dos EUA. Ele passou a construir a Novatek, hoje a maior fornecedora de gás natural não estatal da Rússia, que produz cerca de 9% da oferta do país. Ela agora vale US $ 18,7 bilhões, tornando-se a terceira pessoa mais rica da Rússia, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

Em 2009, Mikhelson estabeleceu a fundação V-A-C (Victoria, a arte de ser contemporâneo) em homenagem a sua filha Victoria, para promover a arte contemporânea russa no exterior e apoiá-la através de doações e novas comissões.

Cinco anos depois, ele pagou quase US $ 30 milhões por uma usina nuclear de Moscou construída mais de um século antes. Cerca de 70.000 toneladas de equipamentos antigos foram removidos desde então, e um centro de 38.000 metros quadrados está pronto para abrir no ano que vem. Ele contratou o renomado arquiteto Renzo Piano, que projetou o Shard em Londres e o Centre Pompidou em Paris, para o projeto.

A abertura será um evento épico para a arte contemporânea no país, onde as vendas anuais vão de apenas US $ 10 a US $ 25 milhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.
"O mercado russo de arte contemporânea é menor, externo e esporádico", disse Dmitry Khankin, diretor da Triumph Gallery de Moscou, uma das mais antigas do país.

"Colecionar na Rússia é percebido principalmente como uma experiência privada, entretanto deveria servir as necessidades públicas", e Mikhelson "percebeu que ele pode fazer outra contribuição maior", disse Mavica, explicando por que ele decidiu investir $ 130 milhões no novo centro de arte.
Mavica, natural da Itália, chegou pela primeira vez à União Soviética em 1989 e no início dos anos 2000 trabalhou para a Stella Art Foundation, patrocinada pelo bilionário Igor Kesaev, que foi um dos primeiros na Rússia a mostrar Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat.

Roman Abramovich, o bilionário proprietário do Chelsea Football Club, é outro defensor e promotor da arte contemporânea na Rússia. Ele e seu ex-parceiro, Dasha Zhukova, fundaram o Garage Museum of Contemporary Art em 2008, e ele cobre parte de seu moinho anual de US $ 22 milhões de orçamento, de acordo com seu diretor, Anton Belov.

Afinal, possuir um museu de arte de primeira classe é uma maneira infalível de atrair celebridades e a elite empresarial.

"Sua própria coleção de arte ou museu é uma ótima oportunidade para se integrar rapidamente ao estabelecimento ocidental", disse Stepanova.
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Matéria de Alex Sazonov publicada originalmente no site do Bloomberg Quint (www.bloombergquint.com) em 14/06/18.

Restauração de A Adoração do Cordeiro Místico revela surpresas

O quadro pintado no início do século 15 pelos irmãos Van Eyck, revelou nesta terça-feira, (19/6), na Bélgica parte de seu aspecto original, "muito mais expressivo e intenso", segundo a equipe encarregada da restauração desta obra-prima da pintura flamenga. Há alguns meses, este trabalho, realizado no museu municipal de Belas Artes, se concentrou em retirar partes repintadas na área central da obra, incluindo a cabeça do cordeiro. O resultado desta etapa revelou surpresas espetaculares, segundo os restauradores. Artigo produzido pela agência francesa de notícias AFP (Agence France-Presse) e traduzido pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. +

"A Adoração do Cordeiro Místico", quadro pintado no início do século 15 pelos irmãos Van Eyck, revelou nesta terça-feira, 19, na Bélgica parte de seu aspecto original, "muito mais expressivo e intenso", segundo a equipe encarregada da restauração desta obra-prima da pintura flamenga. É uma das etapas importantes do vasto trabalho de renovação empreendido no fim de 2012 pelo Instituto Real do Patrimônio Artístico (IRPA) sobre o célebre retábulo da abadia de São Bavão de Gante (noroeste da Bélgica).
Há alguns meses, este trabalho, realizado no museu municipal de Belas Artes, se concentrou em retirar partes repintadas na área central da obra, incluindo a cabeça do cordeiro. O resultado desta etapa, apresentado nesta terça-feira à imprensa, revelou surpresas espetaculares, segundo os restauradores.
"A cabeça é muito diferente da que se conhecia desde o século 16. Trata-se de um cordeiro muito mais intenso, mais expressivo, que tem um contato mais direto com o público, com grandes olhos", explicou à AFP Hélène Dubois, chefe de projeto para o IRPA. "Ignorava-se até que ponto este retábulo havia sido coberto por outras pinturas no século 16, e redescobrimos a arte original dos Van Eyck", afirmou a especialista.
A obra de arte dos irmãos Hubert e Jean Van Eyck, inspirada em diversos episódios bíblicos, concluída em 1432, está inscrita no Patrimônio Mundial da Unesco. A restauração completa de ambos os lados de seus 12 painéis articulados deve ser concluída até o final de 2019, disse Dubois, a tempo para o início de um ano de celebrações centradas nas obras de Jan Van Eyck.
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Artigo produzido pela agência francesa de notícias AFP (Agence France-Presse) e traduzido pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Getty luta para manter bronze grego de jovem vitorioso em Los Angeles

Um magistrado italiano decidiu que uma escultura da coleção do J. Paul Getty Museum, em Los Angeles, deveria ser repatriada para a Itália. Mas o Getty está determinado a lutar e manter o bronze grego e vai apelar da decisão do tribunal. Matéria de Naomi Rea, publicada originalmente no Artnet (artnet.com), em 14/06/18. +

Depois de anos de idas e vindas entre um pequeno tribunal na cidade italiana de Pesaro e a Suprema Corte do país, um magistrado italiano decidiu que uma escultura da coleção do J. Paul Getty Museum, em Los Angeles, deveria ser repatriada para a Itália. Mas o Getty está determinado a lutar e manter o bronze grego em tamanho real, alegando que ele foi recuperado em águas internacionais.

O magistrado italiano Giacomo Gasparini confirmou decisões judiciais anteriores tomadas em 2010 e 2012, e em 8 de junho rejeitou o recurso do Getty contra uma ordem de confisco baseada na exportação ilegal do trabalho do país, vários anos antes de ser comprada pelo museu.

A estátua de um jovem vitorioso, também conhecido como Getty Bronze ou o atleta de Fano, foi encontrada no oceano por pescadores italianos em 1964, que levou a estátua para a cidade italiana de Fano sem declará-la à alfândega italiana. Mais tarde, os pescadores venderam a estátua por cerca de US $ 4 mil a um negociante local de antiguidades, depois que foi contrabandeado pelo país.

O Getty, que comprou a obra em 1977 por US $ 3,95 milhões, sustenta que foi uma compra legítima e planeja recorrer da decisão da Suprema Corte, o que pode ser feito sob a lei italiana.

Ron Hartwig, porta-voz do J Paul Getty Trust, diz em um comunicado que o Getty está "desapontado" com a decisão e continuará a defender seu direito legal à estátua, insistindo que o trabalho foi descoberto em águas internacionais e comprado por o museu "anos depois que os tribunais italianos concluíram que não havia provas de que a estátua pertencia à Itália".

O porta-voz do Getty argumenta ainda que a estátua não faz parte do patrimônio cultural da Itália. "A descoberta acidental por cidadãos italianos não faz da estátua um objeto italiano", diz Hartwig. "Encontrado fora do território de qualquer estado moderno e imerso no mar por dois milênios, o Bronze tem apenas uma conexão fugaz e incidental com a Itália."

A escultura provavelmente foi feita entre 300 e 100 a.C. e mostra um jovem de pé com o peso na perna direita, coroado com uma coroa de oliveira, o prêmio dado a atletas olímpicos vencedores. Acredita-se que ela tenha sido perdida no mar quando um barco que a transportava da Grécia para a Itália afundou.

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Matéria de Naomi Rea, publicada originalmente no Artnet (artnet.com), em 14/06/18.

Ex-contador de Damien Hirst vende sua coleção na Sotheby"s London

O ex-contador irlandês Frank Dunphy foi o gerente de negócios da Hirst por mais de 15 anos, conhecido com a facilitação de negócios da venda privada do Hirst's Hymn em 1999, o primeiro trabalho do artista a vender por mais de 1 milhão de libras. Dunphy agora coloca sua coleção no leilão da Sotheby's London em setembro, com mais de de 200 obras. Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do artnet (artnet.com), em 18/08/18. +

O ex-empresário de Damien Hirst, Frank Dunphy, o cérebro por trás de algumas das mais inteligentes iniciativas de negócios do artista, está colocando mais de 200 obras de sua coleção no leilão da Sotheby's London em setembro. O ex-contador irlandês e consultor financeiro também trabalhou com os colegas YBAs de Hirst , como Tracey Emin e Jake e Dinos Chapman, assim como o ator britânico Ray Winstone.


Durante seus 15 anos trabalhando como consultor financeiro de Hirst, Dunphy é conhecido com a facilitação de negócios da venda privada do Hirst's Hymn em 1999, o primeiro trabalho do artista a vender por mais de 1 milhão de libras, a recompra de quase um terço da coleção de obras de Charles Saatchi em 2003, e duas vendas diretas inéditas, de estúdio para leilão, da casa Sotheby's em 2004 e 2008.

Hirst conheceu Dunphy durante um jogo de sinuca no Groucho Club, um ponto de encontro popular de artistas londrinos, disse o especialista da Sotheby, Olly Barker, à Artnet News. “A mãe de Damien também era membro, e foi ela quem se aproximou de Frank para ajudar seu filho porque Damien teve um enorme sucesso financeiro, mas era jovem e não sabia como lidar com o lado comercial de seus negócios.` , diz Barker. Eles se tornaram amigos e trabalharam juntos até que Dunphy se aposentou em 2010.

Não é novidade que o trabalho de Hirst é uma grande parte da coleção que Dunphy e sua esposa Lorna acumularam nas últimas três décadas. Algumas das obras eram presentes: Hirst deu a Dunphy uma de suas obras no armário de comprimidos Psst (1997), quando seu orientador estava doente (entre £ 60.000 e 80.000); Busto de Frank (2008) foi para o 70º aniversário de Dunphy (entre 25.000 e 35.000 libras), e Hirst deu a Dunphy a pintura de borboleta Smashing Yellow Ball na Peace Painting (2008) como presente de aposentadoria (entre 100.000 e 150.000 libras).

Mas os Dunphys também compraram obras de alto calibre de outros renomados da YBA, incluindo Tracey Emin, Michael Craig-Martin e Rachel Whiteread. Eles também estão vendendo obras de primeira linha, como Concetto Spaziale, de Lucio Fontana, Attese (1961) (entre 600 mil e 800 mil libras), que é o lote mais caro da venda; a pintura “Dollar Sign” (1982), de Andy Warhol, (entre £ 200.000 e 300.000); e o “Sem título (Gene Pitney)” (2011), de Richard Prince que Dunphy comprou da Gagosian Gallery.


"A cena artística tem sido a nossa vida nos últimos 30 anos", disse o Dunphys em comunicado conjunto. “Viver com a arte tem sido como viver com nossos amigos. Muito disso está impregnado de lembranças felizes, e muito disso nos compramos simplesmente porque adoramos. Mas o tempo não espera por ninguém, e chegou a hora de dizer adeus a parte da arte, embora não as lembranças nem as amizades.

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Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet (artnet.com), em 18/08/18.

Christo ergue em Londres Mastaba tão alta quanto a Esfinge do Egito

Escultura irá flutuar no Lago Serpentine, no Hyde Park, até o final de setembro. Texto de Naomi Rea para o portal e arte www.artnet.com editado em 19/6/18. +

O artista búlgaro Christo é conhecido por tornar possível o impossível. Em 2016, ele permitiu que centenas de milhares de pessoas caminhassem sobre a água ao erguer pilares flutuantes no meio do Lago Iseo, na Itália. Em 1983, ele e sua esposa Jeanne-Claude cercaram 11 ilhas em Biscayne Bay, em Miami, com tecidos coloridos flutuantes.
Neste verão europeu, realizou nova proeza. Ele e sua equipe construíram uma enorme estrutura feita de 7.506 barris empilhados. O trabalho, lançado oficialmente na segunda-feira, 18/6/18, flutua no meio do Serpentine Lake, no Hyde Park, em Londres.
A estrutura do cano trapezoidal de 600 toneladas, de 15 metros de altura, na forma de uma Mastaba (monumento funeário egípcio anterior às pirâmides), também uma forma de banco de pedra originário da Mesopotâmia. Embora seja tão alto quanto a Esfinge no Egito, é na verdade um teste menor para um trabalho maior (oito vezes mais alto) que o artista está trabalhando para erigir em Abu Dhabi desde 1977. Este londrino demorou cerca de dois anos e meio para construir.

Organizado com as Serpentine Galleries, a escultura “The London Mastaba” é o primeiro grande trabalho público ao ar livre do Christo no Reino Unido. As cores vermelha, azul e malva que seus barris refletem na água criaram um mosaico manchado em sua superfície, que o artista búlgaro compara a “uma pintura abstrata”. Tal como acontece com todos os projetos de Christo, incluindo aqueles que ele desenvolveu com sua colaboradora de longa data e esposa Jeanne-Claude, que morreu em 2009, não há um significado fixo atribuído à “Mastaba”. “Qualquer interpretação é legítima, crítica ou positiva”, disse Christo na inauguração. “Todas as iinterpretações fazem você pensar. É por isso que somos humanos; para pensar”.

O diretor artístico da Serpentine Galleries, Hans Ulrich Obrist, primeiro teve a ideia de selecionar Christo depois de ver seu projeto Floating Piers em 2016. “É nosso sonho se tornar realidade ter Christo conosco”, disse Obrist no lançamento.
Ele e o CEO da Serpentine Galleries, Yana Peel, estiveram presentes para batizar a estreia do trabalho, assim como o presidente das galerias (e ex-prefeito de Nova York) Michael Bloomberg, que anteriormente ajudou Christo a realizar outro trabalho em um grande parque urbano: sua lendária instalação no Central Park, em Nova York, em 2005.
A inauguração do “The London Mastaba” coincide com uma exposição na Serpentine dedicada a Christo e Jeanne-Claude e sua história de 60 anos de trabalho. Intitulado “Christo e Jeanne-Claude: Barrels and the Mastaba (1958–2018)”, a exposição apresenta esculturas, fotografias históricas de instalações e esboços preparatórios. Ela passa de obras embrulhadas, importantes intervenções, como a lendária “Muralha de Barris - A Cortina de Ferro” (1961-1962), que o casal ergueu por algumas poucas horas em Paris, em resposta à construção do Muro de Berlim. Também incorpora propostas não realizadas para projetos de barris no Canal de Suez e no Lago Michigan, ambos concebidos em 1967. A exposição terminará em 9/9, pouco antes do desmantelamento da Mastaba em 23/9/18.
Christo, que cresceu na Bulgária stalinista, notoriamente não aceita patrocínio ou financiamento público que possa comprometer sua visão, de modo que “The London Mastaba” foi inteiramente autofinanciado pela venda de obras de arte originais. Custou cerca de US$ 4 milhões, de acordo com o “The New York Times”. E embora o projeto não tenha enfrentado tantos obstáculos burocráticos quanto alguns dos projetos mais ambiciosos da Christo, que podem ser mantidos por décadas, ele ainda exigiu planejamento cuidadoso, engenharia e trabalho em equipe. Levou um ano para garantir as devidas autorizações, de acordo com o “NYT”, e os materiais tiveram que ser entregues por mais de 70 caminhões que eram obrigados a dirigir pelo parque a apenas uma milha por hora para proteger os pedestres.
Enquanto isso, Christo e Jeanne-Claude são também o tema de uma exposição comercial na cidade, aberta em 20/6 na Galeria Stern Pissarro (em cartaz até 21/7) intitulada “Christo e Jeanne-Claude: Uma Vida de Projetos”. alguns dos projetos mais famosos do casal, com destaques incluindo imagens de seus famosos edifícios embrulhados, “The Pont Neuf Wrapped” (1985) e “Wrapped Reichstag” (Projeto para Berlim) (1995), bem como o mais recente projeto, “Floating Piers (Projeto para o Lago Iseo, Itália).
“The London Mastaba” ficará no Hyde Park até 23/9/18.
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Texto de Naomi Rea para o portal e arte www.artnet.com editado em 19/6/18.

Condo anuncia galerias participantes de suas edições em Nova York e Xangai

Projeto colaborativo de arte que promove intercâmbio entre galerias locais e estrangeiras ocupa Xangai e Nova York a partir das próximas semanas. Texto escrito a partir de artigo editado em 20/6/18 no site www.touchofclass.com.br. +

Desde que o programa colaborativo de galerias, Condo, foi lançado em Londres em 2016 por Vanessa Carlos, co-fundadora da galeria Carlos/Ishikawa, eventos semelhantes foram realizados em Los Angeles, Munique, Varsóvia, Colônia e Düsseldorf, Nova York, São Paulo e Cidade do México.
Agora planeja uma edição para Xangai e também revelou em seu site os participantes de sua 2ª edição em Nova York, que devem ser inauguradas nas próximas semanas.
Seguindo o mesmo formato estabelecido pela Condo original, tanto em Xangai quanto em Nova York, as galerias locais compartilharão seus espaços com galerias de outras partes do mundo, para que apresentem os trabalhos de seus artistas.
A edição de Nova York, dirigida por Simone Subal (Galeria Simone Subal) e Nicole Russo (Chapter NY) elenca 21 espaços, que receberão obras e artistas de 26 galerias visitantes. Pela primeira vez, a edição de Nova York inclui uma organização sem fins lucrativos, a White Columns. O evento deste ano acontece entre 29/6 a 27/7.
A estreia da Condo Xangai é dirigida por Lorraine Malingue (co-fundadora da Galeria Edouard Malingue, de Hong Kong e Xangai), e incluirá nove espaços que hospedarão 13 galerias internacionais. Esta primeira edição será realizada entre 7/7 a 16/8.
Galerias participantes
Condo New York
 Alexander and Bonin recebe Madragoa (Lisboa)
 Bodega recebe Galerie Crèvecœur (Paris)
 Bortolami recebe Corbett vs Dempsey (Chicago)
 Bridget Donahue recebe Experimenter (Calcutá, India)
 Bureau recebe Hopkinson Mossman (Auckle) e Kristina Kite Gallery (Los Angeles)
 Chapter NY recebe Adams e Ollman (Portland, EUA)
 Company Gallery recebe Carlos/Ishikawa (Londres)
 David Lewis recebe Altman Siegel (San Francisco)
 Foxy Production recebe Christian Eersen (Copenhague) e Edouard Malingue Gallery (Hong Kong)
 Franklin Parrasch Gallery recebe Gypsum Gallery (Cairo) e Misako & Rosen (Tóquio)
 JTT recebe Galerie Emanuel Layr (Viena)
 Lomex recebe Arcadia Missa (Londres)
 Marinaro recebe The Approach (Londres)
 Metro Pictures recebe Lambdalambda¬lambda (Pristina, Kosovo)
 Mitchell Algus Gallery recebe Mary Mary (Glasgow)
 Petzel recebe Nanzuka (Tóquio)
 Queer Thoughts recebe Park View/Paul Soto (Los Angeles e Bruxelas)
 Rachel Uffner Gallery recebe Cooper Cole (Toronto) e Night Gallery (Los Angeles)
 Simone Subal Gallery recebe Sadie Coles HQ (Londres)
 Van Doren Waxter recebe Greynoise (Dubai) e Maisterravalbuena (Madri e Lisboa)
 White Columns recebe First Street ¬Gallery (Los Angeles)

Condo Shanghai

 A+ Contemporary recebe Joségarcía.mx (Cidade do México)
 J:Gallery recebe Project Native Informant (Londres) e Greengrassi (Londres)
 Gallery Vacancy recebeM isako & Rosen (Tóquio)
 Don Gallery recebe Ghebaly Gallery (Los Angeles)
 Edouard Malingue Gallery recebe König Galerie (Berlim) e Esther Schipper (Berlim)
 Madein Gallery recebe Carlos/Ishikawa (Londres)
 Aike recebePeres Projects (Berlim), Koppe Astner (Glasgow) e Soy Capitán (Berlim)
 Ota Fine Arts recebe Mai 36 Galerie (Zurich)
 Shanghart Gallery recebe Sadie Coles HQ (Londres)
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 Texto escrito a partir de artigo editado em 20/6/18 no site www.touchofclass.com.br.


Christo inaugura em Londres escultura flutuante feita de 7.506 barris

O artista plástico búlgaro Christo inaugurou em Londres a sua escultura “London Mastaba”, de 20 metros de altura e que flutua no Lago Serpentine, no Hyde Park. A obra homenageia a sua falecida esposa Jeanne-Claude e a sua determinação em tornar a arte livre. Artigo de India Block para o site www.dezeen.com editado em 18/6/18. +

Com base nas formas trapezoidais das Mastabas, antigos túmulos egípcios (anteriores às pirâmides) e assentos encontrados fora das casas da antiga Mesopotâmia, a escultura temporária é a realização do sonho compartilhado pelo duo artístico da criação por mais de meio século.
A “London Mastaba” foi feita com 7.506 barris pintados e presos a andaimes e ancorado no lago. Embora tenha sido produzido para a exposição na Serpentine Galleries, de Christo e Jeanne Claude, o artista manteve a independência de galerias, subsídios do governo ou patrões. “Eu cresci em um momento terrível na Era Stalinista da Bulgária, eu escapei com 21 anos para ser um artista, livre, sem restrições”, disse Christo ao site www.dezeen.com na inauguração de sua escultura no Hyde Park, em 18/6/18. Tal como acontece com todas as instalações de Cristo e Jeanne Claude, o dinheiro é levantado por meio da venda de obras de arte originais.
Christo hoje vive sem sua perceira e esposa Jeanne-Claude, que morreu em 2009. Eles nasceram no mesmo dia em 1935; Christo em Gabrovo, na Bulgária e Jeanne-Claude em Casablanca, no Marrocos. Depois de se reunir em Paris, eles começaram a colaborar em suas obras de arte públicas em 1961. Intrigado pelas possibilidades da forma das mastabas, Christo pretende alcançar seu plano mais ambicioso: uma mastaba de barris de 170 metros de altura para o deserto de Abu Dhabi.
O “London Mastaba” é a primeira escultura em grande escala feita por Christo e Jeanne-Claude no Reino Unido. Seu mosaico de extremidades verticais pintadas em vermelho, azul e malva criam um efeito de estilo impressionista contra o horizonte de Londres e no reflexo cintilante do lago. Um vermelho diferente, cruzado com listras de branco, foi usado para as paredes ou laterais inclinadas. Christo escolheu as cores especificamente para interagir com o verde e azul do parque e seu lago, e skyline de Londres contra o céu notoriamente mutável. A “London Mastaba” irá flutuar no Lago Serpentine até 23/9/18.
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Artigo de India Block para o site www.dezeen.com editado em 18/6/18.

Christie’s recupera bom humor com forte venda de modernos e impressionistas

Leilão em Londres arrecadou US$ 168 milhões e foi liderado pelo Monet “Gare Saint-Lazare - Vista Exterior” (1877), vendido por US$ 32,8 milhões. Artigo de Colin Gleadell para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 20/6/18. +

O mercado impressionista e moderno de arte voltou aos trilhos!. Qualquer tristeza criada pela venda sem brilho da Sotheby em Londres na terça-feira (19/6/18) ficou para trás esta noite graças a uma performance muito forte na Christie's. A venda na noite impressionista e moderna da casa arrecadou 128,1 milhões de libras (US$ 168,3 milhões) e quase alcançou sua estimativa máxima de pré-venda, que era de 134,5 milhões de libras (os valores de venda incluem as taxas do comprador; as estimativas não).
As duas casas tinham estimativas de pré-venda quase idênticas - mas os resultados finais foram muito diferentes. A Sotheby’s atingiu seu menor valor desde 2012, enquanto a Christie's teve sua segunda maior venda em junho na categoria desde 2012.
A Christie's parecia ter reunido material para sua venda sem muita dificuldade. Em contraste com a Sotheby's, que devia muito do seu total final às garantias.
A qualidade das obras oferecidas também foi maior na Christie's e a disputa também foi mais animada. Trinta dos 37 lotes que foram vendidos obtiveram os preços solicitados ou acima de suas estimativas.
Como a venda da Sotheby's na terça-feira, o leilão da Christie's foi encabeçado por dois lotes de respeito: uma visão clássica de Monet da Gare Saint-Lazare, em Paris, datado de 1877, com colunas de fumaça entrando na atmosfera, e um ligeiramente perturbador retrato de Dora Maar (1942), de Picasso.
Os trabalhos de Monet desta série raramente chegam ao mercado. Das 12 pinturas da estação ferroviária de Monet, nove estão em museus. Este trabalho veio do espólio do colecionador texano Perry Bass (que doou muitas pinturas clássicas impressionistas ao Museu de Arte Kimbell). Não estava no mercado desde que o colecionador americano comprou da Acquavella Galleries em 1985.
Apesar de sua qualidade, o trabalho só atraiu licitações limitadas e vendeu perto da baixa estimativa para 25 milhões de libras, incluindo prêmio (US$ 32,8 milhões). O comprador não identificado, que saiu imediatamente depois, estava sentado do outro lado do corredor do negociante Bill Acquavella, que havia vendido a imagem há mais de 30 anos, mas aparentemente não apresentou lances (apesar da atenção constante do leiloeiro).
O outro lote de cima, o retrato de Dora Maar de Picasso, também foi relativamente novo no mercado, tendo estado na mesma coleção por 28 anos. Ele havia sido consignado por um colecionador europeu que o comprou depois de ter sido vendido em leilão em 1990, com uma estimativa de 3 a 3,5 milhões de libras. Xin Li, vice-presidente da Christie's Asia, comprou para um cliente por 19,4 milhões de libras (US$ 25,4 milhões. A oferta asiática foi mais aparente em um elenco de Baiser de Rodin, vendido a uma cliente da vice-presidente da Christie, diretora de arte impressionista e moderna para a Ásia, Elaine Holt, por 12,6 milhões de libras (US$ 16,6 milhões), bem acima de sua alta estimativa de 7 milhões de libras esterlinas, contra a concorrência do negociante com sede em Oslo, Ben Frija.
Ao todo, foi uma venda movimentada para os representantes asiáticos da Christie, que também adquiriram obras de Diego Giacometti, Egon Schiele, Monet, Renoir e Camille Claudel em nome de clientes no telefone. Claudel, uma amante de Rodin, beneficiou-se particularmente do forte interesse asiático. Dos seis bronzes de Claudel na venda, cinco foram vendidos para um cliente da Holt's. Um, “The Waltz”, vendido pela última vez em 2003 por US$ 254.400; desta vez, foram obtidos 1,1 milhão de libras (US$ 1,5 milhão).
Uma onda de interesse asiático também foi Schiele, cuja aquarela de uma mulher ajoelhada atraiu dois interessados em um conflito asiático até ser vendida a um representante taiwanês da Christie's por 1,56 milhão de libras (US$ 2 milhões), mais que o dobro de sua alta estimativa. O vendedor americano pagou £ 65.000 (US$ 85.500) por ele em 1985.
Um dos contrastes mais marcantes da venda com a Sotheby's foi a qualidade de sua arte alemã. Enquanto um grupo de trabalhos de qualidade medíocre não atraiu qualquer interesse na terça-feira, o notável guache de três cavalos de 1912 de Franz Marc excitou a competição de vários licitantes, incluindo o vendedor londrino Simon Theobald, antes de ser vendido a um concorrente por um recorde de £ 15,4. milhões (US$ 20,3 milhões). O expressionismo alemão também foi representado por um retrato vívido e intenso de Conrad Felixmuller, realizado em 1922 e que retrata seu irmão. O assessor Stephane Connery perseguiu o trabalho antes de ser vendido a um concorrente por US$ 800.975, mais do que o dobro de sua alta estimativa.
Uma pintura de uma cachoeira em 1919 feita por Ernst Ludwig Kirchner, por sua vez, vendeu perto do topo de sua estimativa de £ 1 milhão (US$ 1,3 milhão) para o negociante de Berlim Michael Haas.
Licitação russa, por sua vez, era pouco visível. Um vendedor de celulares russo comprou uma aquarela figurativa de Kazimir Malevich por £ 7,9 milhões (US$ 10,4 milhões). Enquanto isso, James Butterwick, um revendedor especializado em arte de vanguarda russa, entrou na briga e comprou obras de Cézanne e Matisse.
A parte mais fraca da venda foi uma coleção de obras - quatro primeiros Picassos e um nude de Jean-Baptiste-Camille Corot - que pertenciam a Max Bollag, um comerciante suíço que morreu em 2005. O jornal suíço “Zri Woche” descreveu uma vez as ações da Bollag como “uma mistura de um ferro-velho com uma caverna do tesouro”. Esta noite, o mercado parecia pensar que se inclinava para o primeiro, quando dois dos trabalhos não foram vendidos enquanto os outros se esforçavam para encontrar ofertas.
Essas fendas, no entanto, não afetaram a sensação revivida de bem-estar e alívio que permeava a multidão quando saía da sala de vendas.
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Artigo de Colin Gleadell para o portal de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 20/6/18.

Os famosos girassóis de Van Gogh estão lentamente se tornando marrons

Uma equipe de cientistas passou dois anos estudando as pinturas da série de girassóis do artista na coleção do Museu Van Gogh de Amsterdã. Eles descobriram que o uso de tinta amarela cromada pelo artista fazia particularmente com que certas obras fossem suscetíveis à descolorização por conta da luz. A descoloração gradual dos pigmentos amarelos poderia ameaçar dezenas de outras obras de Van Gogh e seus pares. Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet News (artnet.com), em 01/06/18. +

A impressionante série de pinturas de girassóis amarelos de Vincent Van Gogh está lentamente à deriva na videira. Os tons vibrantes estão progressivamente se desvanecendo a uma cor marrom-oliva devido ao uso de pigmentos sensíveis à luz pelo artista, foi o que um grupo de pesquisadores holandeses e belgas descobriram.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Antuérpia e da Universidade de Tecnologia de Delft passou dois anos estudando as pinturas da série de girassol (1889) do artista na coleção do Museu Van Gogh de Amsterdã. Eles descobriram que o uso de tinta amarela cromada pelo artista fazia particularmente com que certas obras fossem suscetíveis à descoloração.

"Van Gogh usou dois tipos de cromo amarelo, que é um pigmento sintético que estava amplamente disponível na época", disse Frederick Vanmeert, da Universidade de Antuérpia, à artnet News. "Um destes tipos de cromo amarelo é bastante estável porque tem uma tonalidade laranja, mas o outro tipo, que tem cor amarelo pálido, é bastante sensível à degradação, por isso vai alterar sua cor ao longo do tempo."

Os pesquisadores examinaram a pintura usando técnicas de alta tecnologia, incluindo imagens de raios X microscópicas e mapeamento químico. Graças a esses métodos de ponta, eles conseguiram entender a maquiagem da pintura sem tirar amostras com cotonetes ou pigmentos de sua superfície. (Um relatório sobre o estudo apareceu pela primeira vez no The Guardian.)

Com as descobertas dos pesquisadores, surgem boas e más notícias. A boa notícia: a degradação irreversível ainda não é perceptível ao olho humano. A má notícia: é muito difícil prever precisamente quando esses efeitos se tornarão visíveis, segundo Vanmeert.

É possível, no entanto, que os especialistas diminuam o processo de desbotamento. "Esse processo depende fortemente dos fatores externos aos quais a pintura foi submetida", explicou Vanmeert. "Por exemplo, a quantidade de luz que caiu sobre a pintura terá um grande efeito sobre a velocidade."

Esta não é a primeira vez que cientistas descobriram o trabalho de Van Gogh se transformando significativamente com a passagem do tempo. Pesquisas anteriores descobriram que os pigmentos vermelhos do artista também estão perdendo seu brilho e desaparecendo para o branco. (Eles determinaram, por exemplo, que as paredes da pintura do artista em 1888, “The Bedroom”, estavam roxas antes de se tornarem azuis.) Como parte de um estudo divulgado há três anos, estudiosos internacionais também soaram o alarme sobre o potencial de Van Gogh e o pigmento amarelo de cádmio de Matisse se desvanece.

À luz dessas descobertas, o Museu Van Gogh não está se arriscando. Curadores e conservadores já estão trabalhando para proteger as obras de maior deterioração. Há cinco anos atrás, o museu baixou os níveis de luz em suas galerias e está atualmente no processo de rever os sistemas de iluminação mais uma vez.

Segundo Vanmeert, a nova pesquisa tem implicações além de Van Gogh; descoloração semelhante poderia ameaçar outras pinturas do século XIX também. “O número exato não é conhecido, mas [o pigmento problemático] é um tipo de amarelo que Van Gogh frequentemente usou, por isso estará presente em um grande número de suas pinturas, e presume-se também estar presente nas pinturas de um grande número de seus contemporâneos”, disse ele.
Felizmente, a técnica de radiografia não invasiva, que a equipe desenvolveu para conduzir sua pesquisa, é facilmente transferível para o estudo de outras pinturas e outros pigmentos.
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Matéria de Henri Neuendorf publicada originalmente no site do Artnet News (artnet.com), em 01/06/18.

Acervo renovado

De Anita Malfatti a Lygia Clark, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand ganha para o seu acervo 66 novas obras de artistas nacionais, produzidas num período de mais de 100 anos. As pinturas e esculturas fazem parte da coleção da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, e vão para o acervo do museu num acordo de comodato pelos próximos 30 anos. Para inaugurar a participação das obras em seu acervo, o Masp realiza, a partir desta quinta-feira, 14, uma exposição com a seleção de 25 delas. Matéria de Pedro Rocha publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo", em 11/06/18. +

De Anita Malfatti a Lygia Clark, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Masp, ganha para o seu acervo 66 novas obras de artistas nacionais, produzidas num período de mais de 100 anos. As pinturas e esculturas fazem parte da coleção da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, e vão para o acervo do museu num acordo de comodato pelos próximos 30 anos. Para inaugurar a participação das obras em seu acervo, o Masp realiza, a partir desta quinta-feira, 14, uma exposição com a seleção de 25 delas.

A lista do comodato inclui nomes como Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti e Alberto da Veiga Guignard. São pinturas e esculturas que retratam imagens da indústria, negócios e agropecuária brasileiros, em mais de 100 anos de história. Muitas das obras estavam em escritórios e salas dos prédios da B3, empresa criada no ano passado com a junção da BM&FBOVESPA com a Cetip, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Algumas delas nunca foram expostas ao público. “Selecionamos obras representativas e que fizessem sentido para a nossa coleção”, afirma ao Estado o diretor-presidente do Masp, Heitor Martins.

Com o acordo, o Masp fica com total responsabilidade e poder de decisão sobre as obras durante o período de empréstimo. “A partir de agora, as obras farão parte do nosso acervo”, diz Martins. “Algumas serão expostas nos cavaletes de vidro, participarão de exposições e estão passíveis a empréstimos.” Para o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, isto é totalmente positivo. “Se eles acharem válido, as obras podem chegar a qualquer lugar do mundo e isso nos deixa muito entusiasmados.”

Segundo Martins, as primeiras conversas com a empresa começaram há cerca de quatro anos. Após a criação da B3, as negociações foram aceleradas e o Masp realizou visitas aos prédios da instituição para selecionar as obras que fariam parte do comodato. A curadoria do projeto ficou a cargo de Adriano Pedrosa e Olivia Ardui. “Não fizemos uma curadoria temática. A seleção envolve a importância das obras e a ausência de artistas na pinacoteca do museu”, explica Ardui.

Ione Saldanha e Lygia Clark, por exemplo, entram pela primeira vez no acervo do Masp com o comodato. Outros artistas têm também suas obras ampliadas na coleção. Guignard, por exemplo, passou de três para seis pinturas. Benedito Calixto foi de 10 para 19. Di Cavalcanti possuía apenas uma pintura no acervo, agora passa a ter três novas telas, duas a óleo e um guache. “Mais que quantidade, a qualidade é muito importante. As novas obras complementam muito bem nossa coleção. Os novos Di Cavalcanti dão profundidade e diversidade ao artista”, analisa Martins.

O pintor modernista, aliás, além de integrar seleção de 25 obras que estarão na exposição do comodato, teve um quadro, Mulata/Mujer (1952), selecionado para a maior mostra temática do Masp esse ano, Histórias Afro-Atlânticas, que abre ao público em 28 de junho. O ano inteiro do Masp, aliás, seria dedicado apenas às exposições relacionadas ao tema. Mas, por conta do comodato, uma exceção foi aberta para a mostra das obras da B3, que acontecerá no mezanino, no topo das escadas do subsolo do museu. “É um hiato na nossa programação, não faz parte do programa, mas tem esse intuito de apresentar esse conjunto”, explica Olivia Ardui.

Conservação. Uma preocupação do Masp ao selecionar as obras do comodato foi o estado de conservação. “Algumas peças estavam um pouco comprometidas e precisam de restauro”, diz Guilherme Giufrida, assistente curatorial do museu. “São obras importantes e que decidimos trazer, apesar do estado em que estavam. O comodato pode dar condições mais adequadas de conservação.” É por isso, inclusive, que muitas das obras ainda não podem ser exibidas.

As 66 serão catalogadas num livro, idealizado pelos curadores, que deve ser lançado no final do ano. O catálogo deverá incluir textos e pesquisas bibliográficas, detalhes de cada obra e ainda ensaios inéditos de autores convidados.

COMODATO MASP B3/ACERVO EM TRANSFORMAÇÃO

Masp. Av. Paulista, 1578. Tel. 3149-5959. 3ª a dom., 10 às 18h. 5ª, 10 às 20h. R$ 35. Até 29/7
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Matéria de Pedro Rocha publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo", em 11/06/18.

Joias do terceiro comodato do Masp

Não é a primeira coleção de arte transferida em regime de comodato ao Masp desde que Heitor Martins assumiu a presidência do museu, em 2014. Parte dessa coleção, exposta a partir do dia 14 na mostra "Acervo em Transformação", traz obras do século 19, do modernismo brasileiro e contemporâneas selecionadas com critério e compradas antes que as antigas BM&F e Bovespa abrissem capital, em 2007. Seus conselheiros e diretores conviveram com esse acervo por tantos anos e foram tantas as mudanças que fica difícil dizer com exatidão a data de entrada dessas obras no acervo da instituição, cuja história começa em 1890. Matéria de Antonio Gonçalves Filho publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo", em 11/06/18. +

Não é a primeira coleção de arte transferida em regime de comodato ao Masp desde que Heitor Martins assumiu a presidência do museu, em 2014, mas certamente a da B3 (empresa que teve origem na BM&F Bovespa), que cedeu 66 obras à instituição, é de fundamental importância para preencher lacunas em seu acervo. Outras duas coleções cedidas anteriormente em comodato ao Masp são igualmente importantes: as 275 fotografias do histórico Foto Cine Clube Bandeirante (em 2014) e a coleção do casal Edith e Oscar Landmann, cedida há dois anos, com cerca de 900 peças de arte pré-colombiana.

Parte da coleção da B3, exposta a partir do dia 14 na mostra Acervo em Transformação, traz obras do século 19, do modernismo brasileiro e contemporâneas selecionadas com critério e compradas antes que as antigas BM&F e Bovespa abrissem capital, em 2007. Seus conselheiros e diretores conviveram com esse acervo por tantos anos e foram tantas as mudanças que fica difícil dizer com exatidão a data de entrada dessas obras no acervo da instituição, cuja história começa em 1890. Assim, a coleção tem desde obras do século 19 – aquarelas do inglês Edmund Fink (17901833) e pinturas de Benedito Calixto (1853-1927) – até contemporâneas, passando por ícones do modernismo brasileiro.

Elas foram raramente exibidas em público. Há nove anos, parte desse valioso acervo foi mostrada numa exposição do Espaço Cultural BM&F Bovespa, no centro, que tinha como tema a transformação da cidade de São Paulo. As aquarelas de Pink mostravam a província na época da Independência. As telas de Rebolo e Volpi retratavam a transição dessa província agrária para a metrópole industrial, do mundo camponês para o operário.

Algumas das 25 obras expostas na mostra do Masp estiveram nessa exposição da BM&F, como a vista do porto de Santos pintada por Benedito Calixto em 1890, reproduzida nesta página. Outras são inéditas aos olhos do grande público. Artistas como Lygia Clark (19201988), disputada por colecionadores de todo o mundo após sua retrospectiva no MoMA, em 2014, não tinha uma só obra no acervo do Masp, que agora pode exibir um “caranguejo’, peça de sua série de “bichos’ em alumínio. Outro exemplo é a artista carioca Ione Saldanha (1919-2001), que, nos anos 1960, trocou a superfície bidimensional por pinturas sobre ripas e bambus, sendo premiada na Bienal de São Paulo de 1967 com a aquisição de uma obra.

Entre tantas obras de importância histórica e cultural fica difícil selecionar os highlights da exposição do Masp, mas certamente duas pinturas se destacam: o óleo Interior de Mônaco (1925), da modernista Anita Malfatti, e o retrato Figura de Menino com Camisa Branca Listrada (1961) de Guignard. No primeiro caso, temos uma vigorosa pintura de Anita, feita durante sua passagem por Mônaco em companhia da irmã Georgina (que serve de modelo para a artista). A tela, uma composição matissiana com ecos de Bonnard, é uma das melhores de Anita, em pleno vigor moderno, antes de se voltar, nos anos 1950, para uma pintura de matriz popular – há um exemplo dessa época na mostra, o óleo Batizado na Roça.

O retrato de Guignard com a figura do menino foi pintado quando o pintor já estava bastante avançado na série de suas paisagens imaginárias (anos 1960), mais inventadas do que baseadas no modelo real – o que fica claro na paisagem carioca atrás do garoto.

Do mesmo ano (1961) do retrato pintado por Guignard é a tela Confronto, de Bonadei, composição fortemente marcada pelo rigor da simplificação e geometrização cubista da paisagem por Cézanne. Há também De Fiori, Di Cavalcanti e Portinari para ver. E muito mais.
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Matéria de Antonio Gonçalves Filho publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo", em 11/06/18.

Nota do Ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão

Publicada hoje no Diário Oficial da União, a Medida Provisória 841, que cria o Fundo Nacional de Segurança Pública, reduz drasticamente a participação do Fundo Nacional de Cultura na receita das loterias federais. O percentual, que era de 3%, poderá cair a partir de 2019 para 1% e 0,5%, dependendo do caso. Trata-se de uma decisão equivocada, que não tem o apoio do Ministério da Cultura. +

Publicada hoje no Diário Oficial da União, a Medida Provisória 841, que cria o Fundo Nacional de Segurança Pública, reduz drasticamente a participação do Fundo Nacional de Cultura na receita das loterias federais. O percentual, que era de 3%, poderá cair a partir de 2019 para 1% e 0,5%, dependendo do caso. Trata-se de uma decisão equivocada, que não tem o apoio do Ministério da Cultura.
O investimento em segurança pública é obviamente crucial neste momento crítico que o país vive. O combate à violência urbana, porém, não deve se dar em detrimento da cultura, mas também por meio da cultura, assim como do esporte e da promoção do desenvolvimento. Além de seu valor simbólico e potencial transformador, a cultura é um vetor de inclusão e crescimento econômico.
As atividades culturais e criativas representam atualmente 2,64% do PIB, geram um milhão de empregos formais, reúnem 200 mil empresas e instituições e cresceram entre 2012 e 2016 a uma taxa média anual de 9,1%, apesar da recessão. Estão, portanto, entre os setores que mais contribuem para o desenvolvimento do país. O investimento público nesta área retorna multiplicado, na forma de aumento da arrecadação tributária.
A cultura já faz muito e pode fazer ainda mais pela superação da barbárie cotidiana em nossas cidades. Trata-se de uma poderosa arma contra a criminalidade e a violência, por seu elevado potencial de geração de renda, emprego, identidade e pertencimento. Reduzir os recursos da política cultural é na verdade um incentivo à criminalidade, não o oposto. Mais cultura significa menos violência e mais desenvolvimento.
A MP mostra-se ainda mais equivocada diante do fato de que há meses o MinC apresentou a proposta de outra MP, que destinaria diretamente a projetos culturais, pela Caixa Econômica Federal, o equivalente a 3% dos recursos arrecadados com as loterias, evitando assim contingenciamento e desvio de finalidade. Exatamente como acontece com o percentual que cabe ao esporte, graças à Lei Agnelo-Piva, de 2001.
Em quase um ano de trabalho, esta gestão revitalizou o MinC e implementou uma política pública de cultura eficiente e eficaz, de estado e não apenas de governo, com resultados concretos para o setor e a sociedade, a despeito da exiguidade de recursos. A MP põe em risco esta política e penaliza injustamente o setor cultural. Esperamos que o Congresso Nacional modifique a MP. Trabalharemos incansavelmente por isso. Trata-se de um imperativo ético.
Sérgio Sá Leitão, ministro de Estado da Cultura

Cartazes de protesto do artista ucraniano sobre Copa na Rússia se tornam virais

A temática dos cartazes e vermelho e preto é mirar em supostos crimes e violações dos direitos humanos da Rússia e ao redor do mundo, incluindo o abate de Malaysia Airlines Flight MH17, na Ucrânia, o envenenamento do ex-espião Sergey Skripal e sua filha Yulia no Reino Unido e o bombardeio de civis em Aleppo, na Síria. Artigo de Denys Krasnikov para o portal ucraniano de notícias www.kyivpost.com com imagens de Andriy Yermolenko. +

A série de pôsteres do artista ucraniano Andriy Yermolenko dedicados à Copa do Mundo de 2018, sediada pela Rússia a partir desta quinta-feira, 14/6/18, provavelmente não agradará ao Kremlin. A temática dos cartazes e vermelho e preto é mirar em supostos crimes e violações dos direitos humanos da Rússia e ao redor do mundo, incluindo o abate de Malaysia Airlines Flight MH17, na Ucrânia, o envenenamento do ex-espião Sergey Skripal e sua filha Yulia no Reino Unido e o bombardeio de civis em Aleppo, na Síria.
Os cartazes também atacam o péssimo histórico de direitos humanos da Rússia, incluindo a detenção de dezenas de presos políticos ucranianos. Segundo Yermolenko, os cartazes destinam-se a mostrar a natureza brutal e sangrenta do atual regime na Rússia.
A natureza dura das imagens rendeu a Yermolenko uma proibição em 6 de junho do Facebook, onde os cartazes começaram a se tornar virais. O meio social disse que o artista violou seus termos de uso.
"O Facebook disse que eu violei as regras colocando esses cartazes", disse Yermolenko à mídia ucraniana “Ukrainska Pravda”.
No entanto, a conta de Yermolenko foi restabelecida em um dia, e ele logo voltou a postar novos materiais. Seu poster mais recente apresenta uma ampulheta feita com ossos humanos e bolas de futebol que se transformaram em crânios.
Apresentando a série de cartazes para seus telespectadores, o programa televisivo “Telebachennya Toronto”, da Ucrânia, fez um apelo aos torcedores estrangeiros para que não fossem à Rússia para a Copa do Mundo, dizendo que eles estão patrocinando crimes de guerra e terror.
Após a proibição do artista, outros usuários do Facebook começaram a espalhar os cartazes e até os enviaram para o site de compartilhamento de arquivos Fex.net para que todos pudessem acessá-los. Desde então, os cartazes começaram a se espalhar amplamente no Facebook e em outras mídias sociais.
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Artigo de Denys Krasnikov para o portal ucraniano de notícias www.kyivpost.com com imagens de Andriy Yermolenko.

Bicentenário Museu Nacional, o mais antigo do país, tem problemas de manutenção

Criado por d. João 6º em 1818, como Museu Real —e em outro local—, o maior museu de história natural e antropológica da América Latina está subordinado desde 1946 à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Artigo de Marco Aurélio Canônico para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 30/05/18. +

Sentado atrás de sua mesa, num cômodo que já serviu de quarto para d. Pedro 1º, em frente a uma parede detonada por uma infiltração que vai do teto ao chão, Alexander Kellner, 56, diretor do Museu Nacional, explica por que decidiu instalar seu gabinete ali.
"Essa sala reflete o que o museu é: grandeza, com problemas. Eu a reabri pelo simbolismo, a gente deixa claro que não oculta os problemas, mas temos uma grandeza que ninguém tem, conquistada ao longo de dois séculos."
É nessa dicotomia entre grandiosidade e decadência que o primeiro museu do país, instalado num palácio imperial na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio, chega aos 200 anos, no próximo dia 6.
Criado por d. João 6º em 1818, como Museu Real —e em outro local—, o maior museu de história natural e antropológica da América Latina está subordinado desde 1946 à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Com os seguidos cortes no orçamento da instituição, o Museu Nacional não recebe integralmente, desde 2014, a verba de R$ 520 mil anuais que bancam sua manutenção.
Às vésperas do bicentenário, 10 de suas 30 salas de exposição estão fechadas, incluindo algumas das mais populares, como a que guarda um esqueleto de baleia jubarte e a do Maxakalisaurus topai —o dinoprata, primeiro dinossauro de grande porte já montado no Brasil.
Para reabrir a sala, interditada há cinco meses após um ataque de cupins, o museu armou uma campanha de financiamento coletivo na internet, no ar até 4 de junho (benfeitoria.com/maxakalisaurus), que arrecadou R$ 40 mil até agora (a meta é de R$ 50 mil).
A reabertura, no entanto, não deve acontecer até a data do aniversário. É apenas um dos muitos projetos pensados para a efeméride que não se concretizarão.
Menos de 1% do acervo —que tem cerca de 20 milhões de objetos— está exposto. Entre os principais itens, o meteorito do Bendegó, o maior já encontrado no país, e a coleção de múmias egípcias, a primeira das Américas.
"O maior acervo é este prédio, um palácio de 200 anos em que morou d. João 6º, d. Pedro 1º, onde foi assinada a Independência", diz Kellner. "A princesa Isabel brincava aqui, no jardim das princesas, que não está aberto ao público porque não tenho condições."
A decadência física do prédio que abriga o museu desde 1892 é visível para os visitantes, que pagam R$ 8 pelo ingresso inteiro. Muitas de suas paredes estão descascadas, há fios elétricos expostos e má conservação generalizada.
O anacronismo das exposições, que não usam nenhum recurso tecnológico, também é evidente —e reconhecido pelo diretor.
"Não dá para ser um museu de cem anos atrás. A área expositiva tem de se adaptar, e a nossa está longe do que se espera de um museu de grande qualidade. Hoje tem de ter interatividade ou não alcança público nenhum." Seu modelo, diz, é o Museu de História Natural de Nova York, onde fez doutorado em paleontologia.
O ambiente pouco convidativo ajuda a explicar a queda de público desde 2013, que atingiu seu piso em 2016 (menos de 118 mil visitantes). Naquele ano, a UFRJ ficou sem dinheiro para pagar os terceirizados, o que levou ao fechamento temporário do museu.
"Até hoje as pessoas pensam que ele está fechado", diz seu diretor. O encerramento das atividades do zoológico, vizinho na Quinta da Boa Vista, e a inauguração do Museu do Amanhã completam a explicação para a queda de visitantes.
CONTRATO COM BNDES GARANTIRÁ R$ 21,7 MI PARA RESTAURAÇÃO
A falta de verba para fazer uma celebração à altura dos 200 anos —haverá uma pequena festa no dia do aniversário, além da abertura de uma nova exposição, sobre corais— faz com que a direção do Museu Nacional trate o 6 de junho como o início de um ano de comemorações.
Ao longo dele, espera avançar na reforma de ao menos parte do prédio. Um primeiro passo nesse sentido deve ser dado na própria data do aniversário, quando a instituição celebra com o BNDES um contrato de R$ 21,7 milhões para investir em sua restauração.
Há outra negociação milionária encaminhada para bancar uma grande exposição e a expectativa de que cinco das principais salas sejam reabertas até 2019.
Como qualquer prédio histórico tombado, o palácio não demanda simples reforma, mas restauração —muito mais custosa e demorada.
Alexander Kellner diz serem necessários R$ 300 milhões, investidos ao longo de pelo menos uma década, para executar o Plano Diretor do museu.
Ele prevê a transferência da parte administrativa para prédios que seriam construídos em uma área vizinha, do governo federal, deixando o palácio livre para as mostras.
Para conseguir a doação do terreno, o diretor diz que vem tentando audiência com a Presidência da República, mas que não passou "do cara do cafezinho".
O último presidente a visitar o museu foi Juscelino Kubitschek (1956-1961), lembra ele. "O Brasil não sabe da grandeza, da riqueza disso aqui. Se soubesse, não deixaria chegar neste estado."
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Artigo de Marco Aurélio Canônico para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 30/05/18.

Pintura e Mantegna é reencontrada em Bergamo, na Itália

Considerada uma cópia, pintura do mestre renascentista Andrea Mantegna é encontrada depois de um século armazenada na Itália. A pintura foi descoberta por um curador na Accademia Carrara, em Bergamo, Itália. Texto de Henri Neuendorf para o portal de notícas Artnet (www.artnet.com) e editado em 23/05/18. +

Uma pintura do século XV que foi descrita como cópia e armazenada por quase um século em Bergamo, na Itália, foi atribuída agora ao mestre renascentista Andrea Mantegna. A sensacional confirmação foi feita na Accademia Carrara, em Bergamo, na Itália, e confirmada pelo principal especialista em Mantegna do mundo, Keith Christiansen, do Metropolitan Museum of Art de Nova York.

A ressurreição de Cristo (1492-93) foi descoberta no depósito do museu pelo curador de Carrara, Giovanni Valagussa, que se deparou com a pintura enquanto trabalhava em um catálogo das propriedades do museu. Na década de 1930, a pintura foi descartada pelo historiador de arte Bernard Berenson como uma cópia de uma pintura perdida de Mantegna. Ela vinha definhando no depósito desde então. Mas Valagussa ficou imediatamente impressionado com a qualidade do trabalho.

Falando à Artnet News, Christiansen disse que uma observação importante do curador levou a descoberta. Valagussa avistou a ponta de uma cruz de ouro na parte inferior da composição, aparentemente flutuando no espaço.

“Giovanni notou que pintado de ouro é um pequeno estandarte, o mesmo estandarte que Cristo está segurando quando sai do túmulo", explicou ele. A faixa estava presa a um poste cortado, o que indicava que a pintura havia sido dividida em pedaços - uma prática comum na época da Renascença.
A mente de Valagussa imediatamente se voltou para a “Descida de Crist ao Limbo”, de de Mantegna, na qual Cristo é mostrado segurando um poste sem um estandarte. “Colocamos as duas imagens juntas e o bingo! As pedras combinam, a pequena bandeira se une, mistério resolvido ”, disse Christiansen.

A hipótese de Vallagusa foi apoiada ainda mais por uma análise da parte traseira da pintura, que apresentava uma estreita viga de madeira presa ao painel para estabilizar e evitar o empenamento. De acordo com o “Wall Street Journal”, feixes como esse eram tipicamente presos às bordas superiores e inferiores de uma pintura em lugares onde o painel é mais suscetível a deformações. Mas esta estava no meio, sugerindo que deveria ter sido a parte superior ou inferior de uma composição maior.

De acordo com Christiansen, os artistas da Renascença frequentemente cortavam quadros “por razões práticas, geralmente para encaixar os esquemas decorativos de uma coleção”. Neste caso, ele acrescentou: “O nome de Mantenga era tão prestigioso que em vez de jogar fora a pequena parte superior, ela foi salva. A metade inferior da pintura dividida, que pertence a um colecionador particular, foi comprada na Sotheby's, em Nova York, em 2003, por US$ 28,5 milhões.

Valagussa contatou Christiansen para uma segunda opinião depois de redescobrir a pintura. Como um dos principais especialistas no artista, Christiansen conseguiu confirmar a teoria do curador. "Meus colegas em Bergamo me enviaram generosamente imagens para ver se eu estava de acordo com o que eles pensavam, e com as evidências que eles reuniram, eu não vi nenhuma objeção que pudesse ser feita", disse ele.
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Texto de Henri Neuendorf para o portal de notícas Artnet (www.artnet.com) e editado em 23/05/18.

O problema do MAM não é o Pollock

Vender ou não vender a obra do artista Jackson Pollock é o menor dos problemas do Museu de Arte Moderna (MAM). Mas é aquele que veio à tona. Veio à tona como uma boia de salvação destinada a premiar a incompetência. A nítida incompetência da atual administração da instituição. Matéria de Luiz Zerbini publicada originalmente no jornal "O Globo" (oglobo.com), em 30/05/18. +

Vender ou não vender a obra do artista Jackson Pollock é o menor dos problemas do Museu de Arte Moderna (MAM). Mas é aquele que veio à tona. Veio à tona como uma boia de salvação destinada a premiar a incompetência. A nítida incompetência da atual administração da instituição.

Este parágrafo acima tem, de fato, um caráter subjetivo: pode-se concordar ou não. No entanto, o que segue são fatos concretos. Quem acessa a internet e procura o estatuto do MAM encontra... o do MAM de São Paulo. O do Rio não é dado a conhecer. Conseguimos lê-lo por demanda escrita ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Portanto, não há transparência no que se faz na instituição carioca.

Dois fatos: em tempos de eleição, pode-se imaginar que o atual presidente do MAM é eleito por apenas duas pessoas? Sim, os dois que integram, com ele, o “Conselho Administrativo”. Mais: o atual administrador vem de forma sistemática modificando o estatuto, a ponto de estabelecer que o presidente pode ser eleito “com prazo de gestão de três anos, admitindo a recondução, sem limite de mandatos”. Sem limite... pode?

Outro fato: há poucos anos, num almoço no MAM, os colecionadores João Sattamini e Gilberto Chateaubriand selaram a formação de um acervo único, o maior de arte do século XX no país. O MAC de Niterói não ficaria desassistido, mas todas as obras estariam reunidas no MAM. Perfeito! O que ocorreu depois? Já ao sair do almoço, o atual presidente disse que ia impedir isto. Impediu. Por quê? Da mesma forma, o Clube da Gravura do MAM — que gerava mais de R$ 1 milhão/ ano para a instituição — foi desativado. Por quê?

Mais fatos visíveis: percorrer o prédio do MAM hoje, por dentro e por fora, é encontrar um elenco interminável de instalações maltratadas, sujas, paredes pichadas, vidros quebrados. Falta o mais comezinho cuidado, carinho mesmo em relação ao prédio por parte de quem o administra. Ao invés de olhar para si mesmo, o atual presidente da instituição passou a olhar, de forma obtusa, para os mais de 250 artistas, críticos, curadores e profissionais da arte que assinaram o Manifesto PróMAM, a ponto de ter declarado à imprensa que, no tocante à venda do Pollock, “a gente tem de perder esta mania no Brasil de ser contra o capitalismo... não é possível passar 90% do tempo buscando recurso”.

É possível, sim. Ninguém da classe artística pode ser contra a geração de recursos para um museu amado por todos e extenuado por exposições que se prolongam e um estafe reduzido. O dirigente de uma instituição do porte do MAM tem de passar o tempo todo zelando pelo patrimônio, buscando recursos, querendo um museu forte, capitalizado e bem gerido. Nada disso ocorre.

O MAM foi criado, construído e mantido, em sua maior parte, com recursos públicos. Seu acervo permanente, no qual se inclui o Pollock, foi constituído para ter uma destinação pública. Culpar o país e os outros — incluindo aí a classe artística – não soluciona a situação. Vender o patrimônio, muito menos.

Luiz Zerbini é integrante do Grupo Pró-MAM, do qual fazem parte ainda Paulo Sérgio Duarte, Raul Mourão, Álvaro Piquet, Marcio Fainziliber, Leonel Kaz e Luiza Mello.
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Matéria de Luiz Zerbini publicada originalmente no jornal "O Globo" (oglobo.com), em 30/05/18.