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Sorry, Trump: Ikea Foundation recebe prêmio de design por abrigo para refugiados

Better Shelter da Ikea: mais de 30 mil unidades já estão sendo usadas por vítimas de conflitos e desastres naturais. +

A Ikea recebeu do Design Museum, de Londres, o prêmio Beazley Design of the Year pelo “Better Shelter”. O projeto é assinado por Johan Karlsson, Dennis Kanter, Christian Gustafsson, John van Leer, Tim de Haas, Nicolò Barlera, a fundação Ikea e a UNHCR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados).
A iniciativa desenvolveu casas mais dignas e seguras para vítimas de desastres naturais e conflitos, trazendo a indústria do design para usar a sua veia inovadora e criar esses abrigos emergenciais. Eles são feitos com tecnologia flat-pack, muito usada em móveis: o abrigo é erguido a partir de peças pré-fabricadas e modulares, o que facilita a montagem e o transporte.
O pacote da casa já vem com todas as ferramentas necessárias para o seu levantamento, o qual dura cerca de quatro horas. A porta da frente do abrigo tem fechadura, trazendo mais privacidade para os moradores, e o projeto conta com uma parede que, na verdade, é um painel de energia solar. 30 mil unidades dos Better Shelters já estão sendo usados ao redor do mundo. Cada casa tem capacidade para uma família de cinco pessoas.
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Better Shelter: bettershelter.org
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Texto de Odhara Caroline originalmente publicado no site "Giz" (http://gizbrasil.com) | 07/02/17.

Bienal de Veneza divulga lista de artistas da mostra

São 120 artistas na mostra principal. Os brasileiros participantes são Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto. O evento começa em 13/05/17. +

De forma discreta, a organização da Bienal de Veneza divulgou a lista de artistas participantes da mostra principal do evento, que começa em 13/05/17. Com o título "Viva Arte Viva" e curadoria de Christine Macel, a relação traz pesos-pesados já falecidos, como Bas Jan Ader e Franz West, pesos-pesados vivos como Kiki Smith e Olafur Eliasson, e também jovens poderosos como Rachel Rose e Dawn Kasper. Veja abaixo a lista completa de artistas, em ordem alfabética por sobrenome.
Nota do Mapa das Artes: os brasileiros participantes da mostra principal são Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto. Já o pavilhão do Brasil é ocupado por Cinthia Marcelle.

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1. ADER, Bas Jan
Nascimento: 1942; Holanda. Falecimento: 1975.

2. AL SAADI, Abdullah
Nascimento: 1967; Emirados Árabes. Vive e trabalha em Khor Fakkan (Emirados Árabes)

3. ALADAG, Nevin
Nascimento: 1972; Turquia. Vive e trabalha em Berlim.

4. ANTUNES, Leonor
Nascimento: 1972; Portugal. Vive e trabalha em Berlim.

5. ARAEEN, Rasheed
Nascimento: 1935; Paquistão. Vive e trabalha em Londres.

6. ARANCIO, Salvatore
Nascimento: 1974; Itália. Vive e trabalha em Londres.

7. ATIKU, Jelili
Nascimento: 1968; Nigéria. Vive e trabalha em Lagos (Nigéria).

8. ATLAS, Charles
Nascimento: 1949; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

9. ATTIA, Kader
Nascimento: 1970; França. Vive e trabalha em Paris.

10. ÁVILA FORERO, Marcos
Nascimento: 1983; França. Vive e trabalha em Paris e Bogotá (Colômbia).

11. BANERJEE, Rina
nascimento: 1963; Índia. Vive e trabalha em Nova York.

12. BEUTLER, Michael
Nascimento: 1976; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

13. BINION, McArthur
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Chicago.

14. BLACK, Karla
Nascimento: 1972; Reino Unido. Vive e trabalha em Glasgow.

15. BLANK, Irma
Nascimento: 1934; Alemanha. Vive e trabalha em Milão.

16. BLAZY, Michel
Nascimento: 1966; Principado de Mônaco. Vive e trabalha em Paris (França).

17. BRUSCKY, Paulo
Nascimento: 1949; Brasil. Vive e trabalha em Recife.

18. BUCHER, Heidi
1926-1993; Suíça.

19. CALAND, Huguette
Nascimento: 1931; Líbano. Vive e trabalha em Los Angeles (EUA).

20. CHARRIÈRE, Julian
Nascimento: 1987; Suíça. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

21. CIACCIOFERA, Michele
Nascimento: 1969; Itália. Vive e trabalha em Paris (França).

22. CORDIANO, Martín
Nascimento: 1975; Argentina. Vive e trabalha em Londres (Inglaterra).

23. CSOR̈GŐ, Attila
Nascimento: 1965; Hungria. Vive e trabalha em Bialystok (Polônia).

24. CURNIER JARDIN, Pauline
Nascimento: 1980; França. Vive e trabalha em Amsterdam (Holanda).

25. DANZ, Mariechen
Nascimento: 1980; Irlanda. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

26. DEKYNDT, Edith
Nascimento: 1960; Bélgica. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

27. DÍAZ MORALES, Sebastián
Nascimento: 1975; Argentina. Vive e trabalha em Amsterdam (Holanda).

28. DOWNEY, Juan
Nascimento: 1940; Chile. Falecimento: 1993; EUA.

29. ELIASSON, Olafur
Nascimento: 1967; Dinamarca. Vive e trabalha em Copenhagen (Dinamarca ) e Berlim (Alemanha).

30. ENGSTED, Søren
Nascimento: 1974; Dinamarca. Vive e trabalha em Copenhagen.

31. FIŠKIN, Vadim
Nascimento: 1965; Rússia. Vive e trabalha em Ljubljana (Eslovênia).

32. GARCÍA URIBURU, Nicolás
1937–2016, Argentina

33. GENG, Jianyi
Nascimento: 1962; China. Vive e trabalha em Hangzhou.

34. GILLIAM, Sam
Nascimento: 1933; EUA. Vive e trabalha em Washington, D.C.

35. GRIFFA, Giorgio
Nascimento: 1936; Itália. Vive e trabalha em Torino.

36. GUAN, Xiao
Nascimento: 1983; China. Vive e trabalha em Pequim.

37. GUARNERI, Riccardo
Nascimento: 1933; Itália. Vive e trabalha em Florença.

38. GUTIÉRREZ, Cynthia
Nascimento: 1978; México. Vive e trabalha em Guadalajara.

39. HAINS, Raymond
1926–2005; França.

40. HAJAS, Tibor
1946–1980; Hungria.

41. HALILAJ, Petrit
Nascimento: 1986; Kosovo. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

42. HALPRIN, Anna
Nascimento: 1920; EUA. Vive e trabalha em Kentfield / Califórnia.

43. HAO, Liang
Nascimento: 1983; China. Vive e trabalha em Pequim.

44. HERÁCLITO, Ayrson
Nascimento: 1968; Brasil. Vive e trabalha em Salvador / Bahia.

45. HICKS, Sheila
Nascimento: 1934; EUA. Vive e trabalha em Paris (França).

46. HOPE, Andy
Nascimento: 1930; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

47. KASPER, Dawn
Nascimento: 1977; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

48. KHAN, Hassan
Nascimento: 1975; Reino Unido. Vive e trabalha no Cairo (Egito).

49. KIM, Sung Hwan
Nascimento: 1975; Coréia. Vive e trabalha em Nova York.

50. KONATE, Abdoulaye
Nascimento: 1953; Mali. Vive e trabalha em Bamako.

51. KORINA, Irina
Nascimento: 1977; Rússia. Vive e trabalha em Moscou.

52. KWADE, Alicja
Nascimento: 1979; Polônia. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

53. LAI, Firenze
Nascimento: 1984; Hong Kong. Vive e trabalha em Hong Kong.

54. LAI, Maria
1919–2013; Itália.

55. LANCETA, Teresa
Nascimento: 1951; Espanha. Vive e trabalha em Alicante e Barcelona.

56. LATHAM, John
Nascimento: 1921; Zambia. Falecimento: 2006; Reino Unido.

57. LEE Mingwei
Nascimento: Taiwan; 1964. Vive e trabalha em Paris (França).

58. LEIBOVICI, Franck
Nascimento: 1975; França. Vive e trabalha em Paris.

59. LEWITT, Sam
Nascimento: 1981; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

60. LIU, Jianhua
Nascimento: 1962; China. Vive e trabalha em Xangai.

61. LIU, Ye
Nascimento: 1964; China. Vive e trabalha em Pequim.

62. MAKHACHEVA, Taus
Nascimento: 1983; Rússia. Vive e trabalha em Moscou e Makhachkala.

63. MALLUH, Maha
Nascimento: 1959; Arábia Saudita. Vive e trabalha em Riyadh.

64. MARWAN
Nascimento: 1934; Síria. Falecimento: 2016; Alemanha.

65. MATSUTANI, Takesada
Nascimento: 1937; Japão. Vive e trabalha em Paris.

66. MEDALLA, David
Nascimento: 1938; Filipinas. Vive e trabalha em Londres.

67. MILLER, Dan
Nascimento: 1961; EUA. Vive e trabalha em Oakland.

68. MILLER, Peter
Nascimento: 1978; EUA. Vive e trabalha em Colônia e Dusseldorf (Alemanha).

69. MIRALDA, Antoni; RABASCALL, Joan; SELZ, Dorothée; XIFRA, Jaume
Nascimento: 1942; Espanha. Vive e trabalha em Barcelona.
Nascimento: 1935; espanha. Vive e trabalha em Paris.
Nascimento: 1946; França. Vive e trabalha em Paris.
Nascimento: 1934; Espanha. Falecimento: 2014; França.

70. MONDRIAN FAN CLUB (David Medalla e Adam Nankervis)
Nascimento: 1938; Filipinas. Vive e trabalha em Londres.
Nascimento: 1965; Austrália. Vive e trabalha em Londres e Berlinm.

71. MURESAN, Ciprian
Nascimento: 1977; Romênia. Vive e trabalha em Cluj.

72. NENGUDI, Senga
Nascimento: 1943; EUA. Vive e trabalha em Colorado Springs.

73. NETO, Ernesto
Nascimento: 1964; Brasil. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

74. NUÑEZ, Katherine e RODRIGUEZ, Issay
Nascimento: 1992; Filipinas.
Nascimento: 1991; Filipinas.
Vivem e trabalham em Marikina.

75. OHO
Fundado em 1966; baseado em Kranj e Ljubljana (Eslovênia) desde 1971.

76. OROZCO, Gabriel
Nascimento: 1962; México. Vive e trabalha em Tóquio.

77. PARRENO, Philippe
Nascimento: 1964; Algéria. Vive e trabalha em Paris.

78. PICH, Sopheap
Nascimento: 1971; Camboja. Vive e trabalha em Phnom Penh.

79. PLNÝ, Lubos
Nascimento: 1961; República Checa. Vive e trabalha em Praga.

80. POGACNIK, Marko
Nascimento: 1944; Eslovênia. Vive e trabalha em Sempas.

81. POLSKA, Agnieszka
Nascimento: 1985; Polônia. Vive e trabalha em Berlim.

82. POOTOOGOOK, Kananginak
1951–2010; Canadá.

83. PORTER, Liliana
Nascimento: 1941; Argentina. Vive e trabalha em Nova York.

84. QUINLAN, Eileen
Nascimento: 1972; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

85. RAHMOUN, Younès
Nasimento: Marrocos; 1975. Vive e trabalha em Tetouan.

86. RAMA, Edi
Nascimento: 1964; Albânia. Vive e trabalha em Tirana.

87. RAMÍREZ, Enrique
Nascimento: 1979; Chile. Vive e trabalha em Paris e Santiago.

88. RAMÍREZ-FIGUEROA, Naufus
Nascimento: 1978; Guatemala. Vive e trabalha em Berlim.

89. ROSE, Rachel
Nascimento: 1986; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

90. SALA, Anri
Nascimento: 1974; Albânia. Vive e trabalha em Berlim.

91. SÁNCHEZ, Zilia
Nascimento: 1926; Cuba. Vive e trabalha em San Juan.

92. SAPOUNTZIS, Yorgos
Nascimento: 1976; Grécia. Vive e trabalha em Berlim.

93. SCOTT, Judith
1943–2005; EUA.

94. SHARIF, Hassan
1951–2016; Emirados Árabes.

95. SHAVER, Nancy
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Jefferson e Hudson / Nova York.

96. SHAW, Jeremy
Nascimento: 1977; Canadá. Vive e trabalha em Berlim.

97. SHERK, Bonnie Now
Nascimento: EUA. Vive e trabalha em Nova York e São Francisco.

98. SHIMABUKU
Nascimento: 1969; Japão. Vive e trabalha em Naha.

99. SMITH, Kiki
Nascimento: 1954; Alemanha. Vive e trabalha em Nova York e Catskills.

100. STARK, Frances
Nascimento: 1967; EUA. Vive e trabalha em Los Angeles.

101. STILINOVIĆ, Mladen
Nascimento: 1947; Sérvia. Falecimento: Croácia.

102. STOLTE, Fiete
Nascimento: 1979; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

103. STUART, Michelle
Nascimento: 1933; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

104. SUGA, Kishio
Nascimento: 1944; Japão. Vive e trabalha em Ito.

105. TANAKA, Koki
Nascimento: 1975; Japão. Vive e trabalha em Kyoto.

106. TENGER, Hale
Nascimento: 1960; Turquia. Vive e trabalha em Istanbul.

107. THE PLAY
Fundado em 1967 no Japão; baseado na região de Kansai.

108. TOULOUB, Achraf
Nascimento: 1986; Marrocos. Vive e trabalha em Paris.

109. TRAN, Thu Van
Nascimento: 1979; Vietnã. Vive e trabalha em Paris.

110. UPRITCHARD, Francis
Nascimento: 1976; Nova Zelândia. Vive e trabalha em Londres.

111. VERZUTTI, Erika
Nascimento: 1971; Brasil. Vive e trabalha em São Paulo.

112. VOIGNIER, Marie
Nascimento; 1974; França. Vive e trabalha em Paris.

113. VOROBYEVA, Yelena and VOROBYEV, Viktor
Nascimento: 1959; Turcomenistão.
Nascimento: 1959; Cazaquistão.
Vivem e trabalham em Almaty (Cazaquistão).

114. WAHEED, Hajra
Nascimento: 1980; Canadá. Vive e trabalha em Montreal.

115. WALTHER, Franz Erhard
Nascimento: 1939; Alemanha. Vive e trabalha em Fulda.

116. WATERS, John
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Baltimore.

117. WEST, Franz
1947–2012; Áustria.

118. WYN EVANS, Cerith
Nascimento: 1958; Reino Unido. Vive e trabalha em Londres.

119. YEESOOKYUNG
Nascimento: 1963; Coreía. Vive e trabalha em Seul.

120. ZHOU, Tao
Nascimento: 1976; China. Vive e trabalha em Guangzhou.

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Texto de Andrew Russeth originalmente publicado, em inglês, no site "ArtNews" (www.artnews.com) | 06/02/17.
Na foto, o brasileiro Paulo Bruscky.

Bienal de Veneza escala Paulo Bruscky e outros três artistas brasileiros

O tradicional evento italiano, que começa em maio, vai contar com obras de Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto na mostra principal. Já o pavilhão do Brasil é ocupado por Cinthia Marcelle. +

Quatro artistas brasileiros, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti, Ernesto Neto e Paulo Bruscky, estarão na mostra principal da próxima Bienal de Veneza, que começa em maio. Eles foram escalados pela francesa Christine Macel, à frente desta edição da mostra.
Bruscky é um dos mais relevantes artistas da história da performance e da arte conceitual no país, enquanto Neto é outro nome com grande trânsito internacional -ele já representou o Brasil na edição de 2001 do evento italiano, considerado o mais tradicional do mundo.
Heráclito e Verzutti são nomes em ascensão no circuito global. Também conhecido por suas performances, além de fazer fotografias, Heráclito trabalhou com Marina Abramovic em sua retrospectiva paulistana. Já Verzutti foi uma das grandes revelações da última Bienal de São Paulo, no ano passado.
Outro brasileiro que estará na mostra é a artista Cinthia Marcelle, que ocupará sozinha o pavilhão do país nos Giardini.
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Texto originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 06/02/17.
Na foto, Paulo Bruscky em seu ateliê no Recife. Crédito: Leo Caldas / Folhapres.

Cidade holandesa celebra Piet Mondrian com réplica gigante

Homenagem ocorre no centenário da fundação do movimento artístico De Stijl, lançado pelo pintor Piet Mondrian. +

A prefeitura de Haia, na Holanda, teve sua fachada decorada com o que as autoridades locais estão chamando de 'maior pintura de Mondrian do mundo' para celebrar o artista abstrato holandês Piet Mondrian (1872-1944).
A réplica da pintura, feita de finas folhas de plástico emolduradas, apresenta o famoso desenho de linhas retas pretas e marcantes blocos vermelhos, amarelos e azuis, foi exibido nas laterais da fachada da prefeitura.
"O conselho da cidade de Haia decidiu homenagear o artista de renome mundial como parte de um ano comemorando o tema 'Mondrian para o design holandês'", disse o porta-voz Herbert Brinkman à agência de notícias AFP.
Este ano marca o centenário da fundação do movimento de arte holandês chamado De Stijl (O Estilo), que ficou conhecido por fortes linhas horizontais e verticais com blocos de cores primárias. Mondrian e o pintor Theo van Doesburg foram dois dos mais conhecidos artistas do movimento.
A pintura mais famosa de Mondrian, "Victory Boogie Woogie", de 1944, é considerada uma das obras de arte mais importantes do século 20. A pintura retornou à Holanda em 1998 após ser comprada de uma coleção americana confidencial por 40 milhões de dólares. A obra agora está no Gemeentemuseum, em Haia, que abriga cerca de 300 outras obras de Mondrian, se tornando a maior coleção do mundo.
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Texto originalmente publicado no site "G1" (http://g1.globo.com) | 04/02/17.
Na foto, a prefeitura de Haia é vista com sua fachada decorada em homenagem ao pintor Piet Mondrian. Crédito: Jerry Lampen / AFP.

Artista luso-brasileiro Artur Barrio vence o Grande Prêmio Fundação EDP Arte

“Entrei na arte sem medo, o meu medo era ser comprado”, diz Barrio, português radicado no Brasil conhecido por obras com sangue, carne ou urina. +

Radical, provocador e anarquista, mas sempre pronto para fugir a classificações. Chama-se Artur Alípio Barrio de Sousa Lopes e o mundo artístico conhece-o como Artur Barrio – apelido da avó materna, que era espanhola. Nasceu há 72 anos na cidade do Porto e mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha 11. Fala português do Brasil, mas ainda constrói frases à portuguesa e com sotaque do norte.
Vencedor do Grande Prêmio Fundação EDP Arte 2016 – anunciado nesta sexta-feira (03/02/17) ao fim da manhã, em Lisboa –, tem uma carreira de mais de 50 anos ligada à arte experimental e marcada por obras polêmicas com forte carga política.
O júri internacional que lhe atribuiu o prêmio no valor de 50 mil euros destacou a “atitude” como “conceito-chave no trabalho de Artur Barrio” e o seu “exílio humilde” como “forma de reagir à impaciência da história e de produzir pensamento através de um gesto de retirada”.
Em entrevista ao "Observador", no dia anterior à entrega do galardão, o artista plástico resumiu a sua história de vida e explicou que trabalha com sangue, urina, carne e sal por serem materiais “simples de encontrar e os mais terríveis de serem mostrados”.

Considera-se português ou luso-brasileiro?
Dizem lá no Brasil que sou um artista português e aqui dizem que sou um artista brasileiro. Como não tenho nenhum interesse em que o meu trabalho tenha nacionalidade, parti para o meio do Oceano Atlântico. Considero-me uma pessoa que vive no mar, longe de qualquer sistema de fronteiras.

Longe também do mercado da arte?
Sim, tento ao máximo. Tento não, porque o meu trabalho mais perturbador é em si mesmo antimercado. Não procurei ter contratos com galerias, posso fazer alguma exposição esporádica numa galeria, mas prefiro trabalhar com instituições. Os museus têm outra dinâmica e abordagem, no sentido de respeitarem e não procurarem uma visão mercadológica. Isso faz com que o meu trabalho se desenvolva a partir de mostras e experiências em museus. Mas já houve tentativas em relação aos registros do meu trabalho, tentaram comercializá-los.

Os registros são as fotografias das suas obras?
Fotografia, apontamentos escritos e vídeos, noutros tempos foi o filme Super 8 ou 6 milímetros. O meu trabalho, em geral, é efêmero, em si e nos materiais. Evidentemente, o objeto não prevalece, o que prevalece é o registro. Noutros casos, nem faço registro.

Se as suas obras forem fotografadas com o celular ou filmadas para um noticiário na televisão passa a haver mais registros.
Sim, mas tenho o meu próprio registro.

E o seu registro prevalece sobre outros porque tem cunho de autor?
Em princípio, sim. Não sou contra a divulgação do trabalho nem a relação dele com o outro, mas não aceito que alguém pegue no registro e o venda ou deixe de citar o meu nome como o criador. O registro é o que fica, é um fragmento, mas antes já existiu a obra. Aquele momento, que foi convivido e vivido é o trabalho. O registro posterior não é a obra, é apenas uma pequena memória do que aconteceu.

Há quem descreva as suas obras como performances, situações, intervenções.
Pode chamar como quiser, eu chamo situação. Criou-se uma situação. A performance cai sempre numa teatralidade com princípio, meio e fim. Quando apareço junto à obra, a minha pessoa, a minha imagem, eu não estou fazendo performance para o público, estou trabalhando, fazendo as minhas coisas.

É conhecido pelos trabalhos com papel higiênico, sangue, carne, pão, farelo de arroz. Porquê estes materiais?
Isso tem a ver com o lado psicanalítico de quem vê… O papel higiênico foi em 1969, com 50 centavos comprei vários rolos de papel e o material estava ali. O mais caro foi fazer o registro fotográfico. Amarrava o papel num andaime, qualquer coisa, e ali na entrada da Baía de Guanabara, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, eu próprio fazia a fotografia. Até que um rapaz chamado César Carneiro me viu fazendo isso, ele era fotógrafo, e prestou-se a fazer o registro, eu não precisava pagar nada. Aceitei. Eu também não tinha dinheiro, tinha deixado de trabalhar para seguir a arte, mergulhei de cabeça.

Tinha trabalhado em quê?
Escritório, economia, com o meu pai. Pai patrão não é aquele filme italiano terrível. Quando se tem um pai patrão nunca mais se quer trabalhar para ninguém, acho que foi isso que ele me quis dizer. Ele era bem austero, mas acho que me quis dizer que a vida tem outro sabor e que eu tinha de descobrir.

E os outros materiais: sangue, urina, carne…
São os mais simples de encontrar e os mais terríveis de serem mostrados da maneira que são. O sangue pode ser o meu sangue, o nosso sangue, o sangue que temos de pagar nos hospitais para fazer uma transfusão, tudo isso.

Onde é que arranjava o sangue?
Vou ao açougue comprar sangue de galinha. Ou sangue humano, é só furar o dedo e aparece sangue, isto sem aspectos body art.

Porque diz que são os materiais mais terríveis de mostrar?
Terríveis no sentido em que há um lado político da coisa. O pão, por exemplo, é um alimento usado como instrumento artístico. O pão, que é instrumento ou símbolo de luta, também serve para a arte, em vez de ser jogado fora, porque envelheceu. Não se faz açorda (sopa Alentejana) com o pão duro, deita-se fora para que as bolsas de valores não caiam. Vamos destruir os alimentos para continuar a vender mais.

Uma das suas obras mais conhecidas é o “Livro da Carne”, de 1978. Quer explicar?
Era um pedaço de carne, um lombo digamos, que eu pedi para cortar em fatias, como páginas de um livro. Isto foi em Paris. Havia uma cooperativa de artistas independentes, da qual eu fazia parte, eles tinham um espaço físico em que eu trabalhava e a primeira mostra foi ali. Anteriormente tinha feito o “Rodapé da Carne” e daí desdobrou-se para o “Livro da Carne”.

A peça não podia ficar muitos dias exposta porque começava a apodrecer. Tinha de ser substituída.
Sim, mas esse aspeto da decomposição não me interessava, interessava-me a ideia do livro em si. O animal que é morto pelo caçador, um homem aprisionado por uma corrente, Auschwitz, a tortura. Todas essas imagens horrorosas estão no “Livro da Carne”. Está tudo ali. “Carne”, em português, é todo o tipo de carne. Em francês, “chair” é carne humana e “viande” é animal.
A curta duração da obra é uma das suas marcas. Existe por alguns dias e depois desaparece.

Porque é que recusa fazer a remontagem?
Não me interessa. Refazer é tentar reviver o mesmo processo e aí ficaria preso a um vaivém sem porquê. É como dizia o filósofo pré-socrático, o rio não é sempre o mesmo rio. Sigo um pouco esse princípio.

Mas dessa forma uma parte do público fica impossibilitado de ver as suas obras ao vivo, porque elas passam a existir apenas em fotos, vídeos ou apontamentos.
É um detalhe bizarro. Em Inhotim, em Minas Gerais, compraram-me “O Ignoto”, um trabalho que tem 150 ou 200m², com uma bicicleta, sal grosso no chão, isso tudo. Eles abriram um espaço no museu para que eu reconstruísse aquilo. E pensei: ‘Por que não? Vou-me contradizer, mas vamos lá reconstruir’. Foi reconstruído tal qual tinha estado na Bienal de São Paulo. Foi uma exceção. Pois bem, outro dia, o trabalho desapareceu. Desmontaram tudo, varreram o sal… Porque dá muito trabalho, o sal vai-se refinando com a caminhada das pessoas e vira uma poeira desagradável e tem que se botar sal de novo. Eles não me disseram nada, mas está evidente que foi isso. Não preciso de ter um ateliê ou um depósito para guardar, como faz o artista brasileiro Cildo Meireles. Ele monta e desmonta, eu não tenho isso. Eu estou aqui e tenho o meu trabalho todo em slides ou num CD-ROM.

Nasceu no Porto em 1945 e aos 11 anos mudou-se para o Rio de Janeiro. Porque é que a sua família foi para o Brasil?
Vamos falar politicamente: o padre não gostou que o meu pai não lhe tivesse dado um folar (pão português de Páscoa), e fez um sermão na igreja contra o meu pai, que era industrial, tinha uma fábrica no rio Ave, quem vai do Porto para Famalicão, do lado direito. Ainda está lá: Lopes e Companhia. É isso. A situação política da época é que criou este senão. Ele foi forçado a ir. Fomos todos morar em Copacabana: o meu pai, a minha mãe, o meu irmão e a minha irmã. A minha irmã faleceu aos 20 anos de idade, o meu irmão voltou a Portugal, engajou-se no exército e foi para a Guiné-Bissau por vontade própria.

Como é que era Copacabana em 1955?
A arquitetura de arranha-céus e tudo isso eu já conhecia, porque tinha estado em Angola. Aos sete anos de idade fomos para Luanda. No contacto com a África foi interessante descobrir o lado primitivo, digamos assim, da arte africana, da maneira de lidar com certas coisas, isso encantou-me quando criança. Estivemos lá seis meses, também fomos para o interior, para Bela Vista. O meu pai queria divulgar o produto e andou lá a viajar, Congo Belga, Rodésia, África do Sul.

Copacabana fez-lhe lembrar Angola em termos de arquitetura?
Sim, mas mais compacta. A praia, tudo aquilo, a sensação de pisar a areia, tão fina que fazia um som diferente do que eu conhecia no Norte de Portugal, Póvoa de Varzim, Mindelo. E o cheiro da manga. Foram as primeiras coisas no contacto com outra terra. Achei interessante. Mas não fiquei muito preso a Portugal. Tive a chamada saudade, que hoje já descartei.

Começou a perceber que queria crescer e viver no Brasil?
Eu queria ter ficado em Portugal, só fui para o Brasil porque os meus pais quiseram, eu tinha 11 anos, não poderia dizer não. No início foi bom. Em Portugal, para ver um filme do Mickey Mouse eu tinha de apresentar documentação para provar que tinha determinada idade, no Brasil eu podia ver tudo. Mas isso foi o início, eu era criança. Quando a pessoa compreende que aquilo é definitivo, que não há volta, como não houve, cria-se um trauma, digamos, criou-se uma discrepância em relação a esse não retorno.

Ficou revoltado?
Não, simplesmente fui vivendo a minha vida. Não tive revolta, mas, no fundo, o que é que o Brasil tinha a ver comigo? Nada. Simplesmente, deixaram-me viver lá.

Hoje tem dupla nacionalidade?
Tenho nacionalidade portuguesa.

Porque é que nunca quis alterar?
Porque não. Para quê? Comecei o meu trabalho no Brasil e nunca ninguém me perguntou isto ou aquilo. Fiquei como português.

É mais importante para si ser português que brasileiro ou acha que a nacionalidade não tem importância?
Tem importância, mas chega a um ponto que já não tem. Acho que os anseios de um jovem se transformam com a idade e ganham uma dimensão muito mais vasta, para além do que é ser ou não ser nacional deste ou daquele país. As coisas perdem-se. Eu estive em Portugal em 1974, fui para o Algarve, no Verão Quente de 1975 estive em Lisboa. E o Portugal das reminiscências da infância, do pão, do campo, dos pássaros, já não existia, tinha sido noutra época, noutra idade. Os parentes da parte do meu pai, quando eu chegava a Famalicão, diziam as posições políticas deles, mas isso não me interessava, estavam completamente fora da minha maneira de pensar. Tinham anseios de burguesia, no sentido material de ter carro, apartamento, família. Isso para mim não existia, nem existe, mas enfim.

Chegou a pensar em ficar em Portugal?
Não sei. Havia ditadura no Brasil. Não se esqueça, nasci numa ditadura em Portugal e poucos anos depois de ter chegado ao Brasil aquilo transformou-se também numa ditadura. Foram 22 anos. Mas quando houve a Revolução dos Cravos o primeiro lampejo que tive foi voltar a Portugal. Conheci o Fernando Calhau em Lisboa e outros artistas, foi muito interessante. Mas em 1975 volto ao Brasil. Depois fui viver em Paris, depois Amsterdã, Genebra, andei girando, passava por Portugal algumas vezes. Em 1975 participei nos Encontros Internacionais de Arte em Viana do Castelo. Em 1977 expus na Galeria Alvarez, de Jaime Isidoro, no Porto. Participei numa pequena mostra no Palácio dos Coruchéus, em Lisboa.

Chegou a estudar pintura em 1967 na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Porque não se tornou pintor?
O meu professor lá era o Onofre Penteado, ele adorava o Kandinsky. Pintei alguns quadros, nada de excepcional, não era a minha história. Desenhava muito, ainda hoje desenho.

Como define o seu trabalho?
Não dou designação, ele é o que é, fala por si mesmo. Não o vou enquadrar.

Se dissermos arte experimental você aceita?
Até certo ponto. Man Ray dizia que a arte não é experimental, a ciência é que é experimental. Não defino o meu trabalho, nem tento. É uma pulsação.

O que quer dizer com pulsação?
O meu trabalho tem um relacionamento com o surrealismo. O início tem muito a ver com o Surrealismo, enquanto manifesto, e com o movimento Dadá. O meu desejo sempre foi o de criar uma nova linguagem, única, o que é meio absurdo, porque tudo se toca, tudo está em rede. Mas sempre tentei radicalizar ao máximo a linguagem. Agora, as pulsações… São ideias pré-determinadas em relação ao fazer e, no processo de construção, elas entrelaçam-se com percepções e pulsações daquele momento. Seria uma dimensão que atingisse um certo subconsciente e se exprimisse através do que chamo criatividade do momento. Há uma fragmentação e uma espécie de esfrega até que saia fumo, até que saia a fagulha. Essa pulsação seria uma maceração.

Conseguiu criar uma linguagem nova?
Em certos termos, sim. Mas também sou insatisfeito, o que cria uma ambivalência horrorosa. O melhor é não pensar muito.

Que nome daria à sua linguagem?
“Impróprio para o consumo humano”. Fiz um trabalho com este título (para a Bienal de São Paulo em 2004).

Porque esse título designa toda a sua linguagem?
Porque não pensei no outro. Quer dizer, pensei, porque faço parte do mundo, mas não pensei em termos de mensagem. Não pensei em atingir esta pessoa ou aquela mentalidade. Foi a pulsação.

Você disse em uma entrevista que a participação do espectador na obra de arte é uma ideia velha. É sobre isso que você está falando?
Essa frase é como aquela de um treinador de futebol no Brasil que há pouco tempo disse que a torcida não tem valor nenhum. É uma provocação. Mas será que o entorno cria o espetáculo, será assim tão simples?

E se a mensagem das suas obras não for entendida por ninguém? Não é preocupante?
Se ela tivesse sido entendida eu já teria ganho prêmios quando tinha 20 anos. O Joseph Kosuth, com 20 e poucos anos, estava em todos os museus do mundo.

Sente-se injustiçado por não ter tido reconhecimento mais cedo?
Sinto-me ótimo, estou com 72, que fiz ontem (dia 1ᵒ de fevereiro), e sinto-me plenamente livre para fazer o que quiser. Não criei uma linha que se aprisionou nela mesma, estou livre, é só ter ganas.

Você fez questão de pagar as despesas da viagem até Lisboa para vir receber o Grande Prêmio Fundação EDP Arte, porque não quer depender do sistema. Mas nos últimos anos tem estado cada vez mais próximo do sistema.
Tive o Prêmio Velázquez em 2011 e tive o Prêmio Mário Pedrosa em 1989, só isso. Estive no Museu do Prado, diante das “Meninas” de Velázquez, e recebi o Prêmio Velázquez, com o rei de Espanha e a ministra da Cultura. Fazer o quê? Eu ali diante do establishment. Convidaram-me, deram-me o prêmio…

Também esteve na Documenta de Kassel em 2002, representou o Brasil na Bienal de Veneza em 2011, expôs em Serralves em 2012. Tem estado próximo do sistema.
Mas eu nunca apresento propostas para expor em museu nenhum, eles é que convidam. Assim é que deve ser.

Dessa forma, como é que se vive de fazer arte?
Tenho a maior admiração por Caravaggio, Van Gogh, os malditos. A arte, para mim, é a pessoa ser íntegra. A vida é que é difícil. Estudei, estive na faculdade, mas seguir uma carreira, estar dentro de um processo de trabalho, ter um patrão, tudo isso é extremamente difícil, isso é que é a dificuldade. Agora, a minha loucura, posso dizer que é loucura, não foi dificuldade. Eu vivi. Quando se tem esta mentalidade, tudo é suportável. Difícil é o momento em que se rompe o elo numa relação de amor. Difícil é o desprezo do outro. Entrei na arte sem medo. O meu medo era deixar de ser o que sou e ser comprado. Esse é que era o problema.

Há uma ideologia política por trás dessa postura?
Há. Nunca gostei do autoritarismo, da obrigação, da hierarquia. Sou meio anarquista. Sem bombas, mas sou. Admiro Marx, mas sou mais próximo de Kropotkin e Bakunin. Participei há pouco numa exposição, bem interessante, que esteve em Paris e vai para Barcelona no dia 23: “Soulèvements”, organizada por Georges Didi-Hubermam. Ali está um pensamento muito forte relacionado com o momento de hoje no mundo da arte, que se tornou completamente mercantilista. O artista já aceita encomendas e etc. Eu luto pelo extremo da independência em relação a essas coisas.

Admite é um extremo?
Sim, claro.

Estar contra o sistema não é também uma forma de o fortalecer?
De uma certa maneira, sim. Mas quando estamos contra uma coisa, e usamos meios incompreensíveis para mostrar que estamos contra, aí é que se cria a perturbação do sistema. “Les Demoiselles d’Avignon”, de Picasso, ficou sete ano debaixo da cama, ninguém queria ver aquilo. Eu defendo uma arte que faz pensar, não uma arte em que a pessoa fica pateta ou nem pensa. Por isso é que no trabalho de um Duchamp há um pensamento e é aí que está a coisa. O espectador diz ‘eu não entendo’. Que bom! A arte tem de fazer pensar, no mínimo. Tem de ser uma crítica à percepção, ao estado de coisas, ao estado do mercado, à perenidade.

Como encara o Grande Prêmio Arte da EDP?
É surpreendente. Nunca imaginei que o meu trabalho fosse reconhecido em vida, só depois. Não sei muito bem lidar com isto. Quer dizer, sei, porque tive uma educação com certos critérios, mas ter de falar em público deixa-me estarrecido, até já escrevi o discurso de agradecimento. Não é um discurso, são umas palavras (lidas durante a sessão pública de atribuição, em Lisboa).

Encara-o como um reconhecimento tardio?
Não, não é tardio. Nunca pensei em receber. Chegou. Estava dormindo, de manhã para funcionar é complicado, e recebi um telefonema do Pedro Gadanho (diretor do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, da Fundação EDP). Já tinha recebido uns emails da EDP… Ele perguntou: ‘Aceita o prêmio?’. Eu respondi: ‘É uma honra’. É curioso, soube através do jornal que tinha ganho o Prêmio Velázquez, entrei na internet e vi num jornal. Ninguém me tinha dito nada. O prêmio português é diferente, ligaram-me antes, aqui é tudo mais cauteloso.

Quando soube?
Em dezembro, antes do Natal. Eles queriam que eu viesse a Portugal para receber o prêmio antes do fim do ano, mas respondi que não, porque não tenho relações com a família e com a época do Natal. Combinamos para fevereiro. Depois de falar com o Pedro Gadanho pela primeira vez me senti satisfeito, me deu um conforto interior…

Por ser um prêmio português?
Sim. Não é pelo dinheiro. Me senti mais em casa. Eu acho que todo português vem morrer em Portugal. Bem, espero que não seja agora. Tenho um apartamento em Gaia há já alguns anos… Sabe, gosto muito de mergulhar, faço mergulho há 40 anos, e também gosto de velejar. Ando pelo mundo, tenho um veleiro há poucos anos e ainda quero viajar muito.

O prêmio inclui uma exposição. Já tem data?
Ainda não. Disse ao Pedro Gadanho que no ano que vem vou expor no Reina Sofía, uma retrospectiva e uma obra in situ, por conta do Prêmio Velázquez. O João Fernando será curador. O meu trabalho não precisa de curador. É feito na hora, como é que o “cara” vai dizer alguma coisa… O Pedro sugeriu que trouxesse a exposição a Lisboa, mas não sei. Eles é que se entendem, não vou me intrometer. Seja quando for, estou pronto.

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Texto de Alexandre Luiz Mello originalmente publicado no site português "Observador" (http://observador.pt) | 03/02/17.

O artista formador: Stela Barbieri

Em série de depoimentos à revista "Select", grandes nomes da cena brasileira contam como transmitem seu amor e apreço pela arte às novas gerações. +

Ensinar é um processo múltiplo. Nenhum método de ensino dá conta sozinho de fixar as bases de atuação de seus agentes. Mesmo nas ciências exatas, a maneira como o professor lida com sua disciplina influencia diretamente os resultados e o interesse dos alunos. No ensino de artes visuais, essa fluidez epistemológica é potencializada. O ato do ensino e da aprendizagem pode começar em instituições formais, como escolas e faculdades, e ultrapassar a sala de aula para acontecer em conversas, projetos e até na rua. A produção de certos artistas não seria a mesma sem o ato generoso de compartilhar conhecimento e experiência com as novas gerações. Saiba o que Stela Barbieri, artista, ex-coordenadora dos Educativos da Bienal e do Instituto Tomie Ohtake e diretora do Binah Espaço de Arte, pensa sobre a dimensão formativa da arte:
“Obras-oficinas que conectam arte e educação”
Tenho trabalhado com espaços ativos que conectam arte e educação. São obras-oficinas que convidam o público a coabitar o trabalho em um ambiente de investigação. Os Lugares propiciam relações e negociações e são potencializadores do movimento do corpo e do pensamento das pessoas. Neles, os participantes se colocam em jogo, na possibilidade de vivenciar temporalidades diversas.
Um de meus trabalhos recentes é o Banho de Canto. Trata-se de uma instalação de ferro oval com instrumentos pendurados e uma cadeira de balanço no centro. Os participantes ativam a obra tocando e cantando a partir da relação com a pessoa que está sentada na cadeira. Durante uma sessão, todos passam pelo centro e recebem o Banho de Canto. Sempre convido pessoas para participar anunciando na internet. Geralmente, aparece gente – conhecida e desconhecida – e um acontecimento diferente se dá cada vez que a obra é ativada. Há dias em que as pessoas entram numa sintonia e há mais energia; em outros acontece uma sonoridade caótica, desencontrada. É algo imponderável, que ainda estou investigando.
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Texto de Luciana Pareja Norbiato e Felipe Stoffa originalmente publicado na edição 33 da revista “Select” | 02/02/17.
Crédito da foto: Paulo D'Alessandro.

O artista formador: Paulo Pasta

Em série de depoimentos à revista "Select", grandes nomes da cena brasileira contam como transmitem seu amor e apreço pela arte às novas gerações. +

Ensinar é um processo múltiplo. Nenhum método de ensino dá conta sozinho de fixar as bases de atuação de seus agentes. Mesmo nas ciências exatas, a maneira como o professor lida com sua disciplina influencia diretamente os resultados e o interesse dos alunos. No ensino de artes visuais, essa fluidez epistemológica é potencializada. O ato do ensino e da aprendizagem pode começar em instituições formais, como escolas e faculdades, e ultrapassar a sala de aula para acontecer em conversas, projetos e até na rua. A produção de certos artistas não seria a mesma sem o ato generoso de compartilhar conhecimento e experiência com as novas gerações. Saiba o que Paulo Pasta, artista e professor no Sesc Pompeia e Instituto Tomie Ohtake, pensa sobre a dimensão formativa da arte:
“O que tenho a ensinar é, principalmente, a valorização da experiência”
Quando comecei a dar aulas de arte, não possuía um método, um programa a partir do qual pudesse me orientar. Fui aprendendo com a prática. Aprendi o que ensinava, se posso dizer assim. E isso me parece, agora, a melhor forma de aprendizado. E esse sistema talvez seja a parte essencial do exercício da própria pintura: aprender com a experiência, com a prática do fazer.
Posso dizer, então, que o que tenho a ensinar é, principalmente, essa valorização da experiência. Nesse sentido me coloco (e me sinto) muito mais um interlocutor do que professor. Procuro entender as reais motivações e origens dos trabalhos e responder a elas, sem generalizações ou ideologias.
Gosto também de pensar – a exemplo da declaração de Sean Scully – que procuro manter e preservar um espaço para o exercício continuado da pintura, quando tudo parece cooperar para que isso não ocorra.
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Texto de Luciana Pareja Norbiato e Felipe Stoffa originalmente publicado na edição 33 da revista “Select” | 02/02/17.
Crédito da foto: Paulo D'Alessandro.

Artista plástica Guita Charifker morre aos 80 anos no Recife

Ela estava internada há 15 dias devido a insuficiência renal. Teve falência múltipla dos órgãos. +

A artista plástica Guita Charifker morreu na manhã desta sexta-feira (03/02/16), no Recife. Ela teve falência múltipla dos órgãos. Com 80 anos, a pintora, desenhista, gravadora e escultora deu entrada no Hospital da Unimed, no Recife, há 15 dias, devido uma insuficiência renal.
Aluna de Abelardo da Hora, Guita iniciou seu trabalho no mundo da arte aos 16 anos. Ao longo dos anos, passou por diversos movimentos da cultura pernambucana. Com inspiração no surrealismo, assinou obras de forte erotismo, associando formas humanas a animais e vegetais. Fez parte do Ateliê Coletivo, em Olinda, com Gil Vicente, José Cláudio e Gilvan Samico, entre outros.
Segundo a família, Guita será cremada no cemitério Morada da Paz, no Grande Recife, às 16h de sexta-feira (03/02/16). "As cinzas serão espalhadas no jardim do seu ateliê, em Olinda", explicou o filho dela, Saulo Charifker. A artista plástica deixa dois filhos e quatro netos.

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Texto originalmente publicado no site "G1" (g1.globo.com) | 03/02/17.
Na foto, pintura de Roberto Ploeg representando Guita Charifker.

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Abaixo, texto sobre a artista publicado no site da Enciclopédia Itaú Cultural (enciclopedia.itaucultural.org.br)

Guita Charifker
Nascimento: 10/09/1936 (Brasil, Pernambuco, Recife)
Morte: 03/02/2017 (Brasil, Pernambuco, Recife)
Habilidades: desenhista, aquarelista, gravadora, escultora

Biografia
Guita Charifker. Pintora, desenhista, gravadora e escultora. Em 1953, estuda desenho e escultura no Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna (SAMR), no Recife, ao lado do gravador Gilvan Samico (1928-2013) e do pintor José Cláudio (1932), entre outros, sob orientação de Abelardo da Hora (1924-2014). Colabora, em 1964, na fundação do Atelier da Ribeira, em Olinda, Pernambuco, do qual participa também o pintor João Câmara (1944). Em 1966, cria e dirige a Galeria do Teatro Popular do Nordeste. Desde a década de 1970, realiza pesquisas em gravura em metal na Oficina do Ingá, Niterói, sob orientação da gravadora Anna Letycia (1929). Em 1974, recebe o prêmio de viagem ao México no Salão Global de Pernambuco. Depois, trabalha no ateliê de João Câmara e frequenta por algum tempo o ateliê do escultor Frans Krajcberg (1921). Organiza o Ateliê Coletivo, em Olinda, com pintor Gil Vicente (1958), José Cláudio e Gilvan Samico, entre outros, em 1985. Em 2001, é publicado o livro Viva a Vida! Guita Charifker: aquarelas, desenhos, pinturas, pela Secretaria de Educação e Cultura do Recife, e em 2003 são apresentadas exposições retrospectivas no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_).
Análise
Desde o fim da década de 1960, Guita Charifker produz desenhos de inspiração surrealista, associando formas humanas a animais e vegetais, realizados com precisão de detalhes, em obras de forte erotismo. Trabalha de forma quase monocrômica, com traços tênues e manchas a bico-de-pena e aguada, revelando um universo onírico de formas simbólicas.
Passando por técnicas como a gravura em metal, encontra seu principal meio de expressão na aquarela. Realiza naturezas-mortas com plantas e frutos regionais, explorando padrões decorativos obtidos a partir de folhagens e ramos de árvores, ou de objetos presentes na cena, como tapetes ou tecidos. Em sua obra, revela o interesse pela produção de Matisse (1869-1954).
Nas aquarelas são frequentes também as paisagens, inspiradas muitas vezes na exuberante vegetação do quintal de sua residência em Olinda ou nas localidades do litoral pernambucano. São constantes as cenas com naturezas-mortas, em que a paisagem está presente, vista através de uma janela ou em uma pintura na parede. O artista, utiliza uma gama cromática surpreendente e luminosa.
Como nota o crítico Casimiro Xavier de Mendonça (1947-1992), a partir de uma viagem realizada ao México na década de 1980, e de uma estada no atelier de Frans Krajcberg, a produção de Guita Charifker se transforma. As aquarelas tornam-se ampliações de detalhes da natureza, e folhas e troncos, pretexto para áreas de cor. Entre as pinturas a óleo destacam-se também as paisagens nordestinas, realizadas com grande simplificação formal, com pinceladas amplas e uma paleta que busca a luminosidade da aquarela, como em "Rio Capiberibe" (1984), ou em "Taíba, Ceará" (1986).

Privatizar o Centro Cultural São Paulo é uma estupidez

Doria quer repetir no CCSP uma terceirização que produziu a maior roubalheira da história do Teatro Municipal. +

O Centro Cultural São Paulo é um daqueles lugares que faz com que valha a pena viver na cidade. Bonito e espaçoso, instalado ao lado da estação Vergueiro do Metrô, ele recebe gente de todas as partes de São Paulo, sobretudo jovens da periferia. Ali eles leem, convivem, ensaiam, estudam, pesquisam, participam de oficinas culturais ou aproveitam a programação de shows, teatro e cinema, oferecida de forma gratuita ou a preços camaradas.
Numa cidade que concentra serviços e oportunidades culturais na mesma proporção em que concentra renda e privilégios, o centro cultural da Vergueiro é um oásis de cidadania e decência.
Pois o prefeito João Dória, na falta de problemas mais graves na cidade, anunciou que vai privatizar o CCSP e 52 das 107 bibliotecas públicas da capital, que constituem a maior rede de bibliotecas da América Latina – uma decisão que ele preferiu não mencionar durante a campanha eleitoral.
Entregar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade à gestão privada é uma estupidez. Não surpreende que tenha partido da mesma cabeça encarregada de defender publicamente a “limpeza” dos grafites da avenida 23 de maio, a do secretário municipal de Cultura André Sturm.
“Ninguém vai privatizar nada, o que eu quero é dinamizar”, diz o secretário. Ele acha que um modelo de administração terceirizado permitiria “mais flexibilidade e facilidade para a gestão, além de captar patrocínios”. E promete que toda a administração de terceiros será feita “com acompanhamento e supervisão da Secretaria Municipal de Cultura”.
A primeira coisa a ser dita sobre essa proposta é que o Centro Cultural de São Paulo funciona bem, obrigado. Poderia ter mais verba e mais gente, sofre com os cortes impostos ao seu orçamento, mas não é uma repartição abandonada à qual um bando de militantes iletrados do MBL viria dar vida.
“Flexibilidade” e “patrocínio”, as palavras usadas pelo secretário, podem significar qualquer coisa. Flexibilidade para degradar e baratear os serviços prestados à população, por exemplo. Ou patrocínio para banalizar o conteúdo e dirigir a forma do trabalho cultural que é feio no CCSP e nas bibliotecas.
Outra coisa importante a lembrar é que o formato de terceirização anunciado pelo secretário, as famosas Organizações Sociais, ou OSs, já foi usado na gestão do Teatro Municipal de São Paulo. Apesar de “supervisionado pela Secretaria Municipal de Cultura”, esse arranjo produziu em 2016 um desvio de 18 milhões de reais, o maior escândalo da história centenária do Teatro Municipal.
Quem, em sã consciência, adotaria e ampliaria um modelo de gestão que deu espetacularmente errado no primeiro teste? Resposta: a mesma administração municipal que mandou pintar os grafites urbanos de cinza e agora cogita gastar os tubos para repintá-los com tinta colorida.
Privatizar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade faz tanto sentido quanto estatizar as barracas de pastel da feira, a rede de lanchonetes McDonald’s ou o shopping Iguatemi. Quer dizer, não faz sentido algum. É uma idiotice ou um ato de má fé. Por que desfigurar um serviço que funciona bem e cumpre exemplarmente a sua função social?
Se o prefeito acha que o CCSP poderia ser melhor gerido, deveria fazer aquilo para que foi eleito: nomear um administrador público competente, que aprimore o funcionamento da instituição sob seu comando. Se o secretário acha que não dá para cuidar da sua pasta nos limites legais da administração pública, renuncie ao cargo e procure emprego no setor privado. Não dá para transformar a cidade inteira numa OS para facilitar a vida dele.
Nem a falecida Margareth Thatcher, uma fanática das privatizações, tentou oferecer a empresários a gestão das bibliotecas britânicas. Há limites para o que um político pode fazer sem cair no ridículo.
Quem garante que, daqui a pouco, um administrador privado não irá decidir que a garotada não pode mais ensaiar dança de rua nos corredores do Centro Cultural, como faz todos os dias? Ou que entradas de teatro gratuitas não cobrem as necessidades de remuneração do seu contrato? Ou que bibliotecários são caros e supérfluos, e que melhor seria deixar os usuários das bibliotecas entregues a si mesmos?
Quando eu era garoto, nos anos 70, o Centro Cultural de São Paulo não existia, mas usei abundantemente a biblioteca municipal da Penha, no Largo do Rosário. O acervo daquela biblioteca e a atenção de seus funcionários ajudaram a fazer de mim o que eu sou. Em nome das próximas gerações, é importante garantir que o patrimônio das bibliotecas públicas de São Paulo – que começou a ser montado há quase 100 anos, por Mário de Andrade – não seja destruído por gente que não sabe o valor da cultura.
Na quarta-feira, aniversário da cidade, uma pequena multidão se concentrou na porta do Centro Cultural São Paulo para protestar contra a privatização. Formou-se uma corrente para abraçar o prédio e, simbolicamente, protegê-lo. Eu estava lá. Ao meu lado, me dando as mãos, estavam dois jovens frequentadores do CCSP, Nicole e Felipe. Gritamos palavras de ordem, rimos e, depois do protesto, nos sentamos para conversar. Confirmou-se a minha impressão de que o Centro Cultural é necessário da forma como está: aberto, diverso e público. E tive certeza, também, de que jovens e velhos usuários saberão defendê-lo da estupidez privatista.
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Texto de Ivan Martins originalmente publicado no site da revista “Arte!Brasileiros” (brasileiros.com.br) | 27/01/17.
Foto: Manifestantes formam uma corrente para abraçar o Centro Cultural.
Crédito: Marie Ange Bordas.

Osgemeos reagem a ação de Prefeitura de São Paulo contra pichações e grafites

Dupla cria nova obra urbana. +

“Parabéns São Paulo!! Ganhamos mais uma vez o desrespeito com a arte!!”.
Essa foi a mensagem estampada em um post no facebook, feito pelos artistas Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como “Osgemeos”.
A mensagem vai de encontro com as ações tomadas nos últimos dias, pela Prefeitura de São Paulo, comandada pelo atual prefeito João Dória, que consistem em limpar as pichações e grafites na capital.
O post divulgado nesta sexta-feira em suas redes sociais, já chegam perto das 20mil curtidas.
Os artistas são conhecidos também como autores do grafite em homenagem ao álbum Hip-Hop Cultura de Rua, coletânea, lançada em 1988, que ajudou a difundir o movimento no País ao dar voz a pioneiros como Thaíde e DJ Hum, MC Jack e Código 13. O grafite também está localizado nas ruas da capital paulista.

Texto de Andre Fabro publicado originalmente no site da revista DasArtes | 27/01/2017

Painel de Kobra na 23 de Maio amanhece pichado

Artista é sempre elogiado pelo prefeito João Doria, que vem apagando outros grafites da via. +

O painel do grafiteiro Eduardo Kobra na Avenida 23 de Maio amanheceu pichado com tinta cinza nesta quarta-feira, 25/01/17, aniversário de São Paulo.
Kobra é frequentemente citado pelo prefeito João Doria (PSDB) como um de seus grafiteiro favoritos. Além da tinta, há um boneco com rosto de Doria, como se passasse a tinta.
O prefeito vem apagando grafites e pichações na 23. Os grafites pintados em 2014 foram cobertos com tinta cinza. A Secretaria Municipal de Cultura, chefiado por André Sturm, ficou de selecionar apenas oito grafites para continuarem na via, e o de Kobra seria um deles. Até então, pichadores tinham por hábito não escrever nem danificar os grafites da cidade.
Há algumas semanas, Doria chegou a anunciar o artista como coordenador de seu programa Arte Urbana, que faria oficinas de grafite, mas Kobra o desmentiu.
O prefeito comentou a pichação afirmando que “o que fizeram ali foi uma agressão, agrediram a obra de um artista”. “O Eduardo Kobra é um artista, um grafiteiro, um muralista. Ele foi agredido com essa pichação, que revela a índole desses pichadores, que não querem bem à cidade, não querem a ninguém. São agressores, destruidores da cidade e terão o inverso: ao invés de ter o prefeito amolecendo, vão ter o prefeito endurecendo”, disse o prefeito.
“Pedi até para deixarem lá (a pichação) por um tempo, para que as pessoas possam ver essa agressão. Não vamos fraquejar”, afirmou Doria, que defendeu a criação de uma lei para tornar mais pesadas as multas para pichadores, mas disse que não apresentaria proposta do Executivo solicitando tal medida.
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Texto de Bruno Ribeiro, Fabio Leite e Pedro Venceslau no blog “Por Dentro da Metrópole” | site do “Estadão” (http://sao-paulo.estadao.com.br/blogs) | 25/01/17.

Anish Kapoor faz protesto anti-Trump

Kapoor reformulou o cartaz de Joseph Beuys, inserindo sua própria imagem na obra e renomeando-a “Eu gosto da América e a América não gosta de mim.” +

O controverso artista britânico-indiano Anish Kapoor reinventou uma imagem de parte de uma performance seminal do artista alemão Joseph Beuys com a frase, “Eu gosto da América e a América gosta de mim”, como um protesto contra os horrores que se desenrolam na América de Donald Trump.
Kapoor reformulou o cartaz de Joseph Beuys, inserindo sua própria imagem na obra e renomeando-a “Eu gosto da América e a América não gosta de mim.” Ele está convidando outros artistas para se juntar a ele no protesto e criar as suas próprias versões do cartaz.
Anish Kapoor disse: “Peço a outros artistas e cidadãos que divulguem seu nome e imagem usando a obra seminal de Joseph Beuys como foco de mudança social. O nosso silêncio faz-nos cúmplices das políticas de exclusão. Não vamos ficar em silêncio.
A performance de 1974 de Joseph Beuys “I Like America and America Like Me” começou no Aeroporto Kennedy com o artista sendo envolto em feltro e depois transportado em uma ambulância para René Block Gallery. Ele passou vários dias numa sala na galeria com apenas um cobertor de feltro, uma lanterna, uma bengala e um coiote selvagem.
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Texto publicado no site da revista DasArtes | 02/02/17

Depois de vaias e críticas, Doria diz que pagará cachê e tinta a grafiteiros

O programa começará pela região do Baixo Augusta, no centro de São Paulo (SP), e será reeditado a cada três meses em um bairro diferente. +

Depois de receber críticas de artistas urbanos e de ser vaiado em evento no aniversário de São Paulo, o prefeito João Doria (PSDB) lançou nesta quinta-feira (26/01/17) um projeto que prevê remunerar grafiteiros e pagar suas tintas, como parte de um museu a céu aberto espalhado pela cidade.
O programa começará pela região do Baixo Augusta, no centro da capital, e será reeditado a cada três meses em um bairro diferente. A prefeitura pretende conversar com os proprietários dos imóveis particulares e pedir autorização – apenas os que concordarem participarão do projeto.
"Como serão várias áreas da cidade, creio que teremos oportunidade de abrigar vários desses artistas, de maneira escalonada", disse Doria.
O programa já estava previsto, mas o lançamento foi antecipado devido à polêmica envolvendo o assunto nas últimas semanas, segundo o secretário municipal de Cultura, André Sturm. "A gente já tinha isso de dezembro e iria anunciar em março, mas com o grafite tendo se tornado assunto tão importante a gente resolveu antecipar para mostrar que o grafite é fundamental nessa gestão", disse.
Prevista para março, a primeira edição deve ter cerca de 150 artistas e a estimativa é que custe R$ 800 mil.
Ele afirmou que haverá uma comissão para escolher os artistas. "A gente vai montar uma comissão com artistas que não queiram participar ou pessoas que gostem e possam ter isenção de julgamento, os grafiteiros mandam suas propostas, seu currículo, o que costumam fazer, não precisam mandar o desenho", disse Sturm.
O anúncio foi feito nesta quinta no canteiro central da Vinte Três de Maio. O ato foi para comunicar a restauração do monumento em homenagem ao 80 anos da imigração japonesa, da artista plástica Tomie Ohtake.
Motoristas curiosos em relação ao evento desaceleraram e gritaram o nome de Doria.
Disputa
A avenida é cenário de disputa entre o tucano e grafiteiros e pichadores.
Doria mandou pintar de cinza grafites na via. Um dos murais que sobraram, do artista Eduardo Kobra, foi pichado com uma imagem de Doria pintando o muro.
O tucano lamentou a ação e disse que agora o mural será apagado, com consentimento de Kobra. Segundo ele, não haverá novos grafites na Vinte Três de Maio, onde haverá outro projeto, que o prefeito não quis divulgar.
"Vou atrás deles, os pichadores são destruidores da cidade, não merecem o respeito nem da cidade nem da população", disse Doria. "Durante quatro anos serei um prefeito intransigente com os pichadores".
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Texto de Artur Rodrigues originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 26/01/17.

Museu subaquático abre na Espanha

O primeiro museu totalmente subaquático da Europa abriu oficialmente em 10 de janeiro de 2017 no leito do oceano, ao largo da Ilha Canária de Lanzarote, na Espanha. +

O Museu do Atlântico é a visão do artista britânico Jason deCaires Taylor, que passou os últimos dois anos vivendo na ilha criando obras de arte para a galeria submersa. O museu na baía de Coloradas, ao largo da costa da cidade de Yaiza, no sudoeste de Lanzarote foi criado a uma profundidade de entre 12 e 15 metros no fundo do oceano e será acessível a mergulhadores e visível ao fundo de barcos com janela de vidro. As esculturas em exposição são formas humanas; Alguns modelados com residentes locais, e são criados para atrair a vida vegetal e animal, representando a relação entre seres humanos e natureza.
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Texto publicado originalmente no site da revista DasArtes | 02/02/17

Ataque em Paris: o que se sabe sobre incidente no Louvre

Um homem atacou com um facão um soldado nas cercanias do Museu do Louvre. O soldado reagiu e a atirou no homem, que ficou gravemente ferido. Cerca de 250 pessoas estavam no interior do museu, que foi evacuado. +

Uma grande operação de segurança foi deflagrada em Paris nesta sexta-feira (03/02/17) depois de um homem atacar com um facão um soldado nas cercanias do Museu do Louvre - uma das atrações turísticas mais populares da capital francesa e o mais visitado museu do mundo.
O soldado reagiu e a atirou no homem, que ficou gravemente ferido.
As autoridades francesas divulgaram poucos detalhes sobre o incidente, ocorrido em uma cidade que, em anos recentes, foi palco de pelo menos dois grandes ataques extremistas. O que se sabe até agora:

Ataque
Por volta de 10h da manhã dessa sexta-feira, um homem, ainda não identificado pela polícia, tentou entrar em uma galeria comercial próximo ao Museu do Louvre, que era vigiado por uma patrulha. Segundo as autoridades, ele investiu contra os soldados e gritou "Allahu Akbar" (Deus é poderoso, em árabe).
Uma segunda pessoa foi presa. Duas sacolas apreendidas pela polícia "não continham explosivos".
Cinco tiros foram disparados e o homem sofreu graves ferimentos na região do abdômen. Um soldado foi ferido na cabeça.
O primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, descreveu o incidente como um "ataque terrorista por natureza".
Cerca de 250 pessoas estavam no interior do museu no momento do atentado. O museu foi evacuado.

Alerta
Paris está sob estado de alerta desde os ataques de novembro de 2015, em que 130 pessoas foram mortas por extremistas islâmicos em diferentes pontos da cidade. Em janeiro daquele mesmo ano, 17 pessoas morreram na invasão do escritório da revista de sátira política Charlie Hebdo.

Turismo afetado
Os ataques em Paris e em Nice - onde 86 pessoas morreram atropeladas por um caminhão, em julho do ano passado - resultaram em uma queda acentuada nas atividades de turistas estrangeiros. De acordo com números divulgados no início de janeiro, o Louvre, por exemplo, registrou uma queda de 20% no número de visitantes entre 2015 e 2016. A prefeitura de Paris disse ter havido queda de pelo menos 10% nas reservas de hotéis.

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Texto da BBC Brasil reproduzido pelo site “UOL” (www.uol.com.br) | 03/02/17.
Foto: Eric Feferberg / AFP.

The Culture Trip destaca exposições imperdíveis em cartaz em São Paulo

“8º Salão dos Artistas Sem Galeria”, “Gaudí, Barcelona 1900”, “Erwin Wurm – O Corpo é a Casa” e “Agostinho Batista de Freitas, São Paulo” integram a lista. +

O site “The Culture Trip” (theculturetrip.com), em reportagem de Lise Alves, destacou exposições “obrigatórias” para se ver em São Paulo (SP).


A exposição do “8º Salão dos Artistas Sem Galeria”, promovido pelo Mapa das Artes, apresenta obras dos 10 artistas selecionados em exposições simultâneas em São Paulo (Galeria Sancovsky 12/01/17 a 04/03/17; e na Zipper Galeria - 17/01/17 a 04/03/17). São exibidas pinturas, fotografias, esculturas, vídeos e instalações dos artistas: Lula Ricardi (SP), Maura Grimaldi (SP), Jefferson Lourenço (MG), Marcelo Barros (SP), Gunga Guerra (Moçambique/RJ), Marcelo Pacheco (SP), Luciana Kater (SP), Cesare Pergola (Itália/SP), Juliano Moraes (GO) e Cristiani Papini (MG). O júri de seleção foi formado por Adriana Duarte (galerista capixaba da paulistana Casa da Xiclet), Paula Alzugaray (jornalista e editora da revista “Select”) e Rodrigo Editore (galerista e sócio da também paulistana galeria Casa Triângulo) (de 12/01/17, das 19h às 22h, a 04/03/17).
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GALERIA SANCOVSKY
Pinheiros: Praça Benedito Calixto, 103, tel. (11) 3086-0784. Ter. a sex., 10h/19h; sáb., 10h/17h. www.galeriasancovsky.com.br
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ZIPPER GALERIA
Jardim América: r. Estados Unidos, 1.494, tel. (11) 4306-4306. Seg. a sex., 10h/19h; sáb., 11h/17h. www.zippergaleria.com.br


“Gaudí, Barcelona 1900” reúne 46 maquetes e 25 objetos de mobiliário que tratam da produção do arquiteto modernista catalão Antoni Gaudi (1852-1926). Em paralelo, são expostos trabalhos de artistas espanhóis de sua época como Ramon Casas, Santiago Rusiñol, Gaspar Homar e outros (de 19/11/16, às 19h, a 05/02/17).
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INSTITUTO TOMIE OHTAKE
Pinheiros: av. Faria Lima, 201 (entrada pela r. Coropés, 88), tel. (11) 2245-1900. Ter. a dom., 11h/20h. www.institutotomieohtake.org.br


“Erwin Wurm – O Corpo é a Casa” exibe esculturas, vídeos, instalações, performances, intervenções e obras interativas do austríaco pela primeira vez no país. Humor e críticas ao consumismo e comportamento humano são a marca do artista incluindo trabalhos icônicos como a “Casa Gorda” ou “Conversível Gordo” (de 25/01/17 a 03/04/17).
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CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
Centro: r. Álvares Penteado, 112, tel. (11) 3113-3651. Qua. a seg., 9h/21h. Visitação com hora agendada pelo site www.ingressorapido.com.br, pelo aplicativo da Ingresso Rápido (IOS ou Android) ou na bilheteria. www.bb.com.br/cultura


A mostra “Agostinho Batista de Freitas, São Paulo” apresenta 74 trabalhos do artista paulista, dos anos 1950 até a década de 1990, marcando seu retorno ao museu após 60 anos. Batista de Freitas (1927 – 1997) foi um artista autodidata, que vendia seus trabalhos no centro de São Paulo e suas obras retratam cenas urbanas da capital e revelam alguns dos principais marcos arquitetônicos. Curadoria de Fernando Oliva e Rodrigo Moura. Na abertura ocorre o lançamento do catálogo ilustrado (256 pp.), com reproduções de todas as obras em exibição e textos (de 09/12/16, às 20h, a 09/04/17).
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MASP (MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO)
Cerqueira César: av. Paulista, 1.578, tel. 3149-5959. Ter., qua., sex., sáb., dom. 10h/18h; qui. 10h/20h. R$ 30 e R$ 15. Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam meia entrada. Grátis às terças e para menores de 10 anos. www.masp.art.br

Sucesso do Museu do Amanhã revela poder de espetáculo vazio

Museus ancorados no espetáculo pouco acrescentam à cultura quando se preocupam mais em aparecer no Instagram do que em construir acervos e mostras relevantes. +

Não espanta que o Museu do Amanhã tenha chegado ao Olimpo da bilheteria. Uma espécie de bromélia esbranquiçada fritando no calor do Rio, o prédio do "starchitect" espanhol Santiago Calatrava já nasceu sob os holofotes na condição de joia mais vistosa do projeto de renovação urbana da zona portuária carioca e ganhou fôlego ímpar com o maior evento esportivo do mundo.
Durante a Olimpíada, a esplanada em torno dele e seu dramático espelho d'água viraram cenários perfeitos para selfies de fãs e atletas, casando com a lógica de espetáculo e entretenimento por trás do chamado Porto Maravilha.
Essa estratégia não é nova. Desde a década de 1990, quando Frank Gehry inaugurou o emaranhado metálico que abriga a filial do Guggenheim em Bilbao, na Espanha, museus se tornam pedra de toque de processos que urbanistas mais ingênuos chamam de "revitalização", como se tecidos urbanos estivessem condenados a necrosar sem esses prédios espalhafatosos.
Não estão, mas acabam virando do avesso, para a felicidade da especulação imobiliária, quando uma vizinhança ganha algo do tipo.
Três anos atrás, o mesmo Gehry fez uma espécie de caravela de vidro para a Fundação Louis Vuitton num bairro mais pacato de Paris, que há quatro décadas viu seu coração bater mais forte com os tubos de vidro do Pompidou de Renzo Piano e Richard Rogers – o espanto inicial agora se traduz em filas na porta.
Não é de todo ruim, mas museus ancorados no espetáculo pouco acrescentam à cultura quando se preocupam mais em aparecer no Instagram do que em construir acervos e mostras relevantes.
Em termos de conteúdo, o Museu do Amanhã não pode ser comparado a instituições como o Guggenheim e o Pompidou, mas seu sucesso diante dos números mais modestos de seu vizinho, o Museu de Arte do Rio, revela o poder de fogo do show pelo show.
No afã de bater metas de público, muitos museus se deixam seduzir pela facilidade de uma programação blockbuster, caso do Museu da Imagem e do Som paulistano – suas mostras com temas de Bowie a Silvio Santos encantam por exibir aquilo que o público já conhece, não pelo papel de formação do olhar que deve estar no cerne de todo museu.
Mas uma torre de marfim que pouco dialoga com o público também não ajuda. O Museu de Arte Contemporânea da USP, alheio ao que se passa ao seu redor na cena artística da cidade, nunca abraçou o populacho, mas suas galerias vazias preocupam.
Enquanto o Museu do Amanhã continua bombando, a crise econômica que paralisa o Brasil e ainda causa estragos no resto do mundo parece anunciar agora um retorno à ordem, um futuro de aposentadoria para os "starchitects" – o MIS do Rio arrisca virar ruína antes da inauguração, por exemplo – e de novas exigências para diretores de museus, que terão de fazer da arte e da ciência seu verdadeiro show.
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Texto de Silas Martí originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 30/01/17.

Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico e Artístico começa a ser distribuído

O impresso, único a reunir os feriados e dias santos de devoção católica, afro-brasileira, espírita, indígena, islâmica e judaica, propõe expandir o universo da arte e incluir nele questões altamente relevantes para a existência pacífica da civilização humana. Custa apenas R$ 25,00 cada. Quem comprar cinco paga apenas R$ 100,00. Entre no www.mapadasartes.com.br, clique no fullbanner do calendário e tenha mais informações! +

A edição 2017 do Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico, Turístico, Político, Ecológico e Artístico Mapa das Artes já pode ser reservada. O impresso, único a reunir os feriados e dias santos de devoção católica, afro-brasileira, espírita, indígena, islâmica e judaica, propõe expandir o universo da arte e incluir nele questões altamente relevantes para a existência pacífica da civilização humana. O homenageado desta edição é o escultor mulato Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), que ilustra o calendário com os Passos da Paixão de Cristo, patrimônio maior da cidade de Congonhas do Campo (MG). O produto ressalta ainda a atuação de 12 museus paulistanos fundamentais na formação cultural local, regional e nacional do povo brasileiro. A unidade custa R$ 25,00 e é entregue na sua casa (cinco unidades por R$ 100,00). Faça sua reserva através do e-mail: mapadasartes@uol.com.br

Seguem abaixo as características do produto:
Sincrético – O calendário de mesa menciona as datas de reverência da devoção cristã, afro-brasileira, indígena, judaica e islâmica. Dessa forma, contempla de maneira ecumênica matrizes da formação cultural e social do povo brasileiro. É possível ainda que este calendário entre para a história como o primeiro, pelo menos no Brasil, a reunir feriados isâmicos e judaicos em um mesmo impresso.
Cósmico e telúrico – Indica as fases da Lua, eclipses, solstícios e outros eventos astronômicos que ativam as influências celestes sobre a Terra, algo muito presente na cultura e no imaginário popular, principalmente indígena.
Turístico – Estimula o turismo ao dedicar a edição à cidade de Congonhas do Campo (MG) e a uma de suas maiores riquezas: algumas das 66 estátuas que compõem as cenas dos Passos da Paixão de Cristo, obra-prima de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814). Outros artistas importantes participaram nas obras de construção e decoração das seis capelas, entre 1757 e 1875, como Mestre Ataíde (1762-1830), Francisco de Lima Cerqueira ( -1808) e João Nepomuceno Correia e Castro ( -1795). As cenas foram fotografadas pelo paulistano Lucas Malkut
Político e ecológico – Rememora datas e fatos da consolidação democrática do país e de conquistas importantes, como a criação do Parque Nacional do Xingu, em 14 de abril de 1961, mas também eventos flagrantes da impunidade que permeia a Justiça brasileira.
Artístico – O fio condutor de todo o pensamento crítico desta edição é a homenagem ao nosso escultor mulato Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814). O calendário ressalta ainda a atuação de 12 museus paulistanos fundamentais na formação cultural local, regional e nacional do povo brasileiro.
Neste momento em que tudo na vida parece sem perspectivas, se faz necessário apegarmo-nos em valores mais importantes que os econômicos e trabalharmos juntos para a construção de um mundo solidário, responsável, tolerante e sem preconceitos.
Em seu “Sermão da Primeira Dominga do Advento” (1650), padre Antonio Vieira escreveu: “Em suma, que os pecados que ultimamente hão de levar os condenados ao inferno, são os pecados de omissão... Vede que cousas são omissões e não vos espantareis do que digo. Por uma omissão perde-se uma inspiração, por uma inspiração perde-se um auxílio, por um auxílio perde-se uma contrição, por uma contrição perde-se uma alma; dai conta a Deus de uma alma, por uma omissão. Desçamos a exemplos mais públicos. Por uma omissão perde-se uma maré, por uma maré perde-se uma viagem, por uma viagem perde-se uma armada, por uma armada perde-se um Estado: dai conta a Deus de uma Índia, dai conta a Deus de um Brasil, por uma omissão”.
Se você se identificou com a proposta do Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico, Turístico, Político, Ecológico e Artístico Mapa das Artes 2017 e deseja garantir o seu, faça um depósito de R$ 25,00 (ou R$ 100,00 para cinco exemplares) em uma das contas abaixo e envie o comprovante junto com seu endereço completo (com CEP) para o e-mail mapadasartes@uol.com.br. Você receberá o calendário de mesa pelo correio em sua casa sem mais despesas.

Celso Fioravante
Banco Bradesco
Agência 0296
Conta 0234248-0
CPF 036.468.348-11
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Conta 222-2
Código de operação (03 – depósito em conta jurídica)
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O artista formador: Sandra Cinto e Albano Afonso

Em série de depoimentos à revista "Select", grandes nomes da cena brasileira contam como transmitem seu amor e apreço pela arte às novas gerações. +

Ensinar é um processo múltiplo. Nenhum método de ensino dá conta sozinho de fixar as bases de atuação de seus agentes. Mesmo nas ciências exatas, a maneira como o professor lida com sua disciplina influencia diretamente os resultados e o interesse dos alunos. No ensino de artes visuais, essa fluidez epistemológica é potencializada. O ato do ensino e da aprendizagem pode começar em instituições formais, como escolas e faculdades, e ultrapassar a sala de aula para acontecer em conversas, projetos e até na rua. A produção de certos artistas não seria a mesma sem o ato generoso de compartilhar conhecimento e experiência com as novas gerações. Saiba o que Sandra Cinto e Albano Afonso, artistas e organizadores do Ateliê Fidalga, em São Paulo (SP), pensam sobre a dimensão formativa da arte:

“A educação se dá em qualquer espaço de convívio social”
Há algum tempo estamos tentando mudar a ideia do Ateliê Fidalga, enquanto um lugar parecido com uma escola ou local onde se oferece algum tipo de curso ou orientação. Faz tempo que não temos mais “alunos”. Refletimos muito sobre as práticas de educação em arte e o nosso trabalho foi ganhando outra dimensão. Partindo da ideia de que a educação se dá em qualquer espaço de convívio social, Albano e eu percebemos que o nosso trabalho no Ateliê Fidalga acontece muito mais como mediadores das discussões e propositores dos encontros entre os artistas, para que sejam feitas trocas.
O conhecimento é compartilhado de uma maneira horizontal, entre todos. Todas as áreas do conhecimento são bem-vindas e todos os artistas têm algo para dividir, aprender e trocar com o outro em termos de experiências. Também estamos bastante focados no Projeto Fidalga, um desdobramento do Ateliê Fidalga, localizado no nosso antigo ateliê. Nesse local funcionam cinco ateliês de artistas, um ateliê que é uma bolsa de incentivo para artistas sem espaço próprio (Bolsa Estúdio Fidalga), um programa sem fins lucrativos de residência (Residência Paulo Reis) e uma sala para exposições experimentais realizadas pelos artistas e curadores residentes, e artistas jovens ou em meio de trajetória que tenham um projeto para desenvolver e necessitam de espaço (Sala Projeto Fidalga). Nesse caso, a educação como ação transformadora e geradora de conhecimento acontece pela prática e pelas trocas no local: conversas organizadas durante a exposição, intercâmbios com universidades (Musashino e Aomori Art Center, no Japão, e Instituto de Geociências da USP, entre outros) e incentivo a publicações para multiplicar o conhecimento (desde o ano passado, as nossas publicações, além de impressas, são também virtuais, para que as pessoas possam baixá-las e terem acesso à pesquisa) e nos desdobramentos dessa experiência, a ressonância. Um exemplo é Renata Cruz, artista do grupo de estudos que está neste momento no Japão. Ela participa do nosso programa de intercâmbio com o Aomori Art Centre. A ideia de compartilhar o conhecimento vai se expandindo como uma hera.

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Texto de Luciana Pareja Norbiato e Felipe Stoffa originalmente publicado na edição 33 da revista “Select” | 02/02/17.
Na foto, workshop de Sandra Cinto. Crédito: Ding Musa.

Edifícios históricos são também pontos gastronômicos da cidade de São Paulo

Alguns dos bens arquitetônicos da cidade têm espaço com bares, restaurantes e cafeterias. Veja a lista. +

A cidade de São Paulo possui uma diversidade de bens culturais imóveis. São desde palacetes ecléticos da virada do século até grandes ícones da arquitetura moderna da década de 1920 em diante. Alguns desses bens arquitetônicos oferecem mais do que sua presença física, dividindo seu espaço com bares, restaurantes e cafeterias.
Conheça com os olhos e com o paladar alguns edifícios que marcaram história da cidade:

1. Esther Rooftop
Em 2016, o edifício Esther, o primeiro edifício alto modernista da cidade (projeto dos arquitetos Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho) ganhou um restaurante em sua cobertura, no 11º andar: o Esther Rooftop. A ideia foi dos irmãos Olivier e Pierre Anquier e de Benoit Mathurin, três chefs franceses profissionais.
O restaurante oferece uma ótima vista para a Praça da República. Aproveite para notar na entrada as engrenagens que decoram a porta, símbolo da Usina Açucareira Esther, que contratou a construção do edifício para ser a sua sede.

2. Terraço Itália
O edifício Itália, construído em 1965, foi encomendado pelo Circolo Italiano de San Paolo para abrigar sua sede. O projeto, do arquiteto alemão naturalizado brasileiro Franz Heep, foi selecionado em um concurso realizado em 1953, momento em que a cidade passava por um intenso processo de verticalização.
O edifício tornou-se um importante marco para a cidade, sendo na época o maior de São Paulo, com 46 andares e estrutura de concreto armado. No ano de 1967, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha projetou uma estrutura de ferro e cortinas de vidro, espaço onde foi inaugurado o restaurante Terraço Itália, especializado em culinária italiana.

3. Restaurante do Masp
Em 1968 era inaugurado na Avenida Paulista o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), projetado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. Apesar da arquitetura brutalista de Lina, onde uma das questões mais relevantes é o concreto aparente, no início da década de 1990 as vigas foram pintadas e impermeabilizadas para conter as infiltrações que ocorriam durante chuvas fortes. A princípio Lina foi relutante, mas optou pela cor vermelha para cobrir as vigas.
Seu vão livre, o maior da América Latina, foi idealizado para que a vista da região permanecesse livre para o público. Hoje, seu edifício é um dos cartões postais da cidade, mas nem só de arte vive o Masp. No 2º subsolo há um restaurante que serve opções de buffet e pratos executivos. Não é necessário pagar a entrada no museu para ir ao restaurante.

4. Restaurante Sala São Paulo
A estação Júlio Prestes, de arquitetura eclética inspirada no estilo renascentista e vitrais feitos pela Casa Conrado, era composta por dois setores: o de transporte e o administrativo, construído em torno de um pátio central. A Sala São Paulo faz parte do Centro Cultural Júlio Prestes e foi inaugurada em 1999. O restaurante da sala, na antiga estação, serve comida contemporânea e pratos típicos da culinária brasileira.

5. Santinho – Theatro Municipal de São Paulo
O projeto do Teatro Municipal foi inspirado na Ópera de Paris, atendendo aos pedidos da elite paulistana da época por um centro cultural à altura dos encontrados na Europa. Em 1922, foi palco da Semana de Arte Moderna, que protagonizou o modernismo no Brasil. Hoje abriga diversos grupos artísticos, como a Orquestra Sinfônica Municipal, a Experimental de Repertório e o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Um dos seus espaços é ocupado pelo restaurante Santinho desde 2015. O restaurante oferece buffet cobrado por pessoa, de segunda a sábado.

6. MoDi – Edifício Paquita
O Paquita é um edifício de arquitetura moderna construído na década de 1950 em frente ao parque Buenos Aires, para o qual a varanda dos quartos oferece generosa vista. No térreo, entre os pilotis que sustentam o edifício, há uma parede de vidro que serve de entrada para o restaurante MoDi, especializado em culinária italiana. O estabelecimento oferece um cardápio que inclui sopas frias, peixes, carnes e massas. Às segundas, há uma banda de Jazz tocando ao vivo.

7. Cafezal Cafés Especiais – Centro Cultural Banco do Brasil
O prédio do Centro Cultural Banco do Brasil foi construído em 1901 e comprado pelo banco em 1923. Passou por uma reforma que o adaptou para ser uma agência bancária ao mesmo tempo em que restaurou e preservou suas características originais. O responsável pela adaptação foi o engenheiro e arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol Junior, que refez seu interior, incorporando alguns dos padrões europeus de época para edifícios bancários. A fachada incorpora influências Art Nouveau e clássicas. No terceiro andar do prédio funciona a cafeteria Cafezal, que serve variados tipos de café, tortas e salgados, além de massas, risotos, carnes e saladas no restaurante.

8. Mirante 9 de Julho
O túnel da avenida 9 de Julho e seu mirante, inaugurado em 1938, fazia parte do projeto do Plano de Avenidas e seguiu uma linguagem arquitetônica protomoderna com elementos Art Déco. Depois de um período de abandono, o espaço do mirante está sendo reutilizado. Hoje é ocupado pelo centro cultural Mirante 9 de Julho, que promove a exibição de filmes, exposições artísticas e outros eventos ali, além de oferecer um espaço para coworking com acesso à internet e café. O local abriga o “Isso é Café” e o restaurante Mirante Efêmero.

9. Restaurantes na Praça Vilaboim em frente ao edifício Louveira
Outro edifício icônico na arquitetura moderna paulistana é o Louveira, projetado por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi e construído na Praça Vilaboim. O conjunto é formado por dois blocos retangulares, apoiados sobre pilotis, com uma fachada que chama atenção pela sua constante mudança: as janelas, quando abertas ou fechadas, criam leituras diferentes no prédio.
Há mais de uma dezena de estabelecimentos de restaurantes e bares no entorno da praça, entre eles o Le Vin, um bistrô francês, o Aoyama, restaurante especializado em culinária japonesa, e o Si Señor, de comida mexicana que oferece além dos pratos mais típicos uma variedade de grelhados.

Serviço:

Esther Rooftop
Endereço: Praça da República, 80 – 11º andar
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Sexta das 12h às 15h e das 19h às 23h30. Sábado das 12h às 23h30. Domingo das 12h às 17h.
Contato/Reservas: estherrooftop@gmail.com
Site: www.facebook.com/Esther-Rooftop-618432671638652

Terraço Itália
Endereço: Avenida Ipiranga, 344 – 41º e 42º andares
Horário de funcionamento: de segunda a quinta das 12h às 24h, sexta e sábado das 12h às 01h. Domingo das 12h às 23h.
Contato/Reservas: (11) 2189-2929
Site: www.terracoitalia.com.br

Restaurante Masp
Endereço: Avenida Paulista, 1578 – 2º Subsolo
Horário de Funcionamento: segunda a sexta das 12h às 15h, sábados e domingos das 12h às 16h
Contato/Reservas: (11) 3253 2829/ (11) 3289-7704. E-mail: 8artemasp@gmail.com
Site: http://masp.art.br/masp2010/visiteomuseu_info.php

Restaurante Sala São Paulo
Endereço: Praça Júlio Prestes, 16
Horário de funcionamento: Para almoços, de segunda a sexta, das 12h às 15h. Jantares, quando há concertos noturnos, das 18h30 às 01h.
Contato/Reservas: (11) 3225 9958. E-mail: ssp@8arte.com.br
Site: www.salasaopaulo.art.br/paginadinamica.aspx?pagina=restaurante

Santinho
Endereço: Praça Ramos de Azevedo, 1
Horário de funcionamento: Segunda a sexta das 10h às 17h, sábados das 12h às 17h (em dias de espetáculos fecha às 16h).
Contato/Reservas: (11) 3222-1683/(11)3221-8061. E-mail: tm.reservas@restaurantesantinho.com.br
Site: http://theatromunicipal.org.br/espaco/theatro-municipal/#restaurante

MoDi
Endereço: Rua Alagoas, 475
Horário de funcionamento: de segunda feira, das 17h às 23h. Terça a sábado das 12h às 23h. Domingo das 12h às 17h.
Contato/Reservas: (11) 3564-7028

Cafezal Cafés Especiais
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 21h. Não abre às terças. Contato/Reservas: (11) 3113-3676
Site: www.cafezalcafes.com.br

Isso é Café
Endereço: Rua Carlos Comenale, s/nº
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 20h
Contato/Reservas: (11) 3862-5833
Site: www.issoecafe.com

Mirante Efêmero
Endereço: Rua Carlos Comenale, s/nº
Horário de Funcionamento: de terça a domingo, das 12h às 22h.
Contato/Reservas: (11) 3111-6330

Le Vin Bistrô
Endereço: Rua Armando Penteado, 25
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 12h às 24h. Sexta e sábado, das 12h às 01h. Domingo das 12h às 23h.
Contato/Reservas: (11) 3668-7400
Site: www.levin.com.br/#/home

Restaurante Aoyama
Endereço: Praça Vila Boim, 63
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 24h às 15h e das 19h às 23h30. Sexta feira das 12h às 15h e das 19h às 24h. Sábado das 12h às 24h. Domingo das 12h às 23h30.
Contato/Reservas: (11) 3666-2087
Site: www.restauranteaoyama.com.br

Si Señor!
Endereço: R. Armando A. Penteado, 18
Horário de funcionamento: de segunda à quinta, das 12h às 15h e das 18h às 24h. Sexta das 12h às 15h e das 18h à 01h. Sábado das 12h às 01h. Domingo das 12h às 24h.
Contato/Reservas: (11)3476-2538. Reservas: https://sao-paulo.restorando.com.br/restaurante/si-senor-higienopolis
Site: www.sisenor.com.br/cardapio

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Texto originalmente publicado no blog do DPH – Departamento do Patrimônio Histórico / Prefeitura de São Paulo - SP (http://patrimoniohistorico.prefeitura.sp.gov.br) | 01/02/17.
Na foto, fachada do Edifício Esther, na Praça da República. Crédito: Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo.