

Além do Brasil, a feira terá a participação de representantes de 13 países: Alemanha, Argentina, Colômbia, Espanha, EUA, França, Itália, México, Reino Unido, Peru, Portugal, Suíça e Uruguai. +
A ArtRio - Feira Internacional de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro apresenta a lista das galerias já aprovadas para a edição 2013. O evento acontece entre 5 e 8 de setembro e vai ocupar os armazéns 1, 2, 3, 4 e 5 do Píer Mauá. Além do Brasil, a feira terá a participação de representantes de 13 países: Alemanha, Argentina, Colômbia, Espanha, EUA, França, Itália, México, Reino Unido, Peru, Portugal, Suíça e Uruguai.
As galerias participantes foram definidas pelo Comitê de Seleção, formado este ano pelos galeristas Alexandre Gabriel (Galeria Fortes Vilaça / SP); Anita Schwartz ( Anita Schwartz Galeria de Arte / RJ); Cecília Tanure (A Gentil Carioca / RJ); Greg Lulay (David Zwirner / Nova York - EUA); e Matthew Wood (Mendes Wood DM / SP).
Entre as galerias selecionadas para o programa Panorama (galerias nacionais e estrangeiras com atuação estabelecida no mercado de arte moderna e contemporânea), algumas fazem em 2013 sua estreia na ArtRio como a Gladstone (Nova York / EUA), Marian Goodman (Nova York / EUA, Paris / França), Massimo de Carlo (Milão / Itália, Londres / UK), Pace (Nova York / EUA, Londres / UK) e Victoria Miro (Londres / UK), entre outras.
No programa Vista (espaço dedicado às galerias jovens, com foco em arte contemporânea emergente), serão 16 galerias apresentando projetos exclusivos, desenvolvidos para a feira. Entre as galerias que participam pela primeira vez da ArtRio estão Curro & Poncho (Guadalajara / México), Emannuel Hervé (Paris / França), Société (Berlim / Alemanha) e Thomas Brambilla (Milão / Itália).
A feira terá ainda dois outro programas. Lupa vai reunir no Anexo 4 do Píer Mauá cerca de 20 obras monumentais ou de grande escala, inéditas e/ou desenvolvidas especialmente para a feira (site-specific). A curadoria deste programa é de Abaseh Mirvali. O programa Solo, no Armazém 2, terá curadoria de Julieta Gonzalez e Pablo Leon de La Barra, que escolheram como tema a obra “Visão do Paraíso”, do sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda, publicada em 1959. Serão convidados dez artistas para participar deste espaço.
A ArtRio é realizada pelos sócios Brenda Valansi, Elisangela Valadares, Alexandre Accioly e Luiz Calainho.
|
GALERIAS DO PROGRAMA PANORAMA
A Gentil Carioca, Rio de Janeiro
Almeida & Dale Galeria de Arte, São Paulo
AM Galeria Horizonte, Belo Horizonte
Amparo 60, Recife
Anita Schwartz, Rio de Janeiro
Arte 57, São Paulo
Artur Fidalgo, Rio de Janeiro
Athena Galeria de Arte, Rio de Janeiro
Aut Aut, Rio de Janeiro
Baginski, Lisboa
Baró, São Paulo
Bergamin, São Paulo/Rio de Janeiro
Blain Southern, Londres
Bolsa de Arte de Porto Alegre, Porto Alegre
Carbono, São Paulo
Cardi, Milão
Casa Triângulo, São Paulo
Celma Albuquerque, Belo Horizonte
Choque Cultural, São Paulo
Dan Galeria, São Paulo
David Zwirner, Nova York
Eduardo Fernandes, São Paulo
Elba Benitez, Madri
Eliana Benchimol, Rio de Janeiro
Enrique Guerrero, Cidade do México
Filomena Soares, Lisboa
Folio, São Paulo
Fortes Vilaça, São Paulo
Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo
Gagosian, Nova York
Gávea, Rio de Janeiro
Gisele Linder, Basileia
Gladstone Gallery, Nova York
Gustavo Rebello, Rio de Janeiro
Ingleby, Edimburgo
Ipanema, Rio de Janeiro
Inox, Rio de Janeiro
Jean Boghici, Rio de Janeiro
Jorge Mara de la Ruche, Buenos Aires
Laura Marsiaj, Rio de Janeiro
Leme, São Paulo
Lemos de Sá, Belo Horizonte
Leon Tovar, Nova York
Logo, São Paulo
Luciana Caravello, Rio de Janeiro
Luisa Strina, São Paulo
Lurixs, Rio de Janeiro
Marcia Barrozo do Amaral, Rio de Janeiro
Marian Goodman, Nova York
Marilia Razuk, São Paulo
Mario Sequeira, Braga
Mark Muller, Zurique
Massimo de Carlo, Milão
Maurício Pontual, Rio de Janeiro
Mayoral Galeria D´Art, Barcelona
Mendes Wood, São Paulo
Mercedes Viegas, Rio de Janeiro
Mike Karstens, Munique
Millan, São Paulo
Monica de Cardenas, Milão
Mul.ti.plo, Rio de Janeiro
Nara Roesler, São Paulo
Oscar Cruz, São Paulo
Pace, Nova York
Parra & Romero, Madri
Paulo Darzé, Salvador
Paulo Kuczynski, São Paulo
Pequena Galeria 18, Rio de Janeiro
Pinakotheke, Rio de Janeiro/São Paulo
Polígrafa Obra Gráfica, Barcelona
Progetti, Rio de Janeiro
Rolf Art, Buenos Aires
Ronie Mesquita, Rio de Janeiro
Silvia Cintra + Box 4, Rio de Janeiro
SIM Galeria, Curitiba
Simões de Assis Galeria, Curitiba
Steiner, São Paulo
SUR, Montevideo
Tempo, Rio de Janeiro
Vermelho, São Paulo
Victoria Miro, Londres
White Cube, Londres
Zipper, São Paulo
GALERIAS DO PROGRAMA VISTA
80m2, São Paulo
Amarelo Negro, Rio de Janeiro
Athena Contemporânea, Rio de Janeiro
Central, São Paulo
Christian Lethert, Koln
Christinger de Mayo, Zurique
Curro & Poncho, Guadalajara
Emmanuel Hervé, Paris
Emma Thomas, São Paulo
Koal, Berlim
Lume, São Paulo
Societé, Berlim
Thomas Brambilla, Milão
Johannes Vogt Gallery, Nova York
PSM, Berlim
|
Serviço ArtRio 2013:
Data: 05 a 08 de setembro (quinta a domingo)
Local: Píer Mauá (Armazéns 1, 2, 3, 4, e 5) – Av Rodrigues Alves 10 - RJ
Venda antecipada no site www.ingresso.com. Data a ser comunicada.
www.artrio.art.br
www.facebook.com/artriofeirainternacionaldeartecontemporaneadoriodejaneiro
www.twitter.com/artriofair
Instagram: @artrio_art_br
Juiz da 5ª Vara Federal do Maranhão, avaliou que o ministério "não poderia excluir sumariamente as demais etnias" de seus editais e determinou "a imediata sustação de todo e qualquer ato de execução dos concursos que estejam relacionados" a eles. +
A Justiça Federal no Maranhão suspendeu os editais de apoio a criadores, produtores e pesquisadores negros lançados pelo Ministério da Cultura (MinC) em novembro de 2012. Segundo a decisão, a iniciativa do ministério representaria uma prática de exclusão racial.
"Eu fiquei indignada com essa história de suspensão, porque não tem nenhum sentido. É uma ação racista", afirmou a ministra da Cultura, Marta Suplicy, no programa de rádio "Bom dia, Ministro" da manhã desta quarta-feira (22).
O juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara Federal do Maranhão, em decisão publicada na última sexta-feira (17), avaliou que o ministério "não poderia excluir sumariamente as demais etnias" de seus editais e determinou "a imediata sustação de todo e qualquer ato de execução dos concursos que estejam relacionados" a eles.
Ainda segundo a decisão, a criação de editais para criadores e produtores negros "não pode servir de pretexto para a estruturação estatal de guetos culturais, que provoquem, por intermédio de ações com o timbre da exclusividade, o isolamento dos negros, colocando-os em compartimentos segregacionistas".
A atencipação dos efeitos da tutela foi tomada por Madeira a partir de uma ação popular ajuizada pelo advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho. Segundo ele, a ação popular não é racista, já que, seria a favor e não contra os negros.
"A investigação da cultura negra, objeto dos editais, está certa. A discriminação está no fato de só negros poderem concorrer ao edital. Todas as etnias deveriam poder participar", diz. "A Marta não sabe o que está falando."
Com um valor total de R$ 9 milhões, os editais do MinC, realizados em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), foram impugnados após uma ação popular apresentada por Pedro Leonel Pinto de Carvalho, procurador aposentado do Estado do Maranhão.
Os processos seletivos são de responsabilidade da Secretaria do Audiovisual (SAv) e de duas instituições vinculadas ao MinC: a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e a Fundação Nacional de Artes (Funarte), em parceria com a Fundação Cultural Palmares (FCP).
Em comunicado à Folha, o MinC afirmou que irá apresentar recurso à decisão do juiz. "O edital é legal, constitucional e há segurança na regularidade da política. O mesmo entendimento tem as áreas jurídicas da Funarte e Fundação Biblioteca Nacional, que também entrarão com recurso."
|
Texto publicado no jornal Folha de S. Paulo | 22/05/13
A pedido da presidente Dilma Rousseff, a instituição passa a ser admistrada pela pasta de Marta Suplicy. +
O Ministério da Cultura anunciou nesta sexta-feira (17/05/13) que, a pedido da presidente Dilma Rousseff, o Museu Nacional da República, em Brasília, passará a ser administrado pela pasta.
O Museu é atualmente gerido pelo Governo do Distrito Federal. Na tarde desta quinta-feira (16), o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz reuniu-se com a ministra da Cultura Marta Suplicy para discutir o processo de cessão do museu.
Segundo o Ministério da Cultura, a mudança ocorre para que a pasta possa tornar acessíveis obras de arte que fazem parte do acervo de empresas estatais, como o Banco Central, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
Segundo Wagner Barja, diretor do Museu Nacional da República --que tem cinco anos de funcionamento--, o acervo do museu conta atualmente com 500 peças. Além disso, abriga 1.300 obras do Museu de Arte de Brasília (MAB), fechado há sete anos.
Segundo ele, é preocupante o destino dessas obras, como uma pintura de Beatriz Milhazes que vale US$ 1,8 milhões, por exemplo. "Precisamos ver onde que essas obras serão abrigadas agora que o acervo do Museu vai mudar", diz.
Em abril, o Ministério da Cultura estabeleceu uma parceria de quatro anos entre a pasta, o Museu Nacional da República e o Victoria and Albert Museum, de Londres.
O acordo estabeleceu a vinda de uma exposição do museu britânico sobre design, arquitetura, moda, ciência e tecnologia a ser realizado no Museu Nacional da República entre a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Na época, Martin Roth, diretor do Victoria and Albert Museum, disse que a exposição será feita especificamente para o museu. "É um espaço lindo e com uma estética incrível, mas não é neutro, não é funcional, não é um cubo branco", disse.
A ministra Suplicy explica que a ideia de trazer o Museu para a gestão do MinC consiste em tornar acessível aos cidadãos grandes obras de arte que fazem parte do acervo de empresas estatais. “A intenção é que o Museu passe a contar com um acervo fixo e exposições itinerantes, além de uma gama de possibilidades que está sendo definida junto com a equipe do Ibram”, explicou Marta.
Enquanto advogados se esforçam para levar ao Congresso um novo projeto de lei que tornaria a falsificação de obras de arte um crime --a ação por enquanto é só enquadrada como estelionato ou falsidade ideológica--, a Phillips adiantou à Folha uma mudança nas regras. “Sempre que uma obra não estiver catalogada pelo espólio do artista, vamos consultar seus herdeiros", diz Laura Gonzalez, especialista em arte latino-americana da Phillips, que retirou na semana passada um Alfredo Volpi "duvidoso" de um leilão. +
Escândalos nas últimas semanas envolvendo obras falsas de artistas brasileiros em duas das maiores casas de leilão do mundo, a Christie's e a Phillips em Nova York, deixam evidente a sofisticação crescente de falsários no país.
"Estão furando o bloqueio até das casas de fora", diz Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, uma das maiores casas de leilão do Brasil. "Esses golpes já se tornaram quase diários."
Enquanto advogados se esforçam para levar ao Congresso um novo projeto de lei que tornaria a falsificação de obras de arte um crime --a ação por enquanto é só enquadrada como estelionato ou falsidade ideológica--, a Phillips adiantou à Folha uma mudança nas regras.
“Sempre que uma obra não estiver catalogada pelo espólio do artista, vamos consultar seus herdeiros", diz Laura Gonzalez, especialista em arte latino-americana da Phillips, que retirou na semana passada um Alfredo Volpi "duvidoso" de um leilão.
"Quem nos entregar obras para venda será informado de que vamos revelar seu nome aos herdeiros. Temos boas relações com o Brasil, mas o número de falsos é cada vez maior. É importante criar regras claras de autenticação."
No caso de obras falsas, advogados que defendem os direitos de artistas como Volpi e Candido Portinari tentam criar mecanismos para evitar que essas peças continuem a circular no mercado mesmo com suspeitas de falsificação.
Nada impede, por exemplo, que as supostas obras de Ivan Serpa, Mira Schendel, Amilcar de Castro, Roberto Burle Marx e Volpi, removidas dos leilões da Christie's e da Phillips, voltem ao mercado brasileiro "chanceladas" pela aparição no catálogo dessas casas renomadas.
"Botar a obra numa casa de leilão é um expediente frequente entre o pessoal que trabalha com coisas duvidosas", diz Marco Antonio Mastrobuono, diretor do Instituto Alfredo Volpi. "A própria pessoa articula para a peça não ser arrematada e depois tenta vender aqui com o catálogo em que ela aparece."
E elas aparecem cada vez mais. Num cenário que combina a fissura internacional por obras brasileiras e preços em alta, mas em que ainda falta conhecimento para identificar falsos, agentes de mercado no Brasil pressionam o governo a apertar o cerco contra falsários.
CAMINHO TORTUOSO
"Estamos agora trabalhando num projeto para tipificar como crime a falsificação", diz Maria Edina Portinari, diretora jurídica do Projeto Portinari. "No Brasil, isso não é crime. Se alguém estiver vendendo uma obra que sabe que é falsa, é estelionato. Se é pego em flagrante dizendo que é daquele artista, é falsidade ideológica. Mas esse ainda é um caminho tortuoso."
Luis Gustavo Grandinetti, desembargador aposentado do Rio, foi consultado pelos Portinari para aprimorar o projeto de lei que deve ser encaminhado ao Congresso. Ele propõe que a corte possa convocar uma comissão de especialistas sobre um artista para determinar se uma obra é ou não inautêntica.
Enquanto outros países têm isso previsto em lei, exigindo que uma obra declarada falsa por especialistas seja apreendida e destruída, a lei autoral no Brasil ainda é "omissa", na opinião de Pedro Mastrobuono, advogado do Instituto Alfredo Volpi.
"Um expert no Brasil não diz que uma obra é falsa porque ele pode ser denunciado por calúnia. Do ponto de vista jurídico, a figura do expert não está fundamentada", diz Mastrobuono. "Enquanto esses agentes estiverem desprotegidos das sanções criminais, estarão melindrados em assessorar as casas de leilão."
No projeto de lei dos herdeiros de Portinari, a comissão de especialistas a ser convocada pela corte teria o poder de um perito e não correria o risco de ser processada pelo dono da obra suspeita. "Esse risco de constrangimento desapareceria", diz Grandinetti. "Isso precisa ser levado ao debate político."
#
Artigo de Silas Martí publicado na “Folha Ilustrada”, do jornal “Folha de S. Paulo”, em 21/05/13.
Texto atribuído ao poeta e letrista Ricardo Chacal (Alvaro Machado) critica a política dos editais de cultura. +
As carreiras estão no prato. Está aberta a temporada dos editais. Existem centenas de fissurados. As carreiras são poucas. As pessoas que se juntaram para reclamar do dono da boca, agora vão se engalfinhar. É cada um por si e contra o outro.
Forma satânica de desenvolver a produção artística, de alimentar o ego. Arte está ligada à educação, ao encontro, à conversa, à uma forma mais criativa e digna de todos viverem a vida. Não deve ser um bibelô para decorar ambientes, combinar com a parede ou o vestido.
Em vez de editais, bolsas às pesquisas de linguagem e criar um grande circuito universitário colegial de modo que a arte entre nas escolas como forma de potencializar o conhecimento, aí quem sabe em alguns anos, o artista pudesse viver dignamente de bilheteria e do reconhecimento do público, numa sociedade mais cordial e bem informada.
Enquanto o artista for presa fácil dessa droga, querendo apenas adiantar seu lado, a arte vai ser apenas uma forma de competir, fazer carreira e se sentir arrogantemente poderoso. Até que passe o efeito da droga e ele tenha que cheirar mais mais mais. Quem sabe um dia ele descubra que seu corpo pode produzir essa sensação de prazer. Seu corpo junto com outro com outro com outro.
|
Texto retirado do Facebook, atribuído ao poeta e letrista Ricardo Chacal (Alvaro Machado).
Evento divulga lista de artistas participantes. +
Mais de 60 artistas, de 26 países, fazem parte dos convidados da 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre divulgada nesta sexta-feira pela manhã, no Theatro São Pedro. Há 15 brasileiros, sendo 10 gaúchos.
A seleção está dividida em dois grupos: artistas que irão apresentar obras já prontas (algumas inéditas) e outros que realizarão trabalhos ao longo dos três meses da mostra, entre setembro e novembro. Nesse segundo grupo, estão os que se deslocarão para a Ilha das Pedras Brancas, mais conhecida como Ilha do Presídio, e também os que trabalharão de forma colaborativa com empresas e indústrias gaúchas que abrirão suas portas.
“Apresentaremos artistas que fazem investigações e experimentações. Temos três abordagens de como os artistas trabalham hoje: artista como inventor, artista como colaborador e artista como mediador. Essas são as três aproximações em termos de critérios de seleção” diz a mexicana Sofía Hernández Chong Cuy, diretora artística e curadora-geral da 9ª Bienal.
Sobre a seleção, diz ela que, em lugar de critérios geográficos, de nacionalidade, identidade e fronteira, que estiveram presentes em maior ou menor grau nas oito edições da Bienal desde 1997, a prioridade foi escolher nomes que dialoguem com a proposta curatorial:
Questões de Estado, nação e fronteira são muito importantes, porque os artistas vivem em condições sociais e políticas distintas. Esses contextos informam a maneira com que os artistas trabalham e talvez o tipo de arte que fazem, mas não são temas das obras de arte e das exposições da Bienal. São dados e experiência que informam a prática artística.
Entre os brasileiros, Sofía destaca a paulista Erika Verzutti e o gaúcho Michel Zózimo. Dos latinos, cita a dupla argentina Faivovich & Goldberg e o equatoriano Anthony Arrobo. A lista ainda traz artistas históricos, como Robert Rauschenberg (1925, 2008), Mira Schendel (1919, 1988) e Tony Smith (1912, 1980).
“Apresentaremos uma série de projetos colaborativos realizados a partir da década de 1960, como os do norte-americano Tony Smith, do qual traremos uma obra preciosa e monumental”, promete.
Artistas convidados
São mais de 60 nomes, nascidos em diferentes países
Veja abaixo a lista dos artistas convidados
Alemanha 1
Argentina 6
Austrália 1
Bélgica 1
Brasil 15
Canadá 1
China 1
Colômbia 2
Cuba 1
Egito 1
Equador 1
Espanha 2
EUA 6
França 3
Filipinas 1
Geórgia 1
Holanda 1
Líbano 1
Lituânia 1
México 5
Peru 3
Polônia 1
Reino Unido 5
Suíça 4
Tailândia 1
Venezuela 1
Os brasileiros
Beto Shwafaty (1977, São Paulo)
Cinthia Marcelle (1974, Belo Horizonte)
Danilo Christidis (1983, Porto Alegre)
Eduardo Kac (1962, Rio de Janeiro)
Erika Verzutti (1971, São Paulo)
Fernanda Gassen (1982, São João do Polêsine, RS)
Fernando Duval (1937, Pelotas RS)
Katia Prates (1964, Porto Alegre)
Leonardo Remor (1987, Ipiranga do Sul, RS)
Leticia Ramos (1976, Santo Antonio da Patrulha, RS)
Luiz Roque (1979, Cachoeira do Sul, RS)
Michel Zózimo (1977, Santa Maria, RS)
Romy Pocztaruk (1983, Porto Alegre)
Thiago Rocha Pitta (1980, Minas Gerais)
Tiago Rivaldo (1976, Porto Alegre)
Artistas históricos
Juan José Gurrola (1935, 2007, México)
Luis F. Benedit (1937, 2011, Argentina)
Mira Schendel (1919, 1988, Suíça)
Robert Rauschenberg (1925, 2008, EUA)
Tony Smith (1912, 1980, EUA)
Os artistas participantes
Aleksandra Mir (1967, Polônia)
Anthony Arrobo (1988, Equador)
Audrey Cottin (1984, França)
Aurélien Gamboni & Sandrine Teixido (1979, Suíça)
Beto Shwafaty (1977, São Paulo)
Bik Van der Pol, Liesbeth Bik (1959, Holanda) e Jos Van der Pol (1961, Holanda)
Cao Fei (1978, China)
Cinthia Marcelle (1974, Belo Horizonte)
Christian Bök (1966, Canadá)
Daniel Santiago (1985, Colômbia)
Daniel Steegmann Mangrané (1977, Espanha)
Danilo Christidis (1983, Porto Alegre)
David Medalla (1942, Filipinas)
David Zink Yi (1973, Peru)
Edgar Orlaineta (1972, México)
Eduardo Kac (1962, Rio de Janeiro)
Eduardo Navarro (1979, Argentina)
Elena Damiani (1979, Peru)
Erika Verzutti (1971, São Paulo)
Faivovich & Goldberg, Guillermo Faivovich (1977, Argentina) e Nicolás Goldberg (1978, França)
Fernanda Gassen (1982, São João do Polêsine, RS)
Fernanda Laguna (1972, Argentina)
Fernando Duval (1937, Pelotas, RS)
Fritzia Irizar (1977, México)
George Levantis (Reino Unido)
Gilda Mantilla & Raimond Chaves, Gilda Mantilla (1967, EUA) e Raimond Chaves (1963, Colômbia)
Grethell Rasúa (1983, Cuba)
Hans Haacke (1936, Alemanha)
Hope Ginsburg (1974, EUA)
Jason Dodge (1969, EUA)
Jessica Warboys (1977, Reino Unido)
Jorge Villacorta (1958, Peru)
Juan José Gurrola (1935, 2007, México)
Koenraad Dedobbeleer (1975, Bélgica)
Katia Prates (1964, Porto Alegre)
Leonardo Remor (1987, Ipiranga do Sul-RS)
Leticia Ramos (1976, Santo Antonio da Patrulha-RS)
Liudvikas Buklys (1984, Lituânia)
Lucy Skaer (1975, Reino Unido)
Luis F. Benedit (1937, 2011, Argentina)
Luiz Roque (1979, Cachoeira do Sul-RS)
Malak Helmy (1982, Egito)
Marta Minujín (1943, Argentina)
Michel Zózimo (1977, Santa Maria-RS)
Mario Garcia Torres (1975, México)
Mira Schendel (1919, 1988, Suíça)
Nicholas Mangan (1979, Austrália)
Nicolás Bacal (1985, Argentina)
Pratchaya Phinthong (1974, Tailândia)
Rodrigo Derteano (1979, Suíça)
Romy Pocztaruk (1983, Porto Alegre)
Robert Rauschenberg (1925, 2008, EUA)
Sara Ramo (1975, Espanha)
Sandrine & Aurélien, Sandrine Teixido (1974, França) e Aurélien Gamboni (1979, Suíça)
Suwon Lee (1977, Venezuela)
Tarek Atoui (1980, Líbano)
Tania Pérez Córdova (1979, México)
Thiago Rocha Pitta (1980, Minas Gerais)
Tony Smith (1912, 1980, EUA)
Trevor Paglen (1974, EUA)
The Otolith Group, Londres, Reino Unido
Tiago Rivaldo (1976, Porto Alegre)
Zhenia Kikodze (1967, Geórgia)
Willian Raban (1948, Reino Unido)
|
Texto de Francisco Dalcol publicado no jornal "Zero Hora" | 17/05/13.
Texto para a exposição "Rosa Oliveira - Casa de Pássaro", no Centro Cultural Candido Mendes, em Ipanema, no Rio de Janeiro, de 22/5 a 22/6/13 +
Casa entre\aberta
A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa quando começa a pensar
“Felicidade”, Lupicínio Rodrigues.
Essa casa parece que se encerra em si mesma. Ela não abre as portas nem janelas, não aceita moradores, nem compreende a existência do abrigo, do descanso e do pouso. Há, entretanto, na sua imagem, um estranho mistério, um discreto convite ao visitante para desvendar seus espaços internos, penetrar nas entranhas da sua carne, casa\corpo que se abre ao vôo ao sonho, aos devaneios e à construção de uma nova realidade construída por uma precisa equação entre o pensar e o agir da artista.
Rosa Oliveira faz parte de uma forte vertente artística que busca interpretar e compreender o mundo através da síntese e da clareza dos meios técnicos e intelectuais que opera. As suas constantes faixas horizontais, planos de cor, fragmentos da paisagem parecem agora buscar o diálogo com outras formas, com outras geometrias que se comunicam com elementos da realidade cotidiana sem jamais abandonar seus compromissos essenciais com a disciplina e a verdade do mundo.
No século passado o modernismo apropriou-se da geometria como instrumento de construção de um mundo idealizado. Caberia ao artista construir artefatos que superassem os limites existentes da pintura, da escultura e da arquitetura. A criação de espaços seccionados através da linha e da cor tinha por objetivo criar portas e janelas para o mundo utópico a ser construído. Com a superação desses postulados, pulverizados por uma sociedade pós-industrial, diversificada e conectada virtualmente, a opção estética desses artistas que acreditam na objetividade e na expressão autônoma do espaço, da forma e da cor pode parecer, para o olhar apressado, algo anacrônico e ultrapassado.
Em meio ao ruído dos bytes acelerados e das imagens de um mundo sem ideologia e em constante transformação, algumas “estranhezas” nem sempre conseguem ser deletadas e o aparecimento de imagens pixeladas revela a base geométrica que forma e estrutura esse exército chinês de imagens vulgares. Assim, parece ser evidente que um dos papéis fundamentais da arte contemporânea é garimpar nesse cascalho e dele retirar elementos formais e estéticos que recuperem a identidade e assim restabeleçam vínculos mais consistentes na relação entre a arte e a vida.
No Brasil artistas como Rosa Oliveira – e também como ela, Sérgio Sister, José Bechara, Manfredo Souzanetto, Beth Jobim, e tantos outros – aceitam sem trauma o diálogo com o passado recente e se inserem na arena contemporânea regida pela diversidade não mais como arautos de uma verdade absoluta e sim, democraticamente como herdeiros de uma nobre linhagem de artistas que sempre buscou se relacionar com a verdade e os mistérios do mundo através da objetividade de seus métodos construtivos. Das clássicas teorias de Platão sobre a arte egípcia e a arte grega, sobre o mimetismo e a verdade, passando por Piero Della Francesca e Rafael, Manet e Cézanne, da arte indígena às esculturas e máscaras africanas, de Picasso a Mondrian, a história da arte se escreve tendo a geometria como base de ação que estrutura e dá sentido aos espaços e às formas.
As pinturas de Rosa Oliveira são elementos de grande potência visual. Ao estabelecer uma ponte sensível entre os elementos geométricos da composição e as poéticas específicas da casa como metáfora do corpo, do abrigo gerador de identidade e pensamento, a artista cria uma série dominada por cinzas e azuis que reforçam a unidade gráfica e a natural elegância das suas pinturas. A eventual presença de tons mais “quentes” e terrosos assinala o seu distanciamento de determinadas ortodoxias cromáticas aproximando-a de leituras mais poéticas e realistas com a paisagem revelada pelo olhar. Trata-se de uma obra densa e sensível produzida por uma artista que constrói cotidianamente, em silêncio e com perseverança, um belo e singular caminho na arte brasileira dos dias atuais.
#
Marcus de Lontra Costa, Rio. maio. 2013
#
Texto para a exposição "Rosa Oliveira - Casa de Pássaro", no Centro Cultural Candido Mendes (Galeria Maria de Lourdes Mendes Almeida), Em Ipanema, no Rio de Janeiro, entre 22/5 e 22/6/13
MARCUS DE LONTRA COSTA
Para o artista e professor Yuri Firmeza, o Salão de Abril incitaria "a competitividade através de uma ação marqueteira". Este ano, artista vencedor leva R$ 70 mil +
Ao adentrarmos no McDonalds vemos, estampado em uma parede, o retrato de um funcionário que se sobrelevou naquele mês. O destaque inscreve, mais do que uma imagem, o rosto do vencedor. A meta foi alcançada, o herói satisfez seu patrão e o lisonjeio o enche de orgulho.
Este procedimento, da promoção salarial por mérito, produz competitividade e garante, de maneira perversa, que o bom funcionamento da empresa esteja diretamente vinculado ao desejo de destaque de seus empregados. Ademais, a rivalidade é o motor desenfreado nas relações com os outros e consigo.
Tendo como base esta lógica empresarial, predominante no capitalismo cognitivo, a edição 2013 do Salão de Abril incita a competitividade através de uma ação marqueteira.
O Salão, que retrocede a cada edição, tenta desta vez ressuscitar o seu corpo agonizante através do prêmio de 70 mil reais conferido a um único artista – o funcionário premiado. Este é o slogan publicitário do Salão que tem como álibi a cristalizada assertiva de ser o mais antigo Salão do País. Mais grave do que este equívoco histórico é a afirmação, veiculada no site do Salão de Abril e reiterada por diversas vozes, de que trata-se do “principal evento de artes plásticas do Ceará”. O principal ou um dos poucos promovidos por uma Secretaria sucateada e negligente?
No entanto, a frase é bem formulada pois a operação é a mesma de um evento. Evento espetaculoso em total disparidade e descaso com a produção dos artistas em Fortaleza. Evento volátil que não cria pertencimento com a cidade – a não ser pela sua mera reincidência apática ano após ano. Evento que não deixa lastros e que para cumprir agenda precisa ser feito às pressas antes que o mês de Abril definhe – pensemos no prazo diminuto que foi dado ao curador desta edição do Salão de Abril, Ricardo Resende, para que apresentasse uma curadoria tirada da cartola. Não é possível desenvolver pesquisa curatorial com prazos exíguos que não permitem que o curador se debruce sobre a produção da cidade. Do mesmo modo que não é possível que curadores e artistas continuem aceitando estas condições descabidas de trabalho. Em suma, evento que não agrega, mas tenta desastrosamente maquiar a falta de políticas públicas que assola a cidade. Mas parte dos empregados da arte já começam a tirar seus velhos projetos empoeirados, esquecidos em seus baús, e almejam, agora, serem o funcionário do mês.
Não haverá surpresa se este for o Salão mais concorrido em sua história. E não haverá espanto se isto for massivamente veiculado como uma conquista, pois é o mecanismo quantitativo, os números e os recordes que pautam a pertinência destes eventos.
É preciso lembrar que esta edição do Salão está ocorrendo majoritariamente com o patrocínio do Banco do Nordeste e que sem esse patrocínio seria inviável a sua realização. Nem a verba de 70 mil reais concentrados a um artista e nem mesmo a realização do “principal evento...” estavam na rubrica da prefeitura.
Enquanto isso, à revelia das políticas públicas inexistentes na cidade (por mais paradoxal que seja esta frase), artistas inauguram espaços e produzem pensamento a partir e com Fortaleza, em total assimetria com o ranço colonialista alencarino (que não é um mérito nosso, pois existe igualmente em cada cidade do Brasil, em menor ou maior escala). Em Fortaleza, a Milu Vilela tem outros nomes, mas a operação de poderio é semelhante.
O montante investido neste antigo Salão – que mais do que antigo é velho, mofado e caduco em seu formato e anseios – poderia facilmente ser investido em uma série de ações que se desdobrariam ao longo do tempo. Ao invés de um evento espetaculoso, pontual e passageiro, uma ação continuada, processual e formativa.
Visivelmente a cultura está sendo tratada nos moldes do mercado transnacional. O que esperar senão Big Macs, o rosto do funcionário do mês e sua “obra de arte” escancarados nas páginas de algum jornal?
O Salão moribundo não pode nem mesmo descansar em paz, pois é através dele que uma tacanha rede de politiqueiros mantêm seus rostos em visibilidade nos cargos que ocupam há tanto tempo quanto a existência do Salão.
Mas atentem-se, de tão velhas as coisas apodrecem.
#
Yuri Firmeza é artista visual e professor do curso de Cinema e Audiovisual, da Universidade Federal do Ceará.
#
Texto de Yuri Firmeza originalmente publicado no jornal cearense "O Povo" em 14/05/13 e divulgado na newsletter do site www.canalcontemporaneo.art.br, que traz ainda uma resposta ao artista (leia abaixo)
#
Yuri
Pra quem já ganhou premio do salão de abril em 2004 e depois continuou participando e foi selecionado por mais 2 ou 3 vezes acho que seu texto meio fora do seu propiro contexto ... como diria minha querida avó Juvelina ( sábia velhinha , morreu aos 104 anos ) ... ela dizia que era muito feio ' cuspir no prato que se comeu ' , mas eu digo apenas : quem é vivo sempre aparece , né ? (Posted by: Paulo Mendes Faria at maio 17, 2013 2:20 AM).
Em resposta ao artigo de Yuri Firmeza publicado ontem no "Vida & Arte", o secretário de Cultura Magela Lima defende o atual formato do Salão de Abril +
É fato: a arte sobrevive sem tudo. Quase tudo, aliás. Ela respira sem recursos, inclusive os financeiros. É capaz de prosperar até na escassez de criatividade. Só não tem perspectiva, no entanto, sem opinião. É fundamental que a arte proporcione a quem a produz e também a quem a consome alguma inquietação. Na edição de ontem do O POVO, o artista plástico Yuri Firmeza, um dos vates da nossa cena contemporânea, publicou texto em que expunha críticas severas ao Salão de Abril, projeto atualmente tocado pela Prefeitura de Fortaleza, que comemora 70 anos de sua primeira edição agora em 2013.
Em linhas gerais, o texto de Firmeza é muito assertivo. Opinião, ao contrário de talento, é algo que, a priori, todo e qualquer um pode ter. A questão é que opinar requer segurança de argumentos. Li o artigo com entusiasmo. Há tempos, não via um intelectual da cidade se posicionar com tanta vontade e intensidade diante da nossa programação cultural. Yuri, entretanto, se atropela. Erra, por exemplo, ao julgar que o Banco do Nordeste, um dos apoiadores do evento este ano, arque com todo o volume de recursos. Isso não procede. Dos R$ 500 mil investidos na programação que segue até novembro, apenas R$ 100 mil são aporte do BNB.
Mas isso é preciosismo. O artista se equivoca, essencialmente, ao não se permitir ser propositivo. Para Yuri Firmeza, o Salão de Abril é velho, moribundo. E aí? O que mais é possível ser dito? Que saídas se colocam para o evento? Ou é certo que o Salão de Abril não tem perspectiva alguma? Questiono isso porque, ao longo desta edição festiva, o futuro do Salão de Abril está literalmente em debate. Entre as muitas atividades pensadas pela curadoria de Ricardo Resende, está justamente um encontro para discutir novas possibilidades que possam ser agregadas à programação nos próximos anos.
Firmeza, entretanto, trabalha com ideia de falência. E faz isso com uma argumentação tacanha e equivocada. Em nome do novo, se apega a uma das lógicas mais perversas e frágeis do panorama cultural local. Fortaleza se acostumou a dividir migalhas. Aqui, fala-se muito que, com o dinheiro X usado para fazer tal atividade, seria possível fazer outras coisas mil vezes mais interessantes. Somos, pois, irresponsavelmente desapegados. Desapegados e ingênuos. Acreditamos num devir imaginário e nos recusamos a mudar e transformar nossa realidade. É mais fácil, sempre, abrir mão do que se tem em busca de uma novidade supostamente melhor.
Eu espero tudo de um artista jovem como Yuri Firmeza, menos essa retórica do “não presta, então acaba”. Não! Que tal ressuscitar o Salão de Abril apontado como morto? Onde, de fato, está o problema? Eu, por exemplo, concordo que o caráter competitivo é delicado. Como curador do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, fui um dos mais aguerridos defensores do fim da competição no evento. Entretanto, reconheço que essa opção trouxe lacunas à programação da mostra, tão importante para as artes cênicas locais como o Salão de Abril para as artes visuais. Se premiar um único artista com R$ 70 mil é marketing, o que seria o ideal então?
Nas muitas conversas que aguçaram a realização do Salão de Abril de 2013, uma das fragilidades mais recorrentes apontadas por diferentes artistas, curadores e programadores era a timidez da nossa premiação, já que é praxe dos eventos do gênero esse tipo de fomento. Mas isso também é preciosismo. O fundamental é saber identificar os problemas e se dispor a enfrentá-los. Para uma cidade com 287 anos, uma ação cultural, seja ela qual for, que envergue 70 anos é digna, no mínimo, de zelo. Negar a importância do Salão de Abril é se omitir diante de uma realidade cultural que, apesar de, é nossa. Sim, de tão velhas, as coisas apodrecem. Mas as sementes não se vão e, com carinho e cuidado, podem vingar. Basta acreditar.
#
Magela Lima é secretário de Cultura de Fortaleza
#
Texto do secretário de Cultura Magela Lima originalmente publicado no jornal cearense "O Povo" em 15/05/13, e divulgado na newsletter do site www.canalcontemporaneo.art.br
Entre as maiores do mundo, Phillips pedia lances a partir de US$ 20 mil quando foi alertada por especialistas. No site "Mercado Livre", obra "duvidosa" sai por R$ 3.190 +
RIO - Uma semana depois de a maior casa de leilão de obras de arte do mundo, a Christie’s, retirar dez obras de brasileiros de uma venda por serem supostamente falsas, é a vez da Phillips, de Nova York, remover uma pintura de Alfredo Volpi de um leilão marcado para o próximo dia 23.
Acionada pelo Instituto Volpi, sediado em São Paulo e responsável por catalogar trabalhos do artista, a terceira mais importante casa de leilões do mundo decidiu que não venderá a obra sem título, com data de 1970, cujos lances deveriam começar em US$ 20 mil (cerca de R$ 40 mil).
Por questões legais, o instituto não crava que a obra é falsa, mas, sim, “duvidosa”. Trata-se de uma têmpera sobre papel timbrado — suporte que despertou a dúvida em Marco Antonio Mastrobuono, à frente do Instituto Volpi.
— Ninguém nunca viu papel timbrado no ateliê de Volpi — diz o diretor, que começou a frequentar o ateliê do artista “assiduamente”, como afirma, nos anos 1960. — Volpi não escrevia cartas, nem recibos. Teve uma instrução muito elementar com uma professora numa escolinha do Cambuci (bairro no centro de São Paulo). Para fins de escrita, ele poderia ser considerado um analfabeto funcional.
Há cerca de cinco anos, conta Mastrobuono, passaram a ser frequentes os trabalhos em papel timbrado com o endereço do histórico ateliê de Volpi, na Rua Gama Cerqueira, no mesmo Cambuci. Ocorre que, se um dia chegou a realizar estudos usando papel timbrado, eles datariam dos anos 1950. Nos anos 1970, data que aparece na obra que a Phillips pretendia vender, o artista já estudava as pinceladas em telas convencionais.
— Trabalhos em papel timbrado já são raríssimos. Soma-se a esse fato outra dúvida: como explicar estudos nesse tipo de papel numa época em que ele já usava tela? Não catalogamos nenhum trabalho desse tipo e, aos poucos, eles foram sumindo. Foi uma surpresa ver um desses agora num catálogo de leilão internacional — diz Mastrobuono.
O laudo enviado por ele ao diretor da Phillips, Henry Allsopp, enfim, diz que “a obra não reúne condições para ser catalogada, e o instituto não encontrou elementos para garantir que o trabalho foi feito pelo artista”.
No texto que indica a procedência da obra, publicado no catálogo do leilão da Phillips, a procedência da pintura indica que ela teria sido doada pelo artista e herdada pelo proprietário — Marcos de Paula Silveira, que até o fechamento desta edição, não respondeu ao pedido de entrevista da reportagem.
Banco de dados contra falsificações
O diretor da casa de leilões nova-iorquina afirma que a obra foi imediatamente retirada para análises.
— Com o crescimento do mercado de arte brasileira moderna e contemporânea também no cenário internacional, a questão da autenticidade vai continuar a aparecer, especialmente para mestres como Volpi — diz Allsopp. — É pouco provável que alguém falsifique um trabalho que é relativamente barato e executado em papel timbrado, mas não questionamos a autoridade do instituto. Como regra, vamos consultá-los sempre que recebermos obras atribuídas a Volpi que não estejam incluídas nos catálogos do artista.
Criado há menos de dois anos (por um despacho da juíza Vivian Wipfli, que autorizou Pedro Mastrobuono, filho de Marco Antonio, a fundar o órgão a ser presidido pelo pai), o Instituto Volpi tem catalogadas cerca de 2.700 obras do artista. O espólio dele continua em aberto, em disputa judicial, o que, defende o diretor, prejudica a organização do catálogo. Há, ele completa, cerca de 300 obras “duvidosas” de Volpi num banco de dados para tentar barrar o mercado de falsificações.
— Como o mercado internacional de arte brasileira é relativamente recente, as grandes casas de leilão conhecem pouco quem é colecionador consistente e quem é apenas portador de um único trabalho — diz Mastrobuono.
No Brasil, por outro lado, o artista está entre os preferidos de falsários, segundo negociantes de arte, e figura ao lado de outros mestres frequentemente atingidos, como Di Cavalcanti.
No site Mercado Livre, por exemplo, um Volpi também feito sobre papel timbrado era anunciado como original até o início da tarde de ontem.
“R$ 3.190,00 por uma obra original de Volpi? Isso mesmo!!!”, dizia o anúncio, que seguia com detalhes: “Firma reconhecida do artista no verso da obra; assinatura no canto inferior direito; declaração de autenticidade de renomado escritório de arte do Rio de Janeiro.” A peça seria proveniente de Presidente Venceslau, interior paulista, de um vendedor que fez, até então, oito negociações no Mercado Livre (63% delas canceladas, como informa o perfil do negociante).
— O trabalho em questão tem características semelhantes ao que apareceu na Phillips. Também é duvidoso, e não há notícias de que tenha sido feito por Volpi — lamenta Mastrobuono.
Caso semelhante na Christie’s
Na semana passada, o GLOBO revelou que a maior casa da leilões de arte do mundo, a americana Christie’s, retirou dez obras de brasileiros de seu leilão de arte latino-americana, pois as peças (de Ivan Serpa, Burle Marx, Amílcar de Castro, entre outros) seriam falsas. A casa fora alertada por colecionadores e marchands brasileiros cientes de que nem as obras nem suas procedências são conhecidas.
A casa, que ainda fará o leilão no dia 29 (sem as dez obras em questão, mas com outros 40 trabalhos certificados de artistas brasileiros) recebeu as peças do colecionador Ralph Santos Oliveira, cientista que vive em Niterói. Ele, por sua vez, afirma que recebeu as obras da avó, que as comprou nos anos 1970. Sofrendo de Alzheimer, ela já não pode informar como adquiriu os trabalhos, que agora estão em Nova York, na sede da casa de leilões.
— Eles me procuraram apenas para dizer que estavam retirando as obras, e concordei. Depois, não me procuraram mais. Não vivo de arte, nunca vendi um quadro na vida, foi a primeira e última vez. Posso dizer apenas que me comprometo publicamente a destruir as obras quando voltarem ao Brasil — afirma Oliveira.
#
Artigo de Audrey Furlaneto publicado no "Segundo Caderno" do jornal cario "O Globo" em 15/05/13.
Auditorias da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre os exercícios de 2010 e 2011 da Cinemateca apontam falta de controle do MinC sobre a execução dos recursos, além de problemas na gestão de bens e em licitações. +
Depois de exonerar Carlos Magalhães do cargo de diretor da Cinemateca Brasileira na semana passada, o novo secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Leopoldo Nunes, iniciou esforços para retomar o controle do órgão responsável pela preservação de 30 mil títulos.
Segundo ele, a secretaria foi "omissa" no controle da Cinemateca, que recebeu nos últimos dez anos cerca de R$ 170 milhões. Do total, R$ 20 milhões foram repassados diretamente pelo ministério e outros R$ 150 milhões foram captados, via renúncia fiscal e convênios com o próprio MinC, pela Sociedade Amigos da Cinemateca, uma organização sem fins lucrativos que dá apoio à gestão do órgão.
AUDITORIA
Auditorias da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre os exercícios de 2010 e 2011 da Cinemateca apontam falta de controle do MinC sobre a execução dos recursos, além de problemas na gestão de bens e em licitações.
Após o Carnaval, uma força-tarefa formada por membros do ministério, da Sociedade Amigos da Cinemateca e da CGU irá se debruçar sobre as prestações de contas dos repasses feitos pelo MinC para a ONG.
Desde o mês passado, quando assumiu a secretaria do Audiovisual, Leopoldo Nunes --ex-diretor da Ancine (Agência Nacional do Cinema) e da TV Brasil- sinalizou que fará mudanças na estrutura da Cinemateca, que, segundo ele, sofre uma "crise de crescimento".
A Sociedade Amigos da Cinemateca passou a gerir financeiramente, nos últimos dez anos, projetos pouco ligados às atribuições da instituição.
Esse inchaço se deu porque a ONG pode contratar pessoas e gastar recursos com menos burocracia e mais rapidez que o governo.
Um exemplo é o quadro funcional da Cinemateca: 80% de seus 112 funcionários são contratados pela Sociedade Amigos da Cinemateca em regime de pessoa jurídica.
O plano do novo secretário é esvaziar o poder da ONG e transferir parte dos projetos da Cinemateca --cuja sede fica em São Paulo-- para outras áreas da pasta, como o CTAv (Centro Técnico Audiovisual), no Rio.
INQUIETAÇÃO
As incertezas sobre o novo modelo administrativo e quanto à continuidade de projetos em andamento provocaram inquietação entre gestores, conselheiros e funcionários da Cinemateca.
"Estou preocupado com a autonomia e o futuro da instituição, que atingiu um nível extraordinário e hoje está entre as cinco melhores cinematecas do mundo", afirmou Carlos Augusto Calil, ex-secretário municipal da Cultura de São Paulo e membro do conselho.
Na última quarta-feira, segundo apurou a Folha, funcionários da Cinemateca foram comunicados de que seus cargos seriam extintos após mudanças anunciadas pelo MinC, mas em seguida a diretora interina, Olga Futemma, recuou e lhes informou que o corte de vagas não é certo.
O MinC nega que haverá demissões.
RUMOS
O sucessor de Carlos Magalhães ainda não foi definido. Na próxima segunda, o conselho da Cinemateca irá discutir os rumos da instituição e o nome do novo diretor, que pode sair dessa reunião.
Ao longo da gestão de Carlos Magalhães, entre 2002 e 2013, funcionários e membros do conselho dizem que a Cinemateca ganhou mais visibilidade, verbas e equipamentos modernos, mas que a preservação do acervo acabou em segundo plano, inclusive com redução da equipe.
Procurado pela Folha, Magalhães não quis comentar sua gestão.
Leopoldo Nunes afirma que a preservação e a digitalização do acervo da Cinemateca serão prioritárias na nova gestão da instituição. Ele estabeleceu como meta digitalizar 3.000 obras até o final do ano que vem.
#
Artigo de Matheus Magenta e Silas Martí publicado na “Folha Ilustrada” da “Folha de S. Paulo” em 26/1/13.
Crowdfunding gera US$ 2,7 bilhões e se consolida como financiamento viável para cultura +
O empreendedor Diego Reeberg tem uma meta ambiciosa: quer que o seu site, o Catarse, viabilize o mesmo número de projetos da Lei Rouanet (que tem um limite de 6,3 mil por ano). "Quero mostrar que é possível fazermos mais do que uma lei de incentivo", diz.
Os números ainda são bem mais modestos - o Catarse já financiou 520 projetos, levantando um total de R$ 7,3 milhões -, mas Reeberg tem razões para apostar alto. Um estudo recém divulgado pela consultoria Massolution mostrou que só em 2012 esse tipo de financiamento movimentou US$ 2,7 bilhões no mundo. E, em 2013, o total deve chegar a US$ 5,1 bilhões.
"Em 2011 estávamos testando a ignição, depois a aceleração, e agora estamos mantendo o crescimento. O Kickstarter (site pioneiro em financiamentos coletivos) cresceu baseado em pequenos projetos culturais e agora tem projetos milionários", diz Reeberg.
Há dois meses, o diretor Rob Thomas resolveu ressuscitar a série Veronica Mars, extinta em 2007, em forma de longa. Ele se reuniu com a protagonista Kristen Bell e, em vez de esperar o interesse da indústria, apostou no financiamento coletivo no Kickstarter. Quem doava poucos dólares tinha recompensas como ingressos para a pré-estreia; quem estivesse disposto a gastar alguns milhares poderia nomear personagens ou até fazer figuração no filme. Um mês depois ele atingiu a meta inicial de US$ 2 milhões. O projeto continuou arrecadando: hoje a soma ultrapassa US$ 5 milhões - o recorde da história do site.
"Se você pensa que o crowdfunding apenas significa pequenas empresas que lançam games e aparelhos, pense de novo. O crowdfunding emergiu como uma alternativa viável para o financiamento público e privado", diz o estudo. Para Kevin Kartaszewicz-Grell, diretor do Crowdfunding.org e líder da pesquisa, os sistemas atuais de financiamento não estão em crise por si. Mas os artistas e empreendedores são os primeiros a sofrer o impacto do racionamento de crédito - e, por isso, as plataformas de financiamento coletivo estão conseguindo sucesso em nichos.
Os números do Brasil são pequenos perto da força que o modelo tem nos EUA e na Europa. Mas Kartaszewicz-Grell é otimista. "A população da América Latina tem as maiores taxas de adaptação ao comércio eletrônico, o que é essencial. E há várias plataformas interessantes na região", analisa.
O Sibite foi o pioneiro no País. Criado no final de 2009 (quando o Kickstarter engatinhava), o site já financiou 56 projetos - entre eles o documentário Hélio Oiticica, que pediu R$ 50 mil e conseguiu R$ 64 mil (entre os prêmios para os doadores, havia até obras originais do artista).
O Sibite hoje aposta no crossfunding: combina a doação do público com o patrocínio de empresas. "Todas as maneiras de captação são válidas", diz Bruno Beauchamps, produtor de cinema e um dos sócios do site. Em breve, será lançado um novo modelo de captação, em que os investidores terão participação nos lucros dos projetos. "No crowdfunding, você não depende de um diretor de marketing ou de uma lei. Basta ter vontade do dono do projeto para planejar e batalhar", diz Beauchamps.
A cantora Gisele de Santi acaba de conseguir R$ 27 mil para a gravação de seu segundo disco no Catarse (o primeiro foi gravado com verba da prefeitura de Porto Alegre). "O crowdfunding é a forma do público decidir sem imposições de mercado o que realmente quer consumir", diz.
Música e cinema lideram o Catarse em número de projetos, mas a categoria mais bem-sucedida é a de quadrinhos - 75% dos projetos atingem a meta inicial. O cartunista independente Rafael Koff ajudou a engrossar a estatística: ele já lançou dois livros financiados com a verba das doações e acaba de cadastrar o terceiro projeto no site. Cuecas por Cima das Calças, uma paródia sobre super-heróis, atingiu a meta de R$ 5 mil quatro dias depois de entrar no site.
"Antes, eu produzia e lançava livros sem editora", conta Koff. "Fazia tiragens pequenas e vendia diretamente, mas era arriscado." Ele é um dos que acreditam que o sistema já está substituindo o financiamento por leis ou patrocínio.
Kartaszewicz-Grell concorda: "Nos modelos tradicionais, os empreendedores são vetados com métricas padronizadas como nível educacional, estado civil, profissão. E, em algumas circunstâncias, isso impede o acesso ao capital". Para Rob Thomas, que quebrou recordes no Kickstarter, o modelo não substitui nem revoluciona - mas abre portas. "Para algo como Veronica Mars, com muitos fãs, eu acho que esse é um novo caminho. Não haveria outra maneira deste filme ser feito."
#
Artigo de Tatiana de Mello Dias publicado no site www.estadao.com.br, do jornal "O Estado de S. Paulo" em 14/05/13.
Matéria fala sobre a "desmistificação" da profissão de curador. +
Eles nasceram "fora do Olimpo", têm as mãos "mais sujas" e dizem que há muito mais trabalho braçal do que glamour em ser curador. A nova geração desses profissionais que desponta no país já conquistou espaço no circuito, mas ainda tenta decifrar a arte contemporânea.
Decifrar, catalogar, ordenar, exibir, criticar, contextualizar e uma série de outros verbos aplicados à dissecação de um dos campos que mais cresce nas artes visuais brasileiras, projetando a imagem do país lá fora.
Nos últimos dez anos, houve o que esses jovens curadores chamam de "desmistificação" da profissão, com a multiplicação de cursos formadores, a maior inserção da geração nos grandes museus e centros culturais do país e a voracidade de um mercado de arte que catapultou a demanda por novos nomes.
"Nós somos a última geração autodidata, uma geração de passagem", diz Paulo Miyada, 27, que vem organizando mostras de relevância no Instituto Tomie Ohtake. "Mesmo que haja um 'star system' nas artes visuais, vivemos um cotidiano mais braçal do que glamouroso."
Bernardo Mosqueira, 24, carioca que montou sua primeira exposição há três anos, levando obras de 47 artistas a sua casa no Jardim Botânico, é mais direto e denuncia a "falência da imagem do curador", o fim da ideia exagerada "do cara vestido de Armani, viciado em cocaína e preso à agenda telefônica".
"Essa imagem é uma cilada, é irreal", diz Mosqueira. "A ponta visível do iceberg, que é a abertura da exposição, com todo mundo em volta de você, é só o topo brilhante da montanha. Mas abaixo dela, há um trabalho sinistro e árduo de pesquisa. Não é nada 'rock star'."
"Nossa geração já nasceu fora do Olimpo", diz Ana Maria Maia, 28, que será assistente de Lisette Lagnado no próximo Panorama da Arte Brasileira, uma das mostras mais relevantes deste ano.
"Era quase um desígnio divino exercer esse cargo, mas não somos mais essa figura soberba e cultuada. Artistas e curadores hoje são contemporâneos, travam uma conversa que acontece agora."
Moacir dos Anjos, que escalou Maia para ser sua assistente à frente da Bienal de São Paulo há três anos, vê uma "mudança perceptível de atitude" nesse campo. "Há uma insatisfação dessa geração com os modelos já existentes e uma disposição muito maior para experimentar."
Embora seja cedo, na opinião dele, para apontar novas tendências de curadoria, o sistema amadurece. "Essa geração consegue inserir o artista num campo mais amplo, tirar a arte de seu lugar específico e pôr ideias em conflito", diz Anjos. "Mas vai haver uma seleção natural entre os que têm algo a dizer e os que só têm uma pose a defender."
TESÃO E PODER
Isso porque existem os que trabalham "por tesão" e os que vão atrás de "poder", nas palavras de Mosqueira. Mas os que se firmam, na opinião de Luisa Duarte, 33, são os curadores que conseguem ser "intelectuais de seu tempo".
"É um trabalho de ir formando um olhar mais agudo sobre a produção contemporânea", diz Duarte. "Hoje há uma troca mais horizontal entre curadores e artistas, uma relação mais intensa do que nas gerações anteriores."
Solange Farkas, que costuma escalar jovens curadores para ajudar a organizar o festival Videobrasil, também enxerga relações mais próximas entre curador e artista, mas não atribui isso à geração.
"Vivemos um bom momento com a nova safra de curadores. É um contraponto ao mercado voraz", diz Farkas. "Mas, jovem ou velho, sempre acreditei num diálogo de igual para igual com o artista. Não acredito em grandes nomes da curadoria. Isso tem mais a ver com ego e vontade de projeção no mercado."
Se a arte e seu mercado são indissociáveis, equilibrar esses campos de forma inteligente é o desafio da nova leva de curadores, na opinião de Moacir dos Anjos.
"É um processo de construção e demolição constante", diz o curador. "Mas a ambição deve ser fugir da superfície, da coisa rasa, e fazer algo com significado real."
|
Texto de Silas Martí publicado no Jornal Folha de S. Paulo | 07/05/13.
Réplica de Tadeu Chiarelli ao texto "MAC tem problemas estruturais e conceituais", de autoria de Fábio Cypriano, publicado no jornal "Folha de S. Paulo" em 29 de abril de 2013. +
Mais do que o título "O MAC tem problemas estruturais e conceituais", em texto de Fabio Cypriano publicado nesta "Ilustrada", estranhei o subtítulo: "Mostra pouco ambiciosa que inaugura nova sede do museu é prejudicada por excesso de colunas e pé direito baixo".
A Folha esqueceu que o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo atua ali faz mais de um ano? O texto informa que a exposição O Agora, o Antes: Uma Síntese do Acervo do MAC "finalmente ocupa o sétimo andar da nova sede".
Crítica: MAC tem problemas estruturais e conceituais de Fabio Cypriano
Como assim? Não se trata do fim de um processo. Essa exposição, junto com "Di Humanista", inaugurada na mesma data, dá continuidade ao processo de implantação do Museu naquele espaço, iniciado em janeiro de 2012, e que no estágio atual já comporta sete exposições.
Portanto, não é a mostra que deve ou não ser julgada ambiciosa. Ambicioso é o processo total de implantação de um museu público universitário naquele complexo e o que quer que se escreva sobre a mostra deveria levar em conta esta situação.
O jornalista parece ter ficado decepcionado com a montagem da exposição que, para ele, não teria dado conta dos problemas resultantes da adaptação do edifício para seu novo objetivo.
Lamento a decepção, mas afirmo que a equipe conseguiu driblar as dificuldades apresentadas pelo espaço sem esconder, com recursos cenográficos, os condicionantes físicos do lugar. Este é um partido expográfico assumido pelo Museu e que será mantido nas próximas. (Lidar com limitações impostas pela adaptação de edifícios históricos é uma problemática constante na história da arquitetura de museus que não deve ser camuflada).
Quando Cypriano escreve sobre a mostra "em termos de conteúdo", fala da suposta dificuldade do MAC USP em apresentar seu acervo.
Para embasar essa impressão lembra que o Museu Reina Sofia "vem tentando rever a história da arte de um ponto de vista menos eurocêntrico". Já o MAC USP, "parece não buscar um realinhamento dentro desse panorama".
Rever a história da arte não significa seguir ditames dessa ou daquela instituição ou ditames "politicamente corretos" das penúltimas teorias. O MAC USP optou por reexaminar as narrativas mais arraigadas da história da arte "eurocêntrica", atacando um de seus baluartes: os gêneros artísticos tradicionais.
A partir da mostra fica claro como esses gêneros foram e vêm sendo processados por artistas modernos e contemporâneos, numa relação complexa de reiteração e superação de valores que transcendem a simples aproximação entre passado e presente.
Colocar em relação obras de arte que, separadas no tempo e no espaço turvam a hierarquia dos gêneros, é propor outro patamar para rever as narrativas canônicas da história da arte e mesmo aquelas que, sob pele de cordeiro, atuam para manter hegemonias centenárias.
Tal atitude perturba o conforto dos contentes ou os novos preconceitos da velha mídia? Paciência, este é o papel de um museu de arte contemporânea.
#
Réplica de Tadeu Chiarelli originalmente publicada no jornal "Folha de S. Paulo" em 7/5/13.
#
TADEU CHIARELLI, 56, é diretor do MAC USP.
Fabio Cipriano aponta difulculdades na arquitetura e conteúdo da mostra "O Agora, o Antes", em Cartaz na nova sede do MAC USP. +
A inauguração da mostra "O Agora, o Antes", que finalmente ocupa o sétimo andar da nova sede do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), revela uma série de dificuldades que envolveram a reforma do antigo prédio do Detran.
O próprio autor do projeto do edifício, Oscar Niemeyer (1907-2012), quando consultado sobre a reforma, propôs que a disposição dos andares fosse alterada, reduzindo alguns pisos, para assim se ampliar o pé-direito. Contudo, os órgãos reguladores do patrimônio, lamentavelmente, não permitiram a mudança.
Por conta disso, com "O Agora, o Antes" constata-se a inadequação da reforma para um espaço expositivo e, pior, a incapacidade da equipe expográfica do museu em lidar com essa situação.
Com pé-direito baixo e excesso de colunas, foram criados painéis em abundância, que mais lembram uma acanhada feira do que uma exposição museológica propriamente dita.
Dessa forma, o percurso torna-se excessivamente seccionado, sem organicidade, com um exagero de recortes. A expectativa, agora, é se nos demais andares a ocupação será tão problemática como a dessa primeira mostra.
Em termos de conteúdo, "O Agora, o Antes" revela ainda uma outra dificuldade, que diz respeito ao projeto do museu em apresentar seu acervo.
Enquanto instituições internacionais, como o Museu Reina Sofia, vêm tentando rever a história da arte de um ponto de vista menos eurocêntrico, o MAC parece não buscar um realinhamento dentro desse panorama.
A exposição, com curadoria de Tadeu Chiarelli, diretor do MAC, agrupa trabalhos por gêneros tradicionais da história da arte, como o retrato ou a natureza-morta, sem uma ambição maior, dando a impressão de ocorrer como um mero exercício de aproximações entre o passado e o presente.
A primeira sala, nesse sentido, é um bom exemplo. Exibir o "Autorretrato" (1919), de Modigliani, junto com a ótima série "Uma Situação Estimulada" (1976), da polonesa Anna Kutera, poderia representar uma mudança de perspectiva no papel do artista.
Afinal, enquanto na obra de Modigliani o artista se autorepresenta de forma majestosa, Kutera aborda a fragilidade. Contudo, especialmente se tratando de um museu universitário, faltam textos educativos que apontem para tais questões.
NÃO CRONOLÓGICO
Dessa forma, se por um lado percebe-se a tentativa em construir um percurso que não seja cronológico, o que já vem acontecendo em instituições como a inglesa Tate há muito tempo, seria importante ir além de agrupamentos temáticos.
Reunir obras de clássicos do modernismo --como os estrangeiros Picasso, Chagal, De Chirico e Matisse, além dos brasileiros Tarsila do Amaral e Flávio de Carvalho-- com contemporâneos como Cildo Meireles, Cindy Sherman e Fernando Piola, em uma exposição de acervo é, sem dúvida, um grande avanço para o MAC. Mas uma grande exposição não se faz apenas com grandes obras.
O AGORA, O ANTES
QUANDO ter., das 10h às 21h, de qua. a dom., das 10h às 18h
ONDE MAC-USP (av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, tel. 0/xx/11/3091-3039)
QUANTO grátis
AVALIAÇÃO regular
|
Texto de Fabio Cypriano publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 29/04/13.
Segundo a representante da Christie’s no Rio, Candida Sodré, a empresa ainda não concluiu se as dez obras em questão são ou não falsas e decidiu retirá-las do leilão para uma “análise profunda”. +
A casa de leilões americana Christie’s retirou às pressas dez obras de artistas brasileiros da venda que fará nos próximos dias 29 e 30, em Nova York. São quatro trabalhos de Ivan Serpa e os demais de Amílcar de Castro, Roberto Burle Marx, Mira Schendel, Hércules Barsotti, Ione Saldanha e Ubi Bava, que foram apontados por colecionadores e especialistas brasileiros como falsificações.
O alerta chegou à Christie’s na semana passada, quando a casa começou a atender telefonemas dos clientes que receberam o catálogo do leilão (uma ampla publicação que tradicionalmente antecede as vendas). Além de imagens e preços, o livro traz a procedência de cada uma das obras a serem negociadas — neste caso, são ao todo 320 trabalhos de arte latino-americana, sendo 50 de brasileiros.
Chamou a atenção dos compradores de posse do catálogo o fato de as dez obras sob suspeita terem a mesma procedência: como indica a publicação, pertencem à “Ralph Santos Oliveira collection” — coleção que, como apurou O GLOBO, é desconhecida entre os principais negociantes de arte do Rio.
Numa pesquisa simples no Google, os poucos registros para a busca do termo completo “Ralph Santos Oliveira collection” levam ao site da própria Christie’s e ao ArtNet, que repete os dados publicados pela casa de leilões.
Segundo a representante da Christie’s no Rio, Candida Sodré, a empresa ainda não concluiu se as dez obras em questão são ou não falsas e decidiu retirá-las do leilão para uma “análise profunda”.
— Quando mais de uma pessoa telefona e levanta suspeitas sobre essa ou aquela obra, nós retiramos e fazemos todas as pesquisas — afirma.
Há, completa Candida (sem detalhar), um trabalho prévio, que antecede a escolha das obras que irão a leilão.
— Nós pesquisamos, sim. Colecionadores vêm a nós e nós vamos a eles, às vezes são conhecidos, às vezes, não. Nós erramos, e não é a primeira vez que isso acontece, embora seja raro. A grande vantagem é que isso foi percebido antes do leilão. Foi tarde para o catálogo, mas cedo para o leilão — defende.
A simples presença das obras sob suspeita no catálogo, porém, já serve para que tenham alguma chancela no mercado de arte, e, agora, a preocupação de colecionadores de arte brasileira diz respeito ao próximo passo da Christie’s. Questiona-se se a casa irá avançar nas pesquisas de autenticidade e denunciar, caso seja comprovada a falsificação, ou se devolverá, sem mais buscas, as peças ao mercado — se o fizer, as obras agora terão o prestígio de terem sido registradas em catálogo internacional e poderão, assim, ser negociadas.
— Não sabemos o que fazer. A lei brasileira é confusa, e nós somos uma casa americana — diz Candida.
Para Haruyoshi Ono, que foi sócio de Roberto Burle Marx desde os anos 1960 até sua morte, em 1994, e que responde pelo acervo do artista, a casa agiu com “irresponsabilidade”.
— Não fui consultado e conheço o trabalho de Burle Marx há mais de 30 anos. Só de olhar eu sei o que é dele. E a falsificação (da obra que seria vendida pela Christie’s) é completamente grosseira — afirma ele, que foi procurado pela casa na semana passada, quando o catálogo já havia sido publicado e as obras do leilão, selecionadas.
Filho de Amílcar de Castro (1920-2002) e à frente do instituto que leva o nome do artista, Rodrigo de Castro também conta que foi procurado pela Christie’s na última semana.
— Me mandaram a imagem da obra por e-mail, mas não dou certificado de autenticidade só por uma foto e pedi para ver a obra, e eles não me procuraram mais — diz Castro. — Numa pesquisa rápida, vi que a obra em questão nunca participou de nenhuma exposição, não está em nenhum catálogo. Isso causa um certo grau de estranheza.
|
Texto de Audrey Furlaneto publicado no jornal O Globo | 07/05/13.
Foram retiradas por "dúvidas de autenticidade" quatro supostas telas de Ivan Serpa e obras de Mira Schendel, Amílcar de Castro, Roberto Burle Marx, Hércules Barsotti, Ubi Bava e Ione Saldanha. O caso foi revelado anteontem pelo jornal "O Globo". +
No jargão do mercado de arte, "não gostar" de uma obra é suspeitar que ela seja falsa. A Christie's, uma das maiores casas de leilão do mundo, "não gostou" de dez obras de artistas brasileiros que seriam leiloadas em Nova York no fim do mês e retirou as peças do evento, mesmo depois de publicar imagens delas em seu catálogo.
Foram retiradas por "dúvidas de autenticidade" quatro supostas telas de Ivan Serpa e obras de Mira Schendel, Amílcar de Castro, Roberto Burle Marx, Hércules Barsotti, Ubi Bava e Ione Saldanha. O caso foi revelado anteontem pelo jornal "O Globo".
Todas as peças vieram da mesma coleção. Ralph Santos Oliveira, um cientista de Niterói, afirma ter herdado as peças de sua avó e entregou as obras em consignação para a Christie's --no leilão, elas teriam lances iniciais de R$ 24 mil a até R$ 200 mil.
Mas antes do imbróglio em Nova York, Santos Oliveira tentara encaixar as mesmas peças num leilão do escritório Dagmar Saboya, que opera no Rio e em São Paulo.
"Fomos ao apartamento dele e lá estavam essas obras", diz Fernando Saboya, um dos leiloeiros da casa, que chegou a levar as peças para análise em sua galeria no shopping Cassino Atlântico, no Rio, e depois desistiu do negócio. "Ele pode ter sido lesado no passado ou pode estar querendo lesar. Não tem como investigar muito isso."
Na opinião de especialistas, algumas fraudes são evidentes. "Não há uma suspeita, é uma condenação sumária", diz Paulo Kuczinsky, marchand que chegou a ser consultado pela Christie's sobre a peça de Ione Saldanha. "Era uma cópia grotesca."
André Millan, que representou por dez anos o espólio de Mira Schendel, também levantou suspeitas sobre a tela da artista. "Fiquei em dúvida, a composição e as cores não são daquela época."
Depois da recusa de Dagmar Saboya em vender as peças, há seis meses, Santos Oliveira fechou com a Christie's e enviou as obras a Nova York no começo deste ano.
"Houve uma suspeita, mas não tenho como saber se são falsas", disse Santos Oliveira à Folha. "Estou tão chocado quanto alguém que compra algo errado. Minha avó deve ter comprado coisa errada."
Rodrigo de Castro, filho do artista Amílcar de Castro, diz nunca ter visto a suposta tela de seu pai que seria leiloada na Christie's e já acionou seus advogados para esclarecer o caso. Ele disse também que tem outros três processos em andamento para apreender obras falsas do pai.
CRACOLÂNDIA E SIBÉRIA
"É como denunciar que fumam crack no centro de São Paulo. As falsificações existem, vêm em ondas, é algo evidente, não é novidade", diz Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, uma das maiores casas de leilões do país. "É uma cracolândia que a gente vê todo dia no mercado de arte."
Bergamin, Kuczinsky e outros agentes do mercado disseram à Folha que recusam cerca de 500 peças por ano por suspeitas de falsificação e mantêm um arquivo fotográfico das possíveis fraudes.
"Meu arquivo se chama Sibéria, porque só tem quadro frio lá", conta Bergamin. "Quadro frio é quadro falso."
#
Artigo de Silas Martí publicado na edição de 9/5/13 da "Fola Ilustrada" na "Folha de S. Paulo"
Matthew Stephenson, diretor de estratégia de vendas da casa de leilões Christies, assume em setembro o cargo de diretor internacional sênior da Pace Gallery. +
Matthew Stephenson, diretor de estratégia de vendas na Europa, Oriente Médio, Rússia e Índia da casa de leilões Christies, assume em setembro o cargo de diretor internacional sênior da Pace Gallery, poderosa galeria americana que participou da última SP-Arte (realizada entre 04 e 07/04/13, no Pavilhão da Bienal) pela primeira vez .
Durante três anos, Stephenson administrou as operações russas da Christies em Moscow. Antes disso, trabalhou como especialista nos departamentos de Impressionismo e Século XX. Ele estava na equipe que organizou, comercializou, e vendeu a coleção de Sidney Brody, em 2010, que incluía Nude, Green Leaves, and Bust (1932), de Pablo Picasso, vendida pelo valor recorde de U$S 106.5 milhões, que continua sendo o segundo maior preço de vendas de um trabalho de arte em leilão.
Stephenson também teve um papel ativo na venda da coleção de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, em 2009, na cidade de Paris, que ainda é o recorde de coleção mais valiosa a ser leiloada.
Os laços de Stephenson com a Rússia atraíram a Pace, que inaugurou em outubro de 2012 uma sede em Londres.
Outras galerias nova-iorquinas também expandiram os seus negócios para Londres em 2012, entre elas a Michael Werner e a David Zwirner, todas com olhos nos colecionadores de regiões endinheiradas como a Rússia e o Oriente Médio.
Como o novo emprego, Stephenson entra no grupo de de veteranos selecionados de casas de leilão que recentemente decidiram largar o martelinho e juntar-se às vendas particulares. Em fevereiro deste ano, Ken Yeh, até então diretor da Christies na Ásia, anunciou que seria diretor das vendas na Ásia da Acquavella Galleries.
Matéria comenta sobre obras dos artistas Pablo Lobato e Yuri Firmeza, que interrogam curadores veteranos e novatos com uma mesma pergunta, sobre livro que gera polêmica nas redes sociais e evento a ser realizado em São Paulo. +
Diante da câmera, curadores respondem a uma única pergunta, sobre o que "fazem ou esperam fazer" quando organizam uma mostra. Entre jovens e mais experientes, falas destoam, com mais diferenças do que semelhanças.
Na ala dos veteranos estão Paulo Herkenhoff, Suely Rolnik, Lisette Lagnado e Moacir dos Anjos, entre outros. Pela nova geração, Luisa Duarte, Clarissa Diniz, Bitu Cassundé, entre outros. Todos foram interrogados pelos artistas Pablo Lobato e Yuri Firmeza para uma obra mostrada uma só vez até hoje.
Invertendo os papéis, Lobato e Firmeza colocaram os curadores na parede, para que explicassem seus métodos e revelassem suas ideias.
"Quem vai para o espaço não é a obra, mas o curador. Sempre teve muita especulação sobre o poder desses caras no Brasil", diz Lobato. "Então, a gente, com um espírito meio punk, queria ver como essa coisa funcionava."
Três anos depois de exibido em forma de instalação em Fortaleza, o projeto "O Que Exatamente Vocês Fazem, Quando Fazem ou Esperam Fazer Curadoria?" vai virar livro, que sai pela Azougue em agosto, enquanto os vídeos devem ser exibidos mais uma vez em mostra em São Paulo.
Esse é só um dos vários projetos que tentam "mapear sensibilidades" entre os curadores do país. Focando a nova geração, Guilherme Bueno e Renato Rezende lançaram há pouco o livro "Conversas com Curadores e Críticos de Arte", em que tentam mapear nomes emergentes.
"Essa é a primeira geração que não passou pelo dilema da transição da arte moderna para a contemporânea", diz Bueno. "A ideia era entender a formação intelectual desses autores, uma tentativa também de gerar história."
E polêmica. Desde que foi lançado, o livro vem provocando debates nas redes sociais, com alguns críticos apontando como falha do livro uma abordagem que põe no mesmo saco as figuras do crítico de arte e do curador.
No fim do mês, essas perguntas também devem ser levantadas no seminário Panorama do Pensamento Emergente. Organizado por Cristiana Tejo, o encontro levará ao Recife dez jovens curadores, entre eles Clarissa Diniz, Ana Maria Maia, Júlia Rebouças e Luiza Proença.
CONVERSAS COM CURADORES E CRÍTICOS DE ARTE
AUTOR Guilherme Bueno, Renato Rezende (org.)
EDITORA Circuito
QUANTO R$ 37 (365 págs.)
PANORAMA DO PENSAMENTO EMERGENTE
QUANDO dias 22/5 e 23/5
ONDE Espaço Fonte (av. Dantas Barreto, 324, Recife; pensamento.emergente@gmail.com)
QUANTO grátis (100 vagas)
|
Texto de Silas Martí, publicado no jornal Folha de S. Paulo | 07/05/1
24ª Bienal de São Paulo, organizada por Paulo Herkenhoff em 1998, é reconhecida, em duas publicações, como uma das mais importantes exposições já realizadas. +
A 24ª Bienal de São Paulo, organizada por Paulo Herkenhoff em 1998, acaba de ser reconhecida como uma das 25 exposições mais importantes realizadas entre 1962 e 2002.
A conclusão está no livro "Biennials and Beyond - Exhibitions that Made Art History (1962 - 2002)", (Bienais e além - exposições que fizeram a história da arte), lançado agora em abril pela inglesa Phaidon e editado por Bruce Altshuler.
O autor é professor na Universidade de Nova York, na qual é diretor do programa de estudos sobre museus.
Ele foi o responsável por "Salon to Biennial" (Salão até Bienal), uma compilação de 24 exposições essenciais, realizadas entre 1863 a 1959, publicada pela Phaidon, em 2008.
Com os dois volumes, pode-se dizer que a 24ª Bienal encontra-se entre as 49 mais importantes exposições já realizadas, ao menos segundo Altshuler.
CURADORES
Enquanto no primeiro volume estão listadas, basicamente, exposições organizadas por artistas, "Biennials and Beyond" aponta a importância que o curador assumiu, a partir dos anos 1960.
Nesse sentido, destaca-se a importância do suíço
Harald Szeemann, responsável por duas das mostras selecionadas: "When Attitudes Become Form" (Quando atitudes viram forma), de 1969, e a Documenta 5, de Kassel, realizada em 1972.
Das 25 exposições selecionadas, a única criada por um artista é "Freeze", organizada pelo inglês Damien Hirst, em Londres, no ano de 1988, mostra que lançou a chamada Nova Geração Britânica.
Para cada uma das exposições selecionadas, Altshuler apresenta um vasto material fotográfico, além de textos de seus organizadores e ainda artigos críticos, publicados na época da realização das mostras.
No texto introdutório ao capitulo dedicado à 24ª Bienal de São Paulo, também chamada Bienal da Antropofagia, o autor aponta sua importância por, "pela primeira vez", no sistema de bienais, estar "organizada em torno de um tema central com um grupo de curadores internacionais".
Em 1998, conclui Altshuler, "o sonho de Matarazzo em tornar São Paulo o centro do mundo da arte se realizou". Curiosamente, na lista de 25 mostras, nenhuma foi dedicada a Veneza.
OUTRA OBRA
A 24ª Bienal também será tema de outra publicação estrangeira, que está sendo organizada pela editora Afterall, dentro da série "Exhibition Histories" (histórias das exposições), que já abordou outras quatro mostras.
Um dos coeditores da Afterall é Charles Esche, que acaba de ser anunciado curador da 31ª Bienal de São Paulo.
O livro sobre a 24ª edição deve ser publicado no próximo ano e está sendo organizado por Pablo Lafuente, que também está no time da 31ª Bienal. (fabio cypriano)
BIENNIALS AND BEYOND - EXHIBITIONS THAT MADE ART HISTORY (1962 - 2002)
AUTOR Bruce Altshuler
EDITORA Phaidon
QUANTO US$ 100, importado (402 págs.)
|
Texto de Fabio Cypriano publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 29/04/13.


