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National Portrait Gallery em Washington expõe icônico retrato de Aretha Franklin

Cartaz de 1968, projetado pelo celebrado designer Milton Glaser, será exibido em homenagem à cantora de soul. Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 16/8/2018. +

Aretha Franklin morreu aos 76 anos de câncer no pâncreas, em sua casa, em Detroit, em 16/8/2018. A idolatrada cantora, que ganhou 18 prêmios Grammy e a Medalha Presidencial da Liberdade, foi a primeira mulher a entrar no Hall da Fama do Rock & Roll. Em homenagem ao seu falecimento, a National Portrait Gallery do Smithsonian, em Washington, DC, anunciou uma exposição especial do retrato da cantora e compositora, que será exibida de 17 a 22/8.
O retrato geométrico colorido é do designer gráfico Milton Glaser, famoso por criar o logotipo “I ♥ NY”. O pôster fotolitográfico colorido foi feito para a revista “Eye”, editada pela Hearst Corporation, em 1968, quando Aretha tinha apenas 26 anos. Nesse mesmo ano, Franklin cantou no funeral de Martin Luther King Jr.
“[O retrato] tem uma eletricidade, um ritmo pulsante, que você pode imaginar que a voz dela tinha”, disse à revista “Smithsonian Magazine” Asma Naeem, curadora associada de desenhos, artes e mídia da NPG. “O design de Glaser - desde o padrão, cor, composição e formas, tudo sugere a incrível verve e energia de Aretha Franklin.”
Desde então, Glaser vendeu milhões de reproduções do design, mas o NPG tem um dos originais, retirado das páginas da publicação. O Smithsonian também tem mais de 100 gravações de Franklin parte da coleção do Museu Nacional de História Americana.
Outros artistas que foram inspirados pela Rainha do Soul incluem Andy Warhol, que desenhou a capa do álbum de Franklin de 1986, “Aretha”, seu 34º álbum de estúdio. De acordo com a biografia de 2001, “Aretha Franklin: A Rainha do Soul”. A pintura foi o último trabalho de Warhol antes de sua morte, no início de 1987. A capa do álbum faz parte da coleção do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Lutando contra problemas de saúde desde 2010, Franklin se aposentou oficialmente do ano passado, com uma aparição final na Festa da Fundação Elton John AIDS em Nova York em novembro passado. Ela foi homenageada pelo NPG com o Prêmio Retrato de uma Nação em novembro de 2015, apresentando-se na American Portrait Gala inaugural do Museu.
Entre os maiores sucessos de Franklin estavam “Respect” e “A Natural Woman”. Suas performances memoráveis incluem o lugar de Luciano Pavarotti na ópera “Nessun Dorma” no Grammy Awards de 1998 e cantando na posse em 2009 do ex-presidente Barack Obama.
Na cidade natal de Aetha Franklin, Detroit, o Museu da Motown homenageia sua incrível carreira tocando sua música durante todo o final de semana.
O retrato de Aretha Franklin de Milton Glaser, em 1968, estará em exibição no Smithsonian National Portrait Gallery até 22/8/2018..
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Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 16/8/2018.

Bíblia Medieval retorna à Catedral de Canterbury após 500 anos

A Catedral de Canterbury (Cantuária) comprou uma rara bíblia iluminista que pertenceu a um dos últimos membros da comunidade monástica britânica. Conhecida como “Bíblia de Lyghfield”, devido ao monge "William Lighfyld", o volume foi criado na segunda metade do século XIII e fez parte da coleção da Catedral de Cantuária por muitas décadas antes de ser vendida após a Reforma Protestante. Artigo de Laura Chesters editado em 2/8/2018 no site https://www.antiquestradegazette.com. +

A catedral pagou cerca de 100 mil libras no leilão de Manuscritos e Miniaturas Ocidentais e Orientais da casa de leilões Bloomsbury em 10/7/2018. A compra foi possível com uma concessão do valor pelo National Heritage Memorial Fund às Bibliotecas Nacionais, pelos Amigos da Catedral da Cantuária e a uma doação particular.

A Bíblia foi provavelmente produzida na França e fazia parte de uma coleção de Bíblias no mosteiro medieval de Canterbury, no século 16, e provavelmente já esteve na cidade antes dessa época. Esta cópia é descrita como o “melhor exemplo de um livro completo e iluminado” da coleção de Canterbury.
Quando a comunidade monástica foi dissolvida durante a Reforma Protestante, a biblioteca e a coleção de livros da catedral foram dispersas, com muitos volumes destruídos ou desmontados. Após a sua remoção de Canterbury, passou por várias mãos diferentes ao longo dos séculos.
Durante os séculos 17 e 18 era de um grupo de colecionadores privados, passando pelo negociante de livros Bernard Quaritch no século 19 e por Maggs Bros em 1958.
Foi vendido na Sotheby's em dezembro de 1967 por 850 libras e mais tarde foi propriedade da The Schoyen Collection e abrigado em sua coleção gigante de manuscritos em Oslo, na Noruega.
Cressida Williams, chefe de arquivos e biblioteca da Catedral de Canterbury, disse: “É de extrema importância para nós ter em nossas coleções uma cópia do texto cristão central que pertenceu a um dos últimos monges da comunidade monástica medieval. "A Bíblia testemunha as revoltas da Reforma, uma época que definiu o que a catedral é hoje, e terá um papel fundamental em contar aos visitantes nossa história."
A Bíblia será exibida em uma nova área de exposição sendo desenvolvida na catedral como parte de um projeto chamado The Canterbury Journey. No ano passado, a catedral comprou uma gravura da "Magna Carta de Canterbury", de 1215, depois de ter sido vendida em leilão no The Canterbury Auction Galleries.
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Artigo de Laura Chesters editado em 2/8/2018 no site https://www.antiquestradegazette.com.

Cantor Rod Stewart coloca à venda coleção de móveis e antiguidades

A estrela do rock Rod Stewart disponibilizou para a casa de leilões Sworders, em Essex (Inglaterra), parte de seu mobiliário e antiguidades. A venda acontecerá em 11/9/2018. Artigo de Tom Derbyshire editado em 15/08/18 no site do Antiques Trade Gazette: https://www.antiquestradegazette.com/news/2018/rock-star-rod-stewart-having-a-clear-out-with-the-help-of-an-essex-auction-house/ +

O cantor pop londrino, Sir Rod Stewart (1945), que hoje mora em Essex, consignou parte de seu mobiliário e antiguidades para a casa de leilões local. A seleção de móveis antigos e decorativos será oferecida à venda em 11/9/2018 com preços que variam entre 60 e três mil libras, para assim poder atender a todos os fãs interessados em uma parte da memorabília da estrela do rock.
Os mais de 60 lotes incluem um par de mesas laterais montadas em bronze dourado, estimadas entre dois e três mil libras, uma poltrona de teca, com uma parte traseira de cana e uma almofada de estampa de leopardo falso (entre 250 e 350 libras), um par de espelhos do final do século 19 (entre dois e três mil libras) e um conjunto de quatro luzes de parede de dois ramos de bronze dourado (entre 800 e 1.200 libras).
Stewart, que foi nomeado Cavaleiro no Palácio de Buckingham (Sir) em outubro de 2016, está agora com 73 anos e muito ocupado, como sempre. Em 28/9 lançará seu 30º álbum de estúdio, “Blood Red Roses”.
Nascido em Londres, ele começou sua carreira de fama no Jeff Beck Group. Em 1969, ele se juntou ao grupo Faces. Um colega de banda era Ronnie Wood, da Rolling Stones (aliás, itens da antiga casa do baterista dos Rolling Stones, Charlie Watts, estão sendo oferecidos em um leilão separado no salão Chorley's de Gloucestershire).
Sucesso solo como “Maggie May” (1971) acompanhados por hits do Faces (“Stay With Me”), também foi de 1971, Stewart mudou-se para os EUA em 1975 e tornou-se conhecido por outros sucessos, como “Do Ya Think I ' m sexy?” (1978).
Como para muitos músicos, a década de 1980 foi mais difícil para Stewart, mas na década de 1990, sua voz rouca e rock estava de volta à moda e, em 2004, quando ele gravou quatro volumes da série “Great American Songbook”, ganhou o primeiro prêmio Grammy (melhor álbum vocal pop tradicional) com “Stardust: The Great American Songbook, Volume III”.
De acordo com relatos da mídia, Stewart e sua esposa Penny Lancaster mudaram-se para Durrington House, uma mansão do século 18 em Essex, que eles compraram em 2013. Ele colocou sua antiga casa em Essex, a propriedade Wood House de 25 acres que ele comprou em 1986, à venda.
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Artigo de Tom Derbyshire editado em 15/08/18 no site do Antiques Trade Gazette: https://www.antiquestradegazette.com/news/2018/rock-star-rod-stewart-having-a-clear-out-with-the-help-of-an-essex-auction-house/

Após dois anos ocupando parte do MIS, Paço das Artes irá para Higienópolis

Depois de sair do prédio que pertence ao Instituto Butantan na Cidade Universitária, em 2016, o Paço das Artes irá se fixar no casarão Nhonhô Magalhães, no bairro de Higienópolis. Matéria de Isabella Menon para o jornal "Folha de São Paulo", em 22/08/18. +

Depois de sair do prédio que pertence ao Instituto Butantan na Cidade Universitária, em 2016, o Paço das Artes irá se fixar no casarão Nhonhô Magalhães, no bairro de Higienópolis.

Toninho Sarasá, à frente da restauração do imóvel erguido por um cafeicultor nos anos 1920, diz que o projeto deve ficar pronto entre o final de 2019 e o início de 2020.

Segundo ele, o Paço ocupará um dos cinco andares da casa de 2.500 m², o que tem os cômodos mais amplos e que se interliga ao piso Pacaembu do shopping Pátio Higienópolis, proprietário do imóvel desde 2005.

Uma cláusula do contrato de venda do casarão, que custou ao shopping R$ 19,5 milhões, estipula que parte do imóvel teria de ser cedida ao estado para uso cultural por 20 anos.

Hoje, o Paço ocupa uma parte do Museu da Imagem e do Som. Mas devido ao pequeno espaço —antes eram cerca de 1.000 m² contra os 80 m² dentro do museu da avenida Europa—, algumas exposições aconteceram na Oficina Cultural Oswald de Andrade e no MAC-USP.

O motivo da saída do Paço das Artes da Cidade Universitária é nebuloso. A instituição diz que o Butantan requereu o espaço para abrigar uma fábrica de vacinas.

Mas a nova direção do Butantan —à frente do órgão desde 2017— desmente a justificativa dada à época, afirmando que “não seria possível uma fábrica de vacina ali, pois a estrutura do prédio não permitiria”. Eles não especificam, no entanto, o motivo do despejo do Paço.

Desocupado desde a saída do centro cultural, o prédio passa por reformas há três meses. Segundo o Butantan, a conclusão está prevista ainda para 2018. Ele será usado como área administrativa e terá espaço para exposições —não está definido que tipo de mostras o local abrigará.

A direção do Paço afirma que a saída do prédio na USP causou dificuldades nos últimos anos, como a descontinuidade de projetos, “em função de incertezas quanto ao futuro institucional”.

A instituição, fundada em 1970, foi responsável por lançar nomes de peso na arte contemporânea. O centro cultural nunca teve sede própria e integra a organização social responsável pelo MIS.
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Matéria de Isabella Menon para o jornal "Folha de São Paulo", em 22/08/18.

Violência contra os negros é tema de escultor americano que retorce metais

Embora não ache que suas obras são uma forma de protesto social, embora os temas escolhidos possam facilmente ser enquadrados nessa concepção —linchamento de negros, segregação racial e toda forma de preconceito, Melvin Edwards artista abstrato e primeiro escultor afro-americano ganha sua primeira mostra individual no Masp. Matéria de Danielle Brant publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, em 19/08/18. +

O escultor Melvin Edwards, 81, não acha que suas obras são uma forma de protesto social, embora os temas escolhidos possam facilmente ser enquadrados nessa concepção —linchamento de negros, segregação racial e toda forma de preconceito.

"Expressar-se socialmente no trabalho é natural, nós criamos a sociedade. Meu trabalho é uma expressão social, e não protesto social. Não está limitado a isso, ou você não está prestando atenção ao que está vendo", afirmou, em entrevista à Folha.

O artista abstrato e primeiro escultor afro-americano a expor individualmente no museu Whitney, em Nova York, agora ganha sua primeira mostra individual no Masp.
A partir do dia 24, o museu traz 37 esculturas da série "Fragmentos Linchados", a mais conhecida do artista. Ele virá ao evento.
Nas mãos de Edwards, cuja formação artística se deu na progressista Los Angeles, as obras começam a surgir a partir de um título ou de um tema. O escultor, então, passa a moldar correntes, cadeados, garfos, ferraduras, pás e chaves-inglesas --até que ganhem a forma desejada.
"Se quiser uma interpretação poética, são experimentos quase sempre. Quero mudar as coisas, e elas se desenvolvem conforme vou mexendo."

As obras se espalham por três períodos: início dos anos 1960, com a violência racial nos EUA; começo da década seguinte, dedicado à Guerra do Vietnã; e de 1978 até agora, com uma exploração nostálgica da cultura africana.
"Palmares" (1988) foi baseada nas percepções que o artista teve durante duas viagens que fez ao Brasil dois anos antes. A história por trás do quilombo é evocada por correntes que representavam os escravos fugidos e pela lembrança da mordaça aplicada aos negros escravizados.
"Oyo", de 2010, usa correntes, porcas e lâminas para aludir a um império iorubá, em mais um aceno à africanidade.

A etapa inicial de suas esculturas tem como contexto a luta do movimento afro-americano por direitos civis. E como pano de fundo uma parte da história que choca até hoje: os linchamentos de negros.
Uma de suas peças mais conhecidas, "Some Bright Morning", de 1963, traz lanças, correntes e pedaços de aço retorcidos que rememoram a violência racial na Flórida. A obra, que não virá para a sua mostra agora no Brasil, surgiu depois que Edwards leu a respeito da história no livro "100 Years of Lynchings" (cem anos de linchamentos), de Ralph Ginzburg.

Um caso atraiu atenção na época: a morte do adolescente Emmett Till. Aos 14 anos e em visita ao Mississippi, ele foi brutalmente espancado depois de supostamente assobiar para a mulher branca do dono de uma mercearia. Seu corpo foi jogado em um rio.

No ano passado, esse episódio esteve no centro de uma discussão sobre apropriação cultural. Na Bienal do Whitney, a artista Dana Schutz representou o rosto mutilado do adolescente e foi criticada por ser uma mulher branca se debruçando sobre uma questão dolorosa para os negros.
Para Edwards, qualificar a pintura de Schutz como apropriação cultural é simplismo. "Foi interessante porque trouxe ao público uma lembrança. A maioria não sabia quem era Emmett Till", diz o artista.
Nascido em Houston, no Texas, ele começou a lidar com a segregação racial ainda pequeno, em escolas só para negros. "Não era bom, mas conseguimos transformar a segregação para nosso benefício."

Exposições
Melvin Edwards: Fragmentos Linchados
No Masp, o artista exibe 37 obras da série
Av. Paulista, 1578 - Bela Vista - Tel: 3149-5959
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Matéria de Danielle Brant publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, em 19/08/18.

O dia em que Lina Bo Bardi fez promessas para Adhemar de Barros

“A Lina foi negociar com o prefeito Adhemar de Barros a concessão daquele terreno para o Masp. Ela conta —isso está gravado— que disse a ele que, se cedesse aquele terreno, ela garantiria que os Diários Associados encampassem a campanha dele para governador do estado. Adoram falar que a Lina é a Madre Teresa de Calcutá, mas não é bem assim”, diz Silvana.” Matéria de João Carneiro publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, em 19/08/18. +

Em 1992, o primeiro e mais longevo diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Pietro Maria Bardi, escrevia uma carta sobre a arquiteta —e sua mulher— Lina Bo Bardi. Ela morrera mais cedo no mesmo ano, deixando uma obra cujo símbolo mais conhecido é o museu da avenida Paulista.

“Ao idealizar um projeto, sabia defender suas razões. Eu pude, em tantos anos de companhia, conhecer o seu ponto de vista”, diz o texto. “Era convicta de que a arquitetura podia ser poesia, o que causava às vezes juízos polêmicos. Participava — aliás, quando podia —, colaborava em um projeto, de todos os modos persuadida de que as próprias ideias eram justas, dificilmente cedendo, recolhendo a pecha de intransigente”, continua.

“Teve a sorte de se dedicar a trabalhos que precisavam da sua assistência. Eu a acompanhei na idealização do Masp, sua obra maior, e pude compreender o rigor que colocava no trabalho, cuidando de particularidades geralmente desprezíveis.”
A carta, em italiano, foi escrita por Pietro para orientar o trabalho dos organizadores de um livro sobre a arquiteta. Nunca foi publicada e está hoje conservada no Instituto Lina Bo e P. M. Bo Bardi.

Em novembro deste ano, a “obra maior” de Lina completa 50 anos desde sua inauguração. O museu prepara um seminário e um livro para comemorar o cinquentenário, ao mesmo tempo em que desenvolve um plano de conservação do edifício com uma bolsa de R$ 500 mil que recebeu da Fundação Getty.

O Masp nasceu do encontro entre Pietro, Lina e Assis Chateaubriand, dono do conglomerado de mídia Diários Associados. Pietro, um jornalista e marchand de arte italiano marginalizado em seu país por ter se envolvido com o princípio do regime fascista, chega com Lina ao Rio de Janeiro em 1946. Lá, monta uma exposição de sua coleção. Chateaubriand, que visita a mostra, convida Pietro para dirigir o museu que pretendia criar.

A instituição se instalou no primeiro andar da sede dos Diários Associados, na rua Sete de Abril. Logo se expandiu para o segundo pavimento. E o terceiro. Era hora de buscar um espaço maior que pudesse abrigar a coleção crescente de Chateaubriand.

Antes da elaboração do projeto da avenida Paulista, o empresário conduziu uma negociação com a família Penteado para que o museu se mudasse para o edifício no Pacaembu onde hoje funciona a Fundação Armando Alvares Penteado. Mas o acordo não prosperou. “E o Bardi, que era muito engraçado, primeiro falou que aquele prédio era incrível. Quando não deu certo, disse que jamais queria fazer o museu naquele prédio horrível”, conta a antropóloga Silvana Rubino, que estuda a obra de Lina Bo Bardi.

Finalmente, o grupo obteve da Prefeitura de São Paulo a cessão do terreno que hoje abriga o museu —para isso, travou uma disputa com o Museu de Arte Moderna, que também desejava se instalar no local, um ponto estratégico com vista privilegiada sobre o centro da cidade ao longo do eixo da avenida Nove de Julho.

“A Lina foi negociar com o prefeito Adhemar de Barros a concessão daquele terreno para o Masp. Ela conta —isso está gravado— que disse a ele que, se cedesse aquele terreno, ela garantiria que os Diários Associados encampassem a campanha dele para governador do estado. Adoram falar que a Lina é a Madre Teresa de Calcutá, mas não é bem assim”, diz Silvana.

O edifício foi inaugurado em 1968 com uma visita da rainha Elisabeth 2ª. Não há registros de que Lina tenha comparecido à cerimônia —quem conviveu com a arquiteta afirma que ela não era dada aos eventos da alta sociedade paulistana.

A característica mais marcante da edificação, o vão livre de 70 metros entre os pilares que a sustentam, já deu ao museu a fama de ter o maior espaço vazio deste tipo na América Latina —mas os conhecedores de Lina também dizem que ela teria considerado o recorde uma bobagem.
A explicação mais corrente para a escolha de Lina de suspender o edifício a oito metros do chão é a de que o urbanista uruguaio Joaquim Eugênio de Lima, que doou o terreno à prefeitura ao morrer, teria exigido que se preservasse a vista do belvedere que existia ali. A antropóloga Silvana Rubino discorda, argumentando que Lina já havia desenhado um bloco suspenso para o Museu à Beira do Oceano, projetado em 1951 para São Vicente (SP), mas nunca construído. “Ela fez o museu que quis”, diz Silvana.

Também no interior do edifício Lina aplicou sua visão particular de um museu de arte. Em vez de exibir a coleção de pinturas nas paredes, desenhou os chamados “cavaletes de cristal” —blocos de concreto dentro dos quais são inseridas chapas de vidro em que as obras são penduradas. O objeto dá a impressão de que os quadros flutuam no espaço.

Em sua carta, Pietro comenta a escolha da arquiteta: “Quando, no Masp, se discutiu a apresentação das pinturas, dentro da realidade de um edifício a ser inaugurado, o cimento ainda estava secando. Teve a ideia de distanciar as pinturas da parede, aplicando-as em placa de cristal: um verdadeiro achado museográfico, que recolheu não sei quantas opiniões contrárias”.
Mais tarde, o “achado museográfico” da arquiteta seria o calcanhar de Aquiles de Pietro. Os cavaletes eram criticados por especialistas de arte de formação mais acadêmica, em especial porque deixaram as obras muito expostas à luz.

Em 1990, a imagem do diretor sofreu um duro golpe quando se denunciou uma restauração “amadorística” da pintura “Retrato de Cristoforo Madruzzo”, de Ticiano, que havia deixado uma mancha no centro da obra. A situação era agravada pelos rumores que corriam no mundo da arte de que o diretor do museu teria uma relação com a profissional responsável pelo trabalho.
A crise abriu caminho para uma série de mudanças no Masp ao longo da década de 1990. Pietro saiu da direção e deixou de frequentar o local em 1992. A nova gestão modificou a pinacoteca, instalando paredes para proteger as obras da luz. Pietro se decepcionou quando visitou o museu e constatou a mudança: “Eles não entenderam nada. Era mesmo hora de eu ir embora”, disse, segundo a ex-secretária do Masp Eugênia Gorini Esmeraldo.

Eugênia conta ainda que Pietro “quase morreu” ao saber que as pedras São Tomé que revestiam o chão do subsolo do museu haviam sido trocadas por placas de granito, no final dos anos 1990. Ele morreria de fato em 1999.

Nos anos que se seguiram, o museu entrou em uma grave crise, acumulando uma dívida que foi estimada em R$ 12 milhões em 2014. Naquele ano, o conselho da instituição elegeu Heitor Martins como diretor-presidente, em uma virada que deu início ao saneamento das finanças do museu e à recuperação do projeto original de Lina Bo Bardi. No final de 2015, os cavaletes de cristal voltaram à pinacoteca.

Em 2017, o Masp recebeu a bolsa de R$ 500 mil da Fundação Getty que permitiu a formação de uma equipe, capitaneada pelo arquiteto Silvio Oksman, para estudar a estrutura do edifício e propor um plano de conservação. O grupo tenta recuperar as informações que se perderam com o desaparecimento de parte das plantas da construção em um incêndio no escritório do engenheiro Figueiredo Ferraz.

No momento, o Masp se prepara para resolver um de seus últimos imbróglios: o edifício vizinho, de sua propriedade, onde já planejou um anexo nunca concretizado —parte do projeto era uma torre de 125 metros que, por sua altura e formato, foi apelidada pelo ex-secretário da Cultura Emanoel Araújo de “pirocão”.

Os arquitetos do museu já realizaram um novo projeto para o imóvel. Pediram recentemente a autorização dos órgãos de patrimônio para realizar sua ligação com o edifício principal. Ainda não há previsão para o início da expansão, cujo objetivo é dar ao museu cinquentenário as condições de se equiparar a instituições semelhantes em outras metrópoles do mundo.
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Matéria de João Carneiro publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, em 19/08/18.

Justiça proíbe menores de 14 anos na ‘Queermuseu’

A Justiça aceitou pedido do Ministério Público e proibiu a entrada de menores de 14 anos na exposição “Queermuseu”. A decisão, do juiz Pedro Henrique Alves, da 1º Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, tem base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e entende que a mostra “apresenta nudez e conteúdo sexual”. Matéria publicada no jornal "O Globo", em 18/08/18. +

A Justiça aceitou pedido do Ministério Público e proibiu, ontem, a entrada de menores de 14 anos na exposição “Queermuseu”, que será aberta ao público hoje, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A decisão, do juiz Pedro Henrique Alves, da 1º Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, tem base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e entende que a mostra “apresenta nudez e conteúdo sexual”. O magistrado autorizou, no entanto, a entrada de jovens com 14 e 15 anos, desde que estejam acompanhados por responsáveis. Pessoas acima de 16 anos terão acesso livre.

A multa pelo não cumprimento da medida é de R$ 50 mil por dia para os organizadores. Segundo o juiz, a decisão visa a “resguardar o melhor interesse de crianças e adolescentes”, a fim de “atender o pleito em conformidade com o princípio da razoabilidade”.

O Ministério Público instaurou um inquérito civil recomendando aos organizadores afixar, em lugar visível, informações sobre o conteúdo da mostra, que apresenta cenas de nudez e sexo. A classificação etária e a natureza do evento também devem constar em todos os meios de divulgação da exposição.

Na semana passada, após reunião com o MP, o diretorpresidente do Parque Lage, Fabio Szwarcwald, anunciou que a classificação indicativa seria de 14 anos e que jovens abaixo desta idade não entrariam desacompanhados dos pais. A lei não prevê parâmetros de classificação etária para artes visuais, ficando a cargo das instituições estabelecerem a própria indicação. Szwarcwald decidiu incluir a idade de 14 anos nos cartazes.
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Matéria publicada no jornal "O Globo", em 18/08/18.

Extrema-direita italiana quer censurar cartaz de Marina Abramović

A artista plástica Marina Abramović criou um cartaz para um evento italiano de vela, mas a extrema direita quer censurá-lo como "propaganda política. Texto de Sarah Cascone para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 13/08/2018. +

Pode um cartaz de Marina Abramović criado para a regata de Barcolana, em Trieste, na Itália, ser demasiado político? O desenho, revelado em julho, mostra a artista acenando uma grande bandeira branca dizendo “Estamos todos no mesmo barco”.

Agora, o cartaz está sob o fogo do vice-prefeito de Trieste, Paolo Polidori, do partido de extrema-direita Lega, por se assemelhar à imagem comunista do Mao Tsé-Tung da China - e por sua percepção da mensagem pró-imigração.
“É inaceitável, de mau gosto, imoral fazer propaganda política a partir de um evento, o Barcolana, que pertence a toda a cidade”, escreveu Polidori no Facebook, conforme relatado pelo “Art Newspaper”.

Fundada em 1969, a regata, que acontece na costa de Trieste de 5 a 14 de outubro, é um dos maiores eventos de vela do mundo, com cerca de 2.000 barcos. Todos os anos, o Barcolana encomenda a um artista diferente o cartaz do evento. A criação de Abramović, uma colaboração com a marca de café Illy, representará a 50ª edição da regata.

De acordo com Barcolana, a mensagem do cartaz pretende "enfatizar um aspecto simples, mas crucial: mesmo em barcos diferentes, quando competimos pelo melhor resultado, navegamos no mesmo planeta, que precisa ser protegido e protegido diariamente".

Não é o ambientalismo que ofende Polidori, no entanto. Ele vê um significado diferente, que condena a recente decisão do partido Lega, anunciada pelo ministro das Relações Exteriores e líder partidário Matteo Salvini, de fechar os portos italianos aos navios de resgate de imigrantes.
O slogan do cartaz é, sem dúvida, de solidariedade, mas não é muito difícil sugerir que Abramović possa querer que os espectadores sejam mais solidários com os migrantes, dada a atual crise de refugiados. Mesmo a regata em si não descartou que o cartaz possa ter outros significados. "Todos darão sua própria interpretação do conteúdo", disse o presidente do Barcolana, Mitja Gialuz, em um comunicado no momento da apresentação do cartaz.

Polidori pediu a proibição do uso do cartaz e exigiu que ele fosse removido de todos os convites e materiais promocionais para a regata. Se suas exigências não forem atendidas, disse Polidori ao “La Repubblica”, o conselho da cidade retiraria seu financiamento de € 30 mil euros ao evento.
Se os esforços de censura de Polidori foram ou não bem-sucedidos, ainda não está claro. De acordo com o “Art Newspaper”, o político recentemente escreveu no Facebook que “o cartaz é um trabalho horrível e enganadoramente político, não estará presente no território de Trieste.” A regata enviou ao vice um comunicado de imprensa insistindo que, pelo contrário, o pôster não está sendo censurado e será usado como planejado.

No momento da publicação, Abramović não respondeu à solicitação da “Artnet News” para comentários.
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Texto de Sarah Cascone para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 13/08/2018.

Mostra é marcada por falta de espaço e de artistas queer

A coragem da EAV ao abrigar “Queermuseu” nos per- avaliar a mostra como projeto artístico. Apesar de reunir um conjunto de boas obras, a primeira sensação é a de que ela chega ao Rio dividida em universos distintos. O problema da exposição é ainda parecer uma exposição diretamente ligada à história da arte em Porto Alegre, com artistas de outras regiões orbitando em torno deste eixo. Artigo de Daniela Name publicada originalmente no jornal “O Globo”, em 20/08/18. +

A abertura de “Queermuseu — Cartografias da diferença” entra para a História como o momento em que a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e a população do Rio de Janeiro se levantaram contra a censura e a onda de intolerância que açoda o país. O financiamento coletivo para realizar o projeto, depois de seu fechamento abrupto pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, afirma a liberdade de expressão e o poder transformador da arte. Não é um feito irrelevante.

A coragem da EAV ao abrigar “Queermuseu” nos per- avaliar a mostra como projeto artístico. Apesar de reunir um conjunto de boas obras, a primeira sensação é a de que ela chega ao Rio dividida em dois universos distintos: as Cavalariças, que sediam a exposição original, assinada por Gaudêncio Fidélis; e o palácio da escola, onde ocorrem as ações do projeto educativo concebido pelo curador da EAV, Ulisses Carrilho.

Nas Cavalariças, a exposição, com 214 obras e 82 artistas, é bastante prejudicada por três problemas. O primeiro é espacial: não há área para tantas peças, o que resulta em um abarrotado gabinete de curiosidades. Isso fica claro na montagem de “Cena do interior II” (1994), de Adriana Varejão, que fica apertada no canto de uma parede, sem uma interlocução potente com os trabalhos próximos. A pintura merecia destaque e frontalidade, não apenas pela importância na história da arte recente, mas como uma resposta aos ataques que ela sofreu de fundamentalistas. Já “Eu e tu” (1967), de Lygia Clark, é apresentada em manequins, revelando uma incompreensão de que esta obra não é formada por objetos, e sim experiências. O adequado seria oferecer as roupas sensoriais para o uso do público.

FRESCOR VEM DO EDUCATIVO

O segundo problema de “Queermuseu” é ainda parecer uma exposição diretamente ligada à história da arte em Porto Alegre, com artistas de outras regiões orbitando em torno deste eixo. Seria possível preservar toda a lista de nomes do projeto original, revendo o número de obras de cada um. A presença de gaúchos como Fernando Baril e Telmo Lanes soa exagerada, e o excesso de uns enfatiza a ausência de outros. Fazem falta, no conjunto da exposição, artistas que abordam diretamite mente corpo e/ou gênero e/ ou sexualidade, caso de Márcia X, Victor Arruda, Alex Vallauri, Letícia Parente e Hélio Oiticica. Mas a maior ausência é a de artistas trans e de trabalhos que discutam os estados de fluidez e metamorfose de gênero de forma contundente.

É este o terceiro e maior problema da mostra principal: falta “queer” ao “Queermuseu”. Além das omissões, sobretudo as que atravessam as mulheres, é difícil compreender algumas presenças, a despeito da imensa qualidade das obras. Por que “Ilhas”, de Maurício Ianês, e “Galáxias”, de Montez Magno, estão ali? Na leitura dos textos escritos para o catálogo do Santander, Fidélis aborda um escopo de questões que vai do conceito de informe ao passado colonial brasileiro. E é esta abordagem dispersa em tão múltiplos aspectos que desvia a curadoria de seu eixo central, tornando-o vazio.

A ausência “queer” nas Cavalariças é parcialmente compensada pelo projeto educativo de Ulisses Carrilho. A mediação é toda do universo LGBTQI, formada por gays, lésbicas, não binários e pessoas que fizeram a transição de gênero. Elas recebem o público exibindo em seus corpos a indisciplina do desejo. Na abertura, um sarau e performances levaram pulsação e frescor ao Parque Lage. Ainda no segmento educativo, chamam atenção trabalhos de Matheusa, artista não binária assassinada por ser quem era. Uma presença-ausência dolorida e mobilizadora. Também serão importantíssimos os debates que a EAV vai realizar enquanto “Queermuseu” estiver em cartaz. Eles poderão aquecer a discussão que a mostra nas Cavalariças perdeu a oportunidade de realizar profundamente.
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Artigo de Daniela Name publicada originalmente no jornal “O Globo”, em 20/08/18.

Uma Nova Chance

Seis mil pessoas passaram pela exposição “Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” no Parque Lage, no Rio, entre sábado, 18, e domingo, 19. A mostra abriu depois de ficar apenas 26 dias em cartaz em Porto Alegre no ano passado, de ser censurada pelo prefeito carioca, Marcelo Crivella, e de mobilizar a classe artística da cidade em torno de um financiamento coletivo. Matéria de Renata Batista publicada originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”, em 20/08/18. +

Cerca de 6,8 mil pessoas passaram pelas três salas da exposição “Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” no Parque Lage, no Rio, entre sábado, 18, e domingo, 19. A mostra, censurada em Porto Alegre no ano passado, abriu sua versão carioca neste sábado e fica por um mês no espaço.

De acordo com o diretor da Escola de Artes Visuais (EAV), Fábio Szwarcwald, por enquanto, a proibição de ingresso de menores de 14 anos, mesmo acompanhados pelos pais, se mantém. Os organizadores apresentaram recurso, no entanto, não conseguiram derrubar a decisão.

No primeiro dia, cerca de 40 manifestantes de movimentos como Brasil Livre (MBL), Liga Cristã e Templários da Pátria protestaram contra a exposição. A mostra abriu no Parque Lage depois de ficar apenas 26 dias em cartaz em Porto Alegre no ano passado, de ser censurada pelo prefeito carioca, Marcelo Crivella, e de mobilizar a classe artística da cidade em torno de um financiamento coletivo.

Na cerimônia de abertura da exposição, o curador Gaudêncio Fidelis acusou o MBL de criar uma farsa contra o evento. Segundo ele, por trás das manifestações “reside um movimento obscurantista com pretensões eleitorais”.

“É uma investida fascista e fundamentalista, que cresce no País e ameaça as liberdades. A abertura da exposição é uma das maiores derrotas para o fascismo” disse.

Para ele, o legado da mostra é reabrir o debate que foi negado por grupos fascistas e pelo cancelamento da mostra em Porto Alegre. “Impedir o acesso ao conhecimento não é uma alternativa. Só os covardes fazem isso”, criticou. “Diante da censura não cabia outra coisa se não acreditar que o futuro reservava para nós a vitória.”

A exposição ficará no Rio apenas por um mês, período correspondente ao tempo em que ficou fechada no Sul. Ainda não há convites para levar para outras cidades.

“O Rio de Janeiro está de parabéns porque, historicamente, sempre esteve à frente dos movimentos de vanguarda e porque representa bem a diversidade. Mas essa não é uma vitória apenas para o Rio. É uma vitória para toda a sociedade brasileira”, disse Fidelis, que a todo momento fazia o sinal de vitória.

Acompanhado pelos dois filhos menores de 14 anos – que estiveram na cerimônia, mas não puderam entrar na exposição, em cumprimento da decisão judicial –, o diretor Szwarcwald disse que a mostra reafirma o comprometimento da instituição com a liberdade de expressão.

“O prefeito disse que a exposição aconteceria no fundo do mar”, lembrou. “Não estamos em Atlântida, e ela vai acontecer aqui”, declarou. Protesto. Mesmo com o clima de vitória dos organizadores, houve uma pequena manifestação contrária à exposição. O publicitário Marlom Aymes, do grupo Templários da Pátria, disse no sábado estar no Parque Lage para proteger os manifestantes conservadores.

Segundo ele, o grupo foi criado há cerca de quatro meses para cuidar da segurança “contra os ataques da esquerda nas manifestações”. “Não estamos contra as pautas LGBT, mas contra algumas obras da exposição que incentivam a pedofilia, pregam o vilipêndio religioso”, declarou. “O Templário é um grupo de segurança, não podemos pregar a violência, mas se houver, precisamos nos defender”, disse ainda.

A candidata a deputada estadual pelo PSOL, Carol Quintana, discutiu com vários manifestantes, mas disse não temer a violência. “Tem muita mídia. Eles estão contidos e controlados. Mas não podemos ser silenciados por esse tipo de manifestação”, disse.

O próprio Fábio Szwarcwald disse que protestos contra a Queermuseu já eram esperados e, dentro dos limites da liberdade de expressão, fazem parte da democracia.

Segundo ele, além dos seguranças do Parque Lage, a exposição conta com uma equipe de segurança privada extra e câmeras de segurança.

Ele informou ainda que estão recorrendo contra a proibição de ingresso de menores de 14 anos mesmo acompanhados pelos pais. Para ele, essa não era a orientação do Ministério Público do Rio.

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Matéria de Renata Batista publicada originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”, em 20/08/18.

Universidade de Indiana edita modelos 3D de tesouros da Galleria Uffizi

A parceria entre a universidade norte-americana e o museu italiano permitiu a digitalização e catalogação de centenas de obras renascentistas da instituição florentina, que agora estão acessíveis a todos os interessados on-line. Artigo de Henri Neuendorf para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 14/8/2018. +

O site recém-lançado, que foi apresentado em uma cerimônia em Florença, permite que qualquer pessoa com acesso à Internet possa ver e estudar a coleção de nível mundial da Galleria Uffizi.
Desde que o projeto foi anunciado em 2016, a Universidade de Indiana registrou em 3D mais de 300 artefatos, fragmentos e esculturas sob a direção do professor de informática da Universidade de Indiana e especialista em arqueologia virtual Bernhard Frischer.
Os trabalhos on-line incluem 61 estátuas escaneadas e digitalizadas por estudantes no armazém do museu em Villa Corsini, onde as lojas Uffizi funcionam e não estão expostas em suas galerias.
A digitalização não apenas torna a notável coleção da Galeria Uffizi acessível a milhões de pessoas, mas também fornece registros de restauração em 3D para o banco de dados interno de conservação do Ministério da Cultura italiano. “À medida que cumprimos as metas estabelecidas neste projeto inédito e enormemente ambicioso, a inauguração do novo site marca um primeiro grande marco em uma colaboração que gerará oportunidades incomparáveis com o engajamento acadêmico com materiais abrigados em uma das galerias mais refinadas do mundo. O presidente da Indiana University, Michael A. McRobbie, disse em um comunicado: "Estou muito satisfeito com o progresso do nosso trabalho neste projeto de cinco anos, tanto em termos de quantidade e qualidade", acrescentou Frischer. "Estamos na metade do projeto e estamos prontos para concluir o trabalho, como previsto, em 2020".
Abaixo estão alguns dos destaques da coleção que agora podem ser estudados online.
Os Lutadores (I século DC)
A escultura em mármore romano de dois jovens competindo em uma luta livre é considerada o exemplo de melhor qualidade de uma cópia romana de um bronze helenístico.
Apolino (II século DC)
Também conhecido como “Apolo de Medici”, a escultura de mármore romano da divindade adolescente Apolo fazia parte da ilustre Coleção Borghese e mais tarde decorou a residência romana do Grão-Duque da Toscana Cosimo III de Medici. É um dos mármores romanos mais copiados devido às suas proporções e expressividade refinadas.
Laocoonte (circa 1525 dC)
Uma das esculturas mais famosas da coleção Uffizi, a interpretação de Laocoonte e seus filhos, feita por Baccio Bandinelli, destaca-se pelo manuseio perito do mestre artesão do material demonstrado pelo estranho senso de movimento do sujeito. A estátua foi encomendada pelo Papa Leão X como um presente ao rei Francisco I da França, abrangendo a criação da arte renascentista; um poderoso patrono comissiona um mestre escultor para criar uma versão atualizada de um tema escultural bem conhecido para um público contemporâneo.
Vênus de Medici (data desconhecida)
A escultura de mármore helenística, provavelmente uma cópia de uma estátua de bronze da divindade grega, tornou-se um ponto de referência para a progressão da tradição artística ocidental. Representa Vênus em estado de surpresa, reagindo a algo ao seu redor, talvez o golfinho que surge ao lado dela a seus pés.
Grade Vaso de Medici (I século dC)
De pé a mais de 5 metros de altura, este vaso monumental esculpido em Atenas na segunda metade do I século dC mostra uma série de divindades gregas que adornam seus lados, incluindo a Ifigênia semi-drapeada sentada abaixo de Diana, e dois guerreiros de cada lado dela, possivelmente Agamenon e Aquiles ou Ulisses. Como o próprio nome sugere, a peça decorou os jardins da Villa Medici. Nos tempos antigos, seria necessário imensa habilidade para esculpir um vaso intrincadamente decorado nesta escala sem comprometer sua estabilidade.
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Artigo de Henri Neuendorf para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 14/8/2018.

Dom Pedro II (Rio de Janeiro, 1825 – Paris, 1891), um entusiasta da fotografia

Para comemorar o Dia Mundial da Fotografia, 19/8, um artigo sobre a relação do imperador Dom Pedro II e essa fascinante técnica de produção de imagens. Texto editado no site http://brasilianafotografica.bn.br/?p=7183 em 2/12/2016. +

Dom Pedro II foi um entusiasta da fotografia, seja como mecenas seja colecionador. Foi o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo, e, provavelmente, o primeiro fotógrafo nascido no Brasil. Devido ao seu interesse no assunto, implantou e ajudou decisivamente o desenvolvimento da fotografia no país. Sua filha, a princesa Isabel (1846-1921), foi, inclusive, aluna do fotógrafo alemão Revert Henrique Klumb (c. 1826- c. 1886). Ao ser banido do país, em 1889, pelos republicanos, Pedro II doou à Biblioteca Nacional a coleção de cerca de 25 mil fotografias, que então denominou, juntamente com a coleção de livros, de Coleção Dona Theresa Christina Maria. Segundo Pedro Vasquez, essa coleção é, até hoje, “o mais diversificado e precioso acervo dos primórdios da fotografia brasileira jamais reunido por um particular, e tampouco por uma instituição pública”.
A velocidade com que a notícia do invento do daguerreótipo chegou ao Brasil é curiosa: em 7 de janeiro de 1839, na Academia de Ciências da França, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, um processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851); cerca de 4 meses depois, foi publicado no Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1839, sob o título “Miscellanea”, na segunda coluna, um artigo sobre o assunto – apenas 10 dias após de ter sido assunto de uma carta do inventor norte-americano Samuel F. B. Morse (1791 – 1872), escrita em Paris em 9 de março de 1839 para o editor do New York Observer, que a publicou em 20 de abril de 1839.
O interesse de dom Pedro II pela fotografia teve quase a mesma idade do próprio daguerreótipo: menos de um ano após o anúncio oficial da invenção, feito por François Arago, em 19 de agosto de 1839, na França, ele, aos 14 anos, adquiriu o equipamento, em março de 1840, mesmo ano em que o abade francês Louis Comte (1798 – 1868) apresentou-lhe o invento, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna; e de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna).
Por sediar o Império, o Rio de Janeiro foi a capital da fotografia no Brasil. O imperador foi retratado por diversos fotógrafos, dentre eles Marc Ferrez (1843-1923) e Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), tendo conhecido praticamente o trabalho de todos eles. A fotografia passou a ser o instrumento de divulgação da imagem de dom Pedro II, “moderna como queria que fosse o reino”, segundo comenta Lilia Moritz Schwarcz no livro As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, e tornou-se também mais um símbolo de civilização e status.
Foi um dos primeiros monarcas a oferecer seu real patrocínio a um fotógrafo, juntamente com a rainha Victoria da Inglaterra (1819 – 1901), quando, em 1851, permitiu que Buvelot & Prat, que haviam realizado uma série de daguerreótipos de Petrópolis – todos desaparecidos – usassem as armas imperiais na fachada de seu estabelecimento fotográfico.
Dom Pedro II governou o Brasil de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém”. Em seus quase 50 anos de governo – só superados pelas rainhas Vitória (1819 – 1901) e Elizabeth II (1926 -), ambas da Inglaterra – o tráfico e a escravidão foram abolidos, a unidade do Brasil foi consolidada, as principais capitais brasileiras se modernizaram, a ciência e a cultura se desenvolveram. Sinais, sobretudo estes últimos, de um reinado que, não obstante o conservadorismo escravista dominante, perseguiu sempre uma pauta liberal, humanista e civilizatória.
Em seu diário de 1862, Pedro II declarou: “Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, a ocupar posição política, preferia a de presidente da República ou ministro a imperador”. De fato, no século XIX, muito do que se fez no Brasil nos campos das letras e das ciências deveu-se a ele, um dos monarcas mais eruditos de sua época.

Abaixo, lista dos Fotógrafos Imperiais, na ordem cronológica em que foram agraciados com este título, segundo Guilherme Auler, sob o pseudônimo de Ricardo Martim, em dois artigos publicados na “Tribuna de Petrópolis”, em 1º e 8 de abril de 1956, segundo o livro “O Brasil na Fotografia Oitocentista”, de Pedro Vasquez:

Buvelot & Prat, título concedido em 8 de março de 1851 (província do Rio de Janeiro)
Joaquim Insley Pacheco, título concedido em 22 de dezembro de 1855 (província do Rio de Janeiro)
João Ferreira Villela, título concedido em 18 de setembro de 1860 (província de Pernambuco)
Revert Henrique Klumb, título concedido em 24 de agosto de 1861 (província do Rio de Janeiro)
Stahl & Wahnschaffe, título concedido em 21 de abril de 1862 (província do Rio de Janeiro)
Diogo Luiz Cipriano, título concedido em 20 de setembro de 1864 (província do Rio de Janeiro)
Antonio da Silva Lopes Cardoso, título concedido em 30 de novembro de 1864 (província da Bahia)
Tomas King, título concedido em 18 de maio de 1866 (província do Rio Grande do Sul)
José Ferreira Guimarães, título concedido em 13 de setembro de 1866 (província do Rio de Janeiro)
Fernando Starke, título concedido em 14 de dezembro de 1866 (província de São Paulo)
José Tomás Sabino, título concedido em 13 de agosto de 1873 (província do Pará)
Henschel & Benque, título concedido em 7 de dezembro de 1874 (província do Rio de Janeiro)
Antonio Henrique da Silva Heitor, título concedido em 2 de março de 1885 (província do Rio de Janeiro)
Juan Gutierrez de Padilla, título concedido em 3 de agosto de 1889 (província do Rio de Janeiro)
Ignácio Mendo, título concedido em 6 de agosto de 1889 (província da Bahia)

Apesar de não estarem na lista de Auler, os fotógrafos Mangeon & Van Nyvel, radicados no Rio de Janeiro, e Luiz Terragno, do Rio Grande do Sul, também anunciavam esse título e as armas imperiais no verso de suas fotografias. Já Marc Ferrez foi o único com a distinção de Fotógrafo da Marinha Imperial. Seis fotógrafos estrangeiros também foram agraciados com o título de Fotógrafos Imperiais: o francês Alphonse Liebert, o português Joaquim Coelho da Rocha, o austríaco Guilherme Perimutter, os tchecos Franz Piedrich e Charles Molock; e o italiano Francesco Pesce.
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Texto editado no site http://brasilianafotografica.bn.br/?p=7183 em 2/12/2016.

Como os museus devem apresentar aspectos problemáticos do passado?

Um estudo de caso. Os funcionários do Museu de Belas Artes de São Francisco (EUA) começaram a planejar a exposição “Casanova: A Sedução da Europa”, eles não poderiam prever que as hashtags de duas palavras acionariam um despertar nacional sem precedentes em relação ao assédio e agressão sexual. Artigo de Cynthia Durcanin editado no site Artnews em 13/8/2018. http://www.artnews.com/2018/08/13/casanova-case-study-art-museums-present-problematic-aspects-past/ +

Em 2014, quando os funcionários do Museu de Belas Artes de São Francisco (EUA) começaram a planejar a exposição “Casanova: A Sedução da Europa”, eles não poderiam prever que as hashtags de duas palavras acionariam um despertar nacional sem precedentes em relação ao assédio e agressão sexual.
Quatro meses depois que o #MeToo fez sua estréia online no outono passado, a instituição lançou uma exposição dedicada a Giacomo Casanova, o aventureiro do século XVIII cujo comportamento com as mulheres, como ele descreveu, em alguns casos, é entendido hoje como agressão sexual.
Embora o programa, que estreou em fevereiro e fechou em maio, fosse menos sobre sua conduta sexual e mais sobre os ideais e inclinações de sua época, o momento escolhido aparentemente não poderia ter sido pior. Ou talvez não pudesse ter sido melhor?
De certa perspectiva, a exposição “Casanova” forneceu uma plataforma oportuna para lidar com um dilema enfrentado por todas as instituições de arte: como apresentar obras historicamente significativas cujo conteúdo (ou criadores) estão fora de sincronia com os costumes sociais atuais.
No momento em que os museus cancelam shows de artistas que enfrentam alegações de comportamento sexual inadequado, como Chuck Close e Thomas Roma, o museu apresentou o programa como uma oportunidade para falar sobre poder, riqueza, identidade, auto-invenção e mídias sociais.
Ao envolver o passado de Casanova, o museu encontrou um equilíbrio entre reconhecer suas realizações extraordinárias e suas ações indefensáveis. Historiadores da arte, acadêmicos e críticos foram convidados a liderar uma série de discussões públicas, para fornecer contexto e críticas, com alguns questionando a decisão do museu de sediar a exposição de mais de 200 itens, incluindo uma deslumbrante seleção de pinturas de Canaletto, Boucher e Fragonard, além de artes decorativas, móveis e fantasias da época. Quem foi Casanova? Um homem de talentos arrebatadores, ele se levantou de uma humilde criação em Veneza para se reinventar como diplomata, soldado, advogado, inventor, violinista, escritor, apostador e espião. Conhecia a todos e ia a todos os lugares, viajando mais de 40.000 milhas de Moscou a Madri, principalmente por diligência, algo inédito no século XVIII.
Através das lentes de sua vida, a exposição, que se mudou para o Museu de Belas Artes em Boston no mês passado, traz a Era do Iluminismo à vida, uma época em que novas ideias floresceram na Europa sobre filosofia, ciência e arte. liberdade e sexo.
"Casanova é uma figura complicada. Havia coisas que ele fez em sua vida que eram escandalosas, certamente ilegais em nosso clima atual", disse a curadora de pinturas européias Melissa Buron, que organizou a mostra. “Mas eu não acho que se deva reescrever a história, especialmente um museu.” Essa história inclui incidentes descritos por Casanova em um livro de memórias publicado postumamente que sob a lei contemporânea constituiria estupro, e suas vítimas incluíam garotas que são agora classificados como menores. Por um período, ele foi preso por "ultrajes públicos contra a religião sagrada".
"Eu tenho lutado para que as instituições tenham esse tipo de movimento, que pode acontecer em alguns casos", disse Monica Westin, uma crítica de arte e instrutora de artes no California College of the University of California. Arts. "Estou bastante interessada neste modelo. Os museus estão repletos de trabalhos que são problemáticos em muitas frentes para o público atual, mas não podem ser simplesmente descartados ", argumentou Westin. “Eles fazem parte de todo um conjunto de histórias e entendimentos sobre o mundo que herdamos e com o qual devemos lidar.”
“A realidade dessa história não é algo que possa ser mudado”, disse Max Hollein, ex-diretor e CEO do Museu de Belas Artes de São Francisco que, desde a entrevista, foi nomeado diretor do Metropolitan Museum of Art, em Nova York. "Você pode amplificar certos aspectos da narrativa", disse Hollein. “Por exemplo, as galerias de arte americanas do século XIX retratam, basicamente, uma perspectiva específica sobre o desenvolvimento não apenas da arte americana no século XIX, mas também de como esse país se desenvolveu. É claramente a perspectiva dos colonos brancos. Um nativo americano e seus ancestrais certamente têm uma maneira muito diferente de ler essas pinturas, e eu acho que, até certo ponto, vem com a compreensão deles de que a arte não necessariamente diz a verdade. É mais como uma perspectiva particular sobre coisas que podem desafiar você, mas a arte não é a verdade ”.
Citando um de seus filmes favoritos, “Rashomon” (1951), de Akira Kurosawa, Hollein sugeriu que a arte não pode ter uma interpretação única e categoricamente correta. "O filme é basicamente uma história em particular sendo contada quatro vezes por pessoas diferentes", disse ele. "É sempre a mesma história, mas cada pessoa tem uma maneira muito diferente de narrar, então se torna uma nova história."


Uma possível abordagem para uma exposição pode ter sido enquadrar a história através das histórias das mulheres dos tempos de Casanova. "Esta certamente seria uma estratégia para lidar com os desequilíbrios históricos de poder que muitas vezes posicionaram as mulheres como objetos e sujeitos", disse Westin.
O desafio é que, com algumas exceções, incluindo Catarina, a Grande e Madame Pompadour, ambas incluídas na exposição, poucas mulheres no tempo de Casanova relataram seu mundo de maneiras que foram transmitidas.
Casanova, por outro lado, escreveu o seu livro de memórias, “História da Minha Vida”, de cerca de 3.700 páginas. "Isso é o que sobreviveu aos tempos, e temos que olhar para isso a partir desse quadro documental", disse Hollein.
O livro de memórias oferece um fascinante ponto de entrada nos tempos opulentos e intelectualmente carregados do escritor e relata os encontros de Casanova com pessoas como Voltaire, Rousseau, Benjamin Franklin, Samuel Johnson, Rei George III, o Papa Clemente XIII, Madame de Pompadour e Catarina, a Grande. . "Faz sentido que ele seja o guia turístico e narrador", disse Katie Getchell, vice-diretora do Museu de Belas Artes de Boston, embora reconhecendo a necessidade de preencher o vazio de vozes desaparecidas.
Para complementar a exposição, a MFA está oferecendo uma ampla gama de programação que inclui a autora Lindy West, que falará sobre a política do romance em um mundo #MeToo, uma performance do escritor nigeriano-americano Obehi Janice, e uma série de filmes apresentando figuras proeminentes do sexo feminino, como a juíza Ruth Bader Ginsburg no recente documentário sobre sua vida, RBG.
A mesma abordagem se estendeu à loja de presentes. "Decidimos tentar algumas coisas novas", disse Getchell. Juntamente com a habitual passagem pelo museu, os visitantes verão livros sobre a criação de garotas feministas e mais biografias sobre mulheres, incluindo “Artistas Femininas do Século XVIII: As Provações, Tribulações e Triunfos”, de Caroline Chapman. Também em oferta: “The Kardashians: An American Drama”, de Jerry Oppenheimer. "A obsessão por celebridade e status era parte do tempo de Casanova", disse Getchell, "então tentamos escolher um exemplo moderno nas mídias sociais".
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Artigo de Cynthia Durcanin editado no site Artnews em 13/8/2018. http://www.artnews.com/2018/08/13/casanova-case-study-art-museums-present-problematic-aspects-past/

Vândalos atacam novamente obra na Bienal de Liverpool

A obra “The List” (a Lista), do artista turco Banu Cennetoğlu, registra os nomes de milhares de refugiados mortos. O artista vai deixar o trabalho vandalizado em exposição para destacar ainda mais a violência sofrida pelos imigrantes. Artigo de Naomi Rea para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 16/8/2018. +

Vândalos atacaram novamente um trabalho na Bienal de Liverpool, mas o artista, que o mostrou em toda a Europa, se recusa a ser silenciado. “A Lista” registra nomes de milhares de refugiados e migrantes que morreram tentando chegar à Europa. Após o último ataque no domingo, o artista turco Banu Cennetoğlu prometeu deixar a peça vandalizada em exposição em Liverpool.
A lista de 920 pés de comprimento, que Banu Cennetoğlu diz ser um projeto e não uma obra de arte, já havia sido totalmente rasgada em 28/7/2018. Cennetoğlu diz que desta vez ela não substituirá os cartazes que formam a grande coleção. "Decidimos deixá-lo neste estado atual como uma manifestação e lembrete desta violência sistemática exercida contra essas pessoas", disse Cennetoğlu em um comunicado.
“A Lista” é compilada pela rede internacional anti-discriminação UNITED for Intercultural Action. Ele é atualizado anualmente e atualmente apresenta os nomes e informações sobre as mortes de 34.361 refugiados que foram declarados como mortos dentro ou nas fronteiras da Europa desde 1993. Se incluísse mortes não declaradas, o número real de fatalidades seria provavelmente muito maior.
Desde 2007, Cennetoğlu exibe versões da “A Lista” em espaços públicos da Europa, inclusive em outdoors e em estações, além de publicar trechos em jornais. No início do verão, no Dia Mundial do Refugiado, o jornal “The Guardian” publicou uma versão. Apesar das tensões em torno da crise de refugiados em outras cidades onde ela tem exibido, incluindo Berlim, Istambul, Basileia e Atenas, Cennetoğlu diz que nunca foi atacada.
"Estamos entristecidos com esse ato irracional de vandalismo", disse um porta-voz da Câmara Municipal de Liverpool, que apóia a Bienal de Liverpool, também expressando "surpresa e desgosto" no ato, que aparentemente é uma ocorrência rara na cidade. “Trabalharemos com a Bienal para tentar transformar essa ação em algo positivo e esclarecer como precisamos fazer mais para promover uma sociedade tolerante e compassiva.”
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Artigo de Naomi Rea para o portal internacional de arte Artnet (www.artnet.com) editado em 16/8/2018.

Martin Puryear vai representar EUA na próxima Bienal de Veneza

Na manhã de segunda-feira, o crítico de arte Jerry Saltz, da revista “New York”, foi o primeiro a divulgar publicamente o nome de Puryear, escrevendo no Twitter: “Eu aproveito as folhas de chá para o próximo Pavilhão Americano na próxima Bienal de Veneza da primavera: o escultor americano Martin Puryear representam os EUA. Uma flor abundante”. +

O artista plástico Martin Puryear (Washington, 1941) foi escolhido para representar os EUA na Bienal de Veneza em 2019, disse uma fonte confiável à “ARTnews”. A Matthew Marks Gallery, que representa Puryear, não respondeu a um pedido de comentário no sábado à noite.
Pedida para comentar, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, que colabora no processo de seleção para o pavilhão dos EUA em Veneza com a National Endowment for the Arts, disse em um e-mail que "a concessão ainda está em andamento e esperamos ser capaz de anunciar a organização beneficiária e o artista em destaque em breve. Até a concessão ser finalizada, nenhuma seleção de artista poderá ser feita”.
Na manhã de segunda-feira, o crítico de arte Jerry Saltz, da revista “New York”, foi o primeiro a divulgar publicamente o nome de Puryear, escrevendo no Twitter: “Eu aproveito as folhas de chá para o próximo Pavilhão Americano na próxima Bienal de Veneza da primavera: o escultor americano Martin Puryear representam os EUA. Uma flor abundante”.
Nos últimos meses, a questão de qual artista representaria os EUA na Bienal se tornou um tema quente, já que muitas seleções do passado foram reveladas no inverno ou na primavera do ano entre as Bienais, mas nenhum anúncio foi feito até agora.
Puryear, que tem 77 anos, ganhou fama por seu trabalho primorosamente trabalhado em madeira, que toca sutilmente em vários aspectos da história americana e mundial. Seu trabalho apareceu nas Whitney Biennials de 1979, 1981 e 1989, ano em que foi agraciado com a MacArthur Foundation Fellowship.
Em 2007/2008, a Puryear foi tema de uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York, e teve inúmeras outras exibições e pesquisas em museus, no Smithsonian American Art Museum em Washington, DC, no Art Institute of Chicago, e em outros lugares. Em 2016, apresentou uma escultura em grande escala chamada “Big Bling” no Madison Square Park, em Nova York, que mostrou mais tarde na Filadélfia.
A Bienal de Veneza está marcada para o próximo ano, de 11/5 a 24/11/2019. O curador inglês Ralph Rugoff, diretor da Hayward Gallery de Londres desde 2006, será o curador da 58ª Bienal de Veneza.

Morre aos 61 anos Otavio Frias de Oliveira, diretor de redação da Folha

Otavio foi vítima de um câncer no pâncreas diagnosticado há cerca de um ano e estava sendo tratado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O velório ocorrerá às 11h30 e a cerimônia de cremação, às 13h30, ambos no Cemitério da Paz, em Itapecerica da Serra. +

O jornalista e diretor de redação da “Folha” Otavio Frias Filho morreu na madrugada desta terça-feira, 21/8/18, aos 61 anos de idade. Otavio foi vítima de um câncer no pâncreas diagnosticado há cerca de um ano e estava sendo tratado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O velório ocorrerá às 11h30 e a cerimônia de cremação, às 13h30, ambos no Cemitério da Paz, em Itapecerica da Serra.
Nos 34 anos em que Otávio esteve à frente do Grupo Folha, foi responsável pelo processo de modernização do jornal e transformou-o no mais importante e influente jornais brasileiros e mundiais. Também foi sob sua direção que o portal UOL foi criado e se tornou um dos introdutores e disseminadores da Internet no Brasil.
Sob sua direção, desde maio de 1984, a “Folha” se transformou em uma referência do jornalismo pluralista, independente, crítico, inteligente e dinâmico no país. No ano anterior, o jornal foi o porta-voz nacional da campanha pelas Diretas Já, fato que colocou o jornal na posição de destaque em que se mantém até hoje.
Nascido em São Paulo, em 7/6/1957, filho de Octavio Frias de Oliveira (1912-2007) e Dagmar Frias de Oliveira (1925-2008), Otávio estudou direito na USP e fez pós-graduação em Ciências Sociais. Tinha grande interesse pro literatura e lançou os livros de ensaios “De Ponta Cabeça”, “Queda Livre” e “Seleção natural”, entre outros. Uma de suas maiores paíxões, contudo, era o teatro e, como dramaturgo, teve encenadas as peças “Típico Romântico”, “Rancor” e “Don Juan”. O texto “Terceiro Sinal”, em que narra sua experiência como ator, também teve uma montagem teatral, no Teatro Oficina, com Bete Coelho. Otavio deixou pronto o livro infantil “A Vida é Sonho e Outras Histórias para Pensar”.
Otávio deixa Fernanda Diamant, editora da revista literária Quatro Cinco Um, as filhas Miranda e Emília, e os irmãos Luiz, Maria Helena e Maria Cristina.

Após protesto da ONG ACT UP, Whitney chama a atenção para epidemia da AIDS

Museu nova-iorquino adicionou novo texto sobre a participação de David Wojnarowicz na ONG ACT UP na retrospectiva organizada sobre a obra do artista. Desde a abertura da mostra aclamada pela crítica, em julho, a ACT UP organizou duas demonstrações no museu, chamando a atenção para o fato de que a crise da Aids ainda está em andamento e não se trata de um evento histórico. Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 6/8/2018. +

O Whitney Museum of American Art, em Nova York, adicionou um novo texto sobre a participação de David Wojnarowicz na ONG ACT UP, na retrospectiva organizada sobre a obra do artista. Desde a abertura da mostra aclamada pela crítica, em julho, a ACT UP organizou duas demonstrações no museu, chamando a atenção para o fato de que a crise da Aids ainda está em andamento, e não se trata de um evento histórico.
No sábado, a ACT UP twittou uma foto do texto atualizado para a serigrafia “Untitled (ACT UP)”, de 1990, chamando-o de “grande vitória”.
O grupo criticou o que caracterizou como falha do museu em informar inadequadamente os visitantes sobre o que é a AIDS em 2018 e sobre os esforços contínuos para combater a doença. Anteriormente, a exposição não mencionava o envolvimento de Wojnarowicz com a ACT UP, e o trabalho de 1990, que foi criado para beneficiar a ACT UP, foi acompanhado de “apenas uma simples descrição”, segundo um comunicado do grupo.
Apesar do fato de Wojnarowicz ter morrido de Aids e frequentemente ter abordado a doença em seu trabalho, “a exposição não faz conexões explícitas com a atual crise da AIDS dentro da exposição”, escreveu o grupo.
“Em uma exposição excelente, esta é uma supervisão que se enquadra em um padrão de instituições de artes historicizando o ativismo do passado, mesmo quando há lutas contemporâneas quase idênticas.”
O texto foi atualizado na semana passada, em resposta a um protesto da ACT UP no Whitney em 27/7/18, no qual os membros seguravam artigos recentes sobre a AIDS, formatados no estilo do texto da exposição, ao lado do trabalho de Wojnarowicz.
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Artigo de Sarah Cascone para o portal internacional de artes Artnet (www.artnet.com) editado em 6/8/2018.

Autoridades russas pedem a destruição de uma obra de arte digital

Ativistas na Rússia protestam contra a recente ordem das autoridades russas de destruir uma cópia digital do coletivo de arte Rodina. "9 Estágios na Decomposição do Líder" (2015) é uma impressão de nove imagens de lapso de tempo mostrando um retrato oficial do presidente sobre uma caixa de sementes. Artigo de Christopher Marcisz para o site https://hyperallergic.com/453612/rodina-9-stages-in-the-decomposition-of-the-leader-2015/ +

Naquele que pode ser o primeiro caso recente de um pedido de destruição de uma obra de arte específica por parte de autoridades russas, um tribunal de São Petersburgo está no meio de um apelo no pedido de destruição de uma obra que mostra a desintegração de uma foto do presidente Vladimir Putin.
É improvável que artistas e ativistas envolvidos no caso tenham sucesso nos tribunais, mas eles dizem que é uma oportunidade inestimável para discutir a censura na Rússia hoje. O trabalho condenado, "9 Estágios na Decomposição do Líder", é uma impressão de nove imagens digitais com um lapso de tempo que mostram um retrato oficial do presidente russo sobre uma caixa de sementes. Cada imagem documenta a desintegração do retrato de Putin pela grama que cresce através dela. Uma impressão emoldurada foi realizada pela artista e ativista Varya Mikhailova quando ela e um grupo de ativistas da oposição e LGBT se juntaram a uma marcha sindical no dia 1º de maio último na Nevsky Prospekt em São Petersburgo.
Depois de meia hora de marcha, os artistas foram abordados por um organizador que exigiu saber se a imagem foi “aprovada”. Pouco depois, a polícia chegou e ela e outras pessoas foram detidas.
Eles foram liberados depois de algumas horas, mas a impressão emoldurada não foi retornada. Em uma audiência em 8/6/18 no Tribunal do Distrito de Kuibyshev, Mikhailova foi acusada de ter participado “não de acordo com o propósito declarado da marcha”, e foi multadA em 160.000 rublos (US$ 2.500). A impressão foi destruída. Ela e seus advogados recorreram, citando as proteções da Convenção Européia dos Direitos Humanos para a Liberdade de Rreunião Ppacífica e a Proteção de Bens Pessoais. "A coisa engraçada com a decisão da corte de 'destruir' nossa arte é que ela é digital, então a destruição física não significa nada", disse Max Evstropov, membro do coletivo de arte Rodina, que criou o trabalho. “Esse enorme estado policial é bastante estranho."
Os ativistas rapidamente entraram em ação, imprimindo a imagem em pôsteres, camisetas e sacolas e vendendo-os on-line. Até agora eles dizem que fizeram o suficiente para cobrir a multa de Mikhailova.
A imagem real foi criada em 2015. Evstropov disse que foi concebida como uma alusão à gravura “Corpo de uma Cortesã em Nove Estágios” (“A Study in Decomposition”, c. 1870), do artista japonês do século XIX Kobayashi Eitaku, sobre a inevitável vitória da natureza e da decadência sobre atribuições humanas de beleza e de valor.
O trabalho criado por Rodina vê algo semelhante na evolução política da Rússia. "Esta ação é uma expressão de esperança para uma lenta, mas inevitável, mudança na situação a partir de baixo, por meio de uma infinidade de pequenas ações", Evstropov escreveu em um e-mail para o site “Hyperallergic”. "Isso reflete que os espíritos baixos e a doença até a morte tão característicos da sociedade russa dos últimos anos: não há revolução para esperar, e a esperança de mudança não está mais associada aos atos humanos".
A impressão da obra agora sob custódia foi vendida em um leilão em 2017 para apoiar um espaço de trabalho colaborativo em São Petersburgo. O primeiro proprietário colocou-o em um quadro e depois o vendeu novamente pela mesma causa, alguns meses depois, e foi assim que Mikhailova o comprou.
A natureza subversiva do trabalho e o universo de ironia que tropeçou como resultado do caso é um reflexo de como jovens artistas e ativistas estão respondendo ao atual clima político. Angelina Lucento, professora assistente de arte e história cultural na Escola Superior de Economia de Moscou, disse que o trabalho é motivado não tanto pela falta de esperança, mas pelo desespero, já que outras vias de ação política foram cortadas. “O que você vê nessa nova geração de artistas contemporâneos é mais uma desilusão com protestos em massa como um tipo de resistência política”, disse ela. "Há uma sensação de que não é o meio mais eficaz de tomar, e você vê um verdadeiro impulso criativo para explorar e implementar outras formas de resistência."
Enquanto o mercado de arte e o sistema de galerias russas cresceram desde o fim da União Soviética, a tradição da arte baseada em desempenho conceitual continua vibrante. Isso incluiu ações de alto nível de grupos como Pussy Riot (famoso por sua ação em uma catedral e a resposta pesada, e, apenas neste mês, atrapalhando a final da Copa do Mundo), assim como artistas como Petr Pavlensky (famoso por se pegar aos paralelepípedos da Praça Vermelha e incendiar a porta da frente da sede da polícia secreta russa). Grupos como Rodina ("Pátria", em russo) fazem parte desse esforço para encontrar outros meios de protesto. O grupo surgiu no outono de 2013, depois que a última onda de oposição de massas pareceu desvanecer-se. Houve manifestações no final de 2011, após as eleições parlamentares, e em 2012, quando Putin voltou cinicamente para a presidência depois de trocar com o assento Dmitry Medvedev. Esse momento culminou em uma manifestação em massa na Praça Bolotnaya, em Moscou, durante os dias da posse de Putin, mas desvaneceu-se depois.
Evstropov, um filósofo de formação, fundou o grupo com Darya Apahonchich, uma filóloga que posou para a campanha online de venda das camisetas, e Leonid Tsoi, um psicoterapeuta, para debater ideias sobre o hiperpatriotismo da Rússia através da “arte social performativa, campo e estudos experimentais de patriotismo, linguagem e instituições de poder." "Os protestos em massa já haviam encolhido, mas ainda sentíamos a necessidade de agir", disse Evstropov.
“Há uma dose de humor negro em nossas atividades. Não oferecemos esperança, mas nosso trabalho é terapêutico de alguma forma”. Entre suas ações, houve uma marcha no outono de 2016 que subverteu a retórica de celebração nacional e otimismo que caracterizou o Primeiro de Maio na União Soviética, quando as pessoas marchavam em dias de primavera com flores e cartazes com palavras esperançosas como “Paz - Trabalho”. Na versão do Rodina, eles se reuniram em um dia sombrio de outono com sinais muito menos otimistas:“ Guerra - Desemprego - Novembro! Ai! Vamos aguentar! Nascido. Sofreu. Morreu."
Em 2017, o grupo lançou um projeto para criticar a crescente politização de mortos de guerra, especificamente um projeto nacional chamado "Regimento Imortal", no qual pessoas marcham carregando fotos de membros da família que serviram ou morreram na Segunda Guerra Mundial, como uma afirmação de orgulho e poder nacional. O “Partido dos Mortos” imagina o falecido como um grupo social majoritário excluído do poder político, mas agora dando voz às suas demandas vagas, mas irresistíveis.
"Os mortos são o proletariado final, e nosso partido visa capacitá-los", disse Evstropov. Vestem-se de preto e pintam seus rostos de branco, implantam um monte de imagens do estilo “Dia dos Mortos” e gritam slogans como “Seu futuro somos nós!” “Um povo unido - na morte!” E “Quem não está com nós, ainda não está conosco!”
Mikhailova estava marchando com outros membros do Partido dos Mortos no desfile do Primeiro de Maio e trouxe a impressão de “9 Estágios” para casa porque ela achava que era apropriado para o tema. A maioria das ações e trabalhos do grupo são divulgados através das redes sociais, geralmente no Facebook e na alternativa russa, VKontakte. E enquanto eles tiveram alguns contratempos com as autoridades, Evstropov disse que este caso é a maior atenção que eles receberam do Estado. Ele disse ao “Hyperallergic” que a pressão muitas vezes não vem das autoridades, mas de instituições simpatizantes que querem evitar problemas. "O medo e a censura são coisas que a arte politicamente engajada na Rússia enfrenta com frequência", disse ele. “A outra coisa perigosa que artistas e ativistas enfrentam é a exaustão e a perda da vontade de fazer qualquer coisa.”
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Artigo de Christopher Marcisz para o site https://hyperallergic.com/453612/rodina-9-stages-in-the-decomposition-of-the-leader-2015/

Villa Savoya de Le Corbusier afunda em fiorde dinamarquês

“Modernidade Inundada” é uma das 10 obras em exposição no Festival de Arte Flutuante no Fiorde de Vejle, um evento de arte e arquitetura organizado pelo Museu Vejle, na Dinamarca. A escultura de Havsteen-Mikkelsen é uma réplica de 1: 1 de um canto da Villa Savoye de Le Corbusier que aparece parcialmente submersa, como se o prédio estivesse afundando na água. Artigo de Bloco Índia editado em 1/8/2018 no portal da revista “Dezeen” (https://www.dezeen.com/2018/08/01/le-corbusiers-villa-savoye-sunk-danish-fjordasmund-havsteen-mikkelsen-installation/) +

O artista Asmund Havsteen-Mikkelsen afundou uma maquete em tamanho natural de um dos edifícios mais famosos de Le Corbusier em um fiorde dinamarquês, como uma declaração sobre o voto do Brexit e a eleição de Donald Trump. “Modernidade Inundada” é uma das 10 obras em exposição no Festival de Arte Flutuante no Fiorde de Vejle, um evento de arte e arquitetura organizado pelo Museu Vejle, na Dinamarca. A escultura de Havsteen-Mikkelsen é uma réplica de 1: 1 de um canto da Villa Savoye de Le Corbusier que aparece parcialmente submersa, como se o prédio estivesse afundando na água.
Segundo o artista, a obra é um símbolo de como os valores da modernidade foram inundados pela tecnologia. Varias eleições recentes foram envolvidas em escândalos, com a manipulação digital que influenciou a eleição de Trump e o voto britânico para deixar a União Européia. "O surgimento de novas tecnologias digitais junto com o smartphone permitiu o surgimento de uma nova situação", disse Havsteen-Mikkelsen a Dezeen. "Cada usuário se tornou sua própria plataforma de mídia, permitindo assim o direcionamento de informações específicas através do desenvolvimento de algoritmos psicométricos".
O governo russo também é acusado de interferir nas eleições presidenciais de 2016, usando plataformas de mídia social para representar cidadãos dos EUA, minando Hillary Clinton e promovendo Trump.

"Acho que os russos e a Cambridge Analytica foram espertos o suficiente para ver o potencial dos perfis psicométricos para influenciar e manipular os eleitores pela internet. Através dessa intromissão, um certo senso de democracia afundou", disse o artista.

O arquiteto suíço-francês Le Corbusier criou o movimento modernista na arquitetura, e Villa Savoye é uma de suas obras mais famosas. Construída em Poissy, na França, em 1931, foi a manifestação de seus ideais puristas que rejeitavam a ornamentação desnecessária em favor de linhas brancas e interiores de plano aberto. O arquiteto elogiou muitas vezes o design de transatlânticos e incorporou seus elementos de design em seu trabalho, então afundar um de seus edifícios mais icônicos é uma alegoria pungente. Uma barca construída por Le Corbusier como um abrigo para sem-teto em 1910 na verdade afundou em Paris no início deste ano após a inundação do Sena. Planos estão em andamento para re-flutuar o barco e continuar a restaurá-lo para que ele possa se tornar um museu. O próprio Le Corbusier afogou-se no Mediterrâneo ao largo da costa sul da França em 1965.
Para Havsteen-Mikkelsen, que pinta e desenha a Villa Savoye há uma década, a obra-prima de Le Corbusier incorpora os valores essenciais do modernismo. "Isso encapsulou um sentido e um uso da razão crítica como forma de criar um mundo melhor", explicou ele.
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Artigo de Bloco Índia editado em 1/8/2018 no portal da revista “Dezeen” (https://www.dezeen.com/2018/08/01/le-corbusiers-villa-savoye-sunk-danish-fjordasmund-havsteen-mikkelsen-installation/)

David Zwirner contrata influenciadora de mídia para reinventar vendas online

O galerista comparou o site da galeria com o "sexto espaço da galeria". E trouxe Elena Soboleva para liderá-lo. Artigo de Henri Neuendorf para o portal e arte Artnet (ww.artnet.com) editado em 3/8/2018. +

Se as vendas de arte on-line são realmente a próxima fronteira para as galerias, por que não tratar o pessoal dos sites das galerias como qualquer outro posto avançado físico?
Essa parece ser a lógica por trás da mais recente contratação de David Zwirner. A mega-galeria trouxe à influenciadora de mídia social Elena Soboleva como seu primeiro diretor de vendas on-line.
Em uma indústria que tem sido notoriamente lenta para inovar, a galeria recebeu recentemente um papel de liderança no desenvolvimento de iniciativas digitais e passou a pensar estrategicamente sobre como expandir seus negócios on-line.
No ano passado, lançou uma sala de visualização on-line e um podcast. Zwirner disse recentemente ao Wall Street Journal que 30% dos clientes compram obras "exclusivamente com base em imagens enviadas por e-mail", enquanto um representante da galeria estima que de três a cinco por cento das vendas agora são conduzidas digitalmente.
Com a nomeação de Soboleva, a galeria espera expandir esse número. "O espaço digital é uma extensão natural da vitrine da galeria", disse Soboleva - que, com 13.900 seguidores no Instagram, não está acostumada a causar impacto on-line - disse em um e-mail à Artnet News.
“O mundo da arte está crescendo on-line com galerias e casas de leilão percebendo o valor do digital para alcançar um vasto público global e ter uma melhor compreensão de seus colecionadores… Na atual era, um programa on-line robusto e estratégia dedicada é essencial no mundo da arte e só continuará a aumentar em importância e alcance. ”
Em vez de se concentrar em garantir vendas individuais, Soboleva será encarregada de otimizar a operação de vendas on-line da galeria como um todo. De acordo com a galeria, ela irá organizar e gerenciar a sala de visualização online, uma parte protegida por senha do site de David Zwirner, onde os clientes podem inspecionar imagens de alta resolução de obras de arte e explorar apresentações digitais temáticas. Seu papel também se estenderá ao trabalho com a equipe sênior e contatos de artistas para otimizar a presença on-line da galeria em todos os lugares. Em uma declaração por e-mail para a Artnet News, David Zwirner comparou a sala de exibição ao seu sexto espaço de galeria.
“Historicamente, quando abrimos uma nova galeria, trazemos novos funcionários para dirigir e administrar o espaço”, explicou ele. “Eles então trabalham em sintonia com nossa equipe existente para moldar a programação adequada e bem-sucedida dentro dessa configuração específica, ao mesmo tempo em que se alinha com a programação global. O papel de Elena seguirá a mesma abordagem. ” Com formação em arte contemporânea e economia, Soboleva iniciou sua carreira na Artsy em 2012, primeiro como especialista em arte contemporânea e gerente de relações com colecionadores e, mais tarde, como curadora principal dos projetos especiais da Artsy.
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O galerista comparou o site da galeria com o "sexto espaço da galeria". E trouxe Elena Soboleva para liderá-lo. Artigo de Henri Neuendorf para o portal e arte Artnet (ww.artnet.com) editado em 3/8/2018.