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Artistas de rua estão pedindo um boicote a loja H&M

Em sua nova campanha de roupas esportivas, a H&M fotografou seus modelos em frente ao de Jason ‘Revok’ Williams, no Brooklyn. Porém, o artista registrou uma carta para a loja sobre o uso não autorizado de sua arte original e a maneira como ela está sendo usada. H&M disparou contra a Revok, dizendo que “nas circunstâncias, em que a obra de arte reivindicada por seu cliente é produto de uma conduta criminal, o Sr. Williams não tem direitos de autor para afirmar”. Matéria publicada originalmente no site da revista Dasartes (www.dasartes.com.br), em 15/03/18. +

A nova campanha da H&M apresenta um modelo em sua linha de roupas esportivas “New Routine”, na frente do graffiti de Jason ‘Revok’ Williams. A parede em que seu trabalho é grafitado está localizada no campo de handball William Sheridan Playground em Williamsburg, Brooklyn. E, de acordo com o site HypeBeast , o artista registrou uma carta para a H & M com o argumento de que o uso não autorizado de sua arte original e a maneira como ela está usando o trabalho, é prejudicial e é susceptível de fazer com que os consumidores se familiarizem com o seu trabalho para acreditar que existe uma relação entre as partes”.

H&M disparou contra a Revok, dizendo que “nas circunstâncias, em que a obra de arte reivindicada por seu cliente é produto de uma conduta criminal, o Sr. Williams não tem direitos de autor para afirmar”.

Eles continuam dizendo que, como a proteção de direitos autorais “é um privilégio de acordo com a lei federal”, não se estende a “obras de obras ilegais”. E a H&M tem o Departamento de Parks da Cidade de Nova York ao seu lado. A organização confirmou que o graffiti na parede do handball do parque não foi autorizado e constituiu vandalismo e desfiguração da propriedade de Nova York. Então, os artistas de rua estão agora a pedir um boicote ao varejista em apoio de Revok.

Afinal, você não pode ter as duas coisas. Ou o graffiti é um ato ilegal de vandalismo ou sua arte comercializável. H&M não pode simplesmente mudar de lado depois de ter sido negado o uso gratuito da criatividade original. De qualquer forma, será um caso interessante para se ver. A arte “ilegal” ou não autorizada já é autorizada para direitos autorais? E quanto a Banksy? Embora tenha certamente valor de mercado, as ramificações legais não são muito claras. Mas uma coisa é certa – caso o Revok vença seu caso, esta poderia ser uma oportunidade real para artistas de rua no futuro para proteger seu ofício.
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Matéria publicada originalmente no site da revista Dasartes (www.dasartes.com.br), em 15/03/18.

Vídeo de galinhas flamejantes de Adel Abdessemed é retirado de mostra francesa

O vídeo polêmico do artista argelino Adel Abdessemed, que mostra uma fileira de galinhas flamejantes penduradas pelos pés, foi removido de mostra no Museu de Arte Contemporânea (MAC) em Lyon, na França depois que a indignação pelas mídias sociais sugeriu como sendo "cruel". Mas o vídeo empregava efeitos cinemáticos especiais para criar a impressão de que as galinhas estavam em chamas, mas não de fato prejudicaram os animais; e mesmo assim foi retirado da exposição. Matéria de Naomi Rea, publicada originalmente no site do artnet News (atnet.com), em 15/03/18. +

Um vídeo polêmico do artista argelino Adel Abdessemed, que mostra uma fileira de galinhas flamejantes penduradas pelos pés, foi removido de mostra no Museu de Arte Contemporânea (MAC) em Lyon, na França, depois que a indignação pelas mídias sociais sugeriu como sendo "cruel" o trabalho.

O vídeo, intitulado Spring, foi incluído na exposição “The Antidote”, que estreou no dia 8 de março e vai até o dia 8 de julho no MAC Lyon. O vídeo - precedido por uma advertência e exibido em uma sala separada - empregava efeitos cinemáticos especiais para criar a impressão de que as galinhas estavam em chamas, mas não de fato prejudicaram os animais.

De fato, de acordo com o museu, o vídeo pretende dar uma luz crítica à crueldade contra os animais. O museu descreve o trabalho como “uma alegoria para toda a violência, notadamente aquela infligida a animais, que [Abdessemed] continua a denunciar em muitos de seus trabalhos e entrevistas”.

No entanto, as imagens chocantes provocaram fortes reações tanto dentro como fora dos ativistas dos direitos dos animais e amantes dos animais. Em um tweet, o jornalista e ativista Aymeric Caron perguntou ao museu: "Como você ousa endossar a tortura animal?"

O museu explicou que o vídeo foi feito em Marrocos, com uma equipe de técnicos de efeitos especiais que trabalham para criar "chamas" seguras. Abdessemed também usou o mesmo efeito em si mesmo no passado para seu trabalho “I Am Innocent”.

Para criar o vídeo em exibição em Lyon, as galinhas foram submetidas ao efeito seguro por cerca de três segundos sob condições estritamente controladas para evitar qualquer sofrimento. Os três segundos de gravação foram mostrados em um loop para a instalação.
"Apesar das informações fornecidas sobre as condições reais da realização do trabalho, as redes sociais, em seguida, a imprensa foi à loucura com base em informações incompletas e, na verdade, enganosas", disse o museu em um comunicado.

Como resultado da controvérsia, Abdessemed consultou o museu e, finalmente, decidiu remover o trabalho. O artista se recusou a comentar o assunto para a Artnet News.

Em sua declaração de ontem, o museu chamou a perseguição da mídia de Abdessemed um "julgamento injusto" e explicou a decisão de remover o trabalho. “O artista espera que a arte volte a ser o foco da exposição e que as reações indignadas provocadas pelos maus tratos aos animais sejam aplicadas não à arte que a denuncia, mostrando-a artificialmente, mas aos seus verdadeiros agentes.”

A exposição apresenta cerca de 40 obras que abordam questões que vão desde o trabalho forçado aos direitos das mulheres.
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Matéria de Naomi Rea, publicada originalmente no site do artnet News (atnet.com), em 15/03/18.

Stormtrooper crucificado é reposicionado após reclamações em igreja londrina

Originalmente, a peça central da exposição "Estações da Cruz" do artista Ryan Callanan, ou o RYCA, será movida para um lugar menos proeminente na histórica igreja de St. Stephen Walbrook, em Londres. As as objeções não surpreenderam o artista. Matéria de Sarah Cascone publicado originalmente no portal Artnet (artnet.com), em 13/03/18. +

A exposição de "Estações da Cruz" que ocorre em uma igreja de Londres será inaugurada como planejado, mas precisará de uma nova peça central: uma estátua em tamanho natural de um stormtrooper imperial crucificado - que originalmente seria uma obra de destaque na igreja em cima do altar - está recebendo um rebaixamento. Após reclamações de paroquianos, o trabalho foi transferido para um lugar menos proeminente antes mesmo da abertura da mostra.

A peça, simplesmente intitulada “Stormtrooper Crucificado” é o trabalho do artista de rua Ryan Callanan, mais conhecido como RYCA. Inspirado pela franquia de filmes Star Wars, que começou em 1977, o artista lançou um stormtrooper anônimo no papel de Jesus, pregado em uma cruz de madeira.

A escultura, que custa 12 mil libras (US $ 16.750), deve fazer parte da exposição "Estações da Cruz", organizada pela Art Below, na histórica igreja de St. Stephen Walbrook, em Londres. Menos de 24 horas após a sua instalação inicial, após um protesto da comunidade no fim da missa da manhã, a igreja indicou que havia decidido remover a peça controversa. Um representante da igreja mais tarde esclareceu, no entanto, que o trabalho seria transferido para um novo local longe do altar.

“[Stormtrooper Crucificado] foi maior e mais notável do que o previsto quando a exposição foi aprovada. Sua posição na igreja, como é atualmente instalada, provou ser uma distração para alguns fiéis”, disse o representante à artnet News por e-mail. “Como resultado, após as discussões com o curador, pedimos ao Art Below para reposicionar o trabalho, para que ele permaneça proeminente, mas menos uma distração do altar.”

Neste ponto, as objeções ao crucifixo inspirado em ficção científica não devem surpreender a RYCA. Ele mostrou uma versão muito menor do trabalho em uma galeria de Londres em 2014 e enfrentou preocupações semelhantes sobre a blasfêmia. “Ele não está zombando de nenhuma religião em particular e certamente não do cristianismo”, disse ele ao Romford Recorder na época, alegando que a escultura estava comentando sobre a natureza dispensável das stormtroopers sem rosto de Star Wars, que são “buchas de canhão” para a causa do Império.

Em declarações à Artnet News via Facebook, o artista fez um argumento semelhante ao despertar da mais recente controvérsia. “Este é um stormtrooper crucificado e não tem nada a ver com religião. Não é um método de pena capital reservado ao filho de Deus”, escreveu ele. “Este trabalho é como muitos dos meus trabalhos, usando simbologia e cultura pop e misturando-os para criar uma nova narrativa.”

Ben Moore, fundador e curador de Art Below, acredita que o trabalho fala de uma narrativa compartilhada tanto por Star Wars quanto pelo cristianismo. "É simbólico que em Star Wars: The Force Awakens (2015) vemos um stormtrooper escapar do lado escuro para vir e apoiar a rebelião", disse ele em um comunicado. "O Stormtrooper Crucificado joga na noção de perdão."
Moore já fez curadoria de exposições de arte com temática da crucificação em 2014 e 2015. A mais recente edição, na Igreja Paroquial de St. Marylebone, em Londres, também gerou polêmica com For Pete's Sake, uma escultura de mármore em tamanho natural que substituiu Jesus na cruz por músico e compositor inglês, e líder do Libertines, Pete Doherty. Todos as três mostras foram organizadas em apoio ao Missing Tom Fund, dedicado a encontrar o irmão de Moore, Tom Moore, desaparecido desde 2003.

O crucifixo inspirado em ficção científica da RYCA não foi o único trabalho a ser analisado em "Estações da Cruz". A igreja também estava considerando a possibilidade de derrubar vários trabalhos com nudez de Francis Bacon, Paul Benney e Ricardo Cinalli. A igreja depois esclareceu que "não fez nenhuma sugestão de que o trabalho de Francis Bacon seja inadequado ou possa ser removido".

O Bacon, uma das 14 obras incluídas no programa, é um desenho em pastel da coleção do amante do artista Cristiano Lovatelli Ravarino. Sebastian Horsley e Ben Eine estão entre os 14 artistas em destaque.

"Esta é uma exposição de imagens projetadas para provocar o pensamento de artistas lutando com sua resposta ao desafio e escândalo da cruz de Cristo", disse o reverendo Jonathan Evens de St. Stephen Walbrook em um comunicado, defendendo a Crucificação Stormtrooper. “Para mim, esta imagem levanta questões similares àquelas que CS Lewis levantou em sua trilogia de ficção científica, isto é, que, existindo outras raças em outros planetas, Cristo seria encarnado entre aquelas raças para morrer por sua salvação? [Isso é uma obra] que pode abrir nossas ideias e mentes para novas reflexões sobre o significado eterno do sacrifício de Cristo.”

Quando a RYCA acreditou que o trabalho não seria exibido, ele chamou a censura de "um sinal dos tempos" e estava esperançoso de que o trabalho aumentasse novamente. "Talvez ressuscite em alguns dias", disse ele. Felizmente, não demorou muito.

As “Estações da Cruz” de Art Below estão em cartaz em St. Stephen Walbrook, 39 Walbrook, Londres, de 15 a 23 de março de 2018.
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Matéria de Sarah Cascone, traduzido por Lucas Malkut, publicado originalmente no site arNet News (artnet.com), em 13/03/18.

Véio traz demônios do sertão para SP

Mostra em cartaz no Itaú Cultural faz um percurso sobre a obra entre vários temas trabalhados por Cícero Alves dos Santos em seus 70 anos de vida. Dividida em três andares – e três temáticas principais, o assombro, a nação lascada e o Museu do Sertão – a mostra conta com cerca de 250 peças das mais de 17 mil que Véio produziu ao longo de sua vida. Matéria de Pedro Rocha publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo". +

O sertão brasileiro tem os seus demônios. Pelas mãos e imaginação do artista sergipano Véio, alguns deles são trazidos para a Avenida Paulista, em São Paulo, em exposição que será aberta ao público nesta quartafeira, 14, às 20h, no Itaú Cultural, onde fica até 13 de maio.

Véio – A Imaginação da Madeira faz um passeio por vários temas trabalhados por Cícero Alves dos Santos em seus 70 anos de vida. Dividida em três andares – e três temáticas principais, o assombro, a nação lascada e o Museu do Sertão – a mostra conta com cerca de 250 peças das mais de 17 mil que Véio produziu ao longo de sua vida.

O artista sergipano recorda ter começado a brincar com formas aos 6 anos. Na época, construía a partir da sua imaginação, utilizando cera de abelha. Sua família, porém, não via essa atividade com bons olhos. “Achavam que estava brincando de boneca, e aquilo não era permitido”, diz Véio ao Estado. “Meus pais achavam que estava seguindo por um lado feminino.” Impedido pela família, Véio continuou por muito tempo brincando escondido com a cera. “Fazia as obras, mas quando via alguém chegando, desmanchava.”

O artista acredita que, por isso, desenvolveu um tipo de trauma, que serviu, porém, para estimular a construção de seu gigantesco acervo pessoal, que nunca foi movido, ele reforça, por motivos comerciais ou capitalistas. “Por muito tempo pensei que nunca teria a minha coleção.” A família, ainda hoje, ele relata, não aceita sua arte. “Admiram o meu nome, pelo degrau que alcancei. O destaque é o artista, mas não a arte.”

Véio ganhou o apelido ainda criança, por estar sempre na companhia de pessoas mais velhas, a quem dava atenção e ouvia suas histórias. Preocupado em conservá-las, criou em seu sítio, em Feira Nova (SE), o Museu do Sertão, que é lembrado em um dos andares da exposição, a única documental. Lá, as próprias obras se misturam com objetos adquiridos na região ao longo do tempo – peças comuns, mas que representam a história do homem sertanejo. “O sertão é praticamente esquecido, só é lembrado em períodos eleitorais”, analisa o artista. “O sertanejo deveria ter mais oportunidade, de crescer e de valorizar sua própria cultura.”

Não por acaso, outra seção da mostra tem o nome de “nação lascada”, um duplo sentido para falar da situação do sertão e também da matéria-prima, a madeira morta. “A primeira impressão é que algumas dessas obras são descritivas, mas não são”, explica Carlos Augusto Calil, que assina a curadoria com Agnaldo Farias. “Não é artesanato. As peças comentam, transcendem.” Algumas obras são minúsculas, em milímetros. Na mostra, quatro são feitas num palito de fósforo. “A arte não é pelo tamanho, é pela arte em si”, opina Véio. “A obra pequena faz você se aproximar dela, abrir os olhos.”

Ainda neste andar, estão presentes vários “cães”, como denomina o artista – estes sim demônios mais literais que metafóricos. “Um corredor de demônios e da morte, a forma como Véio lida com eles”, esclarece Calil. As obras se relacionam também com a do terceiro nicho, o “assombro”. “São peças que causam a sensação de estranhamento e fascínio, que falam alto”, descreve o curador.

Em suas obras de maior tamanho, Véio se aproveita das formas da natureza. “Vejo as curvas e os galhos tortos. A natureza já fez, cabe a você aperfeiçoar”, diz o artista. “Ele é um conservador no melhor sentido da palavra, ele retém. Possui um olhar extraordinário, vê a peça de madeira como a gente não vê”, explica Calil sobre o nome da exposição.

Os curadores buscaram peças não só da casa de Véio, como de colecionadores por todo o Brasil. “Eles emprestam com a maior alegria, têm orgulho”, conta Calil, que acompanha o trabalho de Véio já há alguns anos. “As pessoas já perceberam que Véio é um dos grandes. Ele ainda carece de reconhecimento, mas acho que essa exposição é de consagração.”

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Matéria de Pedro Rocha publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo".

Caixa Cultural inaugura exposição da artista plástica Anna Bella Geiger

A mostra em São Paulo exibe obras com ceras de abelha derramadas em gavetas, série histórica desenvolvida pela artista em 1995, que já fazia mapas desde 1975. Inclui ainda estudos cartográficos e um vídeo no qual ela explica seu processo de criação. Matéria de Isabella Menon publicada no jornal "Folha de São paulo", em 14/03/18. +

Anna Bella Geiger faz mapas desde 1975. Mas sua técnica, que consiste em despejar cera de abelha em suportes de metal acomodados em gavetas, foi desenvolvida somente em 1995.

“Foi como se eu tivesse passado 20 anos andando pelo deserto à procura de um contêiner ideal para segurar meus mundos”, diz a artista sobre o período que guardava os mapas sem transformá-los em obras de arte.

A partir desta quarta-feira (14), 12 gavetas com mapas e estudos cartográficos da artista carioca, além de um vídeo no qual ela explica seu processo de criação, serão exibidos na Caixa Cultural de SP.

Na mesma data da abertura, Geiger fará uma palestra no instituto, às 12h30, a fim de apresentar e explicar os propósitos de seu trabalho.

A artista atribuiu à série desenvolvida na década de 1990 o nome “Fronteiriços”.

Ela lembra da advertência que recebeu de uma amiga ao comentar-lhe sua intenção de intitulá-los assim: “Ela disse para eu pensar em outro nome, pois este remetia ao borderline [doença relacionada a um tipo de transtorno de personalidade]”.

A observação fez a artista gostar ainda mais do apelido, já que seus mapas são cerceados por moldes de países e pelas paredes das gavetas, e borderline, em tradução literal para o português, significa justamente limite.

A artista começou a trabalhar com mapas na mesma época em que seu marido, Pedro Geiger, atuava como geógrafo do IBGE em projetos de estados brasileiros.

Ela, porém, refuta a ideia de que tenha sido exclusivamente influenciada pela atuação do marido.

“Até os anos 1960, eu trabalhava com formas de corpos viscerais e não era casada com um médico”, diz Geiger, que relembra ter se fascinado com mapas ainda nos anos 1950, quando viu sua irmã desenhando cartografias.

Prestes a completar 85 anos, Geiger tem obras expostas em museus do Rio de Janeiro e de Buenos Aires. Ainda neste mês, suas obras serão exibidas em mostras em Bruxelas e em Nova York.

MAPA-MÚNDI

Para a artista, seus mapas retratam ideologias —como quando usa molas para traduzir tensões entre os países.

Fascinada por retratar a América Latina, ela afirma que sua obra foi influenciada pela ditadura militar, vigente no início de sua carreira.

Suas representações trazem topografias que permitem a problematização de costumes, culturas e políticas sociais delimitadas pelas fronteiras.

Anna Bella Geiger: Gavetas de Memórias

ONDE
Caixa Cultural São Paulo, pça. da Sé, 111, tel. (11) 3321-4400

QUANDO
A partir desta quarta (14) até 13/5; ter. a dom. das 9h às 19h

QUANTO
grátis
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Matéria de Isabella Menon publicada no jornal "Folha de São paulo", em 14/03/18.

33ª Bienal anuncia 12 projetos individuais

Convidado pela Fundação Bienal de São Paulo para desenvolver o projeto da 33ª edição, Gabriel Pérez-Barreiro seleciona os projetos individuais que irão compor a exposição ao lado de mostras coletivas organizadas por sete artistas-curadores. Modelo busca alternativa ao uso de temáticas na curadoria e privilegia o olhar dos artistas sobre seus próprios contextos criativos. Texto da assessoria de imprensa da Fundação Bienal. +

Como indicado pelo título "Afinidades Afetivas" – inspirado pelo romance Afinidades eletivas (1809), de Johann Wolfgang von Goethe, e pela tese “Da natureza afetiva da forma na obra de arte” (1949), de Mário Pedrosa –, a 33a Bienal de São Paulo pretende valorizar a experiência individual do espectador na apreciação das obras em vez de um recorte curatorial que condiciona uma compreensão pré-estabelecida. O título não serve como direcionamento temático para a exposição, mas caracteriza a forma de conceber a mostra a partir de vínculos, afinidades artísticas e culturais entre os artistas envolvidos. Como no texto de Mário Pedrosa, há uma proposta de investigação das formas pelas quais a arte cria um ambiente de relação e comunicação, passando do artista para o objeto e para o observador. Presença, atenção e influência do meio são as premissas que norteiam a curadoria desta edição, numa reação a um mundo de verdades prontas, no qual a fragmentação da informação e a dificuldade de concentração levam à alienação e à passividade.

Com esse pano de fundo, a 33ª Bienal de São Paulo será composta pela soma de projetos individuais selecionados por Gabriel Pérez-Barreiro a sete mostras coletivas concebidas pelos artistas-curadores já anunciados: Alejandro Cesarco (Montevidéu, Uruguai, 1975); Antonio Ballester Moreno (Madri, Espanha, 1977); Claudia Fontes (Buenos Aires, Argentina, 1964); Mamma Andersson (Luleå, Suécia, 1962); Sofia Borges (Ribeirão Preto, Brasil, 1984); Waltercio Caldas (Rio de Janeiro, Brasil, 1946) e Wura-Natasha Ogunji (St. Louis, EUA, 1970). Suas proposições curatoriais serão detalhadas em breve.

A seleção de Gabriel Pérez-Barreiro traz projetos comissionados de oito artistas (Alejandro Corujeira, Bruno Moreschi, Denise Milan, Luiza Crosman, Maria Laet, Nelson Felix, Tamar Guimarães, Vânia Mignone), uma série icônica de Siron Franco e homenagens a três artistas falecidos: o guatemalteco Aníbal López, o paraguaio Feliciano Centurión e a brasileira Lucia Nogueira.


Política, sexualidade e expoente feminino
Visto que Pérez-Barreiro propõe um modelo curatorial que evita aproximações temáticas, mais do que questões de linguagem ou conceituais, os três artistas homenageados têm em comum a atuação durante os anos 1990 e o fato de terem falecido precocemente. “Essa foi a primeira geração latino-americana a fazer uma arte livre da opressão dos regimes totalitários das décadas anteriores”, explica Pérez-Barreiro. São obras isentas da necessidade de trabalhar de maneira codificada ou oculta, passando a uma maior ênfase na expressão da subjetividade como ato político.

De acordo com Pérez-Barreiro, a homenagem a esses três artistas, com cerca de 30 a 40 obras de destaque dentro da trajetória de cada um deles, foi uma maneira de repensar os chamados núcleos históricos da Bienal de São Paulo, que marcaram a exposição até sua 26ª edição (2004) e que ele considera uma peculiaridade positiva em relação às outras exposições sazonais ao redor do mundo. “Eu queria artistas que fossem históricos, mas ao mesmo tempo não consagrados, ou seja, que esses núcleos não fossem apenas a reiteração de nomes que já conhecemos. Os artistas homenageados são pouco conhecidos na América Latina, mas são expoentes de sua geração, então trazê-los à Bienal é uma forma de resgatá-los do desaparecimento da história da arte e mostrá-los para as novas gerações”, diz Pérez-Barreiro. Para o curador, a realização dessas exposições também significa uma contribuição expressiva da Fundação Bienal na pesquisa, catalogação e recuperação dos acervos desses artistas.

Aníbal López (Cidade da Guatemala, Guatemala, 1964-2014), também conhecido por A-153167, o número de sua cédula de identidade, foi um dos precursores da performance em seu país. Sua obra, que inclui vídeo, performance, live act e intervenções urbanas, entre outras formas de expressão, tem forte caráter político e se volta para questões de disputas entre fronteiras nacionais, culturas indígenas, abusos militares e até do mercado de arte. Registros em vídeo e fotografias de ações efêmeras, realizadas como forma de protesto à objetificação e fetichização da arte, compõem a mostra.

O universo queer é abordado com delicadeza por Feliciano Centurión (San Ignacio, Paraguai, 1962 – Buenos Aires, Argentina, 1996), que deixou seu país natal, o Paraguai, para radicar-se na Argentina, onde se tornou expoente da chamada geração “Rojas” (primeiros artistas a expor na galeria do Centro Cultural Rector Ricardo Rojas, da Universidad de Buenos Aires) até ser vitimado por complicações decorrentes da AIDS, aos 34 anos. Centurión trabalhava primordialmente com tecidos e bordados, incorporando peças como lenços e crochês comprados em feirinhas portenhas. Descendente de uma família de bordadeiras, ele se apropria de práticas artesanais como linguagem artística para expressar elementos de sua história pessoal a partir de uma tradição familiar comum na cultura paraguaia.

Ainda pouco conhecida no Brasil, a goiana Lucia Nogueira (Goiânia, Brasil, 1950 – Londres, Reino Unido, 1998) é uma figura essencial para compreender a arte britânica do período e desenvolveu uma carreira internacionalmente reconhecida. Suas esculturas e instalações, foco da individual incluída na 33ª Bienal, subvertem o utilitarismo de objetos com um humor sutil, tanto pela associação inusitada entre elementos quanto pelo jogo semântico constantemente presente em seus títulos, criando uma atmosfera de estranheza e poesia.

Projetos individuais
Projetos individuais de nove artistas, dos quais oito foram especialmente comissionados, completam a seleção de Pérez-Barreiro. O único a exibir um trabalho histórico é Siron Franco (Goiás Velho, Brasil, 1950), com a série de pinturas Césio/Rua 57. Nela, Franco eterniza a impressão de horror e isolamento causada pelo acidente radioativo acontecido em 1987 no Bairro Popular, em Goiânia, com o elemento Césio 137. Nascido e criado naquele bairro, o artista retornou à sua cidade natal logo após o acidente, na contramão da população local, deixando definitivamente o eixo Rio-São Paulo. Seus registros da catástrofe ambiental marcaram uma guinada em sua carreira, antes de temática irônica, para uma alegoria da catástrofe através de elementos simbólicos.

O pigmento de algumas pinturas da série advém da terra de Goiânia, que muitos acreditavam estar contaminada pela substância radioativa. Roupas inseridas em algumas das telas relembram as quatro primeiras vítimas do acidente, dentre as quais uma criança. Em tempos de desastres ambientais como o rompimento em 2015 da barragem de Fundão, em Mariana, o debate levantado pela obra de Siron Franco permanece tristemente atual.

Os oito artistas com projetos comissionados têm em comum o desenvolvimento de trabalhos que não se encaixam numa estrutura temática. “São pesquisas complexas que funcionam individualmente e não precisam de um contexto adicional para que o espectador se relacione com os trabalhos”, explica Pérez-Barreiro.

O portenho Alejandro Corujeira (Buenos Aires, Argentina, 1961) possui uma concepção formal leve e fluida, que parece querer captar o movimento da natureza. Ele terá esculturas e pinturas apresentadas na mostra. Denise Milan (São Paulo, Brasil, 1954) cria esculturas e instalações com grandes pedras e cristais. Na 33ª Bienal, a artista exibirá novos trabalhos nesses formatos.

O cotidiano serve de inspiração às obras de Maria Laet (Rio de Janeiro, Brasil, 1982), que exibirá um novo vídeo na 33a Bienal, e de Vânia Mignone (Campinas, Brasil, 1967), que trará pinturas inéditas. Nelson Felix (Rio de Janeiro, Brasil, 1954), que em seu “trabalho formal parece materializar uma consciência planetária”, nas palavras de Pérez-Barreiro, mostrará uma nova instalação escultórica.

As pesquisas de Bruno Moreschi (Maringá, Brasil, 1982) e Luiza Crosman (Rio de Janeiro, Brasil, 1987) se relacionam com a corrente da crítica institucional e fogem de suportes artísticos tradicionais. “Com esses artistas teremos, dentro da exposição, um olhar crítico sobre como a arte funciona, é exibida e justificada”, afirma Pérez-Barreiro. Partindo de uma abordagem pessoal e poética, Tamar Guimarães (Viçosa, Brasil, 1967), que une uma abordagem crítica sobre as instituições a preocupações poéticas e narrativas, apresentará um novo vídeo.


Cartaz e publicação educativa
Junto com a divulgação dos nomes selecionados por Gabriel Pérez-Barreiro, a 33ª Bienal lança o cartaz desta edição, projetado por Raul Loureiro, que utilizou suas afinidades como motivos gráficos para a comunicação visual da mostra. O cartaz da exposição é constituído da reprodução da obra Formas expressivas (1932), de Hans (Jean) Arp, uma pintura com madeira em relevo, acompanhada por elementos tipográficos. A identidade visual adota a família tipográfica Helvetica, que prioriza a clareza e a neutralidade de significados, e enfatiza o número 33 como elemento de sua concepção.

A 33ª Bienal apresenta ainda sua publicação educativa, elaborada pela equipe da Fundação Bienal com consultoria de Lilian L’Abbate Kelian e Helena Freire Weffort. Sob o título Convite à atenção, a publicação parte de uma discussão acerca da atenção para propor atividades distintas, que podem ser realizadas individualmente ou em grupos. Procurando contrabalançar a dispersão causada pelo imenso volume de informação e imagens a que somos submetidos diariamente, foram criados exercícios que configuram um convite a estar atento à experiência com a arte. A peça, com colagens inéditas feitas pelo artista-curador Antonio Ballester Moreno propõe um conjunto de experiências cujo uso não está restrito à 33ª Bienal, mas a diversas obras e contextos.


Credenciamento para profissionais e imprensa
A partir de 20 de março tem início o período de credenciamento para profissionais e imprensa no portal da Fundação Bienal de São Paulo. O preview para imprensa acontece no dia 4 de setembro e, nos dias 5 e 6, a 33ª Bienal será aberta para profissionais do meio.

Preview para imprensa: 4 de setembro/2018
Preview para imprensa, profissionais e convidados: 5 e 6 de setembro/2018
Credenciamento de imprensa e imagens para download: bienal.org.br/press33
Credenciamento de profissionais: bienal.org.br/credenciamento

A Fundação por trás da 33ª Bienal
A proposta apresentada por Gabriel Pérez-Barreiro e selecionada pela Fundação Bienal para a 33ª edição da mostra encontra ressonância não apenas na vocação própria da instituição mas também no desafio de se manter contemporânea em pleno século 21. Ao questionar modelos estabelecidos e repensar a própria forma de se fazer exposições de arte de grande escala, o projeto vai ao encontro da atividade cotidiana da Fundação Bienal, que consiste em olhar sempre para o novo sem perder de vista suas mais de seis décadas de história.

“Além de um conhecimento extensivo sobre arte latino-americana, Gabriel Pérez-Barreiro demonstrou desde o início um desejo de experimentar novos formatos e concentrar seus esforços na relação do público com a arte. Seu rigor alinhado à capacidade de experimentação são dignos do nosso entusiasmo”, diz João Carlos de Figueiredo Ferraz, presidente da instituição.

Em pleno processo de desenvolvimento da 33ª edição, a Fundação Bienal trabalha também na articulação com museus e instituições culturais a fim de ampliar a capilaridade de suas ações. Além disso, a Bienal é detentora de um arquivo com mais de um milhão de documentos cujo conteúdo o qualifica como um dos principais acervos sobre história da arte moderna e contemporânea da América Latina. Desde 2015, a Fundação Bienal vem fazendo investimentos sistemáticos no tratamento documental: identificação e remanejamento dos materiais por coleções, higienização, classificação e catalogação, pesquisa e revisão de dados e desenvolvimento de um banco de dados para gestão e difusão dos acervos.
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33ª Bienal de São Paulo – Afinidades afetivas
de 7 de setembro a 9 de dezembro de 2018
Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera
www.bienal.org.br
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Texto da assessoria de imprensa da Fundação Bienal.

MAM-RJ enfrenta crise

A notícia de que o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio venderá sua valiosa tela “Nº 16”, de Jackson Pollock, pegou de surpresa artistas, curadores e frequentadores de suas exposições. # Artigo de Nelson Gobbi para o jornal "O Globo" em 20/03/2018 +

Presidente do museu carioca, Carlos Alberto Chateaubriand explica por que quer vender o quadro “Nº 16”, rara obra de Jackson Pollock numa instituição da América do Sul.
A notícia de que o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio venderá sua valiosa tela “Nº 16”, de Jackson Pollock, pegou de surpresa artistas, curadores e frequentadores de suas exposições. Sobretudo pelos motivos. Como informou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, a venda servirá para sustentar o museu e permitir investimentos, já que a instituição enfrenta dificuldades para captar recursos. O presidente do MAM, Carlos Alberto Chateaubriand, recebeu ontem a reportagem e explicou o que planeja para enfrentar a crise atual. O museu ainda depende de autorização do Iphan para levar a venda adiante.
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Como foi a decisão de colocar a tela de Pollock à venda?

Vivemos um momento de dificuldades de modo geral. Acho que 95% das pessoas acham que o MAM é estatal, mas ele é uma sociedade privada sem fins lucrativos, que é pública apenas por receber visitantes. Não temos ajuda alguma do governo para pagar nossas despesas. Só a conta de luz é de R$ 120 mil, R$ 130 mil por mês. Com o reajuste, ela aumenta uns R$ 12 mil. Além disso, temos folha de pagamento e custos de manutenção do acervo — que tem mais de 16 mil obras de arte (entre próprias e em comodato), fora a documentação. A Cinemateca possui mais de oito mil títulos, o que significa ter de armazenar com segurança cerca de cem mil rolos de filmes. Temos 52 funcionários, uma equipe enxuta, mas muito competente, o que nos permite continuar trabalhando. Na fase mais aguda da crise, não demitimos, enquanto várias instituições mandaram pessoal embora. Por enquanto, fechamos as contas, às vezes jogando para a frente, tendo que pagar juros. O problema é a previsão para o futuro. Se não fizemos algo, daqui a uns meses podemos realmente entrar em crise.

Por que essa tela?

É uma obra importante, de que gostamos muito, mas dentro do nosso acervo não é uma obra capital. Talvez, se não tivéssemos perdido outras obras, com as quais ela se relacionava, no incêndio que o museu sofreu em 1978, a história fosse outra. Ao mesmo tempo, ela pode preencher lacunas de coleções internacionais. Vemos isso pelos pedidos de empréstimos. Ela é sempre solicitada lá fora, e aqui só foi pedida uma vez, em 1996, para uma mostra em São Paulo.

Como acredita que o público do museu encare a venda?

Essa tela está em exposição há mais de um ano, somando as mostras “Em polvorosa” e “Estados da abstração no pós-guerra”. Por ela ter uma dimensão pequena (leia detalhes acima), muita gente nem a nota. E está muito bem posicionada na exposição, ao lado de um Max Bill, logo na saída da escada. Ninguém sentirá mais essa venda do que eu e os membros do conselho, mas era o momento de tomar uma decisão. Imagine se deixo de pagar uma obrigação e mandam apreender algum item da coleção? Ou se algum trabalho venha a se danificar por falta de manutenção? É melhor abrir mão de uma obra do que colocar todo o acervo em risco.

Como estão as receitas do MAM? Doações e captação via leis de incentivo não mantêm o funcionamento?

Temos uma despesa de R$ 520 mil por mês. Para o ano passado, captamos cerca de R$ 4 milhões via Lei Rouanet. Mas só conseguimos renovar convênio com um de nossos quatro mantenedores, a Petrobras. O contrato é de cerca de R$ 2 milhões por 18 meses. Também contamos com o aluguel dos espaços e eventos, mas a crise financeira e o aumento da violência nos afetaram. Em anos anteriores, havia quatro eventos por semana em dezembro. No ano passado, houve só um no mês inteiro.

Tentaram mais doações pela Associação de Amigos antes de colocar a tela à venda?

Trabalhamos sem parar neste sentido, mas o Rio vive uma crise financeira e institucional sem precedentes. As pessoas dizem que já passamos por outros momentos graves, mas eram crises nacionais que nos afetavam. Agora é diferente, o Rio está se deteriorando. Estive na Vancouver Art Gallery pouco tempo atrás, numa cidade menor e com menos recursos que o Rio, e lá eles recebem mais de US$ 10 milhões em doações por ano. O MAM vive uns cinco anos com isso. São realidades totalmente distintas. Por mais que a gente trabalhe, não consegue ser sustentável desta forma.

Mas qual é o tamanho real da dívida? Ele será abatido do valor da venda?

Hoje temos um passivo de mais ou menos R$ 4 milhões renegociados no Refis (programa de parcelamento de dívidas tributárias) do ano passado, e já estamos pagando as parcelas. Não usaremos a venda para abater a dívida. O valor ficará em um fundo e utilizaremos apenas parte de seu rendimento anual. Nosso planejamento é utilizar dois meses para as despesas do museu, e aí podem entrar as parcelas da dívida, e outros dois meses para a aquisição de obras, sobretudo arte brasileira moderna e contemporânea. A proposta é reinvestir os rendimentos dos oito meses restantes.
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Artigo de Nelson Gobbi para o jornal "O Globo" em 20/03/2018



Expectativa é arrecadar até US$ 25 milhões com tela

Doado por Nelson Rockefeller em 1954, o óleo “Nº 16” (1950) sobreviveu ao incêndio do prédio em 1978. E terá o valor de sua venda (estimado entre US$ 23 milhões e US$ 25 milhões) transformado num fundo administrado por uma instituição financeira, com seu uso gerido por um comitê e auditado pela PricewaterhouseCoopers. # Artigo publicado no jornal carioca "O Globo" em 20/03/2018. +

A tela tem apenas 56,7 centímetros em cada lado. É pequena para as dimensões das obras mais célebres do americano Jackson Pollock (1912-1956), mas pode significar a sobrevivência do MAM pelas próximas décadas. Doado por Nelson Rockefeller em 1954, o óleo “Nº 16” (1950) sobreviveu ao incêndio do prédio em 1978. E terá o valor de sua venda (estimado entre US$ 23 milhões e US$ 25 milhões) transformado num fundo administrado por uma instituição financeira, com seu uso gerido por um comitê e auditado pela PricewaterhouseCoopers. Segundo o museu, a escolha do quadro se deu por alguns motivos. Um é seu valor de mercado. Afinal, desfazendo-se de uma única obra, a arrecadação garantiria recursos por um longo período. Outra razão é o fato de ela não estar relacionada com o foco da coleção: arte brasileira moderna e contemporânea. Outras obras de maior valor, como “Mademoiselle Pogany”, de Constantin Brancusi, e “Quatre femmes sur socle”, de Alberto Giacometti, permanecem no acervo por sua ligação com outras esculturas do período mantidas pelo MAM. Na visão da instituição, portanto, o desfalque seria maior.
— Exibi o Pollock umas quatro vezes enquanto estive no museu — recorda Luiz Camillo Osório, curador da casa entre 2009 e 2015. — É uma pena que saia do acervo, mas é uma discussão a ser levantada diante das dificuldades financeiras, que existem desde que o MAM é o MAM. Pelo que sei, é o único Pollock de coleção aberta ao público da América do Sul.
Curador da exposição “Estados da abstração no pós-guerra”, Paulo Venâncio Filho aposta que o museu conseguirá o preço almejado pela tela:
— São raras as obras dele no mercado, então a procura deve ser alta. Outras instituições têm a prática de se desfazer de um item para investir na aquisição de mais acervo. Mas geralmente isso é feito quando o museu tem mais de uma obra do mesmo artista. A crise, infelizmente, leva a esse quadro.
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Artigo publicado no jornal carioca "O Globo" em 20/03/2018.

Órgão federal quer impedir que MAM-RJ venda obra de Pollock

“Os preceitos éticos que norteiam a gestão dos museus acolhem a possibilidade de venda de obras unicamente se a renda obtida for integralmente destinada à aquisição de outras obras, dentro de uma política de aprimoramento de acervos”, afirma a nota do Ibram. # Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. paulo" em 20/03/18. +

A fim de arrecadar dinheiro e montar um fundo, o MAM Rio quer vender a obra “No.16” (1950) do artista plástico Jackson Pollock (1912-1956).
Entretanto, em nota publicada nesta segunda (19), o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), autarquia ligada ao Ministério da Cultura, pede que a decisão seja suspensa.
“Os preceitos éticos que norteiam a gestão dos museus acolhem a possibilidade de venda de obras unicamente se a renda obtida for integralmente destinada à aquisição de outras obras, dentro de uma política de aprimoramento de acervos”, afirma a nota do Ibram.
“No caso presente, a situação é ainda mais delicada, por tratar-se da única obra do artista no acervo do MAM Rio”, diz ainda o texto.
Segundo Carlos Alberto Chateaubriand, presidente do museu carioca, estima-se que o quadro valha cerca de US$ 25 milhões (R$ 82 milhões).
O plano de venda da obra foi publicado pelo jornal O Globo neste domingo (18).
“Nós somos uma instituição privada, sem fins lucrativos, não temos acervo tombado e não recebemos nenhuma ajuda de governo federal e nem municipal, ou seja, nós temos que cuidar de todos os nossos custos”, diz Chateaubriand à Folha, comentando a decisão.
Em entrevista à Folha, Marcelo Araujo, presidente do Ibram, ressalta a grande relevância da obra, uma das poucas que sobreviveram ao incêndio do museu em 1978.
“É a única pintura do Pollock em acervo público no Brasil. Em uma eventual venda de uma obra de acervo de museu, a renda tem que ser integralmente utilizada para a compra de outras obras.”
Ele afirma ainda que pediu ao MAM suspender a decisão para que, juntos, o museu e o Ibram, procurem outras soluções, que ele ainda não sabe ao certo quais seriam.
O órgão não tem poder jurídico para suspender o leilão. “É minha iniciativa ao fazer esse pedido e solicitação para que possamos pensar em uma alternativa”, diz Araújo.
Chateaubriand diz que não “discutirá esse assunto com a imprensa”. “Isso tudo [discutir medidas alternativas] é muito bonito, mas como se pagam as contas? É preciso ver se essas medidas alternativas envolvem recursos significativos ao museu.”
Por sua parte, o Ministério da Cultura informou que é favorável à decisão do museu.
“Ao buscar o modelo de endowment [fundo] para a construção de uma base financeira mais sólida, a instituição demonstra estar olhando para o futuro, alinhando-se com as tendências internacionais de excelência em gestão de museus”, diz o MinC em nota.
Para que a venda aconteça, o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) precisa aprovar a decisão do MAM, já que a obra pode ser vendida a alguma instituição internacional ou colecionador estrangeiro.
Procurado pela reportagem, o órgão não respondeu até a conclusão desta edição.
LEILÃO
A obra em questão foi doada por Nelson Rockefeller, em 1954. Em nota, o MAM explica os motivos para a venda de um quadro de Pollock.
Entre eles, está o fato de o artista não ser brasileiro, a obra não estar entre os carros-chefes da instituição e se tratar de uma pintura requisitada por museus no exterior, tendo relevância, portanto, no mercado internacional.
Além disso, o museu acredita que a verba que seria arrecadada com o leilão pode ser utilizada para a manutenção a longo prazo do MAM.
Segundo a assessoria de imprensa do MAM, a manutenção do museu exige ao menos, R$ 6 milhões anuais. Em 2017, o museu arrecadou pouco mais de R$ 4 milhões.
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Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. paulo" em 20/03/18.

Arte e resistência

O ano afro-atlântico no MASP vai contar com nove exposições, oito individuais e uma geral. "Imagens do Aleijadinho" e "Maria Auxiliadora – Vida Cotidiana, Pintura e Resistência", abertas no dia 10 de março, além da individual de Emanoel Araújo, que será inaugurada em abril, são as primeiras. Melvin Edwards, Rubem Valentim, Sonia Gomes, Pedro Figar e Lucia Laguna ganham mostras no segundo semestre. +

Como faz já há alguns anos, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), inicia neste mês mais um ano temático. Em sequência a Histórias da Loucura e Histórias Feministas (2015), Histórias da Infância (2016) e Histórias da Sexualidade (2017), o museu apresenta em 2018 uma série de mostras com narrativas afro-atlânticas.
A série é uma tentativa do museu de fugir da centralização europeia do acervo do Masp, explica o diretor artístico Adriano Pedrosa. “Redefinimos a missão do museu para ser mais diverso, inclusivo e plural”, diz ao Estado. “A coleção europeia é excepcional, mas temos proposto olhar para outras narrativas.”
Pedrosa, no Masp desde 2014, confessa que, há pouco tempo, quase não havia trabalhos de artistas negros no museu. “O processo para aumentar a coleção, porém, demora, ainda mais por não termos orçamento para aquisições, trabalhamos com doações.” Oportunidades surgiram, com fundos de terceiros, e o Masp agora tem Maria Auxiliadora e Heitor dos Prazeres.
A preocupação vai além da questão racial. Após receber as Guerrilla Girls no ano passado, o museu decidiu colocar em sua exposição permanente, Acervo em Transformação, uma obra criada e doada pelo grupo, feita para criticar a baixa quantidade de artistas femininas em exibição no Masp no período. “Sabemos dos números e deixamos a obra em display para chamar a atenção para esse desequilíbrio”, afirma Pedrosa.
O ano afro-atlântico vai contar com nove exposições, oito individuais e uma geral. Imagens do Aleijadinho e Maria Auxiliadora – Vida Cotidiana, Pintura e Resistência, abertas no dia 10 de março, além da individual de Emanoel Araújo, que será inaugurada em abril, são as primeiras. Melvin Edwards, Rubem Valentim, Sonia Gomes, Pedro Figar e Lucia Laguna ganham mostras no segundo semestre. Outra exposição, Basquiat afro-atlântico, foi cancelada, por conta da mostra sobre o artista no Centro Cultural Banco do Brasil, iniciada em janeiro. “Apesar de ter sido concebida em 2016 e contar com a confirmação de importantes empréstimos, acreditamos que duas exposições do mesmo artista no mesmo ano seria um desserviço a São Paulo e um maluso de recursos incentivados”, diz comunicado do museu.
Histórias Afro-Atlânticas, a exposição geral, entre junho e outubro, vai contar com diversos núcleos, como ocorreu em Histórias da Sexualidade, e percorrer diferentes períodos da história da arte – do século 16 aos dias atuais – para abordar as narrativas que ligam três continentes, a África, a Europa e as Américas. Em uma parceria, o Instituto Tomie Ohtake vai receber dois dos núcleos da exposição. “Somos ensinados que a arte brasileira está ligada a vanguardas europeias, mas nossas influências passam também pela África e por pares na América”, opina um dos curadores convidados para a mostra, Ayrson Heráclito. “É um desafio interessante pensar em rotas de influência artística diferentes.”
Em exposição. Com cerca de 50 obras, a mostra de Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), o Aleijadinho, mais conhecido artista brasileiro do barroco e rococó, traz esculturas devocionais da época do Ciclo do Ouro em Minas Gerais, além de obras complementares de outros nomes, como mapas e fotografias. Evita polêmicas, como a teoria de que ele nunca teria existido, e textos explicativos. “Não quisemos um texto por obra para não tirar a atenção”, esclarece o curador Rodrigo Moura.
As figuras religiosas, de vários lugares do País, estão expostas em estruturas de vidro. “Pensamos em algo que ecoasse os cavaletes de vidro da Lina (Bo Bardi), com todas as figuras apontadas para o mesmo lado”, explica. “São peças que vieram até mesmo de altares. Pensamos em deixar o deslocamento presente na maneira de expor.”
Para Rodrigo, a ligação de Aleijadinho com a temática afroatlântica vai além do sangue – o artista era filho de pai português com uma escrava. “Ele se destaca num contexto de artistas que trabalhavam em pequenas vilas, urbanizadas rapidamente, com uma população de maioria africana ou mestiça.”
Também mineira e descendente de escravizados, Maria Auxiliadora (1935-1974) ganha a primeira grande mostra em 37 anos – a última no próprio Masp. “Temos revisitado a história do museu. Encontramos o trabalho dela e nos chamou a atenção o ostracismo”, diz o curador Fernando Oliva. “Ela viveu num contexto em que a cultura afro-brasileira estava muito presente”, explica sobre a relação com o tema deste ano no Masp. “Ela tem um elo produtivo com festas de bairro na zona norte de São Paulo e com manifestações religiosas, como candomblé e umbanda.” As diferentes temáticas da pintora ganharam núcleos na mostra.
A exposição inclui ainda fotografias históricas e recortes de jornais da época, quando a artista era tratada como “primitiva”. “O museu tem revisto a nomenclatura, principalmente por muitas vezes vir carregada de preconceito. Adotamos o termo ‘autodidata’.” Oliva credita o “esquecimento” de Auxiliadora à falta de documentação sobre ela. Para mudar a situação, o Masp convidou 14 historiadores para colaborar no catálogo.
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Artigo de Pedro Rocha para o jornal "O Estado de S. Paulo" em 18/03/18.

Tribunal francês diz que Facebook estava errado ao censurar "A Origem do Mundo"

Após conflito de sete anos, um tribunal francês decidiu que o Facebook estava errado ao fechar a conta do educador Frédéric Durand das redes sociais sem aviso prévio, depois de publicar a pintura “A Origem do Mundo” (1866) de Gustave Courbet. O gigante das redes sociais não terá, no entanto, que pagar os US $ 25mil sugeridos pelos danos. +

Depois de um conflito de sete anos, um tribunal francês decidiu que o Facebook estava errado ao fechar a conta das redes sociais do educador Frédéric Durand sem aviso prévio, depois de publicar uma imagem da pintura de 1866 de Gustave Courbet, “A Origem do Mundo”.

Enquanto o tribunal concordou que o Facebook era culpado, o gigante das redes sociais não será obrigado a pagar a penalidade de US$ 25 mil sugerida pelo advogado de Durand para cobrir os danos de seu cliente.

O advogado de Durand, Stéphane Cottineau, disse à artnet News que o tribunal reconheceu que o Facebook cometeu um erro ao desconectar o cliente sem aviso prévio. Mas, como Durand conseguiu abrir outra conta, o tribunal decidiu que não havia danos. "Estamos refutando isso, estamos fazendo um apelo, e argumentaremos no tribunal de recurso que, na verdade, houve danos", disse ele.

Cottineau explicou que, quando a rede social eliminou a conta de Durand em 2011, perdeu toda a história do Facebook, que ele não usou para fins sociais, mas sim compartilhou seu amor pela arte, particularmente da arte de rua e do trabalho de pintores vivos contemporâneos. Ele ia às exposições, escrevia e tirava fotos, e as compartilhava com seus 800 seguidores, que ele só conseguiu recuperar nos últimos sete anos. "Então, há o dano de ter sido julgado como alguém que não era decente o suficiente para fazer parte de uma rede social, um pouco como um pornógrafo porque compartilhava imagens que tinham que ser censuradas pela rede social", acrescentou.

De acordo com Cottineau, o Facebook argumentou que a conta de Durand não foi censurada porque ele publicou The Origin of the World, mas por causa de uma questão contratual separada em torno de seu uso de um pseudônimo, que quebra os termos de uso da rede social. Cottineau refuta isso e diz que será abordado no apelo.

Quando contatado pela artnet News, o diretor de assuntos públicos da Facebook na França e na Europa, Delphine Reyre, disse em um comunicado: "Tomamos nota da decisão tomada hoje e desejamos lembrar a todos que "A Origem do Mundo" é uma pintura que tem uma lugar perfeitamente válido no Facebook ".

Conversando com a Artnet News, Durand disse que era uma pena que o Facebook não envolveu seu processo e lamentou que não houvesse uma oportunidade para resolver por que ele estava sendo censurado. Então, há a questão do conteúdo que ele compartilhou antes que sua conta fosse encerrada: "Tenho certeza de que o Facebook ainda possui meus textos e minhas fotos, e poderia muito bem restituí-los, mas, bem, aparentemente eles não querem, e estamos perguntando por que não? ", ele disse.
Durand diz que conhece muitos artistas cujo trabalho é censurado na rede social e referenciou a “Vênus” de Willendorf em Viena, que recentemente também caiu em flagrante à política de nudez do Facebook. "Mesmo com isso, o sistema não aproveitou a oportunidade para dizer ao Facebook ‘Você não pode censurar a arte’", disse ele.

Durand acrescentou que estava desapontado com o fato de o sistema de justiça ter deixado a oportunidade de defender a cultura francesa, o que ele disse que é particularmente livre tanto na nudez quanto na arte por suas raízes greco-romanas. Ele disse que havia muita gente na França - artistas, autoridades locais e amantes da arte - que estavam aguardando a decisão do tribunal porque viviam e trabalhavam em bairros onde "não é fácil" aceitar a liberdade da cultura francesa.

"Eu gostaria que continuássemos com essa liberdade da cultura francesa. Isso poderia surpreender”, disse o educador. "É essa liberdade que eu quero defender. Quero que meus alunos e meus filhos possam ver as mesmas obras de arte que pudemos ver. Agora, eles podem não representar um problema, mas podem apresentar um problema mais tarde. Estou aproveitando essa oportunidade para defender a Vênus de Willendorf, ou as fotos de Man Ray, ou uma pintura de Courbet ".
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Matéria de Naomi Rea, publicada no artnet News (artnet.com), em 15/03/18.

Manifestantes formam uma greve de morte no Louvre

Manifestantes do projeto 350.org eitaram no chão em frente a “The Raft of the Medusa”, uma icônica pintura do século 19 de Theodore Gericault, que mostra o naufrágio de uma fragata da marinha francesa. A ação é uma reivindicação contra o patrocínio da gigante do petróleo, a Total, para o museu de Paris. Matéria publicada originalmente no site da revista Dasartes, em 15/03/18. +

O Louvre evacuou brevemente um dos lugares mais movimentados do museu na segunda-feira (19/03), depois de ativistas ambientais vestidos de preto realizarem um protesto contra o patrocínio da gigante do petróleo, a Total, para o museu de Paris.

Cerca de uma dúzia de manifestantes se deitaram no chão em frente a “The Raft of the Medusa”, uma icônica pintura do século 19 de Theodore Gericault, que mostra o naufrágio de uma fragata da marinha francesa.

Os manifestantes entraram discretamente antes de deitarem-se diante da pintura cantando slogans contra a Total.

O Louvre confirmou que evacuou os visitantes do museu em cerca de 10 minutos após o protesto às 10h30 da manhã.

O grupo ativista 350.org, que combate o uso de combustíveis fósseis em favor das energias renováveis, afirmou que organizou a manifestação para “simbolizar as vítimas da indústria do petróleo”.

O mesmo grupo realizou um protesto semelhante no Louvre em março do ano passado, em frente a uma antiga estátua grega, a “Victory Alada” de Samotraça.

Cerca de 30 ativistas haviam colocado um longo trecho de tecido preto na base da estátua para simbolizar um rio de petróleo, exortando o Louvre a finalizar sua colaboração de duas décadas com o Total.

A Fundação Total, o braço filantrópico do gigante da energia, apoia uma série de causas da educação para as artes.

Ativistas realizaram protestos similares contra a gigante petrolífera BP em Londres pelo patrocínio da Galeria Tate, da Galeria Nacional de Retratos e do Museu Britânico.

Um grupo de ativistas liderados pela 350.org lançou a campanha “Free the Louvre”.

O grupo fundado nos Estados Unidos leva em seu nome o numero “350 partes por milhão”, o que diz ser a concentração segura de dióxido de carbono na atmosfera.
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Matéria publicada originalmente no site da revista Dasartes, em 15/03/18.

Foto viral de Stephen Hawking em manifestção anti-Vietnã é falsa

Uma foto de uma manifestação anti-Guerra do Vietnã, em 1968, em Londres, virou um viral nas redes por acreditar que um homem com muletas e óculos era Stephen Hawking. O ativista e jornalista britânico Tariq Ali, que também aparece na foto, foi o primeiro a apontar em sua página do Facebook que a imagem na verdade não mostra Hawking. A fotografia está no site da Galeria Nacional de Retratos em Londres, que confirmou não saber quem seria o homem, mesmo tendo em sua legenda “Stephen Hawking; Tariq Ali; Vanessa Redgrave.” O autor da imagem, Lewis Morley, morreu em 2013. Matéria publicada originalmente no site da revista Dasartes, em 15/03/18. +

Você viu esta foto de Stephen Hawking protestando contra a Guerra do Vietnã em 1968? É uma imagem poderosa, mas na verdade não é Hawking.

O site Gizmodo confirmou com a Galeria Nacional de Retratos em Londres que na verdade não sabe quem seria o homem com muletas e óculos.

“A Galeria Nacional de Retratos pede desculpas por uma fotografia tirada de uma manifestação anti-Guerra do Vietnã em Londres, em outubro de 1968, anteriormente identificada erroneamente como Stephen Hawking”, disse a Gizmodo um porta-voz da Galeria Nacional.

“O fotógrafo, Lewis Morley, indicou que Hawking estava na imagem, mas a Galeria desde então confirmou que isso estava incorreto”.

O ativista e jornalista britânico Tariq Ali, que também aparece na foto, foi o primeiro a apontar em sua página do Facebook que a imagem na verdade não mostra Hawking .

Então, como foi que as pessoas começaram a pensar que era o famoso cientista? A Galeria Nacional de Retratos vende impressões da foto em seu site. A imagem à venda lista claramente as pessoas na foto, clicadas por Lewis Morley, como “Stephen Hawking; Tariq Ali; Vanessa Redgrave.”

Mas se olharmos mais de perto essa foto, não é o mesmo homem. O homem sem nome na foto e Hawking podem ter óculos semelhantes com o físico, mas existem muitas maneiras de distingui-los. Como apenas uma diferença física, o homem na foto de protesto da Guerra do Vietnã anexou lóbulos das orelhas, enquanto Stephen Hawking havia separado as lóbulos das orelhas.

Para tornar as coisas ainda mais confusas, os meios de comunicação também marcaram a foto como Hawking, como o The Guardian fez nesta galeria de fotos a partir de 2013. O fotógrafo, Lewis Morley, morreu em 2013.
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Matéria publicada originalmente no site da revista Dasartes, em 15/03/18.

Véio traz demônios do sertão para SP

Véio – A Imaginação da Madeira faz um passeio por vários temas trabalhados por Cícero Alves dos Santos em seus 70 anos de vida. Dividida em três andares – e três temáticas principais, o assombro, a nação lascada e o Museu do Sertão – a mostra conta com cerca de 250 peças das mais de 17 mil que Véio produziu ao longo de sua vida. +

O sertão brasileiro tem os seus demônios. Pelas mãos e imaginação do artista sergipano Véio, alguns deles são trazidos para a Avenida Paulista, em São Paulo, em exposição que será aberta ao público nesta quartafeira, 14, às 20h, no Itaú Cultural, onde fica até 13 de maio.

Véio – A Imaginação da Madeira faz um passeio por vários temas trabalhados por Cícero Alves dos Santos em seus 70 anos de vida. Dividida em três andares – e três temáticas principais, o assombro, a nação lascada e o Museu do Sertão – a mostra conta com cerca de 250 peças das mais de 17 mil que Véio produziu ao longo de sua vida.

O artista sergipano recorda ter começado a brincar com formas aos 6 anos. Na época, construía a partir da sua imaginação, utilizando cera de abelha. Sua família, porém, não via essa atividade com bons olhos. “Achavam que estava brincando de boneca, e aquilo não era permitido”, diz Véio ao Estado. “Meus pais achavam que estava seguindo por um lado feminino.” Impedido pela família, Véio continuou por muito tempo brincando escondido com a cera. “Fazia as obras, mas quando via alguém chegando, desmanchava.”

O artista acredita que, por isso, desenvolveu um tipo de trauma, que serviu, porém, para estimular a construção de seu gigantesco acervo pessoal, que nunca foi movido, ele reforça, por motivos comerciais ou capitalistas. “Por muito tempo pensei que nunca teria a minha coleção.” A família, ainda hoje, ele relata, não aceita sua arte. “Admiram o meu nome, pelo degrau que alcancei. O destaque é o artista, mas não a arte.”

Véio ganhou o apelido ainda criança, por estar sempre na companhia de pessoas mais velhas, a quem dava atenção e ouvia suas histórias. Preocupado em conservá-las, criou em seu sítio, em Feira Nova (SE), o Museu do Sertão, que é lembrado em um dos andares da exposição, a única documental. Lá, as próprias obras se misturam com objetos adquiridos na região ao longo do tempo – peças comuns, mas que representam a história do homem sertanejo. “O sertão é praticamente esquecido, só é lembrado em períodos eleitorais”, analisa o artista. “O sertanejo deveria ter mais oportunidade, de crescer e de valorizar sua própria cultura.”

Não por acaso, outra seção da mostra tem o nome de “nação lascada”, um duplo sentido para falar da situação do sertão e também da matéria-prima, a madeira morta. “A primeira impressão é que algumas dessas obras são descritivas, mas não são”, explica Carlos Augusto Calil, que assina a curadoria com Agnaldo Farias. “Não é artesanato. As peças comentam, transcendem.” Algumas obras são minúsculas, em milímetros. Na mostra, quatro são feitas num palito de fósforo. “A arte não é pelo tamanho, é pela arte em si”, opina Véio. “A obra pequena faz você se aproximar dela, abrir os olhos.”

Ainda neste andar, estão presentes vários “cães”, como denomina o artista – estes sim demônios mais literais que metafóricos. “Um corredor de demônios e da morte, a forma como Véio lida com eles”, esclarece Calil. As obras se relacionam também com a do terceiro nicho, o “assombro”. “São peças que causam a sensação de estranhamento e fascínio, que falam alto”, descreve o curador.

Em suas obras de maior tamanho, Véio se aproveita das formas da natureza. “Vejo as curvas e os galhos tortos. A natureza já fez, cabe a você aperfeiçoar”, diz o artista. “Ele é um conservador no melhor sentido da palavra, ele retém. Possui um olhar extraordinário, vê a peça de madeira como a gente não vê”, explica Calil sobre o nome da exposição.

Os curadores buscaram peças não só da casa de Véio, como de colecionadores por todo o Brasil. “Eles emprestam com a maior alegria, têm orgulho”, conta Calil, que acompanha o trabalho de Véio já há alguns anos. “As pessoas já perceberam que Véio é um dos grandes. Ele ainda carece de reconhecimento, mas acho que essa exposição é de consagração.”
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Artigo de Pedro Rocha para o jornal "O Estado de S. Paulo" em 14/03/18

Caixa Cultural inaugura exposição da artista plástica Anna Bella Geiger

A partir desta quarta-feira (14/3), serão exibidos 12 gavetas com mapas e estudos cartográficos da artista carioca, além de um vídeo no qual ela explica seu processo de criação +

Anna Bella Geiger faz mapas desde 1975. Mas sua técnica, que consiste em despejar cera de abelha em suportes de metal acomodados em gavetas, foi desenvolvida somente em 1995.
“Foi como se eu tivesse passado 20 anos andando pelo deserto à procura de um contêiner ideal para segurar meus mundos”, diz a artista sobre o período que guardava os mapas sem transformá-los em obras de arte.
A partir desta quarta-feira (14), 12 gavetas com mapas e estudos cartográficos da artista carioca, além de um vídeo no qual ela explica seu processo de criação, serão exibidos na Caixa Cultural de SP.
Na mesma data da abertura, Geiger fará uma palestra no instituto, às 12h30, a fim de apresentar e explicar os propósitos de seu trabalho.
A artista atribuiu à série desenvolvida na década de 1990 o nome “Fronteiriços”.
Ela lembra da advertência que recebeu de uma amiga ao comentar-lhe sua intenção de intitulá-los assim: “Ela disse para eu pensar em outro nome, pois este remetia ao borderline [doença relacionada a um tipo de transtorno de personalidade]”.
A observação fez a artista gostar ainda mais do apelido, já que seus mapas são cerceados por moldes de países e pelas paredes das gavetas, e borderline, em tradução literal para o português, significa justamente limite.
A artista começou a trabalhar com mapas na mesma época em que seu marido, Pedro Geiger, atuava como geógrafo do IBGE em projetos de estados brasileiros.
Ela, porém, refuta a ideia de que tenha sido exclusivamente influenciada pela atuação do marido.
“Até os anos 1960, eu trabalhava com formas de corpos viscerais e não era casada com um médico”, diz Geiger, que relembra ter se fascinado com mapas ainda nos anos 1950, quando viu sua irmã desenhando cartografias.
Prestes a completar 85 anos, Geiger tem obras expostas em museus do Rio de Janeiro e de Buenos Aires. Ainda neste mês, suas obras serão exibidas em mostras em Bruxelas e em Nova York.
MAPA-MÚNDI
Para a artista, seus mapas retratam ideologias —como quando usa molas para traduzir tensões entre os países.
Fascinada por retratar a América Latina, ela afirma que sua obra foi influenciada pela ditadura militar, vigente no início de sua carreira.
Suas representações trazem topografias que permitem a problematização de costumes, culturas e políticas sociais delimitadas pelas fronteiras.
Anna Bella Geiger: Gavetas de Memórias
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Artigo de Isabella Menon para o jornal "Folha de S. Paulo" em 14/03/18
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ONDE Caixa Cultural São Paulo, pça. da Sé, 111, tel. (11) 3321-4400
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Arte contemporânea ganha galeria online

O Google lançou no seu novo aplicativo Google Arts and Culture, criada em 2011, uma coleção de arte contemporânea totalmente digitalizada, disponível para internautas de todo o mundo, e que reúne obras de 51 museus de 25 países. Entre os brasileiros está o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, e o Museu Arte Moderna de São Paulo, bem como as quatro unidades do Centro Cultural Banco do Brasil. Matéria de Leonardo Sanchez publicada no jornal "Folha de São Paulo", em 07/03/18. +

O Google lança nesta quarta (7) uma coleção de arte contemporânea totalmente digitalizada, disponível para internautas de todo o mundo, e que reúne obras de 51 museus de 25 países.

A página está disponível no Google Arts and Culture, plataforma de arte e cultura criada em 2011. Nela, é possível ter acesso a cerca de 6 milhões de fotos e vídeos de quadros, esculturas, instalações e documentos históricos de forma gratuita.

É a primeira vez que o Google lança uma página dedicada exclusivamente à arte contemporânea dentro do serviço. O objetivo, segundo Alessandro Germano, diretor de parcerias estratégicas da empresa, é tornar esse tipo de arte mais acessível.

"Nós estamos sempre abertos a todas as formas artísticas", diz. "O Google disponibiliza a plataforma, e os centros culturais, a curadoria."

Câmeras e outros equipamentos necessários para a digitalização dos acervos são oferecidos pela gigante de tecnologia, embora os museus tenham autonomia para decidir o conteúdo que querem disponibilizar no Arts and Culture.

Na coleção de arte contemporânea, os internautas têm à disposição recursos como imagens, vídeos, vídeos em 360°, artigos e experiências em realidade virtual e no Street View —função em que se "caminha" pelos corredores dos museus.

Muitas das obras foram captadas por meio da Art Camera, uma câmera fotográfica desenvolvida pelo Google que é capaz de registrar até os mínimos detalhes de uma tela —de pinceladas a rachaduras.

Mas Germano deixa claro que a experiência não substitui a visita aos acervos: a plataforma serve, na verdade, como um atrativo.

"O grande benefício é o de chamar pessoas para os museus", define Germano.

Ele cita a possibilidade de observar as obras com mais calma e de forma mais aprofundada como alguns dos benefícios do Arts and Culture.

ACESSIBILIDADE

A educação, porém, é o objetivo central da ferramenta.

De acordo com Germano, a ideia por trás da plataforma é justamente descentralizar o acesso à cultura, permitindo que as pessoas conheçam obras e documentos históricos de diversas partes do mundo mesmo estando a quilômetros de distância dos grandes centros culturais.

"A arte está tão em evidência hoje em dia e, ao mesmo tempo é tão combatida e centralizada, que essa plataforma acaba se mostrando útil".

Ele diz ainda acreditar que a nova coleção serve como instrumento de desmistificação para a arte.

"As pessoas têm aquela ideia errada de 'isso [ir a museus de arte contemporânea] não é para mim'", explica.

Conhecer as coleções pela internet, segundo ele, incentiva as pessoas a visitá-las, pois mostra que o ambiente dos museus não é hostil.

BRASIL

Dos 51 parceiros que disponibilizaram seus acervos na coleção de arte contemporânea, 15 são brasileiros.

O Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, e o de Museu Arte Moderna de São Paulo estão entre eles, bem como as quatro unidades do Centro Cultural Banco do Brasil.

Entre as mostras disponibilizadas pelo CCBB São Paulo está a instalação "Nemo Observatorium", do belga Lawrence Malstaf, que esteve em cartaz na edição de 2017 do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica.

Um vídeo em 360º dá ao internauta a chance de se sentir dentro da obra, reproduzindo a experiência de quem viu a instalação ao vivo.

Na obra de Malstaf, partículas de isopor flutuavam em volta do visitante, que ficava sentado no centro de um grande cilindro de vidro.

O grande destaque da nova coleção, porém, é o Instituto Tomie Ohtake, que selecionou 50 quadros da artista plástica para serem digitalizados pela primeira vez.

Como o centro cultural não tem acervo fixo, as obras vieram de coleções privadas e da própria família da artista. Algumas delas nunca foram exibidas ao público.

"São obras que as pessoas não poderão ver de outra forma. A ideia é que se tenha acesso a elas através dessa plataforma do Google", diz Ivan Lourenço, diretor de negócios do instituto.

Duas exposições temporárias do Tomie Ohtake também foram digitalizadas e ganharam sobrevida: "Os Muitos e Um" e "Osso".

Elas podem ser vistas no link artsandculture.google.com/project/contemporary-art.
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Matéria de Leonardo Sanchez publicada no jornal "Folha de São Paulo", em 07/03/18.

Escultor Kazuhiro Tsuji ganhou o melhor Oscar de melhor maquiagem

O artista e maquiador recebeu o 90º prêmio do Academy Awards para transformar Gary Oldman em Winston Churchill. Tsuji já havia deixado Hollywood para se concentrar em sua escultura, mas o ator britânico disse que não havia mais ninguém em quem confiar este trabalho senão ele. Matéria de Sarah Cascone, publicada originalmente no site do ArtNet (artnet.com), em 05/03/18. +

Na noite passada do Academy Awards, o Oscar de melhor maquiagem e beleza foi para o escultor Kazuhiro Tsuji por seu trabalho em “The Darkest Hour”. É uma honra que muito facilmente poderia ter escapado dele: em 2011, Tsuji abandonou a indústria cinematográfica, voltando-se para a arte e dedicando-se a fazer esculturas hiperrealistas gigantes, de artistas famosos e outras figuras notáveis. Até Gary Oldman o chamou.

Oldman estava em negociação para atuar no papel de Winston Churchill em “The Darkest Hour”, mas ele sabia que suas próprias habilidades de atuação eram apenas parte da batalha. (Os prêmios da noite passada também viram Oldman levar para casa o prêmio de melhor ator.) Ele já havia se aproximado de Tsuji enquanto eles estavam trabalhando no remake de Tim Burton de “The Planet of the Apes”, em 2001, e não havia mais ninguém para o qual o ator britânico confiava em fazer o trabalho.

Tsuji - cujo currículo inclui “Norbit” (2011), “Men in Black” (1997) e “The Curious Case de Benjamin Button” (2008) - tinha sido queimado no passado, com uma experiência supostamente traumatizante no set com o temperamental Jim Carrey em “How the Grinch Stole Christmas” (2000). O estresse desse experimento o enviou à terapia e Tsuji mais tarde abandonou a indústria para se tornar um escultor em tempo integral.


"Meu objetivo é esculpir retratos que vão além de capturar semelhança. Eu crio essas cabeças de dentro para fora, trazendo à vida a aparência de pensamento e emoção interior a cada camada de silicone", escreveu Tsuji em uma declaração de artista sobre seu trabalho. "A quietude e os detalhes permitem um exame minucioso de cada poro com um nível de escrutínio nem permitido aos amantes. As esculturas permitem um momento compartilhado incrivelmente próximo com a pessoa”.

Transformar Oldman em Churchill foi um desafio que levou seis meses de testes de maquiagem e mais de três horas na cadeira todo dia. "Eles não se parecem um ao outro", disse Tsuji à New York Magazine. "As proporções do rosto, a colocação dos olhos e nariz e boca, se eles são parecidos um do outro, é fácil fazê-lo parecer Churchill. Mas é quase totalmente oposto. Os olhos de Churchill são arregalados e mais distantes, os olhos de Gary são profundos e juntos”.

Tsuji atingiu um equilíbrio delicado, criando próteses para as bochechas de Oldman, a garganta, o pescoço, o nariz e o queixo, mas deixando os olhos, a cabeça e a boca do ator livres para permitir que suas expressões brilhassem. O cabelo fino de Churchill era uma peruca frágil, feita parcialmente com os caros cabelos de bebê, que tinham que ser substituídos a cada dez dias, e seu tom de pele cor-de-rosa manchada foi replicado com maquiagem.

Voltando a Hollywood, Tsuji estabeleceu novos limites para si mesmo. "Eu percebi que há uma maneira de trabalhar em um trabalho de cinema sem me estressar", disse ele. "Enquanto eu fizer o teste de maquiagem e design e tudo funciona corretamente, não preciso estar no set." Talvez, com isso em mente, ele possa dividir seu tempo entre os mundos da arte e do cinema, abraçando ambas as carreiras.
Outros indicados no mundo da arte não tão foram justos como Tsuji, que compartilharam seu prêmio com David Malinowski e Lucy Sibbick. “Loving Vincent”, o primeiro filme pintado a óleo do mundo, perdeu para o desenho da Pixar “Coco”. Enquanto isso, o “Ícaro” de Bryan Fogel, documentário sobre doping no atletismo russo, superou a dupla de diretores JR e Agnes Varda, em “Faces Places” (Visages Villages) na melhor categoria documental.

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Matéria de Sarah Cascone, publicada originalmente no site do ArtNet (artnet.com), em 05/03/18.

Facebook censura Vênus de Willendorf de 30 mil anos como pornográfica

A estátua nua da Idade da Pedra, que representa uma mulher voluptuosa com lábios proeminentes, foi descoberta na Áustria em 1908. Apesar de quatro tentativas de apelo pela decisão, a obra é a mais recente obra de arte para ser considerada inadequada na rede social. Matéria de Aimee Dawson publicada no site do The Art News Paper (www.theartnewspaper.com/news). +

Casos de censura de arte no Facebook continuam a surgir. O último trabalho considerado "pornográfico" é a estátua nua de 30 mil anos conhecida como a Vênus de Willendorf, parte da coleção do Museu Naturhistorisches (NHM) em Viena. Uma imagem do trabalho publicado no Facebook por Laura Ghianda, um auto denomina "artivista", foi removido como conteúdo inapropriado, apesar de quatro tentativas de apelo pela a decisão.

A estátua da Idade da Pedra, que representa uma mulher voluptuosa com lábios proeminentes, foi descoberta na Áustria em 1908 e é famosa por sua escultura detalhada e realismo. O post de Ghianda foi denunciado à censura do Facebook em dezembro do ano passado e compartilhado mais de 7.000 vezes.

Um caso sobre a censura da arte no Facebook foi ouvido em um tribunal de Paris no início deste mês. Frédéric Durand-Baïssas, professor de francês, tenta processar o gigante das redes sociais, desde 2011, que fechou sua conta depois de publicar uma fotografia da pintura de Gustave Courbet, “L'Origine du monde” (1866), que traz uma representação realista de os órgãos genitais de uma mulher. Apesar do Facebook mudar sua política de nudez para permitir "fotografias de pinturas, esculturas e outras obras que retratam figuras nuas", ainda persiste as instâncias de censura artística.

O NHM reagiu ao post do Facebook de Ghianda em janeiro, pedindo que o Facebook permitisse que a Vênus permaneça nua. "Nunca houve uma queixa dos visitantes quanto à nudez da figurinha", diz Christian Koeberl, diretor-geral da NHM. "Não há motivo para [...] cobrir a Vênus de Willendorf e esconder sua nudez, nem no museu, nem nas mídias sociais".
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Matéria de Aimee Dawson publicada no site do The Art News Paper (www.theartnewspaper.com/news).

Arqueólogos descobrem as mais antigas pinturas rupestres, feitas por neandertais

Ao contrário do que se acreditava anteriormente, um estudo sobre as capacidades mentais entre os primeiros humanos e os neandertais podem ter sido "indistinguíveis". Isso contradiz uma teoria recentemente publicada que trata fala sobre a vantagem que teríamos em arte sobre os neandertais. Eles foram creditados a não ter inteligência necessária para fazer arte, mas eram, de fato, a primeira espécie humana a criar a Arte. Confira mais em Notícias no site do Mapa. +

Um novo estudo de pinturas rupestres na Espanha identificou as mais antigas obras de arte do mundo. De acordo com essas novas descobertas, os neandertais, que por muito tem foram creditados a não ter inteligência necessária para fazer arte, mas eram, de fato, a primeira espécie humana a criar a Arte.

As paredes das cavernas La Pasiega, Maltravieso e Ardales apresentam um estêncil manual rudimentar e um desenho de uma escada, bem como outras marcas. As obras de arte pré-históricas têm sido atribuídas aos humanos, mas esse novo relatório prova que as pinturas são muito mais antigas do que se pensava anteriormente. (Uma escultura Neanderthal, já conhecida anteriormente, parecida com uma hashtag, foi descoberta em Gibraltar em 2014.)

Em vez de usar o datado carbono, os novos estudos, que foram publicados nesta semana nas revistas Science and Science Advances, usaram radioisótopos de urânio e tório. As formações de rocha e carbonato de cálcio no topo das marcas ocre indicam que a obra de arte tem impressionante 65 mil anos de idade – uns bons 15 mil anos antes dos stêncils manuais indonésios, que pensavam serem as mais antigas obras de arte do mundo.

"As únicas espécies que estavam por aí eram Neandertais", disse Alistair Pike, arqueólogo da Universidade de Southampton, na Inglaterra, e membro da equipe de pesquisa. "Então, portanto, as pinturas devem ter sido feitas por eles".

Os primeiros humanos não chegaram à Espanha por cerca de 20 mil anos para que pudessem ser responsáveis pelas pinturas. O stêncil manual, em particular, teria que ter sido feito intencionalmente, com o artista fazendo o pigmento e pulverizando-o sobre sua mão. As cavernas também contêm muitas conchas pintadas escondidas que são ainda possuem impressionantes 115 mil anos de idade. Algumas apresentaram perfurações, sugerindo que eram usadas como jóias.

Saber que os neandertais fizeram arte muda totalmente a visão que se tinha sobre o parente mais íntimo de Homo sapiens. Durante muito tempo acreditavam ter sido uma espécie mais primitiva e menos inteligente do que os humanos modernos, mas os neandertais podem ter sido nossos antepassados mais diretos do que se imaginava.

Como nós, de forma independente eles começaram a fazer arte - o que sugere também que eles podiam ter mesmo uma linguagem falada. Em suas descobertas, a equipe de pesquisa observou agora que "os neandertais e os primeiros humanos modernos eram cognitivamente indistinguíveis". Isso contradiz uma teoria recentemente publicada que nossa capacidade de arte nos deu uma vantagem sobre os neandertais, que foram extintos há cerca de 40 mil anos, logo após o Homo sapiens chegar na Europa.

"Eu acho que devemos aceitá-los como parte de nós", disse Pike. "Eles são parte de nossa linhagem, eles são humanos, eles são apenas uma população humana diferente".

As descobertas são atraentes, mas nem todos confiam na nova tecnologia. "Infelizmente, não estou totalmente convencido", disse a arqueóloga humana, Joseba Ríos Garaizar, do Centro Nacional de Pesquisa sobre Evolução Humana da Espanha, à BuzzFeed News.

Wil Roebroeks, um especialista em Neanderthal na Leiden University na Holanda, não estava envolvido no projeto, mas, no entanto, disse ao Washington Post que a descoberta "constitui um grande avanço no campo dos estudos de evolução humana".

"O que temos aqui", disse Pike à Reuters, "é uma arma fumegante que realmente derruba a noção de que os neandertais eram homens das cavernas arrastando as armas".
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Matéria de Sarah Cascone publicada originalmente no site artNet News (www.artnete.com), em 23/02/18.

O que seres humanos tiveram vantagem sobre os neandertais? Era a arte

Uma pesquisa recentemente divulgada liga os desenhos nas cavernas com desenvolvimento de habilidades de caça. Ou seja, a arte faz você mais inteligente. Matéria de Henri Neuendorf para o artnet (artnet.com), em 14/02/18. +

Um novo estudo sugere que os seres humanos pré-históricos evoluíram para se tornarem as espécies dominantes do mundo, em parte, porque criaram a arte. As habilidades evoluídas de coordenação e visualização entre as mãos e os olhos que criavam os desenhos pré-históricos ajudaram à maestria em habilidades essenciais de caça do Homo sapiens, segundo o estudo, dando aos humanos uma vantagem sobre seus primos sem arte, os neandertais.

O artigo foi escrito pelo psicólogo Richard Cross da University of California-Davis, um especialista em arte e evolução humana, e um ex-instrutor de desenho. Foi publicado no periódico Estudos Evolutivos na Imaginativa Cultura.

No documento, Cross sustenta que há "uma relação causal entre a habilidade desenvolvida anatomicamente do humano moderno para usar lanças com precisão, enquanto caça, e sua capacidade de desenhar imagens representacionais".

O pesquisador argumenta que, embora os neandertais usassem lanças para caçar presas domésticas na Eurasia, o Homo sapiens era um caçador de lanças muito mais perigoso e uma presa alerta na África. Como resultado, ele supõe que o Homo sapiens desenvolveu um córtex parietal maior - a região do cérebro que controla imagens visuais e coordenação motora.

"Os neandertais podiam mentalmente visualizar previamente os animais dos seus trabalhos de memória, mas eles não conseguiram traduzir essas imagens mentais efetivamente na coordenação de movimentos das mãos necessários para o desenho", escreve Cross.

Por outro lado, o Homo sapiens estavam realmente afiando suas habilidades de caça criando os desenhos nas cavernas, ele diz: "Uma vez que o ato de desenhar aumenta as habilidades observacionais, talvez esses desenhos sejam úteis para conceituar caças, avaliar a atenção do jogo, selecionar áreas corporais vulneráveis como alvos , e promover a coesão do grupo através de cerimônias espirituais".

Para pesquisar sua hipótese, Cross estudou desenhos de 30 mil anos na Caverna Chauvet-Pont-d'Arc no sul da França e concluiu que os movimentos nas garras são semelhantes ao arco que uma lança jogada poderia levar. Em outras palavras, os humanos pré-históricos não estavam apenas curiosos em paredes de cavernas; eles estavam elaborando planos, estratégias e representações que mostravam uma consciência aguda de seu jogo.

O nexo entre as técnicas de caça e a proeza de desenho pode não ser intuitivo, mas se o estudo estiver correto, o vínculo entre as habilidades poderia ser um dos motivos pelos quais o Homo sapiens prosperou enquanto os neandertais morriam.
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Matéria de Henri Neuendorf para o artnet (artnet.com), em 14/02/18.