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Novo curador, Gabriel Pérez-Barreiro quer virar Bienal do avesso

"Fazer uma Bienal hoje só se justifica pela flexibilidade que ela apresenta para que seja repensada", afirma o curador da 33ª Bienal de São Paulo. +

Ele é paz e amor. Gabriel Pérez-Barreiro, o espanhol radicado em Nova York escalado para comandar a próxima Bienal de São Paulo, quer desestruturar –em nome do afeto– toda a mostra paulistana, desfazendo o velho modelo de uma grande exposição coletiva de arte contemporânea.

Isso tudo, ele diz, seria uma tentativa de resgatar num público talvez cansado, entediado ou desinteressado um arrebatamento perdido, o tal afeto pela arte que já não aflora em visitas frenéticas a exposições que se tornaram circos, espetáculos vazios reféns da moda do momento.

Nada disso soa como novidade. Todo curador anunciado como diretor artístico desta que é a segunda mais tradicional exposição de arte do planeta chega com vontade –às vezes bastante justa– de chacoalhar suas bases.

Em meia hora de conversa, Pérez-Barreiro, que está em São Paulo numa primeira viagem de pesquisas, diz que sua Bienal –a 33ª edição da mostra, marcada para setembro do ano que vem– não terá um tema, vai descartar um projeto arquitetônico autoral e pode nem mesmo se enquadrar nos moldes de uma única exposição, podendo só articular várias individuais de um punhado de artistas.

Tudo soaria demolidor, não fosse sua fala pausada, com um leve sotaque, e a aparência dócil de um nerd das artes.

PESQUISA

"Estou querendo questionar todo esse sistema operacional", diz Pérez-Barreiro. "Não acredito na estrutura de um curador decidindo um tema e procurando artistas para depois ilustrar esse tema. Essa coisa de uma grande exposição coletiva me lembra um supermercado ou um zoológico."

Mas toda essa radicalidade talvez seja só Mário Pedrosa falando. Pérez-Barreiro termina agora uma extensa pesquisa sobre o maior nome da crítica de arte no país para uma mostra que começa neste mês no Reina Sofía, em Madri.

Um dos pilares do pensamento crítico sobre as vanguardas que floresceram no Brasil, Pedrosa foi um escritor e intelectual de interesses múltiplos, tendo defendido não só a abstração geométrica mais radical de neoconcretistas como Hélio Oiticica e Lygia Clark, mas também tendo estudado a fundo a arte de internos de hospitais psiquiátricos e artistas ditos naïf, ou populares, como Djanira.

MODELO ANTIQUADO

O brasileiro, da mesma forma que o curador espanhol que agora remexe em seu legado, também chegou a dirigir a Bienal de São Paulo. Daí talvez o desejo de Pérez-Barreiro de não deixar pedra sobre pedra do antiquado modelo dessas exposições.

Também tem a ver com um respiro ou certa distância das mostras museológicas que está acostumado a organizar.

Mesmo que tenha comandado, há dez anos, uma edição bastante radical –e elogiada– da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Pérez-Barreiro está mais próximo do sistema tradicional das artes, dirigindo a coleção Patricia Phelps de Cisneros, em Nova York, um verdadeiro tesouro de arte latino-americana.

"Fazer uma Bienal hoje só se justifica pela flexibilidade que ela apresenta para que seja repensada", afirma. "Não é só quebrar esse modelo para parecer mais legal."

No fundo, Pérez-Barreiro se contrapõe aos malabarismos intelectuais dos chamados curadores-autores, nomes que hoje dominam o mundo das artes e que são em grande parte autodidatas, surgidos num momento antes que houvesse escolas de curadoria e manuais de como causar em galerias, bienais, trienais, feiras e salões.

"Estou interessado no afeto, que é algo que atravessa toda manifestação artística", afirma. "É não pensar a arte como uma batalha de um tipo de expressão contra outra, de pintura contra escultura, por exemplo, mesmo que esse modelo seja importante quando estamos perdendo o costume de olhar para as coisas de fora dos nossos círculos."

BRIGAS

Nesse ponto, Pérez-Barreiro parece estar comprando desde já duas brigas –uma com a direção da Fundação Bienal, que terá sua paciência posta à prova por um curador disposto a virar seu modelo operacional do avesso, e outra com a arquitetura do pavilhão de Oscar Niemeyer.

Isso porque seus três gigantescos andares, numa escala que o curador considera desumana, tendem a se impor como arenas que devem ser preenchidas, atulhadas de obras do térreo ao terceiro piso, criando aquele aspecto de supermercado que ele abomina.

"Quero que quem entre na Bienal não seja agredido pelo volume de informação", diz o curador. "É preservar o olhar numa escala humana, criar uma coreografia da atenção."
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Texto de Silas Martí publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo | 07/04/17

Crise faz Fundação Iberê Camargo perder mais de 15 mil visitas

Hoje, quem passa em frente ao prédio que se tornou cartão-postal da cidade encontra um cenário bem menos promissor. Fachada com aspecto de descuido e portas que permanecem quase sempre fechadas são apenas alguns dos reflexos da crise. +

No ano de 2007, Porto Alegre ganhou projeção inédita na imprensa internacional. O despertar do interesse de veículos como o New York Times devia-se à inauguração, na cidade, de um imponente prédio projetado pelo arquiteto português Álvaro Siza, encomendado para abrigar a Fundação Iberê Camargo (FIC). A instituição, então coordenada por Maria Coussirat Camargo, viúva de Iberê, havia sido criada em 1995 para promover e preservar o legado do artista gaúcho. Com a nova sede, cerca de cinco mil obras e 20 mil documentos ganhavam, finalmente, um espaço apropriado.

A escolha de um arquiteto de renome não foi fortuita. Segundo o professor e cientista político Fernando Schüler, primeiro diretor da instituição, correspondia à estratégia de integrar Porto Alegre ao circuito artístico nacional e mundial. Antes da inauguração, o projeto inovador conquistou, em 2002, o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza. Ao longo dos anos, quem entrasse no museu teria a chance de conferir exposições de porte raro para padrões nacionais, como a dos pintores italiano Giorgio Morandi, em 2012, e sul-africano William Kentridge, em 2013; além do escultor italiano Marino Marini, em 2015.

Hoje, quem passa em frente ao prédio que se tornou cartão-postal da cidade encontra um cenário bem menos promissor. Fachada com aspecto de descuido e portas que permanecem quase sempre fechadas são apenas alguns dos reflexos da crise que, desde 2015, acomete a FIC. Em 2014, a FIC teve 71.829 visitantes. No ano seguinte, com a crise, passou para 70.674. Em 2016, a queda foi brusca, para 53.589 pessoas. Dependente exclusivamente de financiamento privado, a instituição viu seus recursos minguarem com a recessão econômica do País e do Rio Grande do Sul. A notícia inicial foi de que Vonpar, Itaú, Gerdau, Votorantim, IBM e Intercement reduziram em cerca de 30% os investimentos via patrocínio direto e leis de incentivo à cultura.
Dentre as empresas, era com a Gerdau que a instituição mantinha vínculo mais estreito. Havia nisso marcas de uma empreitada pessoal. Amigo de Iberê Camargo e admirador de sua obra, o empresário Jorge Gerdau esteve à frente de todo o processo de criação da FIC. O impacto causado pela redução do aporte financeiro coincidiu, ainda, com sua saída da presidência do conselho de administração da gigante da siderurgia. “O doutor Jorge teve o mérito de buscar atender a todos os desejos de Iberê”, ressalta Adriana Boff, ex-coordenadora editorial da casa, referindo-se a iniciativas como a Bolsa Iberê Camargo e o Programa Artista Convidado do Ateliê de Gravura.

Até deixar a instituição, Adriana cuidava diretamente de outro importante projeto, a produção do catálogo raisonné do artista. Segundo ela, a equipe vinha de um período eufórico de comemoração do centenário de Iberê Camargo, em 2014, quando precisou enfrentar o corte de verbas. “Não tivemos o tempo adequado para reestruturar atividades”, relata. Já em 2015, os principais projetos foram suspensos. No ano seguinte, funcionários foram demitidos, a catalogação da obra foi interrompida, e o museu anunciou a redução de seu horário de funcionamento para apenas dois dias da semana (atualmente, o espaço mantém uma exposição apenas com obras do acervo).

Superintendente cultural da FIC desde 2007, Fábio Coutinho lembra que a crise eclodiu no momento em que se iniciava um projeto de exposições internacionais, com mostras que iriam para Itália, Portugal e Alemanha. “Foi muito difícil telefonar para os museus e avisar que não poderíamos mais realizá-las. Felizmente, tudo foi perfeitamente compreendido, porque não há instituição artística no mundo que já não tenha passado por uma crise”. Outro caso emblemático pode ser visto no próprio Rio Grande do Sul. Em dezembro do ano passado, a Fundação Bienal do Mercosul chegou a anunciar o adiamento para 2018 da 11ª edição do evento, que deveria ocorrer neste ano. A aproximação entre esses casos revela, porém, uma semelhança intrínseca, que diz respeito ao modelo de financiamento. Em que medida as instituições deixaram de reconhecer os riscos nele existentes para que pudessem resguardar-se de eventuais falhas em seu funcionamento?

O empresário e colecionador Justo Werlang, que assumiu o cargo de diretor-presidente da FIC em dezembro, pondera que, quando se executa um projeto “elogiadíssimo”, em que a equipe cumpre padrões de excelência, existe uma tendência natural à acomodação. O executivo argumenta, entretanto, que inexiste no País uma legislação que incentive a criação de fundos de reserva capazes de garantir autonomia e estabilidade às organizações.

Com artigo publicado sobre o assunto, o professor Schüler constata a tradição, no Brasil, de dependência do financiamento estatal e empresarial, em detrimento de uma cultura de filantropia individual e de constituição de fundos patrimoniais. Ele salienta que, em países como Estados Unidos e Canadá, grandes orquestras, centros de arte e universidades desenvolveram historicamente o endowment fund, mecanismo de aplicação financeira do qual as entidades retiram apenas os resultados líquidos para custear seu orçamento. Dentro de suas possibilidades, a FIC iniciou, em dezembro, uma campanha para receber deduções do imposto de renda de pessoas físicas.

De acordo com Werlang, a ação não solucionou o problema, mas serviu para revelar a preocupação da sociedade. Não são poucas as queixas, por exemplo, sobre a sujeira da parte externa do prédio, que não recebeu a última limpeza semestral. O setor financeiro não divulga números, mas a manutenção do edifício é um dos itens mais dispendiosos.

Para se reerguer, a FIC também deve seguir indicações de uma consultoria, que sugeriu a interação maior com o público e a promoção de ações interligadas a outras áreas artísticas. A ideia é dissociá-la da imagem de um museu, para “que não apenas seja, mas que, ao englobar outras atividades, tenha um espaço expositivo”, explica Werlang, que diz não acreditar no risco de o reposicionamento levar a uma perda de identidade. Segundo o diretor, a figura do curador residente ajudará a evitar possíveis inconsistências. No início de março, a FIC anunciou o nome do professor e crítico de arte Bernardo José de Souza para exercer a função inédita.

Em livro sobre Iberê Camargo, a historiadora da arte Vera Beatriz Siqueira conta que, para ele, “um quadro pronto não servia para nada além de lhe fornecer os meios para continuar pintando e apontar os problemas da obra seguinte.” Na nova fase da instituição, este espírito irrequieto do artista pode se tornar um dos legados mais valiosos a ser preservados.
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Matéria de Júlia Corrêa originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 18/03/17.

Novas regras da Rouanet ampliam fiscalização e transparência em acesso à Cultura

Em um ambiente de escassez de recursos públicos e de grandes desafios na democratização do acesso, a nova instrução normativa estabelece limites anuais de captação de recursos por proponente e por projeto cultural, e ainda define o valor de cada item orçamentário. +

O Ministério da Cultura anunciou nesta terça-feira (21/3) um pacote de mudanças que vai corrigir as principais distorções da Lei Rouanet. Os mecanismos estabelecidos pela nova Instrução Normativa (IN 1/2017), que substitui a publicada em 2013 (IN 1/2013), visam garantir os fundamentos da Lei: fomentar a cultural nacional de forma descentralizada, democratizando o acesso aos recursos do incentivo fiscal e aos produtos culturais oriundos dos projetos apoiados via Lei Rouanet. As novas normas evitam a concentração por proponente (pessoa física ou jurídica que apresenta o projeto), por região do país, por projeto e por beneficiário (público que consome cultura).

Foram também criadas ferramentas tecnológicas para aumentar o controle, a fiscalização e a transparência dos projetos, que passarão a ter prestação de contas em tempo real. Além disso, as novas regras otimizam os fluxos de análise de projetos, o que deve reduzir o tempo médio entre a admissão de um projeto e sua execução e desonerar os gastos do Estado com a análise de projetos sem perspectiva real de viabilidade de execução.

Ao apresentar a nova IN, o ministro da Cultura, Roberto Freire, defendeu as alterações como resposta às críticas feitas à Lei de forma a garantir sua manutenção como principal mecanismo de incentivo à produção cultural do Brasil. "Algumas críticas eram pertinentes, como a concentração de recursos, priorizando determinadas regiões. Os resultados do desmantelo que o País sofreu num processo de desgaste que afetou o Ministério da Cultura e a Rouanet também exigiam de nós uma posição mais ofensiva, de definição de caminhos".

"Tivemos como principal preocupação a transparência dos processos. No Brasil de hoje, o acompanhamento da prestação de contas em tempo real é um avanço muito importante que será trazido à Lei Rouanet com a vinculação da conta única do Banco do Brasil e a publicação da movimentação dos recursos públicos no Portal da Transparência. Isso proporcionará que o passivo pendente de análise existente em cerca de 18 mil projetos seja desbastado", destacou o ministro.

Freire ainda explicou que as questões passíveis de regulamentação puderam ser realizadas via Instrução Normativa, sem a necessidade de uma reforma legislativa neste primeiro momento. "Com a IN não vamos engessar. Se efetivamente não tivermos respostas, poderemos fazer novas alterações, sempre levando em consideração as contribuições de produtores culturais e demais grupos diretamente envolvidos. Por ser IN, poderemos produzir quaisquer alterações sem atropelo naquilo que será apresentado como resultado para a cultura brasileira".

Seguem, abaixo, as principais soluções que a nova Instrução Normativa traz para sanar os gargalos atuais:
CONTROLE, FISCALIZAÇÃO E TRANSPARÊNCIA DOS PROJETOS CULTURAIS

Cenário atual: Ministério da Cultura acumula um passivo de 18 mil projetos culturais apoiados via Rouanet com prestação de contas pendentes de análise. A falta de uma ferramenta tecnológica para inserção eletrônica de notas fiscais contribuiu para o acúmulo de processos, pois as notas eram enviadas fisicamente (em papel) ao MinC.

Nova regra:
A prestação de contas será feita em tempo real a partir de um novo modelo de transação eletrônica, por meio de conta vinculada do Banco do Brasil, que possibilitará a comprovação virtual dos gastos. Estes serão informados ao MinC pelo Banco do Brasil em 24 horas após a movimentação da conta. O pagamento com recursos fruto de incentivo fiscal do governo ainda estará disponível no Portal da Transparência para o controle social. A medida vai evitar a utilização indevida dos recursos e permitir a identificação rápida de possíveis ilícitos cometidos. A movimentação dos recursos captados estará disponível no Portal da Transparência e será acessível a toda a sociedade.

O sistema eletrônico do MinC de apresentação de propostas culturais será interligado à Receita Federal, e terá trilhas de verificação de riscos, o que tornará possível a identificação imediata de proponentes com pendências com a União. As trilhas identificarão ainda a relação entre proponentes e fornecedores, alertando sobre conflitos de interesse na condução dos projetos.
DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AOS RECURSOS DO INCENTIVO FISCAL E DA PRODUÇÃO CULTURAL
Cenário atual: Nos últimos anos, empresas de grande porte foram responsáveis por enormes captações para a execução de projetos culturais utilizando-se de incentivo fiscal. A instrução normativa de 2013 não limitava a lucratividade de projetos incentivados com recursos públicos. Pela antiga regra, não havia limite de captação para valor do produto cultural (ingresso, catálogos, livros) nem teto de captação por projeto.

Nova regra:
Em um ambiente de escassez de recursos públicos e de grandes desafios na democratização do acesso, a nova instrução normativa estabelece limites anuais de captação de recursos por proponente e por projeto cultural, e ainda define o valor de cada item orçamentário. Também foi estabelecido limite de valor médio dos produtos culturais (ingressos, catálogos, livros) da ordem de R$ 150. Estes limites atendem uma demanda do Tribunal de Contas da União (TCU) que, em 2016, publicou acórdão recomendando ao MinC não aprovar projetos com excessiva lucratividade.

O valor dos tetos pode chegar a, no máximo, R$ 10 milhões por projeto, e a R$ 40 milhões por proponente/ano.

O teto por projeto é escalonado de acordo com o perfil do proponente: 1. Micro Empresário Individual (MEI) e Pessoa Física terão valor máximo de R$ 700 mil, com até quatro projetos; 2. Para os demais empresários individuais (EI), o valor máximo é de R$ 5 milhões, com até seis projetos; 3. Para Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), Sociedades Limitadas (Ltda) e demais pessoas jurídicas, o valor máximo é de R$ 40 milhões, com até dez projetos. Estão isentos destes limites de captação de recursos produtos culturais que tratem do patrimônio, área museológica e Planos Anuais, devido à especificidade do alto custo dos mesmos.

Limite de lucratividade: a bilheteria ou o valor dos produtos culturais não podem ser maiores do que o custo total do projeto aprovado pelo MinC. Do total do valor do projeto, no máximo 20% poderá ser gasto com divulgação.

O produto cultural (espetáculo, show, teatro etc) deverá utilizar, no máximo, R$ 250 por beneficiário (público consumidor) – assim evita-se que projetos muito onerosos atendam um público restrito.

O custo de cada item orçamentário deverá estar de acordo com um modal de precificação, o que deve orientar o pagamento para contratação de fornecedores. Os valores foram estabelecidos a partir de uma métrica do que realmente foi apresentado pelos projetos que tiveram apoio via Lei Rouanet desde 2009.
DESCONCENTRAÇÃO REGIONAL E EQUILÍBRIO DA DISTRIBUIÇÃO DE ACESSO À CULTURA
Cenário atual: 80% dos projetos culturais apoiadas via incentivo fiscal (Lei Rouanet) se concentram na Região Sudeste. Em seguida vem a região Sul, com 11% dos recursos captados. A Região Nordeste capta 5,5%. A Centro-Oeste, 2,6%. E o Norte fica com apenas 0,8% dos recursos captados. Na regra antiga, não havia incentivo para desconcentração.
Nova regra: Projetos integralmente realizados nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm um teto maior, de R$ 15 milhões por projeto. Os custos de divulgação também podem ultrapassar os 20% do valor do projeto e chegar a 30%. Quem quiser apresentar mais do que o limite por perfil do proponente, terá um aumento de 50% no número de projetos e no valor total deles.
REDUÇÃO DE CUSTOS PARA O ESTADO
Cenário Atual: Atualmente, a cada quatro projetos aprovados pelo MinC, apenas um consegue captar os 20% necessários ao começo da sua execução – o que classifica o projeto como "executável". Portanto, o MinC despende recursos financeiros na contratação de pareceristas e tempo na emissão de pareceres técnicos de projetos sem efetiva possibilidade de execução., Não há atualmente exigência para que o proponente (pessoa física ou jurídica que apresenta o projeto) comprove que o seu projeto é "executável" antes de encaminhá-lo a um parecerista.

Nova regra: Antes de enviar o projeto para um parecerista, o Ministério vai priorizar os projetos que já tenham captado 10% dos recursos do orçamento aprovado. Deste modo, serão analisados com prioridade projetos com maior chance de execução viável.

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Notícia originalmente publicada no site do Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br)em 21/03/17.

Turner Prize muda regras e aumenta o limite de idade para indicação de artista

A nova regra acompanha a tendência de um mercado de arte cada vez mais maduro +

O regulamento estabelecido desde 1991 limitava a indicação de artistas abaixo de 50 anos de idade. Mas uma nova tendência do mercado, que acolhe o surgimento de artistas mais maduros, refletiu nesta decisão.

A partir deste ano, o Turner Prize ajustou suas regras para acomodar artistas de todas as idades – uma decisão importante que indica uma mudança no que exatamente define um artista emergente.
Leia mais: Escultora britânica Helen Marten leva o Prêmio Turner 2016

Nos últimos anos, o mundo da arte parece ter deixado de associar o termo “emergente” com juventude, já que muitos artistas atingem o sucesso em uma idade mais avançada.

Tais exemplos incluem Phyllida Barlow, 72 anos, que representa o Reino Unido na Bienal de Veneza deste ano; Barbara Kasten, de 81 anos, cuja sua primeira retrospectiva acontecendo em 2015 no ICA, Filadélfia; Carmen Herrera, que vendeu sua primeira pintura aos 89 anos; Henry Taylor, 59, que se apresenta na Whitney Bienal 2017; e Noah Purifoy, que morreu em 2004 aos 87 anos.
Artistas emergentes

“O Turner Prize sempre defendeu artistas emergentes. Nunca foi um prêmio por uma longa trajetória e sim para uma apresentação memorável do trabalho no ano anterior ao prêmio”, disse Alex Farquharson, diretor da Tate Britain e presidente do júri da premiação. “Agora que sua reputação é firmemente estabelecida, queremos reconhecer o fato de que os artistas podem experimentar um avanço em seu trabalho em qualquer fase”, concluiu.

Junto com o anúncio, a Tate também divulgou detalhes do júri do Turner Prize 2018. Ele será composto por Oliver Basciano, crítico de arte e editor internacional da ArtReview; Elena Filipovic, Diretora da Kunsthalle Basel; Lisa LeFeuvre, Chefe de Estudos de Escultura no Instituto Henry Moore; e o romancista e escritor Tom McCarthy.

O Turner Prize foi criado em 1984 e, originalmente, permitia que qualquer pessoa ligada às artes pudesse ganhar, incluindo críticos, curadores e diretores de galeria. Foi limitado aos artistas somente em 1988, especificamente aquelas que vivem ou trabalham no Reino Unido. Os quatro artistas finalistas de 2017 serão anunciados em maio.
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Texto publicado originalmente na newsletter da Tuoch of Class | 05/04/17

Lei Rouanet banca criação de obras, que já existiam, para mostra em SP

Exposição em cartaz no MAC USP gera polêmica sobre uso de verba da Lei Rouanet em projetos privados. +

As etiquetas em preto e branco das pinturas e esculturas de nove artistas chamam mais a atenção do que as cores das telas mais vibrantes em exposição agora no Museu de Arte Contemporânea da USP, em São Paulo.

Nelas, está escrito que algumas obras pertencem à coleção do Banco Toyota, grupo financeiro ligado à montadora e patrocinador exclusivo da mostra "Os Desígnios da Arte Contemporânea no Brasil".

Estão na mostra, orçada em R$ 500 mil e paga com recursos captados via Lei Rouanet, nomes como Alan Fontes, Ana Prata, Fernando Lindote, James Kudo, Paulo Almeida, Rodrigo Bivar e Tatiana Blass.
No projeto autorizado pelo Ministério da Cultura, os produtores da mostra disseram que obras seriam produzidas para a mostra e que o processo de criação delas renderia um livro. Mas cinco artistas ouvidos pela Folha afirmaram que seus trabalhos já existiam.

A proposta previa R$ 20 mil a cada artista–R$ 180 mil no total– pela produção da tela. O valor estava ligado à "cessão de direitos" e "material para a construção da obra".

"Fui convidada a participar da exposição e dei obras que eu já tinha", disse Ana Prata. "Não produzi para a mostra."

Rodrigo Bivar também afirmou que os patrocinadores "não financiaram a produção de nada". "Eles fizeram essa exposição e compraram o trabalho como qualquer um compra um trabalho."

"Todas as obras são anteriores", afirmou Tatiana Blass, outra artista da mostra. "Cada artista deu uma obra para o acervo do banco. Eles escolheram obras que abrangessem todo o meu trabalho."
CONTRATO

Artistas também disseram à Folha que o contrato firmado entre eles e a proponente da mostra, Cris Corrêa Consultoria em Projetos Culturais, determinava que um trabalho seria doado à "patrocinadora", no caso, o banco Toyota.

Segundo informações do Ministério da Cultura, a empresa bancou R$ 500 mil dos R$ 517 mil orçados por meio do artigo 18 da Lei Rouanet. Ou seja, toda a verba pode ser deduzida do Imposto de Renda.

Sem tradição em projetos de incentivo às artes visuais, a empresa tinha patrocinado –também via a mesma lei de incentivo– outro livro de arte, um volume sobre a vida e obra de José Antônio Marton, projeto no qual investiu cerca de R$ 256 mil há dois anos.

Marton, no caso, é agora o curador da mostra no MAC, onde também está uma peça de sua própria coleção, "Zona Morta", uma instalação da artista Tatiana Blass.

O livro "Facetas - A Arte e o Design na Obra de José Marton" foi editado pela C4, da empresária Cris Corrêa, responsável pelo projeto da exposição "Os Desígnios da Arte Contemporânea no Brasil".
DESTINO DAS OBRAS

Procurado pela Folha, o banco Toyota afirmou em nota que não tem coleção de obras de arte e que "não celebrou nenhum contrato com os artistas participantes".

Já a produtora Cris Corrêa diz que "o detentor [dessas obras] passou a ser o proponente, nesse caso a editora [dela]" e que "o destino das obras após o término do projeto não está especificado no projeto". "A editora tem a intenção de fazer uma doação."

Ainda segundo ela, as etiquetas da exposição que atribuem a posse das obras ao banco Toyota são "errôneas".

De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, sob condição de anonimato, há indícios de que a verba pública destinada à realização de uma exposição num museu público foi usada para a construção de um acervo privado.

Eles dizem também que as obras de um projeto incentivado, sem destinação determinada na proposta, devem ser doadas a instituições da área.

Procurado pela reportagem, o curador José Antônio Marton afirmou que artistas participaram de um projeto de residência e que acompanhou a elaboração de cada trabalho.

"Se não fizeram, não levaram a sério o trabalho." Cinco deles, contudo, negam terem sido pagos nesse modelo.

Marton disse não ver conflito de interesses em expor num museu público uma obra de sua coleção particular –obras tendem a valorizar com a inclusão em mostras institucionais como a do MAC. "Não tenho interesse nenhum em me beneficiar disso."

O presidente do MAC, Carlos Roberto Ferreira Brandão, afirmou não saber detalhes do financiamento da mostra.
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Texto de Silas Martí originalmente publicado no jornal Folha de S. Paulo | 04/04/17

A verdadeira escolha livre de Lygia Pape

"Aqui já não há mais ‘arte’ e nem uma sala dentro de um museu, mas sim apenas “cor, luz, espaço, tempo, som e movimento”. +

Se para um turista desavisado visitar a primeira retrospectiva de Lygia Pape nos EUA é uma baita odisséia estética, para um brasileiro trata-se de experiência arrebatadora. Especialmente em tempos de retrocesso democrático.

Lygia desenvolveu grande parte de sua obra durante a ditadura militar e é um raro caso de artista que foi preso e torturado pelo regime – ela passou três semanas no DOI-CODI em 1973. Com liberdade e inteligência, continuou criticando as instituições – do Estado, do mercado e da arte – ainda que muitas vezes de forma “indireta, revolucionária porque inventora”.

Deixou uma obra monumental. Das experiências neoconcretas à descoberta de uma linguagem própria, extrapolando o objeto, a artista uniu política, humor e poesia como nunca antes – ou depois. Essa obra mutante entre gravura, instalação, fotografia, performance e vídeo (“Multidão de Formas” é o nome da exposição no Met Breuer) cria uma interface complexa que nos ajuda a ‘desver’ para depois reaprender a ‘ver’ o Brasil, forjando um espelho muito raro. Cada vez mais raro, não apenas na arte brasileira.

Costumo pensar que o maior motivo para o Brasil ter a impressionante produção artística que tem é porque nascemos num país infernal. Se a arte surge como resposta às contradições da sociedade, aqui elas evidentemente não faltam. E aí, ironicamente, minha absoluta ausência de orgulho pela nacionalidade – uma contingência e um acaso, normalmente constrangedor – transforma-se em desavergonhado pacheequismo. Eu me ufano, apenas, pela arte brasileira. Não é pouco.

É curioso que o ponto central da resenha publicada no New York Times seja justamente esse: “O que você faz quando o Estado quebra e o sonho de um futuro melhor morre? Como a sua arte muda quando pioram as circunstâncias sociais? (…) Novos tempos chamam por uma nova arte de intervenção pública, ação comunitária e investigação antropológica, sem medo de assumir riscos”.

A fusão entre arte e vida proposta pela artista é evidente exemplo, não só para artistas brasileiros, mas para os gringos daqui em tempos trumpianos, sugere a crítica do Times. Não apenas por isso, eu acrescentaria.

O reconhecimento das ruas por onde andamos é central na produção de Lygia, principalmente a partir dos anos 70, quando incorpora cada vez mais a cidade aos seus trabalhos. O timing da exposição é perfeito também por esse motivo: a “retomada” ou “ressignificação” do espaço urbano é tema de qualquer mesa de artistas brancos culpados em Nova Iorque, cidade vítima de um brutal processo de gentrificação que expulsa pobres e minorias de seus bairros para transformá-los em versões desidratadas de Berlim – uma Berlim que não existe mais, diga-se – para o consumo de filhinhos de papai do mundo inteiro.

Mas há algo nessa exposição que nos ultrapassa por completo, junto com qualquer contexto. As experiências de Pape ganham dimensões cosmogônicas na grande sala escura onde estão suas ‘Ttéias‘, esculturas rarefeitas de fios dourados e luz, onde nossos sentidos atropelam qualquer tentativa de racionalização. Como no “Manifesto curto” (1964) de Stanley Brouwn, aqui já não há mais ‘arte’ e nem uma sala dentro de um museu, mas sim apenas “cor, luz, espaço, tempo, som e movimento”.

Se lembrarmos que no corredor oposto a sala está o monumental “Livro do Tempo”, dá para acreditar que a síntese formal que Lygia propõe a coloca em qualquer lista de artistas fundamentais do século XX – penso grosseiramente que Mondrian e Beuys, por exemplo, parecem ingênuos aqui.

Há uma resposta célebre de Lenin a críticos mencheviques em 1922 em que ele diz: “A escolha verdadeiramente livre é aquela na qual eu não escolho apenas entre opções dentro de um conjunto prévio de coordenadas, mas aquela onde decido mudar o próprio conjunto de coordenadas”. Ao ver-se diante dessas obras, dá para acreditar que Lygia Pape fez ‘a verdadeira escolha livre’. É raro poder dizer o mesmo de outro artista.
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Texto de J.P Cuenca publicado originalmente no The Intercept Brasil | 28/03/17

Alemanha terá obra tardia projetada por Oscar Niemeyer

Feita de concreto e vidro, a estrutura ficará no topo de um edifício industrial do século XIX +

Um novo edifício projetado por Oscar Niemeyer será inaugurado em Leipzig, na Alemanha, no próximo ano. O projeto se baseou em um esboço do arquiteto feito pouco antes de sua morte, em 2012. Trata-se de uma esfera de concreto e vidro instalada no topo da fábrica de Kirow Werk em Leipzig, abrigando um restaurante e bar. Niemeyer morreu aos 104 anos, e o esboço foi uma de suas últimas obras. O edifício será realizado com a ajuda de seu assistente, e está programado para ser inaugurado em março de 2018.

A esfera vai se integrar a uma edificação do século XIX, que fabricava guindastes e outras máquinas industriais. O chefe de Kirow Leipzig, Ludwig Koehne, encomendou o projeto, iniciando o processo com uma carta para Niemeyer em 2011.
"O conteúdo da carta dizia que temos um cozinheiro muito bom (na cantina da empresa) e que buscamos um novo desafio para além da cantina, que queríamos urgentemente expandir nossos interesses para um restaurante, que possivelmente seria construído no telhado" disse Koehne à MDR.

Três semanas depois de uma reunião no Rio de Janeiro, Niemeyer havia esboçado um primeiro rascunho. O projeto, uma esfera feita de concreto armado e vidro, com 12 metros de diâmetro, e o exterior em padrão de rede. No interior consta espaço para um café com um lounge e um bar.
Niemeyer foi um dos mais inovadores arquitetos do século XX. Como descrito em um obituário na Dezeen, sua maior influência foi Le Corbusier, mas seus desenhos fizeram mais uso de curvas, formas abstratas do que seu antecessor.
Niemeyer, conhecido por seus prédios na cidade de Brasília, capital do Brasil, incluindo o Congresso Nacional ea Catedral Católica Romana, também projetou edifícios notáveis em outras cidades brasileiras e no exterior, incluindo o Secretariado da ONU em Nova York ea sede do Partido Comunista em Paris.
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Texto de Alyssa Buffenstein, publicado originalmente em inglês no site artnet.com | 20/03/17

Documenta expande fronteiras até Atenas

Pela primeira vez, duas cidades abrigam a exposição realizada a cada cinco anos; nesta edição, Kassel, na Alemanha, compartilha a sede da mostra com a capital grega. +

Dividida entre Atenas e Kassel, a documenta 14 será aberta no dia 8 de abril na capital grega, inovando em vários pontos de seu formato. Realizada a cada cinco anos, em Kassel, na Alemanha, a mostra tornou-se o evento mais significativo da arte contemporânea no mundo, justamente por repensar os parâmetros para o significado de uma exposição.

Em sua 14ª edição, a documenta tem como título de trabalho Aprendendo de Atenas, justamente porque seu diretor artístico, o curador polonês Adam Szymczyk, passou a viver na Grécia, onde a mostra vem sendo concebida.

“A ideia de uma documenta 14 bilocalizada, compartilhada e dividida entre Atenas (onde a mostra se transforma em convidada) e Kassel (seu local de nascimento e sede desde sua criação em 1955), surgiu contra qualquer forma de redução dos conceitos de identidade, pertencimento, raízes e propriedade em um mundo que está visivelmente em colapso”, escreveu o curador na primeira edição de South as a State of Mind (“o sul como um estado da mente”), publicação grega que terá quatro números assumidos pela documenta durante a realização do evento.

Esse tipo de ação – a realização de parcerias – está nas bases da concepção desta edição da documenta. Em seu site, por exemplo, vêm sendo postados os vídeos do coletivo de cineastas sírios Abounaddara, que produziu mais de 300 trabalhos desde 2015, disponíveis em suas páginas no Facebook e no Vimeo.

Em Atenas, apesar dos mistérios sobre a organização da mostra e dos artistas que dela vão participar (cerca de cem), sabe-se que muitos espaços da cidade serão ocupados pela programação, entre eles o centro cultural Kunsthalle Athenas, dirigido por Marina Fokidis, responsável pelo escritório grego da documenta.

Desde sua criação, a mostra tem uma duração de cem dias. Sua concepção foi uma reação à Mostra de Arte Degenerada, organizada por ordem de Hitler como forma de demonizar a arte moderna. A documenta, assim, surgia como “museu dos cem dias”, que pretendia recolocar a arte moderna na Alemanha dizimada no pós-Segunda Guerra.

Desde então, seu formato foi sendo repensado. “100 dias – 100 convidados”, por exemplo, foi a forma como Catherine David , em 1997, encontrou para tornar a mostra viva e dinâmica, tendo eventos diários em seu projeto. Agora, a mostra se estende além do tempo usual e prossegue por 163 dias – a partir de sua abertura em abril em Atenas, passando pela inauguração em Kassel em 10 de junho.

A ousadia da exposição é possível por uma conjunção de fatores: primeiro porque seu responsável e o projeto que ele inscreveu são selecionados por uma equipe de curadores e diretores de museus de renome e que dão independência a seu organizador. A divisão da mostra entre duas cidades, por exemplo, fazia parte do projeto de Szymczyk e, por conta da estratégia, ele teve respaldo para a alteração radical da concepção da documenta, inclusive no número de dias.

Além disso, selecionado quatro anos antes da abertura da mostra, o curador tem tempo suficiente para a pesquisa, o desenvolvimento de projetos e o envolvimento de artistas, como nenhuma outra mostra. Finalmente, o orçamento polpudo, em geral cerca de 20 milhões de euros, torna a mostra de fato única em valor.

Apesar de a mostra ter início em abril, ela de fato já iniciou sua grade, como considera Szymczyk, por meio de South as a State of Mind e dos programas públicos que estão sendo realizados desde o ano passado, todos disponíveis no site da documenta. A exposição, por mais importante que seja, é, portanto, uma das diversas plataformas do evento.
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Texto de Fabio Cypriano publicado originalmente na revista ARTE!Brasileiros| 17/03/17

Sheikh do Qatar abre Museu de Arte Islâmica em Manhattan nesta primavera

O Instituto de Arte Árabe e Islâmica abre suas portas em maio +

Assim como o presidente Donald Trump revelou uma versão revisada de sua controvertida ordem executiva sobre a imigração visando países de maioria muçulmana, o Sheik do Qatar Mohammed Rashid Al-Thani compartilhou com o The Art Newspaper seus planos de abrir o Instituto de Arte Árabe e Islâmica no centro de Nova York. E não teremos muito tempo para esperar: Ele está pronto para abrir em maio.
O site da IAIA ainda não anunciou a localização física de seu espaço. Registros no Detalhe da Empresa mostram que Al-Thani registrou o "Instituto de Arte Árabe e Islâmica" como uma organização sem fins lucrativos no ano passado, em 8 de abril de 2016.
"Nós existimos, e por causa de um ambiente sempre desafiador e do atual clima político nos EUA, nos encorajamos a continuar nosso trabalho árduo e garantir que, através do programa do nosso instituto, possamos envolver a comunidade para aprender mais sobre nossos culturas e diferenças ", disse Al-Thani à TAN . "Fazia sentido absoluto construir um instituto que não apenas mostrasse a amplitude da arte e da cultura dos mundos árabe e islâmico, mas também desafiasse certos estereótipos e equívocos que impedem a compreensão transcultural".

As instituições culturais têm sido proeminentes na oposição à chamada proibição muçulmana de Trump, com inúmeras escolas de arte denunciando a ordem e o Museu de Arte Moderna de Nova York incorporando o trabalho de artistas provenientes das nações afetadas em suas galerias do quinto andar de arte ocidental.
O espaço cultural planejado por Al-Thani tem cerca de 1.000 metros quadrados e abrigará exposições itinerantes em um cronograma trimestral, ao invés de ter uma coleção própria.
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Texto de Sarah Cascone publicado originalmente em inglês no site ArtNet.com | 07/03/17

Mestre da arte pop nacional, Marcello Nitsche morre aos 74 em São Paulo

Artista tinha exposição marcada para o dia 21/3, na Galeria Pilar, mostra foi adiada. +

Um dos nomes centrais da arte pop nacional, Marcello Nitsche morreu neste domingo (12), aos 74, em São Paulo, vítima de insuficiência cardíaca e respiratória. Ele estava hospitalizado desde semana passada e havia sofrido dois derrames cerebrais nos últimos anos.

Inspirado por elementos das histórias em quadrinhos e famoso pelo uso de materiais industriais, como metal e plástico, em suas esculturas, Nitsche construiu desde a década de 1960 uma obra de teor iconoclasta e irreverente.

Trabalhos como suas bolhas de plástico inflável ou a escultura "Lig Des", um motor acoplado a uma chaminé metálica que inflava um balão vermelho, entraram para a história da arte do país como ataques à ditadura —eram estruturas capengas, balofas e desprovidas de função.

Na década de 1970, Nitsche, que participou de várias edições da Bienal de São Paulo, adentrou o terreno da performance e da videoarte com ações mais radicais. Ele chegou a costurar a própria mão em vídeos e levou cordas a enormes fendas rochosas numa pedreira, como se suturasse as feridas de um país em frangalhos.

Depois de anos em relativo ostracismo, Nitsche voltou à ação na última década, com a retomada do interesse dos museus e do mercado pela nova figuração, como foi chamada a vertente mais pop da arte nacional.

Há dois anos, Nitsche teve uma retrospectiva no Sesc Pompeia, uma das maiores mostras já organizadas em sua carreira, onde mostrou sua série mais recente de trabalhos. Eram esculturas metálicas que pareciam pinceladas materializadas no espaço.

Suas obras também circularam por exposições do chamado pop internacional, passando por museus na Europa e nos Estados Unidos.

Seu corpo seria velado na tarde deste domingo (12) na Pinacoteca, em São Paulo, e depois cremado no cemitério da Vila Alpina. Ele deixa a companheira, Giovana, três filhos e quatro netas.
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Texto de Silas Martí publicado orinalmente no jornal Folha de S. Paulo | 12/03/17

Economista e colecionador: conheça novo diretor do Parque Lage

Fabio Szwarcwald foi vice-presidente da OS Oca Lage e é dono de uma coleção de 400 obras. +

Anunciado como novo diretor do Parque Lage, o economista Fabio Szwarcwald vai substituir Lisette Lagnado no cargo. Lisette, porém, não deixará o Parque Lage e assumirá a curadoria dos programas públicos, vinculado ao Ensino. Escolhido pelo secretário estadual de Cultura, André Lazaroni, que o definiu como "um ótimo gestor", Szwarcwald é um colecionador de arte reconhecido no meio. Também foi um dos diretores da Associação de Amigos da EAV Parque Lage (AMEAV) e, depois, vice-presidente da OS Oca Lage, criada para administrar o Parque Lage e Casa França Brasil. O contrato entre a OS e o governo do Estado foi rompido no ano passado após o estado não conseguir pagar os repasses devidos à organização por conta da crise financeira do governo Pezão.
Ex-vice-presidente do banco Credit Suisse e membro do Conselho de aquisição do Museu de Arte Moderna (MAM), ele investe principalmente em artistas contemporâneos desde 2002. Tem obras valiosas, como uma fotografia da série "Chocolate", de Vik Muniz, mas também trabalhos de artistas menos conhecidos, como a holandesa Anne Wenzl e o brasileiro Pedro Varela. Sua coleção de 400 peças ainda inclui nomes como Amilcar de Castro, Lygia Clark e Abraham Palatinik.
"Comprar arte consagrada é muito fácil. Depois vou ter o tesão de falar 'comecei a colecionar este artista quando ele era desconhecido'", disse Szwarcwald ao “Globo”, em uma entrevista no ano passado. "São artistas da minha idade, que vivenciam o que eu vivencio, além de ser uma arte mais acessível para quem começa a colecionar. E a arte contemporânea choca, incomoda, não é algo só plástico, e eu gosto disso".
Szwarcwald, que já foi casado com a artista plástica Gabriela Moraes, também adquire obras de arte para diversificar seus investimentos. Antenado nas novidades, ele levou, há poucos meses, todas as 400 peças da sua coleção para um novo espaço do Cosme Velho, a galeria Z42, com artistas ainda emergentes. Em 2007, ajudou, como um dos diretores da AMEAV, a organizar um leilão com obras doadas por artistas, cujas vendas renderam R$ 1 milhão para o parque.
"Queremos fazer com que artistas se tornem padrinhos das salas de aula da escola: cada sala levaria o nome de um deles, em troca de ajuda financeira. Isso é feito em muitos museus pelo mundo. Nunca foi pensado para cá porque o Parque Lage nunca foi visto como uma empresa cultural, só como algo dos seus professores e alunos, o que é bonito mas não sustenta", disse o colecionador ao GLOBO na época.
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Matéria originalmente publicada no site do jornal “O Globo” (www.oglobo.com) em 03/03/17.

Catalães do RCR Arquitectes ganham o prêmio Pritzker 2017

O principal prêmio de arquitetura do mundo, premiou o estúdio catalão RCR Arquitects pelo impacto de suas obras, que vai muito além da área de atuação. +

Os espanhóis Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta, do estúdio catalão RCR Arquitects, foram os vencedores do Pritzker, o principal prêmio de arquitetura do mundo. O anúncio foi feito ontem por Thomas Pritzker, presidente da Hyatt Foundation, que promove a premiação.

“O júri selecionou três arquitetos que vêm trabalhando juntos há quase três décadas. Aranda, Pigem e Vilanta têm um impacto que vai muito além de sua área de atuação”, diz o comunicado oficial do Pritzker. “O trabalho deles passa desde espaços públicos e privados a centros culturais e instituições de ensino, e a sua habilidade de relacionar intensamente o meio ambiente a cada trabalho é uma prova de seu processo e profunda integridade".

Aranda, Pigem e Vilalta, originais de Olot, na região espanhola da Catalunha, trabalham juntos desde que fundaram a RCR Arquitectes, em sua cidade natal, em 1988.
Ainda segundo o comunicado do Pritzker, “seu trabalho demonstra um comprometimento inflexível com o lugar e sua narrativa, para criar espaços que dialogam com seus respectivos contextos. Harmonizando materialidade com transparência, Aranda, Pigem e Vilalta buscam conexões entre o exterior e o interior, resultando em uma arquitetura emocional e empírica”.
A maior parte dos trabalhos do trio está localizada principalmente na Espanha, como o Espaço Público Teatro La Lira, em Ripoli, e a vinícola Bell-Loc , na cidade de Los Palamós, perto de Girona. Trata-se de um edifício embutido no solo, que se funde à terra através do uso extensivo de aço reciclado, e onde as aberturas entre as ripas de aço permitem vislumbres de luz. Mas construções suas podem ser vistas também em outros países da Europa. Na França, seus trabalhos mais citados são o La Cuisine, centro de arte e de design em Nègrepelisse, dedicada à criação contemporânea sob a perspectiva da alimentação, das tradições e dos costumes gastronômicos, e o museu Soulages, em Rodez, dedicado ao pintor Pierre Soulages, em que blocos de aço parecem se equilibrar sobre o terreno, num diálogo com a natureza.

Prêmio de US$ 100 mil
O Prêmio Pritzker foi criado em 1978, pelo empresário americano Jay Pritzker (1922-1999) e sua mulher, Cindy, proprietários dos hotéis Hyatt, para reconhecer a contribuição de profissionais de arquitetura e promover um maior conhecimento e interesse sobre a área. Desde então, o Pritzker, concedido através da Fundação Hyatt, sediada em Chicago, já premiou nomes como o mexicano Luis Barragán, o chinês radicado nos EUA I.M. Pei, o americano Frank Gehry, o japonês Tadao Ando, o inglês Norman Foster, a iraquiana-britânica Zaha Hadid e o francês Jean Nouvel. Do Brasil, foram agraciados Oscar Niemeyer (em 1988) e Paulo Mendes da Rocha (em 2006). Esta é a segunda vez que a láurea vai para a Espanha — Rafael Moneo a recebeu em 1996.
Os três sócios da RCR Arquitects vão receber US$ 100 mil e uma medalha de bronze, numa cerimônia em Nova York, com data ainda a ser anunciada.
O trio de arquitetos catalães Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta, da RCR Arquitects, foi eleito o vencedor do Prêmio Pritzker de arquitetura de 2017. O anúncio foi feito nesta quarta-feira por Tom Pritzker, presidente da Hyatt Foundation.
Segundo ele, "o júri selecionou três arquitetos que vêm trabalhando juntos há quase três décadas. Aranda, Pigem e Vilanta têm um impacto que vai muito além de sua área de atuação. O trabalho deles passa desde espaços públicos e privados a centros culturais e instituições de ensino, e a habilidade deles de relacionar intensamente o meio ambiente especificamente para cada trabalho é uma prova de seu processo e profunda integridade".
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Texto publicado originalmente no jornal O Globo| 01/03/17

Novas fotos mostram a Capela Sistina como nunca antes

Fotos digitais capturam o teto icônico em detalhes sem precedentes +

A mundialmente famosa Capela Sistina, que recebe até 25.000 visitantes por dia, pode agora ser vista em detalhes ainda maiores, depois de ser documentada com a mais nova tecnologia em fotografia de arte.
Em um projeto que durou cinco anos, os afrescos que adornam o teto dos Museus do Vaticano foram filmados em 270.000 quadros digitais, dando a oportunidade sem precedentes para um exame atento.
"No futuro, isso nos permitirá conhecer o estado de cada centímetro da capela como é hoje, em 2017", disse Antonio Paolucci, ex-chefe dos Museus do Vaticano.
Toda a operação fotográfica durou 65 noites, os fotógrafos trabalharam na Capela Sistina nos horários em que não há visitantes. As imagens foram então editadas em pós-produção em um processo chamado "costura", de acordo com o Guardian , onde as fotos foram reunidos.
As novas fotos foram tiradas para publicação em um conjunto limitado de três volumes, de 870 páginas, para ser distribuído às bibliotecas e colecionadores. As 1.999 cópias existentes serão comercializadas por um valor de cerca de 12.000 euros.
Mais de 220 das páginas são impressas em escala 1: 1 e incluem imagens do piso em mosaico e afrescos do século XV de artistas diferentes de Michelangelo, com quem a capela é mais associada.
É claro que os quadros mais emblemáticos também estão presentes, como as mãos tocantes de “A Criação de Adão”, de Michelangelo, e o rosto de Jesus do “Juízo Final”.
"Utilizamos um software especial de pós-produção para obter a profundidade, intensidade, calor e nuance das cores com uma precisão de 99,9%", disse Giorgio Armaroli, diretor de editores de arte Scripta Maneant, em uma declaração ao The Guardian . "Os futuros restauradores vão usar estes como seus padrões", concluiu.

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Texto de Caroline Elbaor publicado originalmente em inglês no site Artnet | 28/02/17

Andrea Rosen fecha galeria e anuncia co-representação de Felix Gonzalez-Torres

A renomada galeria do Chelsea vai fechar depois de 27 anos. +

Depois de quase três décadas, Andrea Rosen fechará sua galeria de Nova York, localizada na Rua 24 Oeste. Ela está tomando o movimento drástico, a fim de consolidar seu foco na represnetação de Felix Gonzalez-Torres.
Este movimento drástico tomado por ela é para consolidar seu foco na propriedade de representar o artista Felix Gonzalez Torres. Em uma declaração enviada em 21/02/17, Rosen explicou sua motivação para mudar de rumos, e expressou sua tristeza por desviar-se de um curso que ela tinha seguido por 27 anos. “Eu percebi que para ser abertamente destemida e responsiva ao nosso tempo requer mobilidade, flexibilidade e disposição para mudar, então decidi mudar minha vida e o foco da galeria de forma significativa”, escreveu ela.
Rosen não vai mais representar artistas vivos, mas continuará a trabalhar significativamente com a representação de Felix Gonzalez-Torres, artista cuja obra inaugurou a galeria em 1990, e com quem trabalhou pessoalmente até sua morte em 1996.
Hoje, ela é executora Presidente da Fundação Félix Gonzalez-Torres, um grupo fundado em 2008. Andrea Rosen Gallery agora co-representará a propriedade do artista com a Galeria David Zwirner. "Eu me aproximei de David para co-representar Félix, a escolha é óbvia, pois eu respeito muito o rigor do programa de David e o foco de sua galeria na representação holística de artistas. O futuro envolvimento com o resto dos artistas que andrea representa, de Lizzie Fitch e Ryan Trecartin a Andrea Zittel, permanece obscuro.
"Por enquanto a galeria continua a existir com atividades seletivas, como a representação de Felix Gonzalez-Torres, mas eu não terei mais um espaço público permanente e também não representarei mais artistas vivos”. “Esta transição ocorrerá nos próximos meses ", completa ela.
Rosen é visivelmente vaga a respeito de onde exatamente sua energia será transferida, mas ela explica em sua declaração que a galeria consumiu sua vida, e que agora, está diminuindo o ritmo, talvez para se concentrar na maternidade de sua filha adolescência.
"Eu sempre achei que estar aberto ao público e apoiar artistas era o canal perfeito para tudo o que me importava. No entanto, percebi que a única maneira de estar verdadeiramente disponível e de dar um exemplo para minha filha do que significa ser um cidadão ativo, gentil e conectado, ou tentar viver sem um compromisso ético exige tempo e a simplificação da minha vida."
Artnet News chegou à perguntar para a galeria sobre planos para outras propriedades representadas pela galeria, como a Fazenda de Alina Szapocznikow, mas não recebeu uma resposta até o momento da publicação.
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Texto de de Alyssa Buffenstein publicado originalmente no site Artnet | 22/02/17

Marta Mestre deixa curadoria do Inhotim após menos de um ano

O Inhotim mudará sua estratégia de curadoria, contratando profissionais para atuar de forma temporária em projetos pontuais. +

Menos de um ano depois de assumir parte da curadoria do Instituto Inhotim, o megamuseu de arte contemporânea nos arredores de Belo Horizonte, a portuguesa Marta Mestre está deixando seu cargo em meio a uma reestruturação da alta cúpula do museu.
No curto período em que esteve no museu do empresário Bernardo Paz, Mestre se dedicou à programação das comemorações dos dez anos da instituição no ano passado, centrada numa homenagem a Tunga, morto no ano passado, além da mostra da artista Claudia Andujar agora em cartaz em Lisboa.
"Meu objetivo foi concretizar uma experiência pontual, focada na especificidade desta instituição por um lado, e tomar contato com a expertise do Inhotim em dinamização de projetos culturais num modelo entre público e privado, por outro", diz Mestre. "Entrei num momento de passagem, os dez anos da instituição, que serviram para indagar sobre o que foi feito e como será daqui para a frente."
O americano Allan Schwartzman, que integra o time de curadores do museu desde sua fundação em 2006, agora assume a direção artística do Inhotim, subsituindo o interino Antonio Grassi, que vinha acumulando o cargo com o de diretor executivo.
Schwartzman vive em Nova York e terá o apoio de María Eugenia Salcedo, ex-curadora-assistente agora alçada ao cargo de curadora-adjunta do museu. De acordo com o museu, o Inhotim agora mudará sua estratégia de curadoria, contratando profissionais para atuar de forma temporária em projetos pontuais.
Além de assumir o comando do Inhotim, Schwartzman acaba de vender sua agência de consultoria, a Art Agency, Partners para a Sotheby's, uma das maiores casas de leilão do mundo. Na negociação de US$ 85 milhões, ou R$ 263 milhões, Schwartzman agora é responsável também pela consultoria aos clientes da casa de leilões, entre eles Bernardo Paz, fundador do Inhotim.
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Texto de Silas Martí publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo | 20/02/17

Arte precario: ¿De qué viven los artistas y comisarios jóvenes?

Rondan la treintena y reivindican mejoras dentro de su profesión, en un sector en el que cada vez hay más prácticas abusivas. +

Ni totalmente consagrados, ni radicalmente emergentes. Rondan la treintena y reivindican mejoras dentro de su profesión, agobiados por la precarización de un sector que adopta, cada vez más, prácticas abusivas. La mayoría han trabajado en el extranjero -muchos de ellos se encuentran viviendo fuera-, venden en ferias, protagonizan exposiciones individuales, ganan reputados premios y, sin embargo, no encuentran la tan demandada estabilidad económica.

Esta semana se presenta en el Campus Nebrija Madrid-Princesa el exhaustivo estudio La actividad económica de los/las artistas en España, coordinado por los profesores Isidro López-Aparicio (Universidad de Granada) y Marta Pérez (Universidad Antonio de Nebrija). La investigación recoge los testimonios de 1.100 creadores, no solo jóvenes. Pero, igualmente, el paisaje que describe es desolador: "Más del 45% de los artistas afirma que sus ingresos totales anuales, ya sea por actividades artísticas o de otra índole, se sitúa por debajo de los 8.000 euros, es decir, por debajo del salario mínimo interprofesional en España. De esos ingresos, los que proceden del arte llegan al 20%".

A las puertas de ARCO y con dos muestras de referencia recién inauguradas en Madrid ( Generaciones y Circuitos), hablamos con un grupo de comisarios y artistas sobre presente y futuro del mundo del arte. ¿Es posible vivir de ello?

Malas Prácticas
El caso de Alfredo Aracil (1984), responsable de Proyectos durante cinco años en LABoral, y a la vez falso autónomo, se convirtió durante la época de la crisis en una práctica habitual en muchas instituciones. "Son personas que acuden a un lugar de trabajo, fichan, firman, tienen encomendadas tareas concretas e incluso de cierta responsabilidad, pero son situadas al margen de cualquier convenio y han de pagarse su propia Seguridad Social", contaba José Manuel Costa en este mismo medio. Aracil dejó el trabajo hace un año y denunció; ahora se encuentra a la espera de juicio.

"El mundo del arte puede estar inspirando al último capitalismo, sobre todo en lo que tiene que ver con lo dóciles que somos los productores culturales, que no conocemos sindicatos", señala. "Tampoco ponemos ninguna pega a no tener vacaciones, no tener una jornada laboral reglada, cambiar de domicilio cada poco tiempo y, para colmo, estar dispuestos a ofrecer nuestros conocimientos como capital".
El trabajador asturiano se rehizo del daño tras abandonar el cargo y durante 2016 comisarió dos exposiciones, programó un ciclo de cine y estuvo preparando la muestra Apuntes para una psiquiatría destructiva, que se inaugurará a mediados de marzo en la Sala de Arte Joven de Avenida de América. Sin embargo, sigue pensando que la precariedad es la tónica general y que "no puedes hacer planes a dos años vista".
Regina de Miguel (1979) vive en Berlín desde hace siete años. Ella ha sido una de las seleccionadas en Itinerarios 2017, la beca que la Fundación Botín otorga a ocho reconocidos creadores cada temporada y gracias a la que ha financiado la producción de una película que se podrá ver a partir del 18 de febrero.

La artista malagueña, que también expuso en 2016 en Berlín, Gijón, Madrid, Lisboa y Bogotá, insiste en que es francamente complicado vivir del arte. Todo al final "pasa por la autoexplotación, la precariedad máxima y la desigualdad con respecto a las instituciones que no respetan pactos acordados o plazos de pago".

"Las condiciones conllevan la precarización a todos los niveles", valora Oriol Fontdevila (1978), miembro del equipo de Sala d'Art Jove de la Generalitat de Catalunya. "No solo económico, sino que la calidad del trabajo se puede ver mermada por las dinámicas de multiplicación de actividad a las que nos tenemos que someter por mera supervivencia".
Si a esto le sumamos la total incomprensión de la administración, tenemos una bomba de relojería que de vez en cuando estalla y se presenta en forma de inspecciones. De Miguel relata como el ir y venir de diferentes cantidades de dinero en su cuenta, destinadas a producción, son el caldo de cultivo para "acabar teniendo una inspección de trabajo que se pregunte qué quiere decir esa beca" fruto "de una mala formulación de esas ayudas" y "una fuerte desconfianza hacia la actividad del artista".

Curriculum vs. pagar la luz
"Hay una idea instalada por la cual parece más importante aumentar tu curriculum que pagar la factura de la luz", cuenta el artista Julián Cruz (1989), editor de una de las publicaciones más interesantes que existen en español: Nudo. "Los artistas tienen que competir entre ellos por reconocimientos que, en la mayoría de las ocasiones, son simbólicos y que no suelen sacarles de su pobreza".

Rubén Rodrigo (1980) fue uno de los seleccionados en la última convocatoria de Ayudas a la Creación Visual de VEGAP, dotado con 7.000 euros para producción de obra en la categoría Artes Plásticas. ¿Cuál es su opinión en que el premio solo implique la realización de obra? "Es una cuantía generosa y ellos buscan la excelencia en el proyecto. Si esa cantidad al final la destinara a pagar el alquiler de mi casa y la comida, no me quedaría nada para trabajar".

Por su parte, el pintor José Díaz (1981), que en 2016 celebró su segunda exposición individual en la galería The Goma, habla de la falta de medios para vivir dentro del arte contemporáneo. "Básicamente hay dos vías, una como artista de galería que sobrevivirá en la medida en que haga ventas. Pero, lamentablemente, España no cuenta con demasiados coleccionistas como para hacerlo sostenible y peor aún, no contamos demasiado fuera como para exportar", mientras que la segunda sería dentro del mundo de la institución, que permite prosperar unos contados años mediante becas y subvenciones.

La comisaria Carolina Jiménez (1983), una de las tres ganadoras en 2016 de Inéditos, la convocatoria de La Casa Encendida que fomenta la inserción de los jóvenes comisarios en los circuitos profesionales, también es muy dura con el papel de las instituciones y su uso del dinero público. "Artistas que jamás imaginarías por su renombre y trayectoria lo pasan realmente mal para pagar el alquiler", revela sobre una situación que ya se ha hecho frecuente.

"Hoy en día un artista tiene que trabajar tanto hacia dentro como hacia afuera", enuncia Cristina Garrido (1986), quien durante el año pasado recibió dos becas de residencia en el extranjero. La artista madrileña, cuya obra gira alrededor de la crítica institucional, sostiene "que nuestro contexto beneficia al creador muy joven (becas, certámenes). Pero no existe una estructura en la que instituciones, agentes y coleccionistas colaboren para generar un contexto artístico rico y sostenible".
Jiménez, que acaba de mudarse a Barcelona, aunque sigue viviendo a distancia de su trabajo en Berlín, desmonta el supuesto interés de los premios: "En primer lugar por su propio carácter individual y puntual, que no produce retorno en el tejido artístico y, en segundo lugar, por sus modalidades, que hacen que tampoco reviertan en la carrera de los propios premiados, al margen de la difusión mediática que genera el anuncio del premio". Y llama la atención sobre los auténticos beneficiarios del "tinglado no artístico": empresas de montaje, catering, agencias de viaje, etc.

España es un país de fachadas
"Tenemos medios, pero a medias", cuenta un crítico Guillermo Mora (1980), que en 2016 ha tenido una exposición individual en el Centre d'Art La Panera (Lleida) y dos exposiciones colectivas organizadas por DKV, en el Museo Lázaro Galdiano y en el MUPAM de Málaga. "España es como imaginar un engranaje mecánico con piezas exquisitamente terminadas, pero sin carburante que las mueva. Cuando hablo de carburante hablo de dinero, que al fin y al cabo es lo que mueve el engranaje".

La escasez es la nota dominante en un país donde importa más el envoltorio que el contenido. "Disponemos de museos y espacios envidiables, que quieren programar, pero que no pueden implicarse en las producciones porque no disponen de dinero. Muchos proyectos no se llevan a cabo por este motivo", destaca Mora, que viajó el año pasado a Nueva York gracias a una residencia en ISCP. "Y por otro lado tampoco existe un mercado privado fuerte que apoye y sustente las producciones y carreras artísticas", remata.

El madrileño Santiago Giralda (1980), que ganó Generación 2013 y este año ha sido becado por la Academia de España en Roma, denuncia que “el artista está muy desamparado. Las cuotas de autónomos son muy elevadas para alguien que no tiene ingresos fijos. El IVA tampoco es equiparable con el de otros países y, si existiera, la Ley de Mecenazgo sería fundamental”.

La cineasta Ana Esteve Reig (1986), además de desarrollar una importante carrera como creadora -el año pasado participó dentro del festival Márgenes con El Documental de Dalila y fue seleccionada para la edición de Circuitos 2017-, también da clases de videoarte en la Universidad Nebrija. La actividad docente junto a otro tipo de trabajos alimenticios, como la edición de vídeos, hacen que su punto de vista sea más crítico. "Existen becas y premios, pero es muy difícil sostenerse solo a base de concursos", asegura. "Hasta ahora, yo no he encontrado el modo de seguir produciendo sin dejar de tener otro tipo de trabajos".
Es prácticamente imposible vivir del arte. De hecho, la mayoría de los artistas, algunos muy conocidos y con carreras muy amplias, subsisten con otros trabajos; el más común de ellos es la enseñanza.
Lo que le pasa a Reig, de 30 años, también le ocurre a artistas más veteranos. Pepo Salazar (1972), uno de los elegidos para representar a España en la última Biennale di Venezia y cuya obra se pudo ver el año pasado en galerías y museos de Nueva York, París, Amsterdam, Colonia, Barcelona, Madrid o Vitoria-Gasteiz, apostilla que "es prácticamente imposible vivir del arte. De hecho, la mayoría de los artistas, algunos muy conocidos y con carreras muy amplias, subsisten con otros trabajos; el más común de ellos es la enseñanza". Salazar habla por experiencia. Durante veinte años, desde 1992 hasta 2011, compaginó su labor artística con el cargo de director creativo para series de animación.
Un último ejemplo: Matadero es uno de los principales contenedores de arte contemporáneo del Ayuntamiento de Madrid. Vanesa Viloria (1979) estuvo alternando contratos temporales como programadora y coordinadora de proyectos dentro de la institución de 2011 a 2015. A pesar de la inestabilidad del sector, explica que hace pocas semanas rechazó una oferta de trabajo que le proponía llevar la producción de un conocido festival de la Comunidad de Madrid, "porque la propuesta económica que hacía la empresa adjudicataria estaba escandalosamente por debajo de los precios de mercado".

Viloria incide en los procesos de selección de estas empresas y los leoninos pliegues de condiciones. "Cuando en unos pliegos de condiciones se premia la oferta económica más baja, sin proteger los salarios de los trabajadores y sin tener previsto ningún mecanismo que evalúe la eficiencia del proyecto, además de poner en riesgo la solvencia económica de las personas y la calidad de las propuestas culturales, contribuyes al empobrecimiento de la cultura", concluye esta productora cultural, que desde enero de 2016 colabora con el Área de Cultura de Podemos. Parece que vivir del arte se ha convertido, más que nunca, en una actividad de riesgo.
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Artigo de Abraham Rivera originalmente publicado no jornal El Diario (http://www.eldiario.es) em 14/02/17.

Grécia rejeita solicitação de Gucci para fazer desfile na antiga Acrópole

A Grécia também disse “Não” a uma oferta de 2 milhões de euros para ajudar a financiar a restauração do local. +

O Ministério da Cultura da Grécia rejeitou um pedido da marca de luxo italiana Gucci para usar a antiga Acrópole para um evento de moda em junho deste ano.
A Acrópole é um Patrimônio Mundial classificado pela UNESCO, a organização cultural das Nações Unidas. Sobre o pedido da casa de luxo italiana, o Conselho Arqueológico Central da Grécia (KAS) declarou: "O caráter cultural único dos monumentos da Acrópole é inconsistente com este tipo de evento".
"O Parthenon é um monumento importante e um símbolo universal que nós gregos protegemos, particularmente, à luz de nossos esforços seguem para preservar e reunir os mármores do Parthenon," disse a ministra Lydia Koniordou da cultura grega a respeito da decisão.
"Temos o dever de defender a importância da Acrópole ... um símbolo global de democracia e liberdade", sublinhou.
A Gucci queria criar uma passarela entre o Parthenon e do Erechtheion para um desfile de 15 minutos com um público de cerca de 300 convidados. Em contrapartida, o jornal grego de língua inglesa Ekathimerini informa que a marca de moda ofereceu um subsídio de 2 milhões de euros para obras de restauro do local durante um período de cinco anos ou financiar um projeto semelhante.
No ano passado, em seu aniversário de 80 anos, a marca de moda de luxo Fendi realizou um espetáculo impressionante na icônica Fonte de Trevi de Roma, cujo subsídio de US $ 2,2 milhões ajudou a financiar o restauro do patrimônio.
Os pedidos de uso comercial de monumentos antigos gregos são muitas vezes negados. A Acrópole, no entanto, foi aprovada para acesso no passado.Em 2008, a cantora Jennifer Lopez realizou uma sessão de fotos lá, e em 2014, filme "The Two Faces of January" estrelado por Viggo Mortensen e Kirsten Dunst filmou algumas cenas em suas instalações.
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Texto de Perwana Nazif publicado originalmente no site Artnet | 17/02/17

Restauração desastrosa de afresco salva economia de cidade espanhola

Considerada a pior restauração do mundo, a tentativa de recuperar o afresco Ecce Homo começou como um desastre para a arte, mas se transformou na salvação da cidade de Borja que já recebeu cerca de 300 mil turistas interessados em conhecerem a "nova" obra de arte. +

Quem não se lembra do desastre causado por uma senhora no afresco “Ecce Homo”, em 2012? O que foi um enorme problema à época, se transformou numa oportunidade única para atrair turistas do mundo inteiro interessados em conhecerem a desastrosa restauração. A obra, que havia sido pintada em 1930, colocou a cidade de Borja, no interior da Espanha, no centro do turismo mundial.

Desgastado com o tempo, o afresco de Elías Garcia Martínez necessitava de uma recuperação. Pensando em ajudar, dona Cecilia Giménez, uma artista plástica, na época com 81 anos, decidiu reformá-lo. O resultado passou longe do esperado. A repercussão foi tão grande, que a notícia da desastrosa restauração ganhou as manchetes dos principais jornais mundiais e viralizou nas redes sociais.

O estrago estava feito e a melhor solução era transformar o limão numa doce limonada e os espanhóis fizeram isso com sucesso. O desastre se transformou rapidamente num símbolo do vilarejo de cinco mil habitantes. Pouco tempo após o fato, surgiram os primeiros curiosos interessados em conhecerem o afresco restaurado e os moradores aproveitaram para criar um lucrativo negócio em torno da situação.
Com o aumento do turismo apareceram os primeiros souvenires com o afresco destruído. As lembranças variam entre as tradicionais camisas e canecas de porcelana ilustradas com a obra até vinhos com a marca. O turismo local que girava em torno da obra de arte conseguiu se recuperar.

Nos últimos cinco anos, a cidade recebeu mais de 300 mil turistas interessados em conhecerem a 'nova' obra de arte, que dona Cecilia ajudou a pintar. Nos cinco anos anteriores ao fato, o Santuário da Misericórdia, local onde está o afresco, havia recebido aproximadamente 10 mil visitantes. Atualmente, todo dia 25 de agosto, data da restauração, é comemorado no vilarejo com uma homenagem a artista que salvou a cidade.

Divisão dos lucros

Se hoje o fato se transformou em dividendos à dona Cecília, na época quase lhe custou um processo judicial. A família do pintor ameaçou processá-la por depredar o afresco de Martínez, mas recuou com o posterior sucesso da 'nova obra de arte'. Atualmente, os dois lados dividem os generosos lucros que a restauração malsucedida gerou. Uma parte da receita ainda é doada a um hospital local. O Santuário cobra € 1 para cada visitante admirar o famoso afresco.
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Texto originalmente publicado no site "Eco Viagem Uol" (www.ecoviagem.uol.com.br) | 16/02/17.

Foto de assassinato do embaixador russo na Turquia é eleita a melhor de 2016

Júri do concurso World Press Photo premia o fotógrafo turco Burhan Ozbilici - melhor foto do ano. Os fotógrafos brasileiros Lalo de Almeida e Felipe Dana também foram premiados, em outras categorias. +

O fotógrafo turco Burhan Ozbilici, da agência de notícias Associated Press, assina a foto do ano de 2016, que mostra os momentos subsequentes ao assassinato de Andrei Karlov, embaixador russo na Turquia. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (13/02/17) pelo júri do prêmio World Press Photo. O atentado foi cometido em 20/12/16, dentro de uma galeria de Ancara, por um policial turco de 22 anos, que depois dos disparos disse estar vingando atrocidades cometidas em Aleppo (Síria). A foto foi publicada na capa do "The New York Times", entre outros veículos. “É uma imagem explosiva que realmente fala sobre o ódio da nossa época. Cada vez que ela aparecia na tela a gente tinha quase que recuar”, disse a jurada Mary Calvert, em nota. Este é o principal prêmio dedicado ao fotojornalismo no mundo.
Mevlüt Mert Altintas, o atirador que assassinou o diplomata, fez oito disparos e feriu outras duas pessoas, antes de ser morto em confronto com as forças de segurança. “Deus é grande! Deus é grande! Nós morremos em Aleppo, vocês morrem aqui! Matam gente inocente em Aleppo e na Síria!”, gritou ele, empunhando a arma. O fotógrafo premiado contou no ano passado que estava por acaso no local do atentado, uma galeria de arte onde o embaixador participava da inauguração de uma exposição de fotos. Quando o agressor começou a disparar, Ozbilici continuou clicando em vez de se proteger dos tiros. “Pensei: ‘Estou aqui. Mesmo que ele me ferir ou me matar, sou um jornalista e devo fazer meu trabalho’. Eu poderia ter me deslocado para me esconder, mas nesse caso como iria responder quando perguntassem por que eu não fiz fotos?” Ozbilici, que trabalha há 27 anos para a Associated Press e já retratou, entre outros temas, o êxodo dos curdos do Iraque depois da morte de milhares de pessoas por causa dos ataques com gás ordenados por Saddam Hussein, então no poder. Cobriu também conflitos na Arábia Saudita, Egito e Síria.
Esta edição do World Press Photo teve a participação de 5.034 fotógrafos de 125 países. O júri avaliou 80.408 imagens, e o norte-americano Jonathan Bachman ganhou na categoria Temas Contemporâneos, com uma foto da enfermeira negra Iehsia Evans enfrentando pacificamente a tropa de choque policial em Baton Rouge, durante os protestos contra a morte de um homem, também negro. Pouco depois, a mulher e vários outros manifestantes foram detidos.
O vírus zika foi contemplado pelos especialistas do World Press Photo com uma série sobre os bebês com microcefalia e suas mães, de autoria do brasileiro Lalo de Almeida. Houve prêmios também para pautas como o enterro do ex-presidente cubano Fidel Castro, a violenta luta contra o tráfico de drogas ordenada pelo presidente filipino, Rodrigo Duterte, a luta das comunidades nativas dos Estados Unidos contra o oleoduto que deverá cruzar suas terras ancestrais em Dakota do Norte e a crise dos refugiados no Mediterrâneo.
A primeira edição do World Press Photo data de 1955, quando um grupo de jornalistas da Associação Holandesa de Fotojornalismo transformou o prêmio nacional da instituição em uma competição internacional. Naquele ano, 42 colegas de 11 países apresentaram 300 imagens. Em 1956, a cifra de fotos quadruplicou, com participantes de 22 nacionalidades.
No ano passado, o prêmio de melhor foto do ano foi dado a uma imagem que mostrava o drama dos refugiados no Mediterrâneo, de autoria do australiano Warren Richardson. Ela retrata o momento em que um homem entregava um bebê a outra pessoa sob uma cerca na fronteira entre a Hungria e a Sérvia.
O enfoque do prêmio também mudou ao longo das décadas. Desde o princípio, o júri evita se concentrar apenas no estilo das fotos. Mas nas primeiras edições havia as categorias Notícias e Esportes, Reportagens e Séries, com uma seção especial para as imagens a cores. Depois, as fotos noticiosas passaram a ser separadas da categoria intitulada Reportagens de Interesse Geral.
Às vezes, uma foto que não se enquadra totalmente no regulamento é mencionada pelo júri por sua relevância. A primeira a receber essa menção foi feita pelo astronauta Edwin Aldrin durante seu passeio de 1969 pela lua. “Sem ela, a narrativa visual do ano teria estado claudicante”, disseram naquela ocasião os jurados, que procedem de países industrializados e em desenvolvimento, professam diversos credos e têm distintas filiações políticas.
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Texto de Isabel Ferrer originalmente publicado no site "El País" (http://brasil.elpais.com) | 13/02/17.

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World Press Photo premia dois fotógrafos brasileiros

Os trabalhos dos fotógrafos brasileiros Lalo de Almeida e Felipe Dana foram premiados nesta segunda-feira (13/02/17), em Amsterdã, pela organização World Press Photo, que destaca as melhores fotos jornalísticas em nível internacional a cada ano.
Lalo de Almeida ficou em segundo lugar na categoria "Contemporary Issues" (histórias de assuntos contemporâneos) por uma série de imagens sobre as consequências do vírus da zika em crianças brasileiras.
"Para mim, é sempre uma questão delicada. Como retratar doenças? Almeida faz isso de uma forma muito amável", explicou o diretor da World Press Photo, Lars Boering, que ressaltou o fato do fotojornalista ter alcançado seu objetivo "sem se concentrar em imagens excessivamente dramáticas".
Os bebês aparecem em preto e branco, com as mães e em diferentes situações, como em uma consulta médica, sendo banhados ou tomando uma mamadeira.
"Vimos muitas fotografias de crianças vítimas da zika", lembrou o presidente do concurso, Stuart Franklin, que considerou Lalo de Almeida "muito respeitoso e com um olhar muito empático" por não tentar mostrar um "aspecto 'freak'" nas crianças.
O outro brasileiro premiado, Felipe Dana, ficou em terceiro lugar na categoria "Spot News" (notícias da atualidade) por uma foto tirada em Mossul em novembro de 2016 durante uma batalha entre tropas iraquianas e combatentes do grupo jihadista autodenominado Estado Islâmico.
Dana, que cobriu este conflito para a agência americana "Associated Press", capturou com sua câmera as chamas produzidas pela explosão de um carro-bomba, que se vê ao fundo da imagem. Em primeiro plano, três soldados iraquianos se protegem por trás de um comboio, que hasteia uma bandeira nacional.
Franklin afirmou que a foto "é muito difícil de ser tirada" e reconheceu que, após terminar a avaliação do concurso, foi ao site da agência de Dana para observar seu trabalho.
"Tinha curiosidade e acho que ele tem um olhar fantástico", concluiu o presidente do concurso.
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Texto originalmente publicado no site "Terra" (https://diversao.terra.com.br) 13/02/17.

Mês da História Negra rende diversas mostras nos EUA

O "Black History month" é uma celebração às contribuições dos afro-americanos à história, sociedade e cultura dos EUA. Confira 11 exposições na cidade de Nova York e pelo país apresentando a produção de artistas afro-americanos. +

Dia 01/02/17 marca o início do mês da História Negra ("Black History month"), em celebração às inúmeras contribuições dos afro-americanos à história, sociedade e cultura dos EUA. Entre os eventos comemorativos, há 11 exposições na cidade de Nova York e pelo país, apresentando a produção de proeminentes artistas afro-americanos.

1. “Lorna Simpson: Hypothetical?”
No Fisher Landau Center for Art (38-27 30th Street, Long Island City, Queens)
“Hypothetical?” é uma das primeiras incursões de Lorna Simpson em instalação sonora. Foi exibida pela primeira vez na Whitney Biennial de 1993. Não é apresentada desde a retrospectiva itinerante da artista de 2006 e 2007. Composta de bocais de instrumentos de sopro e gravações de respiração difícil, a peça aborda as limitações da linguagem.
Entrada franca
Até 07/08/17

2. “Mickalene Thomas: Waiting on a Prime-Time Star”
No Newcomb Art Museum of Tulane (Woldenberg Art Center Newcomb Circle, New Orleans)
“Waiting on a Prime-Time Star” reúne pinturas, esculturas, vídeos e colagens de Mickalene Thomas, além de instalação site specific. A obra dela continua desafiando as simples noções de beleza na representação da mulher. Ela trabalha entre a abstração e a representação. Simultaneamente, cria novas e complexas definições da feminilidade.
Entrada franca
Até 09/04/17

3. “Deana Lawson, Judy Linn, Paul Mpagi Sepuya”
No Sikkema Jenkins & Co. (530 West 22nd Street, Nova York)
A mostra coletiva reúne obras que exploram diferentes tipos de relações humanas. O trabalho de Deana Lawson parte de retratos tradicionais de pessoas de cor. A fotógrafa exibe obras que documentam sua prima Jasmine, seu companheiro Eric e a criança deles durante os três anos em que Eric esteve encarcerado no Mohawk Correctional Facility (no Estado de Nova York).
Entrada franca
Até 18/02/17

4. “Artist Residency: Laboratory For Freedoms”
No MoMA PS1 (22-25 Jackson Avenue, Long Island City, Queens)
Hank Willis Thomas e Eric Gottesman criaram o primeiro PAC (political action committee; comitê de ação política) em janeiro de 2016, chamado For Freedoms. Por meio do PAC, eles utilizam a arte para reivindicar espaço político, convidando outros artistas para colaboração em posters, mostras e outras atividades pelos EUA. O objetivo é criar discussões sobre valores democráticos fundamentais em vez de defender partidos políticos específicos. O MoMa PS1 os hospeda em uma residência artística durante os primeiros cem dias do governo Trump.
US$ 10 (adultos); US$ 5 (estudantes e idosos); grátis para moradores da cidade e menores de 16 anos.
Até 29/04/17.

5. “Wangechi Mutu: Ndoro Na Miti”
Na Gladstone Gallery (530 West 21st Street, Nova York)
A produção recente de Wangechi Mutu aborda a forma como vemos a natureza, a sociedade e o corpo por meio de recontextualizações das tradições ocidentais e orientais. “Ndoro Na Miti“ é uma expressão Gikuyu para barro e árvores e vem do ambiente ao redor do ateliê onde ela trabalhou nas obras expostas. A artista vê a terra como uma continuidade de seus questionamentos artísticos de identidade, psicologia e luta social.
Entrada franca
Até 25/03/17

6. “Rashid Johnson: Hail We Now Sing Joy”
No Kemper Museum of Contemporary Art (4420 Warwick Blvd, Kansas City, Missouri)
Após o sucesso da exposição “Fly Away“ na Hauser & Wirth no ano passado, em Nova York, Rashid Johnson marca presença agora no Missouri. O trabalho dele fala de identidade, experiência afro-americana e afro-futurismo no corrente estado de tensão política e incerteza.
Entrada franca
Até 21/05/17

7. “Circa: 1970”
No Studio Museum Harlem (144 West 125th Street, Nova York).
O museu exibe obras do acervo que refletem sobre a situação sócio-política, cultural e histórica dos EUA entre os anos 1970 e 1979. A década de 1970 foi fundamental para a cultura e a história dos negros nos EUA. São expostas obras de artistas como Romare Bearden, Benny Andrews, David Hammons e Ed Clark.
US$ 7 (adultos); US$ 3 (estudantes e idosos); grátis para membros do museu e menores de 12 anos
Até 05/03/17

8. “Collection Spotlight: Morton Broffman”
No Bronx Museum of the Arts (1040 Grand Concourse, Bronx, Nova York)
Exibição de quatro obras de Morton Broffman, um dos fotojornalistas que acompanharam a marcha de Selma a Montgomery pelos direitos de voto em 1965. A marcha foi a maior manifestação em favor de direitos civis no Alabama.
Entrada franca
Datas a definir

9. “Kehinde Wiley: A New Republic”
No Toledo Museum of Art (2445 Monroe Street, Toledo, Ohio)
Após a exposição no Brooklyn Museum em 2015, a exposição de Kehinde Wiley continua em itinerância pelos EUA. O trabalho chama a atenção para a ausência de reconhecimento aos afro-americanos no legado à história e cultura dos EUA. O artista utiliza retratos de velhos mestres e reposiciona membros da nobreza europeia em temas negros contemporâneos.
Entrada franca
Até 14/05/17

10. “Nick Cave: Until”
No MASS MoCA (1040 MASS MoCA Way, North Adams, Massachusetts)
Nick Cave está ainda criando sua maior instalação imersiva, usando contas, cristais e candelabros, entre outros objetos que encontra. Ele aborda a violência armada, relações raciais e políticas de gênero em um espaço cintilante, repleto de lustres, imagens de armas, balas e alvos. Cave convidou também dançarinos, músicos, poetas e compositores para participar da programação paralela, que conta com painéis de discussão e outras formas de engajamento público.
US$ 18 (adultos); US$ 16 (idosos); US$ 12 (estudantes); US$ 8 (crianças entre US$ 6 e US$ 16); grátis para crianças menores de 5 anos.
Até agosto.

11. “Yinka Shonibare MBE: Prejudice at Home – A Parlour, a Library, and a Room”
Na James Cohan Gallery (533 W 26th Street, Nova York)
A sexta exposição de Yinka Shonibare na James Cohan Gallery investiga a identidade coletiva e individual ao longo da história. São fotografias e três instalações. "The British Library" foca nas contribuições de imigrantes para a sociedade e cultura britânicas. A mostra trata de poder, preconceito e alteridade.
Entrada franca
De 17/02/16 a 18/03/17

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Texto de Sarbani Ghosh originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artenet.com) | 10/02/17.
Na imagem acima, obra de Mickalene Thomas.