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editorial
Onde sobrevivem os fortes!

A Rede Globo errou ao gravar a série “Onde Nascem os Fortes” no sertão da Paraíba... A Vênus Platinada deveria ter gravado a série em ateliês, galerias e museus de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasil afora, locais onde o circuito de arte luta para nascer e come poeira para sobreviver...

Em vez de astros veteranos e novatos, com seus rostos maravilhosos e corpos escultóricos (tipo o gato Chay Suede na novela “O Segundo Sol”), a Globo poderia usar artistas, galeristas, professores, produtores, críticos e curadores... Esses anônimos em geral, postulantes a estrelas, mereceriam mais destaque, pois dão murro em ponta de faca e insistem em trabalhar em um país que desrespeita as artes e a Cultura continuamente...

Outro dia, a administração de alguns aeroportos brasileiros tentou, por livre iniciativa, classificar quais bens e produtos tinham valor “cívico-cultural” e assim cobrar taxas estratosféricas por obras de arte que entrassem no país e precisassem aguardar a liberação nos aeroportos... O MASP, por exemplo, recorreu na Justiça e ganhou! Que país é esse onde um burocrata pode definir o que tem ou não valor “cívico-cultural”?

Logo em seguida, Michel Temer assinou a Medida Provisória que criou o Sistema Único de Segurança Pública, cujos recursos devem garfar parte da arrecadação das Loterias e isso vai tirar as já minguadas fatias do orçamento da Cultura, do Esporte e, pasme!, até mesmo da Educação e da Saúde! O Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, reagiu contra a MP, mas logo voltou atrás. Foi sensato, pois arrumar emprego no Brasil não está fácil, ainda mais emprego de ministro...

Mas não podemos esmorecer, pois o buraco poderia ser mais embaixo ainda... Imagine se estivéssemos na Rússia de Vladimir Putin na presidência? Ou, pior ainda, nos EUA com o demônio platinado Donald Trump no poder???!!!

Mas voltando em direção à Pacha Mama quíchua (cujo dia comemoramos em 1º de agosto), à Yvy Marãe’y (para onde nos leva a migração profética dos Guarani), à Terra sem Mal, à Terra Brasilis, a situação das artes (e da Cultura em geral) no Brasil está mais árida que o agreste nordestino durante a seca de 1877... Naquele ano faltou até água benta para o Padre Cícero abençoar seus fiéis!!!

E por falar no Santinho, o Mapa das Artes pede que ele abençoe os dois eventos que fecharão este bimestre: a 12ª SP-Arte/Foto (de 22 a 26/8 no Shopping JK Iguatemi) e a 2ª Semana de Arte, evento organizado por Luisa Strina, Emílio Kalil, Thiago Gomide, Ricardo Sardenberg e Pablo León de la Barra (Pavilhão das Culturas Brasileiras, de 31/8 e 3/9).

Então vamos rezar: “Oh, meu querido Padre Cícero! Nós que estamos desamparados, sem terra, sem casa, sem transporte ainda conseguimos encontrar esperança em seu divino poder. Permite que os nossos dias sejam produtivos e que encontremos o caminho da prosperidade. Proíbe que os sacerdotes falsos, voltados para a riqueza material e ignorados da riqueza espiritual, nos sujem com suas falsas profecias. Recompensa-nos, querido Senhor, pelos calos em nossas mãos e permite que nossa família também seja abençoada em seu nome. Pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!”

O Mapa das Artes agradece a Deus por mais esta edição e também aos anunciantes, como a Galeria Estação, de Vilma Eid, que gentilmente cedeu a imagem da pintura “Viaduto do Chá” (1991), de Agostinho Batista de Freitas para a capa desta edição.

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Celso Fioravante
Editor