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Tempo, tempo, tempo, tempo...

O que esperar para as artes em 2017? Os astros e orixás nos dão algumas dicas! Terminado em 2016 o ciclo regido pelo astro-rei Sol, começa um novo ciclo de 36 anos, desta vez, regido por Saturno, o taciturno e impiedoso grego Cronos, senhor maior do Tempo, essa arma cruel e redentora do circuito de arte, aquela que consagra, mas também enterra carreiras e artistas. Além de reger o novo ciclo, Saturno também será o regente do ano que agora se inicia... Sua representação mais clássica na história da arte está no Museu do Prado, em Madri: “Saturno Devorando um Filho”, de Francisco de Goya (1746-1828).
O tempo é cheio de contradições e senhor do imprevisível. É lento como o ciclo de Saturno, mas também é rápido como a flecha e o cavalo de Oxóssi (comemorado em 20/1 e em 23/4, sincretizado em São Sebastião e em São Jorge), orixá regente de 2017, que predominará especialmente no primeiro semestre do ano, quando então o ano passará a sentir também as influências da doce mamãe Oxum (8/12, sincretizada em Nossa Senhora da Conceição, padroeira da maternidade). Oxum dará mais calma ao ano, mas ele continuará rápido como os fios da cachoeira onde a doce mãe lava seus cabelos. Assim como Oxóssi, Oxum também ativa o circuito de arte, pois é vaidosa e volúvel... E gosta de ouro e riqueza...
Sensível à rapidez do tempo, o Mapa das Artes programa já para o primeiro semestre as cinco exposições dos dez selecionados da 8ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria: em São Paulo (duas mostras, nas galerias Sancovsky e Zipper), Belo Horizonte (Orlando Lemos), Goiânia (Potrich) e Rio de Janeiro (Patrícia Costa). O Mapa das Artes pede para que mamãe Oxum intervenha e derrame seu leite sobre esses seus dez filhos do circuito de arte, a despeito de Saturno, pai e algoz, que pretende devorá-los. Ora yê yê ô!
Por uma coincidência enorme, mas não por acaso, o Mapa das Artes tentará ainda viabilizar a 1ª edição do Salão dos Artistas Mortos, e assim reativar aqueles que foram enterrados pelo tempo, mas que podem também ser ressuscitados por ele.
Este editorial homenageia o eterno defensor da democracia Dom Paulo Evaristo Arns e o grande amante e incentivador das artes Edgard Azevedo, para quem o tempo chegou no final de 2016. Para eles, o Mapa das Artes relembra alguns versos de Caetano Veloso na canção “Oração ao Tempo”: “E quando eu tiver saído; para fora do teu círculo; tempo, tempo, tempo, tempo; não serei nem terás sido; tempo, tempo, tempo, tempo. Ainda assim acredito; ser possível reunirmo-nos; tempo, tempo, tempo, tempo; num outro nível de vínculo; tempo, tempo, tempo, tempo”.
O Mapa das Artes agradece os artistas Guto Lacaz e Edson Kumasaka pela cessão da imagem-colagem que ilustra a capa desta edição e que foi publicada originalmente no fanzine “O Roubo do Monumento às Bandeiras” (2016) - www.youblisher.com/p/1638819-O-ROUBO-DO-MONUMENTO-AS-BANDEIRAS-tragedia-rupestre-Guto-Lacaz-2016-2a-Edicao
Feliz 2017 a todos!
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Celso Fioravante - Editor
mapadasartes@uol.com.br