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É a primeira vez que o Museu de Arte de São Paulo (Masp), desde que foi fundado, em 1947, veta uma exposição para menores de 18 anos. A “Histórias da Sexualidade”, só maiores poderão ver as 400 obras reunidas. A decisão foi tomada com base na orientação do departamento jurídico da instituição, pelo peso da polêmica que envolveu o MAM, alvo de protestos e o Santander de Porto Alegre, que suspendeu a exposição Queermuseu por causa de ameaças de grupos conservadores. Matéria de Antonio Gonçalves Filho originalmente publicada no jornal “Estado de São Paulo”, em 18/10/17. +

É a primeira vez que o Museu de Arte de São Paulo (Masp), desde que foi fundado, em 1947, veta uma exposição para menores de 18 anos. A partir desta sexta-feira, dia 20, quando for inaugurada a exposição Histórias da Sexualidade, só maiores poderão ver as 400 obras reunidas pelos quatro curadores que respondem pela mostra sob supervisão do diretor artístico do museu, Adriano Pedrosa. A decisão foi tomada com base na orientação do departamento jurídico da instituição – segundo Pedrosa, nem tanto para evitar o transtorno pelo qual passaram o Santander Cultural de Porto Alegre e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, mas “para seguir a legislação vigente”.

Os advogados do Masp, que fazem parte do Conselho do museu, foram favoráveis à classificação etária para a exposição, mas não fizeram circular o parecer – esse relatório permanece confidencial. Contudo, teve certamente nessa decisão o peso da polêmica que envolveu o MAM, alvo de protestos por causa da interação de uma criança com um performer nu, e o Santander de Porto Alegre, que suspendeu a exposição Queermuseu por causa de ameaças de grupos conservadores, inconformados com o conteúdo da mostra, rejeitada lá e no Rio.

Em tempo: uma obra que esteve na mostra Queermuseu, como Cenas de Interior II – uma “compilação de práticas sexuais existentes”, segundo a autora, Adriana Varejão – está na mostra do Masp. Trata-se de uma reinterpretação das chungas (tradicionais gravuras eróticas japonesas), também instaladas na exposição bem ao lado da pintura de Varejão e de quatro desenhos eróticos da surrealista parisiense Louise Bourgeois (1911-2010).

A rigor, a mostra do Masp é mais ousada que Queermuseu, pois contempla todas (ou quase todas) as formas alternativas de sexualidade, denunciando justamente como as tentativas de reprimir o erotismo (na arte e fora dela) descambaram para a violência. Há, por exemplo, uma série do premiado fotógrafo Juca Martins que acompanhou as históricas batidas policiais do delegado José Wilson Richetti quando o policial assumiu a delegacia seccional do centro e criou a Operação Cidade no governo Paulo Maluf, em 1980. Num só dia ele prendeu 152 pessoas, entre prostitutas, travestis e homossexuais.

Há na mostra histórias ocultas de personagens igualmente marginalizados por sua condição. É o caso da bailarina do impressionista francês Degas, que ocupa o centro de um dos nove núcleos temáticos da exposição, o do mercado do sexo. Uma das curadoras, Camila Bechelany, conta que a modelo da escultura de bronze, filha de uma pobre família belga, possivelmente era uma prostituta de 14 anos. Ladeada por outras colegas de profissão, ela tem a companhia, na mesma sala, de garotos de pro- grama com o sexo exposto no largo do Arouche, antigo ponto de prostituição masculina no centro de São Paulo.

Há uma profusão de obras de artistas brasileiros e estrangeiros de todas as épocas, que expõem de forma explícita a genitália, de uma tela do francês Ingres a uma ingênua pintura do mato-grossense Adir Sodré, que retrata a transgênero Roberta Close como uma ‘maja desnuda’ contemporânea. Há também esculturas, como a do carioca Chico Tabibuia (1936-2007), que também explorou o transgênero sobrenatural ao es- culpir um Exu com sexo duplo.

Os curadores selecionaram 40 obras do acervo do Masp entre as 400 emprestadas por outros museus, galerias e colecionadores particulares, entre elas obras de Picasso, Gauguin, Suzanne Valadon, Poussin e Victor Meirelles. Concebida em 2015, ou seja, dois anos antes das polêmicas que envolveram as exposições do Santander Cultural e Museu de Arte de São Paulo (MAM), a exposição, segundo o diretor artístico do Masp, Adriano Pedrosa, integra uma série dedicada à sexualidade na arte, da qual fizeram parte as individuais de Teresinha Soares, Wanda Pimentel, Miguel Rio Branco, Henri de ToulouseLautrec, Tracey Moffatt, Pedro Correia de Araújo e Guerrilla Girls. A próxima será dedicada ao escultor pernambucano Tunga (1952-2016).

Histórias da Sexualidade, apesar do título, não segue a filosofia do francês Michel Foucault (1926-1984), garante Pedrosa. Em todo caso, a mostra, como Foucault, relaciona religião e sexualidade (com destaque para a série bíblica de Leon Ferrari e o São Sebastião – de Perugino e Mapplethorpe). “É um grande mosaico de várias histórias que se entrelaçam e podem ser tanto reais como fictícias”, define o diretor artístico do Masp.
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Matéria de Antonio Gonçalves Filho originalmente publicada no jornal “Estado de São Paulo”, em 18/10/17.

Herdeiros dão "cara nova" para o centro de São Paulo

Casarões no Arouche e nos Campos Elísios são restaurados e ganham novos usos, como espaço cultural, de coworking e café. +

Fabio e Munir Candalaft Junior, de 53 e 55 anos, praticamente cresceram na região entre o Largo e a Rua do Arouche, na República, centro de São Paulo. Quando jovens, os irmãos de origem libanesa trabalharam com a mãe e o pai em lojas da família, no período em que o entorno era um dos mais nobres da cidade. Já adultos, eles migraram de bairro e escolheram outras profissões, mas, há menos de um ano, resolveram novamente se voltar para o local ao montar, no imóvel construído no início do século 20 e comprado pela família na década de 70, o espaço cultural e de eventos No Arouche.

Com janelas multicoloridas, o sobrado ganhou uma “cara 2017” após os irmãos Candalaft observarem que muitos filhos de amigos haviam se mudado para o centro. Aberto dois fins de semana por mês, o espaço reuniu 25 expositores, apresentações musicais e 2 mil visitantes nos dois primeiros dias.

Na parte interna, traz grafites de 12 artistas convidados pelo arquiteto do projeto, Gabriel Menezes, do Estúdio 011. “A ideia é trazer a arte de rua para dentro do prédio, para quem entra se sentir na rua”, ressalta o arquiteto.

A 1,5 quilômetro dali, um casarão foi inaugurado neste mês na esquina da Rua Guaianases com a Alameda Nothmann, em Campos Elísios. O proprietário, que recebeu a casa há dois anos, batizou o local de Casa Don’Anna em homenagem à sua avó Anna Silva Telles, primeira moradora do imóvel. O casarão poderá ser reservado para eventos e terá um espaço de coworking; o porão abrigará o Café Paulista; e o quintal receberá o Jardim das Orquídeas, um ponto de encontro para amantes da planta, de acordo com um dos responsáveis pelo espaço, Sergio Oyama.

Conjunto de imóveis

Construída em 1912 com projeto do escritório de Ramos de Azevedo, a Casa Don’Anna foi tombada pelo Estado em 2013 dentro do “Conjunto de Imóveis do Campos Elísios”.
Dele, faz parte também a fachada de sobrados da esquina da Alameda Barão de Piracicaba com o Largo Coração de Jesus, na antiga Cracolândia, que passa por um processo de revitalização, bancado pelos irmãos Flávio e Célia Gomes Torres, de 55 e 51 anos, respectivamente.

De acordo com Flávio, a recuperação da fachada é um antigo sonho de seu pai, o imigrante português Isolino Gomes Torres, que, a partir da década de 1950, comprou aos poucos os sete pequenos imóveis que hoje compõem o casarão. A ideia, contudo, antes era inviável por causa da aglomeração de usuários de droga na região.

“O prédio merecia um trato, até pela situação do bairro em si. É nossa obrigação colaborar”, diz. “Se fosse em Paris, um prédio lindo desse, a gente estaria feito, mas o contexto não valoriza”, completa o empresário.

Mesmo nos momentos mais difíceis, Célia não cogitou vender o imóvel, que assumiu com o irmão após o pai adoecer, em 2014. “Uma vez eu vi o forro: as madeiras são encaixadas de um jeito diferente, lindo”, conta.

Ela afirma que o imóvel foi um dos que menos sofreu com a degradação da região, porque o pai era criterioso com os moradores, muitos dos quais são os mesmos há décadas, como a diarista Maria Júlia Santana, de 54 anos. Amante de “coisas antigas”, ela diz que não se imagina vivendo em outro local. “Casei aqui, tive filha aqui (hoje com 27 anos). Quando precisava, o seu Isolino até dava uma olhada nela”, conta.

Autoestima

Feita pela Companhia do Restauro, a obra é uma “conservação para aumentar a autoestima do bairro”, define o diretor e arquiteto Francisco Zorzete. A restauração total é avaliada em mais de R$ 1,5 milhão, valor que a família não pretende investir agora.
Neste momento, o destino da região é avaliado por um conselho, composto por representantes da sociedade civil e do poder público, criado pela Prefeitura, que chegou a considerar a demolição no início do ano. “Todos os imóveis com fachadas tombadas serão preservados em qualquer proposta de requalificação do perímetro”, disse o Município, em nota.
Proprietário relata cansaço em luta por restauração

O número 267 da Rua Pedroso foi o lar de quatro gerações da família Sohn. Mais do que isso, contudo, o casarão, construído em 1927, é uma causa abraçada há 15 anos por um de seus herdeiros, o ator Paulo Goya, de 66 anos. Mesmo integralmente dedicado ao imóvel, tombado em 2002 pelo Município, ele relata cansaço nessa luta.
Desde 2005, calcula ter gasto quase R$ 1 milhão, junto com a irmã e dois primos, em obras e manutenção do Espaço Cultural Dona Julieta Sohn, conhecido como Casarão do Belvedere. “Se eu, com toda a minha experiência, minha vontade e meu desejo de preservação enfrento montanhas intransponíveis, imagina o coitado do proprietário que tem um imóvel de 50 metros quadrados tombado como bem”, lamenta ele, que relata ter recebido a notícia do tombamento por uma ligação de uma familiar que estava na ocasião “aos prantos”.

Com um fomento federal recentemente barrado na Justiça, Goya afirma que a estrutura do telhado da casa está tão comprometida que grande parte das atividades ocorre em um imóvel anexo. Mesmo com as dificuldades, ele afirma, que não vai desistir. “Até o fim da minha vida me verão defendendo esse patrimônio, essa casa, esse projeto. Não me calarão.”
A criação de um fundo para imóveis tombados é defendida pela arquiteta Nadia Somekh. “Os proprietários nem sempre têm recursos necessários para o restauro”, diz. Segundo ela, embora seja uma das principais alternativas para obter recurso, a Transferência do Direito de Construir (TDC) é “incipiente” por cauda da quantidade de tombamentos da cidade, mais de 3,5 mil.
Na prática, o TDC permite a “venda” da metragem construtiva não utilizada do terreno tombado para um terceiro, que poderá aplicá-lo em outro local.

Para o presidente do departamento paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), Fernando Túlio Salva Rocha, ainda falta apoio técnico público para orientar os herdeiros sobre como conseguir recursos para requalificar propriedades antigas tombadas da cidade.
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Matéria de Priscila Mengue para o jornal “O Estado de S. Paulo”, em 18/09/17.

Carta-manifesto pela democracia

A carta abaixo foi produzida a partir de mobilização iniciada por artistas e críticos de arte, ganhando a adesão de diversos setores da sociedade civil - professores, historiadores, cineastas, escritores, arquitetos, designers, jornalistas, fotógrafos, médicos, membros de movimentos sociais, etc.- para fazer frente à onda ultraconservadora que ameaça os direitos individuais, civis e sociais nestes país. +

Somos artistas, intelectuais e profissionais de várias áreas, que temos nos manifestado conjuntamente pela defesa da democracia desde 2015 e que, agora, nos colocamos ao lado das recentes iniciativas contra o recrudescimento da onda de ódio, intolerância e violência à livre expressão nas artes e na educação. Ódio, intolerância e violência que já vêm sendo impressos há tempos contra mulheres, homossexuais, negros e índios.

Somos radicalmente a favor da liberdade de expressão e circulação de ideias, crenças, informações e expressões artísticas. E evidentemente, acreditamos no livre debate de todas essas expressões.
Achamos, todavia, que é preciso nomear os focos de ataque às liberdades. Ficou evidente que militantes de direita, segmentos de igrejas neopentecostais, alguns políticos de grande responsabilidade pública – e sem espírito republicano –, membros da burocracia de estado no judiciário, da polícia e do Ministério Público estão atuando em conjunto contra produções e instituições artísticas. Eles censuram exposições, assediam os visitantes e funcionários dos museus e usam de redes sociais para detratar e ultrajar pessoas das quais discordam. Arrogantes, tais fundamentalistas evitam a leitura mais atenta dos trabalhos e saem à caça de indícios de indecência, leviandade, pornografia e heresia. Não há debate intelectual, não há questionamento, só violência e intolerância.

Foi assim que milícias reacionárias e antidemocráticas conseguiram provocar de maneira abrupta o encerramento da exposição Queermuseu, no Santander Cultural, de Porto Alegre (RS). Em setembro, a polícia retirou a pintura Pedofilia, de Alessandra Cunha, do Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande (MS); depois a justiça proibiu a apresentação da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, no Sesc de Jundiaí (SP). Vale lembrar ainda que as mesmas milícias iniciaram uma campanha contra o Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP, por conta da performance La Bête, de Wagner Schwartz, com apoio irresponsável do prefeito de São Paulo, João Doria. E uma horda de fanáticos liderados pelo deputado João Leite tentou invadir o Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG), e destruir a produção de Pedro Moraleida.

Acreditamos também que não se trata de um ataque específico à produção artística. Mas trata-se de um fenômeno que começou a brotar em 2010 como oposição ao Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3); e que cresceu e foi adubado durante o processo de deposição da presidenta eleita Dilma Rousseff.

É óbvio que nem todos que foram a favor do impeachment sejam dessa linhagem antidemocrática. Mas estavam lá em peso os ativistas e agentes públicos arquiconservadores constrangendo pessoas de pensamento diverso. Eles que distribuíram adesivos para serem colados em tampas de tanque de combustível com a figura da presidenta em um contexto sexista, misógino e constrangedor; eles que atacaram políticos e militantes de esquerda em aviões, restaurantes e até em ambientes sensíveis como hospitais e velórios, eles que bateram e ameaçaram quem se vestia de vermelho.

Depois de consumado o impeachment – bem nomeado, um golpe parlamentar com a compra de votos de deputados capitaneada por Eduardo Cunha – passaram a subtrair ou tentar retirar um número significativo de conquistas obtidas pelos brasileiros a partir da Constituição de 1988. É assim que estão dia a dia limitando os direitos individuais, civis e sociais no Brasil, precarizando as condições de trabalho, ameaçando a liberdade de ensino nas escolas, a proteção ao meio-ambiente, a união de pessoas do mesmo sexo etc. Esse é o conjunto da obra que resulta do golpe de Estado.

Agora, o que necessitamos é ampliar ao máximo, acima de opções partidárias, ideológicas e religiosas, todas as forças democráticas para fazer frente, nas ruas, nas casas legislativas, nos tribunais e nos meios de comunicação disponíveis, às ameaças concretas às liberdades e conquistas sociais. Propomos a articulação de grupos, entre amigos e familiares, entre colegas de profissão para a organização de atos públicos e de ação nas redes sociais para defender e aprofundar o direito a um ambiente de livre circulação de ideias, e denunciar aqueles que querem ver o Brasil sem democracia.

1. Ad Ferreira – artista
2. Ada Maria Hennel - pesquisadora, produtora cultural e galerista
3. Adélia Borges - curadora
4. Adilson Citelli - professor universitário
5. Adilson Ruiz - cineasta e professor universitário
6. Adriana Aranha - artista
7. Adriana Nunes – bailarina
8. Afonso Tostes – artista
9. Akin Deckard - músico e produtor
10. Albano Afonso - artista
11. Alberto Martins – escritor e artista
12. Alejandra Saiz Sampaio – advogada
13. Alejandro Ahmed – coreógrafo
14. Alessandra Duarte - artista
15. Alexandre Boccanera – diretor e produtor teatral
16. Alexandre Brito Rocha – engenheiro
17. Alexandre Canonico - artista
18. Alexandre Casatti – jornalista
19. Alexandre Gomes Vilas Boas
20. Alexandre Teles - artista gráfico
21. Alexandre Wagner - artista
22. Alice Riff – cineasta
23. Alimir Almas – professor
24. Aluízio Palmar -jornalista e escritor
25. Álvaro Wolmer – designer
26. Amanda Melo da Mota Silveira - artista e professora
27. Amaury Santos – artista
28. Amelia Brandelli - artista
29. Ana Beatriz Rainer Jatene
30. Ana Elisa Egreja - artista
31. Ana Gilioli - psicóloga e rolfista
32. Ana Laura Malmaceda – jornalista
33. Ana Luiza Fonseca - artista
34. Ana Maria de Niemeyer – antropóloga
35. Ana Maria Tavares – artista
36. Ana Paula Gomes Marquese – professora
37. Ana Paula Oliveira - artista
38. Ana Paula Siqueira - relações públicas/social mídia
39. Ana Prata – artista
40. Ana Takenaka - artista
41. André Albert - editor, revisor
42. André Brito Dias Neri - arquiteto, urbanista e músico
43. André Komatsu – artista
44. André Parente - artista e professor da UFRJ
45. Andrea M.A.C. Loparic - professora universitária
46. Andrei Rubina Thomaz – artista
47. Andrés Sandoval - artista gráfico
48. Anelis Assunção - cantora e compositora
49. Angelica Freitas - poeta
50. Angelo Venosa – artista
51. Anna Linnemann – artista
52. Antônio José Silva de Souza
53. Antonio Munarim - educador
54. Audrey Landell de Moura - psicóloga
55. Augusto Bartolomei - fotógrafo
56. Áurea Lopes - jornalista
57. Azeite de Leos - artista, educador
58. Azul Serra – diretor de fotografia
59. Barbara Cunha - fotógrafa e realizadora audiovisual
60. Barbara Daniselli - memória web
61. Barbara Elisabeth Neubarth - psicóloga
62. Barbara Eugenia - cantora e compositora
63. Bárbara Wagner - artista
64. Barrão – artista
65. Beatriz Morelli – atriz e educadora
66. Beatriz Nakagawa Matuck - arquiteta
67. Beatriz Stucchi - psicanalista
68. Beatriz Toledo – artista
69. Bela Sister – psicanalista
70. Benjamin de Burca – artista
71. Benjamin Seroussi - diretor da Casa do Povo
72. Bernardo Carvalho – escritor
73. Bernardo Mosqueira – curador
74. Bernardo Oliveira - crítico e professor (UFRJ)
75. Bernardo Ortiz - artista
76. Beto Salvi – arquiteto
77. Beto Shwafaty – artista
78. Bettina Vaz Guimaraes – artista
79. Bianca Barbato – designer
80. Bianca Turner – artista
81. Breno Serson - psiquiatra
82. Bruno Dunley – artista
83. Bruno Galan - fotógrafo e cineasta
84. Bruno Guida - ator e diretor
85. Bruno Mendonça - artista
86. Bruno Moreschi – artista
87. Bruno Schultze – artista
88. Cabelo – artista
89. Caio Reisenwitz – artista
90. Cadu - artista
91. Camila Nunes - produtora
92. Camila Rios - atriz e fotógrafa
93. Camila Schmidt – cenógrafa
94. Camila Sposati – artista
95. Camile Sproesser - artista
96. Camilla Rios - atriz e fotógrafa
97. Cao Guimarães - artista e cineasta
98. Carla Caffé - artista
99. Carla Guagliardi – artista
100. Carlos Alberto Dória - sociólogo
101. Carlos Alberto Fajardo - artista e professor universitário (USP)
102. Carlos Dadoorian – artista
103. Carlos Henrique Christofani – designer
104. Carlos Nunes - artista
105. Carlos Russo Junior - escritor
106. Carolina Aboarrage - designer
107. Carolina Caffé – documentarista
108. Carolina Freitas da Cunha - atriz
109. Carolina Murara Gorin - fotógrafa
110. Carolina Veiga - produtora e artista
111. Carollina Lauriano - curadora independente
112. Cauê Alves – curador do MUBE de professor (PUC–SP)
113. Cesar Fujimoto - artista
114. Cesar Oiticica Filho – cineasta, artista e curador
115. Chiara Banfi – artista
116. Chico Zelesnikar – arquiteto
117. Cibele Forjaz - diretora de teatro, docente e pesquisadora - ECA/USP
118. Cilmara Bedaque - jornalista, compositora e poeta
119. Cinthia Marcelle – artista
120. Cíntia Domit Bittar - roteirista, produtora, diretora e montadora
121. Clarice Hoffmann - jornalista e produtora cultural
122. Clarissa Diniz – curadora do MAR- Museu de Arte do Rio
123. Claudia Caroli
124. Claudia Leme Ferreira Davis - educadora e psicóloga
125. Claudia Medeiros, artista e militante
126. Cláudio Cretti – artista
127. Cris Bierrenbach – artista
128. Cristina Canale – artista
129. Cristina Candeloro
130. Cristina Catunda – especialista em meio ambiente pelo IFC
131. Dandara Ferreira – cineasta
132. Daniel Castanheira Pitta Costa – servidor público federal
133. Daniel Lie - artista
134. Daniela Castro – curadora
135. Daphne Carvalho - servidora pública federal
136. Darci Miyaki
137. David Galasse – designer gráfico
138. David Menezes
139. Deborah Osborn - produtora
140. Demetrio Portugal – curador, produtor cultural
141. Denise Mendonça Teixeira – arquiteta
142. Diana Almeida - produtora de cinema
143. Diego Castro - artista
144. Diego Matos - pesquisador e curador
145. Ding Musa – artista
146. Edith Derdyk - artista e educadora
147. Edouard Fraipont – artista e fotógrafo
148. Edu Marin Kessedjian - artista
149. Eduardo Duwe – documentarista
150. Eduardo Fernandes – artista
151. Eduardo Gonçalves – produtor
152. Eduardo Ortega – fotógrafo
153. Elcio G Oliveira Fo - psicanalista
154. Eleonora Menicucci – professora - UNIFESP e ex-Ministra de Políticas para as Mulheres
do Governo Dilma Rousseff
155. Eli Sudbrack – artista
156. Eliana Finkelstein - galerista
157. Eliane Caffe – cineasta
158. Emiliano Homrich Neves da Fontoura – arquiteto
159. Enk te Winkel – arquiteto
160. Erminia Maricato - professora aposentada (USP)
161. Estandelau dos Passos Elias Jr. - artista, designer e educador
162. Everton Ballardin – fotógrafo
163. Fábia Karklin – artista
164. Fábio Cypriano - jornalista e crítico de arte
165. Fábio Kerche - cientista político
166. Fabio Miguez - artista
167. Fabio Morais - artista
168. Fabio Tremonte - artista
169. Fabricio Corsaletti – poeta
170. Fátima Regina Fernandes – aposentada
171. Felipe Scovino - crítico, curador e professor (UFRJ)
172. Fernanda Brenner - curadora e diretora artística Pivô
173. Fernanda Mendes – artista
174. Fernando Velázquez – artista
175. Flamínio Jallageas – artista
176. Flavia Albegaria Raveli - psicanalista e historiadora
177. Flávia França
178. Flavio Botelho - diretor e produtor audiovisual
179. Flávio Cerqueira – artista
180. Flora Leite – artista
181. Frederico Finelli - produtor
182. Frederico Guilherme Bandeira de Araujo - professor universitário
183. Gabriel Lindenbach - produtor cultural
184. Gabriel Zimbardi - produtor
185. Gabriela Greeb – cineasta
186. Georgia Kyriakakis – artista
187. Geraldo Moreira Prado - cientista social
188. Germana Monte Mor - artista
189. Giorgio Ronna – artista e curador
190. Gisela Motta - artista
191. Giulia Puntel - artista
192. Glória Ferreira - crítica de arte
193. Guido D Elia Otero – arquiteto e urbanista
194. Guilherme Ginane – artista
195. Guilherme Granado – músico
196. Guilherme Luna Freire
197. Guilherme Paccola - músico
198. Guilherme Peters - artista
199. Gustavo Delonero – arquiteto
200. Gustavo Guimarães – produtor, roteirista e diretor
201. Gustavo Infante - músico
202. Gustavo Torrezan - artista
203. Gustavo Vidigal – sociólogo
204. Gustavo Von Ha – artista
205. Hank Nieman - artista
206. Helena Albegaria – atriz
207. Helena Musa – designer
208. Henrique Guinsburg Saldanha
209. Hildebrando Fernando Albuquerque de Castro Leão
210. Hilton Ribeiro – fotógrafo
211. Iara Rolnik – socióloga
212. Ilê Sartuzi - artista plástico e pesquisador
213. Iñaki Domingo – artista
214. Inês Stockler - cantora lírica
215. Ione Koseki – tradutora pública
216. Iran do Espírito Santo – artista
217. Irene Small - historiadora da arte (Princeton)
218. Iris Kantor - professora do Departamento de História (FFLCH USP)
219. Isabella Guimarães – produtora
220. Isabella Marcatti - editora
221. Isabelle Passos - estudante, artista
222. Ivo Mesquita - pesquisador e curador independente
223. Jac Leirner – artista
224. Jaime Lauriano – artista
225. Janaína Mariano de Sobral
226. Janete Frochtengarten – psicanalista
227. Janez Jansa – artista (Eslovenia)
228. Jimmy Leroy – artista
229. João Galera – artista
230. João GG - artista
231. João Guimarães – músico e ilustrador
232. João Laia - curador independente
233. João Luis Musa –professor (ECA USP)
234. João Modé – artista
235. João Nitsche - arquiteto
236. João Paulo Accacio - artista
237. João Quartim de Moraes - professor aposentado (Unicamp)
238. Joaquim Toledo Jr. – professor e editor
239. Jorge Mascarenhas Menna Barreto – artista
240. Jorge Mauricio H. Acuna – doutorando em antropologia social (USP)
241. Jorge Schwartz – professor e diretor do Museu Lasar Segall
242. José Fujocka – artista
243. José Roberto Eliezer – diretor de fotografia
244. Júlia Ayres - figurinista
245. Julia Bock - produtora de cinema
246. Julia Kater – artista
247. Julia Morelli - Galerista
248. Julia Portella – produtora
249. Julia Rebouças – curadora
250. Julia Rodrigues – estudante e artista
251. Juliana Carvalho - produtora
252. Juliana de Arruda Sampaio – analista de marketing
253. Juliana Frontin – musicista
254. Juliana Vettore – jornalista
255. Juliana Ziebell - arquiteta e urbanista
256. Julie Dumont – artista
257. Júlio César Senra Barros - Funcionário público aposentado, Detran RJ
258. Julio Dui - designer gráfico
259. Jurandy Valença - artista e gestor cultural
260. Karen de Picciotto- artista
261. Karlla Girotto – artista
262. Katia Fieira - artista
263. Keila Alaver - artista
264. Keila Costa - arquiteta e urbanista
265. Kenarik Boujikian - juiza TJSP, cofundadora da Associação Juízes para a Democracia
266. Kiki Mazzuccheli – curadora
267. Klaus Mittledorf – fotógrafo
268. Lais Myrrha - artista
269. Laura Gorski – artista
270. Laura Maringoni - gestora cultural
271. Laura Vinci - artista plástica
272. Laurindo Leal Filho – jornalista e professor universitário
273. Lea van Steen - video-artista
274. Leandro Ramos - ator, diretor de TV e roteirista
275. Leda Kfouri - artista
276. Leticia Zioni – jornalista
277. Letissa Martin Kanawati – artista
278. Lia Chaia – artista
279. Lia Zatz – escritora
280. Lianna Matheus – atriz
281. Ligia Lima – jornalista
282. Lilian Tone - curadora, The Museum of Modern Art, New York
283. Lira Yuri – produtora
284. Livia Ziotti
285. Lourival Cuquinha – artista
286. Luana Lins – artista
287. Lucas Arruda – artista
288. Lucas Bambozzi - artista e professor
289. Lucia Belicanta
290. Lúcia de Fátima Guerra Ferreira - Historiadora (Profa. Titular Aposentada/UFPB)
291. Lucia Koch – artista
292. Lúcia Rincón - Professora, PUC Goiás
293. Luciana Caetano – bailarina
294. Luciana Pires Azanha
295. Lucio Bichara – arquiteto
296. Lucio Fleury – arquiteto
297. Luís Felipe Roscoe Maciel - funcionário público
298. Luis Rheingantz Barbieri – comerciante
299. Luisa Duarte - escritora e curadora independente
300. Luisa Meyer – artista
301. Luiz Augusto Marcondes Fonseca - médico
302. Luiz Eduardo de Siqueira S. Thiago - Advogado, Procurador Jurídico Municipal
303. Luiz Zerbini – artista
304. Luiza Bernardes – empresária
305. Luiza Mello - produtora cultural
306. Macau Amaral - diretor
307. Magda Barros Biavaschi - juíza aposentada
308. Manoel Veiga - artista plástico
309. Marcela Lordy – cineasta
310. Marcelo Barbara – geólogo
311. Marcelo Brodsky - artista (Argentina)
312. Marcelo Calheiros - engenheiro e produtor
313. Marcelo Cidade - artista
314. Marcelo Cipis, artista
315. Marcelo Zocchio - artista
316. Marcia Elisa da Silva Werneck - Assistente Social
317. Marcia Vinci - produtora executiva
318. Marcia Xavier – artista
319. Marcio Pereira Marianno - artista
320. Márcio Seligmann-Silva - professor (IEL – Unicamp)
321. Marcius Galan - artista
322. Marco A. Donini – arquiteto
323. Marco Antonio Mota - artista
324. Marco Antonio Santos - Psicólogo e Educador
325. Marco Cepik - professor (UFRGS)
326. Marco Mello – galerista
327. Marcone Moreira - artista plástico
328. Marcos Chaves – artista
329. Marcos Gallon - diretor artístico do festival Verbo
330. Marcos Gerez – músico
331. Marcy Junqueira Sallowicz – jornalista
332. Margarida Amaral Lopes - assistente social
333. Maria Abramo Caldeira Brant – jornalista
334. Maria Amelia Mattos Silveira - gerente
335. Maria Aparecida Kfouri Aidar – psicanalista
336. Maria Carolina Accioly – psicanalista
337. Maria Chiaretti, pesquisadora de cinema
338. Maria Claudia Nogueira Zerbini
339. Maria da Penha Brant – educadora
340. Maria de Oliveira Soares – produtora
341. Maria Francisca Araújo de Mendonça
342. Maria Lygia Quartim de Moraes – sociologa (Unicamp)
343. Maria Marta Azzolini - psicanalista
344. Maria Victória Benevides – socióloga e professora universitária
345. mariana de oliveira costa - bailarina, coreógrafa e arte-educadora
346. Mariana Lacerda – documentarista
347. Mariana Pinheiro Gabetta - fotografa
348. Mariana Serri - artista e educadora
349. Mariano Klautau Filho - artista e professor (Unama)
350. Marilá Dardot - artista
351. Marilia Bonas - Memorial da Resistência de São Paulo
352. Marilia Vasconcellos - fotógrafa e artista
353. Marina Buendia - galerina
354. Marina Camargo - artista
355. Marina Matulja - Arquiteta e Urbanista
356. Marina Rheingantz – artista
357. Mario Augusto Jakobskind- Jornalista
358. Mario Cappi – músico
359. Mario Ramiro – artista
360. Marion Velasco – artista
361. Marko Mello - designer
362. Marta Gil - consultora para a Inclusão de Pessoas com Deficiência
363. Marta Nehring – roteirista
364. Mateus Araujo – crítico de cinema e professor (ECA – USP)
365. Mateus Potumati - diretor de conteúdo
366. Maurício Ianês – artista
367. Mauricio Takara – músico
368. Mauro Garcia Dahmer - músico e documentarista
369. Mauro Pergaminik Meiches – psicanalista
370. Mauro Restiffe – fotógrafo
371. Michael Asbury - crítico e historiador da arte, curador e professor na Chelsea
College of Arts Londres
372. Miguel Chaia – professor universitário
373. Miguel Lacombe Goes de Vasconcellos – arquiteto
374. Milton Hatoum – escritor
375. Mirza Pellicciotta – historiadora
376. Moacir dos Anjos - pesquisador e curador da Fundação Joaquim Nabuco
377. Monique Schenkels – artista
378. Munir Murad – oncologista
379. Mylenne Signé - chef
380. Nathalia Zemel - assistente de curadoria e pesquisa
381. Nick Neves – ilustrador
382. Nina Moraes – artista
383. Noemi Moritz Kon – psicanalista
384. Noris Lima – designer gráfica
385. Norma Lacerda Gonçalves - urbanista, professora da UFPE
386. Nuno Ramos – artista
387. Og Doria - Geografo e administrador publico
388. Olga Falceto - psiquiatra e psicoterapeuta
389. Olivia Lenzi Cerri – fisioterapeuta
390. Orlando Maneschy - artista, professor e curador da coleção Amazoniana de arte (UFPA)
391. Otávio Zani - Artista plástico
392. Paloma Bosquê – artista
393. Patricia Gomide de Recoder - produtora de arte
394. Patricia Leite - artista
395. Patricia Moran – cineasta
396. Paula Borghi – curadora
397. Paula Garcia - artista
398. Paula Signorelli - pesquisadora e gestora cultural
399. Paula Tinoco - desenhista gráfica
400. Paulo Caldas - diretor audiovisual
401. Paulo Miyada – curador do Instituto Tomie Ohtake
402. Paulo Monteiro – artista
403. Paulo Nimer Pjota - artista
404. Paulo Pasta – artista
405. Paulo Teixeira – aposentado
406. Pedro Lopes dos Santos Keppler – artista
407. Pedro Moraes Barbosa - colecionador/ investidor
408. Pedro Musa – psicólogo
409. Pedro Potumati - consultor de marketing
410. Pedro Rivera – arquiteto
411. Pedro Vicente de Azevedo Alves Pinto
412. Peter Pál Pelbart - filósofo, professor titular (PUC-SP) e editor
413. Petra Costa – cineasta
414. Pierre Lauwens – artista
415. Pollyanna Melo - produtora executiva
416. Rafa Campos Rocha – cartunista
417. Rafael Abdala – artista
418. Rafael Assef - artista
419. Rafael Carvalho - gestor cultural
420. Rafael de Bivar Marquese – historiador e professor (FFLCH – USP)
421. Rafael Mendonça – jornalista, editor do site O Beltrano
422. Rafael Silvares - artista
423. Raphael Felipe de Souza Rodrigues - analista de faturamento
24. Raquel Bambozzi – psicóloga
425. Raquel Garbelotti - artista
426. Raul Dias Reyes – artista
427. Regina Petrus
428. Rejane Maria de Melo Moreira - professora
429. Rejane Melo – artista
430. Renata De Bonis – artista
431. Renata Lucas – artista
432. Renata Terepins
433. Renata Ursaia – artista
434. Renato Heuser – artista
435. Renato Leal - artista
436. Rene Melo – cabeleireiro
437. Ricardo Heder – designer
438. Ricardo Kignel – terapeuta
439. Ricardo Pereira - montador e músico
440. Ricardo Resende - curador
441. Ricardo Sardenberg – curador
442. Ricardo Targino – cineasta
443. Rita Carelli - atriz, diretora, escritora e ilustradora
444. Rivane Neuenschwander - artista
445. Roberta Calza - atriz e documentarista
446. Roberta Dabdab - fotógrafa e artista
447. Roberta Kehdy - psicanalista
448. Roberto Amaral - ex-presidente do PSB, ex-ministro de Ciência e Tecnologia
449. Roberto Audio – ator
450. Roberto Setton – fotógrafo
451. Rochelle Costi – artista
452. Rodolfo Borbel Pitarello - artista e educador
453. Rodrigo Andrade – artista
454. Rodrigo Araújo – artista
455. Rodrigo Arruda – jornalista
456. Rodrigo Bivar – artista
457. Rodrigo Braga – artista
458. Rodrigo Moura - curador
459. Rodrigo Naves – critico de arte e professor
460. Rodrigo Sassi – artista
461. Rodrigo Siqueira – cineasta
462. Rogério Barbosa – artista
463. Roldão Arruda - jornalista
464. Rosa Iavelberg - professora da Universidade de São Paulo
465. Rose Nogueira - jornalista
466. Rubens Mano – artista
467. Salomão Sister Sobrinho – arquiteto
468. Samantha Moreira - curadora e gestora do Chão SLZ e Ateliê Aberto
469. Sâmia Bomfim - vereadora (São Paulo)
470. Sandra Antunes Ramos – artista
471. Sandra Cinto - artista
472. Sandra Musa – médica
473. Sandra Oksman - diretora de planejamento (Pivô)
474. Sara Müller - artista
475. Sara Ramo – artista
476. Sérgio Peralta – designer
477. Sergio Romagnolo – artista
478. Sérgio Sister – artista
479. Sidarta Ribeiro - neurocientista e professor universitário
480. Sidnei Pereira - curador de artes cênicas
481. Silvana Zioni - professora
482. Silvia Lenzi – professora
483. Silvia Mariotti - artista
484. Sílvia Nogueira de Carvalho - psicanalista
485. Silvio Dworecki - artista e professor (FAU USP)
486. Silvio Hotimsky, professor e psicanalista
487. Sofia Lotti Carvalho Dias - artista
488. Sônia Andrade – artista
489. Sonia Goldfeder - socióloga e jornalista
490. Sônia Irene Silva do Carmo - professora aposentada (Unesp)
491. Sonia Nussenzweig Hotimsky - professora de Antropologia - FESPSP
492. Soraia Bento - psicanalista
493. Suzane Eliza Camilla Gabriela de Fontes Rios
494. Sylvia Werneck - crítica e curadora independente
495. Tadeu Chiarelli - professor titular USP
496. Taísa Palhares – critica de arte, curadora e professora (Unicamp)
497. Tamara Tania Cohen Egler – professora
498. Tânia Gerbi Veiga - pesquisadora, professora e produtora cultural
499. Tata Amaral – cineasta
500. Tatiana Lohmann
501. Teodoro Poppovic – cineasta
502. Thais de Castro Faleiros – professora de yoga
503. Thais Ferrara – atriz
504. Thais Gouveia Correa Leite
505. Thais Rivitti - curadora
506. Thiago Martins de Melo – artista
507. Thyago Nogueira - editor e curador
508. Tiago Merheb aka Nicolas - DJ
509. Tiago Mesquita - crítico de arte e professor
510. Tuti Giorgi – arquiteto
511. Vado Mesquita, artista
512. Vanderlei Lopes Richarde - artista visual
513. Vania Catani – produtora
514. Vania Chene – arquiteta
515. Vera Chaia - professora universitária
516. Vera Egito – cineasta
517. Vera Regina J R M Fonseca - médica psiquiatra e psicanalista
518. Vera Soares - pesquisadora feminista
519. Victor Leguy - artista
520. Virginia de Medeiros – artista
521. Wagner Morales – artista
522. Yannick B Carvalho - professor
523. Yuli Yamagata Diana - artista
524. Yuri Firmeza – artista

O que é um museu?

Um ditado popular que diz que “quem vive de passado é museu”, que vem do fato de que museu ainda está relacionado a um lugar que guarda coisas antigas. Mas ao passar do tempo, o conceito de museu mudou e hoje lutamos para construir espaços que não sejam lembrados apenas como “guardiões” do passado, mas sejam verdadeiras fontes de informação e acesso. Matéria da Diretora do MSC-SP, June Locke Arruda originalmente publicada no jornal “O Estado de S. Paulo” (www.estadao.com.br), em 18/10/17. +

Quem nunca ouviu o ditado popular que diz que “quem vive de passado é museu”? Isso vem do fato de que museu ainda está relacionado a um lugar que guarda coisas antigas, que não têm mais utilidade para ninguém, ou, num linguajar mais popular, coisas velhas mesmo!

Contudo já paramos para pensar qual a origem dessa história? Quando e por que se começou a reunir peças e objetos em forma de coleções? Qual a relevância que essa instituição teve ao longo dos séculos e que magnitude ela tem nos dias de hoje? Vejamos.

A origem etimológica da palavra museu vem do grego e quer dizer musas. As musas eram entidades da mitologia grega, filhas de Zeus e de Mnemosine, a deusa da memória. A casa das musas era o mouseion, uma mistura de templo com instituição de pesquisa voltada para o saber filosófico, onde eram depositados objetos preciosos oferecidos às divindades em sinal de agradecimento. A partir de então, todo objeto reunido ou compilado num determinado espaço com o intuito de contar ou resgatar alguma área do conhecimento passou a ser relacionado à palavra museu.

Na Europa medieval, por exemplo, as coleções eram a principal prerrogativa das casas nobres e da Igreja Católica, sendo consideradas verdadeiras relíquias da cristandade. Tinham na sociedade uma importância econômica muito significativa e eram até utilizadas para financiar guerras e outras despesas de Estado.

Entre os séculos 16 e 17, com a expansão do conhecimento do mundo propiciada pelas grandes navegações, estabeleceram-se na Europa os primeiros museus conhecidos como “gabinetes de curiosidades”. Tratava-se de locais preparados especialmente para guardar coleções altamente heterogêneas e assistemáticas de objetos das mais variadas naturezas e procedências. Essas galerias eram essencialmente inacessíveis à população em geral e as coleções, expostas apenas às pessoas convidadas à residência do proprietário.

A mudança do conceito de museu está vinculada a um processo histórico, como resultado da mentalidade de uma época. No fim do século 19, acompanhando as transformações das ciências em geral, os museus especializaram-se, tomando um novo caráter, sem, no entanto, deixarem de ser conservatórios das mais altas formas do patrimônio cultural da humanidade.


O Museu do Louvre, em Paris, por exemplo, foi a primeira instituição a revolucionar os conceitos de relacionamento com o público. Ele foi considerado, desde o início, o “museu do povo”. Além da finalidade conservatória e documental de classificação, pesquisa, exposição e divulgação de conjuntos de objetos de interesse e valor artístico, científico e técnico, outras funções culturais, mais amplas, passaram a integrar as atividades dos museus a partir de então.

Tal fato veio ao encontro das novas exigências de uma época em que o avanço tecnológico e científico provindo do século 20 fez com que o homem se voltasse para novas experiências e se apegasse ao que é material para contar a sua história. E os museus, que antes eram “santuários” discretos e clubes fechados, passaram a ter como principal pressuposto a aproximação do público. Assim, as práticas colecionistas “antigas” foram dando lugar ao aprofundamento científico, interdisciplinar e educativo dos museus.

Podemos dizer que a reformulação conceitual do espaço dos museus, mesmo enfrentando avanços e retrocessos, ganhou novo impulso nos anos 70 e 80 do século passado, sendo lícito considerar essa reorientação como uma verdadeira revolução na concepção do museu público e a constituição de uma museologia moderna.

Em 1986, o Conselho Internacional de Museus (Icom), fundado no Brasil em 1948, definiu o museu como “uma instituição permanente sem finalidade lucrativa, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que realiza pesquisas sobre a evidência material do homem e do seu ambiente, as adquire, conserva, investiga, comunica e exibe, com a finalidade de estudo, educação e fruição”.

Assim, é fundamentada nessa concepção de museu trazida pelo Icom que abro espaço para falar de um museu que pouco se conhece, mas tem uma grande importância na história de São Paulo: o Museu da Santa Casa de São Paulo (MSC-SP), que ocupa parte do complexo hospitalar construído no ano de 1884, conhecido na época como “Castelo da Misericórdia”, projetado pelo então engenheiro e arquiteto Luiz Pucci.

O MSC-SP nasceu em 2000 pela iniciativa do irmão mesário Augusto Carlos Ferreira Velloso, que, junto com o novo milênio, veio presentear a população paulista com o resgate da memória e da história da irmandade, que ao longo das décadas se mistura com a história e a evolução da cidade. Instalado na provedoria da Santa Casa, o museu é composto por objetos religiosos, textuais, iconográficos, pinturas, esculturas, mobiliários e instrumentos médicos, entre outros, que nos ajudam a reconstruir essa importante parte da memória paulista, contada por meio de peças coletadas dentro da própria Santa Casa ou doadas por médicos e irmãos que por lá passaram.

O MSC-SP, como instituição museológica, busca aperfeiçoar sua prática diária valorizando o ensino e a pesquisa, aproximando o visitante, de forma a criar empatia, identidade e reconhecimento com essa instituição que ao longo dos séculos vem prestando serviços à sociedade.

Que os museus que lutamos para construir hoje não sejam lembrados apenas como “guardiões” do passado, mas sejam verdadeiras fontes de informação e acesso, garantindo à sociedade, com seu acervo, o estudo e a reflexão sobre um patrimônio cultural que contribui efetivamente para a formação da diversidade brasileira.
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Matéria da Diretora do MSC-SP, June Locke Arruda originalmente publicada no jornal “O Estado de S. Paulo” (www.estadao.com.br), em 18/10/17.

Ministro e deputados batem boca em audiência sobre "Queermuseu" e MAM

O que se viu em audiência na Câmara aproximou-se mais de um ringue que opôs ministro, deputados a favor "da família" estavam a um palmo de distância, em bate-boca com voz alterada e bombardeio de comentários absurdos dirigidos ao ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão. Até que Alberto Fraga (DEM-DF), que presidia a audiência pública, sugeriu: ou a sessão continua "ou vocês caem na porrada". Matéria de Anna Virginia Balloussier originalmente publicada no jornal “Folha de São Paulo” , em 18/10/17. +

A ideia era ouvir o ministro Sérgio Sá Leitão (Cultura) sobre o "Queermuseu", mostra gaúcha que, para críticos, fazia apologia a pedofilia e zoofilia, e a exposição no MAM paulistano que trouxe interação entre uma criança e um artista nu — ambas realizadas com incentivos fiscais da Lei Rouanet.
O que se viu em audiência na Câmara nesta quarta-feira (18), contudo, aproximou-se mais de um ringue que opôs ministro, deputados a favor "da família" e Glauber Braga (PSOL-RJ), voz solitária pró-mostras entre os colegas.

Já no fim do debate, apresentando-se como católico, Givaldo Carimbão (PHS-AL) perguntou se o ministro acharia razoável expor sua progenitora como artistas do "Queermuseu" o fizeram com Virgem Maria, a quem chamou de "minha mãe".

Obras da exposição cancelada satirizavam e sexualizavam a mãe de Jesus, como uma em que ela aparecia acalentando um macaco. Carimbão lançou a hipótese da mãe de Leitão retratada "de pernas abertas", com genitália à mostra.

Leitão se exaltou e, aos berros e com dedo em riste, acusou o deputado de "ofender minha falecida mãe".

"Ele baixou o nível e ofendeu diretamente a minha mãe, já falecida. De modo gratuito. Fez comentários absurdos. Superou o meu limite. Lamento profundamente", disse Leitão à Folha.

A audiência pública foi encerrada após a celeuma, gota d'água numa sessão acalorada que se estendeu por mais de duas horas.
A certa altura, Braga quase caiu no braço com Delegado Eder Mauro (PSD-PA). A um palmo de distância, em bate-boca com voz alterada, os dois foram apartados por seguranças da Casa e por um colega, Pastor Eurico (PHS-PE).

Mauro disse que não daria "porrada aqui dentro", mas estava disposto a levar a discussão às vias de fato fora da Câmara.
"Eu quero ver se tu é homem!", gritava o paraense a Braga, que respondeu com uma provocação: "Tá nervoso?".

"Tô defendendo criança inocente", rebateu o delegado. "Vai botar teu filho pra passar a mão em macho!", completou, com o dedo apontado para a cara do desafeto político.

Relembre polêmicas nas artes cênicas e visuais

O entrevero se alongou por quase cinco minutos, até que Alberto Fraga (DEM-DF), que presidia a audiência pública, sugeriu: ou a sessão continua "ou vocês caem na porrada".

Feliciano também brigou com Braga e o acusou de chamar sua mãe de "puta". Ameaçou deixar a sala e depois se desculpou pelo destempero ("a esquerda tira a gente do sério").

O clima no plenário 12 da Casa foi pesado do início ao fim.

Sob intenso bombardeio de deputados que evocavam a "defesa da família" contra a "imundice" da cena artística, Leitão lá estava como convidado a "prestar esclarecimentos sobre exposições realizadas com recursos públicos, onde foram constatados ilícitos penais que causaram reação social e que resultaram em conflitos com reflexo na segurança pública", conforme indicava a placa na porta.

Deputados questionaram a falta de uma condenação enfática do Ministério da Cultura às exposições, deram murros sobre a mesa para expor suas opiniões e levantaram cartazes com cenas das mostras que traziam "pornografia travestida de cultura".

A plateia foi dominada pela ala conservadora da Câmara, com vários membros da bancada evangélica, como Marco Feliciano (PSC-SP) e João Campos (PRB-GO), ex-presidente da frente religiosa. Também presente: a psicóloga Rozangela Justino, que trabalha no gabinete de um parlamentar aliado de Silas Malafaia, Sostenes Cavalcante (DEM-RJ), e que ficou conhecida por defender a terapia para pacientes homossexuais, apelidada de "cura gay".

Feliciano reclamou de obras do "Queermuseu", como a de "uma hóstia que trazia 'vagina' escrito".

Argumentou o deputado-pastor: a imprensa fez um "auê" quando, em 1995, um bispo da Igreja Universal chutou a imagem de uma santa. "Ok, isso foi crime", disse.

Mas por que a mídia se calou quando a mostra em Porto Alegre exibiu a performance "Atos da Transfiguração: Desaparição ou Receita para Fazer um Santo"?

Nela, o artista usa um ralador para transformar uma imagem de gesso de Nossa Senhora Aparecida em pó –depois jogado sobre seu corpo nu. Os episódios de 1995 e 2017 se equivalem no desrespeito à fé, segundo o deputado do PSC.

"Essas pornografias travestidas de cultura" estão "virando moda no Brasil", e tudo às custas do contribuinte, disparou Laerte Bessa (PR-DF). "A Constituição não fala em pornografia." Não adianta querer se impor isso num país com o nisso, que é um país de família."
Glauber Braga questionou: o que seus colegas querem? Que projetos, para usufruirem da Rouanet, passem por uma comissão avaliadora com Silas Malafaia e Feliciano?

Leitão se posicionou contra o "dirigismo cultural" e afirmou que "a liberdade de criação, expressão e manifestação" são direitos resguardados pela Constituição.

"Não podemos de maneira nenhuma incorrer na questão da censura."

O que não quer dizer que limites inexistam, continuou o ministro. Para evitar desrespeito ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), exposições devem ter classificação indicativa por força de lei, como já acontece no audiovisual, defendeu.

Feliciano rebateu: em certos casos, a classificação deveria ser "proibitiva, e não apenas indicativa", já que há pais dispostos a levar seus filhos para conferir obras "inadequadas". Foi o caso, a seu ver, da mãe da menina que interagiu com um homem nu no MAM.

Alberto Fraga abriu audiência criticando o "Quérmuseu" (colegas logo corrigiram a pronúncia aportuguesada para "Queermuseu", e ele riu e se desculpou: "Não sei falar inglês").

"As crianças que visitaram a mostra foram expostas a vídeos criminosos", afirmou, destacando um deles, em que "um homem recebe jato de sêmen". Também se mostrou desgostoso com o trabalho que faz alusão ao tumblr "Criança Viada", "muito apreciado pela comunidade LGBT".
"A virtude está no meio", afirmou Leitão. Citava Aristoteles para propor um diálogo "ponderado" que conciliasse os dois lados. Por hoje, ao menos, nada feito.

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Leia na íntegra a nota enviada pelo Ministério da Cultura:

O Ministério da Cultura vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1) A convite das Comissões de Cultura e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, participou hoje de audiência pública na câmara dos deputados;

2) Em sua fala, o ministro tratou da posição do Ministério da Cultura em relação a exposições artísticas realizadas recentemente em Porto Alegre e São Paulo, e prestou os esclarecimentos pedidos pelos deputados;

3) Sá Leitão reforçou a posição do MinC favorável à extensão da classificação indicativa para exposições de artes visuais;
4) O ministro respondeu com serenidade a todas as perguntas e compartilhou as informações pedidas, reafirmando sua convicção de que o assunto deve ser tratado com equilíbrio e racionalidade;

5) Em determinado momento da audiência, houve colocações ofensivas dirigidas ao ministro, sem qualquer relação com o objeto ou com o tom do conjunto da audiência.Diante das repetidas ofensas, o ministro encerrou sua participação;

6) Após o incidente, o deputado Alberto Fraga, da Comissão de Segurança, ligou para o ministro Sá Leitão e pediu desculpas em nome da Comissão e dos deputados que a compõem. O deputado Thiago Peixoto, presidente da Comissão de Cultura, fez o mesmo;

7) O ministro reitera seu respeito a todos os parlamentares e ao Congresso Nacional, e seu desejo de construir um debate amplo e respeitoso, fundado no verdadeiro diálogo, que possa contribuir de fato para o fortalecimento da cultura, da democracia e do estado de direito em nosso país.
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Matéria de Anna Virginia Balloussier originalmente publicada no jornal “Folha de São Paulo” (www1.folha.uol.com.br), em 18/10/17.

“Tragam seus filhos para ver gente nua”

Pais que levaram os filhos para ver “gente nua” em museu de Paris falam da tentativa de censura à arte no Brasil. Artigo de Willy Delvalle , de Paris, publicado no portal http://www.diariodocentrodomundo.com.br +

Uma campanha para incentivar os pais a levar os filhos para ver gente nua. Poderia ser no Brasil, mas é no Museu d’Orsay, em Paris.
Há dois anos, banners com a mensagem “tragam seus filhos para ver gente nua” foram espalhados pelo transporte público da cidade, o que, de acordo com os organizadores, foi um sucesso e não resultou em polêmicas.
A proposta é retomar a campanha neste mês. Depois que o artista Wagner Schwartz foi acusado de pedofilia, junto com o Museu de Arte Moderna de São Paulo, depois de um vídeo que uma criança toca o corpo dele nu durante uma performance, imagino se uma ideia como seria posta em prática no Brasil.
Perguntei a visitantes do D’Orsay, que é repleto de esculturas e quadros representando a nudez, o que eles pensam tanto sobre a campanha e também expliquei a eles o ocorrido no Brasil.
Para a francesa Martine, de 57 anos, a iniciativa francesa é muito boa. “É uma outra maneira de ver o corpo, interpretada pelos artistas de uma outra época, quando o corpo não tinha a mesma visão que hoje”.
Ela, cujo filho tem 32 anos, disse que se ele fosse criança o traria do mesmo modo ao museu, “sem nenhuma dificuldade”.
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Para Martine, o que ocorreu no Brasil foi um exagero. “Pedofilia não tem nada a ver com isso. Há um artista que tira fotos de pessoas nuas, fotos magníficas. Não tem nada de chocante”, opina.
O inglês Peter, 80, traria o neto. “É importante que as crianças apreciem a arte”, afirma. Sobre o caso do Brasil, ele acredita que a orientação cabe aos pais. “A criança precisa entender que não é sexual, que é arte. O papel dos pais é fazê-la entender isso e observar suas crianças. O mais importante é que a criança que vá assistir a uma performance como essa tenha a maturidade necessária.”
O alemão Holger, 50, tampouco vê problemas na nudez. No entanto, ele avalia que essa percepção depende da cultura. “Aqui na Europa, é menos complicado do que em outras partes do mundo. Às vezes, coisas que têm a ver com religião são muito diferentes. É uma questão de tempo que as coisas se tornem mais fáceis”, declara.
Alessandra, italiana de 56 anos, defende que a nudez pode ser interpretada e apreciada de outro modo quando o assunto é arte. “Para não chegar à pornografia, depende da idade das crianças, da educação cívica e moral”, observa.
No caso específico do Brasil, ela diz que as instalações modernas não devem ultrapassar “a moral pública e individual”.
E que “se isso (uma criança poder tocar o corpo de um artista nu) fazia parte de uma interpretação artística… Depende de qual parte do corpo. Eu acho que não é grave”, pondera.
A americana Susan, 71, discorda da reação de setores da sociedade brasileira à performance de Schwartz. Perguntada sobre a campanha do museu francês, ela traria seus filhos sem problema algum. “É história. É um trabalho clássico. As crianças precisam ver isso”, diz.
Seu conterrâneo Bill, 61, não vê problemas em nenhum dos casos. “É parte da vida. Um fato da vida. Isso aparece nos livros. Se apresentado corretamente pelos pais, não há problema”.
A também americana Liana, 42, trouxe a filha Sofia, 11, para visitar o museu. Para ela, nudez na arte é uma forma de apreciar a forma humana. E ela mesma pergunta à filha o que acha. “Eu não gostaria de ver isso (risos)”, diz Sofia, 11.
A russa Julia, 43, que veio acompanhada do filho adolescente e da irmã, também avalia como parte da arte ver pessoas nuas, mas critica a possibilidade de uma criança tocar o corpo de um artista.
“Ele poderia pensar melhor sobre as consequências e não fazer isso”. Mesmo assim, ela discorda do ponto a que chegaram as críticas. “Não é correto acusá-lo de pedofilia”.
Também encontrei brasileiros. O primeiro aceitou dar entrevista, mas decidiu interrompê-la logo no início quando seu grupo disse que ia entrar na instituição. O outro também aceitou ser entrevistado, mas diante das perguntas, preferiu não participar. “Sou ultraconservador”, justificou.
No Museu d’Orsay estão obras dos séculos XIX e XX, assinadas por, entre outros, Van Gogh, Auguste Rodin e Paul Gauguin. A nudez aparece principalmente nas esculturas, com referências ao ideal de beleza da Grécia Antiga.
Mas o nu também é utilizado para falar de tristeza, solidão, da condição humana, sua existência, divisões sociais, miséria, inocência, valores culturais, natureza.
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Artigo de Willy Delvalle , de Paris, publicado no portal http://www.diariodocentrodomundo.com.br

Em Paris, proibição do Museu do Louvre a escultura gera polêmica

O Museu do Louvre acaba de vetar uma obra na tradicional Feira Internacional de Arte Contemporânea. A escultura “Domestikator" é habitáculo de 12m de altura que sugere um homem copulando com um animal, deveria ser exposta ao ar livre, mas a obra do ateliê holandês Van Lieshout não foi autorizada. Matéria de Maurício Torres Assumpção para o jornal “Folha de S. Paulo”, em 17/10/17. +

Após o fechamento da "Queermuseu", a interdição da mostra no Rio e o escândalo causado pela performance "La Bête", no Museu de Arte Moderna de SP, muitos olhos se voltaram à Europa.

O farol da civilização, porém, pisca quando o maior museu do mundo interdita uma obra por razão duvidosa.
Por um lado, a França irradia ideias arrojadas e nortes morais, sociais e políticos.

Um museu como o d'Orsay, em Paris, lança campanhas para atrair o público jovem, sobretudo crianças, com slogans que deixariam o pastor-prefeito Marcelo Crivella (PRB) de topete arrepiado. "Tragam seus filhos para ver gente nua", diz um deles, sobre a tela "Mulher Nua Deitada" (1907), de Auguste Renoir.

Mas, no outro lado do rio Sena, o Museu do Louvre acaba de vetar uma obra na tradicional Feira Internacional de Arte Contemporânea, que ocorre de 19 a 22 de outubro.

"Domestikator", escultura-habitáculo de 12 m de altura que sugere um homem copulando com um animal, deveria ser exposta ao ar livre, mas a obra do ateliê holandês Van Lieshout não foi autorizada.
Em público, a direção do museu culpou o calendário: não haveria tempo para que o trabalho fosse aprovado pelas comissões encarregadas.

Contudo, como revelou o "Le Monde", o presidente do Louvre, Jean-Luc Martinez, foi explícito em carta enviada à direção do evento: "circulam rumores na internet que atribuem a esta obra uma visão brutal demais, que pode ser mal interpretada pelo nosso público tradicional".

"É de uma hipocrisia total", reagiu o artista holandês Joop Van Lieshour. "Em Bochum (Alemanha), turmas inteiras de colégios vieram conhecer o 'Domestikator'." Para ele, "se crianças viram algo de sexual, é porque já têm idade para ver essas coisas".

"É ridículo, senão ilegal!", protesta a advogada Agnès Tricoire, fundadora do Observatório da Liberdade de Criação, que defende artistas censurados. "Se seguirmos a lógica, teremos de listar telas que deveriam ser retiradas."

A ONG francesa ressalva que a arte pode ter limites. A pedofilia, por exemplo, aceita na literatura (como em "Lolita", de Nabokov), é um dos tabus que provocam reações.

Daí a definição de Tricoire: "A pedofilia num desenho é uma coisa. Mas, obviamente, jamais aceitaríamos que uma criança participasse de ato sexual numa obra de arte".

Se na França a classificação por faixa etária se limita ao cinema e ao teatro, como no Brasil, nos museus ela fica por conta do curador.

A direita francesa pode ser atuante, como demonstrou em protestos contra o casamento homossexual. A escultura "Dirty Corner", do judeu Anish Kapoor, é bom exemplo. Exposta nos jardins do Palácio de Versalhes, a obra recebeu pichações antissemitas em setembro de 2015.

Meses antes, a escultura inflável "Tree", do americano Paul McCarthy, que lembra um brinquedo erótico, já havia sido vandalizada no centro de Paris, enquanto o artista recebia bofetada de um moralista mais exaltado.
Em tempo: o museu Centre Pompidou, também em Paris, já se ofereceu para abrigar o 'Domestikator'.
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Matéria de Maurício Torres Assumpção para o jornal “Folha de S. Paulo”, em 17/10/17.

Masp abre mostra sobre sexualidade com obras de artistas consagrados

A exposição chega num momento em que a discussão sobre sexualidade na arte está em alta, dentro e fora do Brasil. E essa mostra de trabalhos, segundo o Masp, suscitam questionamentos sobre corporalidade, desejo, sensualidade, erotismo, feminismo, questões de gênero, entre outros. Entre os artistas que terão suas obras expostas estão Francis Bacon, Edgar Degas, Édouard Manet, Pablo Picasso, Paul Gauguin, Robert Mapplethorpe, Victor Meirelles e Adriana Varejão. Matéria publicada originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”, em 17/10/17. +

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) inaugura na próxima sexta-feira, 20, a mostra Histórias da Sexualidade, que faz parte do foco temático do Museu em 2017. A exposição fica no Masp até o dia 9 de fevereiro de 2018.

Entre os artistas que terão suas obras expostas estão Francis Bacon (1561-1626), Edgar Degas (1834-1917), Édouard Manet (1832-1883), Pablo Picasso (1881-1973), Paul Gauguin (1848-1903), Suzanne Valadon (1865-1938), Robert Mapplethorpe (1946-1989). Brasileiros como Victor Meirelles (1832-1903) e Adriana Varejão (1964) também terão trabalhos na mostra. Entre outros.

A exposição chega num momento em que a discussão sobre sexualidade na arte está em alta, dentro e fora do Brasil. Por aqui, instituições culturais estão discutindo a criação de um manual para exposições.

Em torno da mostra Histórias da Sexualidade estão sendo apresentadas ao longo do ano exposições de artistas brasileiros e internacionais, cujos trabalhos, segundo o Masp, suscitam questionamentos sobre corporalidade, desejo, sensualidade, erotismo, feminismo, questões de gênero, entre outros. São eles: Teresinha Soares, Wanda Pimentel, Henri de Toulouse-Lautrec, Miguel Rio Branco, Guerrilla Girls, Pedro Correia de Araújo e Tunga.

Em artigo publicado nesta terça, 17, no jornal Folha de S. Paulo ("Mostra no Masp sobre sexualidade reforça que censura é inaceitável"), o diretor presidente do Masp, Heitor Martins, apresentou a exposição e fez ressalvas, lembrando que "o único dado absoluto, do qual não podemos abrir mão, é o respeito ao outro e o necessário diálogo".

"É preciso criar condições para que todos nós –cada um com suas crenças, práticas, orientações políticas e sexualidades– possamos viver de forma harmoniosa e escutando uns aos outros", escreveu Martins.

"Por isso mesmo, a radicalização, a intolerância, o cerceamento da liberdade de expressão, não devem e não podem ser aceitos. O Masp, um museu diverso, inclusivo e plural, tem por missão estabelecer, de maneira crítica e criativa, diálogos entre passado e presente, culturas e territórios, a partir das artes visuais", prosseguiu. O diretor reforça que a exposição pretende construir um "debate consistente e sólido".

Ainda de acordo com o Museu, a programação anual pretende discutir múltiplas perspectivas sobre a sexualidade, "considerando, especialmente, narrativas descolonizadoras, que extrapolem conceitos ocidentais hegemônicos e de classes dominantes, e provoquem atritos entre acervos diversos".

Histórias da Sexualidade está inserida em um projeto mais amplo de exposições do MASP, que atenta para histórias plurais, que vão além das narrativas tradicionais, tais como Histórias da Loucura e Histórias Feministas (iniciadas em 2015), Histórias da Infância (em 2016) e Histórias da Escravidão (programada para 2018).

A exposição chega coincidentemente num momento em que o debate tomou conta das redes sociais no Brasil, e chegou até ao Ministério Público. No fim de setembro, a participação de uma criança em uma performance protagonizada por um homem nu deu início a nova polêmica sobre a liberdade artística. O teor dos comentários foi o mesmo daqueles que levaram ao cancelamento da exposição Queermuseu, alvo de protesto ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) em Porto Alegre.

HISTÓRIAS DA SEXUALIDADE
MASP. Av. Paulista, 1578, Primeiro andar. De 20/10/2017 a 9/2/2018. Indicação etária: 18 anos. R$ 30.
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Matéria publicada originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”, em 17/10/17.

O Jockey volta à moda

O primeiro empreendimento da Vila Portugal no Jockey Club do Rio de Janeiro, a Carpintaria, abriu as portas em novembro de 2016 e já se transformou em um dos endereços mais bacanas do Rio de Janeiro. Projeto da renomada galeria paulistana Fortes Vilaça (agora, Fortes D’Aloia & Gabriel), o local, além de apresentar trabalhos de diferentes artistas, vai abrigar eventos e encontros para discussões culturais, num galpão feito sob medida para o empreendimento, com vistas para a pista de corrida e as montanhas. Em junho, entra em operação o Camolesi, misto de restaurante, pizzaria, cervejaria e clubinho de jazz, que terá no comando o empresário Cello Macedo (dono de outras casas famosas no Rio) e o artista Vik Muniz. Outros dois negócios estão prestes a ser finalizados – a primeira galeria de Oskar Metsavaht, o fundador da Osklen, e uma nova unidade da já tradicional Nara Roesler. “O entusiasmo com que esse grupo embarcou na nossa ideia foi fundamental para a viabilidade do projeto”, diz Neves. Matéria originalmente publicada no site da revista “Época Negócios”. +

Quando criança, o carioca Luiz Gustavo Neves costumava acompanhar o pai – um turfista apaixonado – em suas longas tardes de apostas no Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro. À época, o Jockey Club Brasileiro já não ostentava mais o glamour das décadas de 40 e 50, quando os páreos faziam lotar as arquibancadas e os eventos sociais reuniam boa parte da elite carioca. Mas o terreno amplo – são mais de 300 mil metros quadrados encravados entre o Jardim Botânico, o Leblon e a Lagoa Rodrigo de Freitas – e a vista privilegiadíssima para o Corcovado eram suficientes para encantar o garoto.
Hoje, aos 36 anos e ainda sócio da instituição, Neves continua frequentador do lugar e, nos últimos tempos, tornou-se também um dos maiores entusiastas da revitalização da área. “Ficava triste de ver um local tão bonito sendo tão pouco aproveitado pela população”, diz Neves. “Queria fazer algo para mudar esse quadro.”

A chance surgiu quando Neves percebeu, em uma área abandonada do hipódromo, uma oportunidade para fazer negócios – e, de quebra, atrair muito mais gente à região. Neves uniu-se ao amigo Francisco Pellegrino, de 37 anos, para viabilizar a Vila Portugal, um complexo de galerias e restaurantes que, aos poucos, começa a tomar forma, ocupando o que antes eram apenas ruínas de uma antiga vila operária. “Queríamos fazer algo que tivesse relação com o bairro”, diz Neves. “Por isso, pensamos no polo cultural. O Jardim Botânico tem muitos ateliês e um circuito de arte reconhecido.”

O primeiro empreendimento da Vila Portugal, a Carpintaria, abriu as portas em novembro de 2016 e já se transformou em um dos endereços mais bacanas do Rio de Janeiro. Projeto da renomada galeria paulistana Fortes Vilaça (agora, Fortes D’Aloia & Gabriel), o local, além de apresentar trabalhos de diferentes artistas, vai abrigar eventos e encontros para discussões culturais, num galpão feito sob medida para o empreendimento, com vistas para a pista de corrida e as montanhas. Em junho, entra em operação o Camolesi, misto de restaurante, pizzaria, cervejaria e clubinho de jazz, que terá no comando o empresário Cello Macedo (dono de outras casas famosas no Rio) e o artista Vik Muniz. Outros dois negócios estão prestes a ser finalizados – a primeira galeria de Oskar Metsavaht, o fundador da Osklen, e uma nova unidade da já tradicional Nara Roesler. “O entusiasmo com que esse grupo embarcou na nossa ideia foi fundamental para a viabilidade do projeto”, diz Neves.

A primeira turma a apostar na Vila Portugal foi o trio Márcia Fortes, Alessandra D’Aloia e Alexandre Gabriel, da Carpintaria – apresentado a Neves e Pellegrino por intermédio dos artistas Otávio e Gustavo Pandolfo, OSGÊMEOS. “A ideia inicial, nas conversas com o Neves e o Pellegrino, era montar quatro restaurantes e uma galeria de arte. Mas nós os convencemos a dar mais ênfase à parte cultural”, conta Márcia Fortes. “O projeto, então, se encaminhou para as três galerias e o clube de jazz.”

A exposição Uma Canção para o Rio, feita com a colaboração de dois curadores de Los Angeles, Douglas Fogle e Hanneke Skerath, marcou a estreia da Carpintaria na Vila Portugal. Márcia explica que a mostra explorou a relação entre as artes visuais e a música por meio de um conjunto de obras assinadas por artistas brasileiros e do exterior – entre os quais Martin Creed, Hélio Oiticica, Nuno Ramos, Barrão e Rivane Neuenschwander. “A Carpintaria tem um conceito: ser um espaço para o diálogo cultural entre artistas e o mercado, por meio de shows, exposições e debates”, afirma Márcia. “Acho, enfim, que essa é a vocação da Vila como um todo.”

Idealizado pela primeira vez em 2010, o projeto da Vila Portugal foi marcado por uma série de obstáculos. O primeiro deles foi chegar a um modelo de negócios que atendesse tanto à necessidade dos novos ocupantes como dos sócios e frequentadores do Jockey. As negociações com a diretoria do clube arrastaram-se por mais de um ano. No final, chegou-se ao seguinte: os galeristas e empresários são responsáveis pelos custos de revitalização ou das novas construções, e pagam diretamente ao Jockey o valor dos aluguéis – em contratos de oito anos. Neves e Pellegrino ficam com um percentual sobre cada contrato.

Resolvido esse impasse, a dupla de amigos ainda precisou lidar com a morosidade para a obtenção de todas as licenças e autorizações – além de uma resistência dura da Associação de Moradores do Jardim Botânico. O grupo chegou a fazer uma denúncia no Ministério Público, acusando o clube por crimes ambientais e contra o patrimônio cultural. “Foi um erro nosso”, diz Neves. “Boa parte da confusão se deu por uma falha de comunicação.” A situação foi resolvida depois que o projeto foi apresentado de forma detalhada durante várias reuniões, com grupos de moradores e também do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, órgão da prefeitura responsável pela preservação de edifícios de valor histórico e arquitetônico.

“Tudo é aprendizado”, diz Neves, que não esconde a satisfação ao falar da empreitada. Ele e Pellegrino são agora sócios da Negroni, uma consultoria especializada em prospectar áreas degradadas ou ociosas com bom potencial para revitalização. Outros três projetos já estão engatilhados, um deles com o próprio Jockey. Além do Hipódromo da Gávea, o clube também é dono de um complexo de três prédios no centro da cidade. “O Rio está cheio de possibilidades para projetos como o da Vila Portugal”, diz Neves. “E nós estamos com a maior disposição para executá-los.”
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Matéria originalmente publicada no site da revista “Época Negócios”, em 18/08/17.

Retrato de Jesus “Salvator Mundi”, de Da Vinci, pode arrecadar US$ 100 milhões

A pintura de Leonardo, datada de cerca de 1500, é uma das 20 obras menos conhecidas do artista e é a última em mãos privadas. Ela foi registrada pela primeira vez na coleção do Rei Charles (1600-1649), passou por um leilão em 1763 e foi redescoberta em 2005. A casa de leilões Christie's de Nova York também venderá ao seu lado a versão de Warhol da Última Ceia. Matéria de Eileen Kinsella originalmente publicada no site da artNet (artnet.com), em 10/10/17. +

A Christie's fez uma revelação nesta manhã (10/10) ao anunciar dois lotes de grande impacto para o próximo leilão de novembro: a enorme obra com 60 painéis “Last Supper” (A Última Ceia) de Andy Warhol, com uma estimativa de US$ 50 milhões, ao lado de uma obra mais peso pesado ainda: a impressionante e última obra-prima conhecida de Leonardo da Vinci, “Salvator Mundi”, que traz a estimativa de US $ 100 milhões.
As obras foram anunciadas na sede da casa de leilões no Rockefeller Center com observações de uma série de executivos, incluindo os co-chefes do departamento de arte do pós-guerra e contemporâneo Loïc Gouzer e Alex Rotter, juntamente com o especialista sênior do antigo mestre, Alan Wintermute, e o chefe do departamento do Old Master Francois de Poortere.
O Leonardo foi consignado pelo bilionário russo Dmitry Rybolovlev, conforme um representante de confiança da família confirmou para Artnet News. Ele comprou o trabalho em 2013 por US$ 127,5 milhões. (Christie's afirmou apenas que o trabalho vem de uma coleção privada européia.) Tanto o Leonardo quanto o Warhol possuem garantias de terceiros.
Explicando a decisão de colocar o Leonardo ao lado do Warhol na venda contemporânea, Gouzer disse que isso reflete no "diálogo entre esses dois artistas", bem como a propensão da Christie’s por empurrar fronteiras e "perturbar" as categorias de vendas. Ele alcançou sucesso com os recentes esforços na criação de chamadas vendas híbridas que combinam ofertas surpreendentes de arte clássica com obras contemporâneas de ponta.
Wintermute delineou a história da pintura de Leonardo durante a conferência de imprensa. Datada de cerca de 1500, a obra é uma das 20 obras menos conhecidas do artista e, segundo notícias, é a última em mãos privadas. Ela foi registrada pela primeira vez na coleção do Rei Charles (1600-1649), passou por um leilão em 1763 e foi redescoberta em 2005. Em 2011, foi exibido na Galeria Nacional em Londres.
A pintura foi considerada durante um bom tempo como se fosse um trabalho feito por um seguidor de Leonardo e foi vendida na Sotheby's London em 1958 por apenas £ 45. Wintermute notou observou que o trabalho foi examinado pelo Museu Metropolitano de Arte e considerado autêntico.
Desde que ressurgiu, o “Salvator Mundi” esteve envolvido em várias complexas e severas batalhas legais. A mais famosa aconteceu quando o trabalho incitou uma longa luta entre Rybolovlev e seu antigo assessor de arte, Yves Bouvier, que comprou o trabalho em 2013 de três concessionários em uma venda negociada pela Sotheby's “entre US$ 75 milhões e US$ 80 milhões", de acordo com um relatório do New York Times. Então, Bouvier supostamente vendeu para Rybolovlev por muito mais do que pagou.
"Como sabemos agora, em maio de 2013, Yves Bouvier adquiriu o Salvator Mundi de da Vinci por US$ 80 milhões", diz o porta-voz, acrescentando que o giro acrescentou "uma margem grotesca e não autorizada" de US $ 47,5 milhões. "Agora, o próximo leilão deste trabalho finalmente acabará com um capítulo muito doloroso para a família Rybolovlev".
A obra de Leonardo foi exibida por apenas duas horas na Chritie's e, em seguida, enviada para um tour mundial por Hong Kong, Sãn Francisco, e Londres, antes de retornar a Nova York em 15/11 para o leilão.
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Matéria de Eileen Kinsella originalmente publicada no site da artNet (artnet.com), em 10/10/17.

Vão a leilão 95 obras de arte do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira

As obras que pertenciam à coleção do ex-banqueiro haviam sido desviadas para a Europa e para os Estados Unidos e, com ajuda de procuradores a Justiça brasileira e a Interpol, decidiram a devolução de todas essas peças para serem leiloadas. Edemar construiu sua coleção de arte com recursos ilícitos, fruto de crimes financeiros e lavagem de dinheiro, e depois desviou uma parte das peças para o exterior de forma ilegal. Matéria de Silas Martí par ao jornal “Folha de São Paulo”, em 07/10/17. +

Noventa e cinco obras de arte que pertenciam à coleção do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e haviam sido desviadas para a Europa e para os Estados Unidos serão devolvidas agora à massa falida do extinto Banco Santos para que sejam leiloadas.

Procuradores em Nova York e Boston, que trabalharam com a Justiça brasileira e a Interpol para determinar o paradeiro das obras, decidiram nesta semana pela devolução de todas essas peças.

De acordo com investigadores, Edemar construiu sua coleção de arte com recursos ilícitos, fruto de crimes financeiros e lavagem de dinheiro, e depois desviou uma parte das peças para o exterior de forma ilegal, tentando evitar que fossem confiscadas.

Segundo Vanio Aguiar, administrador da massa falida, as 95 peças valem cerca de US$ 4 milhões e serão leiloadas na Sotheby's, uma das maiores casas de leilão de Nova York, e os recursos revertidos para pagar credores.

Entre os trabalhos, está uma escultura de bronze do modernista britânico Henry Moore. Avaliada em US$ 1,5 milhão, essa é uma das obras mais valiosas do acervo do ex-banqueiro. Ela foi encontrada em agosto, em Paris, e depois enviada aos EUA.

Há ainda obras de brasileiros como Adriana Varejão, Jac Leirner e Vik Muniz, três dos nomes mais valorizados no mercado internacional, e peças de estrangeiros também disputadas em leilões, entre elas obras do indiano Anish Kapoor, da francesa Louise Bourgeois, do americano Man Ray, do húngaro Laszlo Moholy-Nagy e do modernista mexicano Rufino Tamayo.

"Essas obras foram usadas para mascarar um audacioso esquema criminoso de Edemar Cid Ferreira", afirmou o procurador Joon Kim, de um distrito de Manhattan. "Graças aos nossos esforços, elas serão devolvidas a seus proprietários de direito, a massa falida do banco de Ferreira."

Esse conjunto parece ser o último lote de obras que ainda faltava voltar ao controle da massa falida. As obras devolvidas agora, no caso, estavam espalhadas pelos EUA e também pela Europa, em galpões na Holanda, na França e na Suíça, mas foi reunido em Nova York pelos investigadores para que pudessem ser repatriadas ou vendidas.

Há dois anos, duas peças importantes de Edemar que estavam nos EUA, uma tela de Jean-Michel Basquiat avaliada em até US$ 12 milhões e uma escultura de US$ 900 mil, foram entregues aos gestores da dívida do banco.

Em novembro de 2016, um leilão das obras do banqueiro que estavam em sua casa no Morumbi arrecadou R$ 11,8 milhões. Há outras 600 peças avaliadas em R$ 6 milhões sob a guarda do Museu de Arte Contemporânea da USP e que serão vendidas.

No total, R$ 103 milhões já foram arrecadados pela massa falida com a venda de obras de arte de Edemar.

ROMBO

O Banco Santos quebrou em 2005, deixando um rombo de R$ 3,4 bilhões. Edemar foi condenado por crimes financeiros e lavagem de dinheiro, mas a sentença foi anulada por erros processuais, porque advogados de outros réus não puderam fazer perguntas ao ex-banqueiro.

Quando soube da decisão da Justiça americana de entregar as últimas 95 obras, Edemar disse que concorda que elas sejam vendidas para pagar credores do Banco Santos, mas critica o fato de a apreensão delas ser determinada por uma decisão judicial anulada.

"Meu negócio é pagar os credores", disse o ex-banqueiro. "Não vou brigar para reaver essas obras. Elas pertencem aos credores. Não tem problema. O que não pode é usar uma ação criminal anulada como base para isso."

Ele também negou que essas peças tenham sido compradas com recursos ilícitos e que foram desviadas de maneira ilegal para o exterior.

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Matéria de Silas Martí para o jornal “Folha de S. Paulo”, em 07/10/17.

Guerrilla Girls tomam o Masp e denunciam sexismo

Entre cartazes de toda a carreira do coletivo americano, o cartaz original do Metropolitan, atualizado para a mostra do Masp, faz a mesma pergunta: “As mulheres precisam estar nuas para entrar no Museu de Arte de São Paulo? No Masp, apenas 6% dos artistas em exposição são mulheres, mas 60% dos nus são femininos. Vestidas com máscaras de gorilas, as três das integrantes mostram que o sexismo domina o circuito das artes e intera “É o velho preconceito de ver o homem como gênio criador e a mulher como musa”. Matéria de Antonio Gonçalves Filho par ao jornal “O Estado de S. Paulo”, 28/09/17. +

O cartaz publicado abaixo, de 1989, o mais conhecido da história do coletivo Guerrilla Girls, foi atualizado para a mostra Guerrilla Girls Gráfica – 1985-2017, que o Masp abre hoje, 28, às 20 horas, para convidados, e amanhã para o público. No cartaz original, que mostra uma segunda versão (ca. 1824/30) da Grande Odalisca de Ingres com cabeça de gorila, elas criticavam o Metropolitan de Nova York por ter menos de 5% de artistas mulheres no acervo, sendo 85% dos nus femininos. E perguntavam: “Mulheres precisam estar nuas para entrar no Metropolitan?” Essa história de militância feminista remonta a 1985, quando as Guerrilla Girls criticaram o Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York por montar uma exposição com 165 artistas, dos quais só 13 eram mulheres. Nascia nesse protesto o coletivo de artistas mulheres que há 32 anos inferniza a vida de curadores, diretores de museus e colecionadores, denunciando o chauvinismo no mundo da arte.

O cartaz original do Metropolitan, atualizado para a mostra do Masp, faz a mesma pergunta: “As mulheres precisam estar nuas para entrar no Museu de Arte de São Paulo? E mostra números não muito diferentes do Metropolitan: no Masp, apenas 6% dos artistas em exposição são mulheres, mas 60% dos nus são femininos. Vestidas com máscaras de gorilas, três das integrantes do coletivo Guerrilla Girls receberam a reportagem do Estadão para confirmar que o sexismo domina o circuito das artes e falar de sua missão artística. “Combatemos a discriminação e defendemos os direitos humanos”, sintetizam as garotas guerrilheiras, que jamais revelam a identidade e até nas entrevistas usam o disfarce de gorilas.

“Nós fomos as Gorilla Girls antes de ser Guerrilla Girls por lapso de uma redatora, que confundiu os nomes gorilla e guerrilla”, diz uma delas, concluindo: “Foi um erro iluminador, pois sugeriu o uso das máscaras de gorilas, disfarces que nos dão maior liberdade de expressão”. As gorilas guerrilheiras já assinaram centenas de projetos e participaram de mostras importantes como a Bienal de Veneza, sempre criticando as instituições que as convidam. Faz parte do show. Na exposição do Masp, um dos 117 cartazes que elas exibem foi feito para a bienal italiana, em 2005. Ele replica uma cena do filme La Dolce Vita, de Fellini, em que Marcello Mastroianni cavalga uma loira numa festa, comentada pelo seguinte texto: “Onde estão as mulheres de Veneza? Abaixo dos homens”. E confirmavam com números: 91% dos expositores eram homens, isso um século após a criação da Bienal italiana, em 1895, em que apenas 2,4% dos artistas eram mulheres.

A quem imputar a culpa pela discriminação das mulheres no mundo da arte? A resposta das guerrilheiras: aos homens ricos e brancos. São eles que sustentam os museus com doações em dinheiro e obras de arte. Resultado: museus não mais servem ao propósito de documentar a história da arte, mas a história do poder e do dinheiro – e elas demonstraram, em 1989, que o valor pago por uma tela de Jasper Johns (US$ 17,7 milhões) poderia comprar obras de 67 mulheres artistas consagradas, entre elas Diane Arbus, Dorothea Lange, Frida Kahlo e Georgia O’Keefe. “É o velho preconceito de ver o homem como gênio criador e a mulher como musa”, comenta uma das garotas.

O coletivo de mulheres ampliou o foco, incluindo em seus projetos guerrilheiros outros grupos discriminados (gays, negros, transexuais), como mostram os cartazes expostos no Masp. Um deles, irônico, prova que até o Senado americano é mais progressista do que Hollywood: no Senado, 75% dos homens são brancos; em Hollywood, 94% dos cineastas são igualmente caucasianos. Politizadas, as “gorilas” também assinam um cartaz (de 2016) em que trocam as datas cívicas dos EUA no governo Trump por: Mês da Ku Klux Klan; Mês da Deportação, etc. “Trump levou o otimismo que a América tinha com Obama”, comenta uma das ativistas. E no resto do mundo? “As pessoas dizem que há mais mulheres dirigindo instituições como a Tate ou galerias de arte, mas esse desequilíbrio é sistêmico, pois tanto nos museus como nas galerias os homens ainda dominam.” É só fazer o levantamento (e elas são boas nisso): a coleção permanente da Tate Modern tem 959 artistas homens. E só 335 mulheres.
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Matéria de Antonio Gonçalves Filho par ao jornal “O Estado de S. Paulo”, 28/09/17.

Artistas acusam prefeitura do RJ de censura a evento

Em meio à polêmica do veto à vinda da exposição “Queermuseu” para o Rio, um novo episódio deixou em alerta artistas da cidade. Prevista para ser inaugurada ontem no Castelinho do Flamengo, na Zona Sul da cidade, a quarta edição do evento “Curto-circuito” reuniria cerca de 50 artistas, performances e duas peças teatrais. Mas tanto os artistas quanto o público que foi para o espaço ontem para assistir ao primeiro espetáculo, “Bicha oca”, encontraram os portões fechados. A justificativa da administração era de uma pane elétrica — um cartaz colado no portão informava que o local “está com a visitação suspensa”. Artigo de Nelson Gobbi para o jornal "O Globo" +

Em meio à polêmica do veto à vinda da exposição “Queermuseu” para o Rio, um novo episódio deixou em alerta artistas da cidade. Prevista para ser inaugurada ontem no Castelinho do Flamengo, na Zona Sul da cidade, a quarta edição do evento “Curto-circuito” reuniria cerca de 50 artistas, performances e duas peças teatrais. Mas tanto os artistas quanto o público que foi para o espaço ontem para assistir ao primeiro espetáculo, “Bicha oca”, encontraram os portões fechados. A justificativa da administração era de uma pane elétrica — um cartaz colado no portão informava que o local “está com a visitação suspensa”.

Julie Brasil, uma das artistas da mostra coletiva, acusa a prefeitura de censura.

— Todas as obras haviam sido aprovadas, mas, durante a montagem, começou a circular a possibilidade de censura, e dois trabalhos foram retirados. Hoje eu fui ao Castelinho do Flamengo para ver minha obra, que é cinética, e dei com os portões fechados. Lá dentro, outras obras tinham sido retiradas, e depois nos disseram que havia uma pane elétrica e que a exposição estava suspensa até segunda ordem — acusa a artista, autora da obra “Após a chacina, doamos os órgãos dos nossos filhos”. — Mas os computadores estavam funcionando normalmente, e as luzes dos andares superiores estavam acesas no início da noite.

“OUTUBRO DA DIVERSIDADE”

O Coletivo FLSH afirmou que teve retiradas das paredes as fotos de “nus que expressam a diversidade entre os corpos, valorizando suas singularidades” e que aguarda ainda “posicionamento da prefeitura para esclarecer a situação, inclusive sobre o paradeiro das obras de arte”.

— Isso é ainda mais grave porque estamos incluídos no “Outubro da diversidade”, programação temática criada pela Secretaria de Cultura. Que diversidade é essa que está sujeita a uma censura moral? — questiona Julie.

A Secretaria Municipal de Cultura rebate as acusações dos artistas, reforçando a informação da pane elétrica e que a programação do Castelinho está mantida e será retomada assim que um laudo técnico for finalizado. A SMC informa ainda que as obras da exposição estão devidamente guardadas no interior do prédio e toda a programação do “Outubro da diversidade” segue em 16 equipamentos da prefeitura, sem que nenhuma outra ocorrência tenha sido notificada.
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Artigo de Nelson Gobbi para o jornal "O Globo"

Polêmica chega ao MINC

Em uma semana em que os debates sobre os limites da arte se tornaram mais acalorados e saíram da esfera dos museus para a política, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, atirou mais lenha à fogueira. O ministro incluiu um artigo na minuta da regulamentação da Lei Rouanet, que veta a apresentação de propostas que “vilipendiem a fé religiosa, promovam a sexualização precoce de crianças e adolescentes ou façam apologia a crimes ou atividades criminosas”. Artigo de Nelson Gobbi e Alessandro Giannini para o jornal "O Globo". +

Em uma semana em que os debates sobre os limites da arte se tornaram mais acalorados e saíram da esfera dos museus para a política, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, atirou mais lenha à fogueira. Conforme adiantou ontem a coluna de Ancelmo Gois, no GLOBO, o ministro incluiu um artigo na minuta da regulamentação da Lei Rouanet, que veta a apresentação de propostas que “vilipendiem a fé religiosa, promovam a sexualização precoce de crianças e adolescentes ou façam apologia a crimes ou atividades criminosas”. Para representantes de diferentes áreas do setor, a inclusão do artigo na lei abre um perigoso precedente para a censura.
— Achei que vivêssemos em um Estado laico, mas o Brasil se torna cada vez mais acanhado. Estamos presenciando uma espécie de ditadura coletiva, muito próxima do que foi o início do nazismo. A Alemanha dos anos 1930 também utilizou a publicidade para criar um estado de histeria coletiva, para conduzir as pessoas para um sentimento fanático — protesta o artista visual Ernesto Neto. — Este tipo de censura vai inibir a criação e a imaginação, e qualquer produção depende disso para existir. É triste ver um país com tamanha riqueza que abre mão de suas referências multiculturais para se manter ligado apenas às europeias, e de uma Europa que nem se reconhece mais.
Para Eduardo Barata, presidente da Associação dos Produtores de Teatro (APTR), a medida parece “censura travestida de legalidade”:
— Tudo depende do ponto de vista. Fazer uma peça em que Jesus Cristo é travesti é vilipendiar a fé religiosa? Se a novela da Gloria Perez for transcrita para o palco, isso vai configurar apologia ao crime? Uma obra de arte não pode ter esse tipo de amarra. Nossos projetos são avaliados por técnicos. Com uma recomendação dessas vai ser difícil aprovar qualquer coisa. O único acesso que temos a fomento de cultura é pela Lei Rouanet. Vamos ter que ir à Justiça?
O ministro também se envolveu em outra polêmica: em vídeo publicado ontem pela repórter Juliana Braga, da coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, Sá Leitão comenta, numa reunião com a bancada evangélica da Câmara dos Deputados, organizada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que, no seu entender, a performance “La bête”, no MAM-SP — na qual uma criança acompanhada da mãe tocou nas mãos e pés do coreógrafo Wagner Schwartz, nu — “apresenta um claro descumprimento do que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente”. Sá Leitão também falou da exposição “Queermuseu”, suspensa em Porto Alegre, ao defender a necessidade da classificação indicativa em eventos de artes visuais. O ministro, que admitiu não ter visto a mostra e somente ter tido acesso a imagens isoladas, disse que não havia formado juízo sobre seu conteúdo, mas que “cabe às pessoas que, porventura, tenham se sentido ofendidas que recorram à Justiça, e a Justiça que se pronuncie”.
— É uma posição muito infeliz. Ainda que ele a coloque como uma opinião pessoal, dita pelo ministro da Cultura tem outro peso. Ele está fazendo um juízo de valor sobre uma exposição que não viu, fazendo coro a esta cruzada moralista. Abre um precedente perigoso — critica Gaudêncio Fidélis, curador de “Queermuseu”.

JUDICIALIZAÇÃO DA ARTE

Para o jurista e professor Lenio Streck, a sugestão do ministro agrava o processo de judicialização da arte, que resulta em episódios como o da peça “O evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu”, com a atriz trans Renata Carvalho no papel de Jesus, impedida de ser apresentado no Sesc de Jundiaí (SP), em 15 de setembro.
— Há uma espécie de colonização do cotidiano pela Justiça. Estamos criando cidadãos de segunda classe, tutelados pelo estado. Há uma subjetividade na arte que não cabe ser avaliada pela Justiça, o bom ou mau gosto não está previsto em lei. Essa interpretação, em última instância, acaba sendo feita por quem julga o caso. Depende da subjetividade do magistrado.
Procurado pela reportagem, Sérgio Sá Leitão não se pronunciou para entrevista até a conclusão desta edição. À coluna de Ancelmo Gois o ministro enviou nota ressaltando que o Código Penal já considera crime o que foi destacado no artigo: “O que eu combinei com a bancada cristã é que, como estes temas já são configurados como crime, vamos reproduzir, sem uma vírgula a mais ou menos, na normatização da Lei Rouanet estes artigos do Código Penal”. Sobre o vídeo da reunião, enviou nota à coluna de Lauro Jardim afirmando ter manifestado opinião “sobre este assunto enfatizando que foi em caráter pessoal, pois não sou juiz, jurista ou membro do Ministério Público; nem psicólogo” e que a “interação física de uma criança com um adulto nu que não é seu pai ou mãe, por indução direta da mãe, na frente de dezenas de pessoas, independentemente do contexto específico, configura uma situação potencialmente prejudicial ao desenvolvimento emocional dela e configura o descumprimento em maior ou menor grau dos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente”.
Em meio ao clima hostil, um protesto com cerca de 30 pessoas no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, que sedia a mostra “Faça você mesmo sua Capela Sistina”, com obras de Pedro Moraleida (1977-1999), levou medo a frequentadores. O ato foi encabeçado pelo deputado estadual João Leite (PSDB), derrotado na última eleição para prefeitura da cidade.
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Artigo de Nelson Gobbi e Alessandro Giannini para o jornal "O Globo".

Entre deputados, ministro da Cultura diz que MAM descumpriu lei

Sérgio Sá Leitão afirmou durante reunião com deputado e tesoureiro da Frente Parlamentar Evangélica, Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que na performance a interação de uma criança com um adulto nu por indução direta da mãe "configura como uma situação potencialmente prejudicial ao desenvolvimento emocional dela e configura o descumprimento dos artigos do ECA." Matéria de Isabella Menon para o jornal “Folha de São Paulo”, em 05/10/17. +

"Houve um claro descumprimento no que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente", disse o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão sobre a interação entre criança e um artista nu no MAM-SP (Museu de Arte Moderna) durante a performance de "La Bête" na última terça-feira (26/09). A obra gerou protestos inflamados contra a instituição.

A afirmação do ministro ocorreu durante uma reunião, realizada nesta quarta-feira (4/10), com o deputado e tesoureiro da Frente Parlamentar Evangélica, Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ). O vídeo foi divulgado pela revista "Veja".

Em certo momento do encontro, o deputado indaga o ministro se o ocorrido no MAM pode ser considerado crime. Sá Leitão, no entanto, desvia da pergunta e afirma que "cabe às pessoas que eventualmente tenham se sentido prejudicadas recorram à Justiça."

Procurado pela Folha, o ministro afirma que a interação física de uma criança com um adulto nu por indução direta da mãe, "configura como uma situação potencialmente prejudicial ao desenvolvimento emocional dela e configura o descumprimento dos artigos do ECA."

O ministro avalia que uma criança não tem capacidade de compreender plenamente que a situação se trata de uma performance.

"O corpo naquele contexto é uma simulação não erótica de um objeto artístico interativo criado antes dela nascer por uma artista que ela provavelmente não conhece — embora em boa parte das situações da vida contemporânea o corpo nu seja socialmente sexualizado", afirma.

RUMO ÀS TREVAS

Em setembro, em entrevista à Folha, Leitão ponderou que os protestos que ocorreram contra a mostra "Queermuseu" são próprios da democracia. Entretanto, ele ponderou, quando manifestações artísticas são impedidas de acontecer, isso poderia culminar em um "caminho rumo às trevas".
Na ocasião, o ministro afirmou que as obras presentes no evento são "fortes e contundente" e qualificou os recentes episódios que levaram ao fechamento da exposição "Queermuseu" como interpretação "medíocre e lamentável" das artes.

Ele disse ainda que impedimentos, como no caso do "Queermuseu", poderiam ser evitados com um projeto de lei que implantasse classificação indicativa para exposições, como ocorre no cinema.
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Matéria de Isabella Menon para o jornal “Folha de São Paulo”, em 05/10/17.

Queermuseu, vinda, veto e volta

Um movimento de artistas articula o financiamento da remontagem da coletiva Queermuseu em um dos equipamentos culturais cariocas, como Escola de Artes Visuais do Parque Lage ou no Galpão Bela Maré. Uma reunião foi agendada pela produtora Paula Lavigne, a fim de estudar propostas para arrecadar fundos para trazer a mostra ao Rio. Matéria publicada originalmente no portal da revista DasArtes, em 05/10/17. +

“Queermuseu”, a exposição mais polêmica dos últimos anos, estava prevista para vir a cidade do Rio de Janeiro, no Museu de Arte do Rio (MAR), provocando reações entusiásticas e negativas ao mesmo tempo.

Em poucos dias, uma reviravolta.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), prometeu no último domingo que não iria permitir a chegada da exposição à cidade, e cumpriu. O Museu de Arte do Rio (MAR), que procurava um acordo com o curador da mostra, censurada em Porto Alegre após uma onda de ataques conservadores, encerrou as negociações para trazer a exposição aos cariocas.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, questiona cinco pessoas se querem uma “exposição de pedofilia e zoofilia”. Todas, obviamente, respondem negativamente. Em tom de deboche, Crivella disse: “Saiu no jornal que vai ser no MAR. Só se for no fundo do mar”. Após o anúncio, segundo o jornal O Globo, o prefeito encomendou à secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira, neta de Cartola, que estudasse como impedir a exposição. “A população do Rio de Janeiro não tem o menor interesse em exposições que promovam zoofilia e pedofilia”, disse Crivella em declarações recolhidas pelo jornal. Questionado como a Prefeitura teria poder de vetar a mostra, ele respondeu: “O povo do Rio de Janeiro tem”.

“Diante do exposto, lamentamos o modo como este debate tem sido inflamado por intensas polêmicas, que levaram a Prefeitura do Rio de Janeiro, por ser este um museu de sua rede municipal de equipamentos culturais, a solicitar a não realização de “Queermuseu”, disse uma nota publicada pelo museu.

Ainda segundo o jornal O Globo, um dia depois do MAR desistir de montar a exposição “Queermuseu”, posição definida na reunião do Conselho Municipal do Museu de Arte do Rio (Conmar) após a oposição do prefeito, a mostra interrompida no Santander Cultural, em Porto Alegre, pode ter nova chance de vir para o Rio. Um movimento de artistas articula o financiamento da remontagem da coletiva em um dos equipamentos culturais cariocas — Fabio Szwarcwald, diretor-presidente do Parque Lage, manifestou interesse em receber a mostra na Escola de Artes Visuais, posição reforçada ontem pelo secretário estadual de Cultura, André Lazaroni. Uma reunião foi agendada hoje pela produtora Paula Lavigne, a fim de estudar propostas para arrecadar fundos para trazer a mostra ao Rio e para uma campanha de conscientização contra a difamação de manifestações artísticas e de seus autores.

— Para montar a exposição no Rio precisaríamos de algo em torno de R$ 300 mil, é uma quantia possível com a doação de obras de alguns artistas. É totalmente viável montar a exposição em outro museu ou centro cultural, já que o prefeito proibiu sua realização no MAR. Poderia ser no Parque Lage ou no Galpão Bela Maré, por exemplo — aponta Paula. — As diretrizes que precisamos definir são em relação a uma campanha para informar a população sobre o valor destas obras de arte, que estão sendo criminosamente deturpadas por razões políticas.

Para a produtora, o momento é de reação da classe artística contra um movimento conservador, encabeçado pela classe política.
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Matéria publicada originalmente no portal da revista Das Artes (www.dasartes.com.br), em 05/10/17.

Carta pública de diretores, curadores e profissionais das instituições culturais

Manifesto de absoluto repúdio pelas ações orquestradas contra espaços institucionais de arte, assim como a toda e qualquer tentativa de cercear, constranger, desqualificar ou proibir as legítimas atividades artísticas que se desenvolvem no Brasil. +

Brasil, 2 de outubro de 2017

Curadores e diretores de museus e instituições culturais brasileiras, em consonância com os princípios constitucionais de direito à diversidade, à liberdade de expressão e à prática democrática da cidadania, vêm em conjunto manifestar o mais absoluto repúdio pelas ações orquestradas contra espaços institucionais de arte, assim como a toda e qualquer tentativa de cercear, constranger, desqualificar ou proibir as legítimas atividades artísticas que se desenvolvem no Brasil, construídas responsavelmente pelas instituições culturais.

São notoriamente falsas as alegações de incitação à pedofilia e de apologia ao sexo nas obras ou nas exposições que têm sido objeto dessas ações.

Porque lidam com o universo do simbólico, do imaginário e do discurso, as práticas artísticas e culturais são fundamentais para o presente e para o futuro de sociedades calcadas na diversidade, no respeito e na educação. Limitar e impedir artistas, curadores e instituições é uma clara política de retrocesso face ao processo histórico que implantou um estado democrático de direito no Brasil.
Como bem definiu Mário Pedrosa, a arte "é o exercício experimental da liberdade" e é dentro de sua prática que resistiremos a esse trágico e obscuro momento no que se refere ao respeito mútuo e à garantia da liberdade de expressão.


Adriano Pedrosa, diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, MASP – São Paulo
Agnaldo Farias, curador geral do Museu Oscar Niemeyer, MON – Curitiba
Ana Pato, curadora do 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil – São Paulo
Ana Paula Cavalcanti Simioni, docente e pesquisadora do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, IEB-USP – São Paulo
Ângela Mascelani, curadora do Museu Casa do Pontal – Rio de Janeiro
Antônio Grassi, diretor executivo de INHOTIM, Brumadinho – Minas Gerais
Áurea Vieira, gerente de relações internacionais do Sesc São Paulo – São Paulo
Beatriz Lemos, curadora do 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil – São Paulo
Benjamin Seroussi, diretor executivo da Casa do Povo – São Paulo
Bernardo de Souza, diretor do Museu Iberê Camargo – Porto Alegre
Beth da Matta, diretora do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, MAMAM – Recife
Bitu Cassundé, curador do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, MAC-CE – Fortaleza
Carlos Alberto Gouvêa Chateaubriand, presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM-RJ – Rio de Janeiro
Carlos Barmak, coordenador educativo do Museu da Casa Brasileira – São Paulo
Carlos Gradim, diretor presidente do Instituto Odeon/Museu de Arte do Rio - MAR – Rio de Janeiro
Carlos Roberto Brandão, diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP, MAC-USP – São Paulo
Carolina Vieira, coordenadora do Programa de Formação Básica de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes – Fortaleza
Cauê Alves, curador do Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia - MuBE – São Paulo
Clarissa Diniz, curadora do Museu de Arte do Rio, MAR – Rio de Janeiro
Cláudia Saldanha, diretora do Centro Cultural Paço Imperial – Rio de Janeiro
Cristina Freire, docente e curadora Museu de Arte Contemporânea da USP, MAC-USP – São Paulo
Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo – São Paulo
Denise Grinspum, coordenadora da área de educação do Instituto Moreira Salles, IMS – Rio de Janeiro e São Paulo
Diego Matos, curador do 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil – São Paulo
Eliana Souza Silva, Centro de Artes da Maré – Rio de Janeiro
Emanoel Araújo, diretor curador do Museu Afro Brasil, São Paulo – São Paulo
Ennio Candotti, diretor geral do Museu da Amazônia, Musa – Rio de Janeiro
Evandro Salles, diretor cultural do Museu de Arte do Rio, MAR – Rio de Janeiro
Fernanda Lopes, curadora assistente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM-RJ - Rio de Janeiro
Fernando Cocchiarale, curador de artes visuais do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM-RJ - Rio de Janeiro
Flávio Pinheiro, superintendente-executivo do Instituto Moreira Salles, IMS – Rio de Janeiro e São Paulo
Gabriel Bogosian, curador adjunto do Galpão Videobrasil – São Paulo
Gabriel Pérez-Barreiro, curador da 33a Bienal de São Paulo – São Paulo
Gaudêncio Fidélis, curador de Queermuseu - cartografias da diferença na arte brasileira - Porto Alegre
Hugo Sukman, curador da nova sede do Museu da Imagem e do Som, MIS-RJ – Rio de Janeiro
Janaina Melo, gerente de educação do Museu de Arte do Rio, MAR – Rio de Janeiro
João Carlos de Figueiredo Ferraz, presidente da Fundação Bienal e do Instituto Figueiredo Ferraz – São Paulo
João Laia, curador do 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil – São Paulo
Jorge Schwartz, diretor do Museu Lasar Segall / Ibram / MinC – São Paulo
Josué Mattos, curador do Museu de Arte de Santa Catarina – Florianópolis
Juliana Braga de Mattos, gerente de artes visuais do Sesc São Paulo – São Paulo
Júlio Martins, curador residente do Museu de Arte do Espírito Santo, MAES - Vitória
Justo Werlang, diretor Presidente da Fundação Iberê Camargo – Porto Alegre
Lenora Pedroso, diretora do Museu de Arte Contemporânea do Paraná, MAC-PR – Curitiba
Lidia Goldenstein, vice-presidente da Fundação Bienal – São Paulo
Lisette Lagnado, curadora de ensino e programas públicos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage – Rio de Janeiro
Lucas Pessôa, diretor financeiro e de operações, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, MASP – São Paulo
Luciana Guimarães, superintendente da Fundação Bienal São Paulo – São Paulo
Luiz Alberto Oliveira, curador geral do Museu do Amanhã – Rio de Janeiro
Luiz Camillo Osório, curador do 35º Panorama da Arte Brasileira – Brasil por Multiplicação
Luiz Pizarro, curador de educação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM-RJ – Rio de Janeiro
Luiza Mello, Galpão Bela Maré – Rio de Janeiro Marcello Dantas, curador Japan House – São Paulo
Marcelo Campos, curador associado do Museu de Arte do Rio - MAR e diretor do Departamento Cultural da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ – Rio de Janeiro
Marcelo Velloso, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Niterói – MAC Niterói
Marcio Doctors, curador da Casa Museu Eva Klabin, CMEK – Rio de Janeiro
Marisa Mokarzel, conselheira curatorial do Museu da Universidade Federal do Pará, MUFPA – Belém
Milene Chiovatto, presidente do Comitê de Educação e Ação Cultural do Conselho Internacional de Museus, CECA/ICOM
Moacir dos Anjos, pesquisador e curador da Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ – Recife
Orlando Maneschy, curador etc da coleção Amazoniana de arte da UFPA – Belém
Pablo León de La Barra, curador-chefe do Museu de Arte Contemporânea de Niterói - MAC-Niterói
Paulo Linhares, presidente do Instituto Dragão do MAR – Fortaleza
Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake – São Paulo
Priscila Arantes, diretora Artística e curadora do Paço das Artes – São Paulo
Raphael Fonseca, curador do Museu de Arte Contemporânea de Niterói - MAC-Niterói
Raquel Fernandes, diretora do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, MBRAC – Rio de Janeiro
Renan Andrade, diretor do Museu de Arte do Espírito Santo – MAES – Vitória
Ricardo Ohtake, presidente do Instituto Tomie Ohtake – São Paulo
Ricardo Resende, curador do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, MBRAC – Rio de Janeiro
Solange Farkas, diretora e curadora da Associação Cultural Videobrasil |Galpão VB – São Paulo
Wagner Barja, diretor do Museu Nacional da República – Brasília
Xico Chaves, diretor do Centro de Artes Visuais – CEAV Funarte
Zivé Giudice, diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia – Salvador.

Um manual para alertar o público de exposições

Após episódios como a exposição Queermuseu e a performance de Wagner Schwartz na abertura do 35.º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna (MAM-SP), diretores de museus e instituições culturais se reuniram para discutir apossibilidade de criar um manual de procedimento a exposições e um processo de classificação indicativa. Matéria de Antonio Gonçalves Filho para o jornal “O Estado de S. Paulo”, em 05/10/17. +

Os episódios recentes da exposição Queermuseu, fechada no Santander Cultural por pressão pública, e da performance do bailarino Wagner Schwartz na abertura do 35.º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna (MAM), que provocou protestos na porta da instituição, terminaram por mobilizar diretores de museus e instituições culturais, que se reúnem hoje, no Instituto Tomie Ohtake, para discutir, entre outros assuntos, a possibilidade de criar um manual de procedimento em relação a exposições, não contemplada pela Portaria 368, de fevereiro de 2014, do Ministério da Justiça, que regulamenta o processo de classificação indicativa. Entre as organizações está o próprio instituto, dirigido por Ricardo Ohtake, que foi secretário Estadual da Cultura entre 1993 e 1994.

Ohtake, que não enfrentou nesse período nenhuma manifestação pública pedindo o fechamento de exposições, considera um retrocesso os episódios do cancelamento da exposição Queermuseu (leia abaixo) pelo Santander Cultural e os protestos contra a performance do MAM – em que uma criança, acompanhada da mãe, toca a perna do bailarino Wagner Schwartz, performance em que aparece nu, filmada, transmitida fora de contexto pela internet e interpretada pelos manifestantes que foram ao MAM como um incentivo à pedofilia.

“Na época em que fui secretário de Cultura, fazia pouco tempo que tínhamos saído de uma ditadura e existia maior liberdade”, diz Ohtake. Ele defende o direito de expressão dos artistas, mas, como presidente da Associação Nacional de Entidades Culturais (Anec), considerou sensata a convocação de uma reunião para discutir os procedimentos que os museus devem adotar para evitar incidentes como os citados.

O presidente do Ibram, Instituto Brasileiro de Museus, Marcelo Araújo, manifestou sua preocupação diante dos recentes episódios e, como coordenador do comitê gestor do sistema brasileiro de museus, distribuiu uma nota em que o Ibram “repudia qualquer tipo de censura em torno da produção artística, mesmo que trate de temas ainda sensíveis para nossa sociedade, e reforça ser indispensável numa democracia a liberdade de expressão, produção e fruição artística”. Araújo, que foi diretor do Museu Lasar Segall e da Pinacoteca do Estado, disse ontem ao Estado que acha muito apropriado que os museus discutam essas questões, “visando a definição de procedimentos que os preservem como espaços de reflexão”.

Ricardo Ohtake não vê necessidade de uma classificação etária para as exposições de arte (a Portaria 368 diz que compete à União fazer essa classificação, mas passa ao largo das mostras). Antes, defende a ideia de criar um manual que informe como o museu deve agir com relação ao sistema de garantias dos direitos das crianças e dos adolescentes, tão enfatizado na referida portaria, alertando os pais sobre a existência de conteúdos inadequados a menores numa exposição. “Não estamos falando de censura à arte ou autocensura dos museus”, enfatiza Ohtake.

O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, que é vice-presidente da Anec, reforça essa declaração. A primeira notícia sobre a reunião das entidades culturais, veiculada na quarta, 4, pelo jornal O Globo, dizia que elas pretendem criar uma espécie de conselho nos moldes do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), que contém todas as regras que devem ser seguidas pelas agências publicitárias. “Não é um Conar que se pretende criar, mas reunir instituições culturais em torno de três objetivos: conhecer o Estatuto do Menor, criar um manual para fazer a autoclassificação das exposições e poder informar corretamente o público sobre o conteúdo das mostras que vai ver”, resume Saron.
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Matéria de Antonio Gonçalves Filho para o jornal “O Estado de S. Paulo”, em 05/10/17.

Mostra "Queermuseu" é vetada no Museu de Arte do Rio por decisão do prefeito

Mesmo o conselho consultivo (Conmar), que define a programação do Museu de Arte do Rio (MAR), ter deliberado pela vinda da exposição, a exibição não será realizada por decisão unilateral do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e, atendo-se a este escopo, não pode se voltar contra uma decisão do prefeito. Matéria de Roberta Pennafort o jornal “O Estado de S.Paulo”, em 03/10/17. +

Apesar de o conselho que define a programação do Museu de Arte do Rio (MAR) ter deliberado pela vinda da exposição Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira para a instituição, a exibição não será realizada, por decisão unilateral do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). As discussões sobre a mostra abriram uma crise entre o museu, que é da prefeitura, e o executivo municipal, que a considera imoral.

As mostras do MAR, desde sua inauguração, em 2013, são decididas internamente e referendadas pelo seu conselho consultivo (Conmar). O conselho se reuniu nesta terça-feira,(3/9). Com assento no Conmar, a Secretaria Municipal de Cultura, após o encontro, informou que as tratativas para trazer a mostra, retirada de cartaz mês passado do Santander Cultural, em Porto Alegre, porque movimentos conservadores a acusaram de “promover zoofilia e pedofilia”, não foram adiante por conta da posição do prefeito.

Já o Conmar enviou nota informando que “é favorável à realização da exposição, bem como a de qualquer outra atividade que contribua para o exercício da arte como fundamento de nosso processo civilizatório”. O texto diz que o órgão lamenta “o modo como este debate tem sido inflamado por intensas polêmicas, que levaram a Prefeitura do Rio de Janeiro, por ser este um museu de sua rede municipal de equipamentos culturais, a solicitar a não realização” da mostra.

A nota termina dizendo que o Conmar recomenda que o museu, “cumprindo com sua função pública, promova, abrigue e amplie o debate e as reflexões em torno do papel da arte, das instituições e de toda a sociedade para a construção da diversidade e da produção de diálogos calcados na escuta e no respeito às diferenças.”

A secretaria enviou informe explicando que o “Conmar não é um conselho deliberativo e, como tal, não possui poder de veto ante decisões do Executivo Municipal, que já se posicionou claramente pela não realização de ‘Queermuseu’”. A nota da secretaria diz ainda que o Conmar objetiva “o estudo de políticas públicas, a elaboração de diretrizes de programação e estratégias de fomento de atividades a serem realizadas naquele equipamento cultural”, e, atendo-se a este escopo, não pode se voltar contra uma decisão do prefeito.

Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que se posicionou em sua página na internet contra a exposição, quando de seu cancelamento pelo Santander Cultural. Consta do site um texto que diz que as obras – de artistas de relevo internacional e inconteste, como Candido Portinari, Lygia Clark, Alfredo Volpi e Adriana Varejão – continham “perversidades” e que, por esta razão, a exposição “causou uma revolta quase que generalizada, classificando o que chamaram de ‘obra de arte’ como algo imoral e abominável a qualquer pessoa, independentemente da crença ou opção sexual.” Desde que assumiu a prefeitura, Crivella vem sendo criticado pela parte da população por não apoiar o carnaval e a Parada do Orgulho LGBTQ, motivado por suas convicções religiosas.

Na segunda-feira, o prefeito disse que não permitiria a vinda da mostra: “A população do Rio é soberana e não tem o menor interesse em exposições que promovam zoofilia e pedofilia. Já conversei com a nossa secretária (de Cultura, Nilcemar Nogueira) e não há a menor chance”. Ele acrescentou que “o povo carioca” tem poder de veto em relação à “Queermuseu”.
No domingo, o prefeito já havia divulgado em suas redes sociais um vídeo em que mostra seis populares rechaçando a exibição. Em seguida, aparece Crivella, em tom debochado, dizendo: “Tá vendo? É por isso que aqui no Rio a gente não quer essa exposição. Saiu no jornal que ia ser no MAR. Só se for no fundo do mar. No MAR do Rio, nããão”.

No mesmo domingo, o MAR informara que a exibição seria discutida pelo conselho esta semana. “Museu nenhum do Brasil ou do mundo faria qualquer ação para estimular pedofilia ou zoofilia, precisamos ter cuidado com as interpretações distorcidas e com o uso político dessas polêmicas. Pelo contrário, museus e centros culturais são lugares onde mais se pensa em conteúdos voltados à formação e educação de crianças e adolescentes”, declarou o diretor cultural do MAR, Evandro Salles, ao jornal O Globo.

Na segunda, o museu informou, sobre as tratativas para a exibição, que “diante dos episódios motivados por discursos de ódio e atos de violência, como os que ocorreram no último fim de semana, a segurança apresentou-se como fator prioritário nesta discussão”.

Representantes de instituições culturais de diferentes estados e curadores divulgaram na segunda-feira uma carta pública à sociedade brasileira em que externam seu repúdio a ações orquestradas por movimentos conservadores contra exposições como a Queermuseu, e a Panorama da arte brasileira, em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Ambas as mostras vêm sendo alvos de ataques virtuais e até reais – no sábado, chegou-se à agressão física contra funcionários da MAM –, que se baseiam na premissa, contestada por artistas e curadores, de que elas atentam contra o Estatuto da Criança e do Adolescente. A carta é assinada por 73 pessoas, como Adriano Pedrosa, diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), Antônio Grassi, diretor executivo de Inhotim (MG), Carlos Alberto Gouvêa Chateaubriand, presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) e Ricardo Ohtake, presidente do Instituto Tomie Ohtake.

O texto sai em defesa da liberdade de expressão e afirma que “limitar e impedir artistas, curadores e instituições é uma clara política de retrocesso face ao processo histórico que implantou um estado democrático de direito no Brasil”.
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Matéria de Roberta Pennafort para o site do jornal “O Estado de S.Paulo”, em 03/10/17.

Censurada em Porto Alegre, mostra "Queermuseu" será exibida no Rio

Exposição foi cancelada pelo Santander Cultura após protestos, pode abrir no Museu de Arte do Rio (MAR), mas ainda não há datas para abertura e diretor cultural do museu, Evandro Salles, confirmou as negociações com a Prefeitura do Rio de Janeiro. Matéria originalmente publicada no jornal “O Globo”, em 23/09/17. +

Conforme informou o colunista Ancelmo Gois, a mostra "Queermuseu", censurada pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, será exibida no Rio de Janeiro. O local será o Museu de Arte do Rio (MAR). Ainda não há informações sobre a data da exposição.
O MAR falará sobre o assunto no início da próxima semana. O diretor cultural do museu, Evandro Salles, confirmou as negociações e disse que "há um interesse mútuo" de trazer a mostra para o Rio.

Procurado pelo GLOBO, Gaudêncio Fidelis, curador de "Queermuseu" não foi localizado até o momento. Em entrevista no dia 15, Fidelis chegou a falar em exibir a mostra em outras cidades — além do Rio, há expectativa de a exposição ir para Belo Horizonte.
— Recebemos propostas de várias cidades e estamos estudando. De Belo Horizonte, recebemos uma consulta de um assessor da secretaria de Cultura para saber se haveria o interesse de transferir a mostra para lá, caso a negociação se concretizasse. Aliás, eles obedeceram ao protocolo mais elementar, de consultar o curador para falar sobre a exposição, coisa que o Santander Cultural não fez.

ENTENDA O CASO

O Santander Cultural, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, anunciou, no dia 10 de setembro, o cancelamento da exposição "Queermuseu — Cartografias da diferença na arte brasileira", após protestos na instituição e nas redes sociais. Em nota, o centro cultural afirmou ter entendido que as obras expostas "desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas", o que não estaria alinhado com sua "visão de mundo". Críticos da mostra afirmaram nas redes sociais que alguns quadros representavam "imoralidade", "blasfêmia" e "apologia à zoofilia e pedofilia".

Aberta no dia 15 de agosto e prevista para acontecer até 8 de outubro, a "Queermuseu" contava com mais de 270 obras, oriundas de coleções públicas e privadas, que exploravam a diversidade de expressão de gênero. Na época em que a exposição foi anunciada, o Santander informava que "valoriza a diversidade e investe em sua unidade de cultura no Sul do País para que ela seja contemporânea, plural e criativa".
Entre os autores expostos na "Queermuseu", estavam Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Candido Portinari, Clóvis Graciano e Lygia Clark. A mostra reunia pinturas, gravuras, fotografias, colagens, esculturas, cerâmicas e vídeos.
Após o cancelamento, ainda ocorreu uma tentativa de a mostra "Queermuseu" ser reaberta em Porto Alegre. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no entanto, negou um pedido de tutela antecipada para a reabertura da exposição.
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Matéria originalmente publicada no jornal “O Globo”, em 23/09/17.