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O artista formador: Paulo Pasta

Em série de depoimentos à revista "Select", grandes nomes da cena brasileira contam como transmitem seu amor e apreço pela arte às novas gerações. +

Ensinar é um processo múltiplo. Nenhum método de ensino dá conta sozinho de fixar as bases de atuação de seus agentes. Mesmo nas ciências exatas, a maneira como o professor lida com sua disciplina influencia diretamente os resultados e o interesse dos alunos. No ensino de artes visuais, essa fluidez epistemológica é potencializada. O ato do ensino e da aprendizagem pode começar em instituições formais, como escolas e faculdades, e ultrapassar a sala de aula para acontecer em conversas, projetos e até na rua. A produção de certos artistas não seria a mesma sem o ato generoso de compartilhar conhecimento e experiência com as novas gerações. Saiba o que Paulo Pasta, artista e professor no Sesc Pompeia e Instituto Tomie Ohtake, pensa sobre a dimensão formativa da arte:
“O que tenho a ensinar é, principalmente, a valorização da experiência”
Quando comecei a dar aulas de arte, não possuía um método, um programa a partir do qual pudesse me orientar. Fui aprendendo com a prática. Aprendi o que ensinava, se posso dizer assim. E isso me parece, agora, a melhor forma de aprendizado. E esse sistema talvez seja a parte essencial do exercício da própria pintura: aprender com a experiência, com a prática do fazer.
Posso dizer, então, que o que tenho a ensinar é, principalmente, essa valorização da experiência. Nesse sentido me coloco (e me sinto) muito mais um interlocutor do que professor. Procuro entender as reais motivações e origens dos trabalhos e responder a elas, sem generalizações ou ideologias.
Gosto também de pensar – a exemplo da declaração de Sean Scully – que procuro manter e preservar um espaço para o exercício continuado da pintura, quando tudo parece cooperar para que isso não ocorra.
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Texto de Luciana Pareja Norbiato e Felipe Stoffa originalmente publicado na edição 33 da revista “Select” | 02/02/17.
Crédito da foto: Paulo D'Alessandro.

Artista plástica Guita Charifker morre aos 80 anos no Recife

Ela estava internada há 15 dias devido a insuficiência renal. Teve falência múltipla dos órgãos. +

A artista plástica Guita Charifker morreu na manhã desta sexta-feira (03/02/16), no Recife. Ela teve falência múltipla dos órgãos. Com 80 anos, a pintora, desenhista, gravadora e escultora deu entrada no Hospital da Unimed, no Recife, há 15 dias, devido uma insuficiência renal.
Aluna de Abelardo da Hora, Guita iniciou seu trabalho no mundo da arte aos 16 anos. Ao longo dos anos, passou por diversos movimentos da cultura pernambucana. Com inspiração no surrealismo, assinou obras de forte erotismo, associando formas humanas a animais e vegetais. Fez parte do Ateliê Coletivo, em Olinda, com Gil Vicente, José Cláudio e Gilvan Samico, entre outros.
Segundo a família, Guita será cremada no cemitério Morada da Paz, no Grande Recife, às 16h de sexta-feira (03/02/16). "As cinzas serão espalhadas no jardim do seu ateliê, em Olinda", explicou o filho dela, Saulo Charifker. A artista plástica deixa dois filhos e quatro netos.

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Texto originalmente publicado no site "G1" (g1.globo.com) | 03/02/17.
Na foto, pintura de Roberto Ploeg representando Guita Charifker.

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Abaixo, texto sobre a artista publicado no site da Enciclopédia Itaú Cultural (enciclopedia.itaucultural.org.br)

Guita Charifker
Nascimento: 10/09/1936 (Brasil, Pernambuco, Recife)
Morte: 03/02/2017 (Brasil, Pernambuco, Recife)
Habilidades: desenhista, aquarelista, gravadora, escultora

Biografia
Guita Charifker. Pintora, desenhista, gravadora e escultora. Em 1953, estuda desenho e escultura no Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna (SAMR), no Recife, ao lado do gravador Gilvan Samico (1928-2013) e do pintor José Cláudio (1932), entre outros, sob orientação de Abelardo da Hora (1924-2014). Colabora, em 1964, na fundação do Atelier da Ribeira, em Olinda, Pernambuco, do qual participa também o pintor João Câmara (1944). Em 1966, cria e dirige a Galeria do Teatro Popular do Nordeste. Desde a década de 1970, realiza pesquisas em gravura em metal na Oficina do Ingá, Niterói, sob orientação da gravadora Anna Letycia (1929). Em 1974, recebe o prêmio de viagem ao México no Salão Global de Pernambuco. Depois, trabalha no ateliê de João Câmara e frequenta por algum tempo o ateliê do escultor Frans Krajcberg (1921). Organiza o Ateliê Coletivo, em Olinda, com pintor Gil Vicente (1958), José Cláudio e Gilvan Samico, entre outros, em 1985. Em 2001, é publicado o livro Viva a Vida! Guita Charifker: aquarelas, desenhos, pinturas, pela Secretaria de Educação e Cultura do Recife, e em 2003 são apresentadas exposições retrospectivas no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_).
Análise
Desde o fim da década de 1960, Guita Charifker produz desenhos de inspiração surrealista, associando formas humanas a animais e vegetais, realizados com precisão de detalhes, em obras de forte erotismo. Trabalha de forma quase monocrômica, com traços tênues e manchas a bico-de-pena e aguada, revelando um universo onírico de formas simbólicas.
Passando por técnicas como a gravura em metal, encontra seu principal meio de expressão na aquarela. Realiza naturezas-mortas com plantas e frutos regionais, explorando padrões decorativos obtidos a partir de folhagens e ramos de árvores, ou de objetos presentes na cena, como tapetes ou tecidos. Em sua obra, revela o interesse pela produção de Matisse (1869-1954).
Nas aquarelas são frequentes também as paisagens, inspiradas muitas vezes na exuberante vegetação do quintal de sua residência em Olinda ou nas localidades do litoral pernambucano. São constantes as cenas com naturezas-mortas, em que a paisagem está presente, vista através de uma janela ou em uma pintura na parede. O artista, utiliza uma gama cromática surpreendente e luminosa.
Como nota o crítico Casimiro Xavier de Mendonça (1947-1992), a partir de uma viagem realizada ao México na década de 1980, e de uma estada no atelier de Frans Krajcberg, a produção de Guita Charifker se transforma. As aquarelas tornam-se ampliações de detalhes da natureza, e folhas e troncos, pretexto para áreas de cor. Entre as pinturas a óleo destacam-se também as paisagens nordestinas, realizadas com grande simplificação formal, com pinceladas amplas e uma paleta que busca a luminosidade da aquarela, como em "Rio Capiberibe" (1984), ou em "Taíba, Ceará" (1986).

Privatizar o Centro Cultural São Paulo é uma estupidez

Doria quer repetir no CCSP uma terceirização que produziu a maior roubalheira da história do Teatro Municipal. +

O Centro Cultural São Paulo é um daqueles lugares que faz com que valha a pena viver na cidade. Bonito e espaçoso, instalado ao lado da estação Vergueiro do Metrô, ele recebe gente de todas as partes de São Paulo, sobretudo jovens da periferia. Ali eles leem, convivem, ensaiam, estudam, pesquisam, participam de oficinas culturais ou aproveitam a programação de shows, teatro e cinema, oferecida de forma gratuita ou a preços camaradas.
Numa cidade que concentra serviços e oportunidades culturais na mesma proporção em que concentra renda e privilégios, o centro cultural da Vergueiro é um oásis de cidadania e decência.
Pois o prefeito João Dória, na falta de problemas mais graves na cidade, anunciou que vai privatizar o CCSP e 52 das 107 bibliotecas públicas da capital, que constituem a maior rede de bibliotecas da América Latina – uma decisão que ele preferiu não mencionar durante a campanha eleitoral.
Entregar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade à gestão privada é uma estupidez. Não surpreende que tenha partido da mesma cabeça encarregada de defender publicamente a “limpeza” dos grafites da avenida 23 de maio, a do secretário municipal de Cultura André Sturm.
“Ninguém vai privatizar nada, o que eu quero é dinamizar”, diz o secretário. Ele acha que um modelo de administração terceirizado permitiria “mais flexibilidade e facilidade para a gestão, além de captar patrocínios”. E promete que toda a administração de terceiros será feita “com acompanhamento e supervisão da Secretaria Municipal de Cultura”.
A primeira coisa a ser dita sobre essa proposta é que o Centro Cultural de São Paulo funciona bem, obrigado. Poderia ter mais verba e mais gente, sofre com os cortes impostos ao seu orçamento, mas não é uma repartição abandonada à qual um bando de militantes iletrados do MBL viria dar vida.
“Flexibilidade” e “patrocínio”, as palavras usadas pelo secretário, podem significar qualquer coisa. Flexibilidade para degradar e baratear os serviços prestados à população, por exemplo. Ou patrocínio para banalizar o conteúdo e dirigir a forma do trabalho cultural que é feio no CCSP e nas bibliotecas.
Outra coisa importante a lembrar é que o formato de terceirização anunciado pelo secretário, as famosas Organizações Sociais, ou OSs, já foi usado na gestão do Teatro Municipal de São Paulo. Apesar de “supervisionado pela Secretaria Municipal de Cultura”, esse arranjo produziu em 2016 um desvio de 18 milhões de reais, o maior escândalo da história centenária do Teatro Municipal.
Quem, em sã consciência, adotaria e ampliaria um modelo de gestão que deu espetacularmente errado no primeiro teste? Resposta: a mesma administração municipal que mandou pintar os grafites urbanos de cinza e agora cogita gastar os tubos para repintá-los com tinta colorida.
Privatizar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade faz tanto sentido quanto estatizar as barracas de pastel da feira, a rede de lanchonetes McDonald’s ou o shopping Iguatemi. Quer dizer, não faz sentido algum. É uma idiotice ou um ato de má fé. Por que desfigurar um serviço que funciona bem e cumpre exemplarmente a sua função social?
Se o prefeito acha que o CCSP poderia ser melhor gerido, deveria fazer aquilo para que foi eleito: nomear um administrador público competente, que aprimore o funcionamento da instituição sob seu comando. Se o secretário acha que não dá para cuidar da sua pasta nos limites legais da administração pública, renuncie ao cargo e procure emprego no setor privado. Não dá para transformar a cidade inteira numa OS para facilitar a vida dele.
Nem a falecida Margareth Thatcher, uma fanática das privatizações, tentou oferecer a empresários a gestão das bibliotecas britânicas. Há limites para o que um político pode fazer sem cair no ridículo.
Quem garante que, daqui a pouco, um administrador privado não irá decidir que a garotada não pode mais ensaiar dança de rua nos corredores do Centro Cultural, como faz todos os dias? Ou que entradas de teatro gratuitas não cobrem as necessidades de remuneração do seu contrato? Ou que bibliotecários são caros e supérfluos, e que melhor seria deixar os usuários das bibliotecas entregues a si mesmos?
Quando eu era garoto, nos anos 70, o Centro Cultural de São Paulo não existia, mas usei abundantemente a biblioteca municipal da Penha, no Largo do Rosário. O acervo daquela biblioteca e a atenção de seus funcionários ajudaram a fazer de mim o que eu sou. Em nome das próximas gerações, é importante garantir que o patrimônio das bibliotecas públicas de São Paulo – que começou a ser montado há quase 100 anos, por Mário de Andrade – não seja destruído por gente que não sabe o valor da cultura.
Na quarta-feira, aniversário da cidade, uma pequena multidão se concentrou na porta do Centro Cultural São Paulo para protestar contra a privatização. Formou-se uma corrente para abraçar o prédio e, simbolicamente, protegê-lo. Eu estava lá. Ao meu lado, me dando as mãos, estavam dois jovens frequentadores do CCSP, Nicole e Felipe. Gritamos palavras de ordem, rimos e, depois do protesto, nos sentamos para conversar. Confirmou-se a minha impressão de que o Centro Cultural é necessário da forma como está: aberto, diverso e público. E tive certeza, também, de que jovens e velhos usuários saberão defendê-lo da estupidez privatista.
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Texto de Ivan Martins originalmente publicado no site da revista “Arte!Brasileiros” (brasileiros.com.br) | 27/01/17.
Foto: Manifestantes formam uma corrente para abraçar o Centro Cultural.
Crédito: Marie Ange Bordas.

Osgemeos reagem a ação de Prefeitura de São Paulo contra pichações e grafites

Dupla cria nova obra urbana. +

“Parabéns São Paulo!! Ganhamos mais uma vez o desrespeito com a arte!!”.
Essa foi a mensagem estampada em um post no facebook, feito pelos artistas Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como “Osgemeos”.
A mensagem vai de encontro com as ações tomadas nos últimos dias, pela Prefeitura de São Paulo, comandada pelo atual prefeito João Dória, que consistem em limpar as pichações e grafites na capital.
O post divulgado nesta sexta-feira em suas redes sociais, já chegam perto das 20mil curtidas.
Os artistas são conhecidos também como autores do grafite em homenagem ao álbum Hip-Hop Cultura de Rua, coletânea, lançada em 1988, que ajudou a difundir o movimento no País ao dar voz a pioneiros como Thaíde e DJ Hum, MC Jack e Código 13. O grafite também está localizado nas ruas da capital paulista.

Texto de Andre Fabro publicado originalmente no site da revista DasArtes | 27/01/2017

Painel de Kobra na 23 de Maio amanhece pichado

Artista é sempre elogiado pelo prefeito João Doria, que vem apagando outros grafites da via. +

O painel do grafiteiro Eduardo Kobra na Avenida 23 de Maio amanheceu pichado com tinta cinza nesta quarta-feira, 25/01/17, aniversário de São Paulo.
Kobra é frequentemente citado pelo prefeito João Doria (PSDB) como um de seus grafiteiro favoritos. Além da tinta, há um boneco com rosto de Doria, como se passasse a tinta.
O prefeito vem apagando grafites e pichações na 23. Os grafites pintados em 2014 foram cobertos com tinta cinza. A Secretaria Municipal de Cultura, chefiado por André Sturm, ficou de selecionar apenas oito grafites para continuarem na via, e o de Kobra seria um deles. Até então, pichadores tinham por hábito não escrever nem danificar os grafites da cidade.
Há algumas semanas, Doria chegou a anunciar o artista como coordenador de seu programa Arte Urbana, que faria oficinas de grafite, mas Kobra o desmentiu.
O prefeito comentou a pichação afirmando que “o que fizeram ali foi uma agressão, agrediram a obra de um artista”. “O Eduardo Kobra é um artista, um grafiteiro, um muralista. Ele foi agredido com essa pichação, que revela a índole desses pichadores, que não querem bem à cidade, não querem a ninguém. São agressores, destruidores da cidade e terão o inverso: ao invés de ter o prefeito amolecendo, vão ter o prefeito endurecendo”, disse o prefeito.
“Pedi até para deixarem lá (a pichação) por um tempo, para que as pessoas possam ver essa agressão. Não vamos fraquejar”, afirmou Doria, que defendeu a criação de uma lei para tornar mais pesadas as multas para pichadores, mas disse que não apresentaria proposta do Executivo solicitando tal medida.
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Texto de Bruno Ribeiro, Fabio Leite e Pedro Venceslau no blog “Por Dentro da Metrópole” | site do “Estadão” (http://sao-paulo.estadao.com.br/blogs) | 25/01/17.

Anish Kapoor faz protesto anti-Trump

Kapoor reformulou o cartaz de Joseph Beuys, inserindo sua própria imagem na obra e renomeando-a “Eu gosto da América e a América não gosta de mim.” +

O controverso artista britânico-indiano Anish Kapoor reinventou uma imagem de parte de uma performance seminal do artista alemão Joseph Beuys com a frase, “Eu gosto da América e a América gosta de mim”, como um protesto contra os horrores que se desenrolam na América de Donald Trump.
Kapoor reformulou o cartaz de Joseph Beuys, inserindo sua própria imagem na obra e renomeando-a “Eu gosto da América e a América não gosta de mim.” Ele está convidando outros artistas para se juntar a ele no protesto e criar as suas próprias versões do cartaz.
Anish Kapoor disse: “Peço a outros artistas e cidadãos que divulguem seu nome e imagem usando a obra seminal de Joseph Beuys como foco de mudança social. O nosso silêncio faz-nos cúmplices das políticas de exclusão. Não vamos ficar em silêncio.
A performance de 1974 de Joseph Beuys “I Like America and America Like Me” começou no Aeroporto Kennedy com o artista sendo envolto em feltro e depois transportado em uma ambulância para René Block Gallery. Ele passou vários dias numa sala na galeria com apenas um cobertor de feltro, uma lanterna, uma bengala e um coiote selvagem.
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Texto publicado no site da revista DasArtes | 02/02/17

Depois de vaias e críticas, Doria diz que pagará cachê e tinta a grafiteiros

O programa começará pela região do Baixo Augusta, no centro de São Paulo (SP), e será reeditado a cada três meses em um bairro diferente. +

Depois de receber críticas de artistas urbanos e de ser vaiado em evento no aniversário de São Paulo, o prefeito João Doria (PSDB) lançou nesta quinta-feira (26/01/17) um projeto que prevê remunerar grafiteiros e pagar suas tintas, como parte de um museu a céu aberto espalhado pela cidade.
O programa começará pela região do Baixo Augusta, no centro da capital, e será reeditado a cada três meses em um bairro diferente. A prefeitura pretende conversar com os proprietários dos imóveis particulares e pedir autorização – apenas os que concordarem participarão do projeto.
"Como serão várias áreas da cidade, creio que teremos oportunidade de abrigar vários desses artistas, de maneira escalonada", disse Doria.
O programa já estava previsto, mas o lançamento foi antecipado devido à polêmica envolvendo o assunto nas últimas semanas, segundo o secretário municipal de Cultura, André Sturm. "A gente já tinha isso de dezembro e iria anunciar em março, mas com o grafite tendo se tornado assunto tão importante a gente resolveu antecipar para mostrar que o grafite é fundamental nessa gestão", disse.
Prevista para março, a primeira edição deve ter cerca de 150 artistas e a estimativa é que custe R$ 800 mil.
Ele afirmou que haverá uma comissão para escolher os artistas. "A gente vai montar uma comissão com artistas que não queiram participar ou pessoas que gostem e possam ter isenção de julgamento, os grafiteiros mandam suas propostas, seu currículo, o que costumam fazer, não precisam mandar o desenho", disse Sturm.
O anúncio foi feito nesta quinta no canteiro central da Vinte Três de Maio. O ato foi para comunicar a restauração do monumento em homenagem ao 80 anos da imigração japonesa, da artista plástica Tomie Ohtake.
Motoristas curiosos em relação ao evento desaceleraram e gritaram o nome de Doria.
Disputa
A avenida é cenário de disputa entre o tucano e grafiteiros e pichadores.
Doria mandou pintar de cinza grafites na via. Um dos murais que sobraram, do artista Eduardo Kobra, foi pichado com uma imagem de Doria pintando o muro.
O tucano lamentou a ação e disse que agora o mural será apagado, com consentimento de Kobra. Segundo ele, não haverá novos grafites na Vinte Três de Maio, onde haverá outro projeto, que o prefeito não quis divulgar.
"Vou atrás deles, os pichadores são destruidores da cidade, não merecem o respeito nem da cidade nem da população", disse Doria. "Durante quatro anos serei um prefeito intransigente com os pichadores".
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Texto de Artur Rodrigues originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 26/01/17.

Museu subaquático abre na Espanha

O primeiro museu totalmente subaquático da Europa abriu oficialmente em 10 de janeiro de 2017 no leito do oceano, ao largo da Ilha Canária de Lanzarote, na Espanha. +

O Museu do Atlântico é a visão do artista britânico Jason deCaires Taylor, que passou os últimos dois anos vivendo na ilha criando obras de arte para a galeria submersa. O museu na baía de Coloradas, ao largo da costa da cidade de Yaiza, no sudoeste de Lanzarote foi criado a uma profundidade de entre 12 e 15 metros no fundo do oceano e será acessível a mergulhadores e visível ao fundo de barcos com janela de vidro. As esculturas em exposição são formas humanas; Alguns modelados com residentes locais, e são criados para atrair a vida vegetal e animal, representando a relação entre seres humanos e natureza.
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Texto publicado originalmente no site da revista DasArtes | 02/02/17

Ataque em Paris: o que se sabe sobre incidente no Louvre

Um homem atacou com um facão um soldado nas cercanias do Museu do Louvre. O soldado reagiu e a atirou no homem, que ficou gravemente ferido. Cerca de 250 pessoas estavam no interior do museu, que foi evacuado. +

Uma grande operação de segurança foi deflagrada em Paris nesta sexta-feira (03/02/17) depois de um homem atacar com um facão um soldado nas cercanias do Museu do Louvre - uma das atrações turísticas mais populares da capital francesa e o mais visitado museu do mundo.
O soldado reagiu e a atirou no homem, que ficou gravemente ferido.
As autoridades francesas divulgaram poucos detalhes sobre o incidente, ocorrido em uma cidade que, em anos recentes, foi palco de pelo menos dois grandes ataques extremistas. O que se sabe até agora:

Ataque
Por volta de 10h da manhã dessa sexta-feira, um homem, ainda não identificado pela polícia, tentou entrar em uma galeria comercial próximo ao Museu do Louvre, que era vigiado por uma patrulha. Segundo as autoridades, ele investiu contra os soldados e gritou "Allahu Akbar" (Deus é poderoso, em árabe).
Uma segunda pessoa foi presa. Duas sacolas apreendidas pela polícia "não continham explosivos".
Cinco tiros foram disparados e o homem sofreu graves ferimentos na região do abdômen. Um soldado foi ferido na cabeça.
O primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, descreveu o incidente como um "ataque terrorista por natureza".
Cerca de 250 pessoas estavam no interior do museu no momento do atentado. O museu foi evacuado.

Alerta
Paris está sob estado de alerta desde os ataques de novembro de 2015, em que 130 pessoas foram mortas por extremistas islâmicos em diferentes pontos da cidade. Em janeiro daquele mesmo ano, 17 pessoas morreram na invasão do escritório da revista de sátira política Charlie Hebdo.

Turismo afetado
Os ataques em Paris e em Nice - onde 86 pessoas morreram atropeladas por um caminhão, em julho do ano passado - resultaram em uma queda acentuada nas atividades de turistas estrangeiros. De acordo com números divulgados no início de janeiro, o Louvre, por exemplo, registrou uma queda de 20% no número de visitantes entre 2015 e 2016. A prefeitura de Paris disse ter havido queda de pelo menos 10% nas reservas de hotéis.

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Texto da BBC Brasil reproduzido pelo site “UOL” (www.uol.com.br) | 03/02/17.
Foto: Eric Feferberg / AFP.

The Culture Trip destaca exposições imperdíveis em cartaz em São Paulo

“8º Salão dos Artistas Sem Galeria”, “Gaudí, Barcelona 1900”, “Erwin Wurm – O Corpo é a Casa” e “Agostinho Batista de Freitas, São Paulo” integram a lista. +

O site “The Culture Trip” (theculturetrip.com), em reportagem de Lise Alves, destacou exposições “obrigatórias” para se ver em São Paulo (SP).


A exposição do “8º Salão dos Artistas Sem Galeria”, promovido pelo Mapa das Artes, apresenta obras dos 10 artistas selecionados em exposições simultâneas em São Paulo (Galeria Sancovsky 12/01/17 a 04/03/17; e na Zipper Galeria - 17/01/17 a 04/03/17). São exibidas pinturas, fotografias, esculturas, vídeos e instalações dos artistas: Lula Ricardi (SP), Maura Grimaldi (SP), Jefferson Lourenço (MG), Marcelo Barros (SP), Gunga Guerra (Moçambique/RJ), Marcelo Pacheco (SP), Luciana Kater (SP), Cesare Pergola (Itália/SP), Juliano Moraes (GO) e Cristiani Papini (MG). O júri de seleção foi formado por Adriana Duarte (galerista capixaba da paulistana Casa da Xiclet), Paula Alzugaray (jornalista e editora da revista “Select”) e Rodrigo Editore (galerista e sócio da também paulistana galeria Casa Triângulo) (de 12/01/17, das 19h às 22h, a 04/03/17).
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GALERIA SANCOVSKY
Pinheiros: Praça Benedito Calixto, 103, tel. (11) 3086-0784. Ter. a sex., 10h/19h; sáb., 10h/17h. www.galeriasancovsky.com.br
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ZIPPER GALERIA
Jardim América: r. Estados Unidos, 1.494, tel. (11) 4306-4306. Seg. a sex., 10h/19h; sáb., 11h/17h. www.zippergaleria.com.br


“Gaudí, Barcelona 1900” reúne 46 maquetes e 25 objetos de mobiliário que tratam da produção do arquiteto modernista catalão Antoni Gaudi (1852-1926). Em paralelo, são expostos trabalhos de artistas espanhóis de sua época como Ramon Casas, Santiago Rusiñol, Gaspar Homar e outros (de 19/11/16, às 19h, a 05/02/17).
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INSTITUTO TOMIE OHTAKE
Pinheiros: av. Faria Lima, 201 (entrada pela r. Coropés, 88), tel. (11) 2245-1900. Ter. a dom., 11h/20h. www.institutotomieohtake.org.br


“Erwin Wurm – O Corpo é a Casa” exibe esculturas, vídeos, instalações, performances, intervenções e obras interativas do austríaco pela primeira vez no país. Humor e críticas ao consumismo e comportamento humano são a marca do artista incluindo trabalhos icônicos como a “Casa Gorda” ou “Conversível Gordo” (de 25/01/17 a 03/04/17).
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CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
Centro: r. Álvares Penteado, 112, tel. (11) 3113-3651. Qua. a seg., 9h/21h. Visitação com hora agendada pelo site www.ingressorapido.com.br, pelo aplicativo da Ingresso Rápido (IOS ou Android) ou na bilheteria. www.bb.com.br/cultura


A mostra “Agostinho Batista de Freitas, São Paulo” apresenta 74 trabalhos do artista paulista, dos anos 1950 até a década de 1990, marcando seu retorno ao museu após 60 anos. Batista de Freitas (1927 – 1997) foi um artista autodidata, que vendia seus trabalhos no centro de São Paulo e suas obras retratam cenas urbanas da capital e revelam alguns dos principais marcos arquitetônicos. Curadoria de Fernando Oliva e Rodrigo Moura. Na abertura ocorre o lançamento do catálogo ilustrado (256 pp.), com reproduções de todas as obras em exibição e textos (de 09/12/16, às 20h, a 09/04/17).
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MASP (MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO)
Cerqueira César: av. Paulista, 1.578, tel. 3149-5959. Ter., qua., sex., sáb., dom. 10h/18h; qui. 10h/20h. R$ 30 e R$ 15. Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam meia entrada. Grátis às terças e para menores de 10 anos. www.masp.art.br

Sucesso do Museu do Amanhã revela poder de espetáculo vazio

Museus ancorados no espetáculo pouco acrescentam à cultura quando se preocupam mais em aparecer no Instagram do que em construir acervos e mostras relevantes. +

Não espanta que o Museu do Amanhã tenha chegado ao Olimpo da bilheteria. Uma espécie de bromélia esbranquiçada fritando no calor do Rio, o prédio do "starchitect" espanhol Santiago Calatrava já nasceu sob os holofotes na condição de joia mais vistosa do projeto de renovação urbana da zona portuária carioca e ganhou fôlego ímpar com o maior evento esportivo do mundo.
Durante a Olimpíada, a esplanada em torno dele e seu dramático espelho d'água viraram cenários perfeitos para selfies de fãs e atletas, casando com a lógica de espetáculo e entretenimento por trás do chamado Porto Maravilha.
Essa estratégia não é nova. Desde a década de 1990, quando Frank Gehry inaugurou o emaranhado metálico que abriga a filial do Guggenheim em Bilbao, na Espanha, museus se tornam pedra de toque de processos que urbanistas mais ingênuos chamam de "revitalização", como se tecidos urbanos estivessem condenados a necrosar sem esses prédios espalhafatosos.
Não estão, mas acabam virando do avesso, para a felicidade da especulação imobiliária, quando uma vizinhança ganha algo do tipo.
Três anos atrás, o mesmo Gehry fez uma espécie de caravela de vidro para a Fundação Louis Vuitton num bairro mais pacato de Paris, que há quatro décadas viu seu coração bater mais forte com os tubos de vidro do Pompidou de Renzo Piano e Richard Rogers – o espanto inicial agora se traduz em filas na porta.
Não é de todo ruim, mas museus ancorados no espetáculo pouco acrescentam à cultura quando se preocupam mais em aparecer no Instagram do que em construir acervos e mostras relevantes.
Em termos de conteúdo, o Museu do Amanhã não pode ser comparado a instituições como o Guggenheim e o Pompidou, mas seu sucesso diante dos números mais modestos de seu vizinho, o Museu de Arte do Rio, revela o poder de fogo do show pelo show.
No afã de bater metas de público, muitos museus se deixam seduzir pela facilidade de uma programação blockbuster, caso do Museu da Imagem e do Som paulistano – suas mostras com temas de Bowie a Silvio Santos encantam por exibir aquilo que o público já conhece, não pelo papel de formação do olhar que deve estar no cerne de todo museu.
Mas uma torre de marfim que pouco dialoga com o público também não ajuda. O Museu de Arte Contemporânea da USP, alheio ao que se passa ao seu redor na cena artística da cidade, nunca abraçou o populacho, mas suas galerias vazias preocupam.
Enquanto o Museu do Amanhã continua bombando, a crise econômica que paralisa o Brasil e ainda causa estragos no resto do mundo parece anunciar agora um retorno à ordem, um futuro de aposentadoria para os "starchitects" – o MIS do Rio arrisca virar ruína antes da inauguração, por exemplo – e de novas exigências para diretores de museus, que terão de fazer da arte e da ciência seu verdadeiro show.
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Texto de Silas Martí originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 30/01/17.

Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico e Artístico começa a ser distribuído

O impresso, único a reunir os feriados e dias santos de devoção católica, afro-brasileira, espírita, indígena, islâmica e judaica, propõe expandir o universo da arte e incluir nele questões altamente relevantes para a existência pacífica da civilização humana. Custa apenas R$ 25,00 cada. Quem comprar cinco paga apenas R$ 100,00. Entre no www.mapadasartes.com.br, clique no fullbanner do calendário e tenha mais informações! +

A edição 2017 do Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico, Turístico, Político, Ecológico e Artístico Mapa das Artes já pode ser reservada. O impresso, único a reunir os feriados e dias santos de devoção católica, afro-brasileira, espírita, indígena, islâmica e judaica, propõe expandir o universo da arte e incluir nele questões altamente relevantes para a existência pacífica da civilização humana. O homenageado desta edição é o escultor mulato Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), que ilustra o calendário com os Passos da Paixão de Cristo, patrimônio maior da cidade de Congonhas do Campo (MG). O produto ressalta ainda a atuação de 12 museus paulistanos fundamentais na formação cultural local, regional e nacional do povo brasileiro. A unidade custa R$ 25,00 e é entregue na sua casa (cinco unidades por R$ 100,00). Faça sua reserva através do e-mail: mapadasartes@uol.com.br

Seguem abaixo as características do produto:
Sincrético – O calendário de mesa menciona as datas de reverência da devoção cristã, afro-brasileira, indígena, judaica e islâmica. Dessa forma, contempla de maneira ecumênica matrizes da formação cultural e social do povo brasileiro. É possível ainda que este calendário entre para a história como o primeiro, pelo menos no Brasil, a reunir feriados isâmicos e judaicos em um mesmo impresso.
Cósmico e telúrico – Indica as fases da Lua, eclipses, solstícios e outros eventos astronômicos que ativam as influências celestes sobre a Terra, algo muito presente na cultura e no imaginário popular, principalmente indígena.
Turístico – Estimula o turismo ao dedicar a edição à cidade de Congonhas do Campo (MG) e a uma de suas maiores riquezas: algumas das 66 estátuas que compõem as cenas dos Passos da Paixão de Cristo, obra-prima de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814). Outros artistas importantes participaram nas obras de construção e decoração das seis capelas, entre 1757 e 1875, como Mestre Ataíde (1762-1830), Francisco de Lima Cerqueira ( -1808) e João Nepomuceno Correia e Castro ( -1795). As cenas foram fotografadas pelo paulistano Lucas Malkut
Político e ecológico – Rememora datas e fatos da consolidação democrática do país e de conquistas importantes, como a criação do Parque Nacional do Xingu, em 14 de abril de 1961, mas também eventos flagrantes da impunidade que permeia a Justiça brasileira.
Artístico – O fio condutor de todo o pensamento crítico desta edição é a homenagem ao nosso escultor mulato Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814). O calendário ressalta ainda a atuação de 12 museus paulistanos fundamentais na formação cultural local, regional e nacional do povo brasileiro.
Neste momento em que tudo na vida parece sem perspectivas, se faz necessário apegarmo-nos em valores mais importantes que os econômicos e trabalharmos juntos para a construção de um mundo solidário, responsável, tolerante e sem preconceitos.
Em seu “Sermão da Primeira Dominga do Advento” (1650), padre Antonio Vieira escreveu: “Em suma, que os pecados que ultimamente hão de levar os condenados ao inferno, são os pecados de omissão... Vede que cousas são omissões e não vos espantareis do que digo. Por uma omissão perde-se uma inspiração, por uma inspiração perde-se um auxílio, por um auxílio perde-se uma contrição, por uma contrição perde-se uma alma; dai conta a Deus de uma alma, por uma omissão. Desçamos a exemplos mais públicos. Por uma omissão perde-se uma maré, por uma maré perde-se uma viagem, por uma viagem perde-se uma armada, por uma armada perde-se um Estado: dai conta a Deus de uma Índia, dai conta a Deus de um Brasil, por uma omissão”.
Se você se identificou com a proposta do Calendário Sincrético, Cósmico, Telúrico, Turístico, Político, Ecológico e Artístico Mapa das Artes 2017 e deseja garantir o seu, faça um depósito de R$ 25,00 (ou R$ 100,00 para cinco exemplares) em uma das contas abaixo e envie o comprovante junto com seu endereço completo (com CEP) para o e-mail mapadasartes@uol.com.br. Você receberá o calendário de mesa pelo correio em sua casa sem mais despesas.

Celso Fioravante
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Conta 222-2
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O artista formador: Sandra Cinto e Albano Afonso

Em série de depoimentos à revista "Select", grandes nomes da cena brasileira contam como transmitem seu amor e apreço pela arte às novas gerações. +

Ensinar é um processo múltiplo. Nenhum método de ensino dá conta sozinho de fixar as bases de atuação de seus agentes. Mesmo nas ciências exatas, a maneira como o professor lida com sua disciplina influencia diretamente os resultados e o interesse dos alunos. No ensino de artes visuais, essa fluidez epistemológica é potencializada. O ato do ensino e da aprendizagem pode começar em instituições formais, como escolas e faculdades, e ultrapassar a sala de aula para acontecer em conversas, projetos e até na rua. A produção de certos artistas não seria a mesma sem o ato generoso de compartilhar conhecimento e experiência com as novas gerações. Saiba o que Sandra Cinto e Albano Afonso, artistas e organizadores do Ateliê Fidalga, em São Paulo (SP), pensam sobre a dimensão formativa da arte:

“A educação se dá em qualquer espaço de convívio social”
Há algum tempo estamos tentando mudar a ideia do Ateliê Fidalga, enquanto um lugar parecido com uma escola ou local onde se oferece algum tipo de curso ou orientação. Faz tempo que não temos mais “alunos”. Refletimos muito sobre as práticas de educação em arte e o nosso trabalho foi ganhando outra dimensão. Partindo da ideia de que a educação se dá em qualquer espaço de convívio social, Albano e eu percebemos que o nosso trabalho no Ateliê Fidalga acontece muito mais como mediadores das discussões e propositores dos encontros entre os artistas, para que sejam feitas trocas.
O conhecimento é compartilhado de uma maneira horizontal, entre todos. Todas as áreas do conhecimento são bem-vindas e todos os artistas têm algo para dividir, aprender e trocar com o outro em termos de experiências. Também estamos bastante focados no Projeto Fidalga, um desdobramento do Ateliê Fidalga, localizado no nosso antigo ateliê. Nesse local funcionam cinco ateliês de artistas, um ateliê que é uma bolsa de incentivo para artistas sem espaço próprio (Bolsa Estúdio Fidalga), um programa sem fins lucrativos de residência (Residência Paulo Reis) e uma sala para exposições experimentais realizadas pelos artistas e curadores residentes, e artistas jovens ou em meio de trajetória que tenham um projeto para desenvolver e necessitam de espaço (Sala Projeto Fidalga). Nesse caso, a educação como ação transformadora e geradora de conhecimento acontece pela prática e pelas trocas no local: conversas organizadas durante a exposição, intercâmbios com universidades (Musashino e Aomori Art Center, no Japão, e Instituto de Geociências da USP, entre outros) e incentivo a publicações para multiplicar o conhecimento (desde o ano passado, as nossas publicações, além de impressas, são também virtuais, para que as pessoas possam baixá-las e terem acesso à pesquisa) e nos desdobramentos dessa experiência, a ressonância. Um exemplo é Renata Cruz, artista do grupo de estudos que está neste momento no Japão. Ela participa do nosso programa de intercâmbio com o Aomori Art Centre. A ideia de compartilhar o conhecimento vai se expandindo como uma hera.

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Texto de Luciana Pareja Norbiato e Felipe Stoffa originalmente publicado na edição 33 da revista “Select” | 02/02/17.
Na foto, workshop de Sandra Cinto. Crédito: Ding Musa.

Edifícios históricos são também pontos gastronômicos da cidade de São Paulo

Alguns dos bens arquitetônicos da cidade têm espaço com bares, restaurantes e cafeterias. Veja a lista. +

A cidade de São Paulo possui uma diversidade de bens culturais imóveis. São desde palacetes ecléticos da virada do século até grandes ícones da arquitetura moderna da década de 1920 em diante. Alguns desses bens arquitetônicos oferecem mais do que sua presença física, dividindo seu espaço com bares, restaurantes e cafeterias.
Conheça com os olhos e com o paladar alguns edifícios que marcaram história da cidade:

1. Esther Rooftop
Em 2016, o edifício Esther, o primeiro edifício alto modernista da cidade (projeto dos arquitetos Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho) ganhou um restaurante em sua cobertura, no 11º andar: o Esther Rooftop. A ideia foi dos irmãos Olivier e Pierre Anquier e de Benoit Mathurin, três chefs franceses profissionais.
O restaurante oferece uma ótima vista para a Praça da República. Aproveite para notar na entrada as engrenagens que decoram a porta, símbolo da Usina Açucareira Esther, que contratou a construção do edifício para ser a sua sede.

2. Terraço Itália
O edifício Itália, construído em 1965, foi encomendado pelo Circolo Italiano de San Paolo para abrigar sua sede. O projeto, do arquiteto alemão naturalizado brasileiro Franz Heep, foi selecionado em um concurso realizado em 1953, momento em que a cidade passava por um intenso processo de verticalização.
O edifício tornou-se um importante marco para a cidade, sendo na época o maior de São Paulo, com 46 andares e estrutura de concreto armado. No ano de 1967, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha projetou uma estrutura de ferro e cortinas de vidro, espaço onde foi inaugurado o restaurante Terraço Itália, especializado em culinária italiana.

3. Restaurante do Masp
Em 1968 era inaugurado na Avenida Paulista o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), projetado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. Apesar da arquitetura brutalista de Lina, onde uma das questões mais relevantes é o concreto aparente, no início da década de 1990 as vigas foram pintadas e impermeabilizadas para conter as infiltrações que ocorriam durante chuvas fortes. A princípio Lina foi relutante, mas optou pela cor vermelha para cobrir as vigas.
Seu vão livre, o maior da América Latina, foi idealizado para que a vista da região permanecesse livre para o público. Hoje, seu edifício é um dos cartões postais da cidade, mas nem só de arte vive o Masp. No 2º subsolo há um restaurante que serve opções de buffet e pratos executivos. Não é necessário pagar a entrada no museu para ir ao restaurante.

4. Restaurante Sala São Paulo
A estação Júlio Prestes, de arquitetura eclética inspirada no estilo renascentista e vitrais feitos pela Casa Conrado, era composta por dois setores: o de transporte e o administrativo, construído em torno de um pátio central. A Sala São Paulo faz parte do Centro Cultural Júlio Prestes e foi inaugurada em 1999. O restaurante da sala, na antiga estação, serve comida contemporânea e pratos típicos da culinária brasileira.

5. Santinho – Theatro Municipal de São Paulo
O projeto do Teatro Municipal foi inspirado na Ópera de Paris, atendendo aos pedidos da elite paulistana da época por um centro cultural à altura dos encontrados na Europa. Em 1922, foi palco da Semana de Arte Moderna, que protagonizou o modernismo no Brasil. Hoje abriga diversos grupos artísticos, como a Orquestra Sinfônica Municipal, a Experimental de Repertório e o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Um dos seus espaços é ocupado pelo restaurante Santinho desde 2015. O restaurante oferece buffet cobrado por pessoa, de segunda a sábado.

6. MoDi – Edifício Paquita
O Paquita é um edifício de arquitetura moderna construído na década de 1950 em frente ao parque Buenos Aires, para o qual a varanda dos quartos oferece generosa vista. No térreo, entre os pilotis que sustentam o edifício, há uma parede de vidro que serve de entrada para o restaurante MoDi, especializado em culinária italiana. O estabelecimento oferece um cardápio que inclui sopas frias, peixes, carnes e massas. Às segundas, há uma banda de Jazz tocando ao vivo.

7. Cafezal Cafés Especiais – Centro Cultural Banco do Brasil
O prédio do Centro Cultural Banco do Brasil foi construído em 1901 e comprado pelo banco em 1923. Passou por uma reforma que o adaptou para ser uma agência bancária ao mesmo tempo em que restaurou e preservou suas características originais. O responsável pela adaptação foi o engenheiro e arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol Junior, que refez seu interior, incorporando alguns dos padrões europeus de época para edifícios bancários. A fachada incorpora influências Art Nouveau e clássicas. No terceiro andar do prédio funciona a cafeteria Cafezal, que serve variados tipos de café, tortas e salgados, além de massas, risotos, carnes e saladas no restaurante.

8. Mirante 9 de Julho
O túnel da avenida 9 de Julho e seu mirante, inaugurado em 1938, fazia parte do projeto do Plano de Avenidas e seguiu uma linguagem arquitetônica protomoderna com elementos Art Déco. Depois de um período de abandono, o espaço do mirante está sendo reutilizado. Hoje é ocupado pelo centro cultural Mirante 9 de Julho, que promove a exibição de filmes, exposições artísticas e outros eventos ali, além de oferecer um espaço para coworking com acesso à internet e café. O local abriga o “Isso é Café” e o restaurante Mirante Efêmero.

9. Restaurantes na Praça Vilaboim em frente ao edifício Louveira
Outro edifício icônico na arquitetura moderna paulistana é o Louveira, projetado por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi e construído na Praça Vilaboim. O conjunto é formado por dois blocos retangulares, apoiados sobre pilotis, com uma fachada que chama atenção pela sua constante mudança: as janelas, quando abertas ou fechadas, criam leituras diferentes no prédio.
Há mais de uma dezena de estabelecimentos de restaurantes e bares no entorno da praça, entre eles o Le Vin, um bistrô francês, o Aoyama, restaurante especializado em culinária japonesa, e o Si Señor, de comida mexicana que oferece além dos pratos mais típicos uma variedade de grelhados.

Serviço:

Esther Rooftop
Endereço: Praça da República, 80 – 11º andar
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Sexta das 12h às 15h e das 19h às 23h30. Sábado das 12h às 23h30. Domingo das 12h às 17h.
Contato/Reservas: estherrooftop@gmail.com
Site: www.facebook.com/Esther-Rooftop-618432671638652

Terraço Itália
Endereço: Avenida Ipiranga, 344 – 41º e 42º andares
Horário de funcionamento: de segunda a quinta das 12h às 24h, sexta e sábado das 12h às 01h. Domingo das 12h às 23h.
Contato/Reservas: (11) 2189-2929
Site: www.terracoitalia.com.br

Restaurante Masp
Endereço: Avenida Paulista, 1578 – 2º Subsolo
Horário de Funcionamento: segunda a sexta das 12h às 15h, sábados e domingos das 12h às 16h
Contato/Reservas: (11) 3253 2829/ (11) 3289-7704. E-mail: 8artemasp@gmail.com
Site: http://masp.art.br/masp2010/visiteomuseu_info.php

Restaurante Sala São Paulo
Endereço: Praça Júlio Prestes, 16
Horário de funcionamento: Para almoços, de segunda a sexta, das 12h às 15h. Jantares, quando há concertos noturnos, das 18h30 às 01h.
Contato/Reservas: (11) 3225 9958. E-mail: ssp@8arte.com.br
Site: www.salasaopaulo.art.br/paginadinamica.aspx?pagina=restaurante

Santinho
Endereço: Praça Ramos de Azevedo, 1
Horário de funcionamento: Segunda a sexta das 10h às 17h, sábados das 12h às 17h (em dias de espetáculos fecha às 16h).
Contato/Reservas: (11) 3222-1683/(11)3221-8061. E-mail: tm.reservas@restaurantesantinho.com.br
Site: http://theatromunicipal.org.br/espaco/theatro-municipal/#restaurante

MoDi
Endereço: Rua Alagoas, 475
Horário de funcionamento: de segunda feira, das 17h às 23h. Terça a sábado das 12h às 23h. Domingo das 12h às 17h.
Contato/Reservas: (11) 3564-7028

Cafezal Cafés Especiais
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 21h. Não abre às terças. Contato/Reservas: (11) 3113-3676
Site: www.cafezalcafes.com.br

Isso é Café
Endereço: Rua Carlos Comenale, s/nº
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 20h
Contato/Reservas: (11) 3862-5833
Site: www.issoecafe.com

Mirante Efêmero
Endereço: Rua Carlos Comenale, s/nº
Horário de Funcionamento: de terça a domingo, das 12h às 22h.
Contato/Reservas: (11) 3111-6330

Le Vin Bistrô
Endereço: Rua Armando Penteado, 25
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 12h às 24h. Sexta e sábado, das 12h às 01h. Domingo das 12h às 23h.
Contato/Reservas: (11) 3668-7400
Site: www.levin.com.br/#/home

Restaurante Aoyama
Endereço: Praça Vila Boim, 63
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 24h às 15h e das 19h às 23h30. Sexta feira das 12h às 15h e das 19h às 24h. Sábado das 12h às 24h. Domingo das 12h às 23h30.
Contato/Reservas: (11) 3666-2087
Site: www.restauranteaoyama.com.br

Si Señor!
Endereço: R. Armando A. Penteado, 18
Horário de funcionamento: de segunda à quinta, das 12h às 15h e das 18h às 24h. Sexta das 12h às 15h e das 18h à 01h. Sábado das 12h às 01h. Domingo das 12h às 24h.
Contato/Reservas: (11)3476-2538. Reservas: https://sao-paulo.restorando.com.br/restaurante/si-senor-higienopolis
Site: www.sisenor.com.br/cardapio

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Texto originalmente publicado no blog do DPH – Departamento do Patrimônio Histórico / Prefeitura de São Paulo - SP (http://patrimoniohistorico.prefeitura.sp.gov.br) | 01/02/17.
Na foto, fachada do Edifício Esther, na Praça da República. Crédito: Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo.

Paulo Mendes da Rocha recebe a Royal Gold Medal de Arquitetura 2017

Concedida desde 1848, a medalha já premiou arquitetos como Zaha Hadid (2016), Frank Gehry (2000), Norman Foster (1983) e Oscar Niemeyer (1998), único brasileiro além de Mendes da Rocha a receber a honraria. +

O Royal Institute of British Architects (RIBA) premiou em 01/02/17 Paulo Mendes da Rocha com a Royal Gold Medal de Arquitetura 2017.
Concedida em reconhecimento ao conjunto da obra, a Royal Gold Medal é dada a uma pessoa ou grupo de pessoas que tiveram uma significativa influência "seja direta ou indiretamente no avanço da arquitetura". Concedida desde 1848, entre os premiados em outros anos estão Zaha Hadid (2016), Frank Gehry (2000), Norman Foster (1983) e Oscar Niemeyer (1998), único brasileiro além de Mendes da Rocha a receber a honraria.
Nascido em Vitória (ES) em 1928, Paulo Mendes da Rocha obteve reconhecimento internacional por sua significativa contribuição à arquitetura. Construiu diversos edifícios culturais notáveis, grande parte inseridos no que se convencional chamar de estilo brutalista, com concreto aparente e acabamentos duros. Em 1957, concluiu sua primeira grande obra, o Clube Atlético Paulistano, que deu seguimento a outros grandes projetos, como a Capela de São Pedro (1987), o Museu Brasileiro de Escultura - MuBE (1988), a Praça do Patriarca (1992-2002), a remodelação da Pinacoteca do Estado (1993) e o Centro Cultura da Fiesp (1997).
Apesar de sua reputação internacional, são poucas as obras de Paulo Mendes da Rocha construídas fora do Brasil, notadamente o Pavilhão do Brasil na Expo '70 em Osaka, Japão, e o Museu Nacional dos Coches (2015) em Lisboa, Portugal.
A presidente do RIBA e presidente do comitê de seleção, Jane Duncan, comentou:
"A obra de Paulo Mendes da Rocha é muito incomum em comparação com a maioria dos arquitetos mais celebrados do mundo. Ele é um arquiteto com uma incrível reputação internacional, no entanto, a maioria de suas obras-primas estão construídas exclusivamente em seu país natal. Revolucionário e transformador, a obra de Mendes da Rocha tipifica a arquitetura do Brasil da década de 1950 - concreto exposto e belamente trabalhado."
Paulo Mendes da Rocha comentou:
"Após tantos anos de trabalho, é uma imensa alegria receber este reconhecimento do Royal Institute of British Architects pelas contribuições que minha obra e experimentos trouxeram ao progresso da arquitetura e sociedade. Gostaria de mandar calorosas saudações a todos aqueles que compartilham de minha paixão, em particular os arquitetos britânicos, e gostaria também de compartilhar este momento com todos os arquitetos e engenheiros que colaboraram em meus projetos."
Dentre as honrarias já recebidas por Paulo Mendes da Rocha estão o Prêmio Mies van der Rohe (2000), o Prêmio Pritzer (2006), o Leão de Ouro da Bienal de Veneza por sua trajetória (2016) e o Prêmio Imperial do Japão (2016).
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Texto originalmente publicado no site “ArchDaily” (www.archdaily.com.br) | 01/02/17.
Foto: Fabio Braga / Folhapress.

Os modernos voltam a se encontrar

Tarsila, Di Cavalcanti, Brecheret, Volpi, Rebolo e Bonadei, entre outros, estão reunidos na nova mostra do MAM +

Um importante ponto de encontro de artistas, críticos, jornalistas que movimentou a história da cultura paulistana está de volta. Setenta anos depois de sua fundação, a Galeria Domus, que impulsionou a arte na metrópole, é lembrada em livro e exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Com a autoria e curadoria de José Armando Pereira da Silva, a edição e a mostra reúnem obras de Tarsila do Amaral, Lívio Abramo, Alfredo Volpi, Mario Zanini. Aldo Bonadei, Tomoo Handa, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Rebolo, entre outros. E documentam também a participação dos críticos Maria Eugênia Franco, Sérgio Milliet, Ciro Mendes e Lourival Gomes Machado, do jornal O Estado de S. Paulo.

A mostra O mercado de arte moderna em São Paulo: 1947-1951, a ser inaugurada no próximo dia 7 de fevereiro, resgata o bom tempo da arte brasileira, quando artistas, críticos, curadores, jornalistas se reuniam para abrir caminhos para a cultura na metrópole. “A Galeria Domus, em seus cinco anos de existência, promoveu 91 exposições, fato que não encontrei registrado em nenhuma obra de história da arte brasileira”, argumenta o curador.


Cultura

- 01/02/2017
Os modernos voltam a se encontrar

Tarsila, Di Cavalcanti, Brecheret, Volpi, Rebolo e Bonadei, entre outros, estão reunidos na nova mostra do MAM
Por Leila Kiyomura - Editorias: Cultura
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Tarsila do Amaral: A obra Santa Irapitinga do Segredo, de 1941 presente na exposição inaugural da Galeria - Acervo Artístico Cultural: Palácios do Governo do Estado São Paulo
Tarsila do Amaral: A obra Santa Irapitinga do Segredo, de 1941, presente na exposição inaugural da galeria – Acervo Artístico Cultural: Palácios do Governo do Estado São Paulo

Um importante ponto de encontro de artistas, críticos, jornalistas que movimentou a história da cultura paulistana está de volta. Setenta anos depois de sua fundação, a Galeria Domus, que impulsionou a arte na metrópole, é lembrada em livro e exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Com a autoria e curadoria de José Armando Pereira da Silva, a edição e a mostra reúnem obras de Tarsila do Amaral, Lívio Abramo, Alfredo Volpi, Mario Zanini. Aldo Bonadei, Tomoo Handa, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Rebolo, entre outros. E documentam também a participação dos críticos Maria Eugênia Franco, Sérgio Milliet, Ciro Mendes e Lourival Gomes Machado, do jornal O Estado de S. Paulo.

A mostra O mercado de arte moderna em São Paulo: 1947-1951, a ser inaugurada no próximo dia 7 de fevereiro, resgata o bom tempo da arte brasileira, quando artistas, críticos, curadores, jornalistas se reuniam para abrir caminhos para a cultura na metrópole. “A Galeria Domus, em seus cinco anos de existência, promoveu 91 exposições, fato que não encontrei registrado em nenhuma obra de história da arte brasileira”, argumenta o curador.
Alfredo Volpi: Paisagem de Itanhaém, década de 1940. 1940 – Pintura: Reprodução
Alfredo Volpi: Paisagem de Itanhaém, década de 1940. 1940 – Pintura: Reprodução

Tanto o livro Artistas na Metrópole, Galeria Domus 1947-1951 como a exposição resultam da pesquisa atenta do jornalista e crítico Pereira da Silva, pós-graduado em Estética e História da Arte no Programa Interunidades da USP. “Meu principal objetivo foi reavivar as vozes daquela época, por meio de notícias, documentos, entrevistas, críticas biografias e memórias, resenhando cada exposição com o olhar contemporâneo.” O historiador buscou revelar os caminhos dos artistas, tentando avaliar até que ponto as escolhas da Domus cumpriram o papel de ser um local de arte moderna. “A pesquisa também reapresenta alguns artistas relegados ao esquecimento, que naquele momento tiveram seu papel e sua hora”, observa. “Certamente o aparecimento da Galeria Domus está em sintonia com um momento da história cultural de São Paulo, quando a cidade se consolida na condição de metrópole com polos dinâmicos de teatro, cinema e música.”
Marco zero da pintura moderna
Galeria Domus foi fundada pelo casal de italianos Anna Maria e Pasquale Fiocca. Estava sediada no térreo do edifício Ana Paula Leite de Barros, na esquina da Praça da República com a Avenida Vieira de Carvalho. “Eles contaram com os empresários da família Matarazzo e outros importantes italianos para introduzi-los no circuito intelectual e artístico e na atividade de tecelagem que iriam desenvolver em paralelo”, conta Pereira da Silva. “O papel estratégico que a galeria desempenhou foi graças à simpatia dos donos em sua sensibilidade e coragem de acolher artistas modernos e apostar nos jovens.”
O público vai ter uma visão desse espaço pioneiro, chamado de “marco zero da pintura moderna” na mostra O mercado de arte moderna em São Paulo: 1947-51, integrada por 72 obras do acervo do MAM. O curador busca resgatar a exposição inaugural de fevereiro de 1948 apresentando, na sala Paulo Figueiredo, os trabalhos de Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Alfredo Volpi e Mario Zanini. Na sequência, é exibido o núcleo dos artistas imigrantes ou estrangeiros de passagem pela cidade, como Samson Flexor, Anatol Wladyslaw, Danilo Di Prete, Bassano Vaccarini, Ernesto de Fiori e Roger Van Rogger.

Em destaque também a mostra especial de Alfredo Volpi, Paulo Rossi Osir, Francisco Rebolo e Mario Zanini que, na época, tinha o objetivo de financiar uma viagem dos quatro à Europa. “Também é recordada uma exposição de 67 artistas para arrecadar fundos em prol da revista Artes Plásticas, que não passou da quarta edição”, lembra Pereira da Silva.

No final do percurso, são apresentados trabalhos de artistas representativos no acervo do MAM que estrearam na Domus, como Raphael Galvez e Emídio de Souza, além do carioca Oswaldo Goeldi, que apresentou seus trabalhos em São Paulo pela primeira vez na casa. Também são expostas seis obras de Lívio Abramo, artista de reconhecimento internacional e que tinha boa presença nas exposições da Galeria Domus. Vitrines com documentos, convites, catálogos, revistas, recortes e fotos cedidos por herdeiros dos proprietários e colecionadores transportam o público à metrópole da década de 1950.

“Hoje, 70 anos após a fundação da Domus, vivemos num mundo muito diferente, com reflexo no campo onde se movimentam críticos e artistas”, observa o curador. “A arte se internacionalizou e ganhou foros e formas naquela época inimagináveis. Talvez um artista sensível como Bonadei tenha intuído as grandes transformações que iriam ocorrer, quando dizia, a seu modo, que no futuro a arte seria filosófica.“
Exposição

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O mercado de arte moderna em São Paulo: 1947-51, curadoria de José Armando Pereira da Silva. Inauguração no dia 7 de fevereiro de 2017, às 20 horas, até 30 de abril de 2017. Sala Paulo Figueiredo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque Ibirapuera, Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3. De terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h); entrada: R$ 6,00 e gratuita aos sábados. Tel.: (11) 5085-1300. Site: www.mam.org.br
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Texto de Leila Kiyomura publicado originalmente no Jornal da USP | 01/02/17

Um dos pioneiros da arte cinética, Sérvulo Esmeraldo morre aos 87

Ele havia sofrido um acidente vascular cerebral e estava internado havia quase duas semanas. +

Um dos pioneiros da arte cinética e autor de obras de geometria e luminosidade singulares, Sérvulo Esmeraldo morreu nesta quarta (01/02/17), aos 87, em Fortaleza. Ele havia sofrido um acidente vascular cerebral e estava internado havia quase duas semanas.
Esmeraldo iniciou sua carreira como ilustrador no jornal "Correio Paulistano", em São Paulo, mas foi morar em Paris na década de 1960, onde teve contato com artistas como o argentino Julio Le Parc e o venezuelano Jesús Rafael Soto, que então davam os primeiros passos na chamada arte cinética, obras calcadas na ilusão do movimento ou com detalhes que de fato se mexem, caso de algumas de suas obras.
Sua série mais célebre, os "Excitáveis", foi criada ainda em seus anos parisienses. Era formada por quadros com pequenas peças de acrílico, que se moviam em contato com a eletricidade estática das mãos do espectador.
Em paralelo, o artista se engajou na luta contra a ditadura no Brasil, tendo atuado no grupo de resistência América Latina Não Oficial, que ajudava refugiados do regime militar.
Sua última mostra em São Paulo foi há dois anos na galeria Raquel Arnaud, onde mostrou novas peças metálicas criadas a partir de projetos de obras criados ao longo das últimas décadas.
Em Fortaleza, o cearense nascido no Crato, no interior do Estado, também chegou a criar grandes esculturas públicas, como o Monumento ao Saneamento da Cidade de Fortaleza. Seu corpo será velado nesta quinta (02/02/17), no Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará.
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Texto de Silas Martí originalmente publicado no jornal “Folha de S. Paulo” | 02/02/17.
Na foto, Sérvulo Esmeraldo em seu ateliê em Paris nos anos 1970. Crédito: Divulgação.

Morre aos 87 anos o artista cearense Sérvulo Esmeraldo

Ele completaria 88 anos no dia 27/2. Última exposição do artista foi na cidade natal, Crato, em 2016. +

Morreu na tarde desta quarta-feira (dia 01/02/17) o artista plástico cearense Sérvulo Esmeraldo. No último fim de semana, ele foi diagnosticado com um quadro de acidente vascular cerebral (AVC). Segundo amigos próximos, o velório deve ocorrer a partir das 8h desta quinta-feira (02/02/17) na capela do Palácio da Abolição, em Fortaleza.
A morte do artista cratense foi confirmada na noite desta quarta pela Secretaria de Cultura do Ceará.
Intitulada "Sérvulo Esmeraldo: A Linha, A Luz, O Crato", foi a última exposição realizada pelo artista. De acordo com amigos, ele estava bastante feliz por sua cidade natal (Crato) receber suas obras. Sérvulo completaria 88 anos em 27/02/17.
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Fonte: texto de Michel Victor originalmente publicado no site G1 (g1.globo.com).
Foto: Heloisa Araújo / Agência Diário.

7 regras para um artista alcançar o sucesso

Talento, planejamento e conhecimento comercial são algumas das habilidades necessárias. +

Talento
Em primeiro lugar o artista precisa ter talento, ele vem de duas maneiras na nossa vida:
Talento natural, é aquele que você já nasce com ele, se você já “nasce” desenhando, pintando, atuando, faz coisas sem ter feito aulas, o autodidata, têm habilidades naturais, conhecida também como dom, e o que pode ser adquirido com o tempo além do talento natural, o talento construído, é o domínio da habilidade natural, você já nasce com o dom da arte, mas precisa aprender a dominar isso, onde você entra numa aula pra aprender ou aprimorar o estilo artístico que você escolheu.

Planejamento
Como um artista independente, você precisa lembrar que além de artista você também é um homem de negócios, você tá gerando compras e vendas, tá vendendo o seu produto e pretende ganhar dinheiro com isso. Você precisa planejar muito bem a sua carreira porque você também tem concorrentes, como qualquer lojista, como qualquer empresário, como qualquer tipo de mercado… E, pra alcançar o mérito do sucesso, você precisa planejar, ter perseverança, acreditar nos seus sonhos e naquilo que você faz.

Público Alvo
Se preocupar com o público alvo. Se você já tem um público fiel ou se você está começando agora no mercado, você ainda não tem um público, mas você precisa medir a capacidade de construir um público, se você é bom o bastante para conquistar um público fiel.

O Mercado
Você precisa estar 100% antenado ao mercado, adquirir conhecimentos, saber a potencialidade do seu estilo e como ele está no mercado naquele momento. As melhores regiões de mercado, analisar galerias, museus, ter a noção de qual o melhor local, cidade ou município pra você se projetar como artista.

Conhecimentos Administrativos
Você precisa ter conhecimentos administrativos, além de artista, você precisa entender que é gerente da própria carreira, saber como funciona o mercado, entender sobre emissões de NF`s, ter um CNPJ pra além de contratos pequenos passar a ter grandes contratos e assim você conseguir subir na sua carreira pra conseguir grandes exposições

Conhecimento Comercial – O Marchand
Marchand, a palavra se refere não só àquele que compra e vende objetos artísticos mas também a um tipo de prestador de serviços que atua na divulgação do artista, podendo representá-lo comercialmente nas relações com galeristas, colecionadores, museus e assemelhados. À maneira de um corretor especializado, esse profissional não realiza a compra ou a venda de objetos. Apenas intermedeia as relações entre o artista e o mercado de arte.
Então, se você não é um bom vendedor o Ideal é ter alguém responsável por vendas, um Marchand, seja um parente, um amigo, não importa quem seja, mas alguém que tenha possibilidade e que goste de vendas, na minha opinião o artista tem que fazer arte, ele precisa de tempo para criar, projetar novos trabalhos enquanto uma pessoa sai na estrada pra vender o seu trabalho o que todo artista precisa ter alguém que venda, um empresário, mas se você é um artista independente e não foi contratado por nenhum empresário, não fechou acordo, você pode montar uma equipe e contratar uma pessoa que faça isso pra você, que venda por você. O conhecimento de vendar é muito importante, porque não adianta você ser um bom artista se você não sabe se vender. Saber diferenciar o valor e preço, saber se valorizar.

O Curador
No decorrer da carreira, você irá precisar de um curador. Crítico, imaginativo, bom escritor e amante dos museus. Essas são algumas características do profissional que atua como curador de arte. Formado em áreas diversas, como história, literatura, filosofia ou comunicação, e especializado na área, o curador é responsável pela preparação, concepção e montagem de exposições.
Seu papel é estabelecer relações entre as obras e fazer com que dialoguem com o público. “É como um técnico de futebol, que escolhe o time, pegando os melhores jogadores para cumprir sua função”.

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Texto de Joy de Paula originalmente publicado no site “Arte|Ref” (http://arteref.com) | 30/01/17.

Residência projetada por Vilanova Artigas em São Paulo é tombada

A representatividade como programa residencial rendeu à obra o título de bem cultural. +

A residência José Mário Taques Bittencourt II, projetada por Vilanova Artigas, concluída em 1962, foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).
Localizada no bairro de Sumaré, em São Paulo (SP), a obra apresenta, segundo o conselho, uma “linguagem do concreto aparente sem revestimentos, separa-se do espaço público com um volume cego e que articula os espaços internos através de planos interligados por rampas e jardim internos”.
Para o órgão, sua representatividade como programa residencial concebido no período de 1956 a 1985, que, dentro do panorama da obra do arquiteto, caracteriza-se pela aproximação ao chamado “brutalismo da Escola Paulista” de arquitetura, rendeu à residência o título de bem cultural de interesse histórico, arquitetônico, artístico, turístico, paisagístico e ambiental.
O conselho destaca ainda a relevância da produção de João Batista Vilanova Artigas para a compreensão da história da arquitetura paulista e pela sua interpretação peculiar dos princípios da arquitetura moderna.
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Texto originalmente publicado no site “ArcoWeb” (https://arcoweb.com.br) | 24/01/17.