destaques
conteúdo
publicidade
notícias

Homem cai dentro de instalação de Anish Kapoor em Portugal

Felizmente, o “buraco” apresentado na obra “Descent Into Limbo “ tem apenas cerca de dois metros e meio de profundidade. Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 20/8/2018. +

O fascínio de Anish Kapoor pelo vazio o levou a criar alguns de seus trabalhos mais conhecidos. Agora, isso também fez com que alguém caísse em um poço de pouco mais de dois metros. Na semana passada, um italiano de 60 anos caiu num buraco que fazia parte da instalação do artista “Descent Into Limbo”, na Fundação de Serralves, Museu de Arte Contemporânea do Porto, em Portugal.
O homem foi hospitalizado após o incidente, ocorrido em 13/8/2018, de acordo com o jornal local “Público”. O trabalho está à vista como parte da mostra “Anish Kapoor: Obras, Reflexões, Experimentos”, sua primeira retrospectiva em um museu português, onde o texto do mural observa que “a escultura é uma expressão dos interesses de Kapoor no jogo formal e metafórico entre luz e escuridão, dentro e fora, o contido e o infinito, que sustenta sua obra escultural ”.
“Aconteceu um acidente”, disse Fernando Rodrigues Pereira, assessor de imprensa do museu, à e-mail Artnet News. “Agora esta instalação está temporariamente fechada.” A exposição mostrava sinais de alerta e um membro da equipe cuidava da sala quando o homem caiu, de acordo com os protocolos de segurança estabelecidos. “O visitante já saiu do hospital e está se recuperando bem”, acrescentou Pereira.
Os visitantes entram na instalação através de uma pequena porta que leva a uma sala de concreto e estuque. No centro do chão há um buraco circular, os lados pintados de preto, de modo que, à primeira vista, parece sólido, escondendo suas verdadeiras profundidades. Kapoor projetou “Descent Into Limbo” para parecer um abismo sem fim no espaço; olhar para baixo é uma experiência vertiginosa. Um representante do museu disse ao “Art Newspaper” na sexta-feira que há planos para reabrir a instalação "em poucos dias".
No site do artista, o trabalho, criado pela primeira vez para a mostra Documenta IX em 1992, é descrito como um “edifício em cubos com um buraco escuro no chão. Este é um espaço cheio de escuridão, não um buraco no chão. ”A peça leva o nome de uma pintura do pintor renascentista italiano Andrea Mantegna.
#
Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 20/8/2018.
#
“Anish Kapoor: Obras, Reflexões, Experimentos”, está em exposição no Museu de Serralves: r. D. João de Castro, 210, 4150-417, Porto, Portugal, até 6/1/2019.

Dupla explosão no Museu Nacional: negligência, depois chamas

Nos últimos anos, governos estaduais e municipais no Brasil não conseguiram pagar policiais e médicos a tempo. Bibliotecas públicas e outros centros culturais fecharam. As fileiras de desempregados e desabrigados aumentaram. Artigo de Manuela Andreoni, Ernesto Londoño e Lis Moriconi para o “New York Times” editrado em 3/9/2018. https://www.nytimes.com/2018/09/03/world/americas/brazil-museum-fire.html?action=click&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage +

RIO DE JANEIRO - O imponente Museu Nacional, que já abrigou a família real portuguesa no Brasil, ainda estava queimando ao nascer do sol na segunda-feira, quando dezenas de pesquisadores, funcionários de museus e antropólogos começaram a se reunir do lado de fora, vestidos de preto.
Alguns soluçaram quando começaram a avaliar as perdas insubstituíveis: milhares, talvez milhões, de artefatos significativos foram reduzidos a cinzas na noite de domingo em um incêndio devastador. O salão que abrigava um esqueleto de 12 mil anos conhecido como Luzia, o mais antigo restos humanos descobertos nas Américas, foi destruído.
Centenas de moradores se juntaram a eles sob um céu nublado que combinava com o clima nacional. Eles vieram não apenas para lamentar, mas também para protestar contra o quase abandono dos museus no Brasil e também de outros serviços públicos básicos. Muitos viram o fogo como um símbolo para uma cidade e uma nação em perigo.
“É um momento de dor intensa”, disse Maurilio Oliveira, que trabalhou como paleoartista no Museu Nacional do Brasil por 19 anos, em frente ao prédio devastado. “Só podemos esperar recuperar nossa história das cinzas. Agora choramos e começamos a trabalhar”.
Apenas alguns anos atrás, o Rio de Janeiro parecia estar à beira de uma era de ouro. Enquanto se preparava para as Olimpíadas de 2016, a cidade passou por uma transformação multibilionária. Os preços dos imóveis dispararam, o sistema de transporte público foi renovado e os guindastes se elevaram em grande parte da cidade.
Era para ser o momento brilhante do Brasil no cenário mundial. Em vez disso, um vasto escândalo de corrupção que atingiu inúmeras figuras nacionais, combinado com uma recessão devastadora, desencadeou um período de instabilidade política. Logo, esses sonhos pareciam pouco mais que uma miragem.
Nos últimos anos, governos estaduais e municipais no Brasil não conseguiram pagar policiais e médicos a tempo. Bibliotecas públicas e outros centros culturais fecharam. As fileiras de desempregados e desabrigados aumentaram.
Talvez nenhuma outra parte do Brasil tenha sentido a chicotada tão intensamente quanto o Rio de Janeiro. No início deste ano, quando a violência mortal aumentou, o governador deu um passo sem precedentes pedindo ao governo federal para colocar os militares encarregados da segurança pública.
#
Artigo de Manuela Andreoni, Ernesto Londoño e Lis Moriconi para o “New York Times” editrado em 3/9/2018. https://www.nytimes.com/2018/09/03/world/americas/brazil-museum-fire.html?action=click&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage

Double Blow to Brazil Museum: Neglect, Then Flames

The stately national museum, once home to Brazil’s royal family, was still smoldering at sunrise on Monday when scores of researchers, museum workers and anthropologists began gathering outside, dressed in black. Some sobbed as they began taking stock of the irreplaceable losses: Thousands, perhaps millions, of significant artifacts had been reduced to ashes Sunday night in a devastating fire. The hall that held a 12,000-year-old skeleton known as Luzia, the oldest human remains discovered in the Americas, was destroyed. Article by Manuela Andreoni, Ernesto Londoño and Lis Moriconi edited at Sept. 3, 2018 on “New York Times”. https://www.nytimes.com/2018/09/03/world/americas/brazil-museum-fire.html?action=click&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage +

RIO DE JANEIRO — The stately national museum, once home to Brazil’s royal family, was still smoldering at sunrise on Monday when scores of researchers, museum workers and anthropologists began gathering outside, dressed in black.
Some sobbed as they began taking stock of the irreplaceable losses: Thousands, perhaps millions, of significant artifacts had been reduced to ashes Sunday night in a devastating fire. The hall that held a 12,000-year-old skeleton known as Luzia, the oldest human remains discovered in the Americas, was destroyed.
Hundreds of residents joined them beneath an overcast sky that matched the national mood. They had come not only to mourn but also to protest Brazil’s near-abandonment of museums and other basic public services. Many saw the fire as a symbol for a city, and nation, in distress.
“It’s a moment of intense pain,” Maurilio Oliveira, who has worked as a paleoartist at the National Museum of Brazil for 19 years, said as he stood in front of the ravaged building. “We can only hope to recover our history from the ashes. Now, we cry and get to work.”
ADVERTISEMENT
Just a few years ago, Rio de Janeiro appeared to be on the cusp of a golden era. As it prepared for the 2016 Olympics, the city underwent a multibillion-dollar transformation. Real estate prices soared, the public transit system was revamped and cranes towered over much of the city.
It was supposed to be Brazil’s shining moment on the world stage. Instead, a vast corruption scandal that has tarred countless national figures, combined with a devastating recession, set in motion a period of political instability. Soon, those dreams seemed little more than a mirage.
In recent years, state and city governments in Brazil have failed to pay police officers and doctors on time. Public libraries and other cultural centers have shut down. The ranks of the unemployed and homeless have swelled.
Perhaps no other part of Brazil has felt the whiplash quite as intensely as Rio de Janeiro. Early this year, as deadly violence soared, its governor took the unprecedented step of asking the federal government to put the military in charge of public safety.
#
Article by Manuela Andreoni, Ernesto Londoño and Lis Moriconi edited at
Sept. 3, 2018 on “New York Times”. https://www.nytimes.com/2018/09/03/world/americas/brazil-museum-fire.html?action=click&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage

Galeria de Nova York cancela mostra de suposto neo-nazista

Amy Greenspon, dona da galeria Greenspon, no West Village de Nova York, cancelou mostra de dois artistas depois que um e-mail anunciando a exposição provocou um clamor público. De acordo com a galerista, várias pessoas ficaram alarmados com o fato de a exposição apresentar obras do artista e músico experimental Boyd Rice, que tem a reputação de ser simpatizante nazista e fascista, e também fama notória por colaborar com supremacistas brancos e por advogar pela subjugação das mulheres. A mostra também incluiria uma série de trabalhos da artista de Nova York Darja Bajagić. Artigo editado no site da revista de artes Artforum (https://www.artforum.com/news/after-backlash-greenspon-gallery-scraps-show-by-alleged-neo-nazi-boyd-rice-76547). +

Depois que várias pessoas pediram que Amy Greenspon reconsiderasse a montagem de sua primeira mostra da temporada, ela decidiu abortá-lo. Greenspon disse à “Artforum.com” que não esperava uma “reação tão intensa” e que a ideia de apresentar os dois artistas foi sugerida por um curador.
Ela também observou que a controvérsia foi centrada em torno da persona de Rice e não dos trabalhos a serem exibidos. Greenspon disse que a exposição incluiria obras abstratas em preto e branco de Rice e trabalhos em grande escala sobre tela de Bajagić, mas não sabia quantas peças seriam apresentadas no total, pois a mostra foi abandonado antes de qualquer coisa ser instalada.
Em um comunicado divulgado na quarta-feira, 5/9/18, ela escreveu: “À luz do anúncio deste programa, foi trazido à minha atenção o impacto incendiário do trabalho de [Rice]. Aprendi mais sobre o trabalho e o passado do artista e concluo que não me sinto à vontade para apoiar seu projeto no momento... Dadas as questões levantadas por esta mostra e esses artistas, tentaremos usar este episódio para considerar os vários significados e histórias de provocação e discordância na arte. À medida que contextos, fronteiras e realidades políticas continuam a se transformar, também os códigos do que pode e não pode ser aceito”.
O crescente movimento contra a exposição começou com uma série de postagens em uma plataforma chamada Invisible Dole. A corrente de e-mails veio com a linha de assunto: "ATENÇÃO: neonazista mostrando em NYC" e incluiu artistas e revendedores postando links para vídeos de apresentação do Rice, que o YouTube listou o conteúdo de “inadequado ou ofensivo” para algumas audiências.
Embora Greenspon tenha dito que lamenta seu erro ao planejar a exposição e agradeceu à comunidade de arte local “que aumentou a conscientização sobre esse artista”, Rice tem sido uma figura polêmica e polarizadora por muitos anos. Ele foi fotografado com o líder da American Front, Bob Heick, para a revista adolescente de curta duração “Sassyin”, em 1981, e compareceu ao programa de televisão Tom Metzger, do líder da Resistência Ariana, Race and Reasonaround, ao mesmo tempo. Ele também ganhou as manchetes quando começou a abrir os shows do grupo Cold Cave e os locais em todo o país começaram a cancelar seus shows em 2013.
Em uma entrevista ao “Artnews”, Rice negou que ele fosse um neonazista e disse: "as pessoas que dizem essas coisas realmente não sabem sobre mim e não estão familiarizadas com as coisas que eu fiz". Apesar de alegar que ele é mal compreendido, ele também chamou a situação de “win win" por causa de toda a publicidade que ele ganhar com o cancelamento da mostra.
#
Artigo editado no site da revista de artes Artforum

Efeitos do AI-5 na arte nacional

A ideia para a exposição veio de debates realizados pelo instituto no ano passado, quando o tema da ditadura surgiu entre os convidados. “Decidimos que precisávamos falar de AI-5. Quisemos garantir uma lembrança forte”, afirma o curador Paulo Miyada. A ideia para a exposição veio de debates realizados pelo instituto no ano passado, quando o tema da ditadura surgiu entre os convidados. “Decidimos que precisávamos falar de AI-5. Quisemos garantir uma lembrança forte”, afirma Paulo. Artigo de Pedro Rocha para o jornal “O Estado de S. Paulo” editado em 12/9/2018. +

“Quem começou a fazer arte a partir de 1964 teve apenas duas opções”, diz Cildo Meireles. “Ou ia fazer um trabalho ligado à realidade com uma visão crítica dela, correndo o risco de ser tachado de subversivo, ou então aceitava as regras impostas.” O depoimento do artista é para um vídeo presente na exposição AI-5 50 Anos – Ainda Não Terminou de Acabar, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake. A mostra tem como objetivo resgatar obras e apresentar os efeitos, na arte, dos acontecimentos políticos do período de ditadura no Brasil.
O foco principal é a área de visuais, sem deixar outras manifestações culturais de fora. “A censura no teatro, na música e no cinema teve uma história mais midiática e com maior alcance popular”, explica o curador do Tomie, Paulo Miyada. “Isso não significa que a censura nas artes visuais não aconteceu ou não foi grave. Invertemos a hierarquia.”
A ideia para a exposição veio de debates realizados pelo instituto no ano passado, quando o tema da ditadura surgiu entre os convidados. “Decidimos que precisávamos falar de AI-5. Quisemos garantir uma lembrança forte”, afirma Paulo. A mostra se junta aos núcleos da exposição Histórias Afro-Atlânticas, em parceria com o Masp, que estão no Tomie, que falam justamente sobre resistência. “O instituto não está muito leve, mas foi uma escolha. Temos de abrir o campo da arte como um lugar de reflexão histórica.”
Inicialmente, a ideia de Miyada era pesquisar obras que não aconteceram, foram destruídas ou que tiveram sua circulação impedida pela censura militar. “A parte histórica se avolumou e exigiu uma abrangência. É quase como uma dívida.” Para dar conta de um tema tão vasto, o curador decidiu dividir a exposição em seis núcleos, que se relacionam com a violência do decreto do Ato Institucional Número 5, decretado em 1968.
O primeiro núcleo trabalha a ideia de opinião no período entre 64 e 68; o segundo traz as consequências imediatas do AI-5 até o anos 1970; o terceiro traz a chamada “geração de guerrilha”, com obras de artistas como Antonio Manuel e Artur Barrio; o quarto traz a produção “marginal” experimental; o quinto tem críticas ao desenvolvimentismo do ideal de país promovido pela ditadura; e o sexto questiona a redemocratização na década de 1980.
Para artistas da época, que são lembrados na mostra, a retrospectiva histórica é fundamental. “Só a arte resiste à morte e à tragédia”, diz Anna Maria Maiolino. “A exposição é importantíssima porque vem recordar aqueles momentos e também, de certa maneira, exorciza, através das metáforas da arte e com documentações, aqueles tempos difíceis.”
O artista Carlos Zílio tem na exposição uma série de desenhos que fez ao ser preso na década de 1960. “Não têm apenas uma dimensão pessoal”, ele afirma. “São desenhos feitos no cotidiano do isolamento. Tem um testemunho do período.” Para Zílio, a mostra consegue expor uma vivência de época. “Muita gente não viveu e não sabe do obscurantismo, da repressão e do aspecto de regressão na construção da democracia.”
Segundo Paulo Miyada, a exposição surgiu de uma preocupação com o que ele define como “nostalgia do autoritarismo”. Por conta do tema sensível, o instituto não teve patrocínio de empresas para a mostra. A produção do catálogo será viabilizada a partir de doações de pessoas físicas.
#
Artigo de Pedro Rocha para o jornal “O Estado de S. Paulo” editado em 12/9/2018.

Mostra traz casos atuais e produção coletiva inédita

Para contextualizar a mostra, o curador traz um depoimento da dramaturga britânica Jo Clifford sobre o caso de censura da montagem da sua peça “O Evangelho de Jesus, Rainha do Céu”, que traz o Messias reencarnado como uma transexual, no ano passado, em São Paulo. Em comparação, Miyada cita o caso de uma obra de Décio Bar, de 1965, que foi censurada pela ditadura e que também é resgatada na exposição. “Não havia nenhuma crítica aos militares, mas havia uma sensualidade. Foi uma censura moral.”. Artigo de Pedro Rocha para o jornal “O Estado de S. paulo” editado em 12/9/2018 +

O fato de a exposição AI-5 50 Anos – Ainda Não Terminou de Acabar ser realizada agora não é uma tentativa de traçar um paralelo direto entre 1968 e 2018, segundo o curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada. “A história não funciona por reproduções idênticas, mas o que acontece é o custo de tudo o que houve com o AI-5.”
Para contextualizar a mostra, o curador traz um depoimento da dramaturga britânica Jo Clifford sobre o caso de censura da montagem da sua peça “O Evangelho de Jesus, Rainha do Céu”, que traz o Messias reencarnado como uma transexual, no ano passado, em São Paulo. Em comparação, Miyada cita o caso de uma obra de Décio Bar, de 1965, que foi censurada pela ditadura e que também é resgatada na exposição. “Não havia nenhuma crítica aos militares, mas havia uma sensualidade. Foi uma censura moral.”
Como parte da exposição, foi comissionada uma obra coletiva de um grupo de artistas jovens, com nomes como Ana Prata e Bruno Dunley. “Os artistas não são necessariamente amigos ou compartilham as mesmas premissas estéticas, assim como a geração de 64”, explica Paulo. “Eles não tinham o discurso político como primeira linguagem, mas acharam importante trabalhar juntos e trocar ideias sobre o momento.”
Além de todas as obras, AI-5 50 Anos traz ainda textos e documentos recentes que fazem alusão aos efeitos da ditadura, assinados por nomes como o crítico Mario Pedrosa e a historiadora Aracy Amaral.
A história do presidente do Instituto Tomie Ohtake, Ricardo Ohtake, também é lembrada. “Há pouco tempo, ele descobriu que foi impedido de voltar à Universidade de São Paulo como professor porque havia cartas dos reitores, indicados pela ditadura, que proibiam sua contratação, por ele ter sido acusado de ser subversivo”, explica ainda Miyada.
“As pessoas acham que a história não é importante”, diz Ricardo. “Eu vivi esse período e sei que foi difícil. Conheci vários artistas que viveram e foram perseguidos.”
#
Artigo de Pedro Rocha para o jornal “O Estado de S. paulo” editado em 12/9/2018.

Louvre oferece ajuda para recuperar patrimônio atingido por incêndio

O diretor do Louvre colocou à disposição do governo brasileiro especialistas que podem ajudar na recuperação de peças e do prédio do museu. Martinez solicitou informações sobre qual é a atual situação do acervo atingido pelo incêndio. Ele aceitou o convite para visitar o Rio e o Museu Nacional. O governo tenta viabilizar a agenda para outubro ou novembro. Artigo de Bela Megale para o jornal “O Globo” editado em 12/09/18. +

A direção do Museu do Louvre ofereceu ajuda na recuperação do Museu Nacional, destruído por um incêndio no último dia 2. O anúncio foi feito durante uma audiência que o ministro da Educação, Rossieli Soares Silva, teve com o diretor-presidente da instituição francesa, Jean-Luc Martinez, na última segunda-feira, em Paris. O encontro foi intermediado pela Unesco, braço da ONU dedicado à educação, à ciência e à cultura.
O diretor do Louvre colocou à disposição do governo brasileiro especialistas que podem ajudar na recuperação de peças e do prédio do museu. Martinez solicitou informações sobre qual é a atual situação do acervo atingido pelo incêndio. Ele aceitou o convite para visitar o Rio e o Museu Nacional. O governo tenta viabilizar a agenda para outubro ou novembro.
Na conversa em Paris, o diretor-presidente do Louvre citou o caso do Museu Nacional de Varsóvia, que foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial e obteve a cooperação do Louvre, que emprestou peças do seu acervo para ajudar na sua reconstrução.
Questionado sobre as condições do acervo, Rossieli informou que ainda não é possível dimensionar os estragos causados, mas disse que uma missão da Unesco especializada em recuperação de patrimônio histórico e cultural estará no Rio para analisar as peças.
#
Artigo de Bela Megale para o jornal “O Globo” editado em 12/09/18.

Mostra "Queermuseu" só é transgressora para conservadores

O espaço ocupado pela exposição a faz parecer um gabinete de curiosidades; há um pouco de tudo, mas bem pouco do que se podia esperar de uma curadoria preocupada em enfatizar o queer naquilo que tem de singular e desviante. Artigo de Laura Weber para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 12/09/2018. +

De uma exposição intitulada “Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” espera-se sair com alguma ideia, ainda que provisória, do que vem a ser arte queer. Mas não é o que acontece na mostra, que deixará o público confuso sobre o que é o queer em suas articulações artísticas.
O espaço ocupado pela exposição a faz parecer um gabinete de curiosidades; há um pouco de tudo, mas bem pouco do que se podia esperar de uma curadoria preocupada em enfatizar o queer naquilo que tem de singular e desviante.
Não é novidade que as exposições se transformaram em eventos com maior ou menor grau de influência sobre o imaginário da sociedade. A expressão “arte contemporânea” não define apenas uma relação com o presente, mas também um modo de se mostrar aos contemporâneos.
A exposição, organizada por Gaudêncio Fidelis, ganhou repercussão por ter sido diretamente atravessada pela fobia das imagens que caracteriza a crise contemporânea dos modos de ver e de se relacionar com o artístico. A atmosfera emocional desencadeada pela censura da mostra em Porto Alegre tornou-se parte da experiência de visitá-la agora no Rio de Janeiro.
Decerto a interdição já não pode ser descolada das expectativas que a “Queermuseu” cria, nem pode ser negligenciada em meio ao conservadorismo que visa impedir a discussão sobre gênero e sexualidade. Por isso, é importante aplaudir o esforço coletivo de realizar a mostra no Rio.
Apesar da promessa de choque pelo contato com imagens escandalosas, as figuras de sexualidade ambígua e desviante são a parte mais tímida do “Queermuseu”, que reúne 264 obras de 82 artistas brasileiros, incluindo Volpi, Portinari, Lygia Clark, Leonilson, Pedro Américo e Adriana Varejão.
A curadoria desperdiça uma grande oportunidade de propor, a um público amplo, uma cartografia do queer mais coerente, generosa e engajada.
No texto de apresentação, Fidelis propõe o uso do queer como metáfora e denuncia a primazia do olhar sobre os demais sentidos na arte ocidental. Mas o recorte do “Queermuseu” —incluindo trabalhos geométricos e experiências cromáticas que serviriam de metáfora ou analogia do queer, mas cuja referência a ele é difícil de compreender— não se alinha a essa crítica.
O rastreamento histórico do queer no contexto brasileiro, realizado de maneira pouco clara e cuidadosa, acaba por produzir uma exposição incompreensível inclusive do ponto de vista histórico.
O “Queermuseu” é sintomático de um problema atual. Ele só é transgressor para conservadores que não se interessam pela arte contemporânea, mas não o é segundo os critérios artísticos vigentes.
A censura fez o público ter a crença ilusória de que tudo o que é censurado é transgressor. Não é o caso da exposição. Quase nada do que é mostrado é capaz de desestabilizar o olhar e as convicções do espectador acostumado a bienais e galerias de arte.
É interessante que a curadoria explore a “queerness” em obras ou artistas anteriores à invenção do conceito, mas, se Jesus Cristo for um queer avant la lettre, isso está muito mais visível em Leonardo da Vinci do que nas imagens de Cristo expostas.
A exposição resulta, por um lado, na diluição da própria noção de queer sob aquela mais vaga de “diferença”; por outro lado, na normalização e canonização via inclusão forçada de grandes nomes da arte brasileira que pouco ou nada acrescentam ao conceito. O resultado é infelizmente o de uma exposição ilustrativa e não muito generosa com o espectador desavisado, e pouco enriquecedora para o iniciado.
#
Artigo de Laura Weber para o jornal “Folha de S. Paulo” editado em 12/09/2018.

Desembargador mantém tarifa especial para museu

A tarifa será cobrada em função do peso das obras de arte, como acontecia até março deste ano, e não pelo valor da obra, como pretende a Aeroportos Brasil – Viracopos S.A. Para o relator, a tarifa especial se justifica “pelo viés cívico-cultural da exposição, que não tem necessariamente o conteúdo de ‘patriotismo’. Artigo de Luiz Vassallo para o jornal “O Estado de S. Paulo” editada em 14/9/2018. +

O desembargador Johonsom Di Salvo, da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3), reconsiderou decisão anterior e determinou que a Pinacoteca continue a pagar, ao aeroporto de Viracopos, tarifa especial para o armazenamento das obras de arte da mostra Mulheres Radicais. A decisão, anunciada oficialmente na segunda, 10, foi dada em agravo de instrumento interposto pela concessionária do aeroporto contra liminar da 4.ª Vara Cível da Justiça Federal de Campinas, concedida em mandado de segurança impetrado pela associação que administra o museu.
A tarifa será cobrada em função do peso das obras de arte, como acontecia até março deste ano, e não pelo valor da obra, como pretende a Aeroportos Brasil – Viracopos S.A. Para o relator, a tarifa especial se justifica “pelo viés cívico-cultural da exposição, que não tem necessariamente o conteúdo de ‘patriotismo’”.
Di Salvo explicou que as concessionárias aeroportuárias têm pretendido cobrar uma tarifa proporcional ao valor das obras de arte, que pode alcançar centenas de milhões de dólares, bastando que venha ao Brasil, por empréstimo ou cessão, alguma obra-prima. “Essa alteração acabaria por inviabilizar eventos de arte, prejudicando a difusão da cultura e do conhecimento, esse sim, um evento cívico-patriótico.”
O caso discutido no processo refere-se a uma exposição que pretende mostrar ao público brasileiro a produção, realizada entre 1960 e 1985, de mulheres residentes em países da América Latina. “É fonte de conhecimento; portanto, tem, ao contrário do que pensei antes, caráter cívico”, concluiu o desembargador.
Di Salvo ressaltou que a cobrança de ingressos ao preço máximo de R$ 6 não é significativa, tendo caráter quase que simbólico porque ‘não cobre’ os custos da exposição, que depende de vários patrocinadores e conta com recursos da Lei Rouanet. “Realmente, R$ 6 é menos do que se cobra por um cafezinho em qualquer das cafeterias situadas nesta Avenida Paulista”, destacou.
Em nota, a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos S.A. afirma que o termo ‘cívico-cultural’ diz respeito à construção da cidadania e a relação da sociedade com os bens comuns. “Como pode haver uma cultura de participação se os próprios eventos segregam a população, pois a entrada da maioria das exposições não é gratuita?”, questiona.
#
Artigo de Luiz Vassallo para o jornal “O Estado de S. Paulo” editada em 14/9/2018.

Bienal de SP sofre com as escolhas convencionais de artistas coautores

Visitando a mostra fica evidente que a maioria dos artistas convidados parece ter se despido da condição de artista comprometido com a disrupção para assumir o que de mais protocolar pode haver numa ação de curadoria. Artigo de Tadeu Chiarelli para o jornal "Folha de S. paulo" editado em 11/09/18. +

Antes da abertura da 33ª Bienal de São Paulo, comentava-se que seu curador, o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, instalara ali o neoliberalismo —em vez de assumir a responsabilidade pela proposta e pela escolha dos artistas, preferiu transferir parte de sua responsabilidade para sete artistas, convidando-os a dividir com ele o encargo.
Não penso que tal opção tenha lhe ocorrido para atenuar sua tarefa de curador. Creio em suas palavras, quando disse querer romper com o autoritarismo inerente a seu cargo.
Discutível em sua suposta motivação democrática, o fato é que a proposta abre um bom precedente para grandes mostras. Pôr sete artistas como coautores parece um sopro de rejuvenescimento nessa estrutura. Dividir as rédeas com artistas é apontar para o fato de que esses profissionais, menos acostumados às vicissitudes do cargo de curador, podem trazer algo novo.
Isso teria acontecido se não fosse um “acidente de percurso”. Visitando a mostra fica evidente que a maioria dos artistas convidados parece ter se despido da condição de artista comprometido com a disrupção para assumir o que de mais protocolar pode haver numa ação de curadoria.
De início se perdeu a oportunidade de tentar uma conexão entre os sete artistas convidados. Como a conexão não ocorreu, o resultado é uma edição com mostras independentes, sem pontos de contato, o que é para se lastimar.
Felizmente, essa característica não impede que o público encontre obras de artistas de interesse e que participam da mostra porque foram pinçados pelos sete profissionais convidados por Pérez-Barreiro (ele também chamou 12 artistas para mostras individuais dentro desta edição).
Vejamos o caso da exposição concebida pelo espanhol Antonio Ballester Moreno. Só por alguns dos artistas por ele apresentados —Alberto Sanchez, Benjamín Palencia e Friedrich Fröbel— já valeria uma visita à Bienal, pois dificilmente seriam vistos no Brasil em outra situação.
No entanto, a relação entre eles é mostrada a partir de estratégias obscuras para o grande público que, infelizmente, demonstrou (no que pude presenciar) dificuldades para alcançar os alinhavos sutis demais do curador.
A presença de artistas que dificilmente seriam mostrados no Brasil também é notada na mostra da sueca Mamma Andersson, responsável por apresentar trabalhos que também valem uma visita, como os de Carl F. Hill, Marolav Tchý e Bruno Knutman, todos formando a genealogia da obra da própria Andersson.
Na mostra, no entanto, a expografia realizada por justaposição impede qualquer ousadia que a retire do previsível.
A preocupação com a própria genealogia também é vislumbrada na exposição do uruguaio Alejandro Cesarco, por meio das obras de artistas como Peter Dreher, Louise Lawler (com obras excepcionais) e Sturtevant.
Mas Cesarco não deixa de apresentar artistas mais próximos de sua geração ou ainda mais novos, como Henrik Olesen e Sara Cwynar —todos tratados dentro das mesmas especificidades de uma curadoria convencional.
Tal convencionalismo parece ganhar uma dimensão superlativa na mostra do brasileiro Waltercio Caldas: paredes brancas envolvem seus próprios trabalhos em meio a obras de outros artistas, todos dentro de uma ordem e de uma sofisticação expográfica supostamente exemplares.
No entanto, alguns ruídos parecem funcionar como aparelhos de disrupção de toda aquela lógica. Os dois iniciais são da ordem da montagem: primeiro, certos equipamentos do edifício (de segurança ou manutenção) que, por terem sido isolados de forma categórica, paradoxalmente parecem integrar a mostra!
Por sua vez, o deslocamento das etiquetas de identificação das obras, agrupadas em cantos das salas, obriga os visitantes a caminharem de um lado para o outro, para esclarecerem dados de autoria, e intensifica a consciência no público de estar ali experimentando uma vivência repleta de arbitrariedades há muito naturalizadas em espaços que, absolutamente, não são neutros.
Por último, algumas obras apresentadas também rompem com o que de predeterminado existiria naquele universo. Refiro-me às obras de Gego, Tunga e Victor Hugo, ao vídeo de Bruce Nauman e a alguns dos trabalhos do próprio Caldas.
Além dele, a única que não se despiu de sua condição de artista para se assumir como mais uma curadora tradicional foi Sofia Borges.
Radical, a artista brasileira construiu um ambiente labiríntico (fiel metáfora de sua poética) em que as divisórias criam espaços insólitos onde seus trabalhos são apresentados em diálogo com os dos seus convidados.
De fato, Borges fez mais do que simplesmente mostrar sua produção interagindo com as de Leda Catunda, Sarah Lucas, Antonio Malta Campos e Jennifer Tee, entre outros.
Ela os vampirizou (no melhor sentido que possamos dar a esse verbo), devolvendo-os ainda mais potentes. Todos ali saíram maiores do que já são e a curadoria de Borges mostrou-se, de fato, a melhor obra desta edição da Bienal.
Voltando a Pérez-Barreiro, agora como responsável por 12 exposições individuais, há de se lamentar a atitude distanciada e mesmo burocrática assumida por ele em relação aos artistas que escolheu. São 12 mostras em sua maioria fechadas em si mesmas, espalhadas por entre espaços vazios, sem articulação. Uma lástima.
Para terminar, afirmo que sempre vi de maneira positiva Pérez-Barreiro propondo dividir a curadoria com artistas e espero que essa sua iniciativa possa ser retomada nas próximas edições, com as correções necessárias.
Dentro delas, recomendo que seja sugerido aos artistas que extrapolem seus limites territoriais. Nesta edição, vários tenderam a concentrar suas exposições em artistas do seu entorno. Se essa característica se enraizar, correremos o risco de voltarmos a bienais com delegações nacionais. O que não seria desejável.
#
Artigo de Tadeu Chiarelli para o jornal "Folha de S. paulo" editado em 11/09/18.

Bruxelas batiza rua com nome “Isto não é uma rua”

A capital da Bélgica presta assim sua homenagem a um dos maiores nomes da pintura surrealista, o belga René Magritte (1898-1967) O nome da rua faz parte de um esforço para requalificar a antiga área industrial da cidade que abriga a feira Art Brussels. Artigo de Kate Brown para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 22/8/2018. +

Uma das pinturas mais conhecidas do surrealista belga René Magritte (1898-1967) será homenageada ao batizar o nome de rua em Bruxelas. A inspiração para o nome da rua “Esta não é uma rua”, que se auto nega, é a pintura “Ceci n’est pas une pipe” (1929), que traz a imagem de um cachimbo sobre a frase “Este não é um cachimbo”.
O gesto irônico certamente será uma atração turística para a área em desenvolvimento - mesmo que isso deixe alguns táxis perdidos. Os cidadãos belgas tiveram a oportunidade de nomear 28 ruas, becos, praças e passarelas ao redor da zona industrial de Tour & Taxis, onde a feira Art Brussels acontece anualmente.
Os nomes vencedores foram selecionados entre quase 1.400 sugestões do público. Perto da nova rua de Magritte, haverá uma via em homenagem à pioneira cineasta Chantal Akerman. O aclamado trabalho de 1975 da diretora, o filme de arte feminista “Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles” foi ambientado na capital belga. A área está atualmente sendo redesenhada em uma área residencial luxuosa, então as pessoas que querem selfies ao lado da placa de rua inspirada em Magritte e Chantal Ackerman terão que esperar um pouco.
Na verdade, o público pode não conseguir acessá-los, já que a maioria das ruas com nomes curiosos serão áreas com acesso privado. As ruas maiores que levam ao bairro, incluindo a Better World Street e a Happiness Street, serão abertas ao público.
#
Artigo de Kate Brown para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 22/8/2018.

Buenos Aires paga US$ 2,1 milhões pela marca Art Basel

A capital argentina não tem dinheiro para consertar o Teatro Alvear, fechado há quatro anos, mas tem para pagar US$ 2,1 milhões para usar o nome de Art Basel, uma feira de arte suíça. De 6 a 12/9 será realizada na cidade Art Basel Cities, um programa de exposições e conferências organizadas sob o guarda-chuva e o prestígio dos suíços. Os especialistas dizem que eles só "compraram fumaça". Artigo editado no site http://www.diarioz.com.ar/#!/nota/solo-el-arte-vence-al-ajuste-rodriguez-larreta-pago-21-millones-por-la-marca-art-basel-60401/ +

A cidade de Buenos Aires não tem dinheiro para consertar o Teatro Alvear, fechado há quatro anos, mas pagou US$ 2,1 milhões para usar o nome de Art Basel, uma feira de arte suíça. De 6 a 12/9 será realizada na cidade Art Basel Cities, um programa de exposições e conferências organizadas sob o guarda-chuva e o prestígio dos suíços. De acordo com o Diário Oficial de Buenos Aires, em 3/10/2017, um "serviço de associação" foi contratado por quase 30 milhões de pesos: é assinado por Pablo Giampieri, então subsecretário de Desenvolvimento Econômico.
Poucos dias depois, outra cláusula esclarece que são 1.700.223 dólares e que, em maio deste ano, foram adicionados, desta vez pela Entidade de Turismo, mais 400.000 dólares. No entanto, o custo não fica só nisso. Devemos acrescentar o custo de trazer artistas e seus trabalhos - algo geralmente muito caro - e produzindo muitos trabalhos locais. Com tudo isso, as más línguas calculam cerca de mais três palitos verdes do tesouro público. Os colecionadores argentinos dizem com sorrisos de presunção que os funcionários do governo da cidade "compraram fumaça".
Entre as apresentações artísticas que mais geraram entusiasmo está a presença do italiano Maurizio Cattelan, famoso por sua escultura do Papa esmagado por um meteorito, Hitler ajoelhado e, nos últimos tempos, por um banheiro de ouro maciço que foi instalado em um banheiro no Museu Guggenheim em Nova York e intitulado "América".
Aqui, Cattelan propôs fazer um "cemitério para os vivos" ao ar livre em Recoleta. Ele convidou aqueles que queriam participar - e, em seguida, seriam selecionados - com o tributo a sua lápide. O movimento inclui o convite - com as despesas pagas - para cerca de 150 colecionadores, que vêm à região para participar da Bienal de São Paulo. A intenção - e a ilusão - é que eles comprem a arte argentina, que a levem para o mundo, que a valorizem.
O Estado paga 150 milionários para vir comprar arte.
Parte dos argumentos de sedução para trazê-los, contam as fontes próximas, são bons vinhos argentinos e shows de tango. Vai funcionar? Funcionários que preferiram não ser identificados, mas muito próximos do mundo da arte, duvidam: o que precisa ser feito, dizem eles, é fortalecer o trabalho dos galeristas, ter paciência, e mostrá-los.
#
Artigo editado no site http://www.diarioz.com.ar/#!/nota/solo-el-arte-vence-al-ajuste-rodriguez-larreta-pago-21-millones-por-la-marca-art-basel-60401/

Sebrae vai recorrer contra MP que remaneja recursos do Sistema S para Abram

O presidente do Sebrae, Guilherme Afif, afirmou, em nota, que vai entrar na Justiça contra a Medida Provisória (MP) que cria a Agência Brasileira de Museus (Abram). Afif afirma que o governo desrespeitou princípios legais e de previsibilidade da gestão, pois, segundo ele, “os recursos retirados da empresa tinham destinação definida”. Matéria publicada originalmente no site da revista Isto É (istoe.com.br), em 10/09/18. +

O presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif, afirmou, em nota, que vai entrar na Justiça contra a Medida Provisória (MP) que cria a Agência Brasileira de Museus (Abram). A MP remaneja 6% da quantia atualmente destinada aos integrantes do Sistema S (Sebrae, Sesi, Senai, Senac, Apex, ABDI) – cerca de R$ 200 milhões – para criação do novo órgão.

No texto, Afif afirma que o governo desrespeitou princípios legais e de previsibilidade da gestão, pois, segundo ele, “os recursos retirados da empresa tinham destinação definida”. “O Sebrae não foi consultado, nem participou da elaboração da MP, até porque consideramos a medida ilegal”, escreveu o presidente do Sebrae. Ele convocou coletiva de imprensa para esta terça-feira (11), às 9h30, para tratar do assunto.

O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, defendeu o remanejamento de recursos e disse que o governo “optou por usar recurso público para que se faça reforma estrutural nos museus” e “optou por usar recursos de forma mais eficiente”. “Avaliamos que o recurso que resta ao Sistema S é suficiente”, disse ao ser questionado se o Sebrae perderia com a medida durante coletiva de imprensa.

Nesta segunda-feira, 10, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que o orçamento de R$ 200 milhões representa o dobro do que o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) – que será substituído pela Abram – recebeu em 2017 e também é o dobro do valor total que o Ibram receberá este ano. “Essa medida (que cria a Abram), além de dar muito mais agilidade e ter modelo de sustentabilidade mais evoluído, também amplia recursos”, comemorou o ministro.

A Abram foi criada com o objetivo principal de coordenar a reconstrução do Museu Nacional, destruído em um incêndio no Rio de Janeiro há oito dias. A Agência abarcará o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que gerencia 27 museus em todo o País.

A nova agência também poderá ter recursos extras, pois constituirá o fundo patrimonial para doações e contribuições da iniciativa privada e também poderá receber recursos através da Lei Rouanet. “Não teremos com esse desenho aumento de despesa para o poder público. Ao contrário, teremos redução no médio e longo prazo ao mesmo tempo que teremos aumento nos recursos. É um ganha-ganha”, declarou Sá Leitão.
|
Matéria publicada originalmente no site da revista Isto É (istoe.com.br), em 10/09/18.

Governo cria a Agência Brasileira de Museus

Temer assinou duas medidas provisórias sobre o tema nesta segunda. Entidade, que substituirá o atual Instituto Brasileiro de Museus, gerenciará ainda outros 27 museus com orçamento de R$ 200 milhões. Matéria de Mariana Haubert para o jornal "O Estado de S.Paulo", em 11/09/18. +

Na esteira dos esforços para reconstruir o Museu Nacional, destruído por um incêndio na semana passada, o presidente Michel Temer assinou nesta segunda-feira, 10, duas medidas provisórias que criam a Agência Brasileira de Museus (Abram) e a legislação para a instituição de fundos patrimoniais.

A Abram, que substituirá o atual Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), será responsável por coordenar a reconstrução do Museu Nacional, que, de acordo com o governo, continua vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tanto o museu quanto a Abram ainda definirão os termos da cooperação posteriormente.

A agência gerenciará também os 27 museus que hoje estão sob os cuidados do Ibram e terá um orçamento inicial de R$ 200 milhões. De acordo com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o valor corresponde a mais que o dobro do que o Ibram recebe atualmente, e será remanejado do Sebrae, representando 6% do orçamento da empresa.

A nova entidade terá status de serviço social autônomo e autonomia orçamentária. Além dos recursos iniciais, a agência também poderá ter outras fontes próprias como a administração da renda gerada pelos museus que estarão sobre o seu domínio, a gestão de fundos patrimoniais e o recebimento de recursos da Lei Rouanet. "Essa medida (que cria a Abram), além de dar muito mais agilidade e ter modelo de sustentabilidade mais evoluído, também amplia recursos", comemorou o ministro.

Sá Leitão afirmou ainda que haverá metas e indicadores de desempenho pelos quais a performance das instituições e da própria Abram poderão ser avaliadas. A instituição também terá políticas de compliance e regras anticorrupção. A presidência da agência ainda não foi definida e o seu conselho administrativo será formado pelo ministro da Cultura, por três integrantes do Poder Executivo e três da sociedade civil.

"Não teremos com esse desenho aumento de despesa para o poder público. Ao contrário, teremos redução no médio e longo prazo ao mesmo tempo que teremos aumento nos recursos. É um ganha-ganha", declarou Sá Leitão.

O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, divulgou uma nota no início desta noite em que afirma que o Sebrae não foi consultado e que irá acionar a Justiça contra a MP. De acordo com a nota, "o governo desrespeitou princípios legais e de previsibilidade da gestão, já que os recursos retirados da empresa tinham definição definida". Afif diz ainda que considera a medida ilegal.

Reconstrução
Em entrevista à imprensa, Sá Leitão destacou que a ação vai ser realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo museu. Ela manterá os projetos de ensino, pesquisa e extensão, mas os recursos destinados para a reconstrução do local serão administrados pela nova agência.

"Quero reiterar que o Museu Nacional pertence à UFRJ e o que estamos fazendo por meio da Abram é criando condições para que haja de fato o processo de reconstrução, que vai demandar volume muito grande de recursos. Para a própria UFRJ será melhor que esses recursos sejam geridos pela Abram", afirmou o ministro.

Inicialmente, porém, o governo estudava a possibilidade de retirar o museu do escopo da universidade por avaliar que a atual reitoria não teve competência para administrar os recursos repassados pelo governo federal. A ideia, no entanto, não foi levada adiante pelo temor de que a medida, considerada arbitrária por outras instituições de ensino, pudesse gerar reações não só da UFRJ mas de todas as universidades públicas do país.

Segundo Sá Leitão, a Abram também constituirá o fundo patrimonial que recolherá recursos de doações e contribuições para a reconstrução do Museu Nacional. "Hoje essas receitas vão para o Tesouro Nacional, e pode ser pouco para o Tesouro mas é muito importante para estes museus. É importante que as instituições possam ficar com essas receitas", explicou o ministro da Cultura em uma cerimônia fechada realizada no Palácio do Planalto para assinatura da medida provisória.

Fundos Patrimoniais
Temer também assinou nesta tarde outra MP que institui a legislação para os fundos patrimoniais que poderão ser criados tanto para as áreas da cultura quanto de educação, saúde, ciência e tecnologia e outras.

Na cerimônia em que assinou o texto, o presidente declarou que "a tragédia de ontem", fazendo referência ao incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, contribuirá para a preservação do patrimônio histórico, cultural e científico do Brasil. "O incêndio destruiu não só acervo de valor inestimável, mas também parte da nossa história", discursou o presidente.

Após o incidente, Temer disse que teve a ideia de chamar bancos e empresas para ajudar na reconstrução do museu e que ficou surpreso com o entusiasmo. O objetivo, disse, é "não deixar apenas por conta do poder público" a missão de preservar o patrimônio, mas também "somar com a iniciativa privada". Ele disse que apenas na área federal há 3.700 museus atualmente.

Os fundos terão natureza privada e os doadores poderão especificar no que querem ver seu dinheiro empregado. No caso de projetos para a área cultural, os doadores poderão usar parte do imposto de renda a pagar para doar via Lei Rouanet.
|
Matéria de Mariana Haubert para o jornal "O Estado de S.Paulo", em 11/09/18.

Buenos Aires pagó US$ 2,1 millones por la marca Art Basel

La ciudad de Buenos Aires no tiene plata para arreglar el Teatro Alvear, cerrado hace cuatro años, pero está pagando 2,1 millones de dólares para usar el nombre de Art Basel, una feria de arte suiza. Del 6 al 12 de septiembre se hará en la ciudad Art Basel Cities, un programa de exposiciones y conferencias organizadas bajo el paraguas -el prestigio- de los suizos. Los entendidos dice que solo “compraron humo”. Artigo editado en el sito http://www.diarioz.com.ar/#!/nota/solo-el-arte-vence-al-ajuste-rodriguez-larreta-pago-21-millones-por-la-marca-art-basel-60401/. +

La ciudad de Buenos Aires no tiene plata para arreglar el Teatro Alvear, cerrado hace cuatro años, pero está pagando 2,1 millones de dólares para usar el nombre de Art Basel, una feria de arte suiza. Del 6 al 12 de septiembre se hará en la ciudad Art Basel Cities, un programa de exposiciones y conferencias organizadas bajo el paraguas -el prestigio- de los suizos.
Según el Boletín Oficial porteño, el 3 de octubre de 2017 se contrató un “servicio de membresía” por casi treinta millones de pesos: lo firma Pablo Giampieri, entonces subsecretario de Desarrollo Económico. Unos días más tarde, en otra disposición se aclara que son 1.700.223 dólares, a los que en mayo de este año se sumaron -esta vez desde el Ente de Turismo-, casi 400.000 dólares. Aunque la plata se vista de cultura, comercio y turismo se queda.
Sin embargo, el costo no queda ahí. Hay que sumar el costo de traer a los artistas, traer sus obras –algo usualmente carísimo- y producir muchas obras locales. Con todo eso, las malas lenguas calculan unos 3 palitos verdes más del erario público. Coleccionistas argentinos dicen entre sonrisas de suficiencia que los funcionarios del gobierno de la ciudad “compraron humo”.
Dentro de las presentaciones artísticas que vendrán ha generado entusiasmo, sobre todo, la participación -al menos con su obra, su presencia no está confirmada- de Maurizio Cattelan, un italiano famoso por su escultura del Papa aplastado por un meteorito, de Hitler arrodillado y, en los últimos tiempos, por un inodoro de oro macizo que se instaló en un baño del Museo Guggenheim de Nueva York y que tituló “América”. Aquí, Cattelan propuso hacer un “cementerio para vivos” a cielo abierto en Recoleta. Invitó a participar a quien quisiera -luego se seleccionaría- con su lápida-homenaje.
La movida incluye la invitación -con gastos pagos- a unos 150 coleccionistas, que vienen a la región para participar de la Bienal de San Pablo. La intención -¿la ilusión?- es que compren arte argentino, que lo lleven al mundo, que le suban el precio. El Estado les paga a 150 millonarios para que compren arte. Parte de los argumentos de seducción para traerlos, cuentan fuentes cercanas, son el buen vino argentino y los shows de tango.
¿Funcionará?
Funcionarios que prefirieron no ser identificados, pero con mucha cercanía con el mundo del arte, lo dudan: lo que hay que hacer, dicen, es afianzar el trabajo de los galeristas, tener paciencia, mostrarlos.
#
Artigo editado em el sito http://www.diarioz.com.ar/#!/nota/solo-el-arte-vence-al-ajuste-rodriguez-larreta-pago-21-millones-por-la-marca-art-basel-60401/

Fundação de Peter Brant lançará novo espaço expositivo em NY com Basquiat

Projeto no East Village ocupa prédio que já foi residência e estúdio do famoso escultor Walter de Maria e será inaugurado em março de 2019 com mostra de Jean-Michel Basquiat. Artigo de Eileen Kinsella para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 6/9/2018. +

O editor de revistas e colecionador de arte Peter Brant vem ditando manchetes nos últimos tempos, principalmente graças a seus laços com a falida e recém-relançada revista “Interview”. Agora, no entanto, ele está no noticiário de outro projeto: um espaço expositivo que planeja inaugurar no East Village em março de 2019.
O edifício centenário da 421 East 6th Street serviu como residência e estúdio do famoso escultor Walter de Maria. Brant comprou o prédio em 2014 por US$ 27 milhões, de acordo com registros imobiliários. Naquela primavera, recebeu uma exibição pop-up do trabalho de Dan Colen, organizada pela Gagosian e cuja produção Brant coleciona. Mas o espaço permaneceu inativo desde então.
O local será uma filial de sua fundação homônima, mais conhecida por seu bucólico espaço de exibição em Greenwich, em Connecticut. Será inaugurado com uma exposição individual de obras de Jean-Michel Basquiat, organizada em colaboração com a Fundação Louis Vuitton. O espetáculo, co-organizado por Brant e pelo historiador de arte Dieter Buchhart, combinará obras das coleções particulares e objetos emprestados de museus internacionais, de acordo com o anúncio.
Um porta-voz do projeto disse que os visitantes poderão visitar o espaço gratuitamente, desde que reservem sua visita online com antecedência. Não empregará um curador em tempo integral. As exposições serão amplamente dedicadas à coleção da Brant, mas serão distintas das do Centro de Estudos de Arte da Fundação Brant.
O arquiteto Richard Gluckman, cuja empresa também renovou a Brant Foundation em Greenwich, está atualizando o prédio de Nova York e adicionando 7.000 pés quadrados de espaço para exposições em quatro andares. O espaço também terá dois jardins adjacentes e um terraço ajardinado.
“Basquiat tem sido a pedra angular da cena artística do East Village por décadas, e trazer seu trabalho de volta ao bairro que o inspirou é um grande privilégio”, disse Brant em um comunicado. “Nossa família está entusiasmada em lançar o espaço de Nova York da Brant Foundation com um artista que é fundamental para a coleção e, acima de tudo, para compartilhar seu legado com a comunidade que foi fundamental para moldá-lo”.
A notícia do espaço do projeto acontece menos de uma semana depois que foi anunciado que a revista “Interview”, um dos títulos do publisher Brant, está relançanda este mês depois de ter entrado em falência e fechada em maio passado, após anos de dificuldades financeiras.
Brant parece estar livre de US$ 3,3 milhões em dívidas de cerca de 300 ex-funcionários e freelancers. Sua oferta de US$ 1,5 milhão para comprar os ativos da “Interview” fora da falência, feita através de uma holding, foi aprovada por um tribunal de falências de Nova York na semana passada. Logo depois, de acordo com uma nova reportagem da “Business of Fashion”, a holding vendeu a propriedade intelectual, marcas registradas, lista de assinaturas e arquivo da revista para uma nova empresa formada pela filha de Brant, Kelly Brant, ex-presidente da “Interview”. A nova empresa, chamada Crystal Ball Media, já havia preparado conteúdo para uma edição em setembro com a esperança de que a venda continuasse como planejado. Várias figuras do mundo da arte aparecem ou contribuíram para a edição, de acordo com “Business of Fashion”, incluindo Collier Schorr, que fotografou o diretor de cinema francês Agnès Varda para a capa, Ryan McGinley e Petra Collins. “Peter Brant não tem posição, ele não é um investidor na empresa e ele não tem nada a ver com a revista”, disse Kelly Brant à “Business of Fashion”. A Crystal Ball Media, de acordo com o artigo, é financiada por investidores privados que Brant e Nikic se recusaram a revelar os nomes. Solicitado a comentar sobre o anúncio do novo espaço, que alguns notaram no Twitter coincide com os problemas financeiros e o relançamento da revista, um porta-voz da fundação se recusou a comentar, mas enfatizou que a fundação opera independentemente dos outros negócios de Brant.
#
Artigo de Eileen Kinsella para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 6/9/2018.

Mega-doação de US$ 160 milhões vai transformar Museu de História Natural de Yale

O museu usará o presente do empresário Edward Bass para financiar sua renovação e expansão. Artigo de Tim Schneider para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 28/8/2018. +

Embora o tamanho das doações filantrópicas para os museus nos EUA continue aumentando com a onda de riqueza privada, poucas instituições esperam receber um presente de dezenas de milhões de dólares em um dia. Mas o Museu Peabody de História Natural da Universidade de Yale acabou de entrar nesse ar rarefeito.
O empresário Edward P. Bass, um ex-aluno e ex-membro sênior do conselho da universidade, prometeu doar incríveis US$ 160 milhões para a reforma e expansão do museu. A contribuição de Bass impulsiona um esforço para reforçar a história conjunta da Peabody e da Yale como líder mundial em pesquisa científica.
Aberto ao público em 1925, e agora com uma coleção de mais de 13 milhões de objetos, desde fósseis de dinossauros a exposições de mamíferos e minerais, o museu adicionará 50% mais espaço nas galerias após sua reforma. Ele também receberá atualizações generosas e ampliações para vários outros aspectos de suas exposições e operações. No entanto, os detalhes finais e o cronograma do projeto ainda estão sendo discutidos, e a captação de recursos continuará.
Através de sua mega-doação para o Peabody e sua filantropia no passado, Bass "transformou a paisagem científica em Yale", segundo o presidente da universidade, Peter Salovey. “Imagine um museu de história natural expandido onde as exposições refletem a ciência mais atual; onde os membros do corpo docente e os alunos podem usar de forma mais eficiente as coleções; e onde nossos investigadores têm instalações de pesquisa espetaculares. Este é um presente magnífico”.
A doação de Bass é apenas o mais recente e maior lançamento aéreo filantrópico dos museus americanos. Em outubro passado, David Geffen prometeu US$ 150 milhões para a campanha de arrecadação de fundos para a remodelação liderada por Peter Zumthor, do Museu de Arte de Los Angeles, apenas 18 meses depois de doar US$ 100 milhões para a reforma e expansão do Museu de Arte Moderna. Em abril, o Instituto de Arte de Chicago recebeu um presente de US$ 50 milhões da administradora Janet Duchossois e de seu maridoCraig, além de US$ 20 milhões adicionais do presidente do conselho Robert Levy e sua esposa, Diane, para operações e aquisições. E no mês passado, Kenneth C. Griffin doou um total de US$ 20 milhões para o Museu Norton, em Palm Beach.
Outras instituições podem esperar muito dinheiro também. De acordo com David Callahan da Inside Philanthropy, mais de 4.000 doações de US$ 1 milhão ou mais foram feitas para instituições culturais e de artes entre 2005 e 2014. Bass e seus colegas demonstram que a onda continuou ininterrupta desde então.
#
Artigo de Tim Schneider para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 28/8/2018.

Sete destaques da venda da Sotheby"s da coleção do ator Robin Williams

Ítens incluem pintura de Banksy e luvas de boxe de Muhammad Ali. O produto da venda será doado para a caridade. Artigo de Henri Neuendorf para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 6/9/18. +

A eclética coleção de arte do ator e comediante Robin Williams e sua ex-mulher, Masha, serão apregoados pela Sotheby's de Nova York em 4/10/18. A coleção inclui uma grande variedade de itens estranhos e maravilhosos, incluindo obras de arte, filmes colecionáveis, relógios, design e memorabilia esportiva. A Sotheby’s estima que a venda irá render entre US$ 3,3 milhões e US$ 4,7 milhões. A família do ator escolheu distribuir os lucros para várias instituições de caridade, incluindo o Wounded Warrior Project, a Challenged Athletes Foundation, a coleção de Christopher e Dana Reeve, e para o estabelecimento de um fundo permanente de bolsas Robin Williams na Juilliard School, em Nova York. Antes da venda, a rtnet escolheu alguns dos destaques e informações que ilustram a personalidade do ator, as realizações e seu famoso senso de humor.

1. “Happy Choppers”, de Banksy (2006) (entre US$ 400 mil e US$ 600 mil)
Os Williams gostavam de colecionar arte de rua (Banksy, Shepard Fairey, Invader, Mr. Brainwash...). A peça central de sua coleção de arte de rua é, sem dúvida, “Happy Choppers”, de Banksy (2006), uma peça original em grande escala rara do esquivo pintor britânico.

2. Globo de Ouro de Robin Williams (entre US$ 15 mil e US$ 20 mil))
Globo de Ouro por seu desempenho em “Good Morning Vietnam” (1987). A venda inclui mais de 40 prêmios e certificados das carreiras televisivas e cinematográficas do casal, mas nenhum é mais prestigioso do que o Golden Globe Awards de Williams por seus papéis em “Mork e Mindy”, “Good Morning Vietnam”, “The Fisher King” e “Mrs. Doubtfire”, as principais conquistas da carreira de Williams. (A família vai ficar com o Oscar que ele ganhou de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel no filme de 1998 “Good Will Hunting”).

3. “Le Poète et Sa Muse”, de Niki de Saint-Phalle (entre US$ 350 mil e US$ 450 mil)
A maior parte da coleção de arte da Williams concentrava-se em esculturas ao ar livre em grande escala, que o casal exibia em sua casa em Napa Valley. Um dos trabalhos favoritos de Robin era esse de Niki de Saint-Phalle, que ele deu a Masha como presente.

4. Franck Muller; Relógio de pulso Tourbillon em ouro branco (entre US$ 25 mil e US$ 30 mil)
O comediante era um exigente colecionador de relógios de pulso, acumulando dezenas de relógios, alguns dos quais ele comprou e alguns dos quais foram dados a ele como presentes por sua esposa e outros amigos. A Sotheby’s está oferecendo mais de 40 deles, liderada por um relógio de pulso Franck Muller em ouro branco.

5. Poltronas “Monkey”, de Judy Kensley McKie (1994) (entre US$ 20 mil e US$ 30 mil)
A brincalhona poltrona de madeira da designer Judy Kensley McKie incorpora dois macacos, ilustrando como o senso de humor do comediante se espalhou por toda a sua vida, até o seu gosto pela mobília. A Sotheby’s oferece um grupo de cinco exemplos dessas peças extravagantes da coleção de design do ator.

6. Luvas de Boxe Everlast assinadas por Muhammad Ali (entre US$ 1 mil e US$ 2 mil)
Um grande fã de esportes, Williams coletou uma série de memorabilia, incluindo muitas peças assinadas exclusivas, incluindo um taco de beisebol autografado por Yogi Berra e uma camisa Cleveland Cavaliers assinada pelo superstar Lebron James. Mas talvez nenhum item seja mais impressionante do que um par de luvas de boxe com a assinatura do lendário Muhammad Ali. As luvas foram dadas de presente a ele em 2006, quando ele foi homenageado com o Prêmio Humanitário Muhammad Ali, no Celebrity Fight Night anual do boxeador.

7. Primeira Edição do livro de Samuel Beckett “Esperando por Godot” (entre US$ 1.500 e US$ 2.500)
O hábito colecionador de Williams se estende a livros raros, incluindo três primeiras edições de uma das peças mais influentes do século 20: “Esperando por Godot”, de Samuel Beckett. Demonstrando a amplitude e versatilidade do ator, Williams atuou em uma produção da peça no Lincoln Center de Nova York em 1988, dirigida por Mike Nichols e também estrelando o comediante Steve Martin e o aclamado ator F. Murray Abraham.
#
Artigo de Henri Neuendorf para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 6/9/18.

A cremação da cultura

O incêndio devastador do Museu Nacional não é um caso isolado. Trágico porque o museu é referência entre as instituições científicas brasileiras, seja porque fosse memória de vários campos do conhecimento, seja porque abrigava diferentes cursos de pós-graduação da UFRJ. Dentre eles, o de antropologia, um dos mais respeitados da América Latina. Como é costume, não será difícil encontrar um bode expiatório para a tragédia em nossa concepção inquisitorial da culpa. Põe-se uma verbinha aqui, corta-se uma cabeça acolá e tudo se acalma. Artigo de José de Souza Martins para o jornal "Valor Econômico" editado em 6/9/2018. +

O incêndio devastador do Museu Nacional não é um caso isolado. Trágico porque o museu é referência entre as instituições científicas brasileiras, seja porque fosse memória de vários campos do conhecimento, seja porque abrigava diferentes cursos de pós-graduação da UFRJ. Dentre eles, o de antropologia, um dos mais respeitados da América Latina. Como é costume, não será difícil encontrar um bode expiatório para a tragédia em nossa concepção inquisitorial da culpa. Põe-se uma verbinha aqui, corta-se uma cabeça acolá e tudo se acalma.
É próprio de nossas tradições, para enfrentar problemas, procurar culpados em vez de procurar causas. Devemos nos perguntar primeiro por que aqui instituições culturais, como os museus, têm sido atingidas por grandes incêndios, se não pela desimportância que a eles se atribui? Para que servem instituições científicas num país em que a média de nota do ensino médio é de apenas 3,8, o que reprovaria qualquer um em qualquer lugar? No incêndio tem mais do que fogo.
Vários dos incêndios recentes em nossas instituições culturais ocorreram em prédios muito antigos, não raro, centenários. Só em São Paulo, vários. Foi o caso do incêndio no arquivo do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, em 2005; do museu e centro cultural do Liceu de Artes e Ofícios, em 2014; do Museu da Língua Portuguesa, em 2015, que teve um morto. O incêndio do moderno auditório do Memorial da América Latina, em 2013, que deixou vários bombeiros feridos e destruiu uma tapeçaria de Tomie Ohtake, de 800 m2, evidencia que não só edificações antigas estão sujeitas a grave risco, mas que há também algo bem contemporâneo nas causas desses desastres.
Em 2005, um incêndio de seis horas no prédio tombado do arquivo do Juqueri, instalado em uma obra de Ramos de Azevedo, destruiu muitas centenas de prontuários essenciais para o estudo da história das doenças mentais entre nós e das técnicas de seu tratamento. Destruiu, também a biblioteca da instituição, a mais completa do país em livros e revistas científicas sobre psiquiatria, cobrindo a literatura especializada da metade do século XIX à metade do século XX. E não faltou a queima de uma carta de Sigmund Freud ao diretor do hospital, o médico Osório César, artista plástico e estudioso da relação entre arte e loucura, um pioneiro do movimento da arteterapia entre nós.
Em 2014, foi a vez do Liceu de Artes e Ofícios, no bairro da Luz. A escola fundada no século XIX pelo engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo dedica-se até hoje à formação profissional de jovens artesãos e artistas. Santos Dumont foi frequentador do Liceu, e grandes nomes de nossas artes plásticas e de nossa escultura foram alunos daquela escola pública. O incêndio atingiu o centro cultural e o museu de protótipos e réplicas de obras de grandes artistas, do acervo de instrumentos pedagógicos do Liceu. Das 28 réplicas, apenas oito foram recuperadas.
Em 2015, um incêndio devastou boa parte da centenária estação da Luz, da antiga S. Paulo Railway, a primeira ferrovia paulista. O fogo consumiu o Museu da Língua Portuguesa, nela instalado. Teve menor alcance porque o local era constituído de materiais reprodutíveis, dos quais existem as matrizes. O velho monumento ferroviário é que foi posto em perigo. Pela segunda vez, pois a estação já pegara fogo em 1946, tudo indica que um incêndio criminoso para destruir os arquivos da ferrovia. Visitei em Glasgow, na Escócia, o museu de arte construído pela mesma fundição que fez as peças de ferro da construção da estação e de outra similar em Sydney, na Austrália. Foi quando fiquei sabendo que o herdeiro da fábrica quis doar ao museu os arquivos com plantas e desenhos das obras ali feitas, que o museu não aceitou. Ele, então, queimou tudo, inclusive os desenhos da estação da Luz.
A causa principal desses incêndios aqui no Brasil é o nosso subdesenvolvimento. Somos capazes de fazer grandes obras, mas não somos capazes de mantê-las. Temos muita iniciativa e pouca acabativa. Os políticos desse subdesenvolvimento sabem fazer inaugurações, mas não sabem prover meios e mecanismos de manutenção das obras da cultura. Raramente distinguem entre um Museu Nacional e um Museu da Língua Portuguesa, língua que mal leem e mal falam, para parafrasear Monteiro Lobato. Como se viu na resposta aos jornalistas do secretário de Governo sobre o incêndio: isso é choro de viúva.
Os edifícios alcançados pelos incêndios são quase sempre antigos. Vitimados por uma crônica falta de políticas de gestão na área da cultura, de uma rotina própria para preservação permanente dos acervos e das instalações. Coisa de um país em que o serviço público se arrasta pelo pedregoso caminho das improvisações.
#
Artigo de José de Souza Martins para o jornal "Valor Econômico" editado em 6/9/2018.
#
José de Souza Martins é sociólogo. Membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, autor de “A Sociologia como Aventura” (Contexto).

Jack Kerouac deixou legado de pinturas

Assim como a literatura de Kerouac apresentava pessoas reais de sua vida e aventuras transformadas em pastiches fictícios, sua arte também. O aclamado autor escreveu em seu “manifesto” para pintura: “Pare quando você quiser melhorar... Está feito”, escreveu. Artigo de David Barnett para o jornal e site britânico “Independent” (https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/art/features/jack-kerouac-beat-paintings-generation-poet-art-writer-on-the-road-a8525501.html +

Pensamos em Jack Kerouac e pensamos em escrever: escrita espontânea, urgente, uma corrente de prosa proustiana, memórias pouco confiáveis de uma época de mudanças e reviravoltas na América de meados do século XX.
Pensamos em “On The Road”, esse trabalho surpreendente e divisivo sobre um longo rolo de papel, pensamos na imagem contemporânea e embriagada de um vaqueiro romantizado das ruas de uma América em fluxo... Pensamos no homem que inaugurou a Geração Beat e que morreu, medianamente envelhecido e reacionário, de cirrose hepática.
O que não pensamos muitas vezes quando pensamos em Jack Kerouac é no artista plástico.
Poucas das muitas biografias de Jack Kerouac, que nasceu em 1922 e morreu em 1969, chegam a mencionar suas pinturas ou talento para a arte. E, no entanto, ao lado de seu incrível trabalho escrito, ele também deixou para trás uma enorme quantidade de obras de arte raramente vistas.
No início deste ano, o Museo Maga, em Gallarate, uma cidade nos arredores de Milão, coletou o máximo de obras de arte de Kerouac que conseguiu encontrar e organizou uma exposição de mais de 80 peças. Um novo livro também foi publicado, apresentando algumas das obras de arte, muitas delas vistas pela primeira vez.
John Shen-Sampas, filho do cunhado de Kerouac, John Sampas (sua irmã Stella Sampas, era a terceira esposa de Kerouac e eles se casaram em 1966) escreveu uma introdução à exposição. O cunhado de Kerouac foi um dos seus mais antigos amigos de infância, crescendo com ele na cidade de Lowell, em Massachusetts. Ele morreu no ano passado com 84 anos.
Shen-Sampas disse que, embora Kerouac nunca tenha sido realmente conhecido por "seus esforços artísticos em pintura e desenho", quando morreu, "deixou uma coleção de retratos, desenhos e esboços".
De acordo com Shen-Sampas, as inclinações artísticas de Kerouac surgiram quando ele tinha apenas nove anos e ele desenhou seu primeiro autorretrato. Mais tarde, ele disse que preferia ser um pintor a um escritor e, quando estava escrevendo, encheu seus cadernos e revistas com desenhos e rabiscos.


Com fama, Kerouac estava descontente com a capa que seus editores deram a seu primeiro romance, “The Town and The City”, quando foi publicado em 1950. Esse primeiro romance era muito diferente daquilo que ele viria a ser conhecido: mais uma saga familiar nos moldes do herói e romancista de Kerouac, Thomas Wolfe. A capa era pastoral e delicada e Kerouac não gostava muito, então, quando ele escreveu “On The Road”, e antes que fosse publicado depois de uma batalha de cinco anos em 1957, ele criou sua própria capa.
Era um rascunho grosseiro de si mesmo embarcando em uma estrada infinita, o título de seu trabalho diminuindo em perspectiva em direção ao ponto de fuga, com a anotação datilografada que acompanhava o potencial editor AA Wyn dizendo: “Eu submeto isso como minha ideia de um comercial atraente”.
Nem a capa nem o livro interessaram aquela editora em particular naquela época, mas não demorou muito para Kerouac encontrar uma editora para “On The Road”, e sua reputação foi cimentada como um dos escritores mais importantes da segunda metade do século 20.
Enquanto isso, ele continuou a desenhar e a pintar, e se esse desenho rápido para uma capa de livro que nunca aconteceu fosse grosseiro e pronto, seu trabalho posterior sugere uma tentativa muito mais séria de empreendimento artístico.
O livro começa com uma série de retratos de pessoas que Kerouac conhecia ou admirava. Eles também destacam a complicada espiritualidade de Kerouac; Criado católico, ele mais tarde adotou o budismo e desenvolveu uma personalidade quase "sagrada".
Uma de suas primeiras pinturas pós-“On The Road” é um retrato do cardeal Giovanni Montini, que mais tarde se tornaria o papa Paulo VI em 1963. Kerouac nunca o conheceu, mas baseou sua pintura a óleo em uma fotografia na revista “Time”. É uma peça expressionista, quase medieval em sua execução. Assim como o trabalho de Kerouac apresentava pessoas reais de sua vida e aventuras transformadas em pastiches fictícios, sua arte também o fez.
Outro óleo sobre tela do mesmo período é “Mulher de Azul com Chapéu Preto”, o sujeito encostado na parede e fumando um cigarro. É uma imagem do personagem Joan Rawshanks, que aparece em seu romance “Visions of Cody”, e que foi baseado em Kerouac vendo a femme fatale de Hollywood Joan Crawford filmando nas ruas de San Francisco em 1952. Kerouac foi apresentado à cena artística de Nova York, especificamente a comunidade expressionista, pelo artista Dody Muller em 1959. Ele gostava de desviar entre os estilos, de usar óleos a rabiscos rabiscados, a aquarelas que refletiam suas inclinações religiosas. Mas eles são realmente bons?
“Seria equivocado ler essas obras de arte usando o método tradicional de um crítico de arte”, diz Sandrina Bandera, uma das curadoras da exposição e editora do livro Kerouac: “Beat Painting”, que acaba de ser publicado. Por quê?
Porque Kerouac não era totalmente um artista, mas quase um fenômeno pop-cultural cujas pinturas e desenhos eram, como diz Bandera, “uma parte essencial daquela entidade potente conhecida como Jack Kerouac”. Esses trabalhos são como os membros de um único corpo girando em seu próprio eixo, tão dinâmicos que precisam de uma abundância de diferentes ferramentas para se expressar.


“Seria um erro grave considerar essas ilustrações e esboços como divorciados dos escritos do artista, julgando-os, isto é, do ponto de vista meramente estilístico daquele dos assuntos que eles retratam”.
“As obras de arte são parte integrante dos escritos e devem ser interpretadas da mesma maneira que o próprio estilo de escrita de Kerouac, para o qual ele cunhou o termo 'prosa espontânea': a composição de sentenças por associação, em uma corrente de palavras livre de sintaxe. restrições e com todo o imediatismo de um rio correndo ".
Em outras palavras, o modo como você se dá bem com o trabalho artístico de Kerouac provavelmente dependerá de como você vê a escrita dele. Quase 50 anos depois de sua morte, Kerouac é, por um lado, festejado como um gênio quase sobrenatural e, por outro, desacreditado da melhor maneira sintetizada pela trágica declamação de Truman Capote do trabalho de Kerouac: “Isso não é escrita. Isso é tipografia".
Curiosamente, Kerouac fez um retrato a óleo de Capote em 1959, na época em que o autor de “Breakfast at Tiffany” dirigia seus ataques violentos contra os Beats em geral e Kerouac em particular. É escuro e chocante, uma pintura com - como descreve Bandera - "uma qualidade dinâmica, quase violenta". Uma resposta direta às críticas de Capote? "Provavelmente", diz Bandera.
Talvez a parte mais interessante do livro para os fãs do trabalho de Kerouac seja a que reúne, o que os curadores chamam, suas “Beat Paintings”, aquelas que são infundidas com a urgência e os temas de sua escrita.
Nascido em uma família franco-canadense, Kerouac sempre sentiu uma afinidade com a França (um de seus livros posteriores, o “Satori in Paris”, detalha sua busca por sua herança bretã) e muitas das pinturas nesta seção são influenciadas pelo surrealismo e pela arte abstrata.
De acordo com Bandera, Kerouac era quase tão sério sobre sua arte quanto sobre seus escritos, especialmente a partir de 1952, quando entrou na fase em que começaria a escrever o que se tornaria suas obras mais conhecidas.
Na verdade, ele elaborou um “manifesto” para a pintura, um conjunto de regras que ele seguiu, cuja nota manuscrita, escrita em 1959, foi apresentada na exposição na Itália este ano.
"Só use escova", defendeu Kerouac. “Nenhuma faca para esmagar e espalhar e destruir pinceladas. Use a escova espontaneamente, ou seja, sem desenhar, sem pausas ou atrasos, sem apagar… amontoe-a. ”E talvez o conselho mais tipicamente Kerouaciano de um escritor que vomitou sua obra-prima “On The Road” em uma gravação de três semanas: "Pare quando você quiser melhorar. Está feito."
Se as pinturas e desenhos de Jack Kerouac têm algum valor artístico, provavelmente é tão irritante para muitos como se a escrita dele é realmente boa. Deveríamos até estar fazendo a pergunta, mesmo sondando o significado interno das pinturas de Kerouac? Talvez a palavra final deva ir ao próprio homem: "Uma arte morre quando descreve a si mesma em vez da vida".
#
Artigo de David Barnett para o jornal e site britânico “Independent” (https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/art/features/jack-kerouac-beat-paintings-generation-poet-art-writer-on-the-road-a8525501.html
#
"Kerouac: Beat Painting", de Sandrina Bandera, Alessandro Castiglioni e Emma Zanella, foi editado pela Skira Editore. Preço: £ 30.