

A cidade de Nova York é anfitriã de 12 feiras de arte contemporânea. Ainda assim, a Frieze rendeu primeira página no "The New York Times", capa da "New York" e um inteligente artigo na "New Yorker". +
A Frieze Art Fair New York, nova feira de arte subsidiária da renomada Frieze de Londres, foi inaugurada na semana passada com a participação de 180 galerias.
A cidade de Nova York é anfitriã de 12 feiras de arte contemporânea. Ainda assim, a Frieze rendeu primeira página no "The New York Times", capa da "New York" e um inteligente artigo na "New Yorker".
Deixei a Frieze e retornei anteontem diretamente para a montagem do estande na SP-Arte, que abre hoje.
Em 2012 ainda faremos a ArtRio, a Frieze de Londres e a Art Basel Miami Beach. Uma feira engoliu a outra e só nos resta fazer escolhas.
Minha primeira feira de arte foi a Unfair, a irmã caçula da Art Cologne. Ali, presenciei a performance do então jovem artista Damien Hirst, que "expôs" no estande da emergente galeria White Cube um par de gêmeas univitelinas, sentadas lado a lado trajando vestidos gêmeos de "spot paintings" e tricotando juntas, encarnando uma "obra" anticomercial.
Hoje, 19 anos depois, Hirst se tornou o artista mais rico da atualidade, e a White Cube é um sucesso com sedes em Londres e em Hong Kong.
As feiras de arte se proliferam embaladas pela autoconfiança do mercado nos últimos 20 anos, apesar de alguns soluços já superados como a crise mundial de 2008.
Hoje, a inauguração da oitava SP-Arte tem a participação da imperiosa White Cube, que fechará as vendas em São Paulo três dias antes de abrir novo estande em Hong Kong.
Essa intensidade é assustadora e fascinante. Feiras são confusas, de ar insalubre e mau design, mas com um infinito de informação e uma corrente eletrizante que vicia.
Elas são o fast-food do sistema, festivais fragmentados concentrando, em pouco espaço e em poucos dias histéricos, toda a experiência do mundo da arte. Há arte muito boa e muito ruim.
Nessa lama, encontram-se um diamante, algumas joias, e produtos da Tok & Stok.
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Artigo de Marcia Fortes publicado originalmente na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 9 de maio de 2012 e divulgado pela newsletter do site http://www.canalcontemporaneo.art.br.
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Márcia Fortes é sócia da Galeria Fortes Vilaça e integra o comitê de seleção da Frieze Art Fair
Marchands especializados em arte moderna trabalham para manter intacta e saudável aquela que é tradicionalmente sua boa fatia do mercado: colecionadores mais velhos, discretos e com maior poder aquisitivo. +
Num momento em que a arte contemporânea brasileira vê o surgimento de novas feiras e galerias, além de aumento no volume de negócios - 44% de dois anos para cá, segundo a Abact (Associação Brasileira de Arte Contemporânea) -, marchands especializados em arte moderna trabalham para manter intacta e saudável aquela que é tradicionalmente sua boa fatia do mercado: colecionadores mais velhos, discretos e com maior poder aquisitivo.
Habituado a formar grandes coleções privadas - entre elas a sua própria -, o marchand Paulo Kuczynski abriu recentemente uma exposição com apenas oito telas de Di Cavalcanti (1897 - 1976). Concentrou-se no período que vai dos anos 1920 aos 1940, antes de o artista começar a se repetir e perder a força. "Passei cinco anos trabalhando para juntar essas obras, não fiz concessões", afirma Kuczynski. "Não existe uma reunião como essa em museu nenhum."
Ali estão obras especiais, como "Descanso dos Pescadores", que passou décadas com a família do escritor José Lins do Rego (1901 - 1957) e que, pela qualidade e raridade, enche os olhos dos colecionadores. "A Mulher do Caminhão", tela que pertencia ao joalheiro Lucien Finkelstein, foi vendida antes mesmo de a exposição ser inaugurada. "Com a profissionalização do meio, já não basta a assinatura de um pintor. Colecionadores se tornaram bem informados, buscam as melhores obras da melhor fase de um artista", diz o marchand.
A arte moderna engloba a produção de artistas que eram jovens nos anos 1920, 1930 ou 1940. Di Cavalcanti viveu até 1976; Alfredo Volpi, até 1988. Kuczynski conviveu com o segundo até o fim da vida, visitando com frequência seu ateliê. Hoje, com os artistas já todos mortos, marchands são garimpeiros. Fuçam coleções particulares, visitam casas de família, de olho nos espólios e heranças. São capazes de analisar o legado de um artista e saber onde ele deixou sua melhor marca, além de escapar das falsificações que povoam o mercado. "Artista não faz obra-prima todo dia", lembra Kuczynski.
Por seu lado, galeristas de arte contemporânea precisam saber distinguir, em meio ao mar de jovens artistas, os nomes que podem se destacar em 20 ou 30 anos. Depois de seis anos trabalhando para um marchand, Jaqueline Martins, de 35 anos, abriu no ano passado sua própria galeria em Pinheiros. "Eu tinha vontade de entrar em contato com a produção da minha geração, visitando ateliês, me aproximando dos artistas. A Tarsila [do Amaral] não está mais aqui, não dá para voltar ao passado", diz. Ela ressalta que o volume de investimento necessário para trabalhar com modernos é muito maior. "Eu não teria esse capital."
No ano em que a Semana de 1922 comemora 90 anos, a distância entre quem comercializa modernos e quem se aventura pelos contemporâneos parece estar mais demarcada. Mais importante feira de arte no país, a SP-Arte começa nesta quinta-feira para o público (quarta, para convidados), com nova disposição de stands. O térreo ficará reservado para as grandes galerias de arte contemporânea (Fortes Vilaça, Luisa Strina, Nara Roesler, entre outras), enquanto leiloeiros, marchands e alguns galeristas mais tradicionais ocuparão o segundo piso. A separação gerou certo mal-estar no mercado. Há quem ache absurdo que os segundos, responsáveis pelas vendas mais corpulentas, fiquem isolados.
Para Daniel Roesler, trata-se de separar 'mercado primário" do "mercado secundário" de arte. "Fazendo um paralelo, as galerias atuam como IPOs nesse mercado, lançando novas ações. Existe todo um trabalho feito com o artista, uma preocupação com a sua carreira como um todo. Um leiloeiro ou marchand agrega valor de outro modo, numa determinada transação de determinada obra. Não vai se preocupar com a carreira de Portinari, porque já está feita", diz
Numa das edições anteriores da feira, o stand da galeria Fortes Vilaça ficava em frente de um escritório pequeno de arte que revendia obras d'Os Gêmeos e de Vik Muniz, artistas então representados pela galeria. Como cada um quer defender _e vender_ seu peixe, existe uma dissidência na hora de definir onde começa a "verdadeira" arte brasileira. Enquanto partidários do modernismo tendem a valorizar a geração decorrente de 1922, outra corrente reserva aos heróis conceituais do anos 1950 e 1960 - Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape - o papel de inaugurar uma produção "genuína", reservando ao movimento moderno adjetivos como "menor" e "tardio".
Diante de altos preços alcançados por alguns contemporâneos, com as pintoras Beatriz Milhazes e Adriana Varejão encabeçando a lista, é possível que arte moderna se torne investimento atraente, dado que o risco envolvido é menor. Em dezembro de 2011, uma tela de Volpi com estimativa entre R$ 1,4 e R$ 1,8 milhão foi vendida por R$ 1,9. Alguns meses antes, "Correnteza", de Adriana Varejão, foi estimada entre R$ 800 mil e R$ 1, 2 milhão. O último lance, porém, foi de R$ 2, 05 milhões. Os dados são da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro.
"A questão é que a trajetória de um artista vivo é imprevisível", diz Jaqueline. "Não sabemos o que vai acontecer. Se pudesse prever, eu teria comprado todas as Miras [Schendel] que vi por US$ 500. Comprei só algumas."
O boom no interesse e nos preços dos neoconcretos é outro fenômeno que continua a mobilizar o mercado. Lygia Clark esteve na lista de vários colecionadores estrangeiros na última Art Basel e uma de suas obras alcançou R$ 4,1 milhões, um recorde. Além disso, as vendas se aquecem com a confirmação de uma exposição de Mira na Tate Modern, em Londres, em 2013, e uma retrospectiva da própria Lygia, no Museum of Modern Art, em Nova York, confirmada para 2014. O frisson levou o mercado a absorver figuras secundárias do movimento. Há quem chame de "tirania neoconcreta" a obsessão que tomou conta dos colecionadores e que, como toda moda, há de passar.
O fechamento recente da galeria de Thomas Cohn, uma das mais tradicionais de São Paulo, veio reforçar a impressão de que o mercado vive tempos agitados, loucos, com muito dinheiro em circulação. O imóvel na avenida Europa foi comprado pela vizinha Nara Roesler, em expansão. A partir do próximo dia 17, ela será uma das três galerias a participar da Hong Kong Art Fair, ao lado da Casa Triângulo e da Mendes Wood. "Vamos levar um pouco de casa coisa. Por enquanto, a expectativa não é vender muito, mas fazer uma aproximação", diz Nara. A galeria contratou um tradutor e mandou fazer cartões de visita em chinês para facilitar o contato. Saber o que os chineses querem da arte brasileira pode ser uma peça adicional para compor o quebra-cabeça intrincado do mercado nos próximos anos.
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Matéria originalmente publicada no jornal Valor Econômico em 7 de maior de 2012e divulgada na newsletter do site http://www.canalcontemporaneo.art.br
"Estou interessado no espaço e no modo como vivenciamos isso. Penso no corpo como um espaço. Quando fechamos nossos olhos temos a sensação de estar em outro lugar, mas não estamos. Esta experiência não é definida pela perspectiva, ou pelas ideias medidas ou de distâncias, é um espaço aberto" +
Event Horizon é um projeto de arte pública desenvolvido para a cidade de Londres, mas que já foi mostrado em Nova York e agora chega a São Paulo. O trabalho sofrerá alguma adaptação para ser mostrado na cidade? Qual é sua expectativa?
Decidimos desde o início que todos os trabalhos da mostra deveriam ser balanceados dentro e fora, em espaços fechados como os do CCBB ou na rua como os que estarão no Anhangabaú. Todo o espaço da cidade estava envolvido de alguma maneira. Não consigo pensar trabalho melhor para o espaço público de São Paulo do que Event Horizon. Acho que esse é o meu melhor trabalho, no sentido de que ele provoca nas pessoas a consciência do ambiente, do entorno. Acho que a distribuição dos corpos pela cidade será incrível. São Paulo é uma megalópole, mas é diferente de Londres e Nova York, onde este trabalho já foi mostrado antes. Não consigo imaginar qual será reação das pessoas. Quando faço um trabalho, dificilmente tento adivinhar como o público reagirá a ele. Eu gosto do elemento surpresa, acho que o resultado de Event Horizon em São Paulo é imprevisível.
Você também desenvolveu novos trabalhos especialmente para uma mostra paralela em espaço da galeria londrina White Cube em São Paulo. Como foi o processo de criação para essa exposição?
Desenvolvi oito novos trabalhos especialmente para esta exposição inédita que se chama Facts e Systems. Ela será num antigo estacionamento que transformamos em galeria, na rua Agostinho Rodrigues, em São Paulo. As obras foram feitos especialmente para a cidade de São Paulo. São oito esculturas feitas de aço que usam a linguagem da arquitetura para descrever ou reescrever o espaço do corpo humano. Todos nós vivemos em cidades agora, 70% dos humanos viverão em cidades no ano de 2050. Fico me perguntando se nossas casas são uma espécie de extensão do nossos corpos e de que maneira o corpo passou a usar a linguagem arquitetônica. As obras denominadas “fatos” seriam esse tipo de arquitetura aplicada ao corpo e os “sistemas” seriam os esquemas que criamos para criar formas de comunicação do corpo com o ambiente urbano. Estou falando dessa condição humana, da condição de São Paulo, ou qualquer cidade grande. Estou falando de conexão. Usamos todas essas ferramentas, mídia sociais, celulares e pensamos que estamos conectados uns com os outros. Mas na verdade estamos nos afastando, essas ferramentas te dão uma voz, mas não um corpo. Você fica em contato, mas não em tato. Porém, não estou dizendo que isso é ruim. A questão é que nos tornamos conectados e estamos cada vez mais desincorporados, sem contato físico.
Ao longo de sua carreira você sempre deu ênfase ao corpo humano. Porque há predominância da figura humana em suas esculturas e seus desenhos?
Estou interessado no espaço e no modo como vivenciamos isso. Penso no corpo como um espaço. Quando fechamos nossos olhos temos a sensação de estar em outro lugar, mas não estamos. Esta experiência não é definida pela perspectiva, ou pelas ideias medidas ou de distâncias, é um espaço aberto. Estou falando com você agora por telefone e estou com os meus olhos fechados e isso faz com que eu tenha a sensação de estar em outro lugar. Mas este outro lugar não é dado da mesma maneira o espaço define formas e objetos, ele infinito não tem fronteiras. É apenas a escuridão do corpo, é como o céu a noite, não possui limites. O que eu tento fazer é colidir essa dialética entre o corpo e o espaço físico. O verdadeiro espaço humano, vai além do corpo, está na consciência humana e reinventar essa experiência indo além da mera aparência do corpo é o que tenho tentado fazer no meu trabalho.
Na ocasião da ECO92, no Rio, você criou o trabalho Amazon Field com a ajuda de comunidades da região de Porto Velho. Como foi essa experiência?
Infelizmente, desde 1992 não fizemos um progresso relevante nas questões do meio ambiente. Acho que naquele ano havia uma grande esperança em iniciativas como esse encontro, em começarmos a pensar na justiça social e em maneiras de explorar o sustento sem a exaustão de recursos e danos ao meio ambiente. Hoje todo mundo fala da crise econômica da Europa e tanto os EUA quanto a China boicotaram todas as tentativas reais de negociação para a políticas ambientais, no último encontro de Copenhagen. O trabalho realizado na Amazônia é um gesto simbólico do que podemos fazer se unirmos as forças, pois essa é uma questão que pertence a todos nós. E a verdade é que, até o momento, o que temos feito não foi suficiente.
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Artigo de Nina Gazire originalmente publicada na seção de artes visuais da revista "Isto É" em 4 de maio de 2012 e divulgada na newsletter do site www.canalcontemporaneo.art.br
31 esculturas de homens nus em ferro fundido que compõem a obra “Event Horizon” serão instaladas no Vale do Anhangabaú, em São Paulo +
Quando foram instaladas em Manhattan, há dois anos, as 31 esculturas de homens nus em ferro fundido que compõem a obra “Event Horizon” desafiavam as alturas e os skylines da cidade de Nova York. O britânico Antony Gormley esculpiu essas figuras humanas a partir da modelagem do próprio corpo. Agora, elas serão instaladas no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, como parte da programação de “Corpos Presentes – Still Being”, a primeira exposição individual de Gormley no Brasil. “Não consigo pensar em trabalho melhor para o espaço público de São Paulo do que ‘Event Horizon’. Esse é o meu melhor trabalho, no sentido de que ele provoca nas pessoas a consciência do ambiente.
A distribuição dos corpos pela cidade será incrível”, disse o escultor à Istoé durante a montagem do trabalho.
Aos 61 anos, Antony Gormley é um dos mais célebres e conceituados escultores em atividade. Seus trabalhos exploram a relação do corpo humano com os espaços que ele habita, criando desde esculturas intimistas até megainstalações em escala monumental. “Sua obra tem uma dimensão ao mesmo tempo industrial e artesanal. É um trabalho altamente tecnológico, que começa com a produção manual de moldes e termina com cortes a laser”, afirma o curador Marcello Dantas. “Seu trabalho não é sobre o corpo, mas sobre como o corpo é posicionado no espaço”, continua ele. Ao trabalhar com a figura humana, Gormley costuma partir da modelagem do próprio corpo, para depois fragmentá-lo em cubos de aço inoxidável – em “...” –, ou multiplicá-lo em 60 sólidas figuras de ferro – como ocorre em “Critical Mass”.
Seja em concreto, aço inoxidável, alumínio, borracha, arame, terracota, ou até pão e cera, os supercorpos construídos por Antony Gormley são maneiras diversas de o artista pensar as relações do homem com a arquitetura. “Em 2050, 70% dos humanos viverão em cidades. Fico me perguntando se nossas casas são o nosso segundo corpo” afirma Gormley, que, além das 11 esculturas, vídeos, maquetes e fotografias expostas no CCBB, concebeu oito novos trabalhos para a mostra “Facts and Systems”, que inaugura em São Paulo, na quarta-feira 9 (leia quadro). “São oito esculturas feitas de aço que usam a linguagem da arquitetura para reescrever o espaço do corpo humano”, diz.
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Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de artes visuais da revista "Isto É" em 4 de maio de 2012 e divulgada na newsletter do site www.canalcontemporaneo.art.br
"spot paintings" e o "gabinete de pílulas brilhantes" foram vendidos nas primeiras obras do evento. +
Uma das famosas "spot paintings", quadro de bolinhas coloridas, e um gabinete de pílulas brilhantes do artista britânico Damien Hirst foram vendidas nas primeiras horas da feira SP-Arte, que abriu nesta quarta-feira para convidados no pavilhão da Bienal de São Paulo.
SP-Arte começa hoje na Bienal sob concorrência dentro e fora do país.
À venda no estande da galeria White Cube, de Londres, a pintura foi vendida por R$ 1,9 milhão e sua vitrine, arrematada por R$ 2,5 milhões. No mesmo estande, colecionadores compraram obras de Tracey Emin (um néon de R$ 156 mil) e esculturas de Antony Gormley por R$ 933 mil.
Galerias brasileiras, como Millan, Vermelho e Nara Roesler, também registraram um alto volume de vendas nas primeiras horas da feira.
Telas de Rodrigo Andrade, Tatiana Blass, Paulo Pasta e Rodrigo Bivar sairam por preços entre R$ 6.000 e R$ 90 mil do estande da Millan.
Na Nara Roesler, uma pintura de Rodolpho Parigi foi arrematada nos primeiros minutos da feira por R$ 50 mil e outra de Cristina Canale foi vendida por R$ 60 mil.
A galeria Anita Schwartz, do Rio, vendeu uma escultura de Nuno Ramos por R$ 170 mil e uma obra de Abraham Palatnik por R$ 167 mil. Na Vermelho, obras de Dora Longo Bahia e Guilherme Peters foram vendidas também nas primeiras obras da feira.
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Texto de Silas Martí publicado no site do jornal "Folha de São Paulo" em 09/05/12
Antes de se dedicar às artes plásticas, ainda na juventude, Kathalian desenvolveu uma intensa carreira no cinema, como cenógrafo da Vera Cruz e como assistente de direção de Alberto Cavalcanti nos filmes que o diretor realizou no Brasil. +
O marchand mais doce do Brasil, Oswaldo Kathalian, morreu na noite de domingo em São Paulo aos 85 anos de idade. O enterro aconteceu na segunda-feira, dia 7 de maio, no Cemitério São Paulo. Nos últimos dois anos, devido a problemas de saúde, já não atuava mais em sua galeria na rua Haddock Lobo, onde expôs e conviveu com artistas como Aldo Bonadei, Walter Lewy, Aldemir Martins, Fernando Odriozola, Fulvio Penacchi, Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Nelson Leirner, Wesley Duke Lee, Evandro Carlos Jardim e outros.
Antes de se dedicar às artes plásticas, Kathalian desenvolveu uma intensa carreira no cinema, como cenógrafo da Vera Cruz e como assistente de direção de Alberto Cavalcanti nos filmes que o diretor realizou no Brasil.
Em sua autobiografia, “Faca de Ponta”, lançada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (coleção Aplauso; 2010), a atriz, diretora e produtora Aurora Duarte descreve a personalidade cativante de Kathalian, quando ele chegou a São Paulo, aos 18 anos, vindo de Uberaba (MG).
“Oswaldo Kathalian, o assistente, era o mais próximo a todos e o único falante. Inteligente, comunicativo, com extraordinário senso de humor, fez todos os filmes de Cavalcanti no Brasil. Gosto muitíssimo dele. Oswaldo Kathalian tem hoje um conceituado escritório de arte, é muito relacionado e querido. Gosto muito das observações que Oswaldo costuma fazer. Ele diz que depois que envelheceu tornou-se invisível. Ninguém olha mais”.
Além de sua atuação no cinema e nas artes plásticas, Kathalian dedicou-se ainda, nos anos 60, ao ramo de confecções, quando fundou a Confecções Daher, com a qual produziu tecidos com estampas criadas por artistas como Bonadei, Caribé e Fernando Lemos.
Este ponto de viragem histórica, que é também um importante indicador de mudanças em toda a economia global, é revelado em um novo relatório publicado em 16 de março +
A China ultrapassou os Estados Unidos como maior mercado mundial de arte e antiguidades que a décadas era dominado pelo mercado Americano. Este ponto de viragem histórica, que é também um importante indicador de mudanças em toda a economia global, é revelado em um novo relatório publicado sexta-feira 16 de Março.
Os organizadores da The European Fine Art Fair (TEFAF), que abre ao público na cidade holandesa de Maastricht e é considerada a melhor feira de antiguidades do mundo, está sendo realizada de 16 a 25 de Março em o MECC (Maastricht Exhibition and Congress Centre) e este ano celebra a sua quota Jubileu de Prata.
De acordo com o relatório, o Reino Unido, que foi ultrapassado pela China em 2010, permaneceu em terceiro lugar com uma quota de mercado de 22%, enquanto a França era um quarto distante, com 6%. A poderosa onda da China combinada com um aumento nas vendas de arte, em especial nos setores Moderna e Contemporânea, levou a um reforço contínuo na arte e mercado de antiguidades em todo o mundo e aumentou 7%, para € 46,1 bilhões, um aumento de 63 % desde a crise do mercado de 2009.
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Fonte: Artdaily; artigo reproduzido na newsletter do site www.touchofclass.com.br
O premiado escultor britânico Antony Gormley, 61, fará sua primeira grande exposição individual no Brasil a partir do dia 12/05/12. +
Ele diz estar animado com o retorno ao país, origem de artistas que admira e que influenciaram seu trabalho.
Afirma ter aprendido com Lygia Clark, Hélio Oiticica e Cildo Meireles a importância da dimensão social da arte. "Eles me mostraram a real compreensão das questões globais, aliada à celebração da situação particular do Brasil", disse à Folha, em seu ateliê, no centro de Londres.
Gormley vê em Clark ideias que também explora: "O envolvimento do corpo em seu trabalho, o potencial da obra de arte de unir as pessoas de uma forma muito lírica".
O artista estará em cartaz em São Paulo com duas exposições. A maior delas, "Corpos Presentes - Still Being", acontece no CCBB a partir do dia 12 e é vista por Gormley como uma ampla retrospectiva de sua obra.
A segunda reúne trabalhos inéditos em mostra num prédio no Ibirapuera, promovida pela famosa galeria londrina White Cube.
Em seu ateliê, maquetes do prédio do CCBB e de seus vários pisos mostram os planos do artista para a exposição.
Em outra sala, cartazes defendem o fim da prisão domiciliar do chinês Ai Weiwei.
"Acho Ai Weiwei um exemplo maravilhoso de luta nas redes sociais. Mas nós, que não vivemos na China, temos outras batalhas a combater, como a privatização do espaço público. Eles ainda são realmente espaços abertos? A arte é um espaço aberto e pode produzir outros."
O escultor acredita que a arte é um espaço valioso na sociedade contemporânea. "Num tempo em que a política é claramente economia ou mídia, ou uma fusão dos dois, e em que a religião é uma história antiga, que não funciona mais, a arte é um espaço muito importante para testarmos nossas vidas individuais e coletivas", avalia.
Gormley diz que o crescente escândalo envolvendo os negócios do conglomerado de mídia de Rupert Murdoch é um perfeito exemplo do estado atual da política: "Isso não é democracia. De todo modo, Murdoch é uma coisa e espero que a arte seja algo muito diferente disso".
Conhecido por usar o próprio corpo como molde para suas esculturas, ele diz que a crise não afetou o interesse de empresas em financiar seus projetos.
A exposição no Brasil tem apoio do British Council, organização do Reino Unido para relações culturais, com quem já fez várias parcerias.
"Não me sinto comprometido por conta disso. Apesar de hoje o órgão estar mais ligado a interesses empresariais, não acho que tenha motivações políticas. O British Council oferece uma ponte cultural entre diversas nações e é importante que nossa arte seja divulgada de forma não colonial", pondera.
Ao falar sobre o atual momento da arte britânica, o artista diz que a exposição de Damien Hirst na Tate Modern é muito conservadora. "Embora seja impressionante, sinto falta do Hirst provocador, desobediente e anárquico. Ficou algo muito 'esse é o grande Damien Hirst visto por uma instituição', e Hirst é alguém que sempre questionou a autoridade das instituições", comenta Gormley.
Criador da obra "Amazonian Field" no Brasil, em Porto Velho, por conta da reunião ambiental Eco-92, ele não espera que algo positivo surja da Rio+20, em junho.
"Essas reuniões se tornaram um lugar de barganha entre Rússia, China e EUA sobre recursos naturais. A situação é muito pior e mais urgente hoje do que em 1992. Pelo menos você veio no estúdio bem no dia em que estamos instalando painéis de energia solar", brincou.
CORPOS PRESENTES
QUANDO: de 12/5 a 15/7; de ter. a dom., das 9h às 21h
ONDE: CCBB (r. Álvares Penteado, 112, tel. 0/xx/11/3113-3651) e vale do Anhangabaú
QUANTO: grátis
FATOS E SISTEMAS
QUANDO: dos dias 9 a 11/5, das 11h às 22h; 12 e 13/5, das 11h às 20h; 14/5, das 11h às 19h; de 15/5 a 15/7, de ter. a sáb., das 11h às 19h
ONDE: r. Agostinho Rodrigues Filho, 550, Vila Clementino
QUANTO: grátis
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Texto de Rodrigo Russo, publicado no site do jornal “Folha de São Paulo” – 03/05/12.
Juca Ferreira afirma haver críticas "em quantidade e qualidade" suficientes para constatar "retrocesso" e "ruptura" na passagem de bastão. +
"Acho que é um desastre." Foi assim que o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira (2008-2010) definiu, em entrevista à Folha, a gestão da sucessora Ana de Hollanda.
Ferreira se manifesta no momento em que circulam na internet dois manifestos com críticas à pasta sob Ana de Hollanda, assinados pela atriz Fernanda Montenegro e pela filósofa Marilena Chauí, entre outros. "Se me chamassem, eu assinaria", disse.
Procurada na terça-feira (20) à noite, a assessoria da ministra disse que não poderia responder às críticas a tempo.
O ex-ministro diz ter "elegância acima da média e silêncio obsequioso com todas as diferenças programáticas" entre a sua gestão e a atual.
Isso não impediu que, ao longo de uma hora de conversa, Ferreira afirmasse haver críticas "em quantidade e qualidade" suficientes para constatar "retrocesso" e "ruptura" na passagem de bastão.
Ferreira foi, entre 2003 e 2008, secretário do então ministro Gilberto Gil. Com a saída do músico, assumiu o Ministério da Cultura (MinC).
Em oito anos, se viu às voltas com polêmicas na Lei Rouanet e na Ancinav, agência do audiovisual considerada autoritária.
Desapegar do cargo não foi fácil. Queria ter ficado na pasta? "Não dá para negar isso."
Até comprar briga com o PV ele comprou. Em 2010, após 23 anos de militância, se desligou da sigla --que requeria mais espaço no MinC.
No dia 2 de fevereiro, na festa para Iemanjá, filiou-se ao PT da Bahia. Na ocasião, circulava a brincadeira da "melancia": verde por fora, vermelha por dentro.
Hoje, mora na Espanha com a família, onde trabalha na Secretaria Geral Ibero-Americana, órgão da Cúpula Ibero-Americana de chefes de Estado e de governo, que reúne 22 países, Brasil incluso.
Juca veio a São Paulo para o 1ª Fórum Internacional de Gestão Cultural, um ciclo de debates na Livraria Cultura que começou nesta quarta-feira (21) e vai até sexta-feira (23).
Confira abaixo a íntegra da entrevista concedida pelo ex-ministro à Folha nesta terça-feira (20).
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Folha - O sr. mora na Espanha atualmente. Tem algum planejamento para uma volta?
Juca Ferreira - Não.
Por que a troca do PV para o PT e por que agora?
Eu já vinha em rota de colisão com o PV há muito tempo, há uns três ou quatro anos. O PV se distanciando do programa inicial e eu perdi o vínculo. Tivemos muitas divergências em relação ao ministério. No ano retrasado, eu apoiei a Dilma [nas eleições presidenciais de 2010], e o PV construiu uma outra candidatura [da ex-senadora Marina Silva], eu já estava praticamente fora.
E como surgiu a aproximação com o PT?
Na Bahia nós sempre andamos juntos. Éramos oposição à corrente do Antonio Carlos Magalhães [senador morto em 2007] e sempre trabalhamos juntos, sempre tivemos algumas afinidades importantes. Eu acho que o PT cumpriu um papel importante. Primeiro na redemocratização, organizando os movimentos sociais.
Desde o movimento sindical ao movimento de mulheres, de homossexuais, culturais, ambientais, o PT teve muita presença na organização disso. O Brasil contemporâneo precisava de uma democracia civilizada para poder mudar a estrutura do país.
O senhor disse que o PV entrou em conflito com alguns pontos do ministério durante a gestão do senhor. Quais eram os pontos divergentes?
O PV não tinha uma proposta diferente da nossa. Eles achavam pouco a minha presença, a presença de Gil e queriam ocupar espaço.
Queriam cargos?
É. Eu tenho muito cuidado com isso porque eu acho que o Estado não é botim de guerra, quem ganha a eleição. O Estado é um instrumento público e essa relação tem que ser muito cuidadosa.
Na sua gestão, houve muita resistência à Lei Rouanet nos moldes atuais, e daí surgiu a proposta de reforma da lei que é o ProCultura, que tramita no Congresso.
Não é resistência. Nós tivemos condições de constatar que a Lei Rouanet não gerou nenhum dos produtos que pretendeu gerar. Não criou um mecenato. Na verdade, é 100% de dinheiro público. E 100% de dinheiro público passando pelo crivo das empresas. O que, a rigor, é inconstitucional. O dinheiro público tem que ser usado a partir de critérios públicos.
Segundo não criou mecenato, ou seja, não atraiu recursos da área privada. Pelo contrário, passou a financiar a construção de intervenções privadas na área da cultura e concentrou excessivamente em dois Estados com as mesmas pessoas. Porque nesses Estados não houve distribuição porque não tinha critério. Então, quem passou a definir a política pública eram os departamentos de marketing. Era 80% do dinheiro que o ministério tinha era da Lei Rouanet.
Inclusive foram publicados anúncios durante a sua gestão criticando a concentração de recursos no Rio e em São Paulo.
Não é Rio e São Paulo. São os mesmos. Gil foi falar isso, ele ainda era ministro, num encontro no Rio de Janeiro, no teatro Leblon. Eu me lembro como se fosse hoje. Eu disse: "Olha, aqui eu estou vendo muitos artistas conhecidos, importantes, mas eu queria dizer que eu vou distribuir o dinheiro do ministério para o Brasil inteiro porque não se justifica que a cultura brasileira, tão diversa e rica, não tenha acesso a recursos públicos. E está muito concentrado em Rio e São Paulo".
Aí uma pessoa lá atrás levantou o braço, pediu a palavra e disse: "Não diga que é concentrado em Rio e São Paulo porque eu dirijo o maior centro cultural da Baixada Fluminense e nunca vi um tostão desse dinheiro --porque esse dinheiro é concentrado nos mesmos". O que é verdade. Era um processo de perda da razão do dinheiro público.
E aí o ProCultura viria para substituir esse modelo?
Tudo o que a gente fez foi precedido de muita discussão pública. Passamos dois, três, quatro, seis anos discutindo cada projeto de lei. E a Lei Rouanet exigiu muita discussão. Porque no processo de discussão você vai consolidando um esclarecimento e uma transparência, uma adesão, uma retificação do projeto inicial. É preciso discutir com artistas, criadores, produtores, empresários, gestores públicos e privados. E nós fomos muito coerentes com isso.
Então, demoramos, deixamos não só a Lei Rouanet, mas outros projetos de lei tramitando no Congresso. Teve um que foi aprovado recentemente, a Lei da TV a cabo, que não é da nossa autoria, mas teve nossa participação decisiva através da Ancine [Agência Nacional do Cinema], do ministro, no caso eu, apoiando, articulando. E é uma lei que vem dar uma grande contribuição nacional e na presença das telinhas.
O sr. acompanha a tramitação no Congresso da reforma da Lei Rouanet? Dizem que ela foi desvirtuada.
Porque recuperaram a proposta dos 100% [de isenção fiscal para financiadores privados, que não teriam de investir verba própria]. Isso já desvirtua [a reforma]. Mantém uma excrecência.
Produtores culturais alegam que a proposta da sua gestão, de obrigar empresas a investirem recursos próprios, afastaria os financiadores.
Se afastasse, não teria perda nenhuma, já que é 100% de dinheiro público. Estudei no colégio primário que zero menos zero é igual a zero. Mas não haveria isso, os maiores financiadores nos apoiaram.
Se é o proponente que necessita realmente do dinheiro e essas empresas de fato recuassem, não seria ele o prejudicado? Por que esse dinheiro não seria remanejado automaticamente para ele.
Eu quero lembrar que nós tínhamos um orçamento de R$ 217 milhões quando nós chegamos e saímos com um orçamento de R$ 2,3 bilhões. Ou seja, a gente estava fazendo a retificação. Não era só trabalhar a Lei Rouanet, a gente estava afirmando um projeto. Nós construímos um processo no Ministério da Cultura a partir de critérios públicos. Então, esse argumento é pobre.
No início da nossa gestão até poderiam dizer isso. "Esses caras vão acabar com uma coisa e não vão construir outra". Mas a gente fez o milagre dos peixes, a gente entrou com R$ 217 milhões, que era a média e o máximo até nós entrarmos, e deixamos R$ 2 bilhões. A Cultura nunca foi tão forte que nem no governo Lula.
O que mudou da sua gestão para a de Ana de Hollanda?
Não sou a melhor pessoa para avaliar. Estou longe. O Atlântico é mais do que uma poça d'água. Mas sei que se perdeu muita coisa. Vejo um nível [alto] de reclamação dos Pontos de Cultura. Parece que está bambo das pernas. Não por divergência, me parece que por dificuldade de implementar.
É falta de articulação política?
Eu não sou a melhor pessoa para dizer isso. Eu como ministro, digo ex-ministro, evito fazer comentários sobre o atual governo. Eu acho que não faltam críticos nem compreensão do que há de retrocesso. Eu sei que seria bom ouvir da minha boca, mas eu acho que sou a pessoa menos indicada para fazer essa observação.
Recentemente, o sr. falou a um blog que estaria mentindo se dissesse que estava contente com a atual gestão do MinC.
Eu acho que é um desastre. Isso é o que eu posso dizer porque já comentei num artigo de Idelber [Avelar, blogueiro e professor da Universidade Tulane, nos EUA].
Por que é um desastre?
É fácil constatar isso. É óbvio que há um retrocesso, um desinvestimento, a desestruturação de uma frente de trabalho importante. Não vi argumento sustentável que justifique o retrocesso do programa Pontos de Cultura.
A gestão atual do MinC apontou irregularidades nos editais desse programa lançados durante as gestões anteriores.
Não é verdade. Há gente contestando isso na Justiça. Quando não há boa vontade, e num Estado com pouco controle social como o Brasil, você faz e diz o que quiser.
O nome de Danilo Miranda, diretor do Sesc-SP, foi aventado em uma eventual substituição da ministra Ana de Hollanda. Já disseram que o problema dele é que não é mulher. O senhor acha que esse fator pesou na saída do sr. do MinC?
Não acredito. O que eu li foi o manifesto da Marilena Chauí [publicado na segunda-feira (19) no jornal "O Estado de S. Paulo"] e tem outro que eu não li. Se me chamassem, eu assinaria. Isso aí eu estou dizendo pela primeira vez.
*Por que há insatisfação com a gestão atual?
Porque, apesar de ser um governo de continuidade, houve uma ruptura inexplicável na área cultural. Há uma perda do que foi investido, das conquistas realizadas. Fui andar na rua em Salvador e vi pessoas pedindo: "Salve os pontos de cultura".
Qual é a ruptura mais gritante?
O projeto como um todo.
O sr. critica a falta de regulação do Ecad (que arrecada e distribui direitos autorais). Por que não mudou isso?
Porque não se recria [um sistema] facilmente. Vê a guerra que está agora. A transparência e a fiscalização do Ecad por um órgão são necessárias para garantir direitos dos artistas.
É preciso um órgão fiscalizador?
Sim, um órgão e um sistema de transparência para o próprio artista saber se está sendo lesado ou não.
O Ecad hoje está fora de controle?
Desde o governo Collor [1990-92].
O Ecad deveria ser regulado pelo governo?
Claro. Deveria ter obrigações de transparência em nome de quem eles cobram esse dinheiro.
O que foi feito durante a gestão do senhor para mudar esse quadro?
A Lei do Direito Autoral [na verdade, o texto ainda é um projeto de lei que está no Executivo após Ana de Hollanda reavaliar o texto elaborado durante as gestões Gil/Juca]. Ela foi modificada totalmente. Dizem aí nos blogs que há cópia de documentos do Ecad transformando em documento oficial. Não sei dizer porque não li os dois para comparar, mas vi que há uma suspeição.
Inclusive a ministra foi convidada para dar explicações no Senado. O senhor acha que a base governista não trabalhou para impedir isso?
Eu não sei o que houve. Mas de qualquer jeito eu fico triste porque foram 14 horas por dia de trabalho durante oito anos, de muita dedicação, uma escuta intensa de todo o Brasil, nós trouxemos para a política cultural os povos indígenas, os grupos culturais de favela, de periferia. Demos atendimento aos artistas de todo o Brasil, distribuímos recursos. E de repente, num processo de perda desse patrimônio acumulado.
O Brasil não vai se tornar uma grande nação realizando o crescimento da economia e colocando um pouco mais de dinheiro no bolso das pessoas. Isso é pouco. É fundamental, mas é pouco. É preciso garantir educação de qualidade para todos e garantir acesso pleno à cultura. Os números vocês devem conhecer porque eu repetia exaustivamente e não me esqueci. Pouco mais de 5% dos brasileiros entraram mais de uma vez em um museu, só 13% dos brasileiros vão ao cinema, só 17% compram livros, a média de leitura de livros é 1,7 per capita. Tão mudando aí o critério para ver se aumenta o número, mas isso não é bom fazer. Faziam na época da ditadura essas mágicas estatísticas.
Como é que o Brasil quer ser uma grande nação assim? Então, esse seminário [Fórum Internacional de Gestão Cultural: Para Além do Mercado, que será realizado em São Paulo entre hoje e sexta-feira], é fundamental, é uma discussão estratégica. Está todo mundo olhando para o Brasil. Às vezes eu acho que aqui de dentro não se tem noção da importância do país hoje no mundo. O Brasil hoje é um líder mundial, tem uma presença significativa e há uma expectativa, o mundo quer conhecer o Brasil. As artes plásticas brasileiras são consideradas de primeira linha no mundo. Os artistas são mais conhecidos lá fora do que aqui. Muitos. E a Bienal está ameaçada.
O que o sr. acha do MAM assumir o controle da Bienal?
Não sei. Mas seria um escândalo se deixássemos acabar a Bienal. É um patrimônio brasileiro. É o único evento globalizado a partir do Brasil. E coloca o país na ponta. As duas principais bienais do mundo são a de São Paulo e a de Veneza.
Essas dificuldades estão relacionadas à fiscalização de órgãos de controle. O ex-presidente Lula já reclamou bastante desses órgãos que, segundo ele, atrapalhavam o desenvolvimento do país. Há excessos na fiscalização?
Não existe excesso de fiscalização. Se existir, existe falta. O conflito entre o gestor e quem fiscaliza é normal. Às vezes quem fiscaliza não localiza exatamente onde estão os problemas e dificulta a execução de projetos importantes. No caso da Bienal, houve uma caracterização por parte do Ministério Público de que tinha havido uso indevido de recursos públicos sem a prestação de contas.
Mas a própria Bienal elegeu uma diretoria de oposição aos diretores anteriores. Eu fui ao Ministério Público e disse que seria um escândalo se a Bienal acabasse. Então faz um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] com a nova diretoria, a instituição está se propondo a resolver os problemas da gestão passada e garante a realização da Bienal. Eles fizeram uma ótima Bienal. Eu não acompanhei se eles cumpriram as exigências do Ministério Público ou não.
O senhor falou em continuidade. Existe uma continuidade de governo entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma e o senhor enxerga uma ruptura entre a gestão Gil/Juca e a de Ana de Hollanda...
Eu não. Mais de metade da torcida do Corinthians e acho que a torcida do Flamengo inteira.
Até que ponto a gestão da Ana de Hollanda não segue uma orientação do próprio governo Dilma? É uma gestão só da ministra e não do governo da presidente Dilma?
Acho que é cedo para dizer isso. Depende da maneira que a presidenta conduzir a questão.
O que a gente pode falar até agora?
Podemos falar que há uma dissintonia.
Hoje a presidente Dilma disse a jornalistas que a Ana de Hollanda fica no ministério.
Então pronto, ela fica. Eu não a ouvi dizendo isso, mas ela tem direito. Ela foi eleita, ela que se submeteu ao processo de gestão, ela que sabe se ela tem condições de fazer, com essas mesmas pessoas, uma reversão dessa política.
Em última instância, o governo é da presidente Dilma.
Não pode se estar trocando ministro a toda hora. Eu não sei o que passa na cabeça da presidenta, mas acho que é um direito dela.
O fato de manter a ministra sinaliza que a presidente concorda com a gestão?
Não. Talvez não. Não sei, estou muito longe para saber.
Você buscou se distanciar propositalmente?
Acho que um ministro não deve dar opinião sobre a gestão de outro. Acho deselegante. A política brasileira às vezes carece de elegância, de regra de civilidade.
Acha que a discussão acaba se tornando pessoal, e não política?
Já tem críticos em quantidade e qualidade suficiente, não me sinto motivado a participar desse processo.
Desde a passagem de bastão, o senhor já conversou com a Ana em algum momento?
Não, conversei antes. Depois que a presidenta Dilma ganhou a eleição, eu reiterei a orientação e tive uma reunião com ela, em dezembro [de 2010] já. Levei minha caderneta pessoal e li para ela 18 preocupações. Falei: preste atenção às leis que estão tramitando no Congresso, se vier alguma lei que tiver que ser modificada por discordância, faça isso publicamente, pois essas leis tiveram envolvimento muito grande mesmo. Preste atenção à Bienal. Precisamos apoiá-la para sair da crise. Falei dos Pontos de Cultura, da importância. Falei de João Gilberto. Precisamos apoiar João Gilberto na demanda de recuperar o controle do "Chega de Saudade", que é um patrimônio da cultura brasileira, e a empresa está fazendo mau uso dele. Era um caderno de anotações pessoais sobre pontos importantes do ano de 2011 para frente do MinC.
E quantos [dos 18] pontos você acha que foram correspondidos?
Não sei porque não estou acompanhando. Saí logo depois. Fui na Europa entre janeiro e maio três vezes, e maio eu comecei a trabalhar na Segib [Secretaria Geral Ibero-Americana, órgão da Cúpula Ibero-Americana de chefes de Estado e de governo, que reúne 22 países, Brasil incluso]. E foi bom ir longe. Não cabia mim, eu não exerço o papel de algoz, não é minha vocação.
A programação do fórum fala da gestão cultural para além do mercado. O que de concreto vai ser discutido nesses dias?
O papel do poder público, do Estado, na garantia do desenvolvimento cultural. O mercado só permite acesso a quem tem possibilidade de poder aquisitivo para comprar o CD, comprar o livro. Inclusive, li ontem, na imprensa espanhola, a seguinte frase: "Em todo o mundo ocidental, o desenvolvimento cultural tem no Estado a principal garantia de acesso". Houve uma época, década de 90, quando houve demonização do Estado, se acreditava que o Estado deveria manter distância, mercado era mais eficiente. Na verdade isso é uma falácia. Brasil precisa que Estado assuma sua responsabilidade. É preciso garantir através dos museus, dos centros culturais, dos financiamentos da produção.
E Vale-Cultura [projeto em tramitação no Congresso que prevê o repasse do valor mensal de R$ 50 a trabalhadores com rendimento de até cinco salários mínimos] seria um dos grandes pontos de acesso?
É, o Vale-Cultura seria.
Por que é que o projeto parou no Congresso?
Os projetos de origem do Executivo, para tramitar, precisam de acompanhamento da base política. Se não houver incentivo do ministério, dificilmente anda.
A defesa da ministra Ana de Hollanda contra a fiscalização do Ecad, como órgão privado, isso é uma visão de governo ou pessoal?
Como é que vou saber se não passei pelas reuniões de governo?
A então ministra Dilma tinha essa visão de Estado mais fraco em relação a órgãos privados?
Eu não acredito. Acho que o mundo contemporâneo, as relações privadas têm algum nível de regulação pública. Por exemplo: quando eu era menino, eu ouvia com muita frequência: briga de marido e mulher, ninguém mete a colher. Hoje, vá o marido bater na mulher pra ver que processo ele tem que... Ou seja, a opressão do macho sobre a mulher no ambiente doméstico evidentemente que são relações privadas, mas a sociedade coíbe esse tipo de prática. Não existe lugar nenhum do mundo que aconteça o que acontece no Brasil depois do governo Collor.
Desafio alguém a encontrar um lugar no mundo onde se arrecade dinheiro em nome de terceiros sem obrigações de transparências para esses terceiros, no caso de artistas e criadores, e não tenho um acompanhamento que se arrecade um volume que excede e muito a R$ 300 milhões por ano. E não ter nenhum mecanismo público.
Você falou que desde o Collor acontece. Mas por que o Brasil tem há tanto tempo esse ambiente que não floresceu em nenhum lugar do mundo?
Olha, você sabe que aconteceram coisas do arco da velha no governo Collor. Foi o auge da ideia de que o Estado é um ambiente caduco, que não se justificava mais, que o mercado se autorregularia. Foi um momento de deslumbramento com essas teses. E eles vieram para cima da gente com agressividade enorme, mas é verdade.
Que agressividade?
Verbal. Pegue os jornais da época que você vê a coragem que a gente teve de comprar todas as brigas. Qualquer que seja o sistema de regulação, o artista tem de ser pago. Pessoa de qualquer outra atividade é paga pelo seu trabalho. E direito autoral é a forma de reconhecimento do trabalho criativo e o retorno do artista. Isso é inquestionável, e nós não seríamos doidos, nem malucos, nem Gil esquizofrênico de negar esse direito básico.
Há um dualismo no debate que coloca a gestão da Ana como pró-Ecad e as gestões Gil/Juca como frouxas na defesa dos direitos autorais.
A internet veio para ficar. Não se pode colocar o direito do autor em contradição com o de acesso à cultura. Tem que buscar harmonização.
Você acha que o retorno do anteprojeto dos direitos autorais ao Executivo vai retardar ainda mais a discussão?
Não sou bom analista porque estou longe, desinformado, conscientemente distante. E acho que já tem crítica suficiente. Não sinto que está passando incólume a destruição do que nós fizemos. Pelo contrário. Aquele manifesto assinado por pessoas proeminentes da cultura, o Viveiros de Castro. É um documento, uma peça histórica. Se me chamassem, eu assinaria com a maior tranquilidade.
Há uma tropa de choque muito forte que milita em seu nome...
No meu nome, duvido. Você sabe que parte da área cultural queria que eu continuasse. Mas não é tropa de choque, não tem um nível de organização, pelo contrário. Fiquei um ano completamente isolado, sem partido, nem nada. Me filiei agora mais para me reinserir. Não quis fazer antes de sair para não sinalizar que era algo tático para me cacifar. Tive dúvidas se voltaria a me filiar a partido, qual partido. PSB, PT... Optei por me filiar ao PT.
Você se filiou ao PT pensando no futuro.
Evidente. A língua portuguesa separa o ser e estar. Algumas línguas não fazem essa separação. Eu fico imaginando como é que se viram para ter uma precisão ao se expressar, por exemplo, nesse caso. Estou lá, mas sou daqui. Passei quase oito anos entre Chile e Europa, fui exilado.
Pensando em 2012 e 2014?
Sei lá quando. Tenho filho de um ano, isso me ajudou a ficar um pouco em casa.
Você gostaria de ter continuado no ministério?
Na época, disse que sim. Não dá para negar isso.
Em um texto publicado na Folha em maio do ano passado, a colunista Eliane Cantanhêde afirmou que o senhor teria ciúme do governo atual.
Ela tem poder paranormais de saber o que eu penso? Isso é uma irresponsabilidade dela. Ela não tem nenhum elemento para dizer isso. Uma profissional não deveria trabalhar com esse nível de subjetividade. Apoiei Dilma publicamente, comprei uma briga no partido em que militei por 23 anos, divergi da candidatura de uma pessoa pela qual tenho maior respeito, que é Marina. Não sei de onde ela tirou isso, pelo contrário.
Tenho tido elegância acima da média, silêncio obsequioso com todas as diferenças que possa ter, e são diferenças programáticas com o atual governo. Uma profissional não tem direito de ser tão irresponsável quanto ao dizer isso. O que é ciúme? É um sentimento que você tem quando se sente ameaçado. Você só se sente ameaçado por quem você avalia que tem condições de superar o que você é, seja na relação afetiva ou não. Não me parece que seja um sentimento possível de eu ter.
O sr. fala que, até por uma questão de elegância do cargo, não emite opinião. Mas, ao longo dessa entrevista de 59 minutos, o sr. acha que não emitiu nenhuma opinião?
Não, não é isso. Eu não sou avalista, não julgo, não tenho capacidade porque estou longe, não tenho informações suficientes. Vocês, ao fazerem as perguntas, me revelam coisas que eu não sei, como está o projeto de lei, que foi incluído tal coisa, que cortou tal ponto. Nada disso eu sei. O que eu posso dizer é que está havendo um retrocesso, que houve um abandono de um projeto que foi construído durante o governo do presidente Lula em muitos pontos fundamentais.
Então, sobre isso eu tenho opinião. Isso é um desastre. Num governo de continuidade você fazer um desmonte de uma política bem-sucedida, sem uma justificativa? Agora, a partir daí eu não posso ir. Porque não tenho vontade, porque não conheço, porque estou distante conscientemente do dia a dia do ministério. Entendeu a diferença? Não é que eu não tenha opinião, eu tenho limites para emiti-la. Então, tentar extrair isso de mim, fazer de mim um crítico é uma forçação de barra. Eu sinto que a imprensa às vezes faz isso, mas não é elegante.
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Texto e entrevista de Matheus Magenta e Anna Virginia Balloussier, publicado no jornal "Folha de São Paulo" - 22/03/12
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A obra "Laranja, Vermelho, Amarelo", do pintor americano Mark Rothko, foi vendida nesta terça-feira (8) em Nova York por US$ 86,8 milhões, durante um leilão de arte contemporânea e de pós-guerra organizado pela Christie's, no qual também se destacaram trabalhos de Yves Klein e Jackson Pollock.
"Esse quadro é a personificação da arte de Rothko (1903-1970) e recria uma experiência que invoca o transcendental", descreveu à Agência Efe a diretora da venda, Laura Paulson, que afirmou que a "beleza e valor" da obra despertaram muito interesse entre os compradores.
Outra das estrelas do dia foi a pintura "FC 1", a última obra de Yves Klein (1928-1962) antes de sua morte precoce --aos 34 anos--, vendida por US$ 36,4 milhões.
Chegou a US$ 23 milhões a obra "Número 28, 1951", de Pollock (1912-1956), que combina o esmalte preto, a pintura cinza e as características salpicaduras do americano em vermelho, amarelo e branco.
"Onement V", um lenço em azul cerúleo com a assinatura de Barnett Newman (1905-1970), atingiu US$ 22,4 milhões, pois não vinha a leilão uma obra do artista americano de tanta magnitude nos últimos 20 anos.
Um dos artistas mais cotados no leilão foi Gerhard Richter (1932), cujo " Abstraktes Bild (798-3)", no qual o alemão combina os vermelhos intensos com o azul escuro, o branco e o verde, foi leiloado a US$ 21,8 milhões.
O trabalho de Willem de Kooning (1904-1997) se destacou na terça. "Sem Título I", de 1980, atingiu US$ 14 milhões. A obra constitui a culminação do estilo expressionista do artista holandês. É dele também a pintura "Sem Título V", de 1983, vendida por US$ 8,4 milhões.
Não só os pincéis brilharam no leilão da Christie's. A icônica fotografia "Sem Título #96", da americana Cindy Sherman, chegou aos US$ 2,8 milhões.
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Da agência de notícias EFE; artigo publicado no caderno Ilustrada do site www1.folha.uol.com.br
Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo, é nome sugerido para o Ministério da Cultura +
Um dos documentos sugere Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo, para o Ministério da Cultura; outro aponta 'despreparo' de responsáveis por pasta
Este é o início de uma semana crucial para a atual ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Desde o final da semana passada, manifestos de artistas e intelectuais começaram a circular pedindo abertamente sua substituição à presidência Dilma Rousseff. São assinados por gente à direita e à esquerda, moderados e radicais, notáveis e anônimos militantes da cultura digital.
O Caderno 2 publica abaixo uma das manifestações. Outro documento, uma carta de intelectuais e artistas que será entregue à Casa Civil (cujo primeiro nome assinado é o da atriz Fernanda Montenegro) diz que, "na hipótese de haver a decisão de substituição do titular da pasta da Cultura – tema veiculado na mídia, mas não necessariamente verdadeiro – a classe cultural, aqui representada em suas diversas linguagens e regiões, vem dar sua contribuição cívica, politico-participativa, e apresentar um nome que, certamente, faria a diferença na história do Ministério da Cultura, e aglutinaria os mais diversos segmentos ao seu redor: Danilo Santos de Miranda."
Danilo Miranda, diretor do Sesc São Paulo, é um nome sempre recorrente em época de crise no MinC. Anteriormente, ele se mostrava reticente, mas agora diz a interlocutores que, se convidado, aceitaria. Quarta-feira, em São Paulo, na festa dos 25 anos do Itaú Cultural, o ator Dan Stulbach disse que "se ministro da Cultura fosse eleito pelo voto direto, Danilo Miranda teria o meu voto". Mas outros nomes também estão sendo lançados por diversos grupos, entre eles o da atriz Carla Camurati (diretora do Teatro Municipal do Rio de Janeiro) e o da historiadora Rosa Maria Araújo, do MIS carioca (irmã do novelista Gilberto Braga e parceira de Sergio Cabral no musical Sassaricando).
São manifestações desinibidas, calcadas no fato de que Ana de Hollanda desfruta hoje de uma rara unanimidade negativa. A gota d’água, na semana passada, foi a revelação (pelo blog Farofafá) de que o MinC advogou em favor do Escritório de Arrecadação e Distribuição de Direitos (Ecad) em um processo no qual a instituição autoral é acusada de cartelização e gestão fraudulenta. O processo está em julgamento no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O Ministério da Cultura recusou-se a comentar o caso.
Por causa da denúncia, baseada em documento enviado pelo MinC ao Ministério Público Federal, a ministra foi convidada a se explicar no Senado. Ainda não disse se vai aceitar o convite. Caso aceite, dificilmente terá argumentos para convencer os senadores, já que está demonstrada sua defesa do Ecad (denunciado pelo próprio governo, por meio do Ministério da Justiça). Caso não aceite, poderá municiar ainda mais a oposição à sua gestão, corroborando acusações.
É uma associação desconfortável para o governo. A revista IstoÉ revelou essa semana que a CPI do Senado que investiga o Ecad deverá propor, em seu relatório final, daqui a um mês, o indiciamento de quatro dos seus diretores por formação de quadrilha, cartel e apropriação indébita.
Há rumores também que o isolamento da ministra causa uma caça às bruxas dentro da própria estrutura do ministério. Desde que assumiu, há 14 meses, Ana de Hollanda já demitiu dois chefes de Comunicação de sua assessoria, creditando aos subordinados os problemas de suas relações com a imprensa. Também se diz que ela e o homem que viabilizou seu nome para o MinC, Antonio Grassi (atual presidente da Funarte), só se falam agora de forma protocolar – na sexta, a ministra desautorizou nota oficial da Funarte informando que ela e seu secretário executivo, Vitor Ortiz, participariam de encontro da Funarte no Rio.
A ministra procura se afirmar tocando uma agenda "positiva". Antecipou editais do Fundo Nacional de Cultura de R$ 133 milhões – mas sem revelar o fato de que os editais não são um investimento extraordinário, apenas o adiantamento de uma agenda, já que, em julho, por conta da legislação eleitoral, será proibido destinar recursos a Estados e municípios (pode caracterizar favorecimento político). Entretanto, nem uma palavra sobre o corte de R$ 440 milhões do orçamento de 2012 (R$ 105 milhões da verba direta e R$ 335 milhões em emendas parlamentares).
A situação, como se vê, é tensa, mas dois dos mais lidos colunistas das Organizações Globo (Jorge Bastos Moreno e Ricardo Noblat) garantiram sábado, sem meias palavras, que "Dilma já decidiu: Ana de Hollanda fica na Cultura". Mais lenha na fogueira.
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Matéria de Jotabê Medeiros originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal "O Estado de São Paulo" em 19 de março de 2012 e divulgada também na newsletter do site www.canalcontemporaneo.art.br
Coordenada pela consultora Ana Letícia Fialho, a pesquisa foi realizada entre o final de 2011 e início de 2012 entre as 40 galerias de sete estados brasileiros que fazem parte do projeto setorial da ABACT e APEX. Juntas, representam aproximadamente 900 artistas. +
Um estudo da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT) e do projeto setorial de arte contemporânea da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) traz dados inéditos sobre o mercado das galerias de arte no Brasil.
Coordenada pela consultora Ana Letícia Fialho, a pesquisa foi realizada entre o final de 2011 e início de 2012 entre as 40 galerias de sete estados brasileiros que fazem parte do projeto setorial da ABACT e APEX. Juntas, representam aproximadamente 900 artistas.
Um dos dados mais importantes do estudo, que terá evento de lançamento durante a SP-Arte, em maio, é o forte aumento dos negócios registrado por essas galerias de arte, que atuam no mercado primário, ou seja, trabalham com o artista em atividade, e cresceram em média 44% nos últimos dois anos.
Essas mesmas galerias confirmam a tendência de internacionalização da arte contemporânea nacional, já que cerca de 48% dos seus artistas estão em coleções internacionais, enquanto 18% são representados por galerias estrangeiras e 20% dos seus negócios são gerados no exterior, em especial por conta da participação em feiras como a Art Basel Miami Beach, Frieze (Londres) e The Armory Show (Nova York), além de Bienais como Veneza (Itália), Istambul (Turquia) e Havana (Cuba). Vale ressaltar que o segmento de arte, segundo dados da ApexBrasil, registrou recorde de exportações no setor em 2011, com vendas de US$ 60,1 milhões.
Responsáveis por atividades como organização de exposições individuais gratuitas, arquivo, documentação e pré-financiamento de obras, captação de patrocínios, parcerias internacionais e gerenciamento da carreira, as galerias pesquisadas possuem em média 23,6% de novos artistas em seu portfólio e ganham cada vez mais importância na democratização da arte contemporânea no país, já que a média das obras de menor custo é de R$ 1.100, com variação entre R$150 e R$ 6 mil.
O perfil dos compradores de obras de arte revela o papel primordial dos colecionadores particulares brasileiros para o fomento da produção artística nacional, que já são responsáveis por 66% das vendas, contra 15% dos colecionadores estrangeiros e apenas 8% das instituições culturais brasileiras, mesmo percentual das empresas privadas.
Sobre o Projeto de Promoção Internacional ABACT/Apex-Brasil
O Projeto de Promoção Internacional da Arte Contemporânea Brasileira foi criado em 2007 pela ApexBrasil em parceria com a Fundação Bienal de São Paulo e o segmento de galerias nacionais do mercado primário com o objetivo de promover a arte contemporânea brasileira internacionalmente.
Em 2011, a Bienal passa a gerencia do projeto para ABACT. Hoje, o projeto ABACT/Apex-Brasil representa 40 galerias de arte contemporânea em sete estados, promovendo o trabalho de aproximadamente 800 artistas. Dentre as galerias, 31 também são associadas à ABACT.
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Release dos jornalistas Diego Serra e Nadiele Ventura, da Guanabara Agência de Comunicação
Signatários pedem a saída da atual ministra Ana de Hollanda e a indicação de um novo ministro da Cultura. +
Na última década, o Ministério da Cultura transformou-se em uma área especialmente dinâmica do governo federal. Ao reconhecer a importância primária das práticas de sentido para a vida social, o Estado deu-se finalmente conta de que tem responsabilidades incontornáveis no que toca ao estímulo, apoio e defesa das manifestações criativas que emergem do povo, ou melhor, dos povos brasileiros como expressão de sua vitalidade e de sua personalidade.
À medida que o país foi ganhando projeção internacional, maior foi se tornando a necessidade de definirmos e consolidarmos a contribuição distintiva que o Brasil espera estar em condições de dar à civilização mundial. Com este objetivo, a abertura da esfera pública a uma multiplicidade de agentes e ações, oriundos de todas as regiões do Brasil, ligados à criação de cultura, isto é, de valor existencial - artistas, ativistas digitais, produtores culturais, editoras independentes, coletivos experimentais, criadores da moda e do design, intelectuais, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, movimentos contra a discriminação de gênero e de orientação sexual, ambientalistas, grupos culturais dos mais variados matizes e propósitos - constituiu-se em uma das experiências institucionais mais inovadoras que o Estado brasileiro jamais promoveu.
Sob a liderança das gestões da cultura durante os 8 anos do governo Lula, o acolhimento entusiástico de uma vasta gama de manifestações antropológicas, tradicionais como modernas, regionais como nacionais, locais como globais, deu direito de cidadania e densidade politica a vários conceitos novos, doravante parte de nosso vocabulário de política pública: "cultura digital", "pontos de cultura", "cultura viva", "patrimônio imaterial", "cidades criativas", "economia da cultura", "diversidade cultural", "creative commons", "compartilhamento", "cultura e pensamento", "cidadania colaborativa", "participação setorial" e tantos outros. Um Plano Nacional de Cultura foi redigido pelo MinC com ampla participação dos setores interessados, e foi aprovado pelo Congresso Nacional. Tratou-se de um esforço consistentemente democrático de transformação da agitação social em meio de conquista de uma voz pública, de expressão da força viva dos povos de nosso país nos termos de um discurso de dimensões propriamente políticas, no sentido mais nobre da palavra.
Como herdeiro legítimo deste legado, o governo Dilma tem um grande desafio pela frente. É enorme a expectativa dos inúmeros grupos envolvidos no processo de emancipação cultural iniciado nas gestões passadas. Os que acompanham, como cidadãos, essa histórica reviravolta inquietam-se sobre a orientação que irá prevalecer uma vez encerrado o primeiro ano de uma gestão federal de cultura marcado por hesitações, conflitos e por mudanças de rumo que nos têm parecido infelizes.
É inevitável constatar que houve inúmeras perdas de visibilidade e de nitidez no horizonte da política cultural, comprometendo a imagem de um país que avança para o futuro sem perder a relação com seu passado, e que se moderniza sem destruir suas tradições. Depois de inúmeras notícias desalentadoras ao longo do ano que passou, a opinião pública constata que a presente gestão de nossa política cultural vem se mostrando descomprometida com o legado das conquistas recentes neste âmbito, como o atestam as inúmeras iniciativas de grande impacto dentro e fora do País. É digno de nota, em particular, o que parece ser o total desconhecimento, por parte da atual gestão do MinC, do debate internacional sobre os desafios que o novo regime capitalista globalizado coloca para os criadores em todos os âmbitos da cultura, nesta época em que a criação de valores existenciais se viu capturada e sujeitada pela produção de valor econômico.
O despreparo para a prática do diálogo e do embate crítico por parte dos atuais responsáveis pelo MinC é dolorosamente evidente. É assustador, por exemplo, que em recente entrevista a ministra afirme que tem vivido uma "guerra de nervos" e que todo o seu universo de preocupação esteja reduzido à sensação de que os que discordam de sua gestão estejam apenas querendo derrubá-la de seu posto, deixando de lado o sentido maior da vida democrática que é a possibilidade do diálogo e da reconciliação em benefício de algo público e de grandeza comum.
A criação cultural é indissociável da construção inovadora de horizontes para o País, é a cultura que forma as realidades que nos condicionam e projetam os destinos da vida em comum. Não faz mais sentido pensar nos quadros anacrônicos que tinham a chamada "infraestrutura", ou economia, como elemento primacial da vida humana, ao passo que a cultura, ou "superestrutura", era vista como artigo de luxo. Pois não é possível, justamente, entrarmos em pleno século 21 equipados com uma "superestrutura" mental que data do século 19. É um engano gravíssimo um Estado contemporâneo não dar a devida importância à agenda das políticas culturais, pois a economia sem a cultura não pode mais do que propagar a desvalorização de uma sociedade, colocando-a a mercê de interesses estritamente econômicos.
Desde que a crise global se abateu sobre o ocidente capitalista em 2008, a agenda cultural se tornou um tema ainda mais importante para nós e as disputas de sentido vão direcionando os possíveis caminhos a seguir. Ora, foi precisamente neste momento crítico que passamos a constatar a decadência do protagonismo do governo federal na área da política cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula. Esse perigoso isolamento do MinC pode nos fazer retroceder mais e mais nos próximos anos, ainda que a prosperidade econômica se mantenha. A mera celebração de uma "cultura" concebida como excedente simbólico entregue a profissionais consagrados da indústria de entretenimento certamente não pode substituir a consciência ativa do papel central que a força de trabalho criativa passou a desempenhar no cenário do novo regime capitalista. O MinC de hoje desconhece os sistemas de acumulação financeira, de ganho unilateral de corporações com os direitos autorais e de imagens. Ao tornar-se refém de um modelo institucional arcaico, o governo federal vai aceitando que as forças mais reativas do modelo neoliberal passem a conduzir as subjetividades, tornando-se um instrumento para sustentar apenas desejos sociais compulsivos de consumo, como se estes fossem o meio de produção de sociabilidade.
Neste sentido, a escolha do(a) ministro(a) que a Presidenta tem em suas mãos é um dos trunfos fundamentais na consolidação do projeto de país que se começou a implantar desde o fim da ditadura militar. Esta é uma responsabilidade crucial do governo federal e da sociedade civil, não podendo ser deixada ao sabor da Realpolitik e seus jogos de acomodação partidária. Esperamos que Dilma Rousseff, que tem mostrado grande competência na condução do País em outros setores, confirmada pelos altos índices de aceitação popular, tenha sensibilidade e coragem para indicar um ministro da cultura à altura do que requer este cargo, em vista da importância do Brasil no cenário mundial contemporâneo. Um(a) ministro(a) que alie uma escuta fina para a diversidade cultural, no acompanhamento das complexas demandas culturais internas e na articulação ousada com o cenário internacional, sobretudo em torno dos problemas deste novo estatuto da cultura.
A experiência acumulada por este nome escolhido é algo essencial neste momento. Quer em termos profissionais, quer em familiaridade com a política da criação contemporânea e a rica variedade a de suas manifestações, uma liderança suprapartidária e democrática é o que pode garantir um pulso firme e uma capacidade de gestão dinâmica, de verdadeira liderança nesta direção que o presente nos aponta. Nós signatários, como todos os produtores de cultura neste País, temos nossa parcela de responsabilidade nesta tarefa: cabe a nós o apoio ao futuro portador desta inteligência de qualidade cultural e a exigência de uma escolha acertada para os próximos anos da atual gestão federal neste importante âmbito da vida nacional.
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Carta assinada por Eduardo Viveiros de Castro, Gabriel Cohn, Laymert Garcia dos Santos, Manuela Carneiro da Cunha, Marilena Chauí, Moacir dos Anjos e Suely Rolnik originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal "O Estado de São Paulo" em 18 de março de 2012 e também divulgada na newsletter do site http://www.canalcontemporaneo.art.br
Amostra de tinta preta encontrada atrás de um afresco de Giogio Vásari, em Florença (Itália), pode levar grupo de estudiosos a encontrar obra perdida de Leonardo da Vinci, “A Batalha de Anghiari”. +
Cientistas e pesquisadores da área de artes afirmaram nesta segunda-feira (12/03/12) que um afresco do mestre renascentista Leonardo da Vinci perdido há cinco séculos talvez ainda exista por trás de uma parede da prefeitura de Florença. O responsável pela descoberta é um projeto de alta tecnologia que usa minúsculas sondas de vídeo.
“Com historiadores da arte e cientistas combinando evidência histórica e tecnologia, essa equipe de pesquisa solucionou um mistério de mais de 500 anos”, afirmou Terry Garcia, vice-presidente da National Geographic Society, dos Estados Unidos, que financiou a pesquisa.
O projeto para encontrar o que ficou conhecido como o “Leonardo Perdido” é polêmico, em parte porque os pesquisadores tiveram de abrir diversos orifícios em uma obra existente e porque nem todos concordam que o afresco de Leonardo ainda esteja ali.
No início do século 16, os líderes de Florença encomendaram a Leonardo, então no auge da carreira, um enorme afresco celebrando a vitória da República de Florença sobre a milanesa em uma batalha ocorrida nas planícies de Anghiari em 29 de junho de 1440.
Leonardo, que considerava a guerra uma “loucura bestial”, retratou um grupo de cavalos e cavaleiros em uma luta furiosa.
Ele abandonou o projeto um ano depois de começar, provavelmente porque uma nova técnica experimental para afrescos fracassou. Mas permanecem alguns de seus estudos preparatórios, assim como cópias de outros artistas do afresco original.
Todos os traços da obra original foram perdidos 50 anos depois, quando Giorgio Vasari restaurou a grande Sala dei Cinquecento, no Palazzo Vecchio de Florença, e recebeu a ordem de pintar um novo afresco, "A Batalha de Marciano", para acomodar as paredes mais altas.
Alguns acreditam que Vasari, que não queria destruir a obra de Leonardo, teria construído uma nova parede com um espaço de alguns centímetros na frente da de Leonardo para preservar o que restava.
Os pesquisadores usaram minúsculas sondas, como as usadas por médicos nas endoscopias, e outras ferramentas de alta tecnologia, e as inseriram nas fendas existentes na parede externa que segura o afresco de Vasari e pegaram mostras de substâncias.
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Texto divulgado pela agência de notícias Phili - Reuters - 12/03/12
Curada por Hans Ulrich Obrist, exposição na residência projetada por Lina Bo Bardi abrirá em setembro. +
Enquanto a 30ª Bienal de São Paulo deve ser marcada por artistas um tanto marginais em relação ao circuito, a mostra com curadoria de Hans Ulrich Obrist na Casa de Vidro, projetada por Lina Bo Bardi, apresenta nomes já consagrados.
A Folha obteve com exclusividade a lista com os 24 nomes já definidos para a exposição, que irá de setembro deste ano a maio de 2013.
Entre os selecionados estão os arquitetos Rem Koolhaas, Norman Foster e Paulo Mendes da Rocha, além dos artistas Douglas Gordon, Dan Graham, Cildo Meireles e a dupla Gilbert & George.
"Os nomes estelares estão definidos, falta incluir cerca de quatro jovens artistas", diz Ricardo Sardenberg, produtor associado do projeto.
Dos jovens selecionados, dois estão confirmados na Documenta, mais importante mostra de arte contemporânea do mundo, em junho, na Alemanha: a brasileira Renata Lucas e o argentino Adrián Villar Rojas.
Os escolhidos, segundo Sardenberg, devem preparar projetos inéditos a partir de visitas ao local. A exceção é a inclusão de uma obra de Alexander Calder (1898-1976). "Ele fez um desenho em homenagem a Lina e, por isso, foi incluído", explica.
A mostra, orçada em R$ 2,4 milhões, deve ocorrer em três fases: prelúdio, com abertura em 5/9, segunda fase, em novembro, e terceira, em março. "A cada etapa serão agregados trabalhos", conta Sardenberg.
A Casa de Vidro de Bardi (1914-92) é considerada uma obra-chave da arquiteta. A mostra é um bem-vindo pretexto para se criar uma infraestrutura de visitação.
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Texto de Fabio Cypriano para o jornal “Folha de S. Paulo” – 13/04/12
O artista baiano Almandrade mostra sua indignação com a burocracia que atinge a esfera cultural na atualidade. +
O artista que passa o tempo recluso na solidão do ateliê, trabalhando, desenvolvendo sua experiência estética, como um operário da linguagem e do pensamento, está em extinção. É coisa de museu.
Ou melhor, é raridade nos museus de arte, que estão deixando de ser instituições de referência da memória para servir de cenários para legitimação do espetáculo. Às vezes, com míseros recursos que ficamos até sem saber direito: quando nos deparamos com baldes e bacias nessas instituições, se são para amparar a goteira do telhado ou se se trata de uma instalação, contemplada por um edital para aquisição de obras contemporâneas...
O que interessa na política cultural nem sempre é a arte e a cultura, e, sim, o “glamour”. Em nome da arte contemporânea, faz-se qualquer coisa que dê “visibilidade”.
As políticas públicas foram relegadas às leis de incentivo à cultura e aos editais públicos. Nunca se fez tantos editais neste País, como atualmente, para, no fim das contas, fazer da arte um “suplemento cultural”, o bolo da noiva na festa de casamento.
Na fala do filósofo alemão Theodor Adorno: “As obras de arte que se apresentam sem resíduo à reflexão e ao pensamento não são obras de arte”. Do ponto de vista da reflexão, do pensamento e do conhecimento, a cultura não é prioridade. Na política dos museus, o objeto já não é mais o museu que se multiplicou, juntamente com os chamados “centros culturais”, nos últimos anos.
Com vaidade de supermercado, na maioria das vezes, eles disponibilizam produtos perecíveis, novidades com prazo de validade, para estimular o consumo, vetor de aquecimento da economia. A qualificação ficou no papel, na publicidade do concurso.
Esses editais que bancam a cultura são iniciativas que vêm ganhando força.
Mostram ser um processo de seleção com regras claras para administrar o repasse de recursos, muito bem vendidos na mídia, como métodos de democratizar o “acesso” e a “distribuição de verbas” para as práticas culturais.
Mas nem são tão democráticos assim. Podem ser um instrumento possível e eficiente em certos casos, mas não são a solução, é possível funcionarem, também, como escudo, para dissimular responsabilidades pela produção, preservação e segurança do patrimônio cultural.
Considerando-se, ainda, a contratação de "consultorias", funcionários, despesas de divulgação, inscrição... o trabalho árduo e apressado de seleção... é tudo, enfim, um custo considerável, que, em último caso, gera "serviços" e renda.
O artista contemporâneo deixa de ser artista para ser proponente, empresário cultural, "captador" de recursos, um especialista na área de elaboração de projetos, com conhecimentos indispensáveis de "processo público" e interpretação de leis. Dedica grande parte de seu tempo a esse negócio burocrático, que é a elaboração e execução de projetos, prestações de contas etc., todos contaminado pela lógica do “marketing”... coisas incompatíveis com o artista em si, que apostou na arte como uma “opção de vida” e com forma de conhecimento, algo que exige dedicação exclusiva...
Ou, pior ainda: o artista fica à mercê de uma “produtora cultural”, para quem essa política de editais e fomento à cultura é, aliás, um excelente negócio...
Mais uma coisa é preocupante: e se essa política de editais se estender até a sucateada área da saúde, por exemplo? Imaginem uma “seleção pública” para pacientes do Sistema Único de Saúde, que necessitem de procedimentos médicos... Os que não forem “democraticamente contemplados”, teriam de apelar para a providência divina, já engarrafada com a demanda de tantos pedidos...
Nem é bom imaginar. Que esta praga fique restrita aos limites da esfera cultural... Na pior das hipóteses, é uma “torneira” que sempre se abre para atender parte de uma superpopulação de artistas, proponentes, pedintes...
O artista, cada vez mais, é um técnico passivo com direito a diploma de “bem comportado” em “preenchimento de formulário”. E seu produto ficou relegado ao controle dos burocratas do Estado, e à “boa vontade” dos executivos de “marketing” das grandes empresas...
Se o projeto é bem apresentado, com boa “justificativa” de gastos e retornos, o produto a ser patrocinado ou financiado... se é mediano, se é excepcional, não importa! O que importa é a “formatação”, a “objetividade” do orçamento, a clareza das “etapas” e a “visibilidade”, o “produto final”...
Como sempre, existem as chamadas exceções, mas...
Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)
Publicado em coluna do Digestivo Cultural - março de 2012.
"Pintura Brasileira Séc. XXI" parte de um pressuposto conservador: traçar o panorama da produção nacional a partir de uma técnica, não por acaso a mais valorizada pelo mercado. +
"Pintura Brasileira Séc. XXI" parte de um pressuposto conservador: traçar o panorama da produção nacional a partir de uma técnica, não por acaso a mais valorizada pelo mercado.
Desde o início da arte contemporânea, a partir de meados dos anos 1950 e 1960, tal procedimento é recorrente.
Após artistas ampliarem o entendimento do campo artístico, retorna-se à discussão do suporte, como a pintura, para a manutenção de uma reserva de mercado corporativa.
Como afirma o curador Paulo Herkenhoff no catálogo da mostra de Lygia Pape, em cartaz na Estação Pinacoteca, "elencar técnicas pode ser hoje uma solução retórica que quase sempre substitui a problematização dos fenômenos de arte da expansão do campo linguístico".
Assim, já que entender o que se passa é difícil, melhor retornar a categorias do passado. No entanto, a pintura, a escultura ou a fotografia não são vertentes que de fato interessam ao debate da produção atual, já que elas se reduzem a uma técnica.
Fundamental seria perceber o que artistas estão buscando. Com isso, em resumo, falar de pintura é uma tarefa reducionista e artificial.
Isso se percebe quando no livro se reúne produção de Paulo Pasta e Cassio Michalany ao lado de Thiago Martins de Melo e Janaina Tschäpe. Só porque usam pincéis, não significa que pertençam ao mesmo universo.
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Texto de Fabio Cypriano publicado originalmente na "Ilustrada" da "Folha de S. Paulo" em 16 de abril de 2012 e reproduzido na newsletter do site http://www.canalcontemporaneo.art.br.
Na esteira de Inhotim, cresce no país o número de espaços para abrigar acervos particulares e exibi-los ao público +
Depois da iniciativa do empresário Bernardo Paz, que construiu Inhotim, o maior centro de arte contemporânea do Brasil, outros colecionadores brasileiros apostam em abrir seus acervos ao público. São cada vez mais frequentes as coleções particulares acessíveis a visitantes ou até mesmo transformadas em institutos. Em São Paulo, já existem pelo menos dois acervos privados que podem ser vistos por quem se interessar. Há ainda iniciativas semelhantes no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo. São, digamos, museus particulares para crítico nenhum botar defeito.
Como Bernardo Paz, que, num primeiro momento de seu instituto, recebia visitantes com hora marcada, o colecionador Oswaldo Corrêa da Costa criou um espaço para sua coleção, que pode ser vista em Pinheiros, em São Paulo, com agendamento prévio. Aos 53 anos, o economista aposentado diz que não lhe agradava o fato de seu acervo, que completa 40 anos em 2013, ser "um tanto estéril". Custeou (sem o uso de leis de incentivo) a reforma do espaço de 130 metros quadrados de área expositiva e outros 130 de subsolo e reserva técnica. Organiza no local, batizado de Coleção Particular, exposições trimestrais, que são, como afirma, "tentativas de compreender a própria coleção".
— Morei a maior parte da vida nos Estados Unidos, no Canadá e em países da Europa, onde há sempre coleções particulares abertas ao público. Estranhava que isso não existisse no Brasil. O exemplo de Inhotim foi fantástico, pena que é fora de mão — avalia o colecionador.
O modelo que impera no país, segundo ele, é o de coleções valiosas fechadas nos grandes apartamentos dos colecionadores, que recebem visitas restritas aos interesses do mercado das artes plásticas. Durante a Bienal de São Paulo, por exemplo, são frequentes os jantares e encontros para marchands internacionais nas "casas das coleções". Dono de obras de Hélio Oiticica, Mira Schendel, Leda Catunda, Leonilson e Antonio Dias, entre outros (são mais de 500 obras), Costa diz que, embora abra sua coleção, são raras as "pessoas comuns" interessadas em vê-la.
— Recebi até hoje 200 pessoas, algo como cinco por semana. Acho que os brasileiros ainda não estão acostumados — diz ele, que abre as portas da Coleção Particular apenas de quarta a sexta-feira. — Gostaria de ter mais tempo, mas, se fosse abrir direto, teria de contratar recepcionista, segurança. Evito ter muitos gastos, porque faço tudo sozinho.
Há colecionadores que se inspiram no modelo atual de Inhotim, institucionalizado e aberto como um museu. Nada, é claro, tem as dimensões do empreendimento de Bernardo Paz, que, recentemente, em entrevista ao GLOBO, disse que pretendia transformar seu centro cultural (com dois milhões de metros quadrados e estimado em US$ 200 milhões) numa espécie de "Disney das artes plásticas". Em Ribeirão Preto, o economista João Carlos de Figueiredo Ferraz, de 60 anos, inaugurou no final de 2011 um instituto que leva seu sobrenome — e guarda a coleção, de quase mil obras, formada por ele e por sua mulher, a arquiteta Dulce de Figueiredo Ferraz. Paulistano, ele escolheu a cidade do interior do estado para viver e construir sua usina de açúcar nos anos 1980, década em que iniciou sua coleção de obras de arte. Nos últimos anos, vinha tentando enviar seu acervo por comodato para instituições da capital e, sem sucesso, decidiu construir seu próprio instituto.
Inaugurado no fim do ano, o Instituto Figueiredo Ferraz é uma das maiores iniciativas recentes para expor uma coleção particular. São 2.500 metros quadrados de área construída e quatro salas de exposição, divididas em dois andares. Há ainda uma reserva técnica, um auditório para 60 pessoas, biblioteca, jardim, escritório e bar para os dias de eventos. Questionado sobre os custos da construção, patrocínios ou uso de leis de incentivo fiscal, o instituto informou que não comenta tais temas.
O Figueiredo Ferraz possui obras de artistas como Tunga, Vik Muniz, Tatiana Blass, Antonio Dias, Adriana Varejão e Nuno Ramos. Na inauguração, o instituto convidou Agnaldo Farias, curador da última Bienal de São Paulo, para selecionar as obras da primeira exposição, "O colecionador de sonhos".
— A ideia de abrir ao público foi uma consequência da abertura do espaço. Não fazia o menor sentido mantê-lo fechado sendo que essas obras fazem parte do patrimônio cultural da Humanidade e portanto devem ser vistas — diz Ferraz. — Inhotim é um exemplo extraordinário e deve ser aplaudido, mas acredito que nossa história seja um pouco diferente: enquanto eles compraram obras para ocupar um espaço, nós tivemos que achar um espaço para receber uma coleção que se formou nos últimos 30 anos.
Agnaldo Farias vê a iniciativa de mostrar uma coleção privada ao público como "algo naturalmente muito generoso e que dá visibilidade a uma obra que acabaria fora da vista do público". Farias acompanhou a formação da coleção de Ferraz, que, na década de 1990, "já se mostrava consistente". Para o curador, porém, o modelo ainda "engatinha" no mercado brasileiro.
— O próprio colecionismo no país ainda está se constituindo. É preciso se profissionalizar, porque há muita compra errada, muita volúpia de compra, que não configura uma coleção — diz Farias.
Colecionadora desde os anos 1960, a artista plástica Vera Chaves Barcellos, de 74 anos, diz que se cansou de ver as obras de seu acervo pessoal "em casa ou mal depositadas". Ela e o marido, o também artista e colecionador Patrício Farias, decidiram construir uma reserva técnica em 2005. A coleção seguiu crescendo e, em 2010, o casal criou um espaço em Viamão, a cerca de 20 quilômetros de Porto Alegre (RS). Hoje, estão prestes a inaugurar a segunda reserva, e seu espaço expositivo, de 400 metros quadrados, recebe a quarta exposição do acervo do casal.
— Ganhamos agora um edital do Ministério da Cultura para contratar um especialista em arte que vai atender as escolas que nos visitam — conta Vera, que, em parceria com o governo local, já recebe alunos de escolas da região.
Em São Mateus, no Espírito Santo, o escritor Maciel de Aguiar, de 60 anos, custeou a construção de dois prédios nos últimos 30 anos para abrigar sua coleção, composta principalmente de peças da cultura afro-brasileira. O Museu África Brasil deverá ter mais cinco prédios. Num deles, Aguiar vai exibir pinturas de Heitor dos Prazeres e objetos do período da escravidão, como troncos e algemas.
— A ideia não é minha, é do Darcy Ribeiro. Ele dizia que o país deveria ter um museu para reunir tudo sobre a escravidão. É o que pretendo. Sei que é um projeto grandioso e gostaria de ter parceiros — diz Aguiar, que banca a coleção e as construções com a venda de livros que escreveu sobre Pelé e Oscar Niemeyer.
O recente crescimento de coleções abertas ao público é acompanhado pela empresária Regina Pinho de Almeida, de 50 anos. Colecionadora desde os 25, ela se voltou na última década para a arte contemporânea brasileira e tem convidado outros colecionadores para reunir seus acervos num mesmo lugar.
— Todos se entusiasmam com a ideia, mas ninguém fecha — resigna-se Regina.
"A vaidade existe", completa a colecionadora, mas um dos motivos que espantariam os colegas é a necessidade de "regularização das obras, muitas vezes adquiridas em compras internas", ou seja, sem recibo.
— Muitos têm medo da questão legal, porque, até pouco tempo atrás, não se comprava com nota fiscal. Hoje, só compro com nota. Mas, para expor uma coleção, todas as obras teriam que ser regularizadas. A questão tributária é outro problema. Para uma pessoa física não é fácil conseguir incentivo e bancar todo o processo.
Fenômeno deve continuar
Para o colecionador Mariano Marcondes Ferraz, de 46 anos, que vive na Suíça e tem seu acervo nas casas da Europa e do Rio, a abertura ao público de coleções particulares é "um fenômeno que deve ocorrer no Brasil nos próximos dez anos, assim como ocorreu a profissionalização das galerias brasileiras nos últimos tempos".
— Hoje, existe um interesse maior em colecionar arte. Temos mais galerias e mais colecionadores, um reflexo do que está acontecendo no Brasil, de mercado aquecido. Além disso, a qualidade dos artistas brasileiros é excepcional, o que propicia a procura de visitas a coleções privadas — avalia ele. — Ter um espaço dedicado à sua coleção e torná-la acessível a mais pessoas é um sonho que todo colecionador tem.
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Artigo de Audrey Furlaneto originalmente publicado no caderno de cultura do jornal O Globo em 13 de fevereiro de 2012 e divulgado na newsletter do site www.canalcontemporaneo.art.br
Porto Alegre expõe o sempre surpreendente Arthur Bispo do Rosário, 23 anos depois de o ex-marinheiro ser revelado ao circuito da arte +
Para que serve a arte? A pergunta atravessa a história da civilização e já ocupou filósofos, semiólogos e uma enorme gama de intelectuais de todas as épocas. Uma das respostas mais cristalinas, daquelas que satisfazem o coração, e não apenas o intelecto, foi dada por um ex-marinheiro, boxeador e lavador de bondes, que acabou seus dias como interno da Colônia Juliano Moreira, instituição carioca dedicada a doentes mentais crônicos. Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), na solidão da cela, desfiava o uniforme azul e, com esse fio da cor do céu, envolvia os objetos do seu entorno e bordava estandartes, mantos e casacos. Classificava famílias de coisas. Construía pequenos navios embandeirados. Com o Manto da Apresentação, queria ser enterrado, para estar vestido com a história de sua vida ao chegar à presença de Deus.
Do mais fundo desamparo e abandono, Bispo do Rosário extraiu e teceu sua razão de viver, sua classificação detalhada do que entendia ser o mundo e a transcendência dele. Não conhecia Marcel Duchamp, mas, em processo análogo ao do grande artista e teórico da arte do século XX, usou objetos prontos (ready mades, na expressão emblemática para a arte contemporânea). Um conjunto emocionante desses objetos foi reunido na mostra individual em cartaz no mezanino do Santander Cultural de Porto Alegre. Um dos destaques é o Manto da Apresentação. Mesmo o mais cético e agnóstico visitante não deixará de se emocionar com essa bela e livre concentração de bordados, entrelaçamento de fios e signos que configuram a representação da existência de alguém que se manteve humano e capaz de articular desejos e objetivos mesmo diante do diagnóstico de insano. Reunindo fragmentos, de dentro e de fora de si próprio, Bispo do Rosário justificou em profundidade a função da arte.
Uma lástima, porém, que a expografia da mostra tenha cometido pelo menos uma impropriedade grave. Pendurou dezenas de objetos envoltos em fio azul em uma compacta “instalação” que tornou a maior parte deles invisível. Não se pode alegar que faltava espaço expositivo. O Santander Cultural da capital gaúcha oferece uma das maiores superfícies contínuas de parede de que se tem notícia no circuito brasileiro.
Em vez de ocultar a visão da maior parte das obras dessa “instalação” canhestra, os objetos podiam ter sido dispostos ao longo das paredes. Exatamente, aliás, como fez o crítico Frederico Moraes, em 1989, no Parque Lage, na mostra que revelou Bispo do Rosário para o circuito das artes: Registros de Minha Passagem pela Terra, exposição itinerante que foi a Belo Horizonte e São Paulo (MAC-USP) antes de chegar ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em 1990. Seguir essa boa ideia não seria demérito. Seria aprender com um dos críticos que melhor souberam ver e exibir a obra desse artista singular, que já representou o Brasil na Bienal de Veneza, em 1995.
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ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO: A POESIA DO FIO/ Santander Cultural, Porto Alegre/ Até 29/4
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Artigo de Angélica de Moraes originalmente publicado na seção de artes visuais da revista "Istoé" em 13 de abril de 2012 e divulgado pela newsletter do site http://www.canalcontemporaneo.art.br.
A medida deve beneficiar cerca de 65 mil trabalhadores, com direito a um salário mínimo por até quatro meses. +
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou em 21/12/11 projeto de lei que prevê a concessão de seguro-desemprego para artistas, músicos e técnicos em espetáculos de diversão.
Pela proposta, a categoria terá direito ao benefício no valor de um salário mínimo por até quatro meses. A medida deve beneficiar cerca de 65 mil trabalhadores.
O projeto foi analisado em decisão terminativa na comissão. O recurso segue em tramitação na Câmara dos Deputados.
Quem quiser requisitar o auxílio terá de comprovar que trabalhou em atividades da área por, pelo menos, 60 dias nos 12 meses anteriores à data do pedido do benefício e que não está recebendo outro benefício previdenciário de prestação continuada ou auxílio-desemprego.
Outra exigência é que tenha efetuado os recolhimentos previdenciários relativos ao período de trabalho e que não tenha renda de qualquer natureza.
Segundo a relatora da proposta, senadora Ana Amélia (PP-RS), a categoria é sujeita a desemprego permanente, da ordem de 80 a 85%. Ela destacou ainda que as relações de trabalho nessas áreas geralmente são informais e de curta duração.
Na avaliação da senadora, apesar da imagem glamurizada, esses profissionais "se encontram em situação de grande vulnerabilidade social".
Texto de Márcio Falcão publicado originalmente no jornal "Folha de S. Paulo" em 21/12/11.


