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To nem aí... To nem aí...

Você acredita que o ministro da Cultura Giberto Gil esteve em Veneza no início de junho, durante a inauguração da Bienal de Veneza e não compareceu à abertura oficial do pavilhão brasileiro no evento? Pois é!!! Parece que ele sequer sabia que a cidade estava abrigando naquele momento o mais importante evento de artes plásticas do mundo e que o Brasil estava ali representado por sete artistas: o grupo Chelpa Ferro e Caio Reisewitz (no pavilhão brasileiro), e mais Cildo Meireles, José Damasceno, Valeska Soares, Rivane Neuenschwander e Laura Belém.
Nem preciso dizer que a classe artística brasileira presente em Veneza ficou indignada com o ocorrido.
Na verdade, qual teria sido o motivo da visita de Gil a Veneza: divulgar a Cultura brasileira ou divulgar sua carreira? A resposta é fácil, pois à Bienal ele não compareceu, mas não deixou de cantar para algumas dezenas de italianos?
Esse fato serve para nos lembrar a relação que os governos têm tido com a cultura brasileira. Por que será que nesse crucial momento político que o país está passando ninguém fala em ministério da Cultura? Ninguém fala porque o ministério da Cultura não interessa a ninguém, nem ao Governo e nem aos partidos!
A Cultura só interessa à população brasileira, mas infelizmente a população brasileira não é prioridade neste momento. Ou será que algum partido vai se interessar por um ministério que teve 0,4% do orçamento federal em 2004, verba que saltou para um “assombroso” 0,6% em 2005!!! Em que pese um certo exagero, uma frase ouvida recentemente de um artista próximo ao Governo mostra bem a disparidade das relações: “a Cultura é 100% PT, mas o PT não é nem 1% Cultura”.
Mas Gilberto Gil parece não estar nem aí. Enquanto o Brasil se afunda, ele roda o mundo cantando: “toda menina baiana tem um dom...”. Basta olhar o site do cantor para ver que a sua agenda está lotada, mas não de compromissos com a Cultura, mas de shows na Europa em julho e agosto. E durma-se com um barulho desses!

O Mapa das Artes agradece o fotógrafo German Lorca pela cessão da bela imagem que ilustra a capa desta edição: um chaveiro que, nos anos 50, espera seus clientes e observa o movimento na porta de seu estabelecimento na av. Ipiranga. A imagem, aqui reproduzida integralmente, pode ser vista no acervo do MAM-SP.