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Eva Doris deixa a secretaria de estado de Cultura do Rio de Janeiro

Para o cargo, o governador Pezão nomeu o deputado estadual André Lazaroni. +

Quase dois meses após o governador Luiz Fernando Pezão ter prometido que manteria Eva Doris Rosental como secretária de estado de Cultura, o governo voltou atrás, a exonerou e nomeou o deputado estadual e líder do PMDB na Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj), André Lazaroni, para seu lugar. A informação foi publicada no Diário Oficial do estado na última sexta-feira (03/02/17). Eva Doris ocupava o posto desde janeiro de 2015.
Formado em direito, com especialização em direito ambiental, Lazaroni é filho da professora, escritora e política Dalva Lazaroni. Deputado estadual reeleito em 2015 para o quarto mandato consecutivo, sua atuação política é marcada por ações nas áreas do esporte e do meio ambiente — entre 2013 e 2014, licenciou-se da Alerj para assumir a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Rio e a presidência da Superintendência de Desportos do Estado (Suderj).
No ano passado, o novo secretário esteve envolvido em uma polêmica, após a prefeitura ter contratado sem licitação empresas que têm entre os acionistas seu pai e seu tio para concluir obras da Olimpíada depois de romper o contrato com empresas escolhidas em concorrência pública.
Ao "Globo", a ex-secretária afirmou que "apesar das dificuldades financeiras por que passa o estado, a secretaria está bem estruturada e conta com uma equipe técnica competente e comprometida com os projetos que desenvolve".
Ainda na tarde desta segunda-feira (06/02/17) Eva Doris terá um encontro com o novo secretário, que planeja "estudar a situação da SEC e dar prosseguimento às atividades e ações conduzidas até aqui", disse.
Em novembro de 2016, Pezão havia decidido submeter a Secretaria estadual de Cultura (SEC) à Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação. O anúncio da decisão levou a um amplo movimento reivindicando a permanência da pasta.
Guiada por representantes do Conselho Estadual de Política Cultural e por diversos movimentos culturais, a campanha #FicaSEC ganhou adesão popular e de um grande número de deputados, que iniciaram a redação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com o objetivo de transformar a secretaria em um direito fundamental na Constituição Estadual.
Pressionado, o governador decidiu manter a SEC. Em dezembro passado, Pezão entrou em contato com Eva Doris para comunicar que a secretaria teria a sua autonomia mantida.
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Texto de Luiz Felipe Reis originalmente publicado no jornal "O Globo" | 06/02/17.

Conheça a primeira vítima de Álvaro Siza

Há 60 anos, o gerente de uma empresa de pesca ousou chamar um jovem desconhecido, ainda com o curso de arquitetura por terminar, para desenhar uma casa. Era o primeiro projeto daquele que transformou-se em um dos mais importantes arquitetos do mundo contemporâneo: o português Álvaro Siza Vieira. No Brasil, ele é autor do prédio da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre (RS). +

Há 60 anos, um homem em Matosinhos (Portugal) ousou apostar num jovem desconhecido, sem qualquer currículo ou carreira, com o curso de arquitetura ainda incompleto, para lhe projetar uma casa. Como o terreno era grande e havia familiares também necessitados de nova habitação, no total foram desenhadas quatro casas. Hoje, em qualquer parte do mundo, não faltará quem deseje ou ambicione ter um edifício com a assinatura daquele rapaz também natural de Matosinhos, a cursar Belas Artes no Porto e chamado Álvaro Siza Vieira. Porém, há 60 anos, tomar uma decisão deste tipo envolvia alguma dose de atrevimento, de coragem e gosto pelo risco.
Foi o que fez Manuel Fernando Rodrigues Neto. Agora com 93 anos, a completar no próximo dia 19, mostra orgulhoso a casa onde se mantém e para onde foi viver com a mulher e dois filhos no dia 28 de maio de 1957. Este homem constitui o sonho de qualquer arquiteto. Não apenas por aquela decisão inicial, mas em particular pelo modo como acarinhou a casa ao longo destas seis décadas.
Moradia inalterada
Numa situação rara, mesmo com projetos de grandes nomes da arquitetura, a moradia está tal como a concebeu Álvaro Siza. Nunca ali foi feita qualquer modificação, a não ser as necessárias obras de manutenção, em particular nas casas de banho. De resto, tudo se mantém igual.
Desde logo a cozinha. Irresistível ponto de entrada, chama a atenção para o modo flagrante como, pelas formas e materiais utilizados, remete para Antonio Gaudi, uma das referências de Álvaro Siza (ver entrevista). Mesmo se o arquiteto diz ser possível detetar ali, também, algo de Corbusier, a verdade é que é o imaginário do catalão que mais se impõe naquele espaço, transformado em antecâmara de todo um universo marcado pela diferença.
“Esta casa tem 60 anos, mas ainda é uma casa moderna”, diz Manuel Neto. Está tão contente com a escolha feita tantas décadas atrás, que se revela certo de, “como moradia”, ainda não ter visto “nada que se possa dizer que esteja desatualizado”.
Apesar das polémicas. Apesar dos ditos e dichotes ouvidos aquando da construção. Agora, à distância, admite ter ficado incomodado. “O arquiteto não ligou nenhuma. Disse que o tempo é que falaria”.
Pelos vistos falou, ao ponto de a casa ser agora um ponto de visita obrigatório para estudantes de todo o mundo que chegam à região do Porto à procura de contactos com a obra de Siza. As solicitações eram tantas que se tornou necessário canalizar os pedidos através da Casa da Arquitetura, de modo a poder ser feita uma gestão mais razoável e racional das solicitações feitas.
O tempo das afrontas
Ainda assim, a memória daqueles tempos passados não esmoreceu, até porque a mulher de Manuel Neto, já falecida, sentiu muito particularmente aquelas afrontas. Por exemplo um texto publicado no jornal “Comércio do Porto” a falar do desfile que estaria a fazer-se em Matosinhos para ver “os casinhotos” que se construíram na Avenida D. Afonso Henriques, perto das atuais instalações da Câmara Municipal, “como se Matosinhos fosse terra sertaneja e não houvesse aqui pessoas (…) que têm noções de arte”. Depois de questionar o que pensarão os membros da Comissão de Estética daqueles “casinhotos”, o jornalista pergunta se “terá desaparecido o bom senso de gente que tem o dever de velar pela estética da vila e evitar atentados arquitetónicos como esse”. Aos céticos, aconselhava a irem lá ver e dizerem-lhe depois “se aquilo está certo numa cidade servida por um porto de mar, com aeródromo próximo e vizinha da cidade do Porto”.
Manuel Neto ficou desagradado. Como o chefe de redação que autorizara, ou solicitara, a publicação do texto era seu vizinho, resolve um dia questioná-lo para lhe dizer “que estava a queimar um arquiteto em início de carreira”. Convida-o a ir visitar a casa, mas a visita nunca se concretizou.
Siza não podia assinar
Numa das divisões da casa, o proprietário afixou há algum tempo o projeto inicial, assinado pelo engenheiro civil Rogério Lobão, dada a circunstância de, então, Siza ainda não ter autorização para assinar projetos. Fê-lo mais tarde. Junto à assinatura de Rogério Lobão, Siza acrescentou o seu nome. “Com 55 anos de atraso – na altura ainda não podia assinar porque ainda não era arquiteto”, escreveu pelo seu próprio punho. Ao lado, Neto conserva o último recibo relativo ao pagamento da última prestação (três mil e 500 escudos) pelo trabalho do jovem Siza.
Esta é uma história que começa em 1955, quando Manuel Neto compra o terreno onde se torna viável a construção, ao longo dos dois anos seguintes, de quatro casas. À época, Neto tinha uma empresa de pesca de sardinha e frequentava muito a zona onde vivia a que veio a ser sua mulher, próxima das antigas instalações da fábrica “Vacuum”, onde acabava por encontrar e conversar muito com António Siza Vieira, que tinha um cargo na Refinaria Angola e era tio de Álvaro.
Entre os muitos diálogos travados vem um dia à superfície a informação de que Neto comprara o terreno onde pretendia construir casa. António pergunta-lhe se já tem arquiteto e, face à resposta negativa, sugere-lhe a hipótese de entregar a obra ao sobrinho Álvaro.
Se não gostar não aceita o projeto
Era caso para pensar. Um dia Álvaro vai falar com Neto, que o leva a visitar uma moradia na zona das Antas muito do seu agrado, mesmo se, no final, as duas casas nada têm a ver uma com a outra. Fica acertado que avançarão, embora Neto reivindique a prerrogativa de cancelar tudo, caso o projeto não lhe agrade. Coloca, até, uma condição: teria de haver uma varanda a todo o correr da casa, virada para a Avenida, por causa das festas do Senhor de Matosinhos.
Casa custou 275 contos
Numa fase seguinte comunica quanto pode gastar e acaba por ter um orçamento de 275 contos. “Na época era dinheiro. O meu ordenado era de 4 contos como gerente de uma firma”.
Quando o projeto é apresentado, a reação é desde logo positiva. Gostam. Não obstante, como em todas as obras de todos os arquitetos, terem gostado mesmo muito de algumas soluções, de outras nem tanto. “Na sala havia uma parede que Siza queria com a pedra à vista, mas a minha mulher não gostava. Ele concordou, mas se calhar hoje era capaz de não aceitar”.
Quando para lá foram viver. Foi uma festa. Vinham de um bairro próximo e traziam dois filhos. Uma rapariga com 9 anos, e um rapaz com 3 anos de idade. A primeira neta nasceu lá, e era ali que faziam todas as festas. Em particular as da filha enquanto adolescente vigiada por uma mãe muito zelosa.
Passados todos estes anos, Manuel Neto pode garantir que praticamente todos os grandes arquitetos da atualidade já por lá passaram para verem a casa. Na memória guarda ainda discussões homéricas, em particular sobre a intensiva utilização da madeira no exterior. Dada a proximidade do mar, isso gerava grandes dúvidas e preocupações. Não esquece a resposta de Siza: “Garanto-lhe que um dia o senhor vai embora, os seus filhos e netos também, e a madeira continua aqui”.
Continua, de facto. Se algo impressiona numa visita à casa, com parte importante da fachada exterior revestida a madeira, é o excelente estado de conservação. O tempo não parece ter passado por ali. Claro que houve o cuidado de assegurar a manutenção, mas na origem está a decisão de escolher boas madeiras e um jovem que, não sendo ainda formalmente arquiteto, tinha já uma noção exata dos caminhos que pretendia percorrer.
Aquela é uma obra inicial. Está marcada por múltiplas associações, feitas, quer pelo proprietário, quer pelo arquiteto. Um e outro raramente se encontram. Ainda assim, quando Siza vê Manuel Neto, cumprimenta-o. “Faz-me sempre uma festazinha. Há uns três anos encontrei-o na homenagem a Manuel Dias da Fonseca, que era meu amigo de infância. O Siza virou-se para mim e disse-me: ‘o senhor foi a minha primeira vítima’”.
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Texto de Valdemar Cruz originalmente publicado no site português "Expresso" (http://expresso.sapo.pt) | 07/02/17.
Foto: Lucília Monteiro.

O artista formador: Danillo Barata

Em série de depoimentos à revista "Select", grandes nomes da cena brasileira contam como transmitem seu amor e apreço pela arte às novas gerações. +

Ensinar é um processo múltiplo. Nenhum método de ensino dá conta sozinho de fixar as bases de atuação de seus agentes. Mesmo nas ciências exatas, a maneira como o professor lida com sua disciplina influencia diretamente os resultados e o interesse dos alunos. No ensino de artes visuais, essa fluidez epistemológica é potencializada. O ato do ensino e da aprendizagem pode começar em instituições formais, como escolas e faculdades, e ultrapassar a sala de aula para acontecer em conversas, projetos e até na rua. A produção de certos artistas não seria a mesma sem o ato generoso de compartilhar conhecimento e experiência com as novas gerações. Saiba o que Danillo Barata, videoartista e professor dos cursos de Cinema e Artes Visuais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), pensa sobre a dimensão formativa da arte:

“Tenho sido, muito mais ao modo de Mário de Andrade, um aprendiz”
Minha experiência de ensino no Recôncavo da Bahia tem me transformado profundamente, pois aqui a troca de saberes e a horizontalidade na prática de formação são vividas cotidianamente no ambiente escolar e fora dele. Um espaço de dialogias, transformações e do mistério.
Os trabalhos artísticos que tenho desenvolvido têm se constituído pela poética do corpo, utilizando como linguagens o vídeo e as videoinstalações. Motivado por essa tendência, busco a ampliação desse conceito e dos meios artísticos de expressão na realização de uma produção na linha de processos criativos.
Em uma avaliação de conceitos ligados às principais teorias e práticas das artes visuais, minha pesquisa constituiu-se de uma produção prática, na qual são utilizadas técnicas de captação e manipulação de imagens, para mostrar o enfrentamento do corpo em relação aos meios contemporâneos de expressão artística.
A relação dialógica estabelecida com o Recôncavo talvez encontre ressonância na frase da canção do santamarense Roberto Mendes e de Capinam na canção Massemba: “Vou aprender a ler para ensinar meus camaradas”. Acredito que, no fim das contas, tenho sido, muito mais ao modo de Mário de Andrade, um aprendiz.

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Texto de Luciana Pareja Norbiato e Felipe Stoffa originalmente publicado na edição 33 da revista “Select” | 02/02/17.
Crédito da foto: Sora Maia.

MCH Group compra parte da alemã Art.fair

O MCH Group, sediado na Suíça e dono da Art Basel, adquiriu 25,1% da Art.fair International GmbH, baseada em Colônia (Alemanha) e organizadora da recém-fundada Art Düsseldorf. +

O MCH Group, sediado na Suíça e proprietário da franquia Art Basel, anunciou a aquisição de 25,1% da Art.fair International GmbH, baseada em Colônia (Alemanha) e organizadora da recém-fundada Art Düsseldorf, que permanece sob o controle dos atuais proprietários: Andreas Lohaus e Walter Gehlen. O grupo suíço, no entanto, pode ter uma participação majoritária no negócio no futuro.
O investimento do MCH está alinhado com a estratégia do grupo de fortalecimento e diversificação do portfólio de feiras regionais de arte, como no caso da participação na India Art Fair, em Nova Deli, de 60,3%.
"A participação do MCH Group na Art Düsseldorf constitui mais um grande passo na implementação de nossa estratégia de expansão mundial com um novo portfólio de feiras regionais em importantes cidades", disse Marco Fazzone, diretor de feiras de design e de arte regionais da MCH. A ideia dele é tornar o evento de Düsseldorf na "principal feira regional da Alemanha", título que é da Art Cologne.
Fazzone ressalta que a Art Düsseldorf (de 16 a 19/11/17) "permanecerá autônoma", mas se beneficiará da "experiência e da rede de trabalho" da MCH, bem como de "sinergias com as outras feiras de arte regionais que, num futuro próximo, vão formar uma forte rede global ".
O sócio Walter Gehlen está confiante. "Nossas atividades em Düsseldorf estão atraindo o interesse de galerias de todo o mundo, as quais desejam fazer um uso de sucesso da feira."
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Fonte: texto de Henri Neuendorf originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 09/02/17.
Na foto, Walter Gehlen, Marco Fazzone, René Kamm (CEO do MCH Group) e Andreas Lohaus. Crédito: Nils vom Lande.

Apresentadora Oprah Winfrey arrecada US$ 150 milhões com venda de Gustav Klimt

Apresentadora fechou negócio com comprador chinês, segundo fonte próxima à transação. +

O mundo da arte está sentindo o toque de rei Midas da apresentadora e empresária Oprah Winfrey. Ela vendeu uma pintura de Gustav Klimt por US$ 150 milhões em um dos maiores acordos privados do ramo artístico de 2016, informou uma pessoa próxima à transação. Oprah, diretora-executiva da Oprah Winfrey Network, comprou a obra “Retrato de Adele Bloch-Bauer II” por US$ 87,9 milhões em 2006, em um leilão da casa Christie’s em Nova York – ainda um recorde para o pintor austríaco. Desde então, o quadro viu seu valor aumentar em cerca de 71%.
Em 2014, Oprah emprestou a pintura anonimamente ao Museu de Arte Moderna de Nova York, por cinco anos, segundo a fonte, que pediu para não ser identificada pela confidencialidade da informação. O empréstimo foi intermediado pelo magnata do entretenimento David Geffen, amigo de Oprah e benfeitor do museu. Representantes da apresentadora e de Geffen se recusaram a comentar.
“Retrato de Adele Bloch-Bauer II”, de 1912, representa uma mulher trajando um longo e estreito vestido e um chapéu preto, posicionada diante de um fundo lilás e verde. Tal mulher foi casada com um patrono das artes judeu em Viena.
Quando o quadro esteve nas galerias do quinto andar do MoMa no ano passado, Oprah foi abordada através de Geffen pelo negociador Larry Gagosian, que tinha um potencial comprador encaminhado, disse a fonte. A apresentadora estava disposta a se desfazer do quadro por US$ 150 milhões, informou.
Antes de vender o trabalho a um comprador chinês não identificado, Oprah concordou em emprestá-lo temporariamente à Neue Galerie, em Nova York, para a exposição “Klimt e as Mulheres da Era Dourada de Viena, 1900-1918”.
— Adele Bloch-Bauer é o único assunto que Klimt teria retratado duas vezes – primeiramente no icônico retrato dourado em 1907, depois em 1912 em uma obra muito diferente, exuberantemente colorida — explicou Scott Gutterman, vice-diretor da Neue Galeria. — Ver esses dois quadros lado a lado permite ao espectador ver como o trabalho de Klimt mudou durante esse período-chave de seu desenvolvimento artístico.
O quadro foi parte de um conjunto de obras saqueadas por nazistas e restituído pelo governo austríaco aos herdeiros dos Bloch-Bauer em 2006. A batalha legal em torno das telas inspirou o filme “A Dama Dourada”, estrelado por Helen Mirren em 2015.
Klimt é alvo de colecionadores
A obra é o segundo mais valioso quadro de Klimt que já mudou de mãos desde que o mercado de arte começou a contrair. O bilionário russo Dmitry Rybolovlev vendeu “Water Serpents II” (1904-1907) privadamente por US$ 170 milhões em novembro de 2015, segundo Sandy Heller, consultora de arte de Rybolovlev. Ambas as pinturas de Klimt foram para Ásia, onde a riqueza em expansão construiu uma crescente rede de colecionadores ávidos para adquirir grandes obras ocidentais.
— Klimt está na lista de algumas pessoas — afirmou Grace Rong Li, que aconselha colecionadores asiáticos sobre arte ocidental moderna e contemporânea. O apelo do artista, conhecido pela obra “O Beijo”, é tanto estético quanto financeiro, acrescentou ela.
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Texto da agência Bloomberg News reproduzido no site do jornal "O Globo" (http://oglobo.globo.com) | 08/02/17.

Colômbia poderá ser escolhida como sede latino-americana do Centre Pompidou

A instituição celebra 40 anos com um crescente sucesso de público e projetos de expansão para outros países. +

O Centre Pompidou, em Paris, abriu suas portas em 1977. Mais de 200 mil obras fazem da coleção de arte moderna e contemporânea do Pompidou uma das mais completas do mundo, integrando mestres como Pablo Picasso, Joan Miró, Amedeo Modigliani, Henri Matisse, Francis Bacon e Jean Dubuffet. Sua coleção se equipara a de outras grandes instituições do mundo, como a Tate Modern de Londres e o MoMA de Nova York.
Desde o início, a instituição parisiense vem reafirmando sua importância. Em 2016, o Centre Pompidou registrou 3,3 milhões de visitantes, 9% a mais do que no ano anterior e 30% a mais do que há 10 anos, mesmo apesar dos ataques terroristas que a cidade enfrentou recentemente.

Agora, o Pompidou revela seus projetos de expansão. Em uma entrevista ao “El País”, o diretor do centro, Serge Lasvignes, expressou a intenção da instituição em estabelecer sedes internacionais em distintas capitais de arte. Em 2015, o primeiro passo foi dado, com a inauguração de um projeto-piloto do Pompidou em Málaga, onde atualmente são exibidas 90 obras da coleção e cuja parceria deve ser prorrogada até 2020. A próxima sede deverá ser inaugurada em Bruxelas em 2018, ocupando um edifício art deco de 35 mil m²; Shangai também está nos planos da instituição, porém sem nenhuma data ainda definida. O Pompidou conta ainda com uma sucursal em Metz desde 2010.
Sobre a possibilidade de uma sede na América Latina, Lasvignes afirma: “Está nas nossas perspectivas futuras”, enfatizando que o projeto está em fase preliminar, ainda que tenha um país concreto na mira. “Tenho interesse pela Colômbia. É um país promissor e com muitos recursos, onde os coletivos de artistas têm contribuído muito para pacificar a vida social”.

As comemorações do 40º aniversário do Centre Pompidou vão de encontro a estas metas de descentralização, com um projeto itinerante chamado “1977-2017: Le Centre Pompidou Fete ses 40 ans”, uma série de 40 exposições com obras de sua coleção histórica, espalhadas por diferentes museus regionais franceses.
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texto originalmente publicado no blog Touch of Class | 08/02/17

Se sua vida não tem cor, não desbote a nossa

Reportagem da revista aeroportuária "29Horas" destaca o trabalho de Eduardo Kobra: de pichador da periferia de São Paulo a artista de reconhecimento internacional. +

"Se sua vida não tem cor, não desbote a nossa". Esta mensagem foi escrita em um muro da 23 de Maio, em São Paulo, depois que o prefeito João Doria removeu, em meados de janeiro, os grafites da avenida com tristes camadas de tinta cinza. Mais de 15.000 m² de arte urbana foram retirados nessa cruzada contra grafiteiros e pichadores. O trabalho de Eduardo Kobra, de 41 anos, foi poupado, mas no dia seguinte o muro de 1.000 m² com releituras de cenas da São Paulo antiga amanheceu pichado com a figura de Doria empunhando um rolo de tinta.
Devastado com a situação, já que ele começou seu trabalho como pichador e é amigo de muitos deles – “Essa é a minha origem, jamais vou ser contrário a qualquer expressão de arte na rua”, ele já declarou –, Kobra não quer falar sobre o assunto. Mas ele topa contar sua incrível história, desenhada com muitas latas de tinta – milhares delas –, e que começou no bairro do Martinica, no Campo Limpo, em São Paulo.
Filho de um tapeceiro e de uma dona de casa, ele curtiu a infância livre de garoto de periferia: empinava pipa, jogava bola e descia de carrinho de rolimã as ruas da região. “Aos doze anos, comecei a pichar. Sempre gostei de desenhar, foi natural passar a trabalhar nos muros. Eu fazia de forma ilegal, mas eram desenhos já elaborados”. Na adolescência, Kobra conviveu com amigos que se envolveram com drogas e até com crimes. “Eu nunca fui para esse lado, e acabei tomando um rumo oposto, indo pelo caminho da arte. Nunca pensei que o meu trabalho pudesse alcançar os cinco continentes como acontece hoje”, diz o artista, que tem 25 murais espalhados no exterior, em países como Estados Unidos, França, Holanda, Itália, Suécia, Polônia, Rússia e Japão, entre outros.
Cerca de 90% das pinturas que ele faz não têm apoio financeiro, são produzidas voluntariamente. “Não aceito remuneração para modificar o meu trabalho, tem que respeitar o meu modo de ver”. Mas ele não faz intervenções sem pedir antes a autorização do poder público ou do dono do imóvel. Os ganhos maiores vêm da venda de suas telas originais, que custam em média US$ 50 mil em galerias de Nova York. A preocupação com o lado social sempre foi um norte para ele, autor da série “Realidade Aumentada”, sobre crianças desaparecidas e moradores de rua de São Paulo.
No projeto “Greenpincel”, ele denunciou a caça às baleias no Japão, a devastação da Amazônia e o pequeno índio sob a mira de uma arma, assunto do mural “Belo Monte em Alta Mira”. “Trabalho com histórias reais, memórias, envolvimento”. Um projeto novo é o “Envolva-se”, no qual as pessoas se cadastram para acompanhar Kobra, que já foi pichador, passou a grafiteiro e hoje se diz muralista. Seu pai sempre foi contrário ao seu trabalho e, se antes
ele nutria uma mágoa por causa disso, hoje percebe que essa falta de apoio era uma proteção. “Eu já havia sido detido pela polícia e essa era uma forma dele me cuidar”, reflete.
Há alguns anos, quando o pai faleceu, Kobra achou em uma gaveta recortes de matérias de revistas e jornais sobre suas obras. “Vi então que ele tinha um certo orgulho de mim”, conta, emocionado.
Autor do projeto “Muro das Memórias”, que resgata a memória da cidade com cenas e personagens das primeiras décadas do século XX, Kobra já pintou mais de 50 murais em avenidas e ruas de São Paulo. Um dos mais impressionantes é a obra “Oscar Niemeyer”, que ele fez em 2013 em homenagem ao aniversário da cidade. Outro trabalho impactante é “A Lenda do Brasil”, em homenagem a Ayrton Senna, em um prédio na rua da Consolação, na esquina com a Paulista. Também vale destacar um trabalho recente, sobre cicloativismo, que fica na parede lateral do Ibis Styles São Paulo Faria Lima.
Kobra é apaixonado por bicicletas, que usa há mais de dez anos. “A bicicleta tem um efeito superpositivo para a cidade, embora as pessoas não percebam isso a curto prazo”, diz Kobra, casado com Andressa e pai do bebê Pedro. Seus murais espelham seus sonhos. Em outubro de 2016, ele finalizou em Amsterdã o painel “Let me be myself”, de 240 m², no qual retrata Anne Frank, morta aos 15 anos em fevereiro de 1945 pela barbárie nazista. “Sempre quis fazer um mural sobre esta jovem”, diz o artista, que escolheu como título uma das frases mais representativas da escritora, “Deixe-me ser eu mesma”. “Ela é fundamental em um mundo onde a identidade de cada um deveria ser respeitada”, afirma. Outras personalidades que contribuíram para a paz, a liberdade, a arte e o humanismo foram pintadas por Kobra, como Nelson Mandela, Martin Luther King, Malala Yousafzai, Dalai Lama, Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e John Lennon.
Pouco antes dos Jogos Olímpicos, ele encantou o mundo ao fazer no Rio o mural “Todos Somos Um”, monumental trabalho de 2.646,34 m² em que representa os cinco continentes. A obra foi reconhecida pelo Guinness como o maior mural grafitado do mundo. Viajando direto – em fevereiro ele vai pintar nos Emirados Árabes e depois em Nova York –, Kobra segreda que adora conhecer novas culturas, mas tem uma paixão enorme pelo Brasil, especificamente por São Paulo. “São Paulo sempre foi e vai ser a plataforma do meu trabalho. Sem esta cidade eu nem existiria como artista”, diz Kobra, para quem a arte urbana é sempre bem-vinda na cidade: “Quanto mais arte na rua, melhor”.
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Texto de Chantal Brissac originalmente publicado na edição nᵒ 88 da revista "29horas" (matéria de capa). A publicação foi editada por Chantal Brissac e Kike Martins da Costa.

Sotheby’s realiza primeiro leilão de arte erótica em Londres

São 107 peças picantes, como desenhos, pinturas, esculturas e peças de design. O leilão, intitulado “Erotic: Passion & Desire”, ocorre em 16/02/17. Abrange desde antiguidades até a arte contemporânea. +

A Sotheby’s está saindo da zona de conforto com a realização de seu primeiro leilão de arte erótica, em Londres. São peças em torno das temáticas do amor e do sexo, abrangendo desde antiguidades até a arte contemporânea. Além disso, a renomada casa de leilões convidou Rowan Pelling, editor do periódico "Erotic Review", para editar o catálogo do leilão.
São 107 peças picantes, como desenhos, pinturas, esculturas e peças de design. A exibição ocorre entre os dias 11 e 15/02/17. O leilão, intitulado “Erotic: Passion & Desire”, ocorre em 16/02/17 na Sotheby’s de Londres.
Entre os destaques está uma cama francesa de mogno do século 19, com a representação de duas sereias (topless). É o lote mais caro do pregão, avaliado entre £ 500 mil e £ 800 mil (de US$ 624 mil a US$ 998 mil). Como demonstrativo da ampla gama e da natureza eclética do leilão, o item com estimativa mais baixa é um fálico vaso Shiva (de £ 200 a £ 300 / US$ 250 – US$ 375).
"Este leilão revela nossa capacidade de reunir uma fascinante variedade de obras de arte e objetos de muitas disciplinas", disse o diretor Constantine Frangos ao "Daily Mail". Segundo ele, o leilão "traça uma história, ao mesmo tempo que apresenta obras impressionantes de artistas tão ecléticos como Picasso, Man Ray, Ettore Sottsass e Marc Quinn".
"Maquette For Siren" (2008), de Quinn, uma escultura em ouro com Kate Moss em uma sensual pose de yoga, tem estimativa entre £ 70 mil e £ 90 mil (de US$ 87 mil a US$ 112 mil). Segundo declaração do escultor britânico à Sotheby's, a peça "representa tudo o que atrai as pessoas: dinheiro, perfeição, imagens inatingíveis, todas essas coisas".
O leilão conta ainda com uma série de quatro gravuras de pin-ups assinada por Mel Ramos - estimativa entre £ 5 mil e £ 7 mil (de US$ 6 mil a US$ 8,7 mil).
Por fim, há ainda uma seleção de trabalhos dos mais importantes nomes da fotografia contemporânea, como Robert Mapplethorpe, Helmut Newton, Hans Bellmer e Thomas Ruff.
"A arte sempre existiu para contar uma história humana e o sexo sempre fez parte dessa história, seja para coagir, chocar ou seduzir", afirmou Frangos. "Na verdade, o erotismo na arte sempre existiu. Nosso leilão vai levar o espectador por uma viagem através dos séculos."
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Texto de Henri Neuendorf originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 06/02/17.
Na foto, gravura de Mel Ramos.

Feira TEFAF New York Spring estreia com 92 galerias

A tradicional feira europeia TEFAF anunciou a lista de expositores da primeira edição do evento de primavera em Nova York, entre os dias 04 e 08/05/17. São 92 expositores. A galeria paulistana Bergamin & Gomide é a única brasileira participante. +

A tradicional feira europeia TEFAF, original de Maastricht (Holanda), anunciou a lista de expositores da primeira edição de primavera em Nova York. A feira internacional intitulada TEFAF New York Spring tem a participação de 92 expositores, com ênfase em arte moderna e contemporânea e também em design. A galeria paulistana Bergamin & Gomide é a única brasileira participante. O evento ocorre no Park Avenue Armory entre os dias 04 e 08/05/17.
Além de arte moderna, contemporânea e design, um pequeno número de participantes apresenta joias, antiguidades e arte africana e da Oceania.
“A TEFAF está comprometida com um padrão único de excelência em todos os aspectos da experiência da feira de arte, o que o tornou um evento cultural amado na Europa e mais recentemente em Nova York em outubro passado. Estamos ansiosos para apresentar uma segunda feira em Nova York, que se concentrará em obras do século 20 e contemporânea, mas também mantém o caráter distinto da TEFAF “, disse Patrick van Maris, CEO da TEFAF.
“Os Estados Unidos são reconhecidos pela vitalidade de seu mercado de arte e Nova York é considerada o seu coração”, comentou Michael Plummer, diretor administrativo da TEFAF de Nova York. “Além disso, arte moderna e contemporânea constam como os dois maiores segmentos de vendas de arte. Isso, combinado com a localização privilegiada da feira e a reputação de excelência da TEFAF, deu a nós e aos nossos expositores grandes expectativas de sucesso”.

Confira a lista de galerias:

- Acquavella Galleries / Nova York
- Adrian Sassoon / Londres
- Alon Zakaim Fine Art / Londres
- Anthony Meier Fine Arts / São Francisco
- Applicat-Prazan / Paris
- Axel Vervoordt / Antuérpia
- Barbara Mathes Gallery / Nova York
- Beck & Eggeling International Fine Art / Düsseldorf
- Ben Brown Fine Arts / Londres
- Bergamin & Gomide / São Paulo
- Berggruen Gallery / São Francisco
- Bernard Goldberg Fine Arts, LLC / Nova York
- Bowman Sculpture / Londres
- Cahn International AG / Basel
- Cardi Gallery / Milão
- Carpenters Workshop Gallery / Nova York
- Charles Ede Ltd / Londres
- Connaught Brown / Londres
- Dansk Møbelkunst Gallery / Copenhagen
- David Ghezelbash Archéologie / Paris
- David Tunick, Inc. / Nova York
- David Zwirner / Nova York e Londres
- DeLorenzo Gallery / Nova York
- Demisch Danant / Nova York
- Di Donna Galleries / Nova York
- Dickinson / Nova York
- Didier Ltd / Londres
- Edward Tyler Nahem Fine Art / Nova York
- Eykyn Maclean / Nova York
- Francis M. Naumann Fine Art / Nova York
- Galería Sur / Departamento de Maldonado, Uruguai
- Galerie Boulakia / Paris
- Galerie Gmurzynska / Zurique
- Galerie Jacques Germain / Montreal
- Galerie Karsten Greve AG / Colônia, Paris e St. Mortiz
- Galerie kreo / Londres e Paris
- Galerie Lefebvre / Paris
- Galerie Meyer – Oceanic Art / Paris
- Galerie Perrotin / Nova York e Paris
- Galerie Thomas / Munique
- Gana Art Gallery / Seul
- Hammer Galleries / Nova York
- Hans P. Kraus / Nova York
- Hauser & Wirth / Los Angeles, Nova York, Londres e Zurique
- Hazlitt Holland-Hibbert / Londres
- Helly Nahmad Gallery / Nova York
- Hidde van Seggelen / Londres
- Hostler Burrows / Nova York
- James Butterwick / Londres
- John Szoke Gallery / Nova York
- Keitelman Gallery / Bruxelas
- L’Arc en Seine / Paris
- Laffanour – Galerie Downtown / Paris
- Leon Tovar Gallery / Paris
- Lisson Gallery / Nova York e Londres
- Luhring Augustine / Nova York
- Magen H Inc / Nova York
- Marlborough Gallery / Nova York e Londres
- Mazzoleni / Londres e Torino
- Merrin Gallery, Inc. / Nova York
- Modernity / Estocolmo
- Offer Waterman / Londres
- Osborne Samuel Ltd / Londres
- Oscar Graf / Paris
- Patrick Derom Gallery / Bruxelas
- Paul Kasmin Gallery / Nova York
- Peter Freeman / Nova York
- Petzel Gallery / Nova York
- Phoenix Ancient Art / Nova York
- REZA / Paris
- Richard Gray Gallery / Nova York e Chicago
- Richard Green / Londres
- Richard Nagy Ltd. / Londres
- Robilant + Voena / Londres
- Rossi & Rossi / Londres
- Sean Kelly / Nova York
- Simon Teakle Fine Jewelr / Greenwich
- Skarstedt Gallery / Nova York e Londres
- Stellan Holm Gallery / Nova York
- Tambaran Gallery / Nova York
- Thomas Gibson Fine Art Ltd / Londres
- Tina Kim Gallery / Nova York
- Tornabuoni Arte / Florença
- Vallois / Paris
- Van de Weghe Fine Art / Nova York
- Vedovi Gallery / Bruxelas
- Vintage 20 / Nova York
- White Cube / Londres
- Wienerroither & Kohlbacher / Viena
- Yufuku Gallery / Tóquio
- Yves Macaux / Ixelles

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Fonte: site "Touch of Class" (www.touchofclass.com.br) | 07/02/17.

Feira de arte contemporânea africana 1:54 divulga galerias participantes

A 3ª edição da feira nos EUA acontece entre 5 e 7/5 em Nova York +

A feira de arte contemporânea africana 1:54, que retorna ao Pioneer Works, no Brooklyn, em Nova York, para a 3ª edição, entre os dias 05 e 07/05/17, anunciou a lista de galerias e artistas participantes.
A pequena feira é um pouco maior neste ano, com duas galerias a mais, totalizando 19. A composição do evento, no entanto, é bem diferente da edição anterior, com oito galerias estreantes no evento, entre elas Taymour Grahne Gallery (Nova York), Mov’Art Gallery (Luanda, Angola) e Rosenfeld Porcini (Londres). Quem retorna é a Voice Gallery (Marrakech, Marrocos), que esteve presente na edição inaugural em 2015. Sete galerias não retornam à feira neste ano, como Mariane Ibrahim Gallery (Seattle) e Richard Taittinger Gallery (Nova York).
Segundo a diretora Touria El Glaoui, que fundou a feira em Londres em 2013, apresentar um novo mix de galerias a cada ano é parte essencial do sucesso do evento. “Faz parte da nossa estratégia”, disse ela ao "Artnet". “Estamos empolgados em apresentar um novo conjunto de galerias, mostrando assim a diversidade da feira”
Neste ano houve candidatura de galerias; nas edições anteriores, as participações foram mediante convite. Pela primeira vez participam galerias de Angola e Gana. A Gallery 1957, fundada em 2016 em Accra (Gana), participa pela primeira vez de uma feira nos Estados Unidos, depois de marcar presença na última 1:54 de Londres, com obras dos artistas ganeses Jeremiah Quarshie e Serge Attukwei Clottey. Não fosse a feira em Nova York, segundo Touria, seria necessário ir à África para ver obras deles.

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Galerias participantes

(S)ITOR, Sitor Senghor (Paris)
50 Golborne (Londres)
AFRONOVA (Joanesburgo, África do Sul)
ARTLabAfrica (Nairobi, Quênia)
David Krut Projects (Joanesburgo / África do Sul e Nova York)
Ed Cross Fine Art (Londres)
Galerie Cécile Fakhoury (Abidjan, Costa do Marfim)
Gallery 1957 (Accra, Gana)
Jack Bell Gallery (Londres)
MAGNIN-A (Paris)
MOV’ART Gallery (Luanda, Angola)
Officine dell’Immagine (Milão, Itália)
ROOM Gallery & Projects (Joanesburgo, África do Sul)
Rosenfeld Porcini (Londres)
TAFETA (Londres)
Taymour Grahne Gallery (Nova York)
Tyburn Gallery (Londres)
Vigo Gallery (Londres)
VOICE Gallery (Marrakech, Marrocos)

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Artistas:

Adeniyi Olagunju (Nigéria)
Aida Muluneh (Etiópia)
Antoine Tempé (França)
Armand Boua (Costa do Marfim)
Babajide Olatunji (Nigéria)
Ben Enwonwu MBE (Nigéria)
Benon Lutaaya (Uganda)
Billie Zangewa (Malawi)
Boris Nzebo (Gabão)
Cheikh Ndiaye (Senegal)
Chéri Samba (Congo)
Derrick Adams (EUA)
Diane Victor (Alemanha)
Dimitri Fagbohoun (Benin)
Emo de Medeiros (Benin)
Ernest Düku (Costa do Marfim)
Filipe Branquinho (Moçambique)
Houston Maludi (Congo)
Ibrahim El-Salahi (Sudão)
Ihosvanny (Angola)
J.D. ‘Okhai Ojeikere (Nigéria)
Jeremiah Quarshie (Gana)
Jodi Bieber (África do Sul)
Joël Andrianomearisoa (Madagascar)
JP Mika (Congo)
Kimathi Donkor (Reino Unido)
Kura Shomali (Congo)
Laila Alaoui (Marrocos)
Lawrence Lemaoana (África do Sul)
Lebohang Kganye (África do Sul)
Mack Magagane (África do Sul)
Malala Andrialavidrazana (Madagascar)
Malick Sidibé (Mali)
Marcia Kure (Nigéria)
Maurice Mbikayi (Congo)
Mbali Mdluli (África do Sul)
Modupeola Fadugba (Togo)
Moffat Takadiwa (Zimbabwe)
Mohamed Melehi (Marrocos)
Mohau Mokadiseng (África do Sul)
Monica De Miranda (Portugal)
Ndidi Emefiele (Reino Unido)
Nontsikelelo Veleko (África do Sul)
Nu Barreto (Guiné-Bissau)
Olalekan Jeyifous (Togo)
Omar Victor Diop (Senegal)
Paul Onditi (Quênia)
Romuald Hazoumè (Benin)
Senzeni Marasela (África do Sul)
Serge Attukwei Clottey (Gana)
Seydou Keïta (Mali)
Seyni Awa Camara (Senegal)
Sikhumbuzo Makandula (África do Sul)
Steve Bandoma (Congo)
Temitayo Ogunbiyi (Nigéria)
Vincent Michéa (França)
William Kentridge (África do Sul)
Wura-Natasha Ogunji (EUA)
Zak Ové (Reino Unido)

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Texto de Sarah Cascone originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 02/02/17.
Na foto, detalhe de obra de Nu Barreto (Guiné-Bissau) - cortesia da galeria (S)ITOR, Sitor Senghor (Paris).

Sotheby’s promove lorde Harry Dalmeny a presidente da casa no Reino Unido

Há 26 anos na Sotheby's, ele agora sucede James Stourton. "Enquanto o Lehman Bros e o sistema bancário estavam em colapso, eu estava vendendo uma zebra em um tanque de formol". +

O lorde Harry Dalmeny, há 26 anos na Sotheby's, foi nomeado como novo presidente casa de leilões no Reino Unido. Ele sucede James Stourton, que deixou o cargo em 2012. Dalmeny, de 49 anos, teve sua primeira experiência com a Sotheby’s quando tinha nove anos de idade, quando itens de sua família foram a leilão após a morte de seu avô. "Todo leiloeiro tem sua proveniência e eu nasci como a fênix, das cinzas da coleção da minha família", disse Dalmeny em comunicado à imprensa. "Harry é uma força extraordinária da natureza, que atrai a todos", disse o CEO da Sotheby's, Tad Smith, também em anúncio oficial.
Dalmeny está na Sotheby’s desde 1991, inicialmente na equipe de Old Masters (mestres antigos), mobiliário e prataria. Em 1999, se tornou diretor do departamento de vendas de imóveis. Quatro anos depois, assumiu como presidente da Sotheby’s Olympia, em Londres. Desde 2006, dirige a Sotheby’s New Bond Street. A Sotheby’s considera Dalmeny figura central na venda de imóveis, entre eles o do Duque e da Duquesa de Windsor (1998).
Ele também esteve envolvido em importantes vendas de arte contemporânea. Foi o leiloeiro de “Beautiful Inside My Head Forever”, controverso leilão em 2008 em que o artista Damien Hirst colocou trabalhos de sua autoria em pregão. "Enquanto o Lehman Bros e o sistema bancário estava em colapso, eu estava vendendo uma zebra em um tanque de formol", disse Dalmeny. “Isso foi um contraste épico”.
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Fonte: texto de Brian Boucher originalmente publicado, em inglês, no site "Artnet" (www.artnet.com) | 02/02/17.

Sorry, Trump: Ikea Foundation recebe prêmio de design por abrigo para refugiados

Better Shelter da Ikea: mais de 30 mil unidades já estão sendo usadas por vítimas de conflitos e desastres naturais. +

A Ikea recebeu do Design Museum, de Londres, o prêmio Beazley Design of the Year pelo “Better Shelter”. O projeto é assinado por Johan Karlsson, Dennis Kanter, Christian Gustafsson, John van Leer, Tim de Haas, Nicolò Barlera, a fundação Ikea e a UNHCR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados).
A iniciativa desenvolveu casas mais dignas e seguras para vítimas de desastres naturais e conflitos, trazendo a indústria do design para usar a sua veia inovadora e criar esses abrigos emergenciais. Eles são feitos com tecnologia flat-pack, muito usada em móveis: o abrigo é erguido a partir de peças pré-fabricadas e modulares, o que facilita a montagem e o transporte.
O pacote da casa já vem com todas as ferramentas necessárias para o seu levantamento, o qual dura cerca de quatro horas. A porta da frente do abrigo tem fechadura, trazendo mais privacidade para os moradores, e o projeto conta com uma parede que, na verdade, é um painel de energia solar. 30 mil unidades dos Better Shelters já estão sendo usados ao redor do mundo. Cada casa tem capacidade para uma família de cinco pessoas.
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Better Shelter: bettershelter.org
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Texto de Odhara Caroline originalmente publicado no site "Giz" (http://gizbrasil.com) | 07/02/17.

Bienal de Veneza divulga lista de artistas da mostra

São 120 artistas na mostra principal. Os brasileiros participantes são Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto. O evento começa em 13/05/17. +

De forma discreta, a organização da Bienal de Veneza divulgou a lista de artistas participantes da mostra principal do evento, que começa em 13/05/17. Com o título "Viva Arte Viva" e curadoria de Christine Macel, a relação traz pesos-pesados já falecidos, como Bas Jan Ader e Franz West, pesos-pesados vivos como Kiki Smith e Olafur Eliasson, e também jovens poderosos como Rachel Rose e Dawn Kasper. Veja abaixo a lista completa de artistas, em ordem alfabética por sobrenome.
Nota do Mapa das Artes: os brasileiros participantes da mostra principal são Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto. Já o pavilhão do Brasil é ocupado por Cinthia Marcelle.

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1. ADER, Bas Jan
Nascimento: 1942; Holanda. Falecimento: 1975.

2. AL SAADI, Abdullah
Nascimento: 1967; Emirados Árabes. Vive e trabalha em Khor Fakkan (Emirados Árabes)

3. ALADAG, Nevin
Nascimento: 1972; Turquia. Vive e trabalha em Berlim.

4. ANTUNES, Leonor
Nascimento: 1972; Portugal. Vive e trabalha em Berlim.

5. ARAEEN, Rasheed
Nascimento: 1935; Paquistão. Vive e trabalha em Londres.

6. ARANCIO, Salvatore
Nascimento: 1974; Itália. Vive e trabalha em Londres.

7. ATIKU, Jelili
Nascimento: 1968; Nigéria. Vive e trabalha em Lagos (Nigéria).

8. ATLAS, Charles
Nascimento: 1949; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

9. ATTIA, Kader
Nascimento: 1970; França. Vive e trabalha em Paris.

10. ÁVILA FORERO, Marcos
Nascimento: 1983; França. Vive e trabalha em Paris e Bogotá (Colômbia).

11. BANERJEE, Rina
nascimento: 1963; Índia. Vive e trabalha em Nova York.

12. BEUTLER, Michael
Nascimento: 1976; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

13. BINION, McArthur
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Chicago.

14. BLACK, Karla
Nascimento: 1972; Reino Unido. Vive e trabalha em Glasgow.

15. BLANK, Irma
Nascimento: 1934; Alemanha. Vive e trabalha em Milão.

16. BLAZY, Michel
Nascimento: 1966; Principado de Mônaco. Vive e trabalha em Paris (França).

17. BRUSCKY, Paulo
Nascimento: 1949; Brasil. Vive e trabalha em Recife.

18. BUCHER, Heidi
1926-1993; Suíça.

19. CALAND, Huguette
Nascimento: 1931; Líbano. Vive e trabalha em Los Angeles (EUA).

20. CHARRIÈRE, Julian
Nascimento: 1987; Suíça. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

21. CIACCIOFERA, Michele
Nascimento: 1969; Itália. Vive e trabalha em Paris (França).

22. CORDIANO, Martín
Nascimento: 1975; Argentina. Vive e trabalha em Londres (Inglaterra).

23. CSOR̈GŐ, Attila
Nascimento: 1965; Hungria. Vive e trabalha em Bialystok (Polônia).

24. CURNIER JARDIN, Pauline
Nascimento: 1980; França. Vive e trabalha em Amsterdam (Holanda).

25. DANZ, Mariechen
Nascimento: 1980; Irlanda. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

26. DEKYNDT, Edith
Nascimento: 1960; Bélgica. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

27. DÍAZ MORALES, Sebastián
Nascimento: 1975; Argentina. Vive e trabalha em Amsterdam (Holanda).

28. DOWNEY, Juan
Nascimento: 1940; Chile. Falecimento: 1993; EUA.

29. ELIASSON, Olafur
Nascimento: 1967; Dinamarca. Vive e trabalha em Copenhagen (Dinamarca ) e Berlim (Alemanha).

30. ENGSTED, Søren
Nascimento: 1974; Dinamarca. Vive e trabalha em Copenhagen.

31. FIŠKIN, Vadim
Nascimento: 1965; Rússia. Vive e trabalha em Ljubljana (Eslovênia).

32. GARCÍA URIBURU, Nicolás
1937–2016, Argentina

33. GENG, Jianyi
Nascimento: 1962; China. Vive e trabalha em Hangzhou.

34. GILLIAM, Sam
Nascimento: 1933; EUA. Vive e trabalha em Washington, D.C.

35. GRIFFA, Giorgio
Nascimento: 1936; Itália. Vive e trabalha em Torino.

36. GUAN, Xiao
Nascimento: 1983; China. Vive e trabalha em Pequim.

37. GUARNERI, Riccardo
Nascimento: 1933; Itália. Vive e trabalha em Florença.

38. GUTIÉRREZ, Cynthia
Nascimento: 1978; México. Vive e trabalha em Guadalajara.

39. HAINS, Raymond
1926–2005; França.

40. HAJAS, Tibor
1946–1980; Hungria.

41. HALILAJ, Petrit
Nascimento: 1986; Kosovo. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

42. HALPRIN, Anna
Nascimento: 1920; EUA. Vive e trabalha em Kentfield / Califórnia.

43. HAO, Liang
Nascimento: 1983; China. Vive e trabalha em Pequim.

44. HERÁCLITO, Ayrson
Nascimento: 1968; Brasil. Vive e trabalha em Salvador / Bahia.

45. HICKS, Sheila
Nascimento: 1934; EUA. Vive e trabalha em Paris (França).

46. HOPE, Andy
Nascimento: 1930; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

47. KASPER, Dawn
Nascimento: 1977; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

48. KHAN, Hassan
Nascimento: 1975; Reino Unido. Vive e trabalha no Cairo (Egito).

49. KIM, Sung Hwan
Nascimento: 1975; Coréia. Vive e trabalha em Nova York.

50. KONATE, Abdoulaye
Nascimento: 1953; Mali. Vive e trabalha em Bamako.

51. KORINA, Irina
Nascimento: 1977; Rússia. Vive e trabalha em Moscou.

52. KWADE, Alicja
Nascimento: 1979; Polônia. Vive e trabalha em Berlim (Alemanha).

53. LAI, Firenze
Nascimento: 1984; Hong Kong. Vive e trabalha em Hong Kong.

54. LAI, Maria
1919–2013; Itália.

55. LANCETA, Teresa
Nascimento: 1951; Espanha. Vive e trabalha em Alicante e Barcelona.

56. LATHAM, John
Nascimento: 1921; Zambia. Falecimento: 2006; Reino Unido.

57. LEE Mingwei
Nascimento: Taiwan; 1964. Vive e trabalha em Paris (França).

58. LEIBOVICI, Franck
Nascimento: 1975; França. Vive e trabalha em Paris.

59. LEWITT, Sam
Nascimento: 1981; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

60. LIU, Jianhua
Nascimento: 1962; China. Vive e trabalha em Xangai.

61. LIU, Ye
Nascimento: 1964; China. Vive e trabalha em Pequim.

62. MAKHACHEVA, Taus
Nascimento: 1983; Rússia. Vive e trabalha em Moscou e Makhachkala.

63. MALLUH, Maha
Nascimento: 1959; Arábia Saudita. Vive e trabalha em Riyadh.

64. MARWAN
Nascimento: 1934; Síria. Falecimento: 2016; Alemanha.

65. MATSUTANI, Takesada
Nascimento: 1937; Japão. Vive e trabalha em Paris.

66. MEDALLA, David
Nascimento: 1938; Filipinas. Vive e trabalha em Londres.

67. MILLER, Dan
Nascimento: 1961; EUA. Vive e trabalha em Oakland.

68. MILLER, Peter
Nascimento: 1978; EUA. Vive e trabalha em Colônia e Dusseldorf (Alemanha).

69. MIRALDA, Antoni; RABASCALL, Joan; SELZ, Dorothée; XIFRA, Jaume
Nascimento: 1942; Espanha. Vive e trabalha em Barcelona.
Nascimento: 1935; espanha. Vive e trabalha em Paris.
Nascimento: 1946; França. Vive e trabalha em Paris.
Nascimento: 1934; Espanha. Falecimento: 2014; França.

70. MONDRIAN FAN CLUB (David Medalla e Adam Nankervis)
Nascimento: 1938; Filipinas. Vive e trabalha em Londres.
Nascimento: 1965; Austrália. Vive e trabalha em Londres e Berlinm.

71. MURESAN, Ciprian
Nascimento: 1977; Romênia. Vive e trabalha em Cluj.

72. NENGUDI, Senga
Nascimento: 1943; EUA. Vive e trabalha em Colorado Springs.

73. NETO, Ernesto
Nascimento: 1964; Brasil. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

74. NUÑEZ, Katherine e RODRIGUEZ, Issay
Nascimento: 1992; Filipinas.
Nascimento: 1991; Filipinas.
Vivem e trabalham em Marikina.

75. OHO
Fundado em 1966; baseado em Kranj e Ljubljana (Eslovênia) desde 1971.

76. OROZCO, Gabriel
Nascimento: 1962; México. Vive e trabalha em Tóquio.

77. PARRENO, Philippe
Nascimento: 1964; Algéria. Vive e trabalha em Paris.

78. PICH, Sopheap
Nascimento: 1971; Camboja. Vive e trabalha em Phnom Penh.

79. PLNÝ, Lubos
Nascimento: 1961; República Checa. Vive e trabalha em Praga.

80. POGACNIK, Marko
Nascimento: 1944; Eslovênia. Vive e trabalha em Sempas.

81. POLSKA, Agnieszka
Nascimento: 1985; Polônia. Vive e trabalha em Berlim.

82. POOTOOGOOK, Kananginak
1951–2010; Canadá.

83. PORTER, Liliana
Nascimento: 1941; Argentina. Vive e trabalha em Nova York.

84. QUINLAN, Eileen
Nascimento: 1972; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

85. RAHMOUN, Younès
Nasimento: Marrocos; 1975. Vive e trabalha em Tetouan.

86. RAMA, Edi
Nascimento: 1964; Albânia. Vive e trabalha em Tirana.

87. RAMÍREZ, Enrique
Nascimento: 1979; Chile. Vive e trabalha em Paris e Santiago.

88. RAMÍREZ-FIGUEROA, Naufus
Nascimento: 1978; Guatemala. Vive e trabalha em Berlim.

89. ROSE, Rachel
Nascimento: 1986; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

90. SALA, Anri
Nascimento: 1974; Albânia. Vive e trabalha em Berlim.

91. SÁNCHEZ, Zilia
Nascimento: 1926; Cuba. Vive e trabalha em San Juan.

92. SAPOUNTZIS, Yorgos
Nascimento: 1976; Grécia. Vive e trabalha em Berlim.

93. SCOTT, Judith
1943–2005; EUA.

94. SHARIF, Hassan
1951–2016; Emirados Árabes.

95. SHAVER, Nancy
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Jefferson e Hudson / Nova York.

96. SHAW, Jeremy
Nascimento: 1977; Canadá. Vive e trabalha em Berlim.

97. SHERK, Bonnie Now
Nascimento: EUA. Vive e trabalha em Nova York e São Francisco.

98. SHIMABUKU
Nascimento: 1969; Japão. Vive e trabalha em Naha.

99. SMITH, Kiki
Nascimento: 1954; Alemanha. Vive e trabalha em Nova York e Catskills.

100. STARK, Frances
Nascimento: 1967; EUA. Vive e trabalha em Los Angeles.

101. STILINOVIĆ, Mladen
Nascimento: 1947; Sérvia. Falecimento: Croácia.

102. STOLTE, Fiete
Nascimento: 1979; Alemanha. Vive e trabalha em Berlim.

103. STUART, Michelle
Nascimento: 1933; EUA. Vive e trabalha em Nova York.

104. SUGA, Kishio
Nascimento: 1944; Japão. Vive e trabalha em Ito.

105. TANAKA, Koki
Nascimento: 1975; Japão. Vive e trabalha em Kyoto.

106. TENGER, Hale
Nascimento: 1960; Turquia. Vive e trabalha em Istanbul.

107. THE PLAY
Fundado em 1967 no Japão; baseado na região de Kansai.

108. TOULOUB, Achraf
Nascimento: 1986; Marrocos. Vive e trabalha em Paris.

109. TRAN, Thu Van
Nascimento: 1979; Vietnã. Vive e trabalha em Paris.

110. UPRITCHARD, Francis
Nascimento: 1976; Nova Zelândia. Vive e trabalha em Londres.

111. VERZUTTI, Erika
Nascimento: 1971; Brasil. Vive e trabalha em São Paulo.

112. VOIGNIER, Marie
Nascimento; 1974; França. Vive e trabalha em Paris.

113. VOROBYEVA, Yelena and VOROBYEV, Viktor
Nascimento: 1959; Turcomenistão.
Nascimento: 1959; Cazaquistão.
Vivem e trabalham em Almaty (Cazaquistão).

114. WAHEED, Hajra
Nascimento: 1980; Canadá. Vive e trabalha em Montreal.

115. WALTHER, Franz Erhard
Nascimento: 1939; Alemanha. Vive e trabalha em Fulda.

116. WATERS, John
Nascimento: 1946; EUA. Vive e trabalha em Baltimore.

117. WEST, Franz
1947–2012; Áustria.

118. WYN EVANS, Cerith
Nascimento: 1958; Reino Unido. Vive e trabalha em Londres.

119. YEESOOKYUNG
Nascimento: 1963; Coreía. Vive e trabalha em Seul.

120. ZHOU, Tao
Nascimento: 1976; China. Vive e trabalha em Guangzhou.

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Texto de Andrew Russeth originalmente publicado, em inglês, no site "ArtNews" (www.artnews.com) | 06/02/17.
Na foto, o brasileiro Paulo Bruscky.

Bienal de Veneza escala Paulo Bruscky e outros três artistas brasileiros

O tradicional evento italiano, que começa em maio, vai contar com obras de Paulo Bruscky, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti e Ernesto Neto na mostra principal. Já o pavilhão do Brasil é ocupado por Cinthia Marcelle. +

Quatro artistas brasileiros, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti, Ernesto Neto e Paulo Bruscky, estarão na mostra principal da próxima Bienal de Veneza, que começa em maio. Eles foram escalados pela francesa Christine Macel, à frente desta edição da mostra.
Bruscky é um dos mais relevantes artistas da história da performance e da arte conceitual no país, enquanto Neto é outro nome com grande trânsito internacional -ele já representou o Brasil na edição de 2001 do evento italiano, considerado o mais tradicional do mundo.
Heráclito e Verzutti são nomes em ascensão no circuito global. Também conhecido por suas performances, além de fazer fotografias, Heráclito trabalhou com Marina Abramovic em sua retrospectiva paulistana. Já Verzutti foi uma das grandes revelações da última Bienal de São Paulo, no ano passado.
Outro brasileiro que estará na mostra é a artista Cinthia Marcelle, que ocupará sozinha o pavilhão do país nos Giardini.
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Texto originalmente publicado no jornal "Folha de S. Paulo" | 06/02/17.
Na foto, Paulo Bruscky em seu ateliê no Recife. Crédito: Leo Caldas / Folhapres.

Cidade holandesa celebra Piet Mondrian com réplica gigante

Homenagem ocorre no centenário da fundação do movimento artístico De Stijl, lançado pelo pintor Piet Mondrian. +

A prefeitura de Haia, na Holanda, teve sua fachada decorada com o que as autoridades locais estão chamando de 'maior pintura de Mondrian do mundo' para celebrar o artista abstrato holandês Piet Mondrian (1872-1944).
A réplica da pintura, feita de finas folhas de plástico emolduradas, apresenta o famoso desenho de linhas retas pretas e marcantes blocos vermelhos, amarelos e azuis, foi exibido nas laterais da fachada da prefeitura.
"O conselho da cidade de Haia decidiu homenagear o artista de renome mundial como parte de um ano comemorando o tema 'Mondrian para o design holandês'", disse o porta-voz Herbert Brinkman à agência de notícias AFP.
Este ano marca o centenário da fundação do movimento de arte holandês chamado De Stijl (O Estilo), que ficou conhecido por fortes linhas horizontais e verticais com blocos de cores primárias. Mondrian e o pintor Theo van Doesburg foram dois dos mais conhecidos artistas do movimento.
A pintura mais famosa de Mondrian, "Victory Boogie Woogie", de 1944, é considerada uma das obras de arte mais importantes do século 20. A pintura retornou à Holanda em 1998 após ser comprada de uma coleção americana confidencial por 40 milhões de dólares. A obra agora está no Gemeentemuseum, em Haia, que abriga cerca de 300 outras obras de Mondrian, se tornando a maior coleção do mundo.
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Texto originalmente publicado no site "G1" (http://g1.globo.com) | 04/02/17.
Na foto, a prefeitura de Haia é vista com sua fachada decorada em homenagem ao pintor Piet Mondrian. Crédito: Jerry Lampen / AFP.

Artista luso-brasileiro Artur Barrio vence o Grande Prêmio Fundação EDP Arte

“Entrei na arte sem medo, o meu medo era ser comprado”, diz Barrio, português radicado no Brasil conhecido por obras com sangue, carne ou urina. +

Radical, provocador e anarquista, mas sempre pronto para fugir a classificações. Chama-se Artur Alípio Barrio de Sousa Lopes e o mundo artístico conhece-o como Artur Barrio – apelido da avó materna, que era espanhola. Nasceu há 72 anos na cidade do Porto e mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha 11. Fala português do Brasil, mas ainda constrói frases à portuguesa e com sotaque do norte.
Vencedor do Grande Prêmio Fundação EDP Arte 2016 – anunciado nesta sexta-feira (03/02/17) ao fim da manhã, em Lisboa –, tem uma carreira de mais de 50 anos ligada à arte experimental e marcada por obras polêmicas com forte carga política.
O júri internacional que lhe atribuiu o prêmio no valor de 50 mil euros destacou a “atitude” como “conceito-chave no trabalho de Artur Barrio” e o seu “exílio humilde” como “forma de reagir à impaciência da história e de produzir pensamento através de um gesto de retirada”.
Em entrevista ao "Observador", no dia anterior à entrega do galardão, o artista plástico resumiu a sua história de vida e explicou que trabalha com sangue, urina, carne e sal por serem materiais “simples de encontrar e os mais terríveis de serem mostrados”.

Considera-se português ou luso-brasileiro?
Dizem lá no Brasil que sou um artista português e aqui dizem que sou um artista brasileiro. Como não tenho nenhum interesse em que o meu trabalho tenha nacionalidade, parti para o meio do Oceano Atlântico. Considero-me uma pessoa que vive no mar, longe de qualquer sistema de fronteiras.

Longe também do mercado da arte?
Sim, tento ao máximo. Tento não, porque o meu trabalho mais perturbador é em si mesmo antimercado. Não procurei ter contratos com galerias, posso fazer alguma exposição esporádica numa galeria, mas prefiro trabalhar com instituições. Os museus têm outra dinâmica e abordagem, no sentido de respeitarem e não procurarem uma visão mercadológica. Isso faz com que o meu trabalho se desenvolva a partir de mostras e experiências em museus. Mas já houve tentativas em relação aos registros do meu trabalho, tentaram comercializá-los.

Os registros são as fotografias das suas obras?
Fotografia, apontamentos escritos e vídeos, noutros tempos foi o filme Super 8 ou 6 milímetros. O meu trabalho, em geral, é efêmero, em si e nos materiais. Evidentemente, o objeto não prevalece, o que prevalece é o registro. Noutros casos, nem faço registro.

Se as suas obras forem fotografadas com o celular ou filmadas para um noticiário na televisão passa a haver mais registros.
Sim, mas tenho o meu próprio registro.

E o seu registro prevalece sobre outros porque tem cunho de autor?
Em princípio, sim. Não sou contra a divulgação do trabalho nem a relação dele com o outro, mas não aceito que alguém pegue no registro e o venda ou deixe de citar o meu nome como o criador. O registro é o que fica, é um fragmento, mas antes já existiu a obra. Aquele momento, que foi convivido e vivido é o trabalho. O registro posterior não é a obra, é apenas uma pequena memória do que aconteceu.

Há quem descreva as suas obras como performances, situações, intervenções.
Pode chamar como quiser, eu chamo situação. Criou-se uma situação. A performance cai sempre numa teatralidade com princípio, meio e fim. Quando apareço junto à obra, a minha pessoa, a minha imagem, eu não estou fazendo performance para o público, estou trabalhando, fazendo as minhas coisas.

É conhecido pelos trabalhos com papel higiênico, sangue, carne, pão, farelo de arroz. Porquê estes materiais?
Isso tem a ver com o lado psicanalítico de quem vê… O papel higiênico foi em 1969, com 50 centavos comprei vários rolos de papel e o material estava ali. O mais caro foi fazer o registro fotográfico. Amarrava o papel num andaime, qualquer coisa, e ali na entrada da Baía de Guanabara, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, eu próprio fazia a fotografia. Até que um rapaz chamado César Carneiro me viu fazendo isso, ele era fotógrafo, e prestou-se a fazer o registro, eu não precisava pagar nada. Aceitei. Eu também não tinha dinheiro, tinha deixado de trabalhar para seguir a arte, mergulhei de cabeça.

Tinha trabalhado em quê?
Escritório, economia, com o meu pai. Pai patrão não é aquele filme italiano terrível. Quando se tem um pai patrão nunca mais se quer trabalhar para ninguém, acho que foi isso que ele me quis dizer. Ele era bem austero, mas acho que me quis dizer que a vida tem outro sabor e que eu tinha de descobrir.

E os outros materiais: sangue, urina, carne…
São os mais simples de encontrar e os mais terríveis de serem mostrados da maneira que são. O sangue pode ser o meu sangue, o nosso sangue, o sangue que temos de pagar nos hospitais para fazer uma transfusão, tudo isso.

Onde é que arranjava o sangue?
Vou ao açougue comprar sangue de galinha. Ou sangue humano, é só furar o dedo e aparece sangue, isto sem aspectos body art.

Porque diz que são os materiais mais terríveis de mostrar?
Terríveis no sentido em que há um lado político da coisa. O pão, por exemplo, é um alimento usado como instrumento artístico. O pão, que é instrumento ou símbolo de luta, também serve para a arte, em vez de ser jogado fora, porque envelheceu. Não se faz açorda (sopa Alentejana) com o pão duro, deita-se fora para que as bolsas de valores não caiam. Vamos destruir os alimentos para continuar a vender mais.

Uma das suas obras mais conhecidas é o “Livro da Carne”, de 1978. Quer explicar?
Era um pedaço de carne, um lombo digamos, que eu pedi para cortar em fatias, como páginas de um livro. Isto foi em Paris. Havia uma cooperativa de artistas independentes, da qual eu fazia parte, eles tinham um espaço físico em que eu trabalhava e a primeira mostra foi ali. Anteriormente tinha feito o “Rodapé da Carne” e daí desdobrou-se para o “Livro da Carne”.

A peça não podia ficar muitos dias exposta porque começava a apodrecer. Tinha de ser substituída.
Sim, mas esse aspeto da decomposição não me interessava, interessava-me a ideia do livro em si. O animal que é morto pelo caçador, um homem aprisionado por uma corrente, Auschwitz, a tortura. Todas essas imagens horrorosas estão no “Livro da Carne”. Está tudo ali. “Carne”, em português, é todo o tipo de carne. Em francês, “chair” é carne humana e “viande” é animal.
A curta duração da obra é uma das suas marcas. Existe por alguns dias e depois desaparece.

Porque é que recusa fazer a remontagem?
Não me interessa. Refazer é tentar reviver o mesmo processo e aí ficaria preso a um vaivém sem porquê. É como dizia o filósofo pré-socrático, o rio não é sempre o mesmo rio. Sigo um pouco esse princípio.

Mas dessa forma uma parte do público fica impossibilitado de ver as suas obras ao vivo, porque elas passam a existir apenas em fotos, vídeos ou apontamentos.
É um detalhe bizarro. Em Inhotim, em Minas Gerais, compraram-me “O Ignoto”, um trabalho que tem 150 ou 200m², com uma bicicleta, sal grosso no chão, isso tudo. Eles abriram um espaço no museu para que eu reconstruísse aquilo. E pensei: ‘Por que não? Vou-me contradizer, mas vamos lá reconstruir’. Foi reconstruído tal qual tinha estado na Bienal de São Paulo. Foi uma exceção. Pois bem, outro dia, o trabalho desapareceu. Desmontaram tudo, varreram o sal… Porque dá muito trabalho, o sal vai-se refinando com a caminhada das pessoas e vira uma poeira desagradável e tem que se botar sal de novo. Eles não me disseram nada, mas está evidente que foi isso. Não preciso de ter um ateliê ou um depósito para guardar, como faz o artista brasileiro Cildo Meireles. Ele monta e desmonta, eu não tenho isso. Eu estou aqui e tenho o meu trabalho todo em slides ou num CD-ROM.

Nasceu no Porto em 1945 e aos 11 anos mudou-se para o Rio de Janeiro. Porque é que a sua família foi para o Brasil?
Vamos falar politicamente: o padre não gostou que o meu pai não lhe tivesse dado um folar (pão português de Páscoa), e fez um sermão na igreja contra o meu pai, que era industrial, tinha uma fábrica no rio Ave, quem vai do Porto para Famalicão, do lado direito. Ainda está lá: Lopes e Companhia. É isso. A situação política da época é que criou este senão. Ele foi forçado a ir. Fomos todos morar em Copacabana: o meu pai, a minha mãe, o meu irmão e a minha irmã. A minha irmã faleceu aos 20 anos de idade, o meu irmão voltou a Portugal, engajou-se no exército e foi para a Guiné-Bissau por vontade própria.

Como é que era Copacabana em 1955?
A arquitetura de arranha-céus e tudo isso eu já conhecia, porque tinha estado em Angola. Aos sete anos de idade fomos para Luanda. No contacto com a África foi interessante descobrir o lado primitivo, digamos assim, da arte africana, da maneira de lidar com certas coisas, isso encantou-me quando criança. Estivemos lá seis meses, também fomos para o interior, para Bela Vista. O meu pai queria divulgar o produto e andou lá a viajar, Congo Belga, Rodésia, África do Sul.

Copacabana fez-lhe lembrar Angola em termos de arquitetura?
Sim, mas mais compacta. A praia, tudo aquilo, a sensação de pisar a areia, tão fina que fazia um som diferente do que eu conhecia no Norte de Portugal, Póvoa de Varzim, Mindelo. E o cheiro da manga. Foram as primeiras coisas no contacto com outra terra. Achei interessante. Mas não fiquei muito preso a Portugal. Tive a chamada saudade, que hoje já descartei.

Começou a perceber que queria crescer e viver no Brasil?
Eu queria ter ficado em Portugal, só fui para o Brasil porque os meus pais quiseram, eu tinha 11 anos, não poderia dizer não. No início foi bom. Em Portugal, para ver um filme do Mickey Mouse eu tinha de apresentar documentação para provar que tinha determinada idade, no Brasil eu podia ver tudo. Mas isso foi o início, eu era criança. Quando a pessoa compreende que aquilo é definitivo, que não há volta, como não houve, cria-se um trauma, digamos, criou-se uma discrepância em relação a esse não retorno.

Ficou revoltado?
Não, simplesmente fui vivendo a minha vida. Não tive revolta, mas, no fundo, o que é que o Brasil tinha a ver comigo? Nada. Simplesmente, deixaram-me viver lá.

Hoje tem dupla nacionalidade?
Tenho nacionalidade portuguesa.

Porque é que nunca quis alterar?
Porque não. Para quê? Comecei o meu trabalho no Brasil e nunca ninguém me perguntou isto ou aquilo. Fiquei como português.

É mais importante para si ser português que brasileiro ou acha que a nacionalidade não tem importância?
Tem importância, mas chega a um ponto que já não tem. Acho que os anseios de um jovem se transformam com a idade e ganham uma dimensão muito mais vasta, para além do que é ser ou não ser nacional deste ou daquele país. As coisas perdem-se. Eu estive em Portugal em 1974, fui para o Algarve, no Verão Quente de 1975 estive em Lisboa. E o Portugal das reminiscências da infância, do pão, do campo, dos pássaros, já não existia, tinha sido noutra época, noutra idade. Os parentes da parte do meu pai, quando eu chegava a Famalicão, diziam as posições políticas deles, mas isso não me interessava, estavam completamente fora da minha maneira de pensar. Tinham anseios de burguesia, no sentido material de ter carro, apartamento, família. Isso para mim não existia, nem existe, mas enfim.

Chegou a pensar em ficar em Portugal?
Não sei. Havia ditadura no Brasil. Não se esqueça, nasci numa ditadura em Portugal e poucos anos depois de ter chegado ao Brasil aquilo transformou-se também numa ditadura. Foram 22 anos. Mas quando houve a Revolução dos Cravos o primeiro lampejo que tive foi voltar a Portugal. Conheci o Fernando Calhau em Lisboa e outros artistas, foi muito interessante. Mas em 1975 volto ao Brasil. Depois fui viver em Paris, depois Amsterdã, Genebra, andei girando, passava por Portugal algumas vezes. Em 1975 participei nos Encontros Internacionais de Arte em Viana do Castelo. Em 1977 expus na Galeria Alvarez, de Jaime Isidoro, no Porto. Participei numa pequena mostra no Palácio dos Coruchéus, em Lisboa.

Chegou a estudar pintura em 1967 na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Porque não se tornou pintor?
O meu professor lá era o Onofre Penteado, ele adorava o Kandinsky. Pintei alguns quadros, nada de excepcional, não era a minha história. Desenhava muito, ainda hoje desenho.

Como define o seu trabalho?
Não dou designação, ele é o que é, fala por si mesmo. Não o vou enquadrar.

Se dissermos arte experimental você aceita?
Até certo ponto. Man Ray dizia que a arte não é experimental, a ciência é que é experimental. Não defino o meu trabalho, nem tento. É uma pulsação.

O que quer dizer com pulsação?
O meu trabalho tem um relacionamento com o surrealismo. O início tem muito a ver com o Surrealismo, enquanto manifesto, e com o movimento Dadá. O meu desejo sempre foi o de criar uma nova linguagem, única, o que é meio absurdo, porque tudo se toca, tudo está em rede. Mas sempre tentei radicalizar ao máximo a linguagem. Agora, as pulsações… São ideias pré-determinadas em relação ao fazer e, no processo de construção, elas entrelaçam-se com percepções e pulsações daquele momento. Seria uma dimensão que atingisse um certo subconsciente e se exprimisse através do que chamo criatividade do momento. Há uma fragmentação e uma espécie de esfrega até que saia fumo, até que saia a fagulha. Essa pulsação seria uma maceração.

Conseguiu criar uma linguagem nova?
Em certos termos, sim. Mas também sou insatisfeito, o que cria uma ambivalência horrorosa. O melhor é não pensar muito.

Que nome daria à sua linguagem?
“Impróprio para o consumo humano”. Fiz um trabalho com este título (para a Bienal de São Paulo em 2004).

Porque esse título designa toda a sua linguagem?
Porque não pensei no outro. Quer dizer, pensei, porque faço parte do mundo, mas não pensei em termos de mensagem. Não pensei em atingir esta pessoa ou aquela mentalidade. Foi a pulsação.

Você disse em uma entrevista que a participação do espectador na obra de arte é uma ideia velha. É sobre isso que você está falando?
Essa frase é como aquela de um treinador de futebol no Brasil que há pouco tempo disse que a torcida não tem valor nenhum. É uma provocação. Mas será que o entorno cria o espetáculo, será assim tão simples?

E se a mensagem das suas obras não for entendida por ninguém? Não é preocupante?
Se ela tivesse sido entendida eu já teria ganho prêmios quando tinha 20 anos. O Joseph Kosuth, com 20 e poucos anos, estava em todos os museus do mundo.

Sente-se injustiçado por não ter tido reconhecimento mais cedo?
Sinto-me ótimo, estou com 72, que fiz ontem (dia 1ᵒ de fevereiro), e sinto-me plenamente livre para fazer o que quiser. Não criei uma linha que se aprisionou nela mesma, estou livre, é só ter ganas.

Você fez questão de pagar as despesas da viagem até Lisboa para vir receber o Grande Prêmio Fundação EDP Arte, porque não quer depender do sistema. Mas nos últimos anos tem estado cada vez mais próximo do sistema.
Tive o Prêmio Velázquez em 2011 e tive o Prêmio Mário Pedrosa em 1989, só isso. Estive no Museu do Prado, diante das “Meninas” de Velázquez, e recebi o Prêmio Velázquez, com o rei de Espanha e a ministra da Cultura. Fazer o quê? Eu ali diante do establishment. Convidaram-me, deram-me o prêmio…

Também esteve na Documenta de Kassel em 2002, representou o Brasil na Bienal de Veneza em 2011, expôs em Serralves em 2012. Tem estado próximo do sistema.
Mas eu nunca apresento propostas para expor em museu nenhum, eles é que convidam. Assim é que deve ser.

Dessa forma, como é que se vive de fazer arte?
Tenho a maior admiração por Caravaggio, Van Gogh, os malditos. A arte, para mim, é a pessoa ser íntegra. A vida é que é difícil. Estudei, estive na faculdade, mas seguir uma carreira, estar dentro de um processo de trabalho, ter um patrão, tudo isso é extremamente difícil, isso é que é a dificuldade. Agora, a minha loucura, posso dizer que é loucura, não foi dificuldade. Eu vivi. Quando se tem esta mentalidade, tudo é suportável. Difícil é o momento em que se rompe o elo numa relação de amor. Difícil é o desprezo do outro. Entrei na arte sem medo. O meu medo era deixar de ser o que sou e ser comprado. Esse é que era o problema.

Há uma ideologia política por trás dessa postura?
Há. Nunca gostei do autoritarismo, da obrigação, da hierarquia. Sou meio anarquista. Sem bombas, mas sou. Admiro Marx, mas sou mais próximo de Kropotkin e Bakunin. Participei há pouco numa exposição, bem interessante, que esteve em Paris e vai para Barcelona no dia 23: “Soulèvements”, organizada por Georges Didi-Hubermam. Ali está um pensamento muito forte relacionado com o momento de hoje no mundo da arte, que se tornou completamente mercantilista. O artista já aceita encomendas e etc. Eu luto pelo extremo da independência em relação a essas coisas.

Admite é um extremo?
Sim, claro.

Estar contra o sistema não é também uma forma de o fortalecer?
De uma certa maneira, sim. Mas quando estamos contra uma coisa, e usamos meios incompreensíveis para mostrar que estamos contra, aí é que se cria a perturbação do sistema. “Les Demoiselles d’Avignon”, de Picasso, ficou sete ano debaixo da cama, ninguém queria ver aquilo. Eu defendo uma arte que faz pensar, não uma arte em que a pessoa fica pateta ou nem pensa. Por isso é que no trabalho de um Duchamp há um pensamento e é aí que está a coisa. O espectador diz ‘eu não entendo’. Que bom! A arte tem de fazer pensar, no mínimo. Tem de ser uma crítica à percepção, ao estado de coisas, ao estado do mercado, à perenidade.

Como encara o Grande Prêmio Arte da EDP?
É surpreendente. Nunca imaginei que o meu trabalho fosse reconhecido em vida, só depois. Não sei muito bem lidar com isto. Quer dizer, sei, porque tive uma educação com certos critérios, mas ter de falar em público deixa-me estarrecido, até já escrevi o discurso de agradecimento. Não é um discurso, são umas palavras (lidas durante a sessão pública de atribuição, em Lisboa).

Encara-o como um reconhecimento tardio?
Não, não é tardio. Nunca pensei em receber. Chegou. Estava dormindo, de manhã para funcionar é complicado, e recebi um telefonema do Pedro Gadanho (diretor do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, da Fundação EDP). Já tinha recebido uns emails da EDP… Ele perguntou: ‘Aceita o prêmio?’. Eu respondi: ‘É uma honra’. É curioso, soube através do jornal que tinha ganho o Prêmio Velázquez, entrei na internet e vi num jornal. Ninguém me tinha dito nada. O prêmio português é diferente, ligaram-me antes, aqui é tudo mais cauteloso.

Quando soube?
Em dezembro, antes do Natal. Eles queriam que eu viesse a Portugal para receber o prêmio antes do fim do ano, mas respondi que não, porque não tenho relações com a família e com a época do Natal. Combinamos para fevereiro. Depois de falar com o Pedro Gadanho pela primeira vez me senti satisfeito, me deu um conforto interior…

Por ser um prêmio português?
Sim. Não é pelo dinheiro. Me senti mais em casa. Eu acho que todo português vem morrer em Portugal. Bem, espero que não seja agora. Tenho um apartamento em Gaia há já alguns anos… Sabe, gosto muito de mergulhar, faço mergulho há 40 anos, e também gosto de velejar. Ando pelo mundo, tenho um veleiro há poucos anos e ainda quero viajar muito.

O prêmio inclui uma exposição. Já tem data?
Ainda não. Disse ao Pedro Gadanho que no ano que vem vou expor no Reina Sofía, uma retrospectiva e uma obra in situ, por conta do Prêmio Velázquez. O João Fernando será curador. O meu trabalho não precisa de curador. É feito na hora, como é que o “cara” vai dizer alguma coisa… O Pedro sugeriu que trouxesse a exposição a Lisboa, mas não sei. Eles é que se entendem, não vou me intrometer. Seja quando for, estou pronto.

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Texto de Alexandre Luiz Mello originalmente publicado no site português "Observador" (http://observador.pt) | 03/02/17.

O artista formador: Stela Barbieri

Em série de depoimentos à revista "Select", grandes nomes da cena brasileira contam como transmitem seu amor e apreço pela arte às novas gerações. +

Ensinar é um processo múltiplo. Nenhum método de ensino dá conta sozinho de fixar as bases de atuação de seus agentes. Mesmo nas ciências exatas, a maneira como o professor lida com sua disciplina influencia diretamente os resultados e o interesse dos alunos. No ensino de artes visuais, essa fluidez epistemológica é potencializada. O ato do ensino e da aprendizagem pode começar em instituições formais, como escolas e faculdades, e ultrapassar a sala de aula para acontecer em conversas, projetos e até na rua. A produção de certos artistas não seria a mesma sem o ato generoso de compartilhar conhecimento e experiência com as novas gerações. Saiba o que Stela Barbieri, artista, ex-coordenadora dos Educativos da Bienal e do Instituto Tomie Ohtake e diretora do Binah Espaço de Arte, pensa sobre a dimensão formativa da arte:
“Obras-oficinas que conectam arte e educação”
Tenho trabalhado com espaços ativos que conectam arte e educação. São obras-oficinas que convidam o público a coabitar o trabalho em um ambiente de investigação. Os Lugares propiciam relações e negociações e são potencializadores do movimento do corpo e do pensamento das pessoas. Neles, os participantes se colocam em jogo, na possibilidade de vivenciar temporalidades diversas.
Um de meus trabalhos recentes é o Banho de Canto. Trata-se de uma instalação de ferro oval com instrumentos pendurados e uma cadeira de balanço no centro. Os participantes ativam a obra tocando e cantando a partir da relação com a pessoa que está sentada na cadeira. Durante uma sessão, todos passam pelo centro e recebem o Banho de Canto. Sempre convido pessoas para participar anunciando na internet. Geralmente, aparece gente – conhecida e desconhecida – e um acontecimento diferente se dá cada vez que a obra é ativada. Há dias em que as pessoas entram numa sintonia e há mais energia; em outros acontece uma sonoridade caótica, desencontrada. É algo imponderável, que ainda estou investigando.
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Texto de Luciana Pareja Norbiato e Felipe Stoffa originalmente publicado na edição 33 da revista “Select” | 02/02/17.
Crédito da foto: Paulo D'Alessandro.

O artista formador: Paulo Pasta

Em série de depoimentos à revista "Select", grandes nomes da cena brasileira contam como transmitem seu amor e apreço pela arte às novas gerações. +

Ensinar é um processo múltiplo. Nenhum método de ensino dá conta sozinho de fixar as bases de atuação de seus agentes. Mesmo nas ciências exatas, a maneira como o professor lida com sua disciplina influencia diretamente os resultados e o interesse dos alunos. No ensino de artes visuais, essa fluidez epistemológica é potencializada. O ato do ensino e da aprendizagem pode começar em instituições formais, como escolas e faculdades, e ultrapassar a sala de aula para acontecer em conversas, projetos e até na rua. A produção de certos artistas não seria a mesma sem o ato generoso de compartilhar conhecimento e experiência com as novas gerações. Saiba o que Paulo Pasta, artista e professor no Sesc Pompeia e Instituto Tomie Ohtake, pensa sobre a dimensão formativa da arte:
“O que tenho a ensinar é, principalmente, a valorização da experiência”
Quando comecei a dar aulas de arte, não possuía um método, um programa a partir do qual pudesse me orientar. Fui aprendendo com a prática. Aprendi o que ensinava, se posso dizer assim. E isso me parece, agora, a melhor forma de aprendizado. E esse sistema talvez seja a parte essencial do exercício da própria pintura: aprender com a experiência, com a prática do fazer.
Posso dizer, então, que o que tenho a ensinar é, principalmente, essa valorização da experiência. Nesse sentido me coloco (e me sinto) muito mais um interlocutor do que professor. Procuro entender as reais motivações e origens dos trabalhos e responder a elas, sem generalizações ou ideologias.
Gosto também de pensar – a exemplo da declaração de Sean Scully – que procuro manter e preservar um espaço para o exercício continuado da pintura, quando tudo parece cooperar para que isso não ocorra.
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Texto de Luciana Pareja Norbiato e Felipe Stoffa originalmente publicado na edição 33 da revista “Select” | 02/02/17.
Crédito da foto: Paulo D'Alessandro.

Artista plástica Guita Charifker morre aos 80 anos no Recife

Ela estava internada há 15 dias devido a insuficiência renal. Teve falência múltipla dos órgãos. +

A artista plástica Guita Charifker morreu na manhã desta sexta-feira (03/02/16), no Recife. Ela teve falência múltipla dos órgãos. Com 80 anos, a pintora, desenhista, gravadora e escultora deu entrada no Hospital da Unimed, no Recife, há 15 dias, devido uma insuficiência renal.
Aluna de Abelardo da Hora, Guita iniciou seu trabalho no mundo da arte aos 16 anos. Ao longo dos anos, passou por diversos movimentos da cultura pernambucana. Com inspiração no surrealismo, assinou obras de forte erotismo, associando formas humanas a animais e vegetais. Fez parte do Ateliê Coletivo, em Olinda, com Gil Vicente, José Cláudio e Gilvan Samico, entre outros.
Segundo a família, Guita será cremada no cemitério Morada da Paz, no Grande Recife, às 16h de sexta-feira (03/02/16). "As cinzas serão espalhadas no jardim do seu ateliê, em Olinda", explicou o filho dela, Saulo Charifker. A artista plástica deixa dois filhos e quatro netos.

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Texto originalmente publicado no site "G1" (g1.globo.com) | 03/02/17.
Na foto, pintura de Roberto Ploeg representando Guita Charifker.

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Abaixo, texto sobre a artista publicado no site da Enciclopédia Itaú Cultural (enciclopedia.itaucultural.org.br)

Guita Charifker
Nascimento: 10/09/1936 (Brasil, Pernambuco, Recife)
Morte: 03/02/2017 (Brasil, Pernambuco, Recife)
Habilidades: desenhista, aquarelista, gravadora, escultora

Biografia
Guita Charifker. Pintora, desenhista, gravadora e escultora. Em 1953, estuda desenho e escultura no Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna (SAMR), no Recife, ao lado do gravador Gilvan Samico (1928-2013) e do pintor José Cláudio (1932), entre outros, sob orientação de Abelardo da Hora (1924-2014). Colabora, em 1964, na fundação do Atelier da Ribeira, em Olinda, Pernambuco, do qual participa também o pintor João Câmara (1944). Em 1966, cria e dirige a Galeria do Teatro Popular do Nordeste. Desde a década de 1970, realiza pesquisas em gravura em metal na Oficina do Ingá, Niterói, sob orientação da gravadora Anna Letycia (1929). Em 1974, recebe o prêmio de viagem ao México no Salão Global de Pernambuco. Depois, trabalha no ateliê de João Câmara e frequenta por algum tempo o ateliê do escultor Frans Krajcberg (1921). Organiza o Ateliê Coletivo, em Olinda, com pintor Gil Vicente (1958), José Cláudio e Gilvan Samico, entre outros, em 1985. Em 2001, é publicado o livro Viva a Vida! Guita Charifker: aquarelas, desenhos, pinturas, pela Secretaria de Educação e Cultura do Recife, e em 2003 são apresentadas exposições retrospectivas no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_).
Análise
Desde o fim da década de 1960, Guita Charifker produz desenhos de inspiração surrealista, associando formas humanas a animais e vegetais, realizados com precisão de detalhes, em obras de forte erotismo. Trabalha de forma quase monocrômica, com traços tênues e manchas a bico-de-pena e aguada, revelando um universo onírico de formas simbólicas.
Passando por técnicas como a gravura em metal, encontra seu principal meio de expressão na aquarela. Realiza naturezas-mortas com plantas e frutos regionais, explorando padrões decorativos obtidos a partir de folhagens e ramos de árvores, ou de objetos presentes na cena, como tapetes ou tecidos. Em sua obra, revela o interesse pela produção de Matisse (1869-1954).
Nas aquarelas são frequentes também as paisagens, inspiradas muitas vezes na exuberante vegetação do quintal de sua residência em Olinda ou nas localidades do litoral pernambucano. São constantes as cenas com naturezas-mortas, em que a paisagem está presente, vista através de uma janela ou em uma pintura na parede. O artista, utiliza uma gama cromática surpreendente e luminosa.
Como nota o crítico Casimiro Xavier de Mendonça (1947-1992), a partir de uma viagem realizada ao México na década de 1980, e de uma estada no atelier de Frans Krajcberg, a produção de Guita Charifker se transforma. As aquarelas tornam-se ampliações de detalhes da natureza, e folhas e troncos, pretexto para áreas de cor. Entre as pinturas a óleo destacam-se também as paisagens nordestinas, realizadas com grande simplificação formal, com pinceladas amplas e uma paleta que busca a luminosidade da aquarela, como em "Rio Capiberibe" (1984), ou em "Taíba, Ceará" (1986).

Privatizar o Centro Cultural São Paulo é uma estupidez

Doria quer repetir no CCSP uma terceirização que produziu a maior roubalheira da história do Teatro Municipal. +

O Centro Cultural São Paulo é um daqueles lugares que faz com que valha a pena viver na cidade. Bonito e espaçoso, instalado ao lado da estação Vergueiro do Metrô, ele recebe gente de todas as partes de São Paulo, sobretudo jovens da periferia. Ali eles leem, convivem, ensaiam, estudam, pesquisam, participam de oficinas culturais ou aproveitam a programação de shows, teatro e cinema, oferecida de forma gratuita ou a preços camaradas.
Numa cidade que concentra serviços e oportunidades culturais na mesma proporção em que concentra renda e privilégios, o centro cultural da Vergueiro é um oásis de cidadania e decência.
Pois o prefeito João Dória, na falta de problemas mais graves na cidade, anunciou que vai privatizar o CCSP e 52 das 107 bibliotecas públicas da capital, que constituem a maior rede de bibliotecas da América Latina – uma decisão que ele preferiu não mencionar durante a campanha eleitoral.
Entregar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade à gestão privada é uma estupidez. Não surpreende que tenha partido da mesma cabeça encarregada de defender publicamente a “limpeza” dos grafites da avenida 23 de maio, a do secretário municipal de Cultura André Sturm.
“Ninguém vai privatizar nada, o que eu quero é dinamizar”, diz o secretário. Ele acha que um modelo de administração terceirizado permitiria “mais flexibilidade e facilidade para a gestão, além de captar patrocínios”. E promete que toda a administração de terceiros será feita “com acompanhamento e supervisão da Secretaria Municipal de Cultura”.
A primeira coisa a ser dita sobre essa proposta é que o Centro Cultural de São Paulo funciona bem, obrigado. Poderia ter mais verba e mais gente, sofre com os cortes impostos ao seu orçamento, mas não é uma repartição abandonada à qual um bando de militantes iletrados do MBL viria dar vida.
“Flexibilidade” e “patrocínio”, as palavras usadas pelo secretário, podem significar qualquer coisa. Flexibilidade para degradar e baratear os serviços prestados à população, por exemplo. Ou patrocínio para banalizar o conteúdo e dirigir a forma do trabalho cultural que é feio no CCSP e nas bibliotecas.
Outra coisa importante a lembrar é que o formato de terceirização anunciado pelo secretário, as famosas Organizações Sociais, ou OSs, já foi usado na gestão do Teatro Municipal de São Paulo. Apesar de “supervisionado pela Secretaria Municipal de Cultura”, esse arranjo produziu em 2016 um desvio de 18 milhões de reais, o maior escândalo da história centenária do Teatro Municipal.
Quem, em sã consciência, adotaria e ampliaria um modelo de gestão que deu espetacularmente errado no primeiro teste? Resposta: a mesma administração municipal que mandou pintar os grafites urbanos de cinza e agora cogita gastar os tubos para repintá-los com tinta colorida.
Privatizar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade faz tanto sentido quanto estatizar as barracas de pastel da feira, a rede de lanchonetes McDonald’s ou o shopping Iguatemi. Quer dizer, não faz sentido algum. É uma idiotice ou um ato de má fé. Por que desfigurar um serviço que funciona bem e cumpre exemplarmente a sua função social?
Se o prefeito acha que o CCSP poderia ser melhor gerido, deveria fazer aquilo para que foi eleito: nomear um administrador público competente, que aprimore o funcionamento da instituição sob seu comando. Se o secretário acha que não dá para cuidar da sua pasta nos limites legais da administração pública, renuncie ao cargo e procure emprego no setor privado. Não dá para transformar a cidade inteira numa OS para facilitar a vida dele.
Nem a falecida Margareth Thatcher, uma fanática das privatizações, tentou oferecer a empresários a gestão das bibliotecas britânicas. Há limites para o que um político pode fazer sem cair no ridículo.
Quem garante que, daqui a pouco, um administrador privado não irá decidir que a garotada não pode mais ensaiar dança de rua nos corredores do Centro Cultural, como faz todos os dias? Ou que entradas de teatro gratuitas não cobrem as necessidades de remuneração do seu contrato? Ou que bibliotecários são caros e supérfluos, e que melhor seria deixar os usuários das bibliotecas entregues a si mesmos?
Quando eu era garoto, nos anos 70, o Centro Cultural de São Paulo não existia, mas usei abundantemente a biblioteca municipal da Penha, no Largo do Rosário. O acervo daquela biblioteca e a atenção de seus funcionários ajudaram a fazer de mim o que eu sou. Em nome das próximas gerações, é importante garantir que o patrimônio das bibliotecas públicas de São Paulo – que começou a ser montado há quase 100 anos, por Mário de Andrade – não seja destruído por gente que não sabe o valor da cultura.
Na quarta-feira, aniversário da cidade, uma pequena multidão se concentrou na porta do Centro Cultural São Paulo para protestar contra a privatização. Formou-se uma corrente para abraçar o prédio e, simbolicamente, protegê-lo. Eu estava lá. Ao meu lado, me dando as mãos, estavam dois jovens frequentadores do CCSP, Nicole e Felipe. Gritamos palavras de ordem, rimos e, depois do protesto, nos sentamos para conversar. Confirmou-se a minha impressão de que o Centro Cultural é necessário da forma como está: aberto, diverso e público. E tive certeza, também, de que jovens e velhos usuários saberão defendê-lo da estupidez privatista.
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Texto de Ivan Martins originalmente publicado no site da revista “Arte!Brasileiros” (brasileiros.com.br) | 27/01/17.
Foto: Manifestantes formam uma corrente para abraçar o Centro Cultural.
Crédito: Marie Ange Bordas.