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"Se minha arte é bem-vinda, eu quero voltar", diz artista que foi preso

Ao receber um pedido de desculpas do governador, Maikon K ouviu que a arte era bem-vinda em Brasília, por isso, quer ter a chance de concluir a performance interrompida. Ele também conta como foi a ação da PM. +

Após ver interrompida sua apresentação no evento Palco Giratório, do Sesc, e ser preso, acusado de ato obsceno, no último sábado (15/7), o dançarino e performer paranaense Maikon Kempinski tem um desejo principal: retornar à praça em frente ao Museu Nacional da República e concluir o que não o deixaram fazer. "Se minha arte é bem-vinda, então eu quero voltar e fazer minha arte naquele lugar", afirma.

Maikon se refere a um telefonema que recebeu no domingo (16) do governador Rodrigo Rollemberg, do qual ouviu um pedido de desculpas e a afirmação de que seu trabalho era bem-vindo em Brasília. O secretário de Cultura, Guilherme Reis, também ligou se desculpando.

"Já propus (a apresentação) para o Sesc e eles estão me ouvindo. Espero que seja possível. É minha vontade. Esse seria o mínimo de retratação: a PM que agiu com violência fazer agora a segurança da apresentação. Seria importante, pedagogicamente e simbolicamente. Temos de assegurar o espaço da arte", diz o paranaense ao conversar por telefone com o Correio, enquanto esperava o avião que o levaria de volta a Curitiba, onde mora.
O dançarino acha que só vai conseguir processar o que aconteceu quando estiver em casa. Diz que o trauma inicial já passou, mas, por enquanto, precisa lidar com questões práticas, inclusive decidir que tipo de atitudes jurídicas vai tomar contra a ação da polícia. "Eles agiram com truculência, rasgaram nosso cenário. Vão ter de responder por isso de algum jeito", justifica.

Como foi a interrupção
Maikon detalha o que se passou na tarde de sábado, no início da apresentação de 'DNA de DAN', performance criada em 2013 e que já passou por diversas cidades brasileiras, muitas vezes sendo apresentadas em espaços públicos, como ocorreria na capital. A encenação, explica, dura cerca de quatro horas. No início, é inflada uma bolha plástica, onde ele entra. Lá, ele se despe e uma parceira de trabalho passa sobre seu corpo uma substância em forma de gel que se secará aos poucos, até formar uma segunda pele. O processo de secagem demora cerca de três horas e exige que Maikon permaneça imóvel. Só depois da pele formada e rompida, ele inicia uma dança baseada no arquétipo da serpente.

A encenação ainda estava na fase inicial, com a substância úmida, quando Maikon percebeu a movimentação ao redor da bolha de "pelo menos 10 policiais militares". Sua reação foi se manter imóvel, como a performance exigia, na esperança de que os PMs entendessem que se tratava de uma apresentação artística e não interviessem. "Em outras cidades, já aconteceu de a polícia se aproximar para entender do que se tratava, mas depois de alguém da equipe explicar, ela se afastou, sem problemas", conta.

Em Brasília foi diferente. O artista explica que, por azar, a pessoa responsável pela produção do Sesc havia se ausentado da cena para resolver um problema de fornecimento de energia — um cabo que saía do museu abastecia o gerador necessário para inflar a bolha. A parceira de Maikon tentou explicar para os policiais, mas, segundo o artista, não havia abertura para o diálogo. "Eles diziam que o Sesc, que o museu não mandavam nada. Que quem mandava era o código penal e que 'isso vai acabar'."

Diante da postura de Maikon de permanecer imóvel, alguns policiais resolveram entrar na bolha, abrindo um dos zíperes costurados no material. Nessa hora, o cenário acabou rasgado e permanentemente danificado. "Eles entraram na bolha me ameaçando, um dos policiais levantou o punho, como se tivesse intenção de me bater. Foi nessa hora que me mexi e gritei para ele não encostar em mim", conta. Recebendo a ordem para se vestir, Maikon pediu uma toalha, afirmando que tinha uma substância no corpo e por isso não queria colocar suas roupas. Mas acabou tendo de fazê-lo.

"Vesti minha calça e saí do cenário. Nessa hora, recebi uma chave de braço e fui levado para a viatura. Não pude me calçar nem pegar minha carteira. Fomos para a delegacia com motos escoltando, as sirenes ligadas. Lá, tive de ficar em pé, olhando para a parede. A pessoa do Sesc chegou e não podia se aproximar", lembra. Maikon só foi liberado depois de assinar um termo circunstanciado de ato obsceno, o que o deixa sujeito a ter de se explicar na Justiça.

Responsabilidades
Por meio de sua assessoria de comunicação, a PM afirma que não agiu com violência e que foi ao local porque "diversas pessoas reclamavam de um homem nu próximo ao Museu da República". interrompeu a apresentação porque ninguém no local apresentou uma autorização para a apresentação.

A Polícia Militar informa que foi acionada porque "nenhuma autorização dos órgãos responsáveis foi apresentada e, como esse tipo de apresentação é proibida para menores de idade em razão da classificação etária a que deve ser submetida, o caso foi levado à delegacia da área para o registro". A PM segue: "No local, não havia nenhuma estrutura que pudesse impedir a aproximação de crianças, o que revoltou algumas famílias que aproveitavam o dia ao lado de crianças para conhecer os monumentos de Brasília e que ficaram surpresas ao presenciar o ato obsceno".

O Sesc-DF se pronunciou por meio de nota nesta segunda-feira. No texto (leia a íntegra abaixo), a entidade "repudia a detenção do artista Maikon K" e "ressalta que a instituição tinha a autorização do Museu Nacional da República, assinada pelo diretor Wagner Barja, para realização da performance e tomou o devido cuidado de informar que se tratava de um espetáculo com classificação indicativa de 16 anos". Para o Sesc, a proibição da performance em Brasília, os prejuízos materiais à obra e a detenção do artista constituem uma arbitrariedade que coloca em risco não apenas a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição Brasileira e por documentos internacionais dos quais o Brasil é signatário, mas interfere nos direitos culturais do público."

Para Maikon, a responsabilidade pelo que passou é inteiramente da Polícia Militar. "A gente até espera que algum tipo de agressão venha do público, mas não da polícia. Nada justifica a violência que houve. Eles não queriam diálogo, não quiseram ouvir", avalia. Também está certo de que não fez nada de errado. "Se eu estivesse errado, não teria recebido um pedido de desculpas do secretário de Cultura e do governador, que é o chefe da Polícia Militar", conclui.

A íntegra da nota do Sesc
O Serviço Social do Comércio no Distrito Federal (Sesc-DF) reafirma o seu compromisso em contribuir para o bem-estar e para melhoria da qualidade de vida dos comerciários e de seus familiares. As ações do Sesc propagam princípios humanísticos e universais que oferecem melhores condições de vida para todos. A realização do festival Palco Giratório, em todo o Brasil, cumpre com a finalidade de promoção da diversidade cultural e dos direitos culturais dos brasileiros, não cabendo ao Sesc nenhum tipo de censura, conforme prevê a Constituição.

Nesse sentido, o Sesc-DF repudia a detenção do artista Maikon K, que teve a sua performance artística DNA de DAN interrompida e cenografia danificada pela Polícia Militar do DF, no sábado (15), no Museu da República, em Brasília. O Sesc-DF ressalta que a instituição tinha a autorização do Museu Nacional da República, assinada pelo diretor Wagner Barja, para realização da performance e tomou o devido cuidado de informar que se tratava de um espetáculo com classificação indicativa de 16 anos, que ocorreria no período noturno, às 19h30.

A proibição da performance em Brasília, os prejuízos materiais à obra e a detenção do artista constituem uma arbitrariedade que coloca em risco não apenas a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição Brasileira e por documentos internacionais dos quais o Brasil é signatário, mas interfere nos direitos culturais do público. Não vivemos mais em uma época em que um policial militar pode definir isoladamente a realização ou não de um evento.

O Festival Palco Giratório alcança um público aproximado de 500 mil pessoas por ano, em todo o País, por meio de acesso gratuito aos espetáculos ou ingressos com valores reduzidos. Acontecendo, portanto, em diversos locais que não contam com espaços culturais especializados. Serão realizados 20 espetáculos/performances no Distrito Federal até 30 de julho. Ainda em 2017, o projeto visitará 147 cidades, somando 685 apresentações definidas por uma curadoria composta por artistas, técnicos e especialistas em cultura. Ocupar espaços públicos com arte constitui uma estratégia de democratização a práticas que ainda permanecem restritas a um grupo social muito pequeno. Não por acaso, o Projeto constitui uma referência para políticas públicas, dado seu amplo alcance social e continuidade.
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Matéria de Humberto Rezende publicada originalmente no site do jornal Correio Braziliense, em 17/07/17.

Comunicado Sesc sobre prisão do artista Maikon K em Brasília

O Sesc-DF publica um comunicado à imprensa sobre o ocorrido no Museu nacional da República, em 15/7, e diz cumprir com a finalidade de promoção da diversidade cultural e dos direitos culturais dos brasileiros, não cabendo nenhum tipo de censura, conforme prevê a Constituição. +

O Serviço Social do Comércio no Distrito Federal (Sesc-DF) reafirma o seu compromisso em contribuir para o bem-estar e para melhoria da qualidade de vida dos comerciários e de seus familiares. As ações do Sesc propagam princípios humanísticos e universais que oferecem melhores condições de vida para todos. A realização do festival Palco Giratório, em todo o Brasil, cumpre com a finalidade de promoção da diversidade cultural e dos direitos culturais dos brasileiros, não cabendo ao Sesc nenhum tipo de censura, conforme prevê a Constituição.

Nesse sentido, o Sesc-DF repudia a detenção do artista Maikon K, que teve a sua performance artística DNA de DAN interrompida e cenografia danificada pela Polícia Militar do DF, no sábado (15), no Museu da República, em Brasília. O Sesc-DF ressalta que a instituição tinha a autorização do Museu Nacional da República, assegurada pelo diretor Wagner Barja, para realização da performance e tomou o devido cuidado de informar que se tratava de um espetáculo com classificação indicativa de 16 anos, que ocorreria no período noturno, às 19h30.

A proibição da performance em Brasília, os prejuízos materiais à obra e a detenção do artista constituem uma arbitrariedade que coloca em risco não apenas a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição Brasileira e por documentos internacionais dos quais o Brasil é signatário, mas interfere nos direitos culturais do público. Não vivemos mais em uma época em que um policial militar pode definir isoladamente a realização ou não de um evento.

O Festival Palco Giratório alcança um público aproximado de 500 mil pessoas por ano, em todo o País, por meio de acesso gratuito aos espetáculos ou ingressos com valores reduzidos. Acontecendo, portanto, em diversos locais que não contam com espaços culturais especializados. Serão realizados 20 espetáculos/performances no Distrito Federal até 30 de julho.
Ainda em 2017, o projeto visitará 147 cidades, somando 685 apresentações definidas por uma curadoria composta por artistas, técnicos e especialistas em cultura. Ocupar espaços públicos com arte constitui uma estratégia de democratização a práticas que ainda permanecem restritas a um grupo social muito pequeno. Não por acaso, o Projeto constitui uma referência para políticas públicas, dado seu amplo alcance social e continuidade.
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Nota publicada por José Egito no site do Sesc-DF (www.sescdf.com.br/nota-a-imprensa), em 17/07/17.

Tempestade violenta invade o Louvre e danifica obras de Poussin e outras peças

Funcionários do museu do Louvre revelaram os detalhes das obras de arte danificadas pelas violentas tempestades que sacudiram Paris nos dias 8 a 9 de julho. +

Duas obras de Nicolas Poussin estão entre as que foram danificadas no domingo (09/07), já que a capital francesa se viu abaixo de 50 milímetros de chuva em apenas uma hora, com a tempestade inundando várias estações do metrô e infiltrando o Louvre.

Em um comunicado de imprensa publicado na última quinta-feira, o museu francês confirmou que a água havia invadido o mezanino da ala Denon, afetando as salas "Artes do Islã" e "Do Mediterrâneo Oriente para o Templo Romano", ambas fechadas para estabilizar a higrometria.

A água também entrou no primeiro andar da ala Sully, afetando a "Salle des Sept-Cheminées" e a escadaria Henri IV, e o segundo andar da Cour Carrée, afetando algumas salas que abrigam pinturas francesas. Espaços não visuais, como os vestiários no porão e o café mezanino, também foram afetados pela tempestade.

Apesar da implementação imediata de medidas de emergência pela equipe do museu, foram observados danos causados no verniz de duas (Primavera e Outono) das pinturas "Four Seasons" (Quatro Estações) de Nicolas Poussin e um trabalho em grande formato de Jean-François de Troy, “The Triumph De Mordecai” (1736). As obras de Poussin foram imediatamente removidas como precaução e o Jean-Francois de Troy desprendido da parede. Três pinturas de Georges de Latour e Eustache Le Suer no segundo andar da ala Sully também foram retiradas como medida preventiva.

O museu abriu como de costume na segunda-feira passada, exceto pelo anexo da sala de Arte Islâmica e os adjacentes. O trabalho está em andamento para garantir que os espaços afetados reabrem o mais rápido possível e os restauradores estão avaliando a extensão do dano causado.

Os funcionários do Louvre não tiveram atualizações sobre o status das obras de arte danificadas até o fechamento desta matéria.
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Matéria traduzida de Naomi Rea originalmente publicada no site do ArtNet (www.artnet.com), em 17/07/17.

Performer tem sua obra interrompida e é detido pela PM de Brasília

O artista Maikon K. realizava a performance 'DNA de Dan' no sábado, quando foi interrompido por policias militares que o prenderam por 'ato obsceno'. +

O artista e performer paranaense Maikon Kempinski, conhecido como Maikon K., foi preso na tarde deste sábado pela Polícia Militar do Distrito FEderal, enquanto apresentava a sua performance "DNA de Dan" em frente ao Museu Nacional da República. Por volta das 17h20m de sábado, policiais militares abordaram o artista e o impediram de continuar realizando a performance. Detido sob a justificativa de que o artista praticava "ato obsceno", o performer foi colocado no porta-malas de uma viatura policial e levado para a 5ª Delegacia de Polícia da capital federal, onde teve de assinar um termo circunstanciado de ato obsceno. Durante a execução de "DNA de Dan", Maikon realiza o trabalho com o corpo nu, inserido numa esfera plástica e translúcida.

Neste domingo à tarde, após ser liberado, o artista publicou um texto em seu perfil no Facebook onde se disse indignado com o episódio e com a ação policial, que tanto o impediu de completar o seu trabalho como danificou o material cenográfico da performance. Concebida pelo artista para ser apresentada ao ar livre, em espaços públicos, "DNA de Dan" era apresentada como parte integrante do projeto Sesc Palco Giratório, que é considerado o principal projeto de circulação de obras de artes cênicas em território nacional. Antes de chegar a Brasília a obra já havia sido apresentada sem problemas em diferentes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Campina Grande. Reconhecido como um dos mais importantes performers do país, Maikon teve este mesmo trabalho apresentado na mostra “Terra Comunal: Marina Abramovic + MAI”, realizada pelo Sesc São Paulo em 2015 e dedicada à obra de Marina Abramovic.

Em seu relato, Maikon agradeceu ao apoio que recebeu de "pessoas que já viram a performance 'DNA de DAN' e de pessoas que não viram, mas que acreditam na arte como forma de expandir as visões e atuar no mundo. Porque não se trata de mim apenas ou do meu trabalho, o que aconteceu ontem é um sintoma do grande cadáver que fede há tempos por aqui", escreveu.

Em seu relato, Maikon diz que a sua performance "não chegou ao seu término, pois fui agredido por policiais e detido por ato obsceno". Além da apresentação de sábado, "DNA de Dan" também seria apresnetada neste domingo, no mesmo local, mas a sessão foi cancelada.
Sobre a suposta razão da sua prisão, a nudez do seu corpo, e a abordagem dos policiais, o artista contou que já havia iniciado o trabalho quando ouviu "vozes de um grupo de policiais militares ordenando que a apresentação fosse encerrada, com falas como 'isso vai parar de qualquer jeito, caralho', 'tira esse cara daí', 'que porra é essa'", disse.

Seus produtores teriam tentado dialogar com os policiais, mas não foram ouvidos:
"Eles não queriam saber o porquê daquilo estar acontecendo ali, o que significava, qual o contexto. Tínhamos a permissão e o apoio do Museu Nacional para estar ali, ou seja, um museu ligado ao Ministério da Cultura, e éramos contratados do Sesc. Até esse momento, eu pensava, parado, 'logo o produtor do Sesc vai explicar a eles e esse mal entendido vai acabar', e continuaremos o trabalho. Porque duas outras vezes já tivemos a aproximação de policiais, mas após a explicação eles entenderam se tratar de uma obra de arte e nos deixaram continuar sem que parássemos", escreveu.

De acordo com a PM, os militares foram ao local após transeuntes avisarem que teriam avistado "um homem nu" nas imediações do Museu da República. Segundo a PM, os PMs foram informados de que o performer realizava um trabalho artístico, mas como "não foi apresentada nenhuma documentação/autorização do museu tampouco da administração de Brasília, foi determinada a paralisação da referida exposição e foi dada voz de prisão ao elemento nu", informou a PM em uma nota.

Instituição responsável pela realização da performance, o Sesc informou que irá se posicionar sobre o ocorrido apenas na segunda-feira. Em seu texto, Maikon ressaltou a importância de projetos artísticos como o Palco Giratório, e disse esperar que "mesmo depois disso tudo, o Sesc continue com essa coragem de apoiar trabalhos artísticos de todos os estilos e discursos, como sempre fez ao longo dos anos".
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Matéria originalmente publicada no jornal “O Globo”, em 16/07/17.

Artista respeitado, Maikon K é preso por ficar nu em performance

O artista paranaense foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal como sendo por “atentado ao pudor”, retirando completamente a nudez do contexto artístico em que ela ocorreu. +

O artista paranaense Maikon Kempinski, conhecido como Maikon K, um dos nomes mais respeitados e consagrados da performance no Brasil, foi preso em Brasília, em uma ação policial que faz lembrar os tempos de ditadura.

Ele foi detido na tarde deste sábado (15). A prisão foi justificada pela Polícia Militar do Distrito Federal como sendo por “atentado ao pudor”, retirando completamente a nudez do contexto artístico em que ela ocorreu.

A prisão foi feita no momento em que Maikon K se apresentava em frente ao Museu Nacional da República com a performance “DNA de DAN”, na qual fica nu com o corpo coberto de um líquido que se resseca aos poucos, até, ao fim, se quebrar, revelando a pele do artista.
A performance “DNA de DAN” integra o projeto do Sesc “Palco Giratório”.

A performance já foi apresentada em diversos lugares no Brasil, sempre com respeito do público e da crítica especializada.
“DNA de DAN”, inclusive, foi escolhida pela artista Marina Abramović, maior nome da performance no mundo, para ser uma das oito performances brasileiras a integrar sua megaexposição “Terra Comunal” no Sesc Pompeia, em São Paulo, em 2015. Foi a maior mostra na América do Sul da artista sérvia radicada em Nova York, e Maikon K foi convidado a apresentar “DNA de DAN” pela própria artista, admiradora do trabalho do brasileiro. A própria Marina Abramović já utilizou da nudez como expressão artística em performances consagradas.

Abordagem violenta da PM
Em Brasília, a abordagem policial a Maikon foi feita de forma agressiva, conforme relato do artista. Ele foi levado à 5ª Delegacia de Polícia na Asa Sul e não pôde sequer terminar sua apresentação.

No DP, Maikon foi obrigado a assinar um termo circunstanciado por “praticar ato obsceno”, mesmo tendo feito uma performance artística, e só então foi liberado.

“Não estava ali como pessoa física, mas sim como artista contratado pelo Palco Giratório do Sesc”, afirma Maikon K ao Blog do Arcanjo do UOL, indignado.

Além disso, o cenário da performance — uma gigante bolha de plástico transparente criada pelo artista Fernando Rosenbaum, dentro da qual a apresentação é feita — foi rasgado de forma violenta durante a abordagem da PM, segundo relato de Maikon.
“Usaram de violência. Um sargento me imobilizou depois com uma chave de braço e não permitiu que eu levasse nem meus sapatos e documentos. Ninguém pôde me acompanhar na viatura, fui socado num porta-mala de camburão junto com um pneu de estepe”, conta.

Performance consagrada

Maikon lembra que seu trabalho “DNA de DAN” já esteve nas mais importantes instituições culturais do Brasil.
“Esse trabalho estreou em 2013 em Curitiba, com apoio de um prêmio da Fundação Nacional de Artes. Lá, fizemos dez apresentações ao ar livre, no bosque atrás do Museu Oscar Niemeyer. E nunca fomos impedidos ou atacados por isso”, diz.

“Depois, circulamos por várias cidades, tendo o apoio de instituições como a Funarte, o Sesc, o Museu de Arte Moderna do Rio, o Memorial Minas Gerais, a Casa de Cultura de Belém, o CCBB etc. Essa performance já foi feita em praças e ruas, universidades, centros de cultura, galerias”, lembra.

Maikon fala que, apesar da truculência policial da qual foi vítima, não vai desistir de sua arte.
“Podem me colocar diante de um juiz. Eu sei que eu não fiz nada de errado nem nada pelo qual eu deva me envergonhar. Eu estava trabalhando, e minha função é essa: perturbar a paisagem controlada dos sentidos”, declara.

E manda um recado a quem quer calar sua arte:
“O meu corpo afronta os seus canais entupidos, o seu ódio contido, mesmo estando parado. Porque vocês nunca vão me controlar e eu pagarei o preço, eu sei, eu sempre paguei. Porque parado ali, nu, imóvel no meio da praça, suas vozes me atravessam, suas piadas estúpidas tentam me derrubar, sua indiferença me faz rir, seu embaraço me dá dó, mas eu continuo em pé.”
O Sesc ainda não se pronunciou sobre o caso, mas o Blog do Arcanjo do UOL apurou que a instituição planeja divulgar nesta segunda (17) uma nota de repúdio à prisão de Maikon Kempinski.

Governador pede desculpas

O Blog do Arcanjo do UOL apurou ainda que, neste domingo (16), o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e o secretário de Cultura do DF, Guilherme Reis, telefonaram para Maikon K para pedir desculpas pela prisão em nome do Governo do Distrito Federal. Maikon já está sendo assessorado por advogados do Sesc.

Caso lembra a ditadura

A prisão truculenta de Maikon K durante sua performance artística “DNA de DAN” lembra os tempos da ditadura, quando casos assim aconteciam.
Em 1968, a peça “Roda Viva”, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, com seu Teat(r)o Oficina teve uma sessão interrompida pelo grupo Comando de Caça aos Comunistas no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. Os artistas foram espancados e o cenário destruído. Depois, durante a turnê no Rio Grande do Sul, os artistas voltaram a ser perseguidos com violência por militares.
Também em 1968, a atriz Norma Bengell foi sequestrada por militares no momento em que chegava ao Teatro de Arena, em São Paulo, para apresentar a peça “Cordélia Brasil”, de Antônio Bivar.

Recentemente, o teatro tem sido vítima novamente da violência policial.

Em 2015, artistas do Teat(r)o Oficina precisaram depor no Fórum Criminal da Barra Funda. Ao fim, a Justiça decidiu que o diretor José Celso Martinez Corrêa, e os atores Tony Reis e Mariano Mattos Martins, eram inocentes na ação criminal movida pelo padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, de Anápolis, Goiás.

O padre havia acusado os artistas de crime contra seu sentimento religioso católico por conta de uma cena da peça “Acordes”, apresentada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 2012 a convite de alunos, professores e estudantes em greve contra a posse da reitora Anna Cintra, que havia ficado em terceiro lugar na eleição.

O padre goiano viu a peça pela internet, no YouTube. Sentindo-se ofendido com a cena na qual um boneco semelhante ao Papa Bento 16, que na obra inspirada em Bertolt Brecht representava a figura do autoritarismo, resolveu então processar criminalmente os três artistas do grupo Oficina, além da produtora da companhia teatral, Ana Rúbia.

Também em 2015, o artista circense Leônidas Quadra, intérprete do palhaço Tico Bonito, foi preso também durante uma apresentação em Cascavel, interior do Paraná, justamente porque policiais que viam a apresentação não gostaram das críticas à polícia feita na peça. O palhaço foi detido por “desacato à autoridade”.

Em 2016, a PM de Santos, litoral paulista, prendeu o ator Caio Martinez Pacheco durante a peça “Blitz – O Império que Nunca Dorme”, da Trupe Olho da Rua, que satiriza o poder do Estado. Os policiais que estavam presentes na praça onde a peça era apresentada não gostaram do uso da bandeira nacional no espetáculo.

Passagem pelo corpo
Na programação do “Palco Giratório 2017” do Sesc, a performance de Maikon K é definida assim:
“DNA de DAN é uma dança-instalação de Maikon K. Num primeiro momento, o performer mantém-se imóvel enquanto uma substância seca sobre seu corpo. Após essa fase da experiência, ele se moverá. A ação acontece dentro de um ambiente inflável criado pelo artista Fernando Rosenbaum – o público poderá entrar nesse espaço e lá permanecer. Dan é a serpente ancestral africana, que dá origem a todas as formas. A partir desse arquétipo, Maikon K cria seu rito de passagem pelo corpo. A construção de outra pele, o ambiente artificial e a relação com o público são dispositivos para esta performance, na qual o corpo do artista passa por sucessivas transformações.”
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Matéria de Miguel Arcanjo originalmente publicado em seu blog no portal “UOL”, www.uol.com.br, em 16/07/17.

Artista é preso durante performance no Sesc Brasília

O dançarino e performer paranaense Maikon K teve a apresentação, na qual fica nu, interrompida e foi levado para a delegacia por "ato obsceno". +

Uma performance artística interrompida pela Polícia Militar no sábado (15/7) à tarde, em frente ao Museu Nacional da República, fazia parte da programação do evento Palco Giratório, mostra teatral promovida pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). Na ação da PM, o dançarino e performer paranaense Maikon Kempinski acabou detido e levado para a 5ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), onde precisou assinar um termo circunstanciado de ato obsceno.

O Correio falou com o artista na manhã deste domingo. Maikon K, seu nome artístico, se mostrou indignado com a situação e lamentou que seu cenário tenha sido rasgado pelos militares, mas preferiu não comentar mais sobre o caso por esperar um posicionamento da organização do Palco Giratório. O Sesc informou que só se posicionará na segunda-feira.

Na apresentação — chamada DNA de DAN e que já passou por palcos de várias cidades do país —, o artista fica dentro de uma bolha plástica e tem aplicado sobre o corpo nu uma substância que se resseca aos poucos, até formar uma espécie de segunda pele. Para não rompê-la, o artista é obrigado a respirar cada vez menos.

O rompimento, no entanto, é inevitável e, quando acontece, Maikon dá início a uma dança desenvolvida a partir de uma pesquisa sobre arquétipos e elementos espirituais. Em um vídeo feito sobre a apresentação, Maikon explica que sua dança é inspirada no arquétipo da serpente.

Espaço público

A performance já passou por outras cidades devido ao Palco Giratório. Segundo o curador do evento, Leonardo Braga, em Belo Horizonte, Porto Alegre e Campina Grande, ela ocorreu em espaços públicos sem problema. Em Brasília, DNA de DAN foi programada para ser apresentada em frente ao Museu Nacional da República. No entanto, Maikon foi interrompido por policiais militares, que ordenaram que ele se vestisse. Depois, ele foi colocado na traseira de uma viatura e levado à delegacia.
Segundo a PM do Distrito Federal, os militares foram ao local depois de populares solicitarem a presença da polícia porque "havia um homem nu ao lado do Museu da República". Ainda segundo a PM, os policiais foram informados por um homem que ali ocorria uma exposição de arte. No entanto, "como não foi apresentada nenhuma documentação /autorização do museu tampouco da Administração de Brasília, foi determinada a paralisação da referida exposição e foi dada voz de prisão ao elemento nu", informa uma nota.
Nas redes sociais, muitos se mostraram indignados com a detenção de Maikon. Na página do artista no Facebook, vários comentários criticam a ação da polícia e mostram apoio ao paranaense. "A ditadura tá aí, na cara de todo mundo, só não enxerga quem não quer", escreveu uma internauta. "Já que não tem onde fazer justiça em Brasília, vamo prender performer, né...", protestou outra.
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Matéria publicada originalmente no site do jornal “Correio Brasiliense” (www.correiobraziliense.com.br)

Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás

O Mapa das Artes aproveita o clima soturno e golpista do Brasil, que coincide com o início do sorumbático e agourento Ciclo de Saturno (duração prevista de 36 anos!), e começa aqui uma homenagem aos compositores, músicos, jornalistas, cronistas, caricaturistas e artistas visuais em geral que trataram as artes plásticas com humor. O primeiro homenageado é o samba de breque “O Conto do Pintor”, gravado pelo cantor carioca Moreira da Silva (1902-2000), o “Kid Morengueira”, de autoria de Miguel Gustavo (1922-1972), um clássico da música popular brasileira. Sugestões para o e-mail mapadasartes@uol.com.br. “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” (Che Guevara - 1928-1967). +

O samba de breque “O Conto do Pintor”, gravado pelo cantor carioca Moreira da Silva (1902-2000), o “Kid Morengueira”, de autoria de Miguel Gustavo, é um clássico da música popular brasileira. Ouça em https://www.youtube.com/watch?v=09FzKSo_MXo.
O samba faz uma paródia com as artes plásticas e com a política brasileira nos anos 60 e é recheado de citações bem humoradas a personalidades do jornalismo, das artes e da política nacional.
A primeira citação-homenagem deve ser ao seu autor, o compositor, jornalista, radialista, poeta e cronista musical carioca Miguel Gustavo Werneck de Sousa Martins (1922-1972), um grande compositor de sambas e marchas, como a série de sambas de breque para Moreira da Silva (“O Conto do Pintor”, “O Rei do Gatilho”, “O Último dos Moicanos”, “O Sequestro de Ringo”, “O Rei do Cangaço” e “Morengueira contra 007”).
Seus maiores sucessos, contudo, foram os de jingles comerciais para rádio e televisão, com os quais iniciou carreira. Miguel Gustavo compôs nos anos 50 um jingle para as Casas Bahia, que causou polêmica ao usar um trecho da melodia de “Jesus Alegria dos Homens”, de Bach. Nos anos 60 compôs um jingle para o Leite Glória, que ficou cerca de 20 anos em cartaz, sendo gravado pelos maiores cantores da época. Em 1967, compôs a marchinha “A Dança da Boneca”, que foi gravada por Abelardo Barbosa (1917-1988), o Chacrinha. A música apresentou ao Brasil a Teresinha e acabou sendo adaptada para a abertura do “Programa do Chacrinha”, ficando no ar durante décadas. O maior sucesso de sua vida, no entanto, seria o jingle “Pra Frente Brasil”, composto para uma cervejaria patrocinadora da Copa do Mundo de 1970, mas que acabou se tornando o hino da conquista do tricampeonato mundial de futebol no México.
O primeiro citado é o folclórico colunista social e apresentador de TV Ibrahim Sued (1924-1995), autor de bordões clássicos, como “E à demain, que eu vou em frente, de leve...”.
Em seguida é citado Santos Vahlis, um empresário venezuelano que fez fortuna no ramo imobiliário no Rio de Janeiro.
Madame Niomar é a jornalista e empresária Niomar Moniz Sodré Bittencourt (1916-2003). Filha do advogado, jornalista e político baiano Antônio Muniz Sodré de Aragão, casou-se com Paulo Bittencourt, filho do fundador do jornal “Correio da Manhã”, Edmundo Bittencourt. Fundou, com Raimundo Castro Maia e Maria Martins, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), e foi sua diretora por dez anos. Com a morte de Paulo Bittencourt, em 1963, Niomar assumiu a presidência do “ Correio da Manhã”. Manteve-se na oposição ao regime militar implantado com o Golpe Militar de 1964. Em 1969, teve seus direitos políticos cassados, foi presa e processada.
O embaixador Chateaubriand é ninguém menos que Gilberto Chateaubriand (1925). O ex-diplomata, empresário, colecionador e mecenas Gilberto Francisco Renato Allard Chateaubriand Bandeira de Melo. Chateaubriand é filho de Assis Chateaubriand (1892-1968), jornalista proprietário do grupo empresarial Diários Associados e fundador do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o MASP. Possui a maior coleção de arte brasileira (mais de sete mil obras), cedida em comodato ao MAM-RJ em 1993.
O jornalista e escritor paulista Rubens do Amaral é Estanislau Rubens do Amaral (1890-1964). Membro da Academia Paulista de Letras, foi um dos fundadores e radator-chefe do jornal “Diário da Noite”, depois comprado por Assis Chateaubriand. Também foi diretor dos jornais “Diário de São Paulo” e da “Folha da Manhã”. Na política, foi eleito deputado estadual em São Paulo em 1947 e vereador na cidade de São Paulo por várias legislaturas.
Os versos “pintei vassouras com feitio de espadas, pintei espadas qual vassouras e retirei-me do local” é uma citação à campanha para a presidência da República, disputada por Jânio Quadros (cujo símbolo era a vassoura) e o marechal Henrique Lott (cujo símbolo era a espada).
Os versos “Pintei um quadro só por fora das molduras”, “Eu joguei tinta nas paredes” e “eu que não pintava nem nos muros da Central” são alusões bem humoradas aos rumos da arte contemporânea e da crítica especializada na época e atuais até hoje.
O samba termina com os versos “Fui a Brasília dei um quadro ao maioral. Era um triângulo redondo, mas Nonô achou legal”.
O maioral era o diamantino presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), cujo apelido era Nonô. Observe que o quadro era um “triângulo redondo”, referência à belíssima bandeira do Estado natal do presidente, Minas Gerais.
A bandeira é uma adaptação da bandeira da Inconfidência Mineira (1789), cujo triângulo central era verde e já era “circundado” pelo lema dos inconfidentes: “Libertas Quæ Sera Tamen” (“Liberdade Ainda que Tardia”). O triângulo da bandeira mineira é vermelho por representar a cor símbolo das revoluções. Foi adotada em 8/1/1963 e segue cada dia mais atual.
Leia abaixo a letra do samba “O Conto do Pintor”, de Miguel Gustavo e Moreira da Silva
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Desembarquei fantasiado de pintor
No aeroporto já encontrei o Ibrahim
Fez um discurso e apresentou-me ao Santos Vahlis
Que deu de cara um apartamento para mim.

(breque) “Morengueira vai levar um duplex.”
“É o seguinte, eu não mereço tanto, é muita gentileza de sua parte.”

Fomos direto ao Museu de Arte Moderna
A grande obra de Madame Niomar
Condecorando-me com a Ordem do Vaqueiro
Chateaubriand quase chegou a me estranhar.

(breque) “Seu embaixador, deixa isso pra lá, vossa excelência que é o admirador e o protetor das artes no Brasil. Ora!...”

Mas ali mesmo demonstrei o meu talento
Pintei triângulos redondos e um quadrado todo oval
Todos olhavam perturbados e diziam:
“Esse Moreira é um artista genial!”

Mais que depressa eu vendi noventa quadros
Depois de dar uns dois ou três em benefício
Entrevistado pelo Rubens do Amaral
Eu respondi: "Ora, qual nada, é meu ofício."

Pintei vassouras com feitio de espadas
Pintei espadas qual vassouras, retirei-me do local
Mas a ilustríssima platéia delirava:
“Esse Moreira é um artista genial!”

Pintei um quadro só por fora das molduras
Eu joguei tinta nas paredes, todo mundo achou legal
Dei cambalhotas e as madames exclamaram:
“Esse Moreira é um artista genial!”

(breque) E eu que não pintava nem nos muros da Central

Mais que depressa eu vendi noventa quadros
Depois de dar uns dois ou três em benefício
Entrevistado pelo Rubens do Amaral
Eu respondi: "Ora, qual nada, é meu ofício."

Pintei vassouras com feitio de espadas
Pintei espadas qual vassouras, retirei-me do local
Mas a ilustríssima platéia delirava:
“Esse Moreira é um artista genial!”

(breque) Fui a Brasília dei um quadro ao maioral
Era um triângulo redondo, mas Nonô achou legal.
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Texto de Celso Fioravante, editor do Mapa das Artes


Prefeitura anuncia parceria com italianos para revitalizar três praças de SP

Ramos de Azevedo, Cidade de Milão e Imigrante Italiano, todas em áreas centrais e nobres, serão recuperadas por empresas italianas que vão reformar as praças em homenagem aos imigrantes. +

A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (21/6) uma parceira com a embaixada italiana e empresas dos país europeu para recuperar três praças da cidade: Ramos de Azevedo (Centro), Cidade de Milão (Zona Sul) e Imigrante Italiano (Zona Oeste).

De acordo com o prefeito João Doria (PSDB), a revitalização das praças vai demandar um investimento de aproximadamente R$ 5 milhões. Segundo ele, todo o custo será arcado por companhias italianas instaladas ou com alguma ligação com a capital.

A Praça Cidade de Milão, na Avenida República do Líbano, terá seus monumentos que homenageiam o pintor italiano Michelangelo restaurados, e a iluminação também trocada. O espaço, inaugurado em 1962 após um acordo entre as cidades de São Paulo e Milão, ainda receberá mudanças no entorno e na fonte.

As estátuas renascentistas e o chafariz seco e degradado precisam de restauração, mas a praça que também tem equipamentos de ginástica e um bosque de eucaliptos é elogiada por quem frequenta. A reforma no local tem preço estimado em R$ 1,2 milhão e deve ser entregue em outubro.

"É a praça mais bem cuidada de São Paulo que eu conheço, porque aqui tem sempre gente cortando grama, sempre varrendo, sempre limpando", disse o economista e frequentador Adolfo Bruns. Há cerca de 12 anos, a praça passou por uma reforma de cerca de R$ 250 mil bancada pelo instituto italiano de cultura.

Mulheres que trabalham na região da Praça Cidade de Milão mas moram em outras regiões da cidade disseram ao SPTV que as praças perto de suas casas não recebem o mesmo cuidado. "As pracinhas onde eu moro estão todas quebradas, cheias de mato. Lá no Grajaú [extremo da Zona Sul]", disse a arrumadeira Antonilda Oliveira.

"Praça de rico tem tudo para as crianças brincar. Lá só tem mato. No Grajaú tem um monte de praça, mas não tem nada disso", acrescentou Cláudia Marques, empregada doméstica. "Eles têm condições de ir numa academia e ir num clube, pobre num tem conforto nenhum", completou.

A Praça Ramos de Azevedo, por sua vez, vai receber novos bancos, wi-fi, e paisagismo. As esculturas serão recuperadas e a fonte, que foi um presente da comunidade italiana à cidade, será limpa e restaurada com nova iluminação. As obras devem ser concluídas em dezembro ao custo de cerca de R$ 3,7 milhões, estima a Prefeitura.

Já na Praça Imigrante Italiano, a menor das três, o investimento será destinado à reposição de pedras, instalação de lâmpadas LED e serviços de jardinagem. O monumento do artista Galileo Emendabili também será recuperado e terá o mármore renovado. No local, que fica entre as avenidas Cidade Jardim e Nove de Julho, os italianos esperam gastar R$ 110 mil. A previsão de conclusão das obras é agosto.

Segundo o vice-prefeito, Bruno Covas, apesar das obras acontecerem em áreas mais centrais, também vão beneficiar quem mora na periferia. Para ele, é uma questão de economia. "Qualquer doação de praça ajuda a cidade como um todo, porque o recurso é um só. Se a gente deixa de ter que investir numa praça na região central, significa que esse recurso vai poder ser utilizado na área mais periférica", disse.

O discurso de Doria foi na mesma linha: "A cidade é um todo. É frequentada por todos, em todas as áreas. O Centro da cidade é frequentado pelas pessoas da periferia, de classe média, baixa. A cidade não é estanque, que quem está na periferia só vive na periferia e quem está no centro só vive no centro. As pessoas se locomovem", concluiu.
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Matéria de Will Soares publicada originalmente no portal do G1 SP, em 21/06/17.

Mostra em SP une arte e justiça para debater condenação de catador de lixo

“Osso: Exposição-apelo ao amplo direito de defesa de Rafael Braga", em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, propõe manifesto sobre o caso do jovem negro carioca preso durante manifestações de junho de 2013 por portar detergente e água sanitária. +

Da aproximação entre um curador e um grupo de criminalistas nasceu a mostra "Osso: Exposição-apelo ao amplo direito de defesa de Rafael Braga", que abre na próxima terça (27), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Rafael Braga foi um dos poucos brasileiros presos e condenados no contexto das chamadas Jornadas de Junho de 2013, quando manifestações tomaram as ruas do país, primeiro contra o aumento da tarifa do transporte público, depois contra a corrupção e outras bandeiras.

Menos de um mês após obter progressão para o regime aberto com o uso de tornozeleira eletrônica, ele foi preso de novo e condenado, agora por tráfico de drogas, num julgamento contestado pelo acusado.

A proposta de uma mostra política obteve a adesão de 28 artistas, como Anna Maria Maiolino, Carmela Gross, Cildo Meireles, Nuno Ramos, Paulo Bruscky e Rosana Paulino.

Para o curador Paulo Miyada, ao emprestarem seu prestígio para a causa do direito de defesa, os artistas atuam como cidadãos e colocam seu trabalho como de uso público, a favor do debate.

"A ideia é de subverter o formato mais consolidado de exposição de arte e política, quando uma proposta curatorial mais ampla permite que cada trabalho apresente uma agenda, para obtermos não apenas obras-discurso mas obras-atitude", diz Miyada.

Debate Judicial

A exposição é uma parceria com o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).

"Osso" é uma alusão à escolha de obras feitas a partir de elementos mínimos e também à fragilidade do direito de defesa no país.
"Rafael Braga é um dos milhares de jovens negros e pobres condenados de maneira desproporcional a crimes a eles imputados apenas com base no relato policial", explica Hugo Leonardo, vice-presidente do IDDD.

"A Justiça criminal é em geral aplicada aos mais vulneráveis da sociedade, a quem não é dada voz, numa espécie de perseguição penal, que perpetua a exclusão."

Para ele, a abordagem por meio da arte pode quebrar barreiras, como o preconceito e a indiferença, e permitir um diálogo verdadeiro.
"A multiplicidade de sentidos e afetos envolvidos na arte são amplos, abertos, e capazes de sensibilizar o outro", concorda Carmela Gross, que participa da mostra com um desenho em grafite sobre parece ("Águia", de 1995) feito como parte de uma instalação na antiga Cadeia Municipal de Santos.

Para Cildo Meireles, a exposição se insere num quadro de "injustiça sistemática do país em que os corruptos não estão presos mesmo com provas gritantes acumuladas contra eles". "A arte mostra a indignação possível."

Paulo Bruscky, que vai remontar seu Manifesto Nadaísta, lançado em 1974, durante o regime militar, como forma de protesto contra a censura e a perseguição que sofria, afirma se identificar com o caso de Rafael Braga.

"Fui ameaçado e preso três vezes. Diziam que eu era comunista porque fazia intervenções urbanas", lembra. Segundo ele, os perseguidos pela Justiça de ontem e de hoje são "os que fazem o povo pensar e os miseráveis".

Condenação

No dia 20 de junho de 2013, Rafael Braga, 25, trabalhava como catador de latas perto de um protesto no centro do Rio quando foi detido por policiais civis portando duas garrafas plásticas contendo produtos de limpeza.

Para a perícia, as substâncias tinham "mínima aptidão para funcionar como coquetel molotov". O jovem foi condenado a cinco anos de prisão por porte de artefato explosivo.

Obteve progressão para o regime aberto com tornozeleira eletrônica e conseguiu emprego num escritório de advocacia. Menos de 30 dias depois, foi preso perto da casa da mãe, na Vila Cruzeiro (zona norte do Rio), próximo a ponto de venda de drogas. Segundo a polícia, portava 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão.

Braga nega as acusações, diz que a droga foi plantada e que foi agredido perto da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) local.
No processo, o juiz negou pedidos da defesa de acesso às imagens das câmeras da viatura e da UPP, e ao registro do GPS da tornozeleira. As testemunhas de acusação eram todas policiais.

Mais de um ano após ser detido, foi condenado a 11 anos e três meses por tráfico de drogas e associação criminosa. "É uma pena desproporcional para crime sem violência e com pequena quantidade de droga. É quase a mesma pena aplicada a um homicídio", diz Hugo Leonardo, do IDDD.

Braga, que já havia sido preso duas vezes por roubo, está detido em Bangu.
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Matéria de Fernanda Mena originalmente publicada no jornal “Folha de S. Paulo”, em 20/06/17.

‘Osso’: exposição no Tomie Ohtake apela ao direito à defesa de Rafael Braga

A mostra debate o caso emblemático do jovem condenado nos protestos de 2013 por portar desinfetante. +

Ao subir no pódio olímpico dos Jogos do México em 1968, o velocista Tommie Smith, que acabara de se tornar campeão mundial, fez um gesto que entrou para a história: enquanto tocava o hino nacional, o atleta, negro, abaixou a cabeça - em vez de levantar, em sinal de respeito - cerrou o punho direito e levantou o braço. Na mão, uma luva preta. O sinal era uma saudação ao Black Power, movimento ocorrido especialmente nos Estados Unidos, que simbolizava a luta e a resistência. Quase 50 anos depois, a imagem de Smith volta à cena, em um contexto análogo: o da resistência.

A obra Tommie é uma pequenina escultura de aço e madeira do artista Paulo Nazareth, que reproduz a imagem do atleta com o punho cerrado. Ela é uma das 32 obras pertencentes à mostra Osso - Exposição-apelo ao amplo direito de defesa de Rafael Braga, apresentada pelo Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, em parceria com o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).

Rafael Braga é um catador de latas brasileiro e, assim como o velocista, é jovem e negro. Foi detido nas manifestações de junho de 2013 por portar dois frascos contendo desinfetante e água sanitária. Ele foi o único condenado no contexto das manifestações de 2013, por "portar material incendiário", durante um protesto no Rio de Janeiro. Depois de cumprir parte da pena, passou para o regime aberto, mas acabou sendo preso novamente, em janeiro do ano passado, porque, segundo a versão da polícia, ele portava 0,6 grama de maconha, 9,3 gramas de cocaína, além de um rojão. Rafael, que nega todas as acusações, alega ter sido vítima de violência e extorsão policial.

O caso de Rafael Braga foi alçado a símbolo de centenas de outros casos que têm se repetido no Brasil, que anulam o direito da defesa se defender. Por isso, a escolha de uma "exposição-apelo", segundo explica o curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada. "As obras tentam abrir um leque de sensibilidade para fazer reverberar esta questão", diz. O título da exposição, Osso, se justifica por terem sido escolhidas obras produzidas a partir de estruturas mínimas, "sem gordura", como explica Miyada. As obras de 29 artistas brasileiros são divididas entre as inéditas, as feitas especialmente para a ocasião e algumas já conhecidas. E muitas delas incomodam.

Em Os homens, por exemplo, o artista Rafael Escobar traz uma pilha de registros da Defensoria Pública de São Paulo com os relatos feitos por carroceiros da região da Luz sobre como perderam seus bens nas ruas. Os nomes dos envolvidos estão suprimidos, assim como a caracterização dos responsáveis por levar os pertences, deixando espaços em branco onde residem a ambiguidade entre a violência política e pública. Os relatos podem ser levados para casa. O mesmo ocorre com a obra de Paulo Nazareth, que narra, em primeira pessoa, como foi que aos sete anos de idade foi abordado pela polícia. O folheto com o texto também pode ser levado.

Artistas jovens, negros e ligados às questões sociais formam a exposição, como é o caso de Rosana Paulino, com O Progresso das Nações, e do Manifesto Nadaísta, de Paulo Bruscky. Logo na entrada, letras garrafais avisam: "Artista é público". A obra de autoria de Vitor Cesar é feita com letras parecidas com as usadas para nomear os prédios pela cidade. Em uma sala completamente vazia, está o Cruzeiro do Sul (1969), de Cildo Meireles: um cubo de madeira de 9 milímetros apresentado diretamente sobre o chão. A obra é feita de pinho e carvalho, madeiras utilizadas por povos indígenas para produzir fogo por fricção. Outra sala é ocupada pelo IDDD, e informa de uma maneira direta, porém sem destoar da narrativa dos demais cômodos, a história de Rafael Braga intercalada com relatos de abusos policiais.

De acordo com Hugo Leonardo, advogado criminal e vice-presidente do IDDD, a ideia é sensibilizar a população por meio da arte, "partindo do particular, que é o caso do Rafael, indo para o geral, de tantos casos de pretos, pobres e presos", diz. Para isso, além das obras, haverá um debate programado para este sábado, 1º de julho, com Hugo Leonardo, Paulo Miyada, Geraldo Prado, Suzane Jardim e Cidinha da Silva. "Estamos prevendo uma série de atividades durante essa exposição com a presença de jovens da periferia, com debates, com pessoas que sofrem essa violência do sistema de justiça criminal", diz Hugo Leonardo.
A exposição fica em cartaz do dia 27 de junho ao 30 de julho, das 11h, às 20h e a entrada é grátis. O Instituto Tomie Ohtake fica na avenida Faria Lima, 201, no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo.
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Matéria de Marina Rossi originalmente publicada no jornal “El País”, em 29/06/17.

Relatório da Tefaf Art Market Report relata aumento do mercado de artes online

Seguindo as novas tendências globais, o mercado de arte aos poucos vai se rendendo ao comércio online. Relatório de pesquisa revela que o mundo da arte está cada vez mais expandindo oportunidades digitais, ampliadas pelo impacto das novas tecnologias sobre ele. +

As descobertas do relatório “TEFAF Art Market: Online Focus” destacam a tensão entre a promessa de alcançar uma vasta base de clientes global e o desafio de manter a abordagem de vendas orientada pelo relacionamento – que vem dominando o mercado de arte há séculos. O relatório analisa ainda a extensão das oportunidades digitais ampliadas pelo mundo da arte e o impacto que as novas tecnologias apresentam sobre ele.

A pesquisa, realizada junto a cerca de 700 comerciantes de arte, descobriu que uma ampla maioria mantém negócios lucrativos de comércio eletrônico, mas um quinto ainda diz não ter planos para atuar online.

Quase dois terços dos dealers, ou 64%, disseram vender arte e antiguidades online. Já as casas de leilão foram mais rápidas para entrar no mercado virtual, com aproximadamente 8% das vendas de leilões de arte acontecendo online.

As renomadas casas internacionais de leilão lideram o comércio eletrônico e engajamento online, aproveitando suas marcas para abrir vantagem no mercado virtual. Estas casas usam o comércio eletrônico, seja através do desenvolvimento de suas próprias plataformas ou do uso de plataformas de terceiros, para atingir novos compradores e colecionadores, uma tendência que provavelmente só irá crescer.
Os dealers, em contrapartida, estão demorando a se adaptaras às novas tecnologias, com apenas um terço das operações realizadas online e com 20% das galerias e marchands afirmando que não têm intenção de migrar para a internet. Embora o mercado para venda de antiguidades online seja pequeno, o relatório apontou 18,8% de crescimento, o que significa que apesar do baixo engajamento, as vendas online estão em expansão.

Novas gerações, novas tendências

O crescimento mais rápido é observado na venda de peças com preços mais baixos, o que traz novos compradores ao mercado. O crescimento no topo do mercado vem sendo limitado por questões de confiança e transparência, mas os avanços na tecnologia minimizar estas questões.

Jovens colecionadores e millennials (ou Geração Y), que costumam organizar suas vidas através de dispositivos eletrônicos e estão totalmente à vontade para comprar arte e produtos de luxo online, são de vital importância para o crescimento futuro deste mercado.
Até agora, nenhum “player” de peso emergiu do mercado online, mas aqueles que estão inovando e desenvolvendo seu portfólio de produtos – como a Artsy, 1st Dibs e Invaluable – estão obtendo sucesso neste competitivo ambiente de mercado. Há uma reestruturação para este segmento, já que os demais modelos de negócios também estão à prova.

Não há dúvida de que o potencial dos canais digitais e mobile impactarão o negócio da arte. O relatório confirma as suposições da que a TEFAF havia lançado sobre o comprometimento dos dealers em relação às oportunidades que o comércio eletrônico oferece.

Primeira edição do relatório com foco no online

Esta é a primeira vez que a TEFAF, prestigiada feira de arte reconhecida por sua política rigorosa de verificação, lançou um relatório complementar, focado no mercado de arte online e na análise anual do estado e tamanho do mercado de arte como um todo. As respostas da pesquisa (673 participantes, dentre 8.000 convidados) mostram que pouco menos de 60% relataram que seu negócio de comércio eletrônico foi rentável em 2016.

O comércio eletrônico é definido, para o propósito do relatório, como “o papel que o cenário digital reproduz ativamente no mundo da arte” e inclui as transações realizadas online e funções não-transacionais, como o marketing através de canais de mídia social. Não ficou claro no relatório como os marchands definiram como essas atividades abrangentes contribuíram para o lucro ou prejuízo líquido em seus negócios.
O relatório, no entanto, destacou uma tendência inevitável, que deve encorajar as galerias a se envolver no mercado online: os dados demográficos. Compradores mais jovens, que cresceram conectados, são mais propensos a se sentir confortáveis comprando arte (e todo o resto) online. O relatório da TEFAF aponta que, dos americanos entre 25 e 34 anos, 57% estão confortáveis comprando arte online.

Da mesma forma, o Hiscox Online Art Trade Report, divulgado em abril, levantou que metade dos 758 compradores de arte pesquisados disseram que planejam comprar online mais arte e artigos de coleção no próximo ano, uma parcela que subiu para 59% entre os entrevistados com menos de 35 anos.

Enquanto as vendas em leilões caíram em 2016 em relação ao ano anterior, tanto a Sotheby’s quanto a Christie’s relataram aumentos significativos nas vendas online. Na Christie’s, a soma chegou a US $ 217 milhões, enquanto as vendas online da Sotheby’s aumentaram 20% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 155 milhões.
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Matéria originalmente publicada no portal www.touchofclass.com.br

Novo site compila dados de origem de obras de arte

A plataforma permite que você trace de volta os movimentos de uma obra de arte até sua origem junto ao artista. +

Já se perguntou qual o caminho percorrido por uma obra de arte, desde que deixou as mãos de seu artista criador até chegar aos museus? Agora, o site Mapping Paintings (www.mappingpaintings.org) vai permitir aos usuários visualizar estas histórias de origem de obras. A plataforma de código aberto permite pesquisar obras de arte específicas e oferece uma representação visual de sua jornada em direção à sua localização atual.

Liderado pelo professor da Universidade de Boston, Jodi Cranston, o site rastreia obras de arte e permite aos usuários mapear informações de proveniência. A iniciativa visa oferecer uma pesquisa histórica de obras de arte, incluindo detalhes de proprietários e transações passadas, facilitando o caminho para os historiadores da arte e colecionadores.

Origem e proveniência da obra

Mapping Paintings foi inspirado por um dos projetos anteriores da Cranston, Mapping Titian. “A proveniência de informação vem de catálogos impressos e em alguns sites de museus, mas visualizar o movimento dessas obras de arte permite que os usuários reconheçam seu objetivo e também não se atolem em preocupações sobre autenticidade e pedigree”, disse Cranston. “Às vezes, ver que uma obra de arte foi para um lugar inesperado é mais impactante do que tê-la em um longo histórico”.

Os usuários poderão fazer entradas individuais no site, bem como publicar seus próprios projetos. Esses envios serão revisados para fins de precisão e depois adicionados ao site por um administrador. A Coleção Kress, composta por mais de três mil obras de arte europeia acumulada por Samuel H. Kress entre 1929 e 1961, será adicionada à plataforma em breve.

“Eu acho que muitos visitantes dos museus não percebem que essas obras de arte tiveram vidas interessantes antes de chegarem às paredes do museu, e é legal pensar sobre o que essas obras de arte testemunharam e quem mais as viu”, disse Cranston à Hyperallergic. “Isso aprofunda a experiência de visualização e traz vida à história”.

Histórico que pode agregar valor à obra

O público-alvo do site são os historiadores de arte, mas estes dados não serão úteis apenas aos acadêmicos. Detalhes dos proprietários anteriores, ou a exibição de uma obra de arte em um local importante, podem ser importantes no contexto de uma venda. As disputas que compõem a maioria dos litígios de arte geralmente dizem respeito a questões de propriedade, autenticidade ou valor. A propriedade pode ser contestada no contexto de trabalhos saqueados nazistas, por exemplo, e dados de proveniência imprecisos ou incompletos podem esclarecer as falsificações que fazem as rodadas em leilão. Alternativamente, um proprietário de alto perfil ou a presença em uma instituição.
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Fonte: site Mapping Paintings (www.mappingpaintings.org).

Prefeitura do Rio decide não pagar o Programa de Fomento às Artes 2016

Representantes do setor cultural foram informados por subsecretários de que o passivo de R$ 25 milhões não será quitado. +

A Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu que não irá pagar os R$ 25 milhões devidos para os contemplados no Programa de Fomento às Artes de 2016, o conjunto de editais culturais lançados anualmente pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC).
Representantes do setor cultural da cidade estiveram reunidos na tarde desta quarta-feira (28/06) com subsecretários da pasta e foram informados de que a Prefeitura não irá quitar a pendência.

“Hoje, três subsecretários da pasta nos deram a resposta definitiva de que a Prefeitura não irá pagar o fomento, e de que não há previsão futura” — disse o pesquisador e diretor teatral Gustavo Guenzburger, representante do Reage Artista e dos Movimentos pela Cultura. “O prefeito não se sensibilizou a fazer o remanejamento de recursos necessários. Há dinheiro para outras iniciativas, então o que não há é vontade política de resolver esse grave problema. Essa decisão representa um enorme retrocesso e aponta para o fim dos editais da Prefeitura. Precisamos conscientizar não só os artistas para essa luta. A cidade inteira tem que entender que fomentar a Cultura é fomentar o futuro”.

Presente na reunião, o vereador Tarcísio Motta (PSOL) lamentou a decisão em uma nota publicada em sua página oficial no Facebook: "Seis meses depois, Prefeitura consolida o calote. Lamentável decisão".

“A comunidade artística carioca está de luto” — diz o produtor Eduardo Barata, que preside a Associação dos Produtores de Teatro do Rio, a APTR. — “Foi enterrada a única política pública democrática, através de editais e com dinheiro do orçamento da Prefeitura, o Programa de Fomento à Cultura Carioca. Mesmo com a cláusula condicionante à disponibilidade para a liberação dos R$ 25 milhões, caracterizando a seleção como expectativa de direito do proponente, mesmo sabendo que a gestão passada era responsável pelo pagamento; havia e há uma obrigação ética, moral e de visão desenvolvimentista para o setor cultural”.

Ao longo da tarde desta quarta-feira, a reportagem do Globo solicitou à assessoria de imprensa da SMC uma entrevista com a secretária e um comunicado sobre a decisão, porém foi informada que a secretária não comentaria o asssunto. Até o momento, a Prefeitura não enviou qualquer comunicado à imprensa sobre a decisão.

Promessa Não Cumprida

Em janeiro deste ano, em seu primeiro ato público, realizado no Teatro Carlos Gomes, a secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, respondeu com a seguinte declaração à plateia que lhe cobrava um posicionamento sobre o pagamento do Fomento:
“Conhecemos o nosso passivo e temos compromisso. Vamos chegar lá” — disse.

O imbróglio teve início no fim do ano passado, quando o ex-prefeito Eduardo Paes e o então secretário municipal de Cultura, Junior Perim, não honraram o compromisso de pagar os R$ 25 milhões em prêmios que haviam sido garantidos publicamente, na cerimônia de lançamento do Programa, realizada em junho de 2016, no Palácio da Cidade. À época, Eduardo Paes afirmou que o pagamento do edital seria executado até o fim daquele ano, e que os projetos contemplados deveriam ser implementados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2017.

“Queria dizer que a Prefeitura do Rio se compromete a fazer esses pagamentos em novembro para que os projetos sejam executados em 2017” — disse Paes à época.

Ao fim de 2016, a gestão Paes anunciou que a receita do município havia sido menor que a expectativa, e que, por tal motivo, não teria verbas para repassar os R$ 25 milhões. No texto do edital o item 2.5 informava: "A liberação do valor destinado a este Processo Seletivo está condicionada à disponibilidade orçamentária e financeira". Representantes do setor cultural dizem que tal cláusula — presente em editais anteriores da SMC — abre brecha para manobras orçamentárias e não garantem, de modo definitivo, o pagamento dos prêmios anunciados.

Em fevereiro, em entrevista ao Globo, a secretária havia dito não ter como garantir quando os R$ 25 milhões do edital seriam pagos: "O valor será pago, mas não tenho como dizer quando". Na mesma entrevista, declarou que teria "R$ 15 milhões aprovados para o fomento em 2017" e que planejava usar esse montante em um novo edital relativo a 2017, em vez de usá-lo como parte de uma estratégia para quitar o anterior. Porém, tal intenção não foi bem recebida pelo setor, e o impasse em relação ao pagamento do Programa de Fomento permaneceu sem resolução até esta tarde.
Em relação aos R$ 15 milhões mencionados anteriormente pela secretária, o Globo apurou que 25% desse montante foram contingenciados.

Do restante, R$ 6 milhões já teriam sido utilizados para pagamento de despesas, e a Prefeitura planeja utilizar R$ 5 milhões para o lançamento de um conjunto de editais. Será o menor investimento da pasta dos últimos anos, em editais de apoio direto — em 2016 foram anunciados R$ 25 milhões (não pagos), enquanto em 2015 e em 2014 a SMC investiu R$ 29 milhões em seu conjunto de editais, R$ 31,5 milhões em 2013, R$ 34 milhões em 2012 e R$ 27 milhões em 2011.

Neste último edital, 2.480 projetos foram inscritos, e 204, contemplados. Em fevereiro passado, a atriz e produtora cultural Natasha Corbelino realizou um levantamento numérico que buscou identificar o impacto econômico gerado pelo não pagamento do edital de 2016.

“Com os 204 projetos pagos teríamos 6.300 contratos previstos, sendo 4.800 contratos diretos com trabalhadores da cultura, como artistas, técnicos, produtores, e 1.500 contratos de serviço, além dos números indiretos que geramos” diz. “Somos muitos e geramos renda. Movimentamos comércio, prestadores de serviço e mobilizamos o público e os bairros de toda a cidade”.
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Matéria de Luiz Felipe Reis originalmente publicada no jornal “O Globo”, em 28/06/17.

Tintoretto de David Bowie será exposto durante a Bienal de Veneza 2019

Após leilão da coleção de Bowie na Sotheby’s em novembro passado, foi descoberto um sub-desenho sob as camadas de óleo na pintura que passa por análise técnica, e sugere que o trabalho tenha sido criado antes do que se pensava e pintado inteiramente pelo artista veneziano. +

Durante 30 anos, David Bowie apreciou seu retábulo de Jacopo Tintoretto, até mesmo nomeou sua gravadora com o nome do pintor veneziano. Mas Bowie sabia que, sob as camadas de óleo, havia um sub-desenho que sugere que o trabalho tenha sido criado antes do que se pensava.

A descoberta do Instituto Real de Patrimônio Cultural em Bruxelas, cuja análise técnica também revelou que o trabalho foi pintado inteiramente pelo artista veneziano e não pelo seu estúdio, levou planos para retornar a pintura a Veneza para a Bienal de 2019. O retábulo deve ser exibido com um grupo de obras dos antigos mestres flamengos que admiram e foram influenciados por Tintoretto, incluindo Rubens, Van Dyck e Maerten de Vos.

A pintura foi comprada por um colecionador europeu não identificado por £ 191,000 (cerca de R$ 800 mil) durante o leilão da Sotheby’s da coleção de Bowie em novembro passado. Foi imediatamente anunciado que o trabalho, agora datado de 1560-70, seria emprestado a longo prazo para a Rubens House em Antuérpia, um museu que Bowie adorava.

O músico comprou a tela do comerciante londrino Colnaghi em 1987 e é a Fundação Colnaghi que agora está coordenando seu projeto de pesquisa. Outras análises no final deste ano examinarão o céu e detalhes arquitetônicos na composição. Uma publicação acadêmica completa sobre o retábulo será publicada em outubro.

Tintoretto pintou o trabalho, retratando um anjo avisando Santa Catarina de Alexandria do seu iminente martírio para na igreja de San Geminiano na praça de São Marcos em Veneza, onde permaneceu até a igreja ser demolida, em 1807. A pintura foi brevemente colocada na Galleria dell’Accademia, em Florença, até ir para a mão de particulares. A obra, provavelmente deixou Veneza por volta de 1818 quando foi adquirido por um coronel T. H. Davies.

A exposição de 2019 em Veneza se concentrará na Igreja demolida de San Geminiano e nas obras de arte que uma vez hospedou. Rubens provavelmente viu o retábulo de Tintoretto lá, enquanto Anthony van Dyck, seu célebre discípulo, realizou desenhos no local.
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Matéria do The Artnewspaper e portal www.dasartes.com.br, em 06/07/17.

Cais do Valongo é declarado Patrimônio Mundial da Humanidade

Sítio arqueológico foi descoberto em 2011, durante as escavações realizadas como parte das obras de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro. +

O Sítio Arqueológico do Valongo, no Rio de Janeiro (RJ), foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade neste domingo (9) pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O Cais do Valongo, localizado na Praça Jornal do Comércio, é símbolo da dor de milhares de negros escravizados trazidos para o Brasil por mais de 300 anos. Em 20 de novembro de 2013, data em que se celebra o Dia da Consciência Negra, o Cais do Valongo foi declarado Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro, por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).

No mesmo período, representantes da Unesco passaram a considerar o sítio arqueológico como parte da Rota dos Escravos, sendo o primeiro lugar no mundo a receber esse tipo de reconhecimento. Ambos eventos reforçaram a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade.

Descoberta

Em 2011, durante as escavações realizadas como parte das obras de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no período que antecedeu os Jogos Olímpicos de 2016, foram descobertos dois ancoradouros, Valongo e Imperatriz, contendo uma quantidade enorme de amuletos, anéis, pulseiras, jogo de búzios e objetos de culto provenientes do Congo, de Angola e de Moçambique.
"O Sítio Arqueológico do Valongo integra agora um singular conjunto de bens tombados exclusivamente nesse preceito, entre os quais está Auschwitz, uma rede de campos de concentração no sul da Polônia, e Hiroshima, cidade japonesa vítima de bombardeio atômico na Segunda Guerra Mundial", explicou.

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, ressaltou que "no contexto da escravidão, o Rio traz consigo o triste título de maior porto escravagista da história. No entanto, apesar disso, apresenta-se igualmente como local onde a contribuição trazida pelos africanos encontra uma das maiores expressões, matizadas pela mestiçagem inerente ao ser brasileiro".
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Matéria publicada pelo Ministério da Cultura (www.brasil.gov.br/cultura), em 09/07/17.

Noruega cancela projeto de memorial para as vítimas de ataque terrorista em 2011

Moradores locais não ficaram nada satisfeitos com o projeto proposto. Discussões impediram que o caso avançasse e o chamaram de "violação da natureza". +

O governo norueguês não avançará com o memorial planejado do artista sueco Jonas Dahlberg para o 22 de julho de 2011, que matou 77 mortos. A notícia, anunciada em 21 de junho, é uma pequena surpresa para os residentes da ilha, onde o polêmico projeto provocou acalorado debate desde que foi proposto em 2014.
O design de Dahlberg, intitulado “Memory Wound” (Memória Ferida), selecionado através de uma competição internacional, teria reduzido dramaticamente uma área de 40 metros de comprimento, por 3 metros de largura, da península de Sørbråten de frente para a Ilha de Utøya, onde a tragédia aconteceu. A terra retirada do local seria usada para criar um segundo memorial em Oslo, no local da explosão de um carro-bomba que matou oito pessoas no mesmo dia.
Mas o memorial não caiu bem com muitos moradores locais, que ameaçaram processar e impedir caso o projeto avançasse, de acordo com o “The Guardian”. Os oponentes do projeto chamaram de "violação da natureza", e muitos ficaram infelizes com a ideia de conviver com uma lembrança tão marcante e violenta daquele dia.
Nenhum dos elementos do plano de Dahlberg será executado. Além disso, o memorial seria localizado na travessia de balsas em Utøykaia, de onde as pessoas viajam para a ilha. A Noruega agora inicia um novo processo "para criar um memorial digno e discreto no novo complexo do governo", disse o ministro do governo, Jan Tore Sanner, em comunicado, e acrescenta que "esperamos ter um final digno para o debate", que atormentou o projeto.
A nova decisão não está fora das críticas. Na opinião para o jornal “Nye Menigner”, o jornalista Lars Elton argumentou que se concentrar em fazer um memorial "low-key" (às escuras) é contrário à própria ideia de tentar honrar e lembrar os perdidos durante os ataques.

(*Nota: Em 22/07/2011 um homem armado vestido como policial abriu fogo contra cerca de 800 participantes de um acampamento de jovens (universidade de verão), organizado pelo Arbeiderpartiet (Partido Trabalhista Norueguês). Era prevista uma visita do primeiro-ministro Jens Stoltenberg ao acampamento.O corrido ocorreu poucas horas depois da explosão em Oslo, junto dos prédios onde se situa o gabinete de Jens Stoltenberg, danificando vários edifícios e provocando oito mortos e numerosos feridos. O ataque foi reivindicado pelo extremista fundamentalista cristão e anti-islâmico norueguês Anders Behring Breivik).
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Texto traduzido de matéria de Sarah Cascone, em 23/06/17.

Leilão de impressionistas e modernas alcança US$ 190 milhões em Londres

Impulsionado pelo recorde de Max Beckmann, e por fortes ofertas da Ásia, a noite de venda Impressionista e Moderna na Christie's de Londres foi considerada um sucesso. +

Auxiliada por uma forte oferta na Ásia e com um recorde para Max Beckmann, a Christie's de em Londres avançou à frente da Sotheby's com sua venda de arte impressionista e moderna ao arrecadar de £ 149,5 milhões (US$ 190 milhões). O respeitável valor colocou um fim na longa temporada da Christie’s, que vinha diminuindo suas vendas de junho e atingiu em 2016 o triste resultado de £ 25,6 milhões. Em contrapartida, a venda da noite de 27/06/17 foi o maior para um leilão impressionista de junho da sede londrina desde a venda de £153 milhões em 2010.
Embora o valor total da noite tenha sido mais baixo que a estimativa pré-venda de £141.3 / 191.7 milhões, a Christie's conseguiu bater a Sotheby's na semana passada por £ 500 mil. Os impressionantes 30 dos 32 lotes oferecidos foram vendidos, mesmo que a metade desses estivessem com preços baixos ou abaixo das estimativas.
O item de maior interesse foi a obra “Birds's Hell” (1937-8), de Max Beckmann, uma pintura de exposição histórica de museu, desde a sua época até o presente. Recentemente, a obra de Beckmann sobre os horrores do regime nazista foi incluída na mostra "Max Beckmann em Nova York", no Metropolitan Museum of Art, encerrada em fevereiro.
O trabalho atraiu três licitantes, mas foi vendida sem muita briga para Larry Gagosian, por um recorde de £36 milhões (US$ 45,8 milhões). Dizem que ele estava oferecendo a obra para o grande colecionador de Nova York, Leon Black. A pintura foi uma das quatro obras já com venda garantida e apresentou uma estimativa na faixa de £30 milhões.
Eu vi pela primeira vez a pintura expressionista na Royal Academy, em Londres, em 1985; ela estava sob o empréstimo do revendedor Richard Feigen, que a adquiriu dois anos antes. Ele permaneceu com ela em sua coleção até agora (embora tenha sido descrito por Christie’s simplesmente como "propriedade de uma coleção privada americana"). O recorde anterior de Beckmann, de US$ 22,6 milhões, foi também estabelecido por Feigen em 2001, quando comprou o “Self-Portrait with Horn” (1938) para a Neue Galeria, de Ronald Lauder, em Nova York.
Enquanto isso, um trabalho expressionista foi o maior fracasso da noite. Entre os lotes mais apreciados, a pintura bastante sombria, “Individual Houses (with Mountains)” (1915), de Egon Schiele, não conseguiu atrair uma única oferta (com estimativa de pré-venda de £20-30 milhões).
O segundo lote mais caro foi o retrato de Marie-Thérèse Walter, “Femme écrivant (Marie-Thérèse)” (1934), de Pablo Picasso, que atraiu um lance de pré-venda apenas algumas horas antes do pregão. Excepcionalmente, sua estimativa também aumentou no último minuto, de £ 25-40 milhões para £ 30-40 milhões. A imagem suave e sensual é do tipo que atrai os colecionadores de Picasso de longa data, como o magnata do cassino Steve Wynn e novos colecionadores asiáticos. Isto provocou a venda para um comprador chinês por £ 34,9 milhões (US$ 44,4 milhões).
Havia lances notáveis da Ásia ao longo da noite, com seis dos dez melhores lotes que atraíram licitações e compras. Entre eles, o vívido “Le Moissonneur” (1889) de Vincent van Gogh, que foi garantido e carregou uma estimativa de pré-venda de £12,5 - 16,5 milhões. A obra foi perseguida por licitantes da Espanha e da China, bem como o assessor de arte belga Alex Brontmann, mas finalmente foi vendida para um comprador americano por £ 24,2 milhões (US $ 30,9 milhões), por telefone. O vendedor, um colecionador europeu que comprou a pintura por £ 2,5 milhões em 1995, fez um lucro de £ 22 milhões em 22 anos.
Houve também uma significativa oferta na Ásia para obras de Chagall, Matisse, Degas, Picasso e Monet. O “Willow Weeping” (1918-19), de Monet, foi vendido para um comprador chinês por £ 8,9 milhões, metade da sua estimativa de £15-25 milhões. Quatro compradores asiáticos também lutaram pelo idílico e decorativo “Le Chemin Creux” (1882), também de Monet, antes de eventualmente vender a Elaine Holt, da Christie's de Hong Kong, por £ 5,6 milhões, dobrando sua estimativa de £ 2-3 milhões.
Entre os lotes mais estimados da noite, a “Cariatide” (1913), de Modigliani, tem uma história recente de alto perfil que não foi divulgada no catálogo. A pintura (estimada por pré-venda de £ 6-9 milhões) pertenceu durante a última década ao financiador britânico Michael Spencer, o ex-tesoureiro do partido conservador. Ele comprou de outro financiador artístico, Samir Traboulsi. Durante a crise de crédito, a Spencer usou a pintura para pedir dinheiro emprestado ao Departamento de Serviços Financeiros da Sotheby's e, em 2009, ele a ofereceu para venda na casa de leilões. Bombardeou, como a maioria da arte na época, passando em £4,5 milhões. Foi interessante, então, ver que ele reaparece na Christie's com um pedido que o comprador o empreste ao Museu Judaico de Nova York e ao Tate de Londres para uma próxima exposição de Modigliani. O russo-inglês especialista em arte James Butterwick comprou a pintura para um cliente por £6,9 milhões, no limite inferior da estimativa.
Além do Beckmann, a noite criou vários novos recordes de artistas, incluindo o belga de Stijl - o artista Georges Vantongerloo, cuja composição em estilo Mondrian foi vendida por £1,1 milhão, o dobro da estimativa de £350-450 mil. Uma pintura rara da artista Dada Hannah Höch, mais conhecida por suas colagens de fotos elegantes, vendeu acima da estimativa por um recorde de £1,1 milhão, depois que um licitante por telefone superou o assessor Matthew Stephenson.
O elemento mais estranho do leilão foi, por decisão da casa, incluir dois trabalhos de arte povera italiana, um do artista Lucio Fontana e outro do pintor canadense Jean-Paul Riopelle, morto em 2002. Ambos estariam normalmente em um leilão de arte pós-guerra e contemporânea, mas "Os limites estão mudando", disse o Presidente Global da Christie, Jussi Pylkkanen, após a venda.

*foto de “Birds' Hell” (1937–8), de Max Beckmann.
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Texto traduzido de material pulicada no Artnet News, por Colin Gleadell, em 27/06/17.

Artistas americanos dominam leilão na Sotheby"s em Londres

Leilão arrecadou US$ 79.9 milhões. O valor foi 20% superior em relação à venda de junho passado, acréscimo obtido graças aos lances prévios e à primeira "selfie" de Andy Warhol. Apesar de Warhol ter sido considerado o mestre e Basquiat, o seu protegido, hoje o segundo é considerado mais valioso. +

Reforçado por uma série de ofertas prévias garantidas e uma forte valorização de artistas norte-americanos, a Sotheby's londrina levantou £ 62,4 milhões (US$ 79,9 milhões) em sua venda de arte contemporânea na noite de 28/06/17. O respeitável valor foi 20% maior em relação a junho passado, mas ainda está longe dos £ 130 milhões realizados em junho de 2012 e 2015.
Considerando a abundante oferta de obras no mercado nesta primavera e verão nas vendas de maio de Nova York, Art Basel e Frieze New York, foi impressionante que a venda da Sotheby's mexeu com todos.
Para Alex Branczik, da Sotheby's, seguir a Christie’s e cancelar as vendas de junho não era uma possibilidade, apesar dos desafios da agenda e da dificuldade em obter material para o leilão... "Os leilões sempre foram próximos das vendas de maio de Nova York, o que torna o negócio apertado, mas não há maior vantagem em outubro, pois as pessoas já estão ansiosas para as vendas de novembro em New York", disse.
Deixando os debates sobre o calendário de lado, as vendas contemporâneas de Londres raramente foram tão dominadas por artistas americanos, como foram nesta noite. Sete das 10 melhores vendas foram deles.
Mesmo no início, essa sensação distintamente norte-americana já dominava, com as obras de Louise Lawler e Josef Albers, que voaram acima das expectativas. Uma pintura neon de Keith Haring quase atingiu a estimativa máxima e foi vendida por £ 944,750 mil para a Galeria Acquavella.
Um tríptico sobre madeira de Basquiat, de 1983, foi disputado pelo marchand de Nova York, Christophe van de Weghe e por um colecionador de Paris, John Sayegh Belchatowski, antes de ser vendido ao telefone pelo valor próximo a estimativa máxima de £ 6,5 milhões (US$ 8,3 milhões), a maior venda da noite.
O primeiro auto-retrato em cabine fotográfica de Andy Warhol (1963/1964), deveria supe essa venda. Garantido como uma oferta imperdível, a foto recebeu uma oferta do colecionador turco Kemal Cingillioglu (talvez o defensor do lance mínimo...) antes de ser vendido para um licitante por telefone pelo valor de £ 6 milhões (US$ 7,7 milhões). Um pouco mais tarde, um trabalho colaborativo de Basquiat e Warhol, “Sweet Pungent” (1984/1985), da coleção do designer de moda Tommy Hilfiger, atraiu as atenções e teve disputa competitiva e prolongada com o revendedor Paolo Vedovi e outros antes de ser vendido por £ 4,4 milhões (US$ 5,7 milhões).
Até recentemente, Andy Warhol, o mestre, era considerado o parceiro dominante para Basquiat, seu protegido. "Não mais", diz Van de Weghe. "O elemento Basquiat hoje é o mais valioso".
Além da forte presença americana, esse leilão também foi bem sucedido com garantias prévias. De fato 16 obras foram apregoadas com uma baixa estimativa combinada de £ 25 milhões (US$ 32 milhões), ou mais de 50% do valor da pré-venda. Ocasionalmente, os trabalhos garantidos atraíram uma forte oferta.
Um óleo e colagem de Dubuffet, “Beret Rose” (1957), recebeu propostas dos colecionadores Dimitri Mavromatis e Kemal Cingillioglu, bem como do negociante David Nahmad, antes de ser vendido por mais de £ 2,6 milhões (US$ 3,36 milhões). Uma tela branca e perfurada de Lucio Fontana teve ofertas da consultora Patrícia Marshall, do colecionador Belchatowski e de Nahmad antes de ser vendida para um comprador por telefone por £ 2,2 milhões (US$ 2,8 milhões).
Mas foi uma pintura de Cecily Brown que bateu um recorde na noite. Brown mostrou que há vida depois de Gagosian, como demonstrado pelas fortes vendas da Art Basel neste ano. A venda foi de uma pintura de 1998, “The Girl Who Had Everything”, de Charles Saatch, exibida na Gagosian em 2000. A Saatchi vendeu-a na Phillips em 2007 para a Gagosian (presumivelmente para um cliente) por £ 533,414 (US$ 1,1 milhão). A pintura foi uma de suas primeiras a quebrar a barreira de milhões de dólares em leilão. Saiu agora por £1,9 milhão (US$ 2,4 milhões).
A venda abaixo da estimativa ou em uma única oferta foi o Richard Prince "School Nurse” (2005) por £4,1 milhões (US$ 5,3 milhões). O abstrato preto de Gerhard Richter, “Split” (1989) caiu em uma oferta abaixo da estimativa de £4 milhões (US$ 5,1 milhões), um preço que viu pequenas mudanças para o vendedor que o comprou em 2012 por US$ 4,45 milhões.
Outro Richter deu uma lição cautelosa sobre garantias. A paisagem urbana em preto e branco, “Stadtbild M6” (1968) foi anteriormente oferecida pela Sotheby's em 2015 com uma estimativa de £ 2/4 milhões e uma garantia. No entanto, não foi vendido e retornou na noite (o catálogo da Sotheby's reconheceu que teve um interesse) com uma estimativa de £ 800 mil /1,2 milhões e vendido para uma oferta de £ 700 mil, como perda para Sotheby's.
Poucos lotes passaram das estimativas. A exceção foi uma impressão de Wolfgang Tillmans, “Freischwimmer #81” (2005), com quase oito metros de largura e única prova do artista.
Esta série particular de abstratos tem colocado o mercado em chamas e os licitadores por telefone da América, Europa e Ásia fizeram fila para se oferecer por ele, até que fosse vendido por quatro vezes a mais que a estimativa de 500mil/750 mil - logo após o recorde.

Claro que houve também a perda ocasional. Além de Richter, a pintura com spray de 2,5 metros de Sterling Ruby, “SP186” (2011) foi comprada na Sotheby's de Doha em 2014 por US$ 611 mil, mas foi vendida por apenas £ 248,750 mil (US$ 318,425 mil).
Uma semana antes do leilão, os analistas de mercado do Art Tactic emitiram um relatório sobre o seu Indicador de Confiança, que descobriu que a confiança no mercado do pós-guerra e contemporâneo caiu 13,4% nos últimos seis meses, apesar das melhores vendas no primeiro trimestre deste ano. No entanto, o ritmo de recuperação desacelerou em maio, de acordo com o relatório. O indicador econômico, que reflete preocupações sobre fatores geopolíticos como instabilidade política, medo do terrorismo e dívida chinesa, caiu 32,4% nos últimos seis meses. O mercado pode estar em recuperação, mas, claramente, ainda tem obstáculos a superar.
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Texto traduzido a partir de matéria do Artnet News, por Colin Gleadell, em 28/06/17.

Morre o empresário e colecionador cearense Airton José Vidal Queiroz

Morreu no último domingo (2/7) o empresário e colecionador Airton José Vidal Queiroz (14/08/1946-02/07/2017), presidente da Fundação Edson Queiroz e chanceler da Universidade de Fortaleza. Um dos maiores colecionadores do Nordeste, o mecenas de 70 anos lutava contra um câncer de pulmão havia três meses. O empresário encabeçava um dos maiores conglomerados empresariais do país, o Grupo Edson Queiroz, que carrega o nome de seu pai. O grupo atua em setores como educação, com a Universidade de Fortaleza; comunicação, com o jornal “Diário do Nordeste”; além de empresas de água mineral e refrigerantes, indústria de eletrodomésticos e agropecuária. Grande comprador de obras de arte, Queiroz vinha expondo sua coleção particular no Espaço Cultural Unifor, em Fortaleza. Inaugurado em 1988, o museu é organizado pela Fundação Edson Queiroz, detentora de um acervo de 1600 obras de arte. +

O presidente da Fundação Edson Queiroz, chanceler Airton José Vidal Queiroz, faleceu às 23h30 do último domingo, 2 de julho, no Hospital Monte Klinikum. O velório aconteceu às 10h, com a presença apenas de familiares. O chanceler estava há 35 anos à frente da Universidade de Fortaleza.
Airton Queiroz nasceu em Fortaleza, em agosto de 1946, primogênito do casal Edson Queiroz e Yolanda Vidal Queiroz. Ainda cursando a faculdade, começou a trabalhar nas empresas do pai. Fluente em inglês e francês, foi graduado em Ciências Econômicas, tendo iniciado o curso na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e concluído o bacharelado na Universidade Federal do Ceará, em 1970. Em junho de 1982, assumiu o cargo de Chanceler da Universidade de Fortaleza (Unifor) e a presidência da Fundação Edson Queiroz, com apenas 36 anos, em decorrência da morte prematura de seu genitor.
Ao longo da sua gestão, consolidou e multiplicou os negócios do conglomerado empresarial que figura entre os maiores do Brasil e oferece mais de 15 mil empregos diretos, atuando em setores variados em que se destacam: a educação superior, a distribuição de gás de cozinha, água mineral, refrigerantes, a indústria de eletrodomésticos, agropecuária e o grupo de comunicação, que engloba rádio, televisão e jornal.
Sob sua administração, o campus da Unifor foi expandido, com a criação do Parque Esportivo, Teatro Celina Queiroz, Espaço Cultural, Biblioteca Acervos Especiais, Núcleo de Atenção Médica Integrada, Biblioteca Central, Centro de Convivência, Escritório de Práticas Jurídicas, entre outros.
Em seu largo currículo de responsabilidade associativa, Airton Queiroz participou de diversas entidades, ocupando importantes cargos à frente do Centro Industrial do Ceará; da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert); da Associação Brasileira das Indústrias de Castanha de Caju; do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), entre outras.
Em sua trajetória, recebeu títulos, medalhas e diplomas honorários de diversas instituições culturais e associativas pelas ações de incentivo e apoio às respectivas atividades. Em 2011, recebeu o título de Dr. Honoris Causa pela Universidade do Havre, na França. Em 2013, por ocasião dos 40 anos da Unifor, recebeu homenagens, nos cenários regional e nacional, a exemplo da Assembleia Legislativa e do Senado Federal.
Sua história de sucesso reflete um homem de visão, empreendedor e consciente de sua responsabilidade social, amante das artes e da natureza. Forjando sua história na própria história de seu estado, o Chanceler Airton Queiroz continuou a escrever sua história pautada em valores que muito o dignificam como empresário e ser humano, mantendo-se comprometido com o desenvolvimento regional, não poupando esforços e investimentos nas áreas em que suas empresas atuam.
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Fonte: http://www.unifor.br

Por que a Internet não vai mudar o jogo da representação de artistas

Em um excerto de seu novo livro, “The Great Reframing - How Technology Will -and Won’t - Change the Gallery System Forever”, Tim Schneider, colunista de mercado de arte do portal de arte Artnet.com, avalia por que os galeristas e marchands não querem uma revolução digital. Texto em inglês. +

In any marketplace where quality and value are almost entirely subjective, most buyers crave expert guidance. And the primary art market is a textbook example.
Even among relatively experienced collectors, a tacit assumption animates the gallery sector: Anyone with the confidence, passion, and resources to open a for-profit exhibition space in such an uncertain industry must know what he’s doing, at least to some extent. And the less knowledgeable the buyer is, the more willing he will usually be to trust in a purported specialist.

Unfortunately, such trust is not always warranted.
Unlike, for example, an attorney’s need to become bar-certified or a securities broker’s need to pass the Series 7 exam, an aspiring gallerist requires no formal scholarly or business training to sell art circa 2017.

In fact, opening an American gallery today demands less verified evidence of expertise than installing home-entertainment systems, braiding hair, or pumping gas—three occupations for which certain US states still require specific training or certification exams.
Professional associations exist in the art trade, but they are generally by-invitation-only groups with little practical impact. Case in point: As of June 2017, the most prominent such organization in the US, the Art Dealers Association of America, still did not count Larry Gagosian as a member.

Instead, the art-sales business has historically had a different kind of barrier to entry: real estate. By controlling a physical exhibition space, a gallerist doesn’t just become a business owner. He automatically becomes a gatekeeper to the primary market.
Yes, his long-term success depends on other criteria as well, such as his sales acumen, management skills, and social savvy. But in the short-term, as soon as someone acquires a space, he acquires a patina of authority and the power to affect the financial futures of at least a small number of artists.

Asymmetry of Power
In light of the above, it’s little wonder that many artists develop deep-seated frustrations with the traditional gallery system. Gallery representation gives them their best chance at establishing sustainable careers, and yet gallerists themselves may have little exposure to art history, little vision for the discipline’s future, and/or little interest in nurturing the talent on their roster.
In the most extreme cases, galleries can merely be the end result of copious wealth, ample free time, and a fascination with the glamour of the art scene—in other words, a somewhat edgier alternative to time-honored vanity projects like opening a bar or restaurant.
This means that the careers of a vast number of artists—who, in fairness, require no more formal training to go into business than dealers—hinge in large part on the potentially questionable judgments of a comparatively low number of gallerists, who are incentivized to minimize the amount of talent they allow into the system at any given time.
These circumstances have historically made selling art a money-losing proposition for the overwhelming majority of living artists. Gallerists simply have too much market influence and too little financial motivation to make their rosters inclusive on a mass scale. With few other options to sustainably monetize their work, most talent has been shut out of the game almost entirely.

Even before Gagosian, Zwirner, et al became global brands, every physical gallery at every level of the hierarchy already acted as a rubber stamp of basic quality in a marketplace short on signaling.

To use a bit of retail parlance, since gallerists maintain near-total control over who receives physical shelf space, the pure fact that they are showing particular artists’ works communicates to the public that those artists deserve attention. And since collectors also consciously or subconsciously grasp the gallery system’s importance in legitimizing artworks—aesthetically, financially, and socially—they also tacitly agree (via their open wallets) that it’s usually wiser to acquire based more on who is selling the work than on who created it, let alone what it looks like.
To use an imperfect comparison, then, the issue isn’t just that being exhibited by Zwirner does for an artist’s work what being branded and sold in an Hermès store does for a patterned scarf—meaning, instantly transforms it into a sought-after, and therefore expensive, luxury good. It’s also that being exhibited by even a quaint local gallery provides a baseline assurance of “quality.” And even this modest amount of security is worth a significant upcharge.

Digital Dream Deferred
Of course, the internet has complicated this scenario. The traditional gallery system no longer dominates artists’ ability to reach potential buyers. It is now possible for talent everywhere to sell work on primary-market platforms without the co-sign of a supposed expert. And this prospect means that, in 2017, securing representation is less important than ever to an artist’s ability to generate some amount of revenue from his passion.
But this apparent win for democracy is not changing the game quite as quickly as some may have hoped. Clare McAndrew’s 2017 art market report—which, I should remind you, is a study whose numbers I view as skeptically as the punch bowl at an orientation-week frat party—alleges that the online market grew 4 percent year on year from 2015 to 2016. More importantly, though, she acknowledges that this estimate failed to live up to long-held expectations in a fairly dramatic way.
She writes, “The rates of growth… for the last two years are significantly less than the growth rates forecast three or four years ago when estimates predicted double-digit increases in sales in the sector in excess of 20 percent.”

What’s happening here?
A closer look at the underlying dynamics suggests a reality that neither unrepresented artists nor Silicon Valley wants to hear. Open-access e-commerce may solve one of the longest-standing and most distressing problems in the art market, specifically by allowing any and all artists with an internet connection to slip past the traditional gatekeepers and reach buyers directly.
However, this new sales platform also creates (or at least, intensifies) a new problem—one that may be just as antagonistic to rank-and-file artists’ prospects as the old system of exclusivity and discrimination.

A Zero-Sum Game
To try to predict the impact of independent online-sales platforms on contemporary artists, it’s useful to look at three creative media where the model is somewhat more developed: books, music, and film (by which I mean everything from feature-length movies to episodic series to YouTube content).
Before diving into those comparisons, though, we must first acknowledge an important distinction. With the exception of digital artworks—assuming they’re marketed in a progressive way—fine art is what economists call a “rival good,” or a resource whose consumption (see: acquisition) by one party directly affects its availability to another.
A simpler way to say this is that collecting art is generally a zero-sum game. If I buy one of Andy Warhol’s Jackie paintings, you can’t own the same one unless, or until, I decide to resell it. And this scarcity element helps launch the price for sought-after works into orbit.
Books, music, and film, on the other hand, all generally qualify as “nonrival goods.” Scale becomes the route to profitability, whether we’re talking about an Oprah’s Book Club selection, a smash pop single, or a Hollywood blockbuster. The profit from each individual sale is relatively small, but those small profits add up to a large total when sellers get to collect them thousands or, even millions, of times.
Art is the opposite: Instead of making a small profit a large number of times, the gallerist or dealer seeks to make a large profit a relatively small number of times.
Despite this fundamental difference, however, online mass-media sales trends are still useful omens for online art-sales trends. Why? Because their shared reliance on the internet introduces some of the same crucial market dynamics to both.

The Tyranny of Options
Since any author, musician, filmmaker, or contemporary artist can now use an open-access e-commerce platform to reach potential consumers directly, opening a browser tab to peruse independently released works in any of these media now resembles opening a porthole from inside a fully submerged submarine.
The result is an instant flood—one liable to overwhelm the buyer and, in the process, make most independent artists as indistinguishable from one another within their discipline as the individual water droplets barreling into a breached vessel 20,000 leagues beneath the sea.
I call this phenomenon the tyranny of options. It reflects that, to some extent, technology’s overthrow of the traditional gatekeepers backfires. Yes, an open-access market for creative works of any kind is vastly more democratic than the traditional gatekeeper-controlled one.
But such a marketplace also becomes vastly more difficult for the average buyer to navigate. The reason being that the gatekeepers—be they record labels, Hollywood studios, or gallerists—still double as their medium’s most reliable signals of quality. Remove the former and you necessarily remove the latter.
Open-access e-commerce platforms thus strip artwork of many of the traits that made its marketing, valuation, and sale so unique in the pre-digital era. They effectively challenge this niche medium to play by mass-medium rules.

Therefore, any artist who fails to square this circle should expect his number of sales, as well as his profit margins on those sales, to be very low. And in a globalized marketplace sans gatekeepers, the sheer scale of competition means that this outcome will, in all probability, remain the standard for artists.
To look at the results from the collector’s point of view, we’re likely to be left with the phenomenon George Packer captured in a 2014 story about Amazon’s effect on the publishing market: “When consumers are overwhelmed with choices, some experts argue, they all tend to buy the same well-known thing.”
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This is the second of two excerpts from our art-market columnist Tim Schneider’s new book, The Great Reframing, which delves into the primary art market’s fraught relationship with technology. The full book is now available for download on Kindle.

* foto: Abertura da exposição de Julian Schnabel na Galeria Gagosian, em 21/02/2008, em Beverly Hills - Califórnia.
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Texto de Tim Schneider publicado originalmente no portal internacional de arte www.artnet.com em 29/06/17.